Acho que todos podemos concordar que neste momento eu já liguei o foda-se para os títulos de capítulo dessa estória. Não é como se eles fossem realmente importantes, no fim das contas. Reforçando o que eu disse no capítulo anterior, eu estou aceitando pedidos de fanfics para o dia dos namorados de Fairy Tail e One Piece, só que apenas até o natal, ok? Boa leitura, boa quarta.
O alienígena ranger da porta de madeira que levava à cozinha trouxe para ele não mais do que arrependimento.
Arrependimento e um profundo aperto em seu coração.
Durante todos esses dias em que estivera na oficina abaixo ele havia assumido que seus companheiros - que não apareciam nem mesmo quando ele subia - estavam se limitando a vadiar por ai enquanto ele trabalhava.
Que terrível engano.
Ele deveria saber muito bem que não havia como ser o caso. Ele devia ter percebido isso quando a sua parte humana morreu de fome, dias atrás.
Seus companheiros não iriam suportar, é claro que não iam! Eles jamais tiveram uma chance sequer! Mas ele jamais pensou que encontraria uma cena dessas! Jamais imaginou que encontraria o cadáver de Nami estirado sobre a mesa de jantar!
Lágrimas vieram aos olhos mais rápido do que qualquer sinal elétrico poderia alcançar e antes que ele pudesse computar o que fazia, ele já estava se espremendo para passar pela porta.
—Aguente firme, Nami!- foi o que ele tentou dizer, mas a voz saiu tão embargada pelo seu choro que não havia como dizer ao certo como soou.
E ainda assim, não houve resposta por parte da mulher cuja pele estava gélida ao toque.
Era tarde.
Tudo que sua mente dizia era que era tarde.
Por mais quente que estivesse, não já não conseguia sentir calor algum no corpo da pobre mulher. Por mais que a balançasse com força, não havia resposta. Por mais que tentasse sentir sua pulsação, já não conseguir sentir a menor pulsação em seus dedos. Por mais que a observasse bem, não mais seu peito expandia e contraia como seria de se esperar de quem respira.
Era tarde demais, não havia nada que pudesse se fazer. Ela estava morta e nada mudaria isso.
Que idiota havia sido ele! Estava tão irritado com seu capitão - que o diabo o carregue - que sequer pensara em seus amigos! Estava tão empenhado em cuidar do navio que esqueceu de cuidar de sua família! Como poderia ele agora se chamar de homem?
—Zopper!- conseguiu agora compreender perfeitamente bem o quão inteligível eram suas palavras, tentou ir para a enfermaria conseguir ajuda, mas seu corpo era grande demais para se mover bem num espaço tão fechado.
Por fim rendeu-se ao desespero, ajoelhando-se no chão e jogando seu tronco sobre a mesa, batendo sobre ela com toda a sua força.
—MALDIÇÃO!- chorou ele enquanto acertava a mesa mais e mais vezes, amaldiçoando-se por sua negligência.
Até que seus sensores de som finalmente captaram algo. Algo bem peculiar, de fato. Na proa, do outro lado do navio, foi possível ouvir um estridente e vagaroso soar de um acorde de violino, um que ele já não saberia dizer a quanto tempo estava sendo tocado.
Música.
Enquanto que ele chorava o corpo a ser velado de sua companheira, o trio estupidez resolvera que agora era a melhor hora para um musical.
Isso tirou do sério todos os nervos do Ciborgue, eles tinham que pagar.
Ergueu-se de sua autopiedade, limpando as lágrimas de seu rosto e arregaçando mangas imaginárias.
Hora do confronto era agora, não havia outro jeito.
Estava decidido à tirar satisfações com seu capitão e deixar tudo a limpo de uma vez por todas. Limpar a escória do Sunny de uma vez por todas.
—Você é muito barulhento! Eu to tentando dormir!- e no entanto, fora interrompido pela voz de ninguém menos que Nami.
Quando finalmente saiu de seu estupor, olhou atônito para ela.
—Não tente tirar o pulso de alguém se suas mãos são de metal, idiota!- a resposta ríspida fora acompanhada com um tom de deboche.
—NAMI!- ao fim de seus dizeres o homem que só vestia uma cueca curta que mal tampava-lhe as vergonhas já estava abraçado à navegadora, erguendo-a de seu lugar.
—OU! ME PÕE NO CHÃO!- gritou ela ao sