Capítulo 15

Robotinik em Nova York


Dois dias se passaram e as gravações ainda estavam á todo vapor. Augusto estava conversando com sua assistente enquanto os atores estavam se aprontando, ambos estavam em frente ao cenário e Augusto sentando na famosa cadeira de diretor.

- Conseguiu entrar em contato com ele?. -. Augusto perguntou á Carol, que estava preparando seu café. Ele estava lendo mais uma vez o roteiro-. Não ponha muito açúcar, por favor

- Sim senhor, conseguir contatar ele e chagará hoje mesmo. -. Carol entregou a xícara a seu chefe e tinha um sorriso de ver que o chefe estava satisfeito.

- Excelente!. -. Augusto deu um sorriso e fechou o papel do roteiro-. Então nosso vilão chegará hoje. Sem ele não teria graça.

- Concordo senhor. -. Carol assentiu ainda com um sorriso-. O senhor deseja mais alguma coisa?.

- Por enquanto, só verifique se as equipes e nossas estrelas estão prontas. -. Augusto olhou para a assistente que assentiu e se retirou. Seu telefone, que estava no bolso, vibrou e viu o identificador de chamada, deu um sorriso vendo que era sua filha-. Oi minha princesa. ... Sim, já enviei o carro pra você vir. ... É, você começa a cena, então esteja preparada. ... ta bom. Tchau.

No camarim de Maurice, ele estava sentando numa cadeira de frente para o espelho onde tinha varias lâmpadas o cercando, sua maquiadora e a cabeleireira estavam dando os toques finais que ele precisava para o filme enquanto Maurice estava desabafando a raiva que estava sentindo. Dois dias atrás, sua família agiram como se ele não tivesse saído daquele apartamento e aquilo o deixou chateado.

-É inacreditável. Eu quase fui estuprado no meio de um parque por um bêbado, passei uma noite e um dia fora no apartamento de pessoas que foram super gentis comigo. -Suas bochechas coraram um pouco-. Mas em nenhum momento minha mãe me ligou pra saber onde eu estava. Ao invés disso, ela me perguntou com quem eu dormi, e ela sabe que eu não sou esse tipo de gente. -. Cruzou seus braços, sua expressão era de raiva, mas deu um suspiro para se acalmar.

- Maurice, estou tentando acertar essa base em você. -Uma leoa de cabelos enrolados rosa e pelo dourado estava passando levemente o pincel com a base no focinho do ouriço cobalto-. E seus irmãos?.

- Eles?. -. Maurice bufou e balançou negativamente a cabeça-. No dia em que eu saí, eles nem sequer prestaram atenção pra onde eu estava indo passear. Na verdade, eles nem me ouviram, só estavam no mundo privado deles.

- Caso ruim Maurice. -. Uma morcego ébano estava passando uma escova especial que só era usada para ouriços-. Seus espinhos estão um pouco rebeldes. Tente se acalmar, não vamos comentar mais sobre o que sua família fez.

- Verdade. Bom ponto Íris. E também, sua expressão não está me ajudando muito Maurice. -. A leoa riu levemente e voltou para sua maleta para pegar pó-. Com isso estamos quase acabando.

- Então, você mencionou que estava no apartamento de estranhos. Como é que foi isso?. -. Íris, a morcego, perguntou curiosamente.

- Bem. ... pelo que eu sei, foram eles que me ajudaram no parque. Foram dois ouriços, um se chama Silver e o outro Shadow. Eles cuidaram de mim, e quando acordei, estava num quarto bem pequeno e simples, Silver e o namorado dele, que se chama Mephiles, me trataram super bem naquele lugar. -. Seus espinhos começaram á relaxar e sua expressão suavizou com a lembrança de dois dias atrás, o que facilitou o trabalho para as meninas-. Eles fizeram eu me juntar á eles para tomar sopa e esperar o irmão de Mephiles chegar, e para a minha surpresa, foi o mesmo ouriço que era fotógrafo que conheci na festa da Fiona. -. Suas bochechas coraram um pouco-. Eu consegui reencontra ele outra vez.

- E você gostou dele?. -. A leoa perguntou com um sorriso brincalhão.

- Não!. Não, somos só conhecidos. -. Maurice deu um sorriso e fechou os olhos enquanto a leoa passava um pouco de pó no rosto dele-. Mas, pra ser sincero, quero ver ele. ... quer dizer, eles, outra vez.

- Maurice, uma pergunta que esta me perturbando. Como eles não enlouqueceram por você ser. ... bem, você?. -. A morcego parou de escovar os espinhos azuis para encarar ele.

- Bem. ... vocês duas são as únicas que sabem que uso as lentes pra esco der meus olhos. -Abaixou levemente as orelhas-. Eles não conseguiram me reconhecer com a cor natural dos meus olhos, e talvez sem toda aquela maquiagem exagerada de Maurice.

- Não diga que você deixou suas lentes azuis. ... -A leoa perguntou com uma expressão totalmente chocada.

- Sim, eu deixei no apartamento. Eu só queria dar uma volta pela cidade sem ser parado pra tirar fotos e dar autógrafos infinitos. Eu fiz errado?.

- Eu creio que não. Na verdade, não vejo o erro de você querer ser normal pra variar. -. A morcego deu um sorriso amigável para Maurice que correspondeu.

- Terminei!. -. A leoa deu um sorriso para o trabalho bem feito-. Então, quando vai deixar de usar essas lentes e deixar esse par de esmeraldas livres?.

- Bem, eu pensei nisso varias vezes, mas sei que não posso simplesmente mudar isso. -. Sua expressão ficou triste-. Minha mãe insisti tanto pra eu usar que acabei me acostumando, e todos também. Acho que eles nem lembram mais de mim com olhos verdes quando criança.

- Talvez um dia, você queira tirar pra uma estreia, ou para se encontrar outra vez com o ouriço Shadow. -. A morcego tinha um sorriso provocante e fez Maurice ficar um pouco corado-. Pronto, agora parece um príncipe.

- Talvez para encontrar eles. -. Maurice tinha um sorriso com essa idéia, admirou sua aparência no seu reflexo-. Nossa!. Eu quase nem me reconheci. Muito obrigado, Iris e Flower.

- Espera, falta o detalhe do ator. -. Flower, a leoa, pegou a caixinha onde estava guardada as lentes azuis-. Coloque Maurice, você ainda precisa impressionar seus fãs, e principalmente sua mãe.

Maurice assentiu, agradecendo mais uma vez e se retirando da sala. Estava andando pelo corredor dos outros camarins e viu o nome dos atores principais nas portas, deu um suspiro vendo o nome de sua família, ele ainda não tinha conseguido conversar com eles sobre o que tinha acontecido, eles estavam sempre ocupados para conversarem normalmente.

Se afastou do corredor indo direto para a sala de gravação, chegou e viu a agitação daquela sala, todos estavam correndo para terminarem de aprontar tudo, se aproximou de suas amigas, uma ouriço laranja vestida de dama real e a outra ouriça branca vestida de plebeia, ambas cumprimentaram Maurice e deram um sorriso vendo sua aparência de príncipe.

- Poxa, se você não fosse do outro time, eu gostaria de provar da sua fruta. -. Sua amiga de cor branca tinha um sorriso malicioso e isso deixou Maurice desconfortável.

- Hum. ... Bem. -. Maurice deu um sorriso nervoso-. Eu gosto da mesma fruta que você gosta. -. Seu rosto ficou vermelho e isso causou risadas entre as duas.

- Fique tranquilo Maurice, ela está apenas brincando, não é Thais?. -. A ouriça laranja encarou sua amiga com um sorriso.

- Claro. Além do mais, já tem um cara de olho nele, e eu sei porque já faz um tempão que nós duas estamos aqui e aquele cara nem olhou pra nós, até o Maurice chegar. -. Thais tinha um sorriso e apontou para seus amigos olharem, seus olhares deram com um falcão verde que estava vestido formalmente-. Acho que ele gostou de você Maurice.

- Quem é ele?. Não é que eu esteja interessado, é que não o vi nos ensaios. -. Maurice olhou mais vez para o falcão que estava o encarando-. Pelo menos não até hoje.

- Ele se chama Jet Kalyor, parece que chegou ontem e vai começar hoje como um príncipe. -. A ouriça laranja olhou para Maurice-. Ouvi dizer que ele ganhou um globo de ouro por ser o melhor ator.

- Tsk, esse falcão é podre de rico, ele já nasceu no cofre. -. Thais ficou na frente de Maurice-. E a verdade é que ele comprou os votos, eu não acho ele tão fantástico assim. -. Rolou os olhos e encarou seu amigo com um sorriso-. Eu desejo que você se case com um cara descente, que te dê luxo, e principalmente, que tenha bastante dinheiro. Aproveita que ele está de olho em você e com isso ganhará muitas coisas.

- Eu não quero isso. -. Maurice estava sério, mas sua expressão suavizou-. Quero alguém que me respeite, me ame por quem eu sou de verdade. Alguém que seja sincero, gentil, protetor e. ... -. Suas bochechas ficaram um rosa claro, encarou outra vez suas amigas e coçou a garganta-. Não desejo coisas materiais. E além do mais, esses tipo de cara só querem sexo. São arrogantes, egoístas e ele tem cara que não valoriza ninguém. Não quero ficar com alguém assim outra vez.

- Está perdendo Maurice, aquele cara seria o cofrinho perfeito, ganharia tudo e até mesmo uma jóia valiosa. -. Sua amiga de cor laranja tocou no seu ombro com um sorriso-. Já pensou?. Ator Maurice se casando com o ricaço Jet, O Falcão, tendo uma mansão e carros de luxo. Eu queria isso.

- Não gostaria de encontrar uma pessoa que a ame?. -. Maurice ficou intrigado com a amiga, levantou uma sobrancelha-. Uma pessoa que realmente cuide de você?.

- Não precisamos disso. Amor é pros fracos, e lembre-se, o dinheiro sim traz a felicidade. -. Thais assegurou em suas palavras ainda encarando seu amigo azul-. Olha Maurice, melhor seguir meu conselho, ou você vai acabar envelhecendo sem pelo menos um tustão no bolso.

- Gostaria. -. Maurice tirou a mão de sua amiga gentilmente do ombro, tinha uma expressão séria no rosto-. Eu gostaria de envelhecer com um alguém ao meu lado, mas alguém que me ame e que eu ame de volta. E você está errada. O dinheiro não traz felicidade, ele só dá por um momento, mas e o resto?. Você quer mesmo viver numa casa enorme com um marido qualquer que nem te ame, que nem dá bola pra você e que nem te respeite como seu cônjuge?. Sério?. -. Cruzou os braços, suspirou e ainda tendo a mesma expressão-. Você deve achar que o amor é um conto de fadas, mas te digo que não é. Ele existe, só você ir procurar e tenho certeza que irá encontrar. Eu estou procurando e só vou beijar outra boca quando achar esse alguém especial para minha vida.

- Hum. Tanto faz. -. Thais rolou os olhos e se afastou rapidamente dos dois ouriços.

- Então você não vai falar com ele?. -. Sua outra amiga, que ainda estava do seu lado, perguntou ainda observando onde a ouriça branca tinha ido.

- Não. De longe eu já vejo que ele não é meu tipo. -. Maurice deu um sorriso suave e se afastou da ouriça laranja, indo para os lugares, o som da campainha dizia tudo.

No bairro nobre de Nova York, um carro luxuoso chegou em frente á uma mansão. O motorista saiu e abriu a porta para os três viajantes, desceram e admiraram sua antiga casa, dois deles ajeitaram os ternos e foram pegar as malas de seu chefe. Seu chefe, um humano alto e gordo, estava ainda olhando o portão de sua antiga casa, que ainda estava em perfeitas condições.

- Saudades desse lugar. -. Expirou o cheiro daquele lugar-. Ai, me lembra tanto dos meninos. -. Passando seu momento de nostalgia, grunhiu de raiva e se virou para seus assistentes-. Cadê minhas malas?. Vamos seus incompetentes, preciso carregar meu celular e preciso ir ao estúdio ainda hoje. -. Voltou a olhar o portão e pegou as chaves que estavam no bolso do casaco, destrancou o enorme portão e se dirigiu para sua mansão.

Minutos se passaram e seus assistentes organizaram a casa, enquanto seu chefe estava em seu quarto fazendo uma ligação, estava com seu pijama com pés e assistindo um filme no qual tinha participado.

- Alô?. ... Oi, como estamos?. -. Ele deu um grande sorriso acariciando o enorme bigode-. Quando vocês vem me visitar?. ... Quê?. Já estou de volta e quero ver vocês. ... Lógico, vocês são a minha família, e a única na verdade. ... Ótimo, nos vemos á noite, e me esperem no restaurante que sempre jantamos. ... Ok, até á noite.

No estúdio, estavam montando o próximo cenário, uma sala de escritório elegante, com uma mesa de escrivaninha, uma cadeira de luxo e uma estante de livros. Aleena estava ajeitando seu vestido de rainha e sentando na cadeira, esperando o diretor falar a palavra "ação". Todos foram para seus lugares, Aleena deu um suspiro de concentração e fez uma expressão séria escrevendo nas folhas do caderno, quando Sonia entrou pela porta do cenário vestida de princesa e tinha uma expressão aflita.

- Minha mãe, podemos conversar?. -. Sonia se aproximou da mesa da rainha.

- Sim, o que deseja minha filha.? -. Aleena deu um sorriso fechando o caderno.

- A senhora sabe que meu aniversário está chegando, e tenho um pedido. -. Sonia olhou para sua mãe ainda tendo uma expressão preocupada.

- O quê seria?. Uma nova coroa para sua coroação?. -. Aleena se levantou indo na direção de sua filha-. Diana, minha querida, sabe que pode ter o que quiser.

- É que eu. ... -. Sonia deixou suas orelhas caírem e desviou o olhar de sua mãe-. Diferente de meus irmãos, Philipe e José, quero algo diferente de jóias e ouro. -. Deu um suspiro e olhou para sua mãe que ainda aguardava calmamente sua resposta-. Eu quero sair para explorar o reino.

- Corta!. -. Augusto falou no megafone-. Maravilhoso!. Vamos para a próxima cena. Cena 67, príncipe José e sua noiva, cenário da floresta e. ... -. Augusto ouve um coçar de garganta, vira sua cabeça na direção do som e deu um grande salto da cadeira com um enorme sorriso-. Ivo!. Meu velho amigo. Finalmente você chegou, minha assistente está preparando seu camarim agora mesmo. -. Augusto olhou para Carol que acenou com um breve sorriso e saiu de imediato-. Vamos!. Me acompanhe nessa nova aventura.

- Olá velhos e novos companheiros. -. Ivo acenou para todos na sala com um pequeno sorriso e olhou mais vez para Augusto-. Soube que o meu papel é especialmente para mim.

- Sim, o dos melhores que só você sabe interpretar. -. Augusto entregou o roteiro á Ivo, vendo o sorriso de Ivo crescer de ver o papel que iria fazer-. O que achou?.

- Maravilhoso!. -. Ainda tinha um grande sorriso por debaixo do enorme bigode-. Amanhã virei mais cedo para os ensaios.

- Agradeço amigo. -. Augusto assentiu com um sorriso-. Bom, eu preciso voltar às gravações. Afinal, nosso filme não irá se dirigir sozinho. Gostaria de acompanhar as gravações de hoje?.

- Hoje não. Tenho um compromisso e preciso ver minha família hoje. -. Ivo estalou os dedos para seu assistente de terno vermelho se aproximar-. Orbet, ligue para Samuel e mande trazer o carro.

