Capítulo 14

Boa Leitura!!!

O sol da manhã tocava a linha nublada do horizonte, cobrindo Edward, o xerife Denali, Carlisle e os outros seis homens com uma luz difusa.

Flocos de neve caíam do céu enquanto eles, com pistolas e espingardas assestadas, encontravam-se deitados na encosta da colina gelada, observando a cabana na ravina abaixo. De lá, filtrava-se a luz de uma única lanterna para a escuridão que já se dissipava.

Edward tinha soltado as amarras de couro cru, dos cavalos dos bandidos, e as amontoado na neve, ao lado da cabana. Depois, havia escondido os animais do outro lado da colina e os amarrado com cordas que haviam trazido.

— Com todos os diabos, Edward, você deve ser meio lobo para ter farejado esse bando. Como foi que conseguiu?— Denali indagou.

— Senti o cheiro deles a uma milha de distância. — Edward respondeu.

Na verdade, ele tinha aptidão para rastrear bandidos. Tal habilidade, estimulada pelo único objetivo de ganhar dinheiro a fim de comprar terras, o tinha tornado um caçador de recompensas de grande sucesso. Mas a prosperidade havia lhe custado uma parte de sua sensibilidade humana.

Oito anos atrás, quando tinha abandonado esse trabalho, ele era muito pouco melhor do que os animais que havia rastreado. Então, jurara nunca mais exercer essa atividade, mesmo que estivesse morrendo de fome. Entretanto, cada vez que pensava ter escapado do passado, aparecia alguém como James que o arrastava de volta.

— Acredito que existam mil dólares de recompensa a sua espera naquela cabana.— disse Denali.

— São todos seus. —Edward respondeu.

— Foi você quem os encontrou.

— Vim atrás de James e não de dinheiro.

O xerife empurrou o chapéu para trás.

— Nesse caso e se você não se importar, eu e os outros homens do grupo repartiremos o dinheiro.

Poderiam até queimá-lo que ele não se importaria.

— Quanto a mim, tudo bem.

— Estou espantado que eles não tenham dado pela falta dos cavalos e saído correndo para procurá-los. — o xerife disse baixinho enquanto afastava os cabelos da testa de pele lisa.

Edward o observou e imaginou se, um dia, ele também tinha sido tão jovem.

— Com toda a certeza, eles estão curtindo a bebedeira que tomaram ontem à noite.

— Muito descuidados, não acha?

— Por que haveriam de se preocupar? Tanto quanto saibam, cometeram assassinato, escaparam e têm todo o tempo do mundo pela frente. — Edward disse.

— Não posso esperar para ver a expressão deles quando descobrirem que as montarias sumiram.

A curiosidade do xerife traía-lhe a juventude.

— Não se apresse até que eu diga. Não estou interessado em ver nenhum de vocês morto. Ou ninguém mais, exceto James.— Edward avisou.

Por direito, seria o xerife quem daria as ordens, mas a certa altura, durante o trajeto, ele tinha deferido a autoridade para Edward, cuja competência e experiência mereciam respeito.

— Concordo plenamente. Por mais que eu esteja ansioso para derrubar aquela porta e meter uma bala em James, não farei isso. Como você, tenho uma mulher me esperando em Saddler Creek e a quem pretendo ver outra vez.

Edward contraiu os dedos em volta do cano da pistola. Ele tinha expulsado Bella da cabeça para poder refletir com clareza. Mas a alusão sobre sua existência trouxe de volta a lembrança do último encontro deles.

— D. Bella parecia bem triste quando partimos. —o xerife comentou.

— É verdade.

— Devia estar preocupada com você.

A porta da cabana abriu-se, poupando Edward da obrigação de responder. Um homem grisalho saiu cambaleando para fora. Protegeu os olhos contra a claridade e virou-se para a parede a fim de atender à necessidade fisiológica, Só quando terminou e voltou-se novamente, deu pela falta dos cavalos. Correu imediatamente para dentro da cabana. Em questão de segundos, os gritos dos homens podiam ser ouvidos na colina.

