Capítulo Onze
Return to Hogwarts
(Volta a Hogwarts)
Não era a primeira vez que Sirius se sentava à Mesa Principal, mas era a primeira vez em vários anos, a primeira sem Remus ao seu lado e a primeira que não estava lá porque algo horrível acontecera.
Dessa vez, estava lá por esperar que algo horrível acontecesse, o que não era ideal, mas era melhor do que a alternativa.
Raios brilharam do outro lado do teto encantado quando Snape se sentou na cadeira vazia ao lado de Sirius. Ele ficou um pouco surpreso; nos últimos dias, tentara localizar Snape várias vezes para conversar com ele sobre Draco. Snape só não conseguira fugir dele uma vez e ele estivera com um humor tão ruim que Sirius logo percebeu que não conseguiria nada e desistiu.
— 'Noite — disse Sirius. Snape resmungou sua resposta, e não foi um resmungo particularmente amigável. Tinha ficado preocupado ao imaginar que sua delicada trégua tinha sido desfeita ao assumir o cargo de Defesa (não era nenhum segredo que Snape o queria havia anos), mas havia outras cadeiras vagas na Mesa Principal, e Snape se sentara ao lado de Sirius assim mesmo, então talvez a trégua ainda estivesse lá. Sirius suspirou e pegou a jarra de suco de abóbora. Encheu a própria taça. — Servido?
— Não.
— Não, obrigado — falou Sirius. Snape fixou os olhos escuros, frios e completamente descontentes nele por um momento, e então voltou a observar os alunos. Sirius suspirou mais uma vez, desistindo, e voltou sua atenção para as portas.
Os alunos que começavam a entrar pelas enormes portas do Salão Principal estavam manchados pela chuva e pareciam fustigados pelo vento. Reconhecia alguns rostos por simplesmente ter frequentado muito o castelo nos últimos três anos. Não sabia dar nome aos rostos, mas isso viria com o tempo.
O primeiro aluno cujo nome Sirius sabia era Ginny; ela entrou no Salão com um garoto pequeno, de cabelos claros, que segurava uma câmera, e uma garota pálida com longos cabelos loiros. Ginny sorriu ao ver Sirius e foi se sentar à mesa de Grifinória com o garoto que segurava a câmera enquanto a outra garota ia para a mesa de Corvinal.
Fred, George, as garotas do time de Quadribol de Grifinória e o menino que comentava as partidas foram os próximos que Sirius reconheceu; os gêmeos encontraram seus olhos, curvaram-se em perfeita sincronia e foram se sentar com os outros. Eles tinham feito uma cena e tanto nos primeiros dias de Remus como professor — aparentemente, fogos de artifícios e uma faixa para receber o senhor Moony de volta à escola —, e Sirius não sabia se queria ou se temia receber o mesmo tratamento.
Neville Longbottom entrou com alguns alunos do ano de Harry; Hydrus Malfoy — que Sirius achou ser Draco até notar as vestes e a distinta postura sangue-puro das crianças que estavam com ele — acomodou-se à mesa de Sonserina com bastante estardalhaço (expulsando um grupo de alunos mais novos do que parecia ser o lugar dele à mesa) e aí Sirius viu o verdadeiro Draco; ele, Ron e Hermione entraram, todos bastante melancólicos, e o coração de Sirius se apertou, porque Harry não estava com eles.
Eles estariam em pânico se algo houvesse acontecido com ele, Sirius disse a si mesmo, mas tentou chamar a atenção deles mesmo assim. Os olhos de Draco passaram por ele, indo direto para Snape, e nenhum dos outros dois o olhavam; Hermione acenava para a mesa de Corvinal, e Ron olhava para as portas...
E aí Sirius viu Harry assentir para algo que Blaise tinha lhe dito antes dos dois seguirem seus caminhos — Harry indo se juntar aos seus amigos, e Blaise se juntando aos Sonserinos. Harry olhou para Sirius ao se sentar entre Hermione e Ginny, e sua boca se torceu em um cumprimento.
— Desculpe, desculpe... — Hagrid apertou seu corpo gigante para passar atrás da cadeira de Hooch e se sentar na cadeira enorme entre Sirius e Sprout. Ele estava sem o casaco que sempre usava, vestindo apenas a calça, suspensórios e uma camisa remendada nos cotovelos e nos ombros.
— Olá, Hagrid — disse Sirius.
— Sirius! — Hagrid lhe deu um tapinha no ombro e sorriu, antes de balançar a enorme cabeça para tirar a água de seu cabelo e barba. Sprout estalou a língua e secou Hagrid, a si mesma e a Sirius com a varinha. Snape lançou um olhar venenoso a Hagrid que ninguém, além de Sirius e Dumbledore, viu.
— Os calourinhos atravessaram bem? — perguntou Sirius enquanto um trovão estourava lá fora.
— Bem o bastante — disse Hagrid com a voz rouca. — Um caiu no lago...
— Sempre tem um — murmurou Snape, quase inaudível sob o ofego surpreso de Sprout e seu o coitadinho! Ele está bem? materno.
— Parece ter ficado bem alegre, pra falar a verdade — respondeu Hagrid, um pouco confuso. — Ele... — Mas o silêncio recaiu sobre os alunos quando McGonagall entrou com os calouros a seguindo, e Hagrid também ficou em silêncio.
Eles todos estavam significativamente mais molhados do que os alunos mais velhos, e o mais molhado de todos era o menino que caíra no lago; ele era minúsculo, e ficava ainda menor por estar enrolado no enorme casaco de Hagrid.
Creevey era seu nome e ele foi Selecionada para a Grifinória... ele ter caído no lago nesse clima e ter ficado feliz devia ter sido um sinal e tanto, na opinião de Sirius. Ele foi se sentar ao lado do amigo de Ginny, o que carregava a câmera — seu irmão, Sirius assumiu, porque eles eram muito parecidos. Eles começaram a murmurar e a olhar para Harry — que assistia à Seleção, decidido —, até Draco e Ron se virarem e oferecerem uma mão para o garoto — educados, mas vigorosos. Ele aceitou a mão deles e depois a de Ginny e ficou em silêncio depois de soltar um gritinho que Sirius conseguiu ouvir da Mesa Principal, por causa de um silêncio particularmente longo do Chapéu Seletor. Então, Connor Hibbard foi Selecionado para a Corvinal, e a Seleção continuou.
Quando ela terminou, Dumbledore se levantou e virou o alvo de centenas de olhos esperançosos.
— Eu só tenho duas palavras — falou ele. — Bom apetite.
Harry e Ron atacaram a vasilha de batatas assim que ela apareceu na mesa de Grifinória. Hermione se serviu de ervilhas com muito mais dignidade, e Draco estava tão ocupado encarando Snape que demorou vários segundos para perceber a comida.
Então, os pratos começaram a aparecer na frente de Sirius, e ele deixou de se preocupar com o que Harry e seus amigos estavam fazendo, porque tinha bife, milho e pães...
Algum tempo depois, quando a sobremesa sumiu, Dumbledore voltou a se levantar.
— Agora que já comemos e bebemos, peço que prestem atenção aos avisos. Gostaria de dar as boas-vindas ao professor Sirius Black. — Sirius ergueu uma mão e acenou, ouvindo a reação de alguns alunos (seu nome, o de Harry, Aurores) antes de elas serem abafadas pelos aplausos. — A maioria de vocês deve tê-lo visto pela escola nos últimos anos — continuou Dumbledore —, então esse ano decidimos oficializar sua presença em Hogwarts. — Seus olhos brilharam, e Sirius deu um sorriso torto. — Ele assumirá o lugar do professor Moody como o professor de Defesa Contra as Artes das Trevas. — Dumbledore então passou a fazer os anúncios de sempre; a lista de objetos proibidos de Filch tinha aumentado, a floresta estava fora dos limites e aí: — Tenho ainda o doloroso dever de informar que este ano não realizaremos a Copa de Quadribol entre as casas.
A notícia não foi bem aceita; Harry e Ron pareciam horrorizados, Fred, George e Ginny pareciam chocados e, mesmo que Sirius não tivesse uma noção de quem eram os jogadores das outras casas, achou que conseguiria reconhecê-los por suas expressões horrorizadas e raivosas.
