O tão esperado capítulo do reencontro finalmente chegou! ^^ Espero que gostem! ❤

Capítulo 13 - Lar

- Esme vai ficar tão feliz...

Com um meio sorriso nervoso, Edward deu um abraço rápido em uma sorridente Carmen, enquanto Bella seguia se despedindo das três irmãs Denali, as mulheres loiras cercando-a e abraçando-a com tanta força que pareciam estar com medo de só vê-la novamente dali cinquenta anos. Todavia, sua parceira também parecia bastante emocionada ao se despedir daquelas que eles agora consideravam suas primas. Não havia dúvida de que as quatro haviam criado um laço de amizade inquebrável que jamais pereceria, mesmo que eles estivessem prestes a voltar para Forks e reencontrar os Cullen.

Com aquele mero pensamento, seu estômago se afundou um pouco pela pressão da expectativa, enquanto o alto-falante acima deles anunciava a última chamada para o próximo voo até Washington, o que finalmente levou Tanya a soltar Bella de entre seus braços.

- Venham nos visitar logo, ou vamos nos tornar os primeiros vampiros a morrer de saudade. – a líder dos Denali fungou, dramaticamente – E, por favor, mandem nossas lembranças para todos os Cullen. Sentimos falta deles também.

- Deixe-os ir de uma vez, Tanya. – Kate rolou os olhos, embora fosse óbvio que ela também estivesse triste por ver Bella indo embora – Finalmente nosso telepata dramático tomou a decisão de voltar para a casa. Não lhe dê a oportunidade de mudar de ideia.

- Eu não vou mudar, Kate. Não se preocupe. – Edward sorriu, estendendo o braço para puxar Bella para perto dele, controlando a gargalhada ao ver a careta que surgiu no rosto de Kate.

- Tenham uma boa viagem. – Eleazar sorriu – E, por favor, nos liguem assim que chegarem. Apesar de que eu tenho a sensação de que vão precisar de bastante tempo para se apresentar a todos os Cullen.

Apesar de acompanhar a risada do amigo, Edward se concentrou nas lembranças que passearam pela mente dele, novamente tentando absorver cada pequena parte da personalidade dos "filhos" de Carlisle, para tentar fazer daquele encontro o mais confortável possível – havia Rosalie, loira e bela, mas sempre parecendo altiva e arrogante em todas as lembranças que as pessoas tinham dela; Emmett, o parceiro dela, imenso e sorridente, mas também competitivo e com tendências caóticas, até onde Edward tinha entendido; Jasper, contido e coberto de cicatrizes, além de portador do estranho dom de controlar as emoções alheias.

E então, havia Alice.

A pequena e esfuziante vampira que todos os Denali adoravam, mas que também tinha o dom mais curioso de todos: vidência.

Ele ainda tinha conhecimentos limitados sobre como suas habilidades funcionavam, mas, pelo que os pensamentos dos Denali o haviam ensinado, as probabilidades apontavam para que Alice já soubesse que ele e Bella estavam a caminho de Forks. O que significava que certamente Esme e Carlisle também já sabiam que ele estava voltando para eles. O que eles estariam pensando? Estariam surpresos? Felizes? Enojados? E os demais Cullen? O que pensariam sobre o fato de que um perfeito estranho estava prestes a chegar em seu lar? Especialmente um que podia ler seus pensamentos?

Surpreso, ele sentiu a mão de Bella acariciar seu rosto, trazendo sua atenção diretamente para o tímido e encorajador sorriso que ela lhe oferecia. Imediatamente sentindo grande parte da tensão abandonar seu corpo, ele gentilmente pegou a mão dela e beijou sua palma, permitindo que a maciez de sua pele e seu cheiro doce e inebriante o acalmassem cada vez mais.

- Hora de ir. – ela sussurrou, seu sorriso se ampliando enquanto ela tirava a mão de seu rosto apenas para entrelaça-la na dele e apertá-la delicadamente.

- Sim, tem razão. – ele murmurou de volta para ela, retribuindo seu aperto antes de se voltar uma última vez para os Denali, que os observavam com felicidade e expectativa em seus rostos. Depois de tantos meses, Edward bem sabia que eles estavam profundamente satisfeitos pelos dois estarem prestes a reencontrar seus pais, mesmo que de maneiras diferentes. – Nos vemos em breve. – ele prometeu, com um sorriso profundamente agradecido – Obrigado por tudo o que fizeram por nós.

- Sempre seremos uma família. – Bella completou, a voz tão cheia de emoção que Edward soube que não demoraria muito para que a saudade os trouxesse de volta ao Alaska.

- É claro que sim. – Kate grunhiu, aparentemente tentando disfarçar sua própria emoção com bom humor – Agora, vão logo. Ou terão realmente que ir andando até Washington.

Contendo sua risada, Edward colocou o braço em torno do ombro de sua parceira e beijou sua testa, permitindo-se absorver um pouco mais da paz vinda da presença dela antes de dar um passo à frente naquela nova fase da eternidade dos dois – uma fase que poderia mudar tudo. A imprevisibilidade do que aconteceria naquela visita aos Cullen podia até estar tornando-o ansioso, mas, enquanto ele estivesse com Bella, tudo ficaria bem. Não havia dúvidas.

- Nos vemos em breve, primos. – ele sorriu uma última vez para os Denali, enquanto Bella, com o lábio inferior preso entre os dentes para conter a emoção, acenou hesitantemente para eles, antes que os dois finalmente se virassem, deixando para trás os sorrisos e acenos agridoces daqueles que haviam sido sua família durante quase um ano.

A cada passo que eles davam para dentro do enorme e lotado salão de embarque do aeroporto, Edward sentiu Bella tentar disfarçar a imensa tensão que se apossava dela e transformava seus ombros em pedra. Fingindo se inclinar para dar-lhe um beijo na testa, ele aproximou-se discretamente de seu ouvido e sussurrou.

- Pode prender a respiração, se estiver muito difícil. – ele aconselhou, preocupado.

Durante os últimos seis meses de treinamento, o autocontrole de Bella só havia se fortificando, provando como sua companheira tinha uma tendência natural a conter suas emoções, especialmente as ruins – mesmo que ele não gostasse muito de pensar o quanto disso vinha de sua vida humana. Mais rápido do que qualquer outro recém-nascido existente, ela tinha construído uma resistência ímpar ao desejo por sangue humano e, mais cedo até do que Edward esperara, eles estavam dando longos passeios pela cidade, várias vezes indo até mesmo à cinemas e teatros, enquanto Bella só se tornava cada vez mais confortável com a sede em sua garganta. Todavia, ele sabia que uma estadia cronometrada em lugares cheios de humanos, em que eles facilmente poderiam fugir com apenas uma simples corrida, era muito diferente de passar horas presa em uma caixa de metal voadora cercada por humanos de sangue quente, mesmo que a primeira classe fosse relativamente mais ampla. Eles tinham feito algumas viagens aéreas curtas para pequenas cidades do Alaska, como forma de treinamento, mas aquele sem dúvida seria o maior tempo que Bella passaria ao redor de humanos em um avião – e ele sabia que ela estava temerosa sobre falhar, como sempre ficava.

- Eu estou bem. – Bella engoliu em seco, parecendo ainda concretada demais para olhá-lo – É apenas o nervosismo que está me fazendo exagerar. Não me sinto realmente tão sedenta. Jamais poderia me sentir, depois de tudo o que você me fez beber ontem à noite, Sr. Exagerado. – ela o cutucou levemente entre as costelas, aparentemente querendo aliviar o clima com um pouco de humor.

- Todo o cuidado é pouco. – ele sorriu, tentando se defender – E está na época de reprodução dos leões da montanha. Seis a menos não vão fazer falta.

Satisfeito ao vê-la rir, Edward a guiou por todo o aeroporto, escondendo o rosto dela contra seu pescoço, enquanto fingia beijar seu cabelo, a fim de esconder seu nariz sempre que ela parecia nervosa demais por estar em alguma multidão. Ele sabia que merecia o título de exagerado que ela lhe dera, especialmente sabendo que ela poderia simplesmente prender a respiração, sem precisar de um teatro tão grande. Além disso, era óbvio que Bella estava muito mais nervosa e assustava com a perspectiva de atacar alguém, do que tentada a atacar realmente. Todavia, torturava-o vê-la com problemas e não poder fazer nada para ajuda-la, mesmo que fosse uma ajuda completamente irrelevante.

Ainda assim, Bella pareceu realmente encontrar algum conforto em se apoiar em seu ombro e, assim que eles finalmente se sentaram em suas poltronas, ela enterrou o rosto na curva do pescoço dele, respirando fundo, como se quisesse absorver o seu cheiro, antes que eles finalmente levantassem voo, rumo à Washington. Relaxando contra a cadeira, enquanto se esforçava para se desconectar das centenas de vozes ao seu redor, tornando-as apenas um murmúrio longínquo, ele virou o rosto e também enterrou o nariz nos cabelos dela, respirando seu perfume sem qualquer pudor.

- Está tudo bem? – ele lhe perguntou, a voz saindo em um sussurro tão leve que mesmo as pessoas mais atentas ao redor pensariam tratar-se apenas de um ressonar.

- Sim. – ela suspirou, movendo um pouco a cabeça para poder olhá-lo nos olhos – Estou lidando com tudo isso melhor do que eu imaginava... – o sorriso que ela lhe lançou parecia aliviado – Controle excepcional, certo?

- Você é completamente excepcional. – ele riu sob a respiração, inclinando-se apenas o suficiente para beijar a ponta de seu nariz, descendo os lábios gentilmente pelo rosto dela até chegar ao pescoço, fazendo-a estremecer ao percorrer o lóbulo de sua orelha com a ponta da língua.

- Você está tentando me distrair do cheiro? – ela arfou suavemente, o tom de voz sugerindo um gemido contido.

- Não. Eu sou o único que está sendo distraído por você. – ele ronronou com um sorriso perverso, colocando o braço ao redor dela, fingindo abraça-la castamente enquanto aproveitava a posição para moldar discretamente o formato de seu seio com a palma da mão – É difícil me concentrar em qualquer outra coisa quando você está por perto. – ele sussurrou contra o ouvido dela.

- Edward! – ela arfou quando ele correu o dedo indicador sobre seu mamilo intumescido por cima do suéter – Alguém pode ver...! – ela correu os olhos ansiosamente ao redor dos dois, avaliando as amplas poltronas afastadas uma das outras com distâncias seguras ao longo da primeira classe.

- Eu saberia se estivessem olhando. Eles acham que você dormiu no meu ombro e eu estou simplesmente abraçando você... – lentamente, ele correu a outra mão ao longo de sua coxa, deixando seu dedo indicador traçar levemente a costura do zíper, provocativamente perto de sua intimidade, coberta apenas por um tecido jeans tão frágil e fácil de burlar, se ele apenas erguesse a mão e a mergulhasse dentro da cintura da calça... – Quer aproveitar? – ele deu um sorriso de canto, deliciando-se ao vê-la engasgar quando ele desceu a ponta do dedo, com o mais leve dos toques, pelo local onde ele sabia que seu clitóris sensível estava.

Por alguns segundos, Bella apenas o observou, o olhar dividido entre o desejo, a inquietação com suas provocações e a diversão com aquela brincadeira quente. Por fim, ela apenas bufou e desceu o rosto até seu peito, aconchegando-se nele, aparentemente tentando parecer irritada enquanto o sorriso brincalhão que se formava em seus lábios a traía.

- Estou quase arrependida por ter apresentado o sexo a você, sabia? – ela o provocou por sobre a respiração – Se dá conta de que está se tornando um ninfomaníaco?

- Você está reclamando? – ele a provocou de volta, sorrindo maliciosamente.

- Não... – ela respondeu lentamente, enquanto mordia os lábios sugestivamente e o olhava por sob os cílios – Só estava me perguntando como vai fazer para conter tanta lascívia quando estivermos na casa dos seus pais.

A menção a Carlisle e Esme o atingiu com uma forte onda de ansiedade e, automaticamente, ele se sentiu congelar. Tentando disfarçar a reação de tensão, ele deu um sorriso torto, descansando o queixo sobre sua cabeça para não ter que olhá-la nos olhos.

- Sempre há hotéis por aí. – ele tentou parecer brincalhão, embora seus pensamentos estivessem indo por caminhos frenéticos – Talvez nós não precisemos incomodá-los, ficando assim tão perto. Na verdade, acho que dificilmente eles se sentiriam confortáveis se ficássemos na casa deles, como fizemos com os Denali. Assim que chegarmos vou procurar um hotel. E, não precisamos nos apressar tanto. É sua cidade, afinal. Você gostaria de fazer algo primeiro? Visitar algum lugar de longe ou conferir como estão seus amigos...?

- Edward. – sua voz suave e preocupada interrompeu sua torrente de palavras e, timidamente, ele baixou lentamente os olhos até a expressão apreensiva dela – Por que tem tanta certeza assim de que eles podem acabar não querendo você por perto? – ela questionou, aflita, enquanto passava os dedos pelas têmporas dele.

- Acho que é justamente uma questão de certeza. – ele confessou com um suspiro – Não estou completamente certo se eles realmente podem me aceitar depois de... Tudo. – seu novo suspiro saiu agoniado – E isso... Me assusta. Saber que eles podem me renegar. E com toda a razão, obviamente.

- Isso não vai acontecer. – ela deve ter percebido a expressão cética que ele tentou conter, pois rapidamente emendou – E, mesmo que aconteça, o que certamente não vai... – ela bufou – Eu vou estar aqui com você. Vai ficar tudo bem, no final. – as carícias dela desceram para sua bochecha conforme ela sorria, carinhosa e confiante – Não tenha medo. Especialmente porque duvido que eles sejam capazes de fazer algo assim, especialmente Esme. – ela balançou a cabeça, divertida – Depois de tudo o que me contou, sinto que os conheço com a palma da mão. Mal parece que vai ser a primeira vez que vou encontra-los oficialmente. E como a família do meu parceiro. – a voz dela foi tornando-se cada vez mais incrédula ao longo da frase.

- Adoro a maneira como você faz parecer que está simplesmente indo conhecer os pais do seu namorado. – ele riu, a tensão abandonando-o conforme as palavras dela confortavam sua alma – E você tem razão.

- Geralmente eu tenho. – ela sorriu brilhantemente – Sobre qual das várias coisas nesse caso, especificamente?

- Que, enquanto eu tiver você, tudo sempre vai ficar bem. – sentindo-se arrebatado pela intensidade do amor que sentia por aquela mulher, ele se inclinou para tomar os lábios dela em um beijo apaixonado, que só foi quebrado quando ela se afastou para lhe dar um sorriso convencido, mas também absolutamente amoroso.

- É claro que eu tenho razão!

- Esse lugar é realmente perfeito para se viver.

Edward elogiou, enquanto olhava ao redor da floresta sombria em que eles caminhavam. O sol no céu nublado tinha um brilho tímido quase inexistente, servindo apenas para iluminar o minúsculo local chuvoso. Ali, entre as árvores, Forks parecia ainda mais pacata e nublada, quase como se um escudo de nuvens estivesse protegendo o chão da claridade.

- Com tão pouco sol, andar pela cidade em plena manhã deve ser mais do que fácil. – ele avaliou, realmente surpreso com o quanto aquele lugar era ideal para um grupo de vampiros se fixar – Deve ser realmente quase como se fôssemos humanos novamente, dadas as devidas proporções.

- Tudo é sempre verde e molhado por aqui. – ao seu lado, Bella deu um suspiro melancólico – Nenhuma probabilidade de expor a existência de globos de discoteca humanos, com certeza.

Apesar de sua piada, Edward se concentrou na tristeza aparente na voz dela.

- Você ainda não gosta daqui? – ele questionou-a, sabendo perfeitamente, depois de tudo o que eles haviam conversado durante aquele último ano e alguns meses, que desde criança Bella sempre preferira o sol do lar onde vivia com a mãe do que a fria e úmida cidade natal do pai. Ainda assim, várias vezes, quando mencionava Forks, havia um saudosismo na voz dela que o deixava curioso.

- Não. Era uma bobagem da minha parte odiar isso aqui. – Bella suspirou, percorrendo o tronco áspero de uma árvore próxima com a ponta dos dedos – É o lar do Charlie e eu nunca verdadeiramente dei valor a isso. Gostaria de ter tido a oportunidade de dizer a ele que eu não o julgava por amar tanto esse lugar. – ela fungou pesarosamente e Edward automaticamente foi para mais perto dela, abraçando seus ombros.

- Ele sabe disso, meu amor. No fundo, ele sabe. – ele a consolou, embora ainda não tivesse tido a oportunidade de ouvir como a mente do pai dela funcionava, já que eles haviam saído direto do avião para ir em busca da casa dos Cullen. Bella não tinha muitas informações sobre onde ela se localizava exatamente, mas eles tinham tempo de sobra para procurar e Edward tinha esperanças de que, quando Carlisle ou Esme sentissem seu cheiro por perto, viessem de encontro a eles.

Seu acalento, felizmente, pareceu surtir efeito, pois Bella sorriu um pouco e pôs-se a andar um pouco mais rápido, enquanto refletia – Ainda mal posso acreditar que havia uma família de vampiros vivendo em Forks. É claro, os filhos do Dr. Cullen sempre pareceram um pouco misteriosos e intimidadores na escola, além de incrivelmente bonitos, obviamente, mas vampiros era a última coisa que eu pensaria sobre eles.

- Isso é bom, significa que você nunca esteve em perigo. – ele sorriu, aliviado – E é normal que os humanos fiquem facilmente intimidados por nós, quando queremos.

- Eu não fiquei intimidada por você. – ela relembrou, o sorriso em seu rosto se tornando verdadeiro.

- Você não estava condições de ser racional naquele momento. – ele moveu a cabeça para dispersar as lembranças daquela primeira noite – Certamente, se eu estivesse entre os Cullen enquanto você ainda era humana, você teria ficado apavorada comigo. – ele afirmou, convicto.

