Capítulo 13

Os meses vão passando lentamente, tendo o foco total nos meus estudos para os meus NIEMS e também ajudando Sirius e seus amigos a se tornarem animagos. Demora meses, mas finalmente eles conseguem no final do mês de novembro. Sirius tornou-se um lindo cachorro preto, deve ser algo no sangue dos Black que faz termos ligações como o gênero Canis, ele sendo um cão e eu um lobo. Tiago transformou-se em um impressionante cervo, com uma galhada enorme. O desagradável Pedro tornou-se um rato, algo que não surpreende já que é bem sorrateiro.

Durante algumas luas cheias me junto a eles na casa dos gritos para fazer companhia ao Remo durante as transformações. Ele não se continha de felicidade por ter tantos amigos junto com ele, enquanto seu lobo interior ficava fazendo festa e pulando sem parar a noite toda.

A calmaria e a diversão terminaram quando recebo no início de dezembro com uma carta de Lucius, informando que a grande reunião aconteceria no dia vinte e quatro de dezembro. Desde que recebi a carta ando nervosa e um pouco mais irritada. Os marotos tiveram o azar de fazer uma brincadeira de muito mau gosto com Severo neste meu momento de irritação, o que não foi nada bom para eles.

Tiago junto com Sirius usando um feitiço que Severo tinha inventado, o penduraram no ar pelos pés. Provocando-o e chamando-o de ranhoso, numa situação totalmente humilhante ameaçaram tirar as roupas dele. Lily tentou ajudá-lo, mas Severo estava numa raiva cega e acabou por chamá-la de sangue-ruim, a pior ofensa para um nascido trouxa. Posteriormente Severo tentou desculpar-se, mas Lily estava decidido a não aceitar. Com isso ele ficou devastado, começou a andar ainda mais com Mulciber e Avery e mergulhar cada vez mais nas artes das trevas.

Irritada com a situação, encontrei os quatro marotos num corredor isolado após o toque de recolher. Lancei uma magia nos quatro que os colaram no teto e deixei-os lá, totalmente pelados.

̶ Vocês têm muita coragem de atacar em grupo, não é? Sempre quatro contra um. Vou deixar vocês aí em cima para pensarem um pouco em suas ações. E não ousem falar meu nome para quem achar vocês aí, senão conto sobre o mapa.

̶ Não faz isso, Morgana. Não nos deixa aqui, estamos arrependidos.

̶ Quieto, Pedro. Não estou interessada em falsas desculpas e lágrimas de crocodilo. Seja homem e agüente as conseqüências. Até mais meninos.

Finalmente as férias de final de ano chegaram e para aliviar minha tensão duelava com meu pai até esgotar totalmente minha magia. Na noite do dia vinte e quatro aparatei na mansão Malfoy, com as minhas emoções totalmente sob controle. Lucius passa-me a capa e a máscara, apresenta-me aos outros bruxos que lá estavam esperando as ordens de seu mestre.

̶ Meus comensais da morte, hoje os trouxas irão festejar um feriado muito importante para eles. Em uma data que significa amor, paz e esperança. Vamos transformar para eles em terror, dor e morte. Vão meus queridos comensais, divirtam-se.

Sinto a mão de Lucius no meu ombro, aparatando-me num bairro trouxa.

̶ Destrua algumas casas, cause um pouco de caos. Mostre para o lorde o que tu podes fazer, impressione ele.

Após a ordem de Lucius, começo a lançar alguns feitiços destrutivos em direção a algumas casas. Ouço o riso maníaco de Bellatrix perto de mim, misturados aos gritos torturados de uma jovem que estava com alguns cortes no rosto. Os gritos desesperados vinham de todos os cantos, o fogo que queimava algumas casas iluminava a escuridão da noite. De repente começo a ouvi sons de aparatação e diversos outros bruxos aparecem para combater os comensais. Lucius que tinha estado ao meu lado o tempo todo, pega no meu braço e aparata-me novamente para a mansão.

Ao voltar, encontramo-nos em uma sala menor, com apenas cinco comensais presentes. Ao tirarem as máscaras vejo que são Rodolfo, Rabastan, Bellatrix, Lucius e para minha surpresa Abraxas Malfoy, o grande amigo do meu pai. Os irmãos Lestrange tinham um sorriso animado no rosto e vibravam como se tivessem ganhado um jogo de quadribol. Lucius e seu pai estavam sérios, olhando-me como se estivessem analisando minha reação. Bellatrix com um sorriso maníaco no rosto segurava uma jovem pelos cabelos longos e ruivos. Com um feitiço império a fez ajoelhar-se na minha frente em silêncio. O lorde vem para o meu lado e começa a sussurrar no meu ouvido.

̶ Finalmente chegou à hora de você receber nossa marca, senhorita Black. Antes disso, você deve passar por uma prova final. Torture e mate essa trouxa imunda que a Bella nos trouxe. Eu sei que você conhece as maldições para isso. Faça e receba tudo o que deseja nessa vida.

Sem vacilar um segundo e com a mão e a voz firme lanço a maldição cruciatus. Ao mesmo tempo em que a mulher gritava de dor eu sentia o poder começar a correr pelas minhas veias. Não consigo segurar o sorriso que escapa dos meus lábios. Ao ver minha reação, os olhos do lorde brilham de alegria sombria, aguarda mais alguns segundos e ordena-me o próximo passo.

̶ Muito bem, minha querida. Agora vamos adiante e mate-a. No futuro você muito tempo para se deleitar com a cruciatus.

Suspendo a maldição da tortura. A trouxa treme e geme descontroladamente. Resolvo dar um fim ao sofrimento dela e lanço a maldição da morte. O corpo finalmente fica imóvel e os soluços param. Os olhos dela, frios e sem vida, olham em minha direção, causando-me um arrepio na espinha. Sinto a mão fria do lorde no meu braço, sua varinha pressionada na minha pele e sinto uma dor aguda percorrer meu antebraço, utilizo da oclumência para acalmar um pouco da dor e mordo o lábio para não deixar escapar um gemido e em seguida a marca negra estava lá. Escuro e um pouco vermelha latejando.

̶ Bem vinda aos comensais senhorita Black. Quando sentir a marca queimar deixe ela te trazer até mim.

Aparato em casa e vejo que meu pai me esperava no seu escritório. Assim que o vejo atiro-me em seus braços, apertando com força, tentando esmagar todos os sentimentos que afligiam meu coração naquele momento. Sentei com meu pai no sofá, colocando minha cabeça em seu colo procurando apoio.

Os gritos dos trouxas não saiam da minha cabeça, os olhos mortos daquela senhora que matei me dava náuseas, mas o pior de tudo foi perceber que o prazer que senti torturando ela. O poder maravilhoso que senti correr nas minhas veias. Estava tão cansada e confusa que comecei a chorar sem parar até finalmente dormir, com meu fazendo carinho nos meus cabelos. Estava tão cansada que acordei somente na tarde do dia seguinte, comi um rápido lanche e fui novamente para o escritório conversar com o meu pai.

̶ Como você esta se sentindo, filha?

̶ Um pouco melhor eu acho. Vou ter que acostumar rápido com isso. Ver o pior dos seus amigos e de mim mesma. Bem, já era esperado por isso. Quando recebi a marca, o pai de Lucius estava presente. Você sabia que ele é um comensal?

̶ Eu desconfiava, ele sempre circulou por esses caminhos. Ele te conhece desde que nasceu, é seu padrinho de nascimento. Imaginei que ele iria querer estar presente nesse momento tão importante para ti.

̶ Não tinha como escapar disso, não é pai?

̶ Não minha filha. Já estava escrito nas estrelas o seu caminho. Agora só resta trilhá-lo.

Resolvi seguir a orientação do meu pai e viver da melhor forma possível com as minhas decisões. A festa de final de ano foi um manifesto disso, passei todo tempo junto com vários comensais, amigos antigos ou novos conhecidos. Esse movimento não passou despercebido para alguns convidados da festa, especialmente alguns colegas sonserinos.

Quando retornei para Hogwarts percebo que a notícia já tinha se espalhado pela sonserina. Alguns dos meus colegas olhavam-me com ainda mais admiração e respeito. Na mesma semana que voltei para a escola, passei um bilhete para professora Mcgonagall avisando o diretor que a marca já estava no meu braço. A professora segurou a minha mão tentando consolar-me, dispensei educadamente seu consolo e fui para minha próxima aula.

Depois do meu retorno fui chamada mais umas cinco vezes para participar de ataques trouxas e mais duas vezes a vilarejos trouxas, como não sabia com antecedência dos ataques, não conseguir avisara sobre os ataques. Em um desses ataques ocorreu um confronto com os aurores e um feitiço errante acertou-me na parte lateral das minhas costas, abrindo um corte profundo e doloroso. Mesmo machucada consigo aparatar na casa dos gritos e usar a passagem de lá para voltar à escola. Enquanto ia em direção ao salão comunal sou interceptada pela professora Mcgonagall que patrulhava os corredores esperando a minha volta. Quando percebeu o sangue nas minhas roupas insistiu que eu fosse até o escritório do diretor para que eu fosse curada.

Durante o resto do ano letivo sou praticamente perseguida pelo Mulciber, Avery e Barty que viviam insinuando sobre os comensais e minha possível união com eles. E sempre recebiam a mesma resposta. Cuidarem de suas próprias vidas, suas notas escolares e ficarem quietos sobre o assunto. No entanto, eles são burros o bastante para não entenderem essas palavras e em um final de semana complicar minha vida.

Era um dia com a temperatura agradável e a maior parte dos alunos estava em Hogsmead. Decido aproveita a calmaria e dar umas voltas pelo terreno, encontro uma árvore mais afastada e acendo um cigarro. O meu sossego é interrompido quando vejo perto da floresta proibida, o Mulciber, Avery e o Barty derrubam no chão uma aluna do terceiro ano da lufa lufa e começam a debochar dela. Mulciber retira a varinha para enfeitiçá-la, mas antes que isso ocorra à varinha dele voa de sua mão para o chão. Saindo da floresta estão Tiago e Sirius, ambos com as varinhas levantadas prontos para lutar. Resolvo interromper a briga antes que piore.

̶ Posso saber o que está acontecendo aqui? Guardem suas varinhas, agora.

̶ Morgana, eu sei que você viu que ele ia atacar a garota. Você vai deixar isso acontecer?

̶ É claro que não, Sirius. Eu como monitora chefe devo manter a paz entre os alunos. Dói-me dizer isso, mas cem pontos a menos para a sonserina.

̶ Você não pode fazer isso, Black. Depois de tudo que tu anda fazendo por aí, você vai proteger uma sangue ruim? Justo você?

̶ Cala a boca, Avery. Antes que piore a situação. Saiam daqui, antes que eu tire mais pontos da minha própria casa.

Os três saíram espumando de ódio, mais tarde vou enquadrar eles melhor. Agora tinha que resolver o problema com que eles me deixaram um Sirius e um Tiago muito desconfiados.

̶ O que ele quis dizer, Morgana? O que tu tem feito?

̶ Você vai ficar escutando o que esse merdinha fica falando por aí? Ele faz as merdas dele e acha que todo mundo faz igual. Tira isso da cabeça, Sirius.

̶ Ele parecia bem confiante que tu ias apoiar o ataque ao nascido trouxa. Tu deste algum motivo pra eles pensarem dessa forma?

̶ Está insinuando algo Tiago? É melhor pensar duas vezes antes de falar algo que se arrependa.

̶ Está me ameaçando?

̶ Não seu idiota. Só te avisando para não sair tirando conclusões precipitadas. Até parece que não me conhece.

Dou adeus para eles e vou até o salão comunal, onde vejo os três sonserinos encrenqueiros. No mesmo instante retiro a varinha e lanço-os para a parede mais próxima, não ligando para os olhares espantados dos outros alunos que estavam na sala.

̶ Pelo maldito Merlim. O que vocês acham que estão fazendo? Enfeitiçando um sangue ruim na frente de grifinórios. Se forem fazer algo não sejam pegos. Obrigaram-me a descontar cem pontos da sonserina. Sejam sorrateiros e honrem a casa de vocês.

Chegando mais próximo deles e falando baixo, continuei a criticá-los.

̶ E ainda ficam insinuando coisas na frente deles. O que vocês querem? Anunciar no profeta diário que sou uma comensal da morte?

̶ Então é verdade? O que estão sussurrando por aí? Você ganhou a marca ainda na escola?

Vi os olhos do Mulciber brilhar quando confirmei e discretamente levantei a manga mostrando a marca no meu antebraço esquerdo. Soltei-os e falei para ficarem quietos sobre o assunto e que se eles se comportassem bem, sem ataques tolos, talvez falasse deles para o lorde. Depois desse episódio ocorreu mais nenhuma complicação e o meu último ano escolar terminou sem mais problemas e com todas as notas máximas nos meus NIEMS.