– Draco, pare, vai fazer um buraco no chão! – exclamou Pansy irritada.
Eram 18:35 e fazia exatamente 19 minutos que Draco estava pronto, andando de um lado pro outro, esperando o horário para sair. Nos primeiros cinco minutos o nervosismo do loiro era engraçado, agora Pansy achava–o apenas irritante.
– Chega! – disse Pansy, levantando e empurrando o amigo no sofá. – Fica sentado aí enquanto eu pego uma cerveja pra ver se você desliga um pouco.
Draco cruzou os braços emburrado fazendo Pansy revirar os olhos antes de sair para a cozinha. O loiro havia amadurecido muito desde que se conheceram, principalmente depois da guerra, mas, em alguns momentos, como aquele, o pequeno Malfoy sonserino mimado escapava.
– Essa cara emburrada vai dar ruga. – provocou Pansy, estendendo a cerveja para o amigo que a aceitou imediatamente. – Ainda tenho mais uns 15 minutos te aguentando então procura alguma coisa na televisão para assistirmos.
– Por que mesmo você está aqui?! – resmungou Draco. Já estava se acostumando com os amigos aparecendo na sua casa sem avisar, ele também fazia isso, mas, naquele dia em específico, estava sem paciência para os comentários de Pansy.
– Porque eu sabia que você estaria surtando...
– Não estou surtando! – exclamou Draco.
– E eu sou uma ótima amiga e vim te fazer companhia. – continuou Pansy, ignorando a interrupção – Não sei porque você está nervoso, vocês já foram em infinitos encontros.
– Eu não estou nervoso!
– Ok. Sem falar do encontro então. – rendeu-se Pansy vendo que o assunto não estava levando a lugar nenhum. – Ainda é estranho pensar que o Blaise está namorando. – disse a primeira coisa que lhe veio à cabeça.
– Não é como se fosse mudar muita coisa, ele já estava completamente apaixonado na Luna.
– Verdade. – concordou Pansy dando de ombros. – O que aconteceu com os meus sonserinos solteiros divertidos? – dramatizou, se jogando de costas no colo de Draco.
– Só quem não está solteiro é o Blaise.
– Você está indo pelo mesmo caminho.
– É um encontro, Pan, não meu casamento!
– Se fosse só um encontro você não estaria nervoso dessa forma.
Draco suspirou irritado.
– Levanta, está amassando a minha camisa. – disse para a amiga.
Pansy se levantou preguiçosa e Draco seguiu para o banheiro para checar, pela milésima vez, se tudo estava no lugar. Penteou os cabelos e, vendo que já estava quase na hora de sair, passou perfume.
Alguns minutos haviam se passado quando Pansy gritou:
– Eu consigo ouvir você andando de um lado para o outro no quarto Draco!
– Eu não estava andando de um lado para o outro, – disse Draco, voltando para a sala – estava aproveitando o tempo livre para arrumar algumas coisas no quarto.
– Nos conhecemos há tempo demais para você ainda achar que me engana, Malfoy. – respondeu Pansy revirando os olhos.
– E você, vai fazer o que neste sábado à noite? – perguntou Draco, buscando se distrair.
– Não sei. – respondeu Pansy, dando de ombros – Josh me chamou para sair, mas estou com preguiça.
– Preguiça de sair ou preguiça dele?
– Ele é uma boa pessoa, mas quer algo mais e eu não estou disposta a isso. Concordar em sair para jantar passaria a impressão errada.
– Quem diria, Pansy Parkinson recusando um pretendente por não querer iludí-lo. – brincou Draco.
– Eu sou uma boa pessoa. Quando eu quero. – disse Pansy com uma piscadinha.
Ficaram mais alguns minutos jogando conversa fora e passeando pelos canais da televisão, sem realmente parar para assistir nada, até o horário apropriado para saírem.
– Vamos? – disse Draco levantando do sofá e oferecendo a mão para ajudar Pansy a fazer o mesmo.
– Acho que vou encontrar a Maeve em uma festa. É aqui pertinho então eu vou ficar para me arrumar, tudo bem?
– Quem é Maeve mesmo? – perguntou Draco, tentando se lembrar onde já tinha escutado esse nome.
– Minha colega do laboratório; a que indicou o SweetLine.
– Ah! – exclamou Draco, lembrando-se da mulher baixinha de cabelos cacheados que trabalhava duas salas depois de Pansy. – Você sabe que ela dá em cima de você não é?!
– Já ficamos algumas vezes. – disse Pansy dando de ombros – Você não achou mesmo que eu iria dispensar um pretendente sem ter outro não é? – brincou.
– Você não tem jeito mesmo! – disse Draco, rindo. – Lembra onde estão as suas coisas?
– Última gaveta da cômoda.
– Do lado esquerdo. – acrescentou Draco – O lado direito estão as coisas do Blaise e um casaco que a Luna esqueceu aqui da última vez.
– Posso pegar a camisa que você foi no primeiro encontro com o Potter?
– Por que? Você tem suas próprias roupas. – perguntou Draco, confuso.
– Ela fica muito bonita com aquela saia lápis verde que está aqui.
– Quando você... – começou Draco mas logo se interrompeu, balançando a cabeça – Acho que prefiro não saber como você tem essa informação. Pegue o que quiser, só não desarrume minhas coisas.
– Obrigada, Loiro! – disse Pansy abraçando e deixando um beijo estalado na bochecha do amigo – Prometo que não estarei aqui quando você voltar com o Potter.
– Eu não...
– Divirta-se! – interrompeu Pansy.
Pansy saiu correndo para o quarto de Draco e ele seguiu para a porta de entrada, aparatando quando chegou ao jardim. Lá estava, mais uma vez, Draco Malfoy, parado na frente daquela porta de madeira. Bateu e se afastou um passo para trás.
– Oi. – cumprimentou Harry com um sorriso quando abriu a porta.
– Olá. – respondeu Draco.
Malfoy notou que o moreno estava muito elegante, muito mais bem vestido do que a primeira vez que eles se encontraram, vestia uma camisa bordô e uma calça social creme. "Um verdadeiro grifinório", constatou Draco, sem conseguir conter um pequeno sorriso no canto do lábio e uma revirada de olhos.
– Hm... – começou Harry após alguns segundos deles estarem parados na porta, se encarando. – Você quer entrar ou...?
– Não, vamos direto para o restaurante. Temos uma reserva e já está no horário.
– Vamos andando? – perguntou Harry enquanto trancava a porta. – Podemos ir de carro se for mais longe.
– Você dirige? – perguntou Draco surpreso.
– Sim! – respondeu Harry, animado. – Tirei a carteira e comprei um carro pouco depois de concluir o curso de auror! Se quiser ir de carro eu tenho que voltar para pegar a chave.
– Você sabe que é um bruxo, não sabe? – brincou Draco. Ele não estava estendendo o uso de todos aqueles objetos trouxas, primeiro para a porta de casa agora para o carro.
– É uma chave encantada, o carro só funciona com ela. Mione me ajudou depois que Ron bateu meu carro pela terceira vez, agora ele só dirige sobre a minha supervisão ou a dela.
– E a chave de casa? – perguntou Draco, sem conseguir conter a curiosidade.
– Mais ou menos a mesma lógica, só é possível entrar na casa dessa forma. Girar a chave é muito mais simples do que ficar lançando diversos feitiços várias vezes.
– Granger também? – Ele estava realmente impressionado, aquela era uma ideia genial.
– Foi um trabalho conjunto, os Weasley também ajudaram muito. Cada chave funciona apenas para uma casa específica, essa é a minha e tenho também a da casa do Ron e da Mione e a da casa da Gina. – disse mostrando o molho de chaves – Então, voltando um pouco, vamos de carro?
Draco considerou brevemente ir de carro e ver Harry dirigindo. Apesar de parecer uma ideia muito interessante, o restaurante ficava no centro de Londres e seria impossível conseguirem um local para estacionar.
– Não, hoje vamos aparatar mesmo. – respondeu Draco, estendendo o braço para Harry segurar.
Harry segurou o braço do loiro, um pouco incerto com a proximidade, e, com um estalo, eles agora se encontravam na lateral de uma loja fechada. Draco começou a caminhar pouco à frente, visto que era o único que sabia onde eles estavam indo, e Harry o seguiu. Alguns silenciosos minutos depois, eles pararam em frente a um restaurante.
