O dia começou na casa de Sesshoumaru com o toque de campainha. Ele, que se preparava para sair para o trabalho, deu um suspiro ao ver que ninguém mais iria atender além dele.

O dono da casa, ao verificar que Rin e Hakudoushi ainda estavam ocupados preparando comida na cozinha, foi atender a porta fazendo uma anotação mental para colocar aquele "serviço" na conta do amigo que também era o servo pessoal da propriedade.

Ao abrir a porta, porém, os olhos estreitaram com seriedade.

Parado, segurando um pacote de papel pardo, estava Kouga, vestido de motoqueiro e cabelo comprido preso num rabo de cavalo e tirando os óculos escuros para revelar os olhos azuis.

Ao perceber que era Sesshoumaru e não Rin, Kagome ou Sango, ele se assustou. Provavelmente ele tirou o óculos para fazer charme para alguma delas, principalmente para Rin, o que o fez mentalmente criar um cenário onde ele pegava as lentes e quebrava tudo em pedacinhos.

-Kouga... – ele falou com o desprezo de sempre.

-Namorado da Rin... – o outro rangia os dentes por ter que falar com ele, depois a expressão suavizou e perguntou – Rin-chan e as meninas estão?

-Não. – foi a resposta na cara dura. Sesshoumaru pegou a porta e se preparou para fechá-la na cara da visita, mas uma voz o fez parar.

-Ah, Kouga-kun! Finalmente chegou. Bom dia. – Rin apareceu na sala atrás de Sesshoumaru e com Hakudoushi ao lado dela – Pode entrar.

O namorado dela apenas olhou boquiaberto a cena. O rapaz fantasiado de motoqueiro entrou na casa, tirou as botas, tirou a jaqueta e estendeu a Sesshoumaru para que ele a pendurasse no local apropriado. Sem reação, ele apenas deixou a peça cair aos pés dele enquanto via a namorada cumprimentar o recém-chegado com uma reverência e um sorriso.

-Kagome já está aguardando no quarto de Hakudoushi. Lá era o quarto dela. Sango também está lá.

-Ah, obrigado, Rin-chan.

Assim que o convidado se afastou para entrar no quarto de Kagome, Rin se virou para Hakudoushi com as mãos unidas.

-Você pode começar a levar a comida depois de meia hora?

-Ah, claro. – ele piscou, virando-se para voltar para a cozinha.

Depois ela se voltou para o namorado, ainda parado na porta com uma jaqueta aos pés dele:

-Sess, você já vai trabalhar? – ela se aproximou para ajeitar a gola da camisa social dele – Ia sair sem falar comigo?

O rapaz fez um esforço para ignorar o toque da namorada porque ele admitia que, sim, Rin tinha o poder de como fazê-lo esquecer de perguntar algumas coisas apenas com gestos simples, como estava fazendo naquele momento.

Mas ele não ia cair naquele conto.

-O que ele veio fazer aqui? – ele perguntou numa voz estranhamente fria.

-Oh. – ela tocou o queixo com o indicador como se pensasse num grande problema – Kouga-kun nos ligou para pedir ajuda num assunto.

Sesshoumaru arqueou uma sobrancelha.

-Que assunto? – ele tentou manter a calma.

Rin se aproximou do ouvido dele.

-É segredo.

E saiu correndo para se trancar no antigo quarto de Kagome.


Tokyo no Nendaiki: Boku-tachi no Junjou na Omoi

Kouga e no Koui

Crônicas de Tokyo: Nossos verdadeiros sentimentos

Um favor para Kouga


Disclaimer: 2020 e ainda tenho que dizer que não é meu e sim da Takahashi Rumiko.

Dedico a todos os fãs do casal Rin e Sesshoumaru, pois 21/10/2020 se confirmou o canon :D


Sesshoumaru afinal não saiu para trabalhar.

Muito menos Miroku e Inuyasha que, depois de receberem uma mensagem do mais velho, correram até a casa dele e ficaram à espreita na porta com um copo nos ouvidos.

-Eu achei que a audição do Sesshoumaru fosse melhor que a nossa. Toda vez que Sango e eu vemos os filmes d'A Sacerdotisa ele reclama das risadas de Sango de lá de casa. – Miroku comentou ao ver o esforço do amigo em querer ouvir o que se passava no quarto.

-Shh. – o mais velho ergueu o dedo contra os lábios para pedir silêncio.

-Você tá ouvindo alguma coisa, afinal? – Inuyasha insistiu pela quinta vez.

-Se vocês calarem a boca, dá pra ouvir sim. – Sesshoumaru estreitou os olhos.

-Por que você não fechou a porta na cara dele? – Miroku perguntou com os braços cruzados.

-A Rin não deve ter deixado. – Inuyasha tinha um sorriso cínico – É ela a dona da casa mesmo.

-Shh. – o mais velho ergueu o dedo contra os lábios de novo.

Finalmente, depois de minutos, ele tirou o corpo da porta e cruzou os braços.

-E aí? – os dois perguntaram ao mesmo tempo.

-O que esse lobo safado tá fazendo aí dentro? – Inuyasha estalava os dedos com raiva.

-O que eles estão falando? – Miroku quis saber, agarrando Sesshoumaru pela camisa num ato dramático.

O rapaz tinha uma expressão séria e sombria.

-Eles estão falando algo como... blá blá blá... Annon edhellen, edro hi ammen! Fennas nogothrim, lasto beth lammen… blá blá blá.

O choque apareceu no rosto do irmão caçula e do amigo de infância.

-Mas isso aí não a linguagem dos elfos do Senhor dos Colares? – Miroku estranhou.

-Parece que estão discutindo nessa língua. – Sesshoumaru voltou a colocar o copo contra a porta para ouvir melhor.

-O que vocês estão fazendo aí?

Os três se viraram para ver Hakudoushi parado próximo a eles segurando uma enorme bandeja com jarras de suco, de água, bolo, doces e outros quitutes.

Disfarçadamente Sesshoumaru escondeu o copo e estreitou o olhar ao amigo.

-Você sabia da visita dele?

-Eu não sei de nada. Sou só um servo fiel à dona desta casa. – o amigo respondeu com um sorriso maligno – Vocês estavam tentando escutar a conversa dos outros, é?

-Não. – eles falaram ao mesmo tempo. Sesshoumaru ainda tinha o copo escondido atrás de si.

-Então me deixem passar. Tenho que levar isso pra eles aí dentro.

-Não vamos deixar a menos que você nos conte. – falou Sesshoumaru, formando, ao lado de Inuyasha e Miroku, uma barreira para Hakudoushi não passar.

-Hmm... e vocês acham que vão me impedir?

Silêncio se fez.

-Miroku, Sango está aí dentro. Você vai deixar sua noiva GRÁVIDA ficar com fome mesmo? – ele chantageou.

-N-Não... – ele se afastou envergonhado.

-Inuyasha... – Hakudoushi começou.

-O que foi? – ele tentou se fazer de valente.

-Nada. Vou só olhar pra você assim até você se afastar.

Hakudoushi tinha um olhar tão maligno, mas tão maligno, que Inuyasha se tremeu todo e se afastou um pouco mais da porta.

Agora só faltava Sesshoumaru.

Era Hakudoushi contra Sesshoumaru, Sesshoumaru contra Hakudoushi.

De repente a porta se abriu e a cabeça com o sorriso sorridente de Rin apareceu numa fresta. Foi tão repentino que Sesshoumaru largou o copo e ele se espatifou com a queda.

-Ah, Sess, você não foi trabalhar? – ela franziu a testa.

-Não. Eu pensei que você poderia precisar de ajuda em alguma coisa. – ele disse com uma firmeza e sinceridade que quem visse e ouvisse acreditaria.