- É claro que não. – ela franziu o nariz adoravelmente, como se ele acabado de dizer a maior das inverdades – Eu teria me apaixonado do mesmo jeito. A diferença é que você não teria se apaixonado por mim. – ao mencionar a si mesma, o franzido de seu nariz tornou-se enojado, como se ela estivesse cheirando algo repugnante.

- Bella, eu duvido que exista qualquer outra realidade em que eu não termine completa e eternamente apaixonado por você. Talvez não à primeira vista, mas certamente o passar do tempo só me faria ficar cada vez mais fascinado por você. Especialmente em um ambiente tão tedioso quanto uma escola para adolescentes humanos. – a incredulidade no olhar que ela lhe lançou o fez gargalhar – É claro, nada seria tão simples. Seria um amor proibido, afinal. – ele deu de ombros, distraído; aquele cenário era tão improvável e dramático que parecia ter saído diretamente de uma peça shakespeariana. – Mas nós encontraríamos uma maneira, amor, não tenha dúvida. – ele a assegurou, beijando gentilmente sua testa

- Sim, é verdade... – ela sorriu docemente, ficando perdida em seus pensamentos silenciosos por alguns segundos, antes de finalmente voltar-se para ele, com seu sorriso se ampliando – Acho que ao menos tivemos essa vantagem, não é?

- Eu não diria isso. – ele suspirou – Gostaria que você não tivesse perdido tantas coisas. Mas, de fato, sei por experiência própria que as coisas poderiam ser piores. E, além do mais, se há algo que você me ensinou, amor, é que não podemos mudar o passado. Então, sim... – ele sorriu amorosamente para sua linda parceira – Fico grato por não termos perdido tanto tempo, em perspectiva.

- Você é sempre tão técnico. – ela riu, puxando pelo pescoço para poder beijar sua bochecha – E sempre com a mente cheia de mais pensamentos do que é saudável.

Ele estava com a boca já entreaberta, pronto para devolver a fala dela com algum comentário bem-humorado, quando o som repentino de duas mentes próximas o pararam. Surpreso, ele institivamente segurou Bella protetoramente junto a si, enquanto se atentava aos pensamentos que chegavam até ele... Mas o que viu o deixou paralisado pelo choque.

Dentro daquela mente desconhecida, ele viu a si mesmo e à Bella, naquela mesma floresta e com as exatas mesmas roupas que usavam naquele momento, como se a pessoa em questão os estivesse observando bem de perto – o que era impossível, já que ele tinha completa certeza de que aquela mente estava a quilômetros de distância. Com o detalhe de que não era exatamente a cena de verdade: naquela imagem mental, ele e Bella estavam encarando um casal que ele reconheceu ser Alice e Jasper Cullen, dois dos novos filhos de Carlisle. Naquele cenário estranho, ele viu a si mesmo rosnando e protegendo Bella com seu corpo, aparentemente se sentindo ameaçado pelo vampiro loiro, apesar de Jasper permanecer calmo e impassível em frente a eles.

Inquieto, sua mente trabalhou freneticamente para tentar entender o que era aquilo que estava vendo. O formato e a sensação daquelas imagens eram completamente diferentes de tudo o que ele já havia ouvido antes, nos últimos 100 anos... Não era uma lembrança, muito menos uma cena imaginada...

Não seja ridículo, Edward., de repente a imagem que ele estava observando se desvaneceu, deformando-se em uma nova imagem, onde agora os ânimos pareciam mais calmos e ele viu a si mesmo parecendo pasmo, ao invés de ameaçado, Não há nada a temer. Você vai passar uma péssima primeira impressão ao Jasper. Sem contar o fato de que Bella vai pensar que somos perigosos e eu não quero isso. Ela tende a sempre ficar do seu lado... Pelo menos por enquanto.

Os pensamentos petulantes que o repreendiam de repente jogaram luz sobre sua confusão e ele se deu conta do que eram as estranhas imagens que estava vendo se remodelarem a cada segundo, conforme suas escolhas e reações mudavam.

Visões do futuro.

Ele estava lendo a mente de Alice Cullen.

Como se invocada pela simples menção ao seu nome, a vampira apareceu diante deles, terminando em um átimo o último quilômetro que os separavam, mas ainda assim mantendo alguns metros seguros de distância deles, aparentemente motivada pela mente cautelosa do macho ao lado dela – Jasper. Conforme Edward já o havia visto no rosto dos Denali, o parceiro de Alice tinha a pele translúcida coberta de cicatrizes – provas aparentes de quantas lutas ele já havia entrado, e provavelmente vencido. Porém, apesar de ser uma aparência bastante amedrontadora, que inclusive pareceu fazer Bella ficar um pouco tensa entre seus braços, não foi aquilo que fez Edward entender porque estivera tão defensivo naquela visão anterior de Alice.

Olhá-lo pela mente de outras pessoas não era nada comparado ao verdadeiro conteúdo da mente de Jasper em pessoa. Um estrategista nato, seus pensamentos automaticamente já estavam formulando maneiras de incapacitar os dois forasteiros que poderiam ser uma potencial ameaça a sua idolatrada companheira. E, ainda que fosse aparente que aquilo era algo automático para sua mente militar, que o vampiro sequer podia controlar, Edward não ficou nem um pouco confortável ao ter que assisti-lo atacar Bella de diversas maneira em sua mente. Pigarreando para conter o impulso de rosnar, Edward se concentrou em assistir Alice saltitar animadamente até eles, com um sorriso gigantesco no rosto, sendo seguida por um Jasper ainda absolutamente cauteloso.

Finalmente! Alice cantarolou em sua mente antes de pular sobre os dois, surpreendendo-os ao envolve-los em um abraço apertado. Meus irmãos!

Assistir a mente vidente de Alice funcionar era realmente fascinante. Especialmente porque suas palavras eram nada mais do que verdadeiras. Em seus pensamentos, ela já considerava a ele e Bella como seus amados irmãos: não havia distinção para ela entre os sentimentos do presente e os que ela sentiria no futuro. Desde a primeira visão que tivera com os dois, Alice não apenas sabia que os amaria um dia. Ela verdadeiramente passou a amá-los. E esperou ansiosamente pelo dia em que eles finalmente viriam até os Cullen, para tornar realidade todas aquelas visões fantásticas que ela havia tido ao longo dos meses. Fora uma espera exasperante, Edward percebeu enquanto corria por seus pensamentos, mas ainda assim ela esperara pacientemente pelo momento em que eles estivessem prontos para unirem-se à família.

Em apenas alguns segundos, ele viu milhares de visões passarem por sua mente, cenários vindouros e concretos como pedra, que enchiam a pequena vampira de felicidade: Alice e ele, no que parecia ser uma partida de xadrez muito elaborada, se divertindo enquanto cada um tentava ganhar utilizando seu próprio talento acima do talento do outro; Alice e Bella, com os braços ao redor um da outra e rindo de algum assunto misterioso, a amizade e a cumplicidade tão óbvias que eram quase contagiantes; flashes de corridas velozes, risadas altas e discussões acaloradas, mas ainda assim amistosas no que parecia ser... Um jogo de basebol?; flores, música e um grande jardim ornamentado, repleto de pessoas vestidas elegantemente e uma linda mulher de branco...

Não, não qualquer mulher... Bella.

Bella vestida de noiva.

Bella vestida de noiva andado pelo altar até ele... No casamento deles.

Sua cara é ainda melhor ao vivo do que nas minhas visões. Alice riu em sua mente, fazendo questão de destacar a expressão encantada que estava começando a iluminar o rosto dele.

- Hmmm... É bom te rever, Alice. – Bella foi a primeira a quebrar aquele longo silêncio, com um sorriso tímido e nervoso, enquanto corria os olhos entre a óbvia e silenciosa troca entre ele e Alice.

- Fico muito feliz em ver que você está bem, Bella. – Alice sorriu, dando um passo para trás e libertando-os de seu abraço, algumas lembranças da dor do chefe de polícia da cidade, após o desaparecimento da filha, passando por sua mente rapidamente. – E não se preocupe, não há praticamente nenhuma chance de você encontrar com o Charlie enquanto estivermos perto da nossa casa. – a vampira explicou, uma visão antiga surgindo em sua mente, onde Bella, com as exatas mesmas roupas que estava usando naquele dia, lhe perguntava se havia algum risco de ela acidentalmente encontrar-se com seu pai estando na casa dos Cullen – E essa certeza se deve em grande parte graças a mim, já que nos poupei muito tempo vindo buscar vocês. – Alice colocou as mãos na cintura enquanto voltava os olhos exclusivamente para ele, claramente dando-lhe uma bronca – Francamente, Edward. Vagar por aí enquanto espera um de nós sentir o seu cheiro? Não acredito que realmente considerou fazer Carlisle e Esme esperarem ainda mais tempo, depois de mais de 70 anos. – ela rolou os olhos – Passei semanas com dor de cabeça enquanto o futuro mudava a cada minuto por causa da sua indecisão em voltar ou não. Felizmente, Bella... – Alice sorriu, claramente orgulhosa daquela que já era, em seus pensamentos, sua melhor amiga – Conseguiu finalmente te convencer. Agora nem sequer pense em voltar atrás! – ela o ameaçou – Você é a maior e melhor surpresa que eles poderiam ter, seu bobo! Então vamos logo! A família inteira vai adorar conhecer vocês. – algo na maneira como ela começou a se focar em demasia somente nas imagens mentais da felicidade de Carlisle e Esme o fez pensar que talvez aquela última afirmação dela não fosse completamente verdade.