– Toujours. – Harry leu as letras cursivas em cima da porta.
– Espero que goste de comida francesa. – disse Draco empurrando a porta e entrando.
Assim que Harry o seguiu para dentro do restaurante, Draco soltou a porta e se dirigiu para o atendente.
– Boa noite, tenho uma reserva para dois.
– Boa noite, senhor. Qual o nome da reserva? – perguntou o recepcionista com um sorriso simpático
– Draco Malfoy.
– Me acompanhe, por favor, senhor Malfoy.
– Harry. – chamou Draco.
Eles seguiram para dentro do salão e Harry agradeceu por ter colocado uma roupa mais arrumada do que de costume. Aquele não era o tipo de lugar que costumava frequentar; grandes lustres no teto mas que emitem uma iluminação fraca, pratos com uma apresentação rebuscada de comidas que ele não conseguia identificar e pessoas vestidas de ternos ou vestidos arrumados.
– Aqui. – disse o atendente indicando uma mesa.
Harry estava tão absorto observando o local que não percebeu que eles haviam parado e quase colidiu com Draco.
– Um garçom virá em alguns instantes para atendê-los.
Com essa frase, o recepcionista saiu, voltando para a entrada do restaurante. Draco e Harry se sentaram na mesa e em poucos instantes apareceu a garçonete, lhes entregando o cardápio e servindo água.
– É muito... bonito aqui. – comentou Harry quando ela se afastou.
– O restaurante é um dos meus preferidos.
Eles voltaram a ficar em silêncio e ambos começaram então a analisar o cardápio. Harry não conhecia muitos dos pratos que estava lendo; nunca havia se sentido confortável em lugares tão chiques como aquele e por isso não costumava frequentá-los. Depois de alguns minutos, desistiu de tentar entender.
– O que você recomenda? – disse Harry.
– Desculpa, o que? – perguntou Draco, que estivera distraído em seus próprios pensamentos.
– Qual prato você acha que é o melhor aqui? Você disse que é um de seus restaurantes preferidos, imagino que tenha sugestões.
– Gosto muito do Blanquette de Veau, do Steak tartare, do Coquilles saint jacques e do Magret de canard.
Harry ficou em silêncio olhando o cardápio à procura dos pratos que Draco tinha mencionado, aquela informação não tinha sido muito útil para ele saber o que eram mas se eram os preferidos de Draco não poderiam ser ruins. O olhar confuso com o qual Harry analisava o cardápio não passou despercebido para Draco, que resolveu completar a informação anterior.
– Carne de vitela com molho de natas, carne crua picada na ponta de faca temperada, vieira e filé de pato. O meu preferido é o Steak tartare. Eles tem também um filé acompanhado de batata gratinada e uma massa com frutos do mar, eu nunca comi, mas minha mãe diz que são gostosos.
– Ah, obrigado. – agradeceu Harry sem graça; não pretendia deixar Draco perceber o quão deslocado estava naquele local. – Acho que vou ficar com o pato.
Draco chamou a atendente e eles fizeram os pedidos. O jantar seguiu a maior parte em silêncio, ambos tentaram em alguns momentos iniciar alguns assuntos mas nunca durava mais do que alguma troca de palavras, a conversa não fluía.
Harry começou a se perguntar se Draco não estava ali apenas por obrigação. Aquilo não fazia sentido em um primeiro momento, afinal, o loiro era quem havia sugerido o encontro. Entretanto, quanto mais pensava sobre o assunto, mais Harry chegava à conclusão de que Draco o havia convidado apenas por se sentir pressionado pelos amigos. Ou quem sabe por estarem todos bêbados. O motivo não era importante, Harry sabia apenas que Draco não parecia confortável com o jantar.
O Magret de Canard estava realmente delicioso. Apesar da fama das porções francesas serem pequenas, o prato era muito bem servido, e Harry se sentia extremamente satisfeito.
– Só a conta então. – disse Draco para a atendente depois de Harry dispensar a sobremesa.
– Você tem certeza que não quer comer nada? Você estava comentando sobre os profiteroles... – insistiu Harry.
– Certeza, podemos ir embora. – respondeu Draco, seco.