— Isso — continuou Dumbledore — se deve a um evento que começará em outubro e irá prosseguir durante todo o ano letivo, mobilizando muita energia e muito tempo dos professores... mas eu tenho certeza de que vocês irão apreciá-lo imensamente. — Dumbledore sorriu. — Tenho o enorme prazer de informar que, este ano, realizaremos o Torneio Tribruxo em Hogwarts.
Essa notícia foi bem recebida; alguns ofegaram, outros sorriram e quase todos começaram a murmurar — tanto funcionários quanto alunos.
Sirius sorriu, seu entusiasmo era genuíno, mas tinha suas ressalvas; com o Torneio, viria Karkaroff, e com Karkaroff viria... bem, só Merlin sabia, mas Sirius duvidava que seria algo bom.
E por isso lá estava ele.
-x-
Os aposentos de Padfoot eram os mesmos que Moony usara no primeiro ano de Harry, e era bastante surreal estar de volta. Se Lockhart e Moody o usaram nos anos que tinham passado, eles não mudaram a decoração e tampouco Harry conseguia sentir o cheiro deles; o sofá era o mesmo em que se sentaram depois da primeira vez que Harry se transformara em Animago; a porta à direta levava para o escritório no qual Moony os repreendera depois de darem de cara com o cachorro de três cabeças pela primeira vez; e a lareira... a lareira era a mesma na frente da qual Harry, Ron, Hermione e Draco tinham acampado enquanto a cicatriz de Harry queimava e eles esperavam por Moony para saber se Padfoot estava vivo ou não.
Padfoot — que estava bastante vivo — trombou em suas costas, e Harry tropeçou para frente, saindo de sua amargurada nostalgia.
— Garoto...?
— Desculpe — disse Harry, balançando-se e saindo da porta. Os olhos de Padfoot foram para sua cicatriz em uma pergunta silenciosa, mas Harry balançou a cabeça. — Só faz um tempo que eu não venho aqui. — Percebia que Padfoot não entendia, e Harry não estava com vontade de se explicar, por isso ficou grato quando Padfoot não insistiu; ele tirou as vestes e as jogou no encosto da cadeira de sua escrivaninha, dobrou as mangas e mudou de assunto.
— E aí, conseguiu conversar com o Draco?
— Consegui — respondeu Harry, acomodando-se no sofá. — Sim, a gente conversou no trem. — E aí, porque não sabia mais o que dizer, ficou em silêncio. Padfoot revirou os olhos e acomodou-se no outro sofá.
— E...? — falou ele, impaciente.
— E está tudo bem — disse Harry. — Eu... nós confiamos nele. — Era uma situação estranha em que estava; Draco tinha sido cuidadoso com suas palavras antes da conversa, para que eles não tivessem de onde tirar conclusões; Harry tinha repassado tudo o que lembrava várias vezes e tinha mais perguntas do que respostas. E isso quando assumia que Draco tinha sido honesto; era possível que ele tivesse dito aquelas coisas para lhes dar sinais falsos, para que não acabassem chegando à conclusão correta acidentalmente, fosse pela segurança de Draco ou a deles ou a de outra pessoa; durante o jantar, ocorrera a Harry que todo esse sigilo podia ser para proteger Snape ou um dos outros Malfoy, embora achasse que era menos provável.
Ainda assim, tinha pego o dragão vermelho, então fosse lá o que Draco tivesse dito, tinha acalmado as dúvidas incômodas que tinha desde a Copa Mundial. Confiava em si mesmo e confiava em Draco. Só teria de aprender a conviver com o desconhecido... ou tentar; Harry sabia que era curioso demais para que isso funcionasse, mas estava disposto a tentar pelo bem de Draco.
Padfoot o olhou, e Harry imaginou qual era o seu cheiro.
— O que ele disse? — perguntou ele.
— Eu... er... não posso te contar. — Padfoot franziu o cenho, e Harry fez uma careta. — Desculpe. Eu contaria se pudesse, mas eu realmente não posso. — Quase explicou mais (a Penseira e os dragões), mas pensou melhor. Não era algo que Padfoot precisava saber, assim como ele não precisara saber que tinha sido o senhor Malfoy quem dera o diário a Ginny, ou que Hermione tivera um Vira-Tempo, ou que a varinha de Dumbledore era uma das Relíquias. Tudo o que ele precisava saber era que Harry confiava nele: — Mas eu confio nele. — Padfoot correu uma mão pelo rosto e soltou o ar longamente. Harry esperou, antecipando perguntas ou uma reclamação, mas não foi nada disso que veio.
— Certo — falou Padfoot, e Harry sorriu. — Se você tem certeza.
— Tenho.
-x-
— Lenga-lenga — falou Hermione.
— Bem-vindos de volta, queridos — respondeu a Mulher Gorda, abrindo. Ron seguiu Hermione pelo buraco do retrato, com os outros alunos do quarto ano (menos Harry, que tinha ido conversar com Sirius depois do banquete) logo atrás.
— Snap Explosivo, alguém? — perguntou Seamus. Dean e Lavender soltaram sons de antecipação. — Ron? — Ele não convidou Hermione ou Malfoy; os dois costumavam se contentar a apenas assistir (ou, no caso de Malfoy, criticar o jogo de todo mundo), mas raramente jogavam.
— Não — respondeu Ron —, acho que vou desfazer as malas e ir dormir. — Encontrou os olhos de Malfoy enfaticamente, mas ele não pareceu entender. Ron o olhou por mais um tempo, tentando não ser muito óbvio; Harry estava com Sirius e os outros garotos do dormitório estavam distraídos, o que significava que tinham a perfeita oportunidade para conversarem sozinhos.
— Já? — perguntou Hermione, parecendo surpresa.
— Sim — suspirou Ron, desistindo de Malfoy. — Foi um dia longo. — Hermione pareceu um pouco desconfiada, mas não insistiu; ela se acomodou ao lado de Parvati enquanto os outros embaralhavam o baralho de Seamus. — A gente se encontra aqui de manhã?
— O horário de sempre — concordou Hermione, assentindo. — Boa noite.
— 'Noite. — Ron subiu as escadas e estava tirando os sapatos quando a porta se abriu novamente.
— Eu falei para a Granger que ia me garantir de que você está bem — falou Malfoy, um pouco sem jeito. Então ele tinha percebido o que Ron queria. — Imagino que tenha algumas perguntas. — Ele fechou a porta e foi se sentar na ponta de sua cama, de frente para Ron.
— Algumas, sim — falou Ron. Mas, apesar de essas perguntas terem enchido sua cabeça durante a viagem de trem e durante o jantar, viu-se sem saber o que dizer.
— Bem? — perguntou Malfoy, mas ele parecia nervoso demais para estar realmente impaciente.
— Por que não tirou minha lembrança? — perguntou Ron. — Você disse que era perigoso demais que a gente soubesse.
— Direto ao assunto — murmurou Malfoy. Ron esperou. — É perigoso, mas... eu pensei bastante e acho que preciso que alguém saiba.
— Mas os dragões... A finalidade era...
— Para Potter e Granger, sim, e para a Garota-Weasley se ela tivesse ficado. Potter não podia lembrar. A gente sabe que ele tem uma conexão com o Lorde das Trevas, e se Potter sonha com ele às vezes, então ele provavelmente sonha com o Potter. E é inevitável que eles acabem se encontrando novamente, e não posso arriscar que o Lorde das Trevas veja essa verdade na cabeça de Potter.
— Justo — cedeu Ron.
— Granger não é boa com segredos — continuou Malfoy. — Ela ficaria ansiosa por ter de esconder algo de você e de Potter, e Potter sentiria no cheiro dela. Ou... se o que eu acho que vai acontecer de fato acontecer... nós vamos brigar sobre o lado em que eu realmente estou, e ela vai contar de propósito para tentar arrumar as coisas. E ela se preocuparia — adicionou, parecendo igualmente exasperado e afetuoso.
— Por que vamos brigar sobre em que lado você está? — perguntou Ron. — Os dragões...
— Eu não sei o que vou ter que dizer ou fazer para convencer o Lorde das Trevas da minha lealdade — falou Malfoy em voz baixa. — Mas é... provável... que os outros tenham motivos para duvidar de mim em algum momento, mesmo com os dragões. Potter pode me ver com o Lorde das Trevas, ou eu posso ter de passar informação que não poderia ter sido passada por mais ninguém, ou podem me chamar para fazer algo ou ir a algum lugar... Espero que não aconteça, porque devem me querer aqui, na Grifinória, sem levantar suspeitas, mas, bem... E é onde você, espero, entra.
— O que quer dizer?
— Você pode me dar cobertura se eu precisar ir a algum lugar ou fazer alguma coisa. Dar desculpas e tudo o mais.
— Acho que sim — falou Ron, franzindo o cenho. — Mas parece um risco e tanto para assumir, me deixar lembrar para que eu possa falar ao Harry que você foi dar uma volta. Snape poderia te cobrir tão bem quanto eu.
— Talvez — murmurou Malfoy. — Mas esse não é o único motivo. — Ron esperou. — Quando eles duvidarem de mim, seria bom se você conseguisse... convencê-los a não desconfiar. Lembrá-los dos dragões ou... ser um exemplo. — Malfoy pigarreou. — Eu... vocês são o motivo para eu fazer isso... você, Potter e Granger... e eu não quero perdê-los no processo. — Malfoy parecia nervoso e um pouco perdido. Era a primeira vez que ele não parecia tão confiante assim em seu plano maluco, e Ron ficou bastante tocado por ele estar mais preocupado com o que pensavam dele do que com qualquer coisa que Voldemort pudesse fazer. — Quando isso tudo terminar e Potter tiver vencido, eu quero ter para onde voltar.
— Vamos estar aqui, cara — disse Ron. Ou ele estaria e daria seu melhor para que Harry e Hermione também estivessem. Harry perdoaria qualquer coisa, então não estava muito preocupado com ele, mas quando algo chateava Hermione, ela guardava rancor. — Eu vou me garantir disso.
Depois de tudo o que acontecera com Wormtail no ano anterior, Ron tinha decidido que não queria mais ser inútil e estava trabalhando nisso, mas não ser inútil não era uma posição de verdade, não o ajudava a entender onde ia se encaixar no que estava por vir; Harry sempre seria o líder, o herói, e Hermione sempre seria a inteligente, a sensata. Malfoy também não tivera um lugar, mas agora ele era o espião. E Ron, Ron agora sabia que seria o amigo, o que dava apoio. Uns meses antes, ele teria ficado desapontado, podia ter pensado que amigo não era tão legal quanto o título dos outros... E talvez não fosse mesmo, mas ele pensou na mão de Hermione, apertada ao redor da sua quando Wormtail os usara como isca, pensou no rosto de Harry quando eles lhe falaram que ficariam ao seu lado, com profecias, Horcruxes e tudo o mais, e ele observava o rosto de Malfoy agora e decidiu que era muito importante.
— Agradeço muito — falou Malfoy, rouco.
— Então — falou Ron depois de alguns momentos de silêncio —, eu tenho que dar desculpas por você e te elogiar... mais alguma coisa que eu deveria saber?
— Sim — falou Malfoy, os lábios se torcendo —, você também vai ter que ser meu confidente. Não vou poder chegar no Potter e contar os planos do Lorde das Trevas.
— E como é que eu vou explicar isso? — perguntou Ron num fio de voz. — Eu não tenho uma cicatriz que me dá visões, nem meus pais são Comensais da Morte... er... digo...
— Como confidente, esse é um problema que você terá que resolver — falou Malfoy, sem se ofender. — Mas Potter não pode saber que eu sou a fonte, ou ele vai entender tudo na mesma hora... você sabe como ele é.
— Sei — falou Ron e balançou a cabeça. — Maldição. — Malfoy deu um sorrisinho, parecendo mais com ele mesmo do que parecera no resto do dia. Mas foi algo breve; a expressão de Malfoy ficou vulnerável depois de poucos momentos.
— Então — disse ele em voz baixa —, você aceita fazer isso?
— Claro que aceito.
Continua