Contudo, aquela hipótese ficou em segundo plano, já que as lembranças que ela trouxe a seguir fizeram a garganta dele apertar. Assistir Carlisle e Esme contarem sobre ele para os Denali já havia sido uma experiência agridoce, mas ver, através dos pensamentos de Alice, a maneira como eles pareciam saudosos e quase destroçados quando falavam sobre ele, como se Edward fosse um pedaço deles que estivesse faltando, o impactou de tal maneira que, por alguns momentos, ele se viu totalmente sem fala. Mais do que criadores falando do recém-nascido que haviam trazido para a imortalidade, eles eram pais falando sobre seu filho perdido para seus outros filhos: amorosos, indulgentes, terrivelmente preocupados e, mais do que tudo, esperançosos de que ele voltasse para eles algum dia. Uma esperança tão profunda que parecia brilhar em seus olhos dourados conforme Alice os havia assistido falar emocionados, ao longo dos anos, sobre seu primeiro filho e como desejavam que ele pudesse fazer parte da família que haviam construído.

Era tão terrivelmente óbvio que ele deveria ter retornado antes, - tão aparente que pessoas tão fantásticas e amorosas quanto Carlisle e Esme jamais seriam capazes de oferecer-lhe nada além de perdão - que a culpa de tê-los feito sofrer com sua ausência por tanto tempo o sufocou por um momento.

- Que bom que você está aqui agora. – a potência dos sentimentos que o tomavam era tão grande que, por um momento, ele pensou que Bella estava falando com ele, até se dar conta de que ela sorria para Alice – Vocês podem nos levar até eles agora mesmo, não é? – ainda sorrindo linda e esperançosamente, Bella tomou sua mão e deu-lhe um aperto encorajador.

- Sim, certamente. – Jasper pigarreou e Edward observou, curioso, como a onda de remorso que o tomara havia interagido com o dom dele: aparentemente, seus poderes de empatia o permitiam não apenas controlar emoções alheias, mas também senti-las como se fossem as suas próprias, o que, conforme Edward percebeu, podia ser bastante desconfortável quando se trava de sentimentos negativos. Assim como o dom de Alice, era fascinante observar como Jasper manipulava as emoções no formato de ondas, até finalmente enviar nada além de saudades na direção dele, a fim de tudo o que sobrasse em Edward fosse apenas ansiedade para rever Carlisle e Esme. Sentir o sentimento toma-lo, contudo, era, além de interessante, também um pouco incômodo, ele tinha de admitir, ainda mais tendo a perfeita ciência de que estava sendo manipulado.

Todavia, nem mesmo isso foi capaz de impedir que ele se sentisse desesperado para rever seus pais – e ele sabia que grande parte daquele sentimento não vinha apenas dos poderes de Jasper.

- Nossa casa fica mais ao leste, em uma campina. – Alice sinalizou, com sua mente estranhamente ocupada cantarolando o hino da Armênia em espanhol por nenhuma razão aparente; aquela estratégia para bloqueá-lo de sua mente estava realmente começando a exaspera-lo um pouco – Perto o suficiente da cidade para não levantar suspeitas e longe o suficiente para nos permitir alguma liberdade. Vocês vão adorar. – seu tom não tinha nem sequer um único traço de dúvida quando ela pegou a mão de Jasper e começou a correr.

Com um último olhar para o rosto repleto de expectativa de Bella, que ele sabia que devia estar refletindo o dele próprio, Edward pôs-se a correr por entre as árvores atrás dos dois vampiros. Para sua surpresa, antes mesmo que a ansiedade em seu peito pudesse crescer conforme os pensamentos frenéticos em sua mente se proliferavam, ele se viu diante de uma pequena campina, exatamente como Alice descrevera, onde seis grandes cedros emolduravam uma linda e grande casa, com arquitetura moderna e paredes de vidro, de onde quatro vozes mentais, distraídas e tranquilas, vinham.

Uma mulher que não era Esme – Rosalie, ele supôs – estava na garagem, pensando em quais melhorias ainda poderia fazer em sua amada BMW, enquanto que um homem – o companheiro dela, Emmett, provavelmente – estava completamente concentrado em organizar vários tabuleiros de xadrez em fileira, refletindo sobre qual estratégia poderia utilizar para vencer Jasper naquele complicado jogo que os dois tinham criado.

Todavia, todas aquelas novas vozes mentais foram imediatamente deixadas de lado quando ele reconheceu as duas vozes que estavam concentradas em seus afazeres, no que pareciam ser cômodos relativamente próximos. Esme avaliava, concentrada, uma planta muito elaborada do que parecia ser um pequeno chalé, enquanto Carlisle avaliava algumas propostas de trabalho que recebera em diferentes estados, pensando como era uma pena que não houvessem mais lugares tão climaticamente práticos ao longo do país como Forks, de onde eles já tinham decidido partir no final daquele ano, quando as "crianças" Cullen terminariam o Ensino Médio.

Finalmente! Ele mal teve tempo de registrar o eufórico grito mental de Alice e sua visão sutil sobre a mudança no vento, antes que a brisa mudasse suavemente, lançando o cheiro dos quatro para dentro da casa bem arejada, paralisando os vampiros que ali estavam.

Esse cheiro..., Carlisle pensou, em choque, Será mesmo possível? Depois de tanto tempo...

Edward!, foi o único e errático pensamento de Esme antes que ela se lançasse para fora da casa, aparecendo diante deles em um átimo, talvez na velocidade mais rápida que ele já vira um vampiro utilizar em toda a sua vida.

Meu filho!, ele a ouviu chorar em sua mente antes de se lançar sobre ele, abraçando-o com tanta força que ele teve a impressão de que ela estava com medo de que ele desaparecesse. Meu querido, você voltou para nós... Sentimos tanto a sua falta... A indescritível felicidade e o infinito alívio nos pensamentos dela o fizeram ofegar, o ardor em seus olhos denunciando que ele estaria aos prantos, se isso fosse possível.

- Eu também senti sua falta, mãe. – Edward fungou, retribuindo seu abraço com igual emoção, deixando-se envolver pelo sentimento calmante e familiar de estar com sua mãe novamente: a doce sensação de estar de volta ao lar.

Edward! É realmente ele!

O pensamento eufórico de Carlisle o precedeu por apenas um curto segundo, antes que ele aparecesse ao lado de onde ele e Esme permaneciam abraçados, olhando seu rosto como se mal pudesse acreditar que ele estava ali diante dele. E Edward teve que conter mais um soluço quando seu pai avançou um passo e envolveu os dois entre seus braços, nenhum julgamento ou repulsa em seus pensamentos, apenas pura alegria e gratidão, assim como nos de Esme.

Eu sabia que não devíamos perder as esperanças, Carlisle pensou, encarando-o com os olhos dourados cheios de emoção. Obrigado, meu filho. Obrigado por voltar para nós.

Por favor, não nos deixe novamente, Esme implorou em sua mente, antes de erguer a cabeça de seu peito e começar a encher o rosto dele de beijos gentis, Eu não suportaria.

- Carlisle... Esme... – ele engoliu em seco, repentinamente sem sequer conseguir encontrar as palavras que pudessem descrever a profundida de seu arrependimento – Eu... Eu sinto muito... Eu jamais deveria ter...

- Não. – Esme sorriu gentilmente, interrompendo-o enquanto acariciava seu rosto – Não precisa pedir desculpas, isso não importa. O importante é que você está aqui. – ela ofegou em meio ao choro sem lágrimas, voltando a abraça-lo com força pelo pescoço.

Eu rezei tanto durante todos esses anos para voltar a ver você de novo, meu menino...

Não precisa pedir desculpas, Carlisle completou a fala dela mentalmente, Tudo o que queríamos já aconteceu: você está aqui conosco.

Mesmo depois de tudo o que Bella havia lhe dito sobre o perdão de seus pais, a incredulidade por aquela aceitação total e livre de questionamentos ainda foi grande. Mas não foi maior do que o júbilo de reconhecer o mais puro amor e felicidade na mente de seus pais, não apenas por vê-lo novamente, mas também por conta da esperança de que ele permanecesse com eles pelo resto da eternidade.

- Obrigado. – foi tudo o que ele conseguiu sussurrar para seus pais, enquanto os abraçava com mais firmeza, a voz tão frágil que parecia quase quebradiça – Obrigado.

Eles permaneceram abraçados por algum tempo, tão absortos no contentamento de finalmente estarem juntos que Edward só se deu conta dos pensamentos ao seu redor quando Esme ergueu a cabeça de seu ombro e seus olhos pousaram em Bella, que permanecia observando-os com um sorriso tímido e emocionado.