- Sim senhor. -. O assistente de terno vermelho assentiu e se retirou do set.

- Mas o que é isso?. Não fiquem parados assim, vamos trabalhar!. Precisamos terminar esse filme!. -. Ivo disse olhando para os o que estavam ao redor, todos riram levemente e voltaram para suas tarefas-. Então, até amanhã Montes.

- Igualmente Robotinick. -. Augusto deu um último sorriso e se sentou outra vez na sua cadeira pegando seu megafone-. Muito bem. Cena 67. Atores Manic e Yná, príncipe Jose e sua noiva Felicia, cenário da floresta, e. ... -. Esperou sua equipe colocar tudo no cenário, a tela verde, os objetos que os atores poderiam interagir, os microfones escondidos e os próprios atores em seus locais.

Ivo já tinha saído do estúdio, estava a caminho de sua casa, pediu para seu motorista desviar o caminho para pegar alguns presentes que tinha comprado durante suas viagens. Assim que chegaram, pediu para seu assistente de terno amarelo para pegar, esperou pacientemente a chegada dele, olhou uma foto que estava de papel de parede no seu celular, dele e de seus sobrinhos.

- Estou com tantas saudades deles. -Deu um suspiro triste e desviou o olhar-. Por que eles não quiseram ficar aqui, em minha casa?. Pelo menos eles não estariam morando naquele apartamento pequeno e pagando um absurdo em aluguel.

- Se me permite dizer senhor, mas imagino que eles não queriam incomodar o senhor. -. Orbet falou gentilmente a seu chefe, ajeitando o terno vermelho.

- Me atrapalhando?. Jamais!. Eles trouxeram vida pra essa casa solitária, mas acho que. ... Eles quiseram sair para conhecer eles mesmos. Na idade deles, eu gostava de sair por aí e explorar, mas mesmo assim eu tinha um pouco de luxo e isso não foi tão legal. Pra um cara de 22 anos mimado pelos pais e ainda obrigado a seguir uma carreira que não combinava com ele, era um pouco duro e sem graça, entendo o lado deles de não quererem viver no luxo, já que viveram antes. ...

- Aqui está senhor, os quatro presentes bem embrulhados e em perfeitas condições. -. Seu assistente de terno amarelo tinha um grande sorriso no rosto entrando no carro.

- Bom. Então, Samuel, dirija até o restaurante de sempre.

No restaurante, Ivo estava esperando seus convidados especiais e olhava muitas vezes no seu relógio de pulso. Tinha começado a ficar aflito da ausência dos convidados, tinha dispensando seus assistentes para que ele ficasse sozinho com sua família. Já tinha bebido vários copos de água, quando ouve o som de duas vozes que ele gostava muito, olhou vendo um de seus sobrinhos, que estava tendo problemas para entrar, parecia que a recepcionista não estava os deixando entrar. Com isso, se levantou de sua mesa e foi até a entrada.

- Com licença, o que está acontecendo?. -. Ivo perguntou com calma, encarando educadamente a jovem moça que estava com péssimo humor.

- Bem, esses dois disseram que tinham alguém esperando por eles aqui. -. A moça riu ironicamente-. Acho bem difícil de acreditar. Quer dizer, olha pras roupas deles, não tem nada haver com esse restaurante. Obviamente nem podem pagar pela entrada do pão, por isso estou pedindo que se retirem.

- Não vejo nada de errado neles. E por favor, tenha mais respeito com eles. Sou um fiel cliente desse lugar, mas posso simplesmente sair daqui. -. A moça encarou Ivo, engolindo em seco-. Na verdade, é isso que irei fazer. Estou deixando esse lugar. Vamos vocês dois, e ligue para seu irmão, pessa para ir ao restaurante vizinho.

- Sim tio. -. Ele encarou a moça quando respondeu seu tio, pegando a mão do namorado e saindo do restaurante.

- Bom, tenha uma boa noite. -. Ivo se retirou dali ajeitando o terno.

- O chefe que ver você Emily. Parece que ele está super chateado por você ter dispensado o melhor cliente, e com melhor digo aquele que paga mais do que esses que estão na fila. -. Seu colega deu um sorriso e voltou ao seu trabalho atendendo os clientes, enquanto ela afundava a cara no balcão.

Do lado de fora, Ivo viu seu sobrinho com seu parceiro perto de um poste, se aproximou deles, fazendo o sobrinho desligar o celular e correr para abraçar seu tio.

- Eu sei que isso parece infantil, mas eu estava com saudades do senhor. -. Abraçou forte o estomago de seu tio.

- Mephiles, isso é normal, e eu também estava com saudades meu filho. -. Ivo abraçou mais forte Mephiles, seu olhar foi na direção de Silver que estava admirando a cena-. Olá garoto prateado.

- Ops, olá Seu Ivo. Como o senhor está?. -. Silver se aproximou com um doce sorriso e foi puxado para o abraço.

- Estou bem, agora com a metade da minha família aqui, mas estaria muito melhor com ela completa. Onde está seu irmão?. -. Ivo soltou os ouriços e encarou Mephiles esperando uma resposta.

- Bem, ele. ... Teve um imprevisto na empresa hoje. Parece que o chefe chamou ele pra ter uma conversa urgente. -. Mephiles passou os braços ao redor de Silver, que estava colocando suas mãos nos bolsos do casaco-. Aquela perua não queria deixar a gente entrar por causa das nossas roupas, mas que baixaria.

- Não se preocupe com ela Meph, seu tio deu um jeito nela. -. Silver se aconchegou mais no ombro de Mephiles.

- Sim e. ... -. Ivo foi interrompido por outras duas vozes que estavam atrás dele, se virando vendo um ouriço e uma morcego bem irritados-. Shadow!.

- Tio Eggman!. -. Shadow acelerou os passos se aconchegando no abraço de seu tio-. Senti falta do senhor, e desculpa o atraso, tive que conversar com meu chefe.

- Está tudo bem. Vamos conversar quando entramos no outro restaurante, esse perdeu meu respeito e patrocínio. -. Vamos, estou morrendo de fome e acredito que os quatro também estão.

Se mudaram para o próximo restaurante, era da classe média, diferente do outro que era tão sofisticado, mas o melhor era que eles podiam se sentir a vontade naquele lugar. Assim que estavam todos na mesa, o garçom trouxe o cardápio e estava muito feliz que seu astro estava ali.

- Olá, boa noite. O que desejam?. -. O garçom tinha um grande sorriso, mas não evitava de olhar para Ivo-. Mil perdões senhor, mas eu sou um grande fã seu. O senhor se importaria de me dar um autografo?.

- Não, mas que não atrapalhe nosso jantar, ficaria muito agradecido. -. Ivo deu um sorriso calmo e pegou o caderno de pedido colocando seu nome-. Aqui garoto, volte quando estivermos prontos, sim?. -. O garçom assentiu alegremente e saiu com um sorriso radiante-. Não olhem para o preço, eu estou pagando afinal.

- Bem. ... senhor Eggman, foi o senhor que pediu. -. Rouge foi de imediato na parte das saladas sofisticadas.

- Tem certeza tio?. Parece muito caro. -. Shadow abaixou as orelhas ainda encarando o cardápio.

- Shadow, já falei pra escolher o quiser desse cardápio, esqueçam os números.

- Você tá bem Shadow?. Os dois chegaram meio. ... Bem, chateados. -. Mephiles encarou seu irmão, que deu um suspiro triste e fechou o cardápio.

- É que eu. ... -. Deu outro suspiro encarando Rouge que segurou sua mão e assentiu-. Eu fui dispensado da empresa.

- O quê?. -Mephiles perguntou incrédulo-. Mas por quê?.

- Bem, a empresa está passando por reformas, então nós dois fomos dispensados hoje. -. Rouge disse encarando seus amigos-. Bem, o bom é que vamos ter salas maiores quando voltarmos, mas o ruim é o aluguel que vou atrasar. -. Rouge abaixou um pouco as orelhas e desviando o olhar.

- Acho que nós também, só com o dinheiro da floricultura não vamos conseguir pagar as contas pendentes. -. Silver falou enquanto fechava o cardápio e encarava seu namorado-. Teremos que fazer horas extras e corta metade das folgas.

- Por quê vocês não vem passar um tempo comigo?. Pelos menos eu ajudaria com transporte, enquanto vocês se organizam, e estou incluindo todos.

- Agradeço tio, mas seríamos mais incômodos pro senhor. -. Mephiles deu um sorriso suave para seu tio-. E também ficaria um pouco engarrafado pro senhor no caminho pra floricultura.

- É tio, não se preocupe com isso, eu e Rouge vamos encontrar empregos temporários enquanto a empresa fica fechada. -. Shadow deu um sorriso tranquilizador.

- Bom. ... Então já que não querem ajuda do seu velho tio, darei esses presentes para outros. -. Eggman desviou o olhar, provocando um pouco os gêmeos que não resistiam a surpresas.

- Eu aceito os presentes por eles, senhor Eggman. -. Rouge levantou o braço, tinha o humor brincalhão-. Já que o ouriço escarlate não quer. -. Tinha um sorriso provocativo encarando Shadow.

Os gêmeos se encararam ainda analisando a situação e vendo na expressão um do outro uma concordância ou não. Silver e Rouge rindo dos dois ainda pensando, se viraram para encarar o tio que estava com um sorriso e tinha uma taça de vinho na mão.

- Ok tio, o senhor nos ajuda, mas só dando apoio. -. Mephiles passou os braços ao redor dos ombros de Silver e tinha um sorriso convencido.

- Apoio?. Ainda não estou convencido.

- Bem. ... Então nos ajude com o aluguel desse mês. -. Shadow cruzou os braços com o mesmo sorriso de seu irmão

- Feito!. Garçom!.

O mesmo garçom voltou anotando cada um dos pedidos, assentiu levando para a cozinha ainda sorrindo como se estivesse realizando seu maior sonho. Eggman distribuiu os presentes de suas viagens para sua família. Silver e Rouge, sendo eles companheiro e amiga, se tornaram logo da família, não negando nada a eles. Rouge recebeu um lindo colar de safiras enormes, ficou tão agradecida que não parava de tocar na bela jóia com seus olhos quase virando corações. Silver recebeu um belo xale verde água, gostava de usar quando estava muito frio e ainda mais perto de Mephiles. Mephiles recebeu ingressos para um jogo de basquete, não somente isso, mas a oportunidade de conhecer seu ídolo de perto. Shadow recebeu um conjunto de livros que ele tanto queria, mas era impossível de comprar, seu salário não daria pra comprar todos de uma vez.

- Tio, muito obrigado. -. Mephiles estava explodindo de emoções-. Amor, vamos conhecer o Michael Jordan, já o imagino pegando na minha mão, e Shadow, não esquece a câmera!.

- Pode deixar. -Shadow estava distraído lendo um dos resumos dos livros-. Como o senhor sabia que eu queria essa saga?.

- Você não parava de colocar nas suas listas de compras. Não resisti em mimar um pouco vocês. -. Shadow corou um pouco de vergonha, mas todos voltaram suas atenções para eles.

O jantar foi compartilhado por risadas, mais conversas, mais comida por serem porções pequenas e mais bebidas. Logo tiveram que ir pra casa por conta do horário já ser bem tarde, assim que Ivo pagou a conta deixando a maior gorjeta que os funcionários daquele ligar já viram, se retiraram para esperar o carro luxuoso dele, que levou Rouge para o prédio onde morava e por último os três ouriços no bairro do Brooklyn. O tio esperou eles entrarem para ter certeza que estariam seguros. Ausentou-se indo direto para sua grandiosa mansão.

Pois o dia seguinte traria mais surpresas.