-Hmm... não preciso de nada. Ah, Hakudoushi, pode entrar. Sess, dê passagem a ele.

O rosto mostrava indiferença, mas todo mundo sabia ali que, diante do sorriso debochado de Hakudoushi, Sesshoumaru declararia guerra a um dos melhores amigos.

E Hakudoushi faria questão de participar da batalha.

-Com licença, cavalheiros, preciso trabalhar. – ele passou altivamente com a bandeja entre os amigos e entrou no quarto, usando o pé para fechá-la e bater na cara deles.

A porta abriu novamente e o rosto de Rin apareceu novamente.

-Sess, por favor, já que você não vai trabalhar, poderia tirar esses cacos de vidro do chão? Não quero machucar meus pés.

Silêncio se fez por alguns segundos.

-Sim, Rin, claro. Tudo que quiser. – Sesshoumaru finalmente respondeu.

Rin deu um sorriso, fechou a porta e a trancou.


Do lado de fora da casa, os três faziam tocaia perto da janela do antigo quarto de Kagome, agachados e fora da vista de quem estava lá dentro.

-Eles ainda estão conversando em língua élfica? – Miroku perguntou aos dois irmãos.

-Eu acho que estão falando em algum dialeto do Sengoku Jidai. – Sesshoumaru franziu a testa – Só consigo ouvir a voz de Kagome.

-Eu tô ouvindo a de Rin. – Inuyasha apontou.

Os dois se entreolharam.

-Sango não tá falando nada. – Miroku tinha as mãos cruzadas atrás da nuca.

-Eu não sabia que as meninas eram amigas de Kouga. – Inuyasha sussurrou aos dois – Como Kagome pode ser amiga de um cara que usava até um tempo desses jaqueta com pelo de lobo selvagem?

-Sango odiava o cheiro. – Miroku apontou.

-Deve ser alguma coisa grave. Rin sabe que eu não permitiria que ele pisasse aqui depois que ele começou a chamá-la pelo primeiro nome. Nem eu a chamo da mesma forma. – Sesshoumaru continuava com o ouvido colado na parede, tentando ouvir a conversa.

Repentinamente, a janela abriu e Hakudoushi apareceu de novo com um sorriso debochado.

-Oh. Vocês estão aqui também. – ele sussurrou.

Inuyasha e Miroku estavam tão assustados que nem respiravam. Sesshoumaru tinha um olhar sério dirigido ao outro.

-Tem alguma coisa aí, Hakudoushi? – os três reconheceram a voz da namorada de Sesshoumaru.

-Nada, Rin. – o outro respondeu casualmente – Só Buyo que quer um pouco de água. Um instante.

Em segundos Hakudoushi jogou uma jarra de água na cara dos três e fechou a janela e as cortinas.


Os três agora estavam sentados no sofá da sala na mesma pose: braços cruzados, uma perna cruzada em cima de um joelho, rostos indiferentes e completamente molhados, esperando os cabelos e as roupas secarem no próprio corpo.

-Sesshoumaru... – Miroku tentou.

-O quê? – ele respondeu e o olhou por um canto.

-Por quanto tempo a gente tem que fazer essa pose de mau? – Miroku coçou a cabeça – Tô cansado já.

-Até alguém sair do quarto.

-Ok. – ele voltou a cruzar os braços e fez uma cara de sério.

-Eu acho que estou com câimbras. – Inuyasha comentou sem mover um dedo – Não consigo me mexer.

-Deve ser porque você não está acostumado a fazer isso e precisa se exercitar. – Sesshoumaru comentou sem mover um dedo.

Finalmente, alguns minutos depois, Hakudoushi saiu com a bandeja vazia. Provavelmente teria que pegar mais coisas na cozinha.

-Hakudoushi. – Sesshoumaru falou tão sério quanto possível.

O outro parou e ficou de frente para quem o chamou, arqueando uma sobrancelha.