- E quem é essa jovem adorável? – Esme perguntou, a esperança inundando-a ao sentir o cheiro dele claramente exalando dela. Oh, Deus, permita que ela realmente seja...

- Pai, mãe... Essa é Isabella Swan. – Edward sorriu, explodindo de alegria e orgulho ao dizer aquelas palavras para seus pais – Minha parceira.

A reação de Esme foi nada mais do que pura euforia, correndo até Bella para abraça-la também, os pensamentos felizes e frenéticos em sua mente.

Veja como ele está olhando para ela. É claro que ele a ama. Acho que nunca o vi tão feliz! Ela é parte da razão dele ter voltado para nós, eu sinto isso.

- É tão bom conhecer você, Bella... – Esme sorriu, exultante, e o coração de Edward se inflou com ainda mais felicidade ao perceber como sua mãe automaticamente já estava enxergando sua companheira como uma filha – Não sabe como fico feliz ao saber que Edward encontrou o amor.

- Obrigado, Sra. Cullen. – Bella retribuiu o sorriso, ainda tímida – Também é maravilhoso finalmente conhece-la.

Apesar da troca profundamente amistosa entre Bella e Esme, Edward logo percebeu que, mesmo que também estivesse feliz ao saber que ele havia se apaixonado, confusão era o que dominava a mente de Carlisle.

A filha de Charlie Swan?, seu pai estava em choque, Mas... Ela desapareceu há mais de 18 meses... Como eles podem estar...?

Esse idiota a transformou e a obrigou a ficar com ele?

Aquele último pensamento ferozmente sanguinário surpreendeu Edward. Ao virar-se para a porta da casa, ele viu o casal Rosalie e Emmett, e, enquanto o vampiro estava nada mais do que curioso em conhecer o filho sobre o qual Carlisle e Esme adoravam falar, a loira ao seu lado estava total e absolutamente possessa com a possibilidade de Edward ser o criador de Bella. Por um segundo, ele se perguntou se elas haviam sido amigas quando Bella ainda era humana, mas ele logo percebeu que não. Por alguns instantes, o ódio profundo em seus pensamentos a levaram a pensar em flashes desbotados, mas ainda assim nítidos pela força do trauma: uma rua escura e fria, homens bêbados, dor, humilhação e morte iminente... E, então, Carlisle e o fogo que a queimara por completo, prendendo-a a uma vida imortal que não escolhera e roubando-lhe o que mais queria: uma família e, principalmente, filhos.

Instantaneamente, Edward entendeu o porquê de sua revolta ao pensar que ele havia ceifado a vida humana de Bella para tê-la com ele para sempre: era inadmissível para Rosalie ver outra mulher cujo direito de escolha havia sido retirado. Tomado de empatia pelo sofrimento daquela mulher, Edward se apressou em explicar a situação para todos, sabendo que aquela era uma dúvida geral.

- Eu encontrei Bella em Port Angels... Sendo atacada por vampiro. – ele conteve um rosnado ao lembrar- se da cena – Ele já havia bebido muito do sangue dela e não consegui impedir que a transformação se concretizasse.

Isso não significa nada!, ele ouviu Rosalie rosnar em sua mente, ainda nem um pouco satisfeita, Duvido que ele tenha perguntado a ela o que queria, antes de deixa-la se transformar e se forçar nela...

- Edward tem sido meu porto seguro desde que me transformei. – a fala emotiva de Bella interrompeu a torrente raivosa de pensamentos da vampira, aquecendo o coração morto dele – Ele ficou ao meu lado durante todo o processo e me explicou tudo sobre o mundo dos vampiros. E me ajudou a controlar a sede de sangue. – ela sorriu para ele, estendendo uma mão que ele prontamente aceitou, cruzando os dedos com os dela – Ele me salvou.

Ele deu um risada sôfrega, antes de puxá-la para seus braços, beijado seu cabelo – Você foi a única que me salvou. – ele se voltou para Carlisle e Esme – Se não fosse por ela, eu jamais teria tido coragem de voltar para vocês.

- Oh, temos tanto a agradecer a você... – Esme fungou, olhando para Bella com adoração enquanto Carlisle se aproximava para abraçar sua parceira, parecendo tão feliz quanto ela. – Sinto muito pelo que aconteceu com você, querida, mas fico feliz que tenham conseguido encontrar um ao outro. – o sorriso de Esme era caloroso.

Os pensamentos de Rosalie, contudo, não ficaram menos revoltados. Pelo contrário, Bella, que antes estava sendo alvo de sua compaixão, tornou-se imediatamente alvo de sua fúria por estar obviamente satisfeita por ter entrado naquela vida imortal, o que incomodou Edward profundamente. A maneira terrivelmente maldosa e irracional com que ela estava pensando sobre sua Bella despertou nele uma irritação e um instinto de proteção que foi quase difícil de conter. Felizmente, ele logo sentiu a tensão deixar repentinamente seu corpo e, ao virar-se para Jasper com um olhar questionador, o vampiro apenas deu de ombros imperceptivelmente.

Acho que não é o momento ideal para conflitos, foi seu singelo pensamento.

- Vocês têm muito o que nos contar. – Carlisle sorriu – Por favor, entrem.

- Então esse cara é o telepata? – Emmett falou pela primeira vez, a voz alta e curiosa mesmo a metros de distância. Diferente da mente de sua parceira, Edward sinceramente gostou dos pensamentos do vampiro gigantesco: eram claros e sinceros, límpidos como um rio cristalino. Uma mente sincera e fácil de se ler e de se estar.

A lembrança crucial de Emmett, contudo, fez Rosalie congelar, automaticamente se tornando ainda mais furiosa diante da possibilidade de Edward estar invadindo seus pensamentos durante todo aquele tempo. Mordendo a língua para evitar mencionar que não podia simplesmente ligar e desligar seu dom, Edward viu seu pai sorrir para Emmett, claramente feliz por poder apresenta-los.

- Sim, Emmett. Este é Edward Cullen, de quem sempre falamos para vocês.

- E você sabia disso o tempo todo, não é? – Esme se voltou para Alice, o olhar repleto de divertimento e repreensão como apenas o de uma mãe era capaz. Em sua mente, Edward a viu recordar o estranho comportamento de Alice naquelas últimas semanas, parecendo ansiosa por algo e ao mesmo tempo sempre frustrada.

- Apenas há algum tempo. – Alice deu de ombros, descarada – A indecisão dele não estava ajudando em nada. – ela apontou para Edward, bufando – Mas, uma vez que eu o vi chegando, achei que uma surpresa seria a melhor das opções. – ela sorriu brilhantemente.

Mas que grande surpresa. A ovelha negra da família e a companheira feinha, os pensamentos venenosos de Rosalie estavam começando a ofendê-lo profundamente. Obviamente não pela maneira pejorativa – e até um pouco precisa – com a qual ela o via, mas sim pelo jeito desdenhoso como passara a pensar sobre Bella. Em sua mente, ela era simplesmente uma mulher com traços simplórios e insossos que, como o resto das mulheres do mundo, não chegava aos pés de sua beleza – com o agravante de que parecia gostar da imortalidade, ao invés de desprezar aquela existência limitada, como Rosalie o fazia. Se o conteúdo de seus menosprezos para com Bella não fossem tão completamente egoístas e infundados, ele até mesmo acharia graça da maneira cega como ela já se considerava superior à sua parceira apenas pela aparência. Se ela apenas soubesse o quanto estava errada...

- Foi a melhor das surpresas, querida. – Esme respondeu Alice, completamente alheia à inimizade crescente entre ele e Rosalie, enquanto tomava sua mão e a de Bella para guia-los até o interior da casa – Venham, quero que conheçam nossa casa. Há um quarto de hóspedes que vai ser perfeito para vocês. Podemos redecora-lo em pouco tempo, para deixá-los mais confortáveis, e...

- Não acha que deveria perguntar primeiro quando eles planejam ir embora, Esme? – Rosalie perguntou, tentando manter o tom ameno, quando todos já estavam dentro da casa – Não há porque fazer tantas mudanças se eles estiverem planejando ficar pouco tempo. – mesmo se esforçando, ela não foi capaz de disfarçar a sugestão maldosa de que eles nem sequer poderiam estar pensando em ficar ali com eles.

- Oh... – Esme arfou e voltou seus olhos desolados para ele, completamente ferida – Vocês vão ficar, não é, Edward? – Por favor, filho, não nos deixe novamente..., ela completou em sua mente, seus pensamentos praticamente unânimes com os de Carlisle, Levou tanto tempo para você voltasse para nós. Não podemos perde-lo novamente.

Ignorando solenemente a mente venenosa da loira irritada atrás dele, Edward envolveu sua mãe em outro abraço carinhoso, beijando sua testa antes de responder.

- Eu jamais seria capaz de ir embora novamente. Sempre soube disso. – ele a olhou no fundo dos olhos, enquanto sorria amorosamente – Não se preocupe, mãe. Eu não estou indo a lugar nenhum novamente. Quero dar um lar para Bella. – ele se virou para encarar sua querida companheira, antes de completar - E quero que vocês estejam nele também.

Enquanto Esme corria para abraça-los novamente, explodindo de felicidade, a mente de Rosalie se amargou.

Oh, ótimo. Mal chegaram e já estão se convidando para ficar. Muito civilizados.

- Bella, me perdoe por perguntar, mas... – Carlisle tomou a palavra, preocupado – Você chegou a entrar em contato com seu pai na cidade, antes de Alice ir busca-los?

- Não. – a negativa de Bella não poderia ser descrita como nada além de desolada – Edward me contou sobre os Volturi e as leis do nosso mundo. – aquelas palavras pareciam tão certas em seus lábios que qualquer um poderia jurar que ela tinha séculos de idade, e não um ano e alguns meros meses – Sei que não posso deixa-lo saber que estou... Bem. – ela deu um pequeno sorriso, aparentemente encontrando humor em evitar a palavra viva.

- Isso é bom. – Carlisle elogiou gentilmente – Levando em consideração a última vez em que a vimos, sei que tem quase 18 meses como recém-criada, mas... Parece ser muito mais madura do que isso. – seu pai avaliou, claramente avaliando o nível de tranquilidade de Bella.

- Ela tem uma tendência de autocontrole inigualável. – Edward sorriu, orgulhoso – Em pouco tempo, tenho certeza que será tão indiferente ao sangue humano quanto você.

- Edward... – ela o repreendeu suavemente, envergonhada, enquanto Carlisle simplesmente riu, animado.

- Isso é fantástico. Significa que logo poderá sair do isolamento desses primeiros anos. Sei que é algo extremamente incômodo. Deve estar ansiosa para ter um pouco mais de liberdade... – seu sorriso simpático se tornou pensativo por um momento – É claro, não poderá fazer isso em Forks... Mas não se preocupe. Já estávamos planejando nossa mudança há algum tempo. Podemos adiantá-la e então você não terá que se preocupar em ser reconhecida quando quiser ir à cidade. – a expressão de Carlisle assumiu um tom respeitoso ao falar aquilo, adivinhando que deveria ser um assunto delicado para ela lembrar-se do quanto seu pai estava perto.

O coração morto dele se aqueceu ainda mais quando Bella sorriu e ele ouviu as mentes paternais de Carlisle e Esme trabalharem euforicamente pensando em como poderiam acolher sua nova filha naquela situação, ansiosos por fazê-la se sentir em casa.

Incrível. Eles mal chegaram e já vamos nos mudar por conta deles. É simplesmente ridículo!

O rosnado mental de Rosalie estava começando a quase diverti-lo: a maneira como sua personalidade egocêntrica estava reagindo mal à toda aquela atenção que eles estavam recebendo, como uma criança pequena que se torna ciumenta depois de ganhar um irmão mais novo, era levemente cômico, não fosse novamente o fato de que ele detestava como ela estava sendo desnecessariamente cruel com Bella em seus pensamentos.

O parceiro dela, contudo, apesar de definitivamente não estar alheio ao estado de espírito de Rosalie, sabia perfeitamente que ela não falaria com ele sobre o que estava acontecendo naquele momento e decidiu que era melhor se concentrar completamente nos recém-chegados - a maneira como a mente de Emmett trabalhava sempre de maneira completamente prática era interessante de se ver. Em um átimo, depois que ele havia tido certeza de que o "momento de abraços" de Carlisle e Esme havia sido finalizado, Emmett estava ao lado dele e de Bella, avaliando-os, especialmente a Edward, com nada mais do que pura curiosidade em seus pensamentos.

- Você realmente lê mentes, cara? – sua pergunta, dita de maneira animada, foi seguida rapidamente por um pensamento igualmente simpático. Ah, e eu sou o Emmett.

Sentindo um sorriso sinceramente amistoso se espalhar por seu rosto, Edward até se pegou rindo um pouco ao responde-lo – É um prazer conhecer você, Emmett. E, sim, eu posso ler mentes.

- Está lendo minha mente agora? – sua pergunta, ao invés de ofendida, soava entusiasmada.

- Bem, sim. Na verdade, faço isso o tempo todo, com todos os vampiros e humanos ao meu redor, desde que estejam na extensão de alguns quilômetros perto de mim. Não é algo que eu posso evitar ou desligar. – ele achou que era prudente deixar sua condição clara para todos que estavam naquela sala, mesmo sabendo que aquela informação certamente não faria o afeto de Rosalie por ele e Bella aumentar.

O quê? Ele está...? Não surpreendendo-o nem um pouco, a mente de Rosalie explodiu em uma torrente de xingamentos, dirigidos a ele, por estar invadindo sua privacidade, enquanto o sorriso de Emmett apenas se ampliou em pura excitação.

- Isso deve ser útil em uma boa briga... – em sua mente, Edward viu o cenário que o vampiro estava fantasiando: lá, ele, muito mais baixo e magro do que a estrutura absurdamente gigantesca de Emmett, era uma presa fácil para ele em uma disputa corpo a corpo, tendo tempo apenas de registrar seus pensamentos um milésimo de segundo antes de ser incapacitado.

Com aquela cena, ele definitivamente teve que gargalhar. Emmett havia interpretado sua telepatia de maneira equivocada e achava que ele veria seus pensamentos no exato momento da ação e não antes. Achando justo avisá-lo antes que ele se decepcionasse com sua brincadeira, Edward sorriu.

- Acho que as coisas não aconteceriam desse jeito, Emmett. Eu ouviria você chegando e, além do mais... – ele não pode evitar o sorriso levemente convencido que ergueu seus lábios – Sou mais rápido do que pareço.

- Então nós temos que testar isso... – o vampiro sorriu, o fervor da competição tornando-o quase feroz, mas sua fala foi rapidamente interrompida por Esme.

- Nada disso, Emmett! – ela o repreendeu, séria – Pode esquecer. Você não vai lutar com seu irmão! Especialmente não no primeiro dia dele e de Bella conosco!

- Mas eu prometo não pegar pesado com ele... – Emmett pediu, amuado, imagens dele e de Jasper em lutas de brincadeira, e outras verdadeiramente táticas e sérias, essas últimas interrompidas por uma Esme muito brava, passaram rapidamente pela mente do vampiro.

- Está fora de cogitação! – ela o interrompeu novamente, o tom maternal extremamente firme – E não quero mais ouvir sobre isso!

- Lutar? – Bella arfou, pela primeira vez se manifestando desde que estivera observando ele e Emmett conversando – Por que você quer lutar com o Edward? – ela questionou Emmett, o tom assustado, mas também levemente irritado e com um toque de aviso, como se ela estivesse verdadeiramente cogitando enfrentar aquele homem enorme caso ele ameaçasse seu parceiro.

- Não se preocupe, querida. Emmett gosta de medir sua força física com todos que encontra pela frente. – Esme rolou os olhos, claramente nem um pouco satisfeita com aquilo – Mas é apenas algo recreativo, nada mais. Eu jamais permitiria que eles fizessem disso algo potencialmente destrutivo. – ela falou aquela última parte olhando para Emmett, enquanto diversas imagens de paredes quebradas e danos em casas, diferentes daquela em que eles estavam agora, dançavam em sua mente, sempre acompanhadas pelo sorriso divertido e apologético de Emmett. O mesmo que ele estava dando quando olhou para Bella e ergueu as mãos, claramente se desculpando.

- Desculpe, Bella. Juro que não estou querendo amassar a cara do seu garoto. Só vou dar uns tapas nele por diversão, prometo. – ele piscou para ela – Aliás, é bom ver você de novo. Continua caindo? – ele riu, fazendo Bella engasgar um pouco, claramente envergonhada, enquanto Emmett se recordava das pouquíssimas vezes em que reparara nela quando era humana: vezes em que ela caíra magistralmente no meio do refeitório do que parecia ser a pequena escola de Forks.

Encantado ao assistir o quão adorável e linda ela era mesmo como humana, com os olhos castanhos expressivos e as bochechas lindamente coradas, e, tomado pelo divertimento de vê-la tropeçar em superfícies perfeitamente planas, Edward não pode conter a risada que lhe escapou. Deus, mesmo se a tivesse conhecido quando ainda era aquela humana doce e desajeitada, ele certamente teria se apaixonado perdidamente por ela, não é? Aquela foi uma estranha e absoluta certeza que ele teve repentinamente. Um cenário problemático, para dizer o mínimo.

Ainda assim, não havia sequer uma única pequena dúvida em sua mente.

- Edward! – Bella arfou, repreendendo-o envergonhadamente e, agora que assistira aquilo através da mente de Emmett, ele quase podia vê-la corar.

- Me perdoe, amor. – ele passou o braço por seus ombros e beijou sua têmpora, ainda deliciado por sua visão como humana – Mas você arrebatadora como humana, tanto quanto é agora. – ele elogiou baixinho, fazendo-a bufar e murmurar um "mentiroso" por baixo da respiração.