Logo depois, cinco bandidos corriam para fora da cabana. Dois afivelavam os cinturões com as armas enquanto os outros, capengando, ainda calçavam as botas. Edward apontou a pistola enquanto os homens corriam atarantados. Ele não reconheceu James.

— O desgraçado não está entre eles.

— Talvez ainda esteja na cabana. —o xerife sussurrou.

Edward apertou mais o cano da arma.

— Não conte com isso.

Num aviso, atirou para o alto e, em seguida, gritou:

—Joguem as armas!

Os bandidos, dispostos a atirar, sacaram as pistolas enquanto, com os olhos protegidos com as mãos contra a claridade vinda do nascente, procuravam quem os ameaçava entre as rochas na colina. Quando um deles começou a correr em direção à cabana, Edward atirou, levantando um jato de neve pulverizada diante dele e forçando-o a parar.

— Vou avisar mais uma vez. Joguem as armas ou atirarei em todos como se fossem patos numa lagoa.

Um homem cuspiu numa atitude de desprezo e outro deu um pontapé numa pedra, mas nenhum se livrou da arma. O tiro seguinte de Edward arrancou o chapéu da cabeça de um deles e mais um atingiu o cabo de prata da pistola de um outro que tentava atirar. Os bandidos jogaram as armas no chão e levantaram as mãos no ar.

— Já estão em nosso poder. Vamos prendê-los. —disse o xerife.

Edward engatilhou a pistola.

— Mexam-se devagar e com cuidado, companheiros, e observem as mãos deles. Esses desgraçados farão qualquer coisa para escapar.

Com a máxima cautela, o grupo desceu a colina e se aproximou da cabana. Enquanto o xerife e os outros reuniam os bandidos e catavam as armas do chão, Edward foi até a cabana.

Com um movimento rápido, deu um pontapé na porta e entrou no único cômodo. Como suspeitava, James não se encontrava lá.

— Ele está aí? — Carlisle gritou de fora.

Edward não respondeu. Correu os olhos mais uma vez pela cabana miserável e saiu. Com o dedo no gatilho da pistola, aproximou-se dos bandidos.

— Onde está ele?

O silêncio dos cinco homens só serviu para aumentar a fúria e a frustração de Edward. Agarrou o que estava mais perto pela lapela esfarrapada do casaco. O homem cheirava a esterco e a meses de suor. Edward encostou o cano da arma na testa do sujeito.

— Onde está James?

O ladrão de gado limpou a garganta.

— Não sei. E se soubesse não contaria.

Edward gargalhou. Mas o som era mais demoníaco do que divertido.

— Você está disposto a morrer por ele?

O homem mexeu-se um pouco.

— James tem sido bom para nós.

— Isso é uma resposta afirmativa? —Edward indagou ao escorregar o cano da pistola pelo rosto do sujeito.

O homem olhou para os companheiros que tinham empalidecido visivelmente. Então, virou-se para o xerife.

— O senhor vai deixar que ele faça isso? É contra a lei atirar num homem desarmado!

Todos do grupo de busca conheciam e gostavam dos Hale. E ninguém estava disposto a desafiar Edward ou seus métodos. Com ar pensativo, Carlisle coçou a cabeça.

— Quem sabe atirar neles seja bom demais, Edward. Eu trouxe minha faca. Ela é ótima para destripar peixes. Deve também servir para estes animais.

Para ilustrar o que dizia, Carlisle tirou uma faca comprida da bota e tocou a ponta com o polegar. Uma gota de sangue pingou no chão. O assaltante começou a tremer.

— Não sei onde ele está. James foi embora ontem.

— Para onde? — Edward indagou.

— Não sei.

Edward deu de ombros e olhou para Carlisle.

— Pode destripar o desgraçado.

Quando Carlisle começou a se aproximar, o sujeito gritou:

— Leadville! Ele disse que ia para Leadville.

Edward hesitou como se duvidasse da veracidade da informação. Então, fez um gesto afirmativo com a cabeça.

— Está bem. Mas se ele não estiver lá, irei atrás de você.

Em seguida, empurrou o homem em direção ao xerife. Dentro de poucos minutos, já tinham ido buscar os cavalos escondidos dos assaltantes. O xerife os obrigou a montar e, com a ajuda dos outros, amarrou as mãos de cada um nas costas. Montou também e levantou a mão para Edward.

— Pronto?

— Irei assim que puder.

O xerife acenou e, com o resto dos companheiros rodeando os fora-da-lei, tomou a dianteira na trilha para a cidade.

Apenas Carlisle ficou para trás. Edward entrou na cabana e dirigiu-se ao pequeno fogão-aquecedor. Com um pontapé raivoso, virou-o para o chão. As brasas espalharam-se, atingindo cobertores imundos que pegaram fogo. Num instante, as chamas passavam para a madeira seca e velha. Edward saiu e ficou observando o incêndio devorar a cabana. As chamas crepitavam e lançavam fagulhas no ar enquanto a madeira estalava e ruía em brasa. Carlisle enfiou a mão no bolso e tirou um cigarro enrolado a mão. Para acendê-lo, riscou um fósforo na sola da bota.

— O que está atormentando você, Edward?

— Quero pôr as mãos em James.

— Não, é mais do que isso.

— Coisa sem importância.

Carlisle olhou para a fumaça do cigarro que subia no ar.

— Quer dizer, sua mulher.

— Não estou interessado em conversar, meu velho.

O capataz intrometido ralava-lhe os nervos.

— Vamos lá, ponha tudo para fora.

Edward sentiu um gosto amargo espalhar-se na boca. Cedo ou tarde, a verdade subiria à tona, fosse qual fosse.

— Ela mentiu sobre seu passado. —Carlisle manteve-se calado. — Ela nunca foi casada. Kate é filha de sua irmã falecida. Bella saiu de Alexandria por causa de um escândalo.

Carlisle passou a mão pela barba por fazer que lhe esbranquiçava o rosto.

— Ela não está legalmente casada com você?

— Está, claro.

— Então qual é o problema?

— Dane-se, Carlisle! Ela mentiu para mim. — Edward gritou.

— Ora, você não tem sido muito franco e honesto com ela.

— Isso é diferente.

— Será?

— Imagine, ela chegou a admitir que não teria se casado comigo se não houvesse sido forçada pela situação lá em Alexandria.

Carlisle deu de ombros.

— Se e talvez não pesam na balança. O importante é que ela é sua mulher. — Carlisle tirou uma baforada do cigarro. — O que você vai fazer a esse respeito?

Em seguida montou e partiu a galope atrás dos outros. Já fazia duas semanas que Edward havia saído da cidade para ir atrás de James.

O xerife, Carlisle e os outros membros do grupo tinham voltado dez dias atrás, trazendo os assaltantes, mas Edward não os acompanhava. Carlisle havia contado a Bella que o marido estava à procura de James, porém, ela suspeitava que a ausência dele também tinha a ver com sua pessoa.

Ela havia passado boa parte das duas semanas na clínica, fazendo companhia a Rosalie e Emmett. Eles estavam acomodados no pequeno quarto dos fundos, usado por pacientes que precisavam de mais tempo para se recuperar. O ferimento de Rosalie tinha cicatrizado depressa, mas sua maior preocupação era com a gravidez.

Por causa dela, o dr. Cárter recomendara repouso absoluto, físico e mental. Porém, Rosalie não fazia outra coisa a não ser se afligir com Emmett cuja vida ficara por um fio durante vários dias, A certa altura, o médico havia temido que não lhe restasse alternativa a não ser amputar a perna do fazendeiro. Mas a saúde de Emmett começara a dar sinais de melhora logo depois de Rosalie, enquanto lhe segurava as mãos, ter contado que esperava um bebê para a primavera.

