N/A: Esse capítulo trata de um assunto que é praticamente impossível não falar dentro do universo de Crepúsculo, que são os vampiros "vegetarianos" e sua dieta, e isso terá uma repercussão mais pra frente. Foi bom escrever no ponto de vista do Claudio de novo, ele é um personagem que eu me apeguei com o passar do tempo e usá-lo para descobrir os segredos do castelo dos Volturi está sendo muito divertido.

Obs: P.O.V = ponto de vista do personagem que está narrando

Obs 2: alguns personagens tiveram a idade alterada, e a aparência escolhida para alguns foi a descrita no livro e não no filme

[Todos os personagens pertencem a Stephenie Meyer!]


12

Segredos

Elia P.O.V.

Não consegui avisar a Claudio sobre meu retorno já que Aro não voltou a me emprestar seu celular e não havia nenhum telefone na casa de Amun, tentei conseguir com os humanos antes de deixarmos o país, mas eles não pareciam dispostos a desobedecer seu mestre. Imaginei que Aro teria avisado a alguém, afinal ele gostava de ser recebido com todas as honras, por isso me surpreendi ao sair do avião e não encontrar uma multidão, mas apenas Alec e Santiago.

- Você veio me ver – disse com um sorriso no rosto. Alec assentiu, tentando se conter.

- Achei que não teria problema – disse ele - quer dizer, depois que conversamos...

- Ah, está falando do meu monólogo ao telefone? – retruquei, então me virei para o vampiro moreno ao lado dele – É bom ver você também, Santiago.

- Como vai, senhorita? – ele respondeu – Acho melhor deixá-los a sós e ajudar Felix com as malas.

Aro passou por nós assim que Santiago saiu, seguido de perto por Renata. Desviei o olhar, desconfortável, e Alec percebeu.

- Aconteceu alguma coisa?

- Onde está Claudio? – perguntei rapidamente, pois havia ouvidos demais a nossa volta.

- Na verdade não contei a ele que estaria chegando hoje. – Alec pareceu envergonhado.

Devia estar chateada com ele, mas havia coisas maiores com o que me preocupar agora. Segurei no ombro de Alec e começamos a andar em direção a Igreja que ficava nos campos, quilômetros à frente. Aro e Renata já deviam ter chegado aos túneis enquanto podia avistar Santiago e Felix ao longe.

- Talvez isso tenha sido uma coisa boa. – eu disse.

- Como assim? – Alec parou e olhou para mim.

Suspirei e olhei ao redor, seríamos os últimos a entrar no túnel, mas podia sentir o cheiro de Demetri logo atrás de nós. Ele estava caminhando devagar de propósito.

- Precisamos conversar – suspirei – a sós.

XXX

Deixamos que Demetri finalmente passasse a nossa frente e entrasse na Igreja para começarmos a falar. A lua estava alta no céu escuro, já devia passar da meia noite. Luigi devia estar sonhando agora em sua cama em Roma. Contei rapidamente a Alec sobre o que aconteceu na viagem, sobre Amun, meu dom, a conversa com Demetri e as mentiras de Aro, que pensando bem eram suas mentiras também, mas ao contrário de Aro eu não conhecia Alec a minha vida toda e precisaria de aliados aqui.

- Demetri foi irresponsável – foi à primeira coisa que Alec disse quando terminei de falar. Sentamos debaixo de uma árvore e ele parecia muito entretido observando um ninho de passarinho logo acima das nossas cabeças – também não concordei com Aro sobre te esconder essas informações, pelo menos não todas elas, mas ele é muito controlador.

- E agora que sei sobre os Cullens, quer dizer, sobre esses vampiros vegetarianos... O que acha que devo fazer?

- Quer tentar essa dieta, é isso?

- Sim, só não sei como contar isso a Claudio. Somos diferentes, sabia sobre os vampiros desde que tinha cinco anos, mas ele soube sobre esse mundo há alguns meses – suspirei – ele não gosta de matar pessoas, eu também não, mas me acostumei com esse mal necessário...

Parei ao me dar conta de que estava citando Aro.

- Eu não sei, eu só... – Alec separou minhas mãos, acho que estava prestes a arrancar os dedos – E se ele me odiar por isso?

- Claudio nunca a odiaria. O observei de perto nesses dias em que esteve fora e não encontrei nenhuma razão para odiá-lo, na verdade ele é um cara muito legal e não gosto de admitir isso.

Sorri e balancei a cabeça. Não havia me dado conta o quanto senti falta de conversar com Alec, e agora que estávamos sozinhos no escuro parecíamos quase normais.

- Falei para Aro que estava com saudade de casa – apoiei minha cabeça no ombro dele enquanto observava Volterra, os telhados vermelhos eram lindos iluminados ao longe. – você me lembra um pouco o meu sobrinho, Alec, na verdade espero que ele cresça e fique parecido com você.

- Então espera que seu sobrinho se torne um assassino de sangue frio?

- Você não é assim! – respondi, bagunçando-lhe o cabelo – Então pode parar de tentar me convencer de que não tem coração.

Alec revirou os olhos, mas havia um sorriso em seus lábios enquanto ele me ajudou a levantar. Não podia mais adiar a volta para o castelo e a conversa que teria com Claudio, mas finalmente estávamos bem.

- Se você quiser ver o seu sobrinho, então deveria ir.

- Eu não posso, os humanos não podem saber sobre nós.

- E quem acreditará em uma criança? Aro te visitava nessa época, mas alguma vez ele citou a palavra 'vampiro' até ter idade para entender o significado?

Tentei encontrar uma resposta que refutasse aquela declaração, mas Alec estava certo. Era loucura, mas muito inteligente.

- Se você quiser – Alec sorriu, do jeito que fazia quando estava tramando alguma coisa – posso te ajudar.

- Mas o Festival está chegando, pode ser muito arriscado sair agora.

Aquilo não era mentira. Seria meu primeiro Festival como vampira e Claudio estava comigo, ambos éramos recém-nascidos, precisávamos ter cuidado.

- Será mais ainda se continuar esperando.

- Ainda não sei, Alec – respondi em meio a sua insistência.

- Então pense mais um pouco, mas não demore a me dar uma resposta – ele olhou em direção a Igreja – as coisas estão prestes a mudar por aqui.


Demetri P.O.V.

- Você voltou! – Jane me surpreendeu perto do elevador, ela estendeu os braços por um segundo e me deu um abraço rápido – Espera, então todos vocês voltaram?

- Sim, é bom saber que sentiu minha falta.

- Claro que senti, você e Felix fazem tudo o que eu quero. Claudio ainda precisa de mais treino, ele não tem medo do meu dom, na verdade pede que o teste e acaba caindo na gargalhada quando a dor passa.

- Italianos são estranhos, Jane. – respondi, de fato Claudio era um garoto peculiar.

- Fico feliz por mestre Aro ter voltado a tempo.

Ouvir aquilo foi o suficiente para acabar com minha paz de espírito.

- A tempo de que? Temos algum evento marcado?

- Ainda não, mas falei com o senhor Aro há alguns dias e ele disse que teremos uma visita interessante.

- E tenho certeza de que você sabe quem está vindo.

- Claro que eu sei, mas ainda não posso dizer nada.

Jane sorriu e deixou-me sozinho, parecendo apressada para dar as boas vindas a Aro, mas não acho que teriam um reencontro feliz. Era óbvio que ele havia brigado com Elia durante a viagem e pela frieza excessiva com que me tratou acredito que me considerava o culpado pelo desentendimento.

Não esperei por ordens e resolvi checar o andar de cima por conta própria enquanto pensava no que Jane havia dito. As últimas visitas que recebemos foram as de Carlisle, que acabou indo embora, e a da garota Denali, mas atualmente os Volturi não estavam exatamente bem vistos no mundo vampiro, então quem poderia pensar em vir para cá em um momento como este?

Quando as portas do elevador se abriram já estava no andar de cima. Era domingo então não havia expediente humano, ou ao menos não deveria, mas ouvia o coração de alguém bater em uma pequena sala no final do corredor.

- Não estamos sozinhos. – ouvi alguém dizer, e conhecia muito bem aquela voz.

- O que estão fazendo aqui? – perguntei ao entrar na sala, que geralmente funcionava como a administração fictícia do castelo, e encontrar Claudio Salvatore e Michael, primo de Renata, sozinhos próximos ao computador.

Percebi quando a mão de Claudio deslizou levemente para fora do bolso interno do paletó. Fiquei tentado a perguntar o que ele guardou ali com tanta pressa, mas ele me encarava de um jeito tão desafiador que me incomodou ao ponto de esquecer completamente esse detalhe. Ele sabia que sentia algo por Elia e isso acabou abrindo um grande abismo entre nós após sua transformação.

- O que você está fazendo aqui? – Claudio me respondeu, ele parecia genuinamente surpreso – Não devia estar no Egito?

- Acabamos de voltar e resolvi ver se estava tudo em ordem.

- Quer dizer que Elia... – o italiano não pareceu me ouvir, apenas se virou para Michael, que parecia estar desejando ser invisível – Falo com você amanhã, Mike, tudo bem? Preciso ver a minha esposa.

É claro que ele fez questão de se referir a Elia como sua esposa na minha frente, na verdade não devia me sentir incomodado com isso, pois era a verdade. O pobre Michael assentiu em silêncio, a mesma reação de Renata quando era pega fazendo algo que não devia. Claudio saiu e nos deixou sozinhos, esperei ouvir o som do elevador para finalmente voltar a falar:

- O que tem aí? – perguntei.

Michael, que estava arrumando suas coisas, parou na mesma hora.

- Apenas livros, senhor.

- Deixe-me ver.

Não precisei pedir duas vezes. Michael era obediente e me entregou a mochila, de fato só havia livros, dicionários, em sua maioria, em grego e em latim. Talvez Claudio só quisesse aprender algumas coisas e se sentiu mais confortável em pedir ajuda a Michael, eu não sei, havia alguma coisa suspeita.

- Posso ir agora? – Michael perguntou, seu coração estava acelerado - Já está tarde...

Devolvi a mochila a ele. Michael correu para a saída o mais rápido que conseguiu. Os humanos tinham mesmo medo de tudo.

Dez segundos depois que Michael saiu e eu tranquei a sala, Elia e Alec entraram pela porta da frente do castelo. Alec era um dos poucos que tinham a chave e raramente usávamos aquela passagem. Na verdade tenho certeza de que a última vez foi quando tivemos visitantes indesejáveis dos Estados Unidos.

- Não tem ninguém na praça – Alec disse ao notar a reprovação em meu olhar – ainda são três da manhã.

- Os humanos bonzinhos ainda estão dormindo – Elia tirou o casaco dos ombros, parecendo bem mais calma ao falar com Alec – foi divertido andar pela cidade como uma pessoa normal, obrigada Alec.

- As pessoas estão dormindo porque querem, não porque Alec as enfeitiçou – resmunguei alto o suficiente para que eles ouvissem.

- Não está muito cedo para vocês começarem a brigar? – Elia me acompanhou até o elevador, Alec vinha logo atrás. Ela apertou o botão mais de uma vez, como sempre – Agora eu só quero ver Claudio e tomar um banho.

Pensei em contar a eles que vi Claudio com o primo de Renata, aparentemente tramando alguma coisa, mas resolvi ficar em silêncio, pois não acho que Elia acreditaria em mim, não com o que sentia por ela, provavelmente pensaria que estava tentando criar problemas e Alec a apoiaria é claro, e eu não queria que eles me afastassem. Elia encostou-se na parede do fundo do elevador, com o olhar distante, e Alec ao seu lado. Era como se algo ainda a atormentasse apesar de estar finalmente em casa.

- Te deixarei informada, sobre aquele assunto, está bem? – disse Alec.

A protegida de Aro assentiu, fitando o chão, mas com o pensamento longe. Então era isso, eles guardavam outro segredo de mim.


Claudio P.O.V.

Voltei para o andar de baixo o mais rápido que pude e agradeci por Elia ainda não estar lá, pois ainda precisava encontrar um bom esconderijo para o diário de Didyme. Sabia que precisava ter feito isso há dias, mas estava tão concentrado em traduzir as anotações que não me importei com mais nada. Definitivamente não podia deixá-lo no quarto senão Elia o acabaria encontrando, então corri para o único lugar que achei que ninguém o procuraria.