- Vocês vão ter tempo para relembrar o passado depois. – Alice saltitou, animada, para perto deles, obviamente deixando o assunto de lado enquanto os guiava pelo resto da casa – Agora vamos falar do que realmente interessa: o quarto de vocês! Obviamente eu estava certa em pedir que Esme projetasse essa casa com aquele quarto a mais. – em sua mente, extremamente orgulhosa, ela se lembrou da estranha visão em que se via decorando aquele quarto extra que, inexplicavelmente, não pertenceria a nenhum dos membros de sua família: uma prova de que seu talento era muitas vezes mais poderoso e abrangente do que até ela mesma conseguia compreender – É simplesmente perfeito para vocês! Tem um piano, uma boa acústica, espaço suficiente para comportar quantos livros vocês quiserem... E todas as suas roupas. – aquela última parte foi dita enquanto ela olhava especificamente para Bella, os olhos dourados brilhando com astúcia.

E Edward teve que se conter para não gargalhar diante das visões de futuro na cabeça dela. Nelas, sua parceira parecia nada mais do que chocada ou terrivelmente entediada enquanto Alice a colocava e tirava de roupas na velocidade da luz. Algumas vezes, Bella até mesmo aparecia fugindo para longe, resmungando que já havia aguentado o suficiente de ser feita de "Barbie". Ainda assim, mesmo com todo o humor envolvido, ele não teve como deixar de notar a maneira como ela estava linda em cada uma das cenas e em cada uma das peças que usava, parecendo perfeita como sempre, puramente Bella.

Espere até ver a surpresa que eu reservei para você. Alice riu enigmaticamente em sua mente. antes de começar a traduzir alguns textos em indiano para sânscrito, mandando as visões para longe, uma técnica que ela obviamente já aperfeiçoara para mantê-lo longe de seus pensamentos.

Podia ser estranho, mas, assim como ela estava agindo como se já o conhecesse a séculos, Edward tinha que admitir que estava quase começando a se sentir da mesma forma.

Na verdade, ele já gostava bastante de sua nova irmã.

Bella, alheia ao que se passava na mente da minúscula vampira, apenas olhou confusa para a mochila que havia trazido – Hmmm... Eu não tenho muitas roupas, na verdade.

- Mas terá. – Alice deu um sorriso cintilante que mostrou todos os seus dentes, preferindo manter aquele assunto em segredo por enquanto, conforme eles rapidamente avançavam pelo resto da casa ampla e bem iluminada, pegando os detalhes apenas pelo canto de olho – Terão tempo de sobra para conhecerem tudo antes de nos mudarmos. Meu quarto é logo ali, assim como o quarto de Emmett e Rosalie e o escritório de Carlisle... – ela informou-os displicentemente, enquanto os vazia avançar através do corredor na velocidade de um raio, antes de finalmente parar na última porta do corredor – E, finalmente, aqui estamos. Vocês vão precisar de um momento a sós. – ela informou, bastante convicta, enquanto sua mente se referiu apenas a Edward, E nós seis precisamos de um momento em família, antes de nos tornarmos oito. Eu sei que Rosalie pode ser um pouco incômoda quando quer, mas é apenas porque ela não gosta muito de mudanças. Logo todos seremos irmãos, você vai ver, ela prometeu solenemente, antes de dar uma piscadinha marota – Nos vemos logo. – e com isso, ela correu para longe, deixando-os sozinhos diante da porta, enquanto Bella piscou, surpresa.

- Uau. – foi tudo o que ela conseguiu expressar, o que o fez rir.

- Sim. Alice é certamente uma força da natureza. – curioso, ele colocou a mão na maçaneta, enquanto acariciava o ombro dela com a outra. – Vamos ver o que ela reservou para nós, então.

E, de fato, como Alice prometera, o quarto era simplesmente fantástico. Do jeito que estava decorado, parecia um pouco mais com um escritório espaçoso ou uma sala de estar pessoal. Ainda assim, ele estranhamente podia ver um pouco de si mesmo e de Bella ali: nas estantes repletas de livros até próximo ao teto, no belo piano em cauda que ocupava boa parte da parede sul do cômodo, os tons pastéis aconchegantes e a madeira escura... De fato, aquele quarto parecia ter sido feito para eles.

- É lindo! – Bella sorriu, admirada, puxando a mão dele para que os dois pudessem entrar, enquanto ela corria os olhos ao redor – É facilmente o quarto mais bonito que já vi. Bem, a casa como um todo, na verdade.

- Eu fico feliz. – ele sorriu, abraçando-a por trás para poder descansar o queixo em seu ombro – E tenho certeza que Esme também ficará. Tenho quase absoluta certeza de que foi ela quem projetou e decorou tudo isso, se o que vi em suas memórias for uma pista.

- Ela é fantástica. – seu sorrio impressionado se tornou um ofego quando ele beijou seu pescoço.

- Você... Gostou deles? – ele não pode evitar lhe perguntar aquilo cautelosamente; por mais que ele tivesse quase certeza de que a resposta seria positiva, ainda assim estava desesperado por ouvir o que ela estava pensando, como sempre.

- É claro. – ela sorriu – Eles são incríveis.

- Obrigado, Bella. – a voz de Emmett, vinda do andar baixo, soou alta e clara para os dois, enquanto os demais vampiros da casa se encaminhavam para fora dela, aparentemente como discutir, ou melhor, ouvir Rosalie discutir, como Alice avisara.

- A audição de vampiro nunca me ajuda de verdade. – Bella resmungou, aparentemente envergonhada por seu elogio ter sido ouvido, antes de dar um sorriso tenso – Bem, agora que vamos viver com outros três casais, acho que vou ter que me acostumar, certo?

Preocupado, Edward ergueu a cabeça para poder olhá-la melhor nos olhos, sem entender qual o motivo de sua tensão. Ela não gostava da ideia de morarem ali? Algo a incomodara? Ela parecera sincera quando elogiara sua família, então... O que havia de errado?

- O que está incomodando você? – ele colocou os lábios contra a pele dela, moldando as palavras em seu pescoço sem realmente fala-las, para que ela pudesse se sentir confortável em responde-lo enquanto os outros vampiros ainda estavam por perto.

Rapidamente, os olhos preocupados se desviaram para ele algumas vezes, enquanto ela mordia o lábio, temerosa, antes de finalmente deixar o escudo que cobria seus pensamentos cair, com a lembrança da cena de minutos atrás focada em um ponto muito específico.

É impressão minha ou... Rosalie não gostou muito de nós?, Bella recordou o olhar claramente irritado e os bufos nada sutis. Eu fiz alguma coisa errada? Não queria incomodar e...

Ele rapidamente começou a balançar a cabeça, interrompendo a torrente de pensamentos dela. Infelizmente, não pode conter também a de Rosalie, que, mesmo a alguns quilômetros floresta adentro, reunida ao redor dos demais Cullen e pronta começar uma discussão, parecia ter a mente raivosa mais audível do que nunca.

- Então é isso? – a vampira perguntou, sua mente sem qualquer preocupação se já haviam se afastado o suficiente para que eles não pudessem mais ouvi-la – Vamos simplesmente deixar que eles cheguem e se instalem? Simples assim?

- Vocês me deixaram fazer isso. – Alice apontou, com um suspiro já exausto; ela já sabia exatamente quais argumentos Rosalie usaria e já estava farta de todos eles, especialmente sabendo que, no futuro, ela acabaria aceitando a presença de Edward e Bella, mesmo que a contra gosta. Tudo o que Alice queria era avançar direto para aquele momento.

Uma pena que Rosalie tivesse outros planos.

Ao ouvir a confirmação de seus temores, a expressão de Bella tornou-se triste e preocupada, fazendo Edward rapidamente abraça-la para consolá-la.

- Não se preocupe, amor. – ele beijou sua testa – Não é nada sobre você ou eu. Rosalie tem uma personalidade difícil. – ele novamente moldou os lábios contra o pescoço dela, para não emitir som – E uma mente pior ainda, devo dizer.

Como se tivesse sido invocada ao som de seu nome, Rosalie voltou a argumentar ao longe, cada vez mais irritada.

- Você sabe muito bem que é diferente, Alice! – ela rosnou – Estamos em risco com eles aqui! E se Charlie Swan decidir voltar a caminhar por aqui à procura de pistas da filha e vê-la? Aliás, o que nos garante que ela mesma não vai tentar procura-lo? Ela é jovem e impetuosa. Não podemos ter certeza de nada.

- Por isso vamos nos mudar mais cedo. – Carlisle esclareceu gentilmente.

- Ótimo, vamos remodelar nossa vida completamente em prol de dois estranhos. – seu rosnado aumentou.

- Edward não é um estranho, Rosalie. – Esme argumentou, colocando as mãos sobre o peito – Ele é nosso filho tanto quanto você.

- Ah, é? Então porque o aclamado e perfeito Edward Cullen foi embora, em primeiro lugar? – Rosalie desafiou – Nunca nos falaram sobre isso. Se vocês três se amam tanto, porque não ficaram juntos desde o início, então?

- Edward merecia viver sua própria vida. O fato de eu ser o criador dele não significa que ele era obrigado a estar sempre conosco. Por isso ele se foi por algum tempo. – sempre um cavalheiro, Carlisle manteve sua fala neutra, anulando boa parte da verdade, não apenas porque sabia que Rosalie reagiria ainda pior se soubesse quais tinham sido os motivos de Edward para partir, mas principalmente porque não queria se sentir como se estivesse maldizendo o nome do filho, fofocando sobre ele pelas costas.