Naturalmente ele não tinha recuperado a consciência naquele exato minuto, mas a febre começara a baixar após algumas horas e, na manhã seguinte, ele havia aberto os olhos e pedido água. Com o passar do tempo, os dois estariam completamente restabelecidos e prontos para recomeçar a trabalhar.

Bella sorriu e olhou para Kate que dormia em um berço emprestado por uma das senhoras da cidade. Num gesto nervoso, Rosalie puxou um fio de linha que caía do punho da camisola. Então, olhou para a porta fechada do ambulatório.

— Faz muito tempo que o doutor está lá com Emmett.

Bella levantou o olhar da costura. Estava fazendo um vestido para Rosalie.

— Emmett passou muito mal. É um verdadeiro milagre que tenha sobrevivido àqueles ferimentos. O dr. Cárter quer ter certeza de que eles continuem a cicatrizar.

Rosalie fez um esforço e conseguiu sorrir. A cor tinha voltado a suas faces e, com o tempo, a cicatriz na têmpora desapareceria.

— Ele passou tão mal e estava tão fraco que custo a acreditar que esteja vivo.

— Pois está.

Rosalie reclinou os ombros nos travesseiros. Continuava tensa.

— Eu não deveria me lamentar, mas quando penso que poderia ter perdido meu marido, fico enregelada.

Bella prendeu a agulha no tecido e pôs a costura de lado.

— Você não o perdeu.

— Graças a você.

— Eu não fiz nada.

— O dr. Cárter disse que se você não o tivesse enfaixado daquela maneira, Emmett teria se esvaído em sangue.

— Isso já passou. Você e Emmett vão ficar bons e o bebê em sua barriga continua crescendo todos os dias. Concentre-se em se alimentar bem a fim de recuperar as forças.

Rosalie olhou para a bandeja no colo onde um prato de canja e uma fatia de pão continuavam intatos.

— Você tem razão, mas com os nervos em frangalhos e a náusea da gravidez, eu mal consigo olhar para a comida.

Bella arqueou as sobrancelhas.

— A canja vai acalmar seu estômago. Quanto mais você ficar sem comer mais enjoos terá.

Rosalie pegou a colher e mexeu a canja.

— Será que você cria um pouco de apetite se souber que não fui eu quem fez a canja e o pão? — Bella provocou.

Rosalie riu.

— Você não cozinha assim tão mal.

Bella tornou a arquear as sobrancelhas e Rosalie disse:

— Está bem. Você precisa aprender algumas coisas.

— Coma.

Rosalie provou meia colherada. Como gostasse, tomou outras duas cheias.

— Está gostosa.

— Foi Sue Avery, do hotel, quem fez e trouxe para você.

— Que bondade dela.

— Sue e várias outras mulheres da cidade quase morreram de preocupação com você e Emmett. Elas se revezavam para passar a noite aqui a fim de que eu pudesse descansar e cuidar de Kate. Achei admirável como as pessoas aqui são solidárias.

— Vizinhos ajudam vizinhos.

Ficaram em silêncio por alguns instantes. Então, com o olhar em Kate, que continuava a dormir no berço, Bella disse:

— Uns dias atrás, tive uma conversa interessante com a sra. Newton sobre Edward.

Rosalie a olhou de esguelha.

— Esses dois nem sempre concordam um com o outro.

— A sra. Newton não fez nenhum comentário mau sobre ele.

— É mesmo?

— Ela me contou que Edward foi caçador de recompensas.

Rosalie arregalou os olhos.

— Não diga!

— Por acaso isso é segredo?

— Não, não. O caso é que as pessoas não falam muito a respeito disso. Edward detesta que comentem o passado dele e... Bem, ele não é o tipo de homem de quem se possa arrancar informações.

— O que você sabe sobre o passado dele?

Num gesto distraído, Rosalie mexeu a canja.

— Edward, Emmett e eu crescemos juntos em Missouri.

— Ele nunca mencionou isso.

— Típico de Edward. —Ela tirou um pedaço da fatia de pão, mas não o pôs na boca. — Meu pai tinha uma fazenda grande e o de Emmett uma pequena na mesma região. Edward morava na escola de missionários, na cidade. Quando ele completou doze ou treze anos, o pessoal da escola achou que Edward já podia cuidar da vida. Meu pai ficou sabendo e ofereceu-lhe um emprego que ele aceitou logo. Edward trabalhava tanto quanto dois homens adultos e aprendeu tudo que podia sobre plantações. Mas ele era muito inquieto. Falava sempre em ganhar dinheiro e comprar as próprias terras. Finalmente, foi embora sem falar com ninguém. Mas deixou um bilhete para meu pai. Naquela época, imaginei que nunca mais o veria. — Rosalie calou-se, comeu o pão e, depois, prosseguiu: — Muito mais tarde, fiquei sabendo que ele tinha se mudado para o Oeste. A essas alturas, Edward já era famoso como caçador de recompensas. Andou pelo Texas e pelo Colorado. Emmett e eu o encontramos em Denver cerca de nove anos atrás. Nós não o reconhecemos, mas ele sabia quem éramos. Para ser bem franca, levei um susto quando vi aquele homem com roupa de couro cru, cabelos compridos e desgrenhados, com pistolas penduradas nos quadris. O olhar dele tinha endurecido e se tornado penetrante. Nós lhe falamos sobre nossa fazenda e para nos procurar quando quisesse. Estávamos certos de que ele jamais se daria a tal trabalho. Mas na primavera seguinte, Edward apareceu. Comprou as terras da Crossfire e começou a formar a fazenda.

— Não entendo por que ele se importa tanto com o passado. Ele não fez nada de que devesse se envergonhar, não foi?

— Claro que não. Em minha opinião, o passado é muito doloroso para ele. Uma vez, Edward confessou que caçar recompensas quase havia lhe secado a alma e ele estava se tornando igual aos bandidos que rastreava. — Rosalie fitou Bella. —Poucos anos atrás, um bandido chegou à cidade à procura de Edward e de vingança. Mandou avisá-lo que se ele não aparecesse, muita gente morreria na cidade. Edward apareceu. Os dois se defrontaram. Com um tiro certeiro, Edward varou o coração do bandido. Foi um desfecho justo, mas acho que muitas pessoas daqui se deram conta de como o lado sombrio de Edward era impiedoso. As moças solteiras passaram a manter distância dele.

— Edward tinha medo de que eu não o quisesse.

— Imagino.

— No início, eu me assustei. Mas existe uma bondade intrínseca nele. Edward é tão carinhoso com Kate e amável comigo. Todas as manhãs, quando acordo e vejo as montanhas e Edward; fico tão feliz por ter vindo para Saddler Creek e para ele. É como se eu tivesse encontrado um pedaço de mim que me faltara a vida inteira.

Rosalie sorriu-lhe.

— O pedaço perdido era Edward.

As palavras ditas com simplicidade atingiram o alvo.

— Quando ele está por perto, tudo parece certo. No momento em que vai embora, a situação fica confusa.

— Esse é um sintoma bem claro de que você ama seu marido.

Espantada, Bella piscou.

— Rose, o amor não surge tão depressa entre um homem e uma mulher.

— O amor, minha cara, se apresenta de todas as formas e tamanhos. Para mim e Emmett, foi um processo vagaroso. Eu o conhecia desde que tinha oito anos e, quando éramos crianças, nos provocávamos e brigávamos o tempo inteiro. Na adolescência, eu estava interessada por um rapaz da cidade. Foi quando Emmett assumiu o emprego que Edward tinha abandonado na fazenda de meu pai. Todos os dias, eu levava o almoço para ele no campo. No início, eu não dava a mínima importância aos gracejos de Emmett. Entregava a comida e ia embora depressa. Mas com o tempo, comecei a ficar mais e mais ao lado dele no campo, até que, um dia, olhei para ele e tive certeza de que pertencíamos um ao outro...

— Exatamente como sempre imaginei que aconteceria comigo. Foi assim entre mim e Jacob.

— Jacob?

— Meu ex-noivo.

Rosalie inclinou-se para o lado de Bella.

— Por que você não se casou com ele?

— Jacob não queria Kate. — Bella suspirou. — Rose, Kate não é minha filha e sim de minha irmã que morreu ao dar à luz.

Havia uma centena de perguntas que Rosalie poderia fazer, porém, ela limitou-se nas mais relevantes.

— E esse tal noivo não quis ficar com Kate?

— Não.

Rosalie franziu a testa.

— Mas você não o ama mais, não é?

— Não. — Bella respondeu honestamente. — Pensar em Jacob a enregelava. Pensar em Edward a incendiava. Agora, eu me indago se algum dia o amei.

— Você não poderia amar alguém tão sem sentimentos a ponto de virar as costas para uma criança.

Bella ergueu a cabeça quando a porta do ambulatório se abriu e Emmett, apoiado em muletas, entrou no quarto. Embora os ferimentos estivessem em processo de cicatrização, doíam muito quando ele se firmava na perna direita. Ele tinha emagrecido bastante, mas a cada dia se sentia mais forte.

— Não aguento mais ser cutucado e apalpado. — Emmett reclamou.

O dr. Cárter, que o olhava da porta enquanto enxugava as mãos numa toalha, o repreendeu:

— Pare de se queixar, homem!

Bella já sabia que o tom ranzinza do médico não passava de bravata. Lembrava-se de como ele havia lidado exaustivamente com Emmett a fim de salvar-lhe a vida e a perna. Ficou em pé e o ajudou a sentar-se em uma cadeira, o que ele fez com uma careta de dor.

— Juro que nunca mais vou reclamar de trabalho pesado. Todo este tempo parado está me deixando louco. — ele afirmou.

O dr. Cárter olhou para o prato quase cheio de canja diante de Rosalie.

— Trate de comer tudo, moça. Quanto mais depressa vocês dois ficarem bons, mais depressa este quarto estará à disposição de outros pacientes. —disse antes de se afastar e bater a porta.

Emmett olhou para o prato de canja.

— O doutor está certo, Rose. Você precisa cuidar de si mesma e do pequenininho.

Rosalie escorregou as mãos para a barriga.

— Claro, meu querido.

Em seguida, pegou a colher e recomeçou a comer. Satisfeito, Emmett virou-se para Bella.

— Alguma notícia de Edward?

Ela tentou não expressar sinal algum de apreensão.

— Não. Quando Carlisle voltou com o grupo disse que ele tinha ido atrás de James.

— Típico dele. Edward vai rastrear aquele desgraçado até o fim do mundo se for preciso. —O olhar dele endureceu. —Eu queria muito estar junto.

Rosalie ficou lívida.

— Não quero nem que você pense nisso. Seu lugar é a meu lado.

Emmett relaxou a tensão do rosto.

— Não vou a lugar algum, minha querida. —afirmou ao tocá-la numa das faces.

Ela pegou-lhe a mão e a beijou. O amor forte que os unia comoveu Bella.

O som de passos firmes chegou do ambulatório. A voz do dr. Cárter misturou-se com outra profunda de homem.

Bella mal teve tempo de imaginar de quem seria quando a porta abriu e Edward entrou no quarto. O olhar dele prendeu o seu. O quarto sumiu, deixando-a apenas consciente da presença de Edward e das batidas rápidas do coração. Ele dava a impressão de devorar cada detalhe seu.

Por um instante o olhar dele suavizou-se e seu coração encheu-se de esperança. Ela notou-lhe as olheiras e as faces encovadas, cobertas pela barba sem fazer havia dias. As botas estavam cobertas de barro e flocos de neve salpicavam os ombros do casaco e a aba do chapéu.

Emmett tossiu.

— Que boa surpresa vê-lo de volta, Edward.