O corredor que levava ao quarto de Aro e Sulpicia estava vazio, mas conseguia ouvir sussurros através da porta. Reconheci a voz de Aro pelo tom superior que usava, mas a segunda voz também era masculina e devia pertencer a Caius. Imediatamente senti pena de Sulpicia, pois imaginei que ela devia querer ficar a sós com o marido e não discutindo política.

Passei direto pelo quarto torcendo para não ser notado e tirei do bolso uma pequena lanterna que Michael, o funcionário humano, havia me emprestado. Precisava de um aliado longe do círculo de Aro e os humanos, com exceção de Gianna, foram minha primeira escolha, não achei que ele fosse ser útil por ser tão jovem, mas Michael parecia tão desesperado quanto eu. Seu objetivo era diferente, mas não me importava desde que me ajudasse sem questionar, e ele sabia fazer isso apesar de ser primo de Renata. Na verdade não acho que teria conseguido avançar tão rapidamente sem a ajuda dele.

Pressionei a maçaneta da última porta, que era tão pesada e antiga quanto à mesma, pronto para arrombá-la se fosse preciso, sentindo-me em um filme medieval de terror barato. Para a minha surpresa o quarto não estava trancado, tentei não fazer muito barulho ao entrar, pois a porta rangia, só consegui me acalmar após fechá-la, mas a sensação não durou muito.

Ao ligar e apontar a lanterna para o quarto percebi que aquele devia ser o cômodo mais macabro que já havia visto no castelo, todos os móveis estavam cobertos por um tecido negro que jazia empoeirado, haviam esqueletos de pequenos animais nos cantos de cada parede, que deviam ter morrido sufocados, mas o que mais me impressionou foi a energia que aquele lugar emanava, algo pesado e ruim, extremamente ruim.

- Só preciso esconder uma coisa – disse para mim mesmo e possivelmente para Didyme, se é que seu fantasma continuava aqui. Talvez até os fantasmas tivessem receios sobre este cômodo.

O quarto era tão grande quanto o de Aro, porém não tão moderno, mas por sorte tinha a mesma área reservada que levava para o que já foi um quarto. Ignorei os arrepios que estava sentindo com todas as minhas forças e fiz o mesmo que Aro, procurei por um tijolo solto onde pudesse esconder o diário.

Escolhi um debaixo da cama, onde depositei o diário em um espaço que tinha a profundidade do tamanho do meu braço, contra o chão. Depois me certifiquei de que a cama estivesse no mesmo lugar, assim como a posição do tecido, tudo devia parecer igual.

Voltei para o quarto enquanto tentava tirar a poeira do jeans, ainda estava nervoso, mas não acho que ninguém pensaria em procurar naquele lugar, só teria que ficar bem longe de Aro até conseguir traduzir tudo e principalmente não contar nada para Elia.

- Você voltou! – disse ao abrir a porta e encontrar Elia sentada na cama, ela parecia pensativa, mas sorriu ao me ver e correu em minha direção.

Elia cheirava a madeira e a orvalho, e fiz questão de respirar fundo para absorver todos os aromas que ela exalava. Segurei-a pelo quadril e a levei novamente até a cama, pronto para tê-la de volta e a sentir o mais próximo de mim que conseguisse. Elia me fazia tão feliz e sentia ódio pelo modo que ela estava sendo enganada nesse lugar. Tudo o que estava fazendo era por ela, por nós.

Os braços de Elia pareciam pregados em minhas costas, e ela não disse uma palavra, alguma coisa parecia errada.

- O que foi? – perguntei – Está chateada?

- Não – Elia respondeu, a expressão fechada – mas precisamos conversar.

- Tudo bem... – coloquei o cabelo para trás e respirei fundo, finalmente saindo de cima dela e torcendo para que ela não sentisse o cheiro de mofo que ainda estava impregnado em mim – O que é tão importante que não pode esperar algumas horas para me contar?