- Foi embora por quase um século? Ele deve ter vivido bem a vida, hã? – ela riu amargamente – E agora voltou para cá para que pudéssemos dar uma casa a ele, depois dos anos de farra?

- Não fale assim, Rosalie. – Esme pediu – Edward não é assim. Eu o conheço. Vi nos olhos dele como ele deve ter sofrido durante todos esses anos. Por favor, compreenda que nós o amamos e apenas queremos que ele e a sua parceira façam parte da nossa família.

- Eles já fazem. – Alice acrescentou, dando de ombros – E você vai nos poupar muito tempo se simplesmente aceitar isso logo, Rose.

- Como pode falar assim comigo? – ela grunhiu para a irmã – Eu estou apenas preocupada conosco. Preocupada com quem estamos acolhendo e colocando dentro da nossa casa.

- Nós conhecemos Edward. – Carlisle sorriu – Eu colocaria minha mão no fogo por ele. E, se ele e Bella querem fazer parte da nossa família, nada me faria mais feliz. Dê algum tempo ao tempo, Rosalie. Logo vai amá-los também.

A risada furiosa e incrédula de Rosalie foi a última coisa que eles dois puderam ouvir, antes que os Cullen fossem para mais longe dentro da floresta que rodeava a casa, o som se perdendo diante do uivo forte do vento lá fora. Sem dúvida, sua nova "irmã" ainda teria diversos outros argumentos vazios como aqueles, mas Edward tinha certeza que o resto dos Cullen não seriam contaminados por sua opinião. É claro, ainda havia uma parte dele que tendia a concordar com suas opiniões sobre ele mesmo, mas saber que grande parte daquele julgamento dela nascia simplesmente de um ego inflado e um ciúme bobo, o mantinha resguardado de se sentir ferido pelo julgamento de Rosalie Cullen. Sem contar o fato do quanto ela estava sendo desnecessariamente maldosa com Bella, comparando a aparência das duas como se isso a fizesse superior de alguma maneira.

Era bom que Rosalie não gostasse dele, porque o sentimento era completamente mútuo.

Oh, não., Bella suspirou pesarosamente em sua mente. O que faremos agora, Edward? Será que há algo que possamos fazer para que ela não pense tão mal de nós?

- Dificilmente, amor. – ele suspirou, enquanto descia as mãos para acariciar seu quadril – Mas não se preocupe com isso. Rosalie é simplesmente egocêntrica e está com ciúmes da atenção que estamos recebendo por sermos recém-chegados. – ele riu, com um toque de deboche – Todo o resto são apenas justificativas vazias. Alice está certa, tenho certeza de que em pouco tempo ela vai se acostumar com a nossa presença e nos deixar em paz.

- Mas... Não acha que deveríamos...

- Ela não é importante, amor. – ele colocou as mãos em seus ombros e a virou para si, beijando levemente seus lábios antes de continuar – Tudo o que importa é: Você acha que pode ser feliz aqui, com eles?

Por um segundo, Bella apenas permaneceu paralisada, aquela expressão vazia de deslumbramento tomando sua expressão enquanto o escudo sobre sua mente descia novamente, antes que um grande e lindo sorriso se espalhasse por seu rosto.

- Se você estiver comigo, eu posso ser feliz em qualquer lugar. – ela passou os braços por seu pescoço, aproximando seus rostos.

Sorrindo amorosamente, ele tomou algum tempo apenas para olhar seu doce rosto estonteante, seu coração gelado cheio de esperanças de que ela realmente pudesse encontrar a felicidade que merecia ali, com os Cullen, ao lado dele... Foi quando um pensamento lhe ocorreu.

- Alice nos deu algum tempo a sós... – ele riu ao ver os olhos dela se iluminarem com lascívia – O que acha de irmos procurar seu pai? Acredito que ele já deve estar em casa nesse final de tarde, correto? – Charlie havia voltado a trabalhar a algum tempo, avançando aos poucos na terapia, mas ainda assim avançando, para a felicidade de Bella e de seus psiquiatras.

A reação de sua parceira, contudo, não foi o que ele esperava. Bella arregalou os olhos e sua expressão tornou-se lívida, quase desesperada, enquanto ela engolia em seco. Repentinamente, ela desviou os olhos dos dele, correndo-os freneticamente pelo quarto enquanto gaguejava.

- Hã, eu... Talvez seja melhor não. – ela mordeu o lábio, ainda sem olhá-lo nos olhos, claramente nervosa – Não queremos dar mais um motivo para Rosalie não gostar de nós, não é? E eu tenho certeza de que irmos ver meu pai, mesmo que de longe, não vai ajudar com isso. – sua risada tensa não soou nem um pouco natural.

- Bella, o que há de errado? – ele a questionou, preocupado.

- Nada. – ela engoliu em seco, fitando-o por apenas um segundo antes de desviar os olhos apreensivos novamente – Eu... Eu apenas acho que agora não é o momento correto, só isso.

- Amor, se está aflita por algum motivo, pode me dizer... – ele começou a acariciar seu rosto, mas ela rapidamente balançou a cabeça, interrompendo-o.

- Está tudo bem, juro. – ela deu um sorriso tenso, antes que seu olhar frenético encontrasse o piano no canto do quarto e ela acenasse em sua direção – Olhe só, parece que finalmente vamos ter uma oportunidade de você tocar para mim. Certo?

Preocupado, ele apenas a encarou por alguns segundos, perguntando-se o que havia em sua mente silenciosa naquele momento que ela não queria compartilhar com ele. Contudo, conforme ela o olhou por sob os cílios, os olhos cor de âmbar quase suplicantes para que ele não insistisse naquele assunto, Edward suspirou, sabendo que provavelmente ela precisaria de alguns momentos sozinha com seus próprios pensamentos, antes de compartilhá-los com ele. Dando um sorriso gentil, ele tomou a mão dela e a levou até o piano, sentando-a em seu colo antes de beijar sua bochecha carinhosamente.

- Posso lhe mostrar uma coisa? – ele perguntou, enquanto seus lábios desciam para o pescoço dela – Tenho construído essa melodia desde os primeiros dias em que conheci você.

- Sério? – ela pareceu surpresa, o deleite substituindo a agitação em seu olhar – Como é?

Sorriso contente diante do óbvio encantamento dela, Edward pousou os dedos sobre as teclas do piano bem afinado e trouxe à vida a melodia que até então só existia em sua mente. Para sua alegria, soava tão bem no plano físico quanto ele imaginara e, usando as notas suaves, ele contou a história de um lugar habitado apenas por sombras, onde a escuridão se impregnava cada vez mais, tornando-os um só... Até que um dia o lugar foi tomado pela mais forte e bela das luzes, tão preciosa que, durante algum tempo, tudo o que ele conseguiu fazer foi temer que ela se fosse. Afinal, porque algo tão gloriosamente luminoso iria querer permanecer ao lado de tamanha escuridão? Mesmo assim, a luz continuou lá, enchendo aquele lugar estéril de claridade e esperança, até que finalmente... Ele compreendeu que ela permaneceria com ele. Que ela o havia escolhido e que seguiria presenteando-o com sua presença e com sua luz para sempre. Pois ela o amava: assim como ele a amara desde o início. E, finalmente, enquanto a última e mais jubilosa nota soou no ar ao redor deles, juntos, a luz e a escuridão se tornaram um só. Para toda a eternidade.

Por fim, quando a nota morreu e o silêncio pairou entre os dois, ele finalmente voltou os olhos para ela, ficando surpreso ao vê-la com uma expressão lívida e trêmula... Até que um grande sorriso vacilante se espalhou por seu rosto e ela soluçou, parecendo que estaria em prantos, se isso fosse possível.

- Ah, Edward. – seu arfar instável era nada mais do que extasiado - É simplesmente incrível...

- É claro que é. Afinal, é sobre você. – ele sorriu, sabendo que toda a profundidade de seu amor estava se mostrando em sua expressão, e a abraçou com mais força - Não tinha como ser diferente.

Ela riu sem fôlego e simplesmente o encarou apaixonadamente por alguns instantes, os olhos brilhantes carregados com tanto amor que o peito dele se apertou de necessidade. Por seu corpo, por seu amor, por ela inteira. Gentilmente, ele moveu o corpo dela de maneira que suas pernas abraçassem seu quadril e eles estivessem frente a frente, com os seios dela pressionados contra seu peito e as bocas quase se tocando.

- Sabe... – ele ronronou, movendo as mãos sugestivamente pelo quadris dela, descendo até as coxas – Acho que agora sei porque Alice viu que poderíamos aproveitar um momento a sós. – um sorriso malicioso se espalhou pelo rosto dele conforme Bella lambia os lábios, parecendo tão sedenta quanto ele. E, depois de repentinamente erguer as mãos e rasgar a camisa e a jaqueta para fora do peito dele, Bella arfou apenas uma última frase.

- Espero que Rosalie tenha muito do que reclamar.