Ele tirou o chapéu e afastou os cabelos do rosto. Eles precisavam urgentemente de ser aparados. Desviou o olhar de Bella e focalizou-o nos amigos. Enquanto apertava a mão de Emmett, como fizera centenas de vezes, perguntou:

— Como você está passando?

— Não posso reclamar. — Emmett respondeu.

Edward curvou-se e beijou Rosalie no rosto.

— Vocês não fazem ideia de como estou aliviado e contente de vê-los.

Bella notou a voz emocionada de Edward e condoeu-se dele. Rosalie sorriu.

— Temos de agradecer a você e a Bella por terem nos salvado. O dr. Cárter afirmou que se não fosse sua prontidão em nos trazer para cá e a maneira de Bella enfaixar os ferimentos de Emmett, ele teria morrido, esvaindo-se em sangue.

Edward virou-se para Bella e tornou a prender-lhe o olhar.

— Ela é cheia de surpresas.

Bella entendeu o duplo sentido de tais palavras. Como se estivesse carregado de eletricidade, o ar parecia estalar entre eles. Bella precisou de muita coragem para manter se firme e perguntar:

— Você encontrou James?

Ele semicerrou os olhos.

— Não. —respondeu e virou-se para Emmett. —Eu o rastreei por mais de cem milhas, mas o desgraçado enfiou-se embaixo de umas rochas para se esconder.

Emmett massageou a perna machucada.

— Ele voltará.

— Pode ter certeza. James ainda vai tentar acabar comigo.

Bella sentiu-se inquieta e perguntou:

— O que você vai fazer?

— Esperar. Ficar alerta. E quando ele reaparecer, eu o matarei.

— E quanto a mim e Kate?

Edward franziu as sobrancelhas.

— Bella, esta não é a hora para conversarmos.

Aproveitando a deixa, Rosalie bocejou.

— Pois está na hora de eu mandar vocês dois embora. Estou morta de sono.

Emmett relanceou o olhar pela mulher. Vendo-a piscar, concordou com um gesto discreto de cabeça.

— Edward, você está com jeito de quem precisa de uma boa refeição e sei que Bella tem se alimentado muito mal nas últimas semanas. Leve-a ao hotel e mande preparar alguma coisa substanciosa.

Constrangido, Edward mexeu-se.

— Vim diretamente para cá e ainda não fui ver o xerife. Preciso informá-lo sobre o que descobri.

Rosalie abanou a mão.

— Ora, Denali pode esperar. Aliás, ele deve ter ido almoçar em casa como faz todos os dias a esta hora.

— Rosalie e eu cuidaremos de Kate.— ofereceu. — E se ela acordar, darei a mamadeira que você trouxe já preparada aí na sacola, Bella. Vão embora logo. — insistiu Rosalie.

Como não tivessem desculpa para não ir, Edward e Bella concordaram. Ela pegou o casaco, mas o marido o tomou de suas mãos para ajudá-la a vestir. Depois, com a mão em sua cintura, levou-a para a rua. Uma camada grossa de neve cobria a calçada e flocos continuavam a cair das nuvens que forravam o céu. Enquanto caminhavam, cruzaram com várias pessoas que os cumprimentavam pelo nome. Algumas mulheres pediam notícias de Rosalie e Emmett e outras indagavam de Kate. Bella respondia e conversava com elas como se as conhecesse havia muito tempo.

— Você parece que se adaptou bem aqui na cidade. Comporta-se muito à vontade. — Edward comentou, impaciente.

Bella esperou que ele abrisse a porta do hotel. Só depois de entrar, respondeu:

— Todos têm sido muito bondosos. É muito fácil se sentir à vontade aqui. — Suspirou ao ver a postura rígida de Edward. —Olhe, se você prefere ir procurar o xerife, posso almoçar sozinha.

Ele mexeu o queixo de um lado para o outro.

— Não. Nós dois almoçaremos. Você emagreceu.

— E você também.

Fred Avery, o funcionário do hotel, acenou para eles do balcão de recepção.

— Olá, d. Bella! Sue gostou muito daquelas ervas que a senhora sugeriu.

— Ela melhorou?

— Muitíssimo.

— Fico contente.

— Edward, é muito bom vê-lo de volta. Conseguiu pegar James?

— Não.

— Acha que ele não vai mais aparecer por aqui?

— Duvido Fred, você pode nos arranjar uma mesa?

— Claro. Escolha a que quiser. Sue irá servi-los num instante.

A sala de jantar estava praticamente vazia, mesmo assim, Edward levou Bella para uma mesa de canto. Não tinha toalha, mas estava limpa, bem como os utensílios.

Ele a ajudou a tirar o casaco, mantendo as mãos em seus ombros um segundo a mais. Colocou-o no encosto de uma cadeira, em seguida livrou-se do dele que pôs em cima do seu. Depois de puxar uma cadeira e esperar que ela se sentasse, acomodou-se em outra a sua frente. Apoiou as mãos crispadas na mesa e manteve-se calado.

Nervosa, Bella levou algum tempo para arrumar o guardanapo no colo. O silêncio constrangedor a afligia e ela tentou quebrá-lo.

— Kate cresceu bastante nestas duas últimas semanas. Ela já pode se firmar nas mãos nos joelhos. Balança o corpo para frente e para trás como se quisesse engatinhar, mas ainda não descobriu como fazer isso.

Edward relaxou um pouco as mãos.

— Muito bem.

— Ontem, misturei purê de maçã em seu mingau de aveia e ela comeu tudo.

— Excelente.

Bella não conteve um suspiro. Como uma tola, tagarelava sobre Kate quando havia tanta coisa importante sobre as quais deveriam conversar.

— Escute, Edward, sobre o que aconteceu...

— Boa tarde! — Sue uma mulher alegre, de cabelos grisalhos, com um avental esbranquiçado de farinha, aproximava-se da mesa. —Fui avisada de que vocês estão com fome.

Edward esboçou um sorriso rápido.

— Boa tarde, Sue. O que você sugere hoje?

— Preparei um bom ensopado. Deixei a carne cozinhar nos temperos a manhã inteira, em fogo brando, até ficar macia. Só então acrescentei os legumes. Está uma delícia.

— Ótimo. Pode servir para nós dois. Traga também um tanto daquele seu pão famoso.

O sorriso de Sue alargou-se.

— Já vou servi-los. —Tocou o ombro de Bella. —Meu bem, conversei com Emily Uley sobre aquelas ervas que você me recomendou. Ela ficou interessada e vai procurá-la.

— Diga-lhe que estou às ordens.

— Edward Cullen, você arranjou uma mulher e tanto. Acho bom não deixar que ela escape.

— Não vou a lugar algum. — Bella disse antes que ele pudesse responder.

Quando Sue se afastou, ela criou coragem e encarou o marido.

— Edward, precisamos conversar sobre o que aconteceu entre nós. Muita coisa precisa ser explicada.

— Bella, não existe nada para dizermos um ao outro.

— Como não? Já está na hora de eu lhe falar sobre Victoria, Jacob e tudo o que aconteceu em Alexandria.

Ele jogou o guardanapo na mesa e inclinou-se para a frente.

— Bella, refleti muito sobre nós e cheguei à conclusão que você ficará melhor sem mim.

Arg! O Edward é tão cabeça dura!!! Masss soltando alguns spoilers: o próximo capítulo vai estar pegando fogo!!! Literalmente! A Bella vai arranjar um jeitinho de conquistar o Edward novamente e convence-lo que eles podem sim ficar juntos!

Respondendo ao comentário da gabsmoura, eu tenho a leve impressão de já ter lido esse romance, mas não estou lembrada! Rsrs. Mas já estou lendo e já me interessei! Vou terminar de ler e adaptar para nós! Então aguardem! Comentem!!! Até sexta! Bjimmm!!!