-Eu te dou duas... não, três semanas sem trabalho doméstico se me disser o que está acontecendo aí dentro.

-Eu não acredito mais nessas propostas. – ele falou indiferente – Sempre é a mesma história e nunca dá certo. Só acredito se vier da boca de Rin.

-Eu falo com ela.

-Você tem medo dela.

-Eu sou o dono da casa.

-Todo mundo sabe que a Rin manda aqui.

Sesshoumaru estreitou os olhos.

Hakudoushi deu as costas e foi para a cozinha.

Um grito estrangulado saiu de lá e em segundos o rapaz apareceu na sala rangendo os dentes.

-Vocês jogaram terra do jardim em todos os centímetros quadrados da cozinha! – ele ergueu um punho – A Rin vai ter um ataque!

O servo doméstico e o (quase) dono da casa trocaram olhares: um furioso, outro indiferente.

-AGORA! – Sesshoumaru falou e os três saíram do sofá ao mesmo tempo em direção ao agora quarto de Hakudoushi, este dando um grito estrangulado ao perceber o plano dos amigos.

-Rin! – ele abriu a porta majestosamente com Inuyasha e Miroku atrás dele como se fossem aliados em uma batalha.

Dentro do quarto, a cena era a seguinte: as três estavam sentadas na cama, Kouga de joelhos com a mão estendida segurando o que parecia ser um anel. Os quatro olhavam boquiabertos para os invasores.

Ofegante, Hakudoushi passou por eles e entrou no quarto, tentando se explicar. Colocou as mãos nos joelhos para se recuperar.

-Rin, eu tentei impedir de todas as formas. Eles destruíram a sua cozinha e me amarraram lá. Eu só consegui escapar porque Buyo roeu as cordas e me ajudou. – ele mentiu na cara dura.

-O que vocês fizeram? – Rin parecia indignada e Sesshoumaru arregalou (muito discretamente para não demostrar temor) os olhos.

-Nada, Rin. Você sabe que Hakudoushi sempre foi um descontrolado. – o namorado respondeu – Vocês precisam de alguma coisa enquanto ele limpa a cozinha?

-Eu não vou limpar aquilo! Vocês destruíram o jardim da Rin e sujaram toda a cozinha de propósito! Parece um campo de batalha do Japão medieval! – ele apontava na direção do cômodo.

-Vocês destruíram meu jardim? Todas as minhas flores? As minhas roseiras? – Rin sentiu os olhos lacrimejarem.

Silêncio se fez.

Depois, a dona do jardim passou pelos quatro rapazes e saiu correndo do quarto para se trancar no que ela dividia com Sesshoumaru.


-Então vocês estavam ajudando o Kouga a treinar o pedido de casamento que ele vai fazer pra Ayame? – Miroku se empanturrava de salgadinhos enquanto ouvia a conversa sentado ao lado de Sango na cama. Inuyasha estava ao lado de Kagome e comia fatias inteiras de bolo quase sem mastigar.

-Vocês estragaram tudo, por sinal. – o rapaz cruzou os braços – Primeiro Hakudoushi tentou ser a Ayame e não deu certo, e depois que as meninas aceitaram fingir ser a Ayame vocês apareceram.

-HAKUDOUSHI ESTAVA FINGINDO SER A AYAME? – Miroku e Inuyasha exclamaram ao mesmo tempo.

Sesshoumaru também apareceu naquele momento vindo correndo do quarto, colocando a cara na porta para saber se aquilo era verdade.

-Era por isso que ele não deixava que a gente entrasse. – ele falou.

Hakudoushi fingia indiferença.

-Mas sempre que eu errava alguma palavra ou hesitava, ele dava um soco em mim. – Kouga mexeu o queixo para verificar se ele não tinha mesmo quebrado.

-Assim você aprende a ser mais determinado. – o quase empregado da casa deu de ombros.

-Onde está Rin-chan? – Sango comia os quitutes um atrás do outro. Miroku fazia carinho nas costas dela.

-Ainda no quarto. Já está mais calma. Acabei de comprar uma dúzia de rosas, um vaso de glória da manhã, camélias e flores de ameixa.

-Você esqueceu as violetas que ela tanto gosta. – Hakudoushi comentou num tom casual.

Silêncio se fez.

-Droga. – Sesshoumaru praguejou. Pegou novamente o celular do bolso e afastou-se para falar com a floricultura.

-Você também cuidava desse jardim? – Kouga ficou impressionado.

-Eu ajudo a Rin em todas as tarefas aqui. – ele respondeu.

-Você não quer dividir o apartamento comigo, Ayame e Takeda? Pode morar de graça lá se for o empregado.

Hakudoushi jogou um bichinho de pelúcia de Kagome na cara dele.

-Pronto. Missão cumprida. – Sesshoumaru retornou ao quarto.

-Você comprou também as hortênsias? Eu vi que foram tão cruelmente pisoteadas. – Hakudoushi comentou no mesmo tom de indiferença como se tivesse lembrado naquele momento.

-Hakudoushi, você me paga... – Sesshoumaru rangeu os dentes como um cachorro e o amigo coçou o ouvido com o dedo mindinho.

-Ninguém mandou espionar a namorada no jardim tão bem cuidado e amado por ela. – ele rebateu.

Sesshoumaru mais uma vez saiu do quarto para resolver aquele problema.

-Bem, então vamos treinar? – Kagome uniu as mãos e deu um sorriso otimista – Vamos lá! RIN-CHAAAN!

Minutos depois, a amiga aparecia no quarto com o rosto ainda inchado de choro.

-Rin-chan, sente-se aqui. – as meninas deram espaço para a amiga se sentar no meio delas.

-Minhas flores... – ela choramingou. Sesshoumaru apareceu com a cara mais arrependida do universo.

-Calma, Rin. – o namorado começou – Eu falei com uma floricultura. Daqui a pouco chegarão todas as flores que você gosta.

-Todas? – elas choramingou.

-Sim. – ele confirmou com a cabeça para reforçar.

-Até minhas margaridas?

Sesshoumaru discretamente pegou o celular e subitamente precisou escrever uma mensagem.

-Sim. – confirmou novamente segundos depois.

-Vamos, Rin-chan. – Sango segurou a mão da amiga – Não ligue para esse destruidor de flores que está ali perto da porta.

O namorado de Rin apenas cruzou os braços, encostando-se na parede próximo da entrada do quarto.

-Vamos continuar. – Rin se levantou da cama e bateu palmas, dando um sorriso forçado – Hakudoushi, você vai voltar a ser a Ayame?

-Não.

Silêncio se fez.

-Hakudoushi – você - vai - voltar - a - ser - a - Ayame? – Rin perguntou mais pausadamente ameaçadora e deixou todo mundo ali assustado com o imenso sorriso dela.

-Eu limpo todas as lajotinhas do banheiro por uma semana. – ele arriscou, disfarçando um estremecimento.

-Miroku-sama, você pode ser a Ayame pro Kouga treinar?

-Rin-sama, se você me pedir pra fingir ser a Lady Gaga, pode ter certeza de que farei um show espetacular lá na sala. – o rapaz se afastou de Sango e se levantou da cama num pulo.

Andou casualmente até o meio da sala, fingindo-se de sério. Kouga também se preparou para falar, colocando um joelho no chão e mão com a caixinha de anel erguida na direção de Miroku.

Todo o quarto ficou em silêncio. Kouga respirou fundo. As meninas tinham as mãos unidas junto ao peito.

-Ayame, eu... eu... eu quero dizer... eu... eu... assim... digo... eu... eu...

-Bate logo nele, Miroku! – Hakudoushi gritou impaciente.

Kouga parou de falar e ficou ofegante.

-Eu não consigo... – ele balançou a cabeça e ficou em pé – Isso é muito difícil.

-Não é nada. Você tem que ser natural. – Miroku tocou no ombro dele – Vocês dois podem ter uma história muito bonita juntos. Por que não começa falando das qualidades dela?

-Pode me dar um exemplo?

Miroku pegou a caixinha das mãos de Kouga e pôs-se sob um joelho.

-Ayame, meu amor. – ele encarnou o personagem – Eu acho que nunca vi uma mulher com olhos tão castanhos...

-Os olhos dela são verdes. – Kouga interrompeu.

-... olhos tão verdes e cabelo tão preto...

-O cabelo dela é castanho. – mais uma vez o outro interrompeu.

-Taquepareo... – Miroku baixou a cabeça quase em desistência.

-Miroku, dá um soco logo na cara dele! – Hakudoushi insistiu.

-Kouga-kun... – Kagome tinha um sorriso muito forçado. Ao lado dela Inuyasha ainda comia os quitutes como um esfomeado – Que tal deixá-lo falar primeiro?

-O-Ok. – ele parecia envergonhado.

Miroku tentou mais uma vez. Estalou o pescoço, respirou fundo, fechou os olhos, abriu-os. Tinha um brilho também nos dentes ao dar um sorriso educado.

Parecia um homem transformado.

-Ayame, eu não sei como dizer em todas as palavras o que sinto por você. O seu sorriso me deixa feliz, tudo em você aquece meu coração. Eu não sou um homem completo sem você. Aceita casar comigo?

Silêncio no recinto por um minuto, até as meninas começaram a soluçar.

-Foi tão... tão... – Sango limpava as lágrimas dos olhos.

-Lindo... – Kagome deixava as lágrimas de emoção escorrerem livremente pelo rosto.

Rin se limitou a fungar num lenço que geralmente ela usava quando assistia a Laços de Ternura.

Todos os outros, incluindo Kouga, estavam boquiabertos.

-Foi assim que você pediu Sango em casamento? – Sesshoumaru perguntou.

-Err... – o outro coçou um lado do rosto e deu um sorriso sem graça.

-Não. – a noiva respondeu olhando casualmente as unhas – Ele pediu pra eu ser a mãe dos filhos dele.

As meninas piscaram e fizeram cara de nojo. Ele não tinha sido tão romântico quanto minutos antes.

-Acho que não está dando certo mesmo com os meninos. Vamos tentar de novo aqui conosco? – Kagome deu um sorriso.

Os outros três participantes – Inuyasha, Sesshoumaru e Miroku – olharam desconfiados Kouga se ajoelhar na frente delas.

-Ayame, eu... Eu não sei o que sinto por você. As palavras eu sei dizer todas. O seu coração aquece meu sorriso, eu sou um homem completo sem precisar de você. Quer casar comigo?

As meninas tinham olhos arregalados e as pupilas viraram duas listas verticais. Hakudoushi caiu na gargalhada enquanto Sesshoumaru, Inuyasha e Miroku deram um soco na cabeça de Kouga.

-Por que fizeram isso? – ele perguntou massageando os três galos.

-Você fez um discurso horrível. – Sesshoumaru atestou, completamente ignorando as risadas de Hakudoushi – Você trocou todas as palavras.

-Vamos tentar outra coisa. – Miroku tossiu para chamar a atenção de todos – Ao invés de falar, Kouga mostra só a caixinha. A Ayame deve entender logo.

-O-Ok.

Novamente o repetiu a pose anterior. Fechou os olhos e respirou fundo. Abriu os olhos.

Depois ergueu uma mão tremendo violentamente. Agitou tanto que o anel foi parar no meio do prato de salgadinhos que Inuyasha devorava.

-Bem... – Miroku coçou a cabeça – Acho que se a gente amarrar esse anel na mão dá certo.


Kouga mais uma vez se curvava se despedindo dos sete amigos/conhecidos do bairro antes de ir embora com um arranjo de flores, que Rin improvisou a partir das que foram enviadas por Sesshoumaru, amarrado em uma das mãos, e a caixinha do anel amarrada na outra.

-Boa sorte, Kouga-kun! – Kagome acenava para ele ao vê-lo tentar subir na moto com as flores e a caixa num improviso que quase o levou a cair no chão.

Segundos depois, a moto desaparecia da vista deles.

-Vai sair aquilo depois da mão dele? – Rin parecia preocupada. Tinha uma camélia presa no cabelo perto da orelha direita.

-Ele vai precisar de ajuda pra tirar. – Sesshoumaru estava ao lado da namorada e arriscou passar um braço na cintura dela. Ela não reagiu negativamente, o que ele considerou bom. O plano de repor as flores havia dado certo.

-Eu não contei a vocês, mas passei supercola na mão dele. – Hakudoushi mostrou o tubo pequeno de cola que tinha guardado no avental de faxina.

-Hakudoushi! – as meninas protestaram e ele deu de ombros.

-E vocês acham que ela vai aceitar? – Miroku perguntou ao dar um suspiro – Conseguimos ensaiar em poucas horas, mas espero que ele não fale coisas do tipo "Ayame, não quero casar com você" enquanto mostra aquele anel.

-Eu acho que ela vai aceitar. – Kagome forçou um sorriso – Se ele for assim com ela, com certeza Ayame-san vai entender de alguma forma.

-Você aceitaria um pedido assim, Kagome? – Inuyasha estava chocado – Ele falou "nunca mais quero te ver todos os dias".

-Ele estava nervoso, Inuyasha... – a namorada sentiu uma gota escorregar pelo lado do rosto.

-Rin, você aceitaria um pedido daquela forma? – Sesshoumaru quis saber.

A namorada pensou, pensou e pensou, fazendo "hmm" de quando em quando.

-Sim, eu aceitaria. Acho que Kagome tem razão em dizer que Ayame-san conhece Kouga-kun e sabe que é o nervosismo dele afetando.

Sesshoumaru franziu a testa.

-Gente... só uma pergunta que não quer calar... – Miroku começou e ficou na frente dos amigos.

Todos ficaram em silêncio para ouvi-lo.

-Quem é Ayame?

As mulheres deram risadas. Hakudoushi franziu a testa.

-Ué, vocês não a conhecem? – perguntou.

-Eu não. – Miroku balançou a cabeça para os lados, depois se dirigiu aos irmãos – E vocês?

Os dois também negaram.

-Acho que ninguém a conhece, Miroku-sama. – Kagome falou tentando controlar o riso.

-Eu nem sabia que o Kouga tinha namorada. – Sango comentou.

-Bem, mais uma pessoa nova no nosso querido Tokyo Dome. – Miroku olhou para os céus do bairro.


Inspirado pela ação de Kouga, um dos amigos quer pedir a namorada em casamento… Jikai Tokyo no Nendaiki: Boku-tachi no Junjou na Omoi: Puropoozo. Não percam!

-Gravou tudo, Miroku?


Nota da autora: Há quanto tempo, hein? :)

Ontem fiquei muito feliz com a apresentação da Rin adulta em HnY e também a confirmação de que ela é a mãe das gêmeas, e eu tive que escrever e publicar alguma coisa hoje para comemorar.

Espero que tenham gostado. O que acharam? Vocês estão gostando de Hakudoushi com os seis originais? Se não estiverem gostando, eu posso tirá-lo do grupo... Aí ele fica sendo só visita mesmo.

Estou tentando voltar aos poucos para o humor. Vocês viram que estou publicando outras histórias? Quero ver se finalizo tudo até fim do ano.

Estou publicando capítulos de diversas histórias pelo menos 2x por semana.

Ah, quem não recebeu os dois outtakes que escrevi para esta história, deem um aviso que eu mando, ok?

Comentem se gostaram deste aqui. Vou ficar feliz com o incentivo.

Beijos pra vocês,

Shampoo-chan.