Foi o que bastou para Harry confirmar seus pensamentos. Eles pagaram a conta rapidamente e seguiram em silêncio para o local onde havia chegado, para poderem aparatar.
– Ahn... – começou Harry, incerto sobre como se despedir – Obrigado pelo jantar, estava muito gostoso.
– Não precisamos fazer isso. – disse Draco. Seu rosto era uma mácara, impossível de ler, deixando Harry confuso.
– O que...
– Estávamos nos encontrando apenas por causa do curso. – disse Draco. – O curso acabou, não temos mais que nos encontrar.
Harry suspirou. Uma coisa era ter aquilo como pensamento, ouvir Draco confirmando que estava ali apenas por obrigação era outra completamente diferente. Mas, antes que Harry pudesse falar qualquer coisa, o loiro começou a divagar.
– Você é o menino que sobreviveu, o eleito, salvador do mundo bruxo... E eu não posso nem usar meu próprio sobrenome no trabalho. – Draco deu uma risada anasalada, sem humor, e acrescentou, tão baixo que não foi possível ouvir. – É claro que não iria funcionar.
Então Harry finalmente entendeu: Draco não estava lá por obrigação, ele estava estranho por pensar que Harry era quem estava se sentindo obrigado. E, em um momento de coragem, Harry o beijou.
Foram apenas poucos segundos, nos quais Draco não conseguiu fazer nada a não ser arregalar os olhos pela surpresa, e logo Harry se afastou. Percebendo o que havia acabado de fazer ele se apressou em justificar.
– Me desculpa... – ele gesticulava nervoso com as mãos enquanto tentava fazer sentido com as palavras – É que você estava falando essas coisas sem sentido e eu não sei o que…
Mas não conseguiu terminar. Draco havia se recuperado do choque e percebido o que aquele beijo significava: Harry não estava ali por obrigação, ele queria estar naquele jantar. Mais do que isso, Draco percebeu que aquele contato não havia sido suficiente e que agora quem estava falando coisas sem sentido era Harry. Assim, foi a vez do loiro de puxá-lo para um beijo.
O que começou como um beijo confuso e um pouco receoso de ambas as partes, logo se aprofundou e eles se separaram apenas quando a falta de ar se fez presente. O sorriso bobo e o rosto corado de Harry não passaram despercebidos e fizeram Draco dar um leve sorriso, satisfeito.
Nenhum dos dois queria mais encerrar a noite naquele momento. Após alguns segundos de silêncio, apenas se olhando, Draco se lembrou da conversa com Pansy e decidiu fazer a sugestão.
– Pansy comentou sobre uma festa que iria acontecer hoje, se você quiser nós podemos ir.
– Você quer ir a uma festa? – perguntou Harry, ainda meio atordoado com tudo que havia acontecido nos últimos minutos.
– Foi só uma sugestão, não precisamos ir. – Draco apressou-se em dizer, se perguntando o porquê de ter dado aquela ideia.
– Não! – exclamou Harry um pouco alto e rápido demais, corando em seguida. – Eu quero ir. Qual o nome?
– Para falar a verdade eu não sei ao certo... – riu Draco.
– Tem uma bem legal aqui no centro, Dalston, será que é essa?
– Acredito que não, ela disse que era perto da minha casa. Mas eu já ouvi falar muito bem da Dalston, podemos ir lá.
Os dois saíram caminhando pelas ruas de Londres em direção à boate. Ao contrário de como estavam antes, eles conversaram durante todo o percurso de 20 minutos. A boate estava lotada mas, alguns minutos e um Draco muito persuasivo depois, eles conseguiram entrar e logo se dirigiram ao bar.
O cheiro de café fez Draco recobrar a consciência. Sentia a cabeça doendo e, apesar de estar deitado em algo confortável, aquilo não era sua cama, o travesseiro era macio demais. As lembranças da noite passada estavam voltando aos poucos.
Ele estava em uma boate, estava quente, lotada.
Tinha um copo em sua mão, um líquido azul, meio congelado. Não, era um copo pequeno, com um líquido verde. O gosto do limão e da tequila queimando a garganta invadiu sua memória e ele chegou à conclusão de que eram bebidas diferentes; e ele havia bebido todas.
Não, não todas. Pelo menos não sozinho. Ele estava brindando com alguém antes de virar o shot de tequila. Estava dançando com alguém, beijando essa pessoa.
Harry!
Draco abriu os olhos e se levantou assustado, gerando uma pontada de dor na cabeça pelo movimento repentino. Olhando para os lados confirmou suas suspeitas, estivera dormindo em uma cama, mas aquele não era seu quarto. Mas não havia ninguém com ele.
Se ele havia passado a noite na casa de Harry, será que... Não. Ele logo descartou essa linha de raciocínio. Se algo tivesse acontecido ele saberia. Além disso, a outra metade da cama estava intocada e ele se lembrava vagamente de Harry brigar com ele por ter deitado ainda com os sapatos antes de se deixar vencer pelo cansaço.
O aroma do café invadiu novamente suas narinas, despertando-o de seus devaneios. Ele então se levantou da cama passando as mãos na camisa, em uma falha tentativa de desamassá-la, e seguiu o cheiro até a cozinha onde encontrou Harry.
– Olá. – cumprimentou Draco, com a voz ainda rouca pelo sono e pela agitação da noite anterior.
– Bom dia. – retribuiu Harry com um sorriso. – Não sabia o que você comia, fiz ovos mexidos. Acho que o café já terminou de coar também. Fique à vontade.
– Obrigado.
Draco seguiu para a cafeteira e serviu uma xícara. Quando foi servir a segunda, lembrou-se de Harry dizendo que não bebia café, e, antes que pudesse perguntar, notou que ele já estava com uma xícara de chá. Draco deu um sorrisinho; Harry havia feito café somente por saber que o loiro gostava.
Harry serviu os ovos e eles se sentaram na mesa da cozinha.
– Você ainda está com as roupas de ontem. – constatou Draco após alguns minutos.
– Não queria fazer barulho no quarto. – disse Harry dando de ombros.
Eles terminaram de comer em silêncio, por não saberem como agir. Não era desconfortável, era apenas uma situação nova. Ficaram sentados, Harry bebendo seu chá e Draco já na quarta xícara de café. Harry foi o primeiro a se pronunciar.
– Tem um parque aqui na frente. Como está um dia bonito, pensei que poderíamos dar uma volta.
– Não posso, prometi que ajudaria minha mãe no orfanato hoje. – respondeu Draco. E observando as horas no relógio da cozinha, acrescentou – Na verdade, já estou atrasado.
– Ah, claro. Tudo bem. – disse Harry sem graça pela sugestão anterior.
Harry se levantou e começou a recolher os pratos apressadamente, mas Draco pegou seu pulso, impedindo-o de continuar. Ele parou, ainda com os pratos na mão e olhou, primeiro para o próprio pulso, e depois para Draco, surpreso. O loiro pareceu então se dar conta do que havia feito e soltou o pulso de Harry.
– Eu... – tentou dizer Draco.
Ele não queria que o clima estranho que estava no jantar voltasse, mas não sabia como verbalizar o pensamento. Coçou a garganta e decidiu recomeçar.
– O que acha de jantarmos na segunda?
Soube no momento em que o sorriso de Harry se abriu que havia escolhido as palavras certas.
– Às 20h? – perguntou Harry.
– Pode ser.
– Ron comentou sobre um novo restaurante que ele foi com a Mione em Clerkenwell, podemos ir lá.
– The Great Chaser?
– Esse! Você conhece?
– Não, mas Blaise foi na inauguração. Ele disse que é muito bom e o Blaise é realmente chato para comer! – disse Draco, rindo, e sendo acompanhado por Harry. – Nos encontramos lá?
– Pode ser.
– Combinado. Agora eu realmente tenho que ir, ainda tenho que passar em casa para me arrumar.
Harry o acompanhou até a porta. O momento da despedida foi um pouco confuso, nenhum dos dois sabia muito bem o que fazer e acabaram com um abraço estranho, mas que gerou algumas risadas. Ao se afastarem, Draco desceu os degraus da porta de entrada e se virou quando chegou na calçada.
– Até amanhã, Harry. – disse Draco, aparatando em seguida.
– Até amanhã, Draco. – repetiu Harry, fechando a porta.