Elia endireitou-se e hesitou por alguns segundos antes de começar a falar:

- É sobre o que fazemos, sobre como nos alimentamos – acho que sabia o que ela queria me dizer, mas esperei que ela reagisse.

Elia finalmente falou sobre o sangue animal, na verdade ela contou uma longa história sobre um vampiro chamado Carlisle antes de chegar ao assunto principal, mas aquilo não trouxe paz a ela:

- Eu juro que não sabia – ela começou a soluçar – quer dizer, eu cheguei a pensar nessa possibilidade, mas Aro nunca chegou a confirmar então pensei que... Eu sinto muito!

Não esperei que ela terminasse, puxei-a para perto de mim e a abracei com força, sua aflição me machucava, não queria que ela tivesse uma crise de ansiedade.

- Não precisa se desculpar – respondi, teria que revelar um pouco do que sabia para o bem dela - eu já sei de tudo.

- O que? – os soluços de Elia pararam e ela rapidamente olhou para mim - Quem te contou?

- Ninguém! – me apressei em responder – Devo ter lido em algum lugar, a biblioteca está cheia de livros interessantes.

- Sim, ela está – Elia parecia desconfiada – mas eu li alguns antes de você chegar e não encontrei nada sobre isso.

- Você deve ter lido fantasia e romances, eu procurei por diários de viajantes, sabe que gosto da realidade.

Esperei que meu sorriso fosse o suficiente para convencê-la, afinal aquilo não era totalmente mentira, pois realmente havia encontrado aquelas informações no diário de Didyme, numa passagem bem interessante sobre um nômade que habitava o que hoje é a Espanha, mas ao mesmo tempo não queria que ela achasse que estava diminuindo suas preferências literárias.

Elia assentiu, mas não parecia totalmente convencida.

- Está vendo, meu amor? – continuei, mantendo o sorriso – Não sou tão idiota como acha que sou.

- Não acho que é idiota – Elia balançou a cabeça – pelo contrário, talvez esteja te protegendo demais, mas olhe para você, é um recém-nascido melhor do que eu.

- Sem exageros – sorri – e está tudo bem, só senti muito a sua falta. Você sempre me deixa para trás, por favor, não faça mais isso.

- E não farei – Elia se ajoelhou na cama, fazendo com que ficasse uma cabeça mais alta do que eu.

Beijei gentilmente o seu queixo.

- Quero que me prometa, porque tenho a sensação de que coisas ruins vão acontecer quando não está comigo.

- Eu prometo! – Elia retrucou, preocupada – Por quê? Alguém lhe tratou mal?

Balancei a cabeça e voltei a me deitar, colocando Elia por cima de mim.

- Não, todos foram muito gentis comigo, inclusive Alec, quando não estava me insultando em inglês.

- Alec não voltará a fazer isso, fizemos as pazes.

- E quanto a Demetri? – não consegui me segurar, precisei fazer essa pergunta. Ele não devia ter me visto com Michael hoje, acabaria nos trazendo problemas.

- O que tem ele?

- Ele gosta de você e me olha como se estivesse desejando que algo muito pesado caísse sobre a minha cabeça.

- Não se preocupe com Demetri – o sorriso permaneceu em seus lábios até que ela fechasse os olhos e respirasse fundo, como se estivesse prestes a dormir. Aquilo parecia ter sido uma reação de puro deleite... Não, o que estava imaginando? É claro que ela não me trairia com Demetri, com ninguém na verdade.

Ao contrário de mim, Elia não conseguia trair a confiança de alguém, pois era isso o que estava fazendo ao investigar Aro por conta própria, ao roubar o diário de sua irmã e a induzir um garoto inocente a me ajudar. Estava traindo a confiança dela, e não sei se Elia me perdoaria a não ser que encontrasse algo que valesse a pena todo esse sacrifício, mas às vezes tinha a sensação de que esses segredos acabariam me matando.

- Então você quer tentar essa dieta vegetariana? – perguntei, imaginando o que Aro pensaria disso.

- Sim, você me ajuda?

- Mas é claro! – respondi. Elia sorriu.

Faria tudo para que ficássemos bem, para que ficássemos o mais longe possível de Aro, mas principalmente para que pudéssemos viver com a consciência tranqüila.