Liz parou de torcer as mãos e seus olhos petrificaram, ouvi as batidas do seu coração fracas e ela estava muito branca. O que será que estava acontecendo? Segurei seu rosto e chamei seu nome umas duas vezes tentando não me desesperar, depois de alguns segundos ela voltou ao normal.

"Desculpe, eu não me senti bem." Ela respirava fundo e sua pulsação finalmente voltou ao natural. "Eu...não sei porque tenho isso. Quero dizer, somente aconteceu duas vezes antes. Quanto tempo eu fiquei fora?"

"Alguns segundos." Não estava entendendo nada, quando eu finalmente tomo a coragem para falar sobre meus sentimentos a uma femea ela quase desmaia sem motivo nenhum aparente. "O que aconteceu? Você esta bem agora? Precisa de alguma coisa?"

"Oh não! Eu estou bem, ainda bem que foi somente alguns segundos. Não foi nada. É sério, eu não sei explicar, eu só sinto minha magia me bloqueando. Desculpa te assustar, isso acontece quando fico muito nervosa, aconteceu a primeira vez quando minha mãe morreu, disseram que não foi muito bonito de se ver. Mas esta tudo bem agora, de verdade." Seus olhos um pouco marejados tentavam me acalmar, mas eu ainda estava preocupado.

A única coisa que eu tinha para oferecer era o restinho de rum que eu trouxe da viagem no cantil. Ofereci a ela que tomou um gole sem reclamar, sua feição me dizia desculpas mesmo que ela não tenha feito nada.

"Esta melhor agora?" Perguntei mais uma vez e ela acenou positivamente com a cabeça.

Seus olhos verdes analisavam a casa, ela parecia ponderar alguma coisa. Antes que ficasse mais ansioso com seu silencio ela cravou seus olhos nos meus. Me ajeitei no banco colocando uma perna de cada lado aproximando meu corpo mais ao dela.

"Eu não sei bem porque eu comprei essa torre, nem porque deixei ela com cara de casa. Eu olhava para esse jardim e podia ver crianças brincando, garotos se gladiando e meninas brincando de castelo. Eu via um futuro aqui, mas nunca pensei que pudesse ser o meu futuro, não pensava em mim assim. Um feérico afortunado com uma família." Desviei da intensidade do seu olhar , me lembrando que cogitei trazer Morrigan para cá, mas no fim nunca o fiz. Agora eu entendi o porque.

"Mas quando eu te conheci minha cabeça mudou. Eu criei desejos que antes não tinha, fantasias que tiram meu sono, foi como se tudo fizesse sentido agora, essa casa, você. " Sorri sem emoção lembrando de como me sentia sozinho e com o nosso laço essa sensação nunca mais voltou. "Eu achava que era um lobo solitário e arriscava levianamente minha vida, mas agora eu tenho alguém que esta conectado a mim, alguém que eu devo me importar e os deuses me presentearam com uma feérica cheia de encantos, corajosa e absurdamente linda." Nossos corpos não se tocavam, mas eu sentia sua presença e seu corpo aquecer, analisava em seu rosto qualquer misero sinal.

"Você não está sozinho Azriel." Liz colocou sua mão sobre a minha com as bochechas coradas e inclinou o corpo mais próximo do meu. "Eu não sou a sua amada, mas posso ser a sua amiga."

"Amiga? É isso que você quer ser minha?" Não pude controlar meu descontentamento.

Ela me olhou assustada notando que tinha algo errado em sua fala. "Eu achei que...que era isso que você queria!"

"Ts" Olhei para baixo sem acreditar, ela podia ser minha amiga sim, mas isso não diminuía o desejo que eu tinha por ela, a fome de provar seu gosto, o desejo de sentir ela perto de mim, se aconchegando no meu peito, o ciúme que me tomou assim que percebi que ela podia ser de outro. Eu não quero que ela se apaixone por outro feérico qualquer! Então um lampejo passou pela minha mente, e se...se ela também amasse alguém antes, do outro lado do continente?

"O seu coração é de alguém?" Perguntei sem meias palavras.

"Como?" Sua cara de duvida me deixou momentaneamente aliviado.

"Você tem alguém Liz? Lá no continente? Um amante? Um namorado? Alguém que tem um grande apreço?" De tudo o que eu pude pesquisar dela, nada me indicava que ela tinha alguém, mas a insegurança tomou conta de mim, eu estava pronto para me declarar para alguém que podia não retribuir, mais uma vez.

Liz começou a rir um pouco nervosa. "Não! Claro que não. Você estava preocupado por isso? Az, eu não tinha tempo para isso" sua voz continuou triste. "Eu não era vista como uma feérica bela, meus companheiros até esqueciam que eu era uma fêmea! Se apaixonar não estava nos meus planos e no entento..."

"No entanto?" Eu precisava enxergar em seus olhos a verdade, segurei seu queixo com delicadeza me esforçando para não beija-la.

"No entanto um feérico todo de preto atravessou meu caminho, invadiu a minha alma e robou meu coração sem que eu me desse conta." Lagrimas formavam em seus olhos e não pude deixar de acha-la mais encantadora ainda. Meu peito batia forte e eu sentia todos seus sentimentos.

Colei minha testa a dela e fechei meus olhos sorvendo de suas palavras.

"Quando estamos assim, de peito aberto, eu consigo sentir todas suas emoções. Você consegue sentir as minhas Liz?" Sussurrei embevecido de tantas coisas boas que fluíam pra dentro de mim, pra fora, ao nosso redor.

"Eu não sei! São tantos sentimentos juntos!" A voz de Liz saiu tremula passando o receio que ela tinha da rejeição.

"Eu sinto esse medo da rejeição. Eu não sei se é meu ou seu, por que eu não quero que me renuncie, não quero que me abandone..." as palavras saíram sem controle de minha boca.

"Nunca! Eu não te neguei e esse laço que corre entre minhas veias e que nos conecta é forte demais! Mas não é ele que me faz ficar aqui, não é o laço que me faz querer apagar todas suas magoas apagar tudo o que te faz mal e preencher..."

"Com amor." Completei radiante. Ainda com os olhos fechados friccionei meu rosto com o seu e meus lábios tocaram seu ouvido. "Aceita o meu amor Liz Alverga? Me aceita como seu parceiro e o feérico que te deseja?"

Eu não precisei de resposta verbal, o seu corpo deslizou de encontro ao meu. Segurei sua cintura firme junto a mim, minhas mãos subiram pelas suas costas enquanto minha boca sugava a pele sensível de seu pescoço enquanto ela me enlaçava em um abraço. Distribuía beijos pela sua pele perfumada, rosto, nariz, olhos, bochecha e sua boca. Meu coração batia mais rápido e eu podia ouvir suas batidas tão frenéticas quanto as minhas.

Liz apertou mais ainda seu corpo ao meu, sim eu também queria me fundir a ela. Nosso beijo era lento, mas intenso e eu queria transmitir todo o amor que eu sentia com o toque de nossas bocas.

"Eu aceito." Liz disse ofegante assim que nos separamos buscando por ar. "Você tem certeza Az? Não estamos indo rápido demais?"

Provavelmente sim, mas sentia que esse era o caminho correto. Não havia nenhum impedimento entre nós dois, nossos sentimentos estavam em sincronia e isso era evidente. Eu nem mesmo acreditava, eu estava apaixonado por ela! Ela era perfeita demais para mim, de mansinho Liz foi conquistando minha atenção, depois meu interesse e quando eu vi, eu a queria somente para mim.

Parecia que o leve toque de pele nunca seria o suficiente. Eu a desejava sempre aqui comigo, na minha vida. Foi como descobrir uma nova magia e não pudesse mais viver sem ela. Era uma dependência boa, que preenchia meu ser. Pelos deuses! Eu sabia o que era amar, afinal tinha sentido esse sentimento assim que pus meus olhos em Mor, mas nunca foi assim, não nessa intensidade que saia pelos meus poros, me envolvia e envolvia tudo a minha volta e nesse momento envolvia Liz, minha adorável parceira, eu queria muito beija-la mais e mais. E a razão de ser assim era porque eu era correspondido, era desse jeito que devia ser! Eu estava perdido, mas nunca me senti tão encontrado.

Eu a queria. E como eu a queria. Envolvi Liz em meus braços segurando como uma noiva e a levantei sem parar de beijar seus doces lábios. Ela murmurou algo, mas se aninhou mais em meu corpo. Estiquei minhas asas e a levei para o único lugar da casa que estava perfeitamente mobiliado, abrir as duas portas da sacada e a empurrei para o quarto ainda entre beijos sôfregos e mãos afoitas.

Liz se afastou de mim por um instante olhando ao redor, parando alguns segundos a mais na grande cama impecavelmente arrumada no meio do quarto.

"O quarto é a única peça que eu utilizo de vez em quando." Disse rodeando meus braços em sua cintura e encaixando meu queixo no seu ombro. "Eu quero o seu cheiro nos meus lençóis, eu quero a sua marca de que foi minha aqui. Eu quero ser seu também." Disse respirando no seu ouvido.

Sua pele se arrepiou por inteiro, seu corpo respondia tão bem ao meu. Me encaixava perfeitamente contra seu corpo, sentindo a suavidade de sua pele e seu perfume que despertava meus instintos mais primitivos. Beijei seu pescoço e não resisti em passar a minha língua demoradamente sentindo a sua textura. Desde o nosso primeiro beijo eu não conseguia afastar o desejo que eu tinha por ela, em vez disso eu me mesmo me distanciei. Foram dias, meses, podia ser até séculos sonhando com ela, nesse momento eu não conseguia me refrear, eu só queria sentir um pouco mais daquilo.

"Az..."Ela me chamava baixinho enquanto meus dedos faziam carinhos na sua barriga. "Eu..." Não a deixei formular nenhuma palavra, meus dedos atravessaram o tecido da sua roupa tocando diretamente sua pele, ajeitei delicadamente seu rosto para mim e a beijei. Ela me aceitou, isso era o suficiente para mim e eu iria mostra-la de todas as formas possíveis o quanto ela me agradava, o quanto eu era agradecido por seu amor, pois era isso que eu estava sentido não é mesmo?

Uma áurea incomum se espalhava pelo local, eu sentia a magia, mas não sabia de onde vinha. O ar ficou mais pesado, tudo ficou mais sensual, era como se eu tivesse sido tragado para os meus sonhos pervertidos. Algo me dizia que não era impressão minha, Liz se virou para mim e o olhar que vi em seu rosto fez meu sangue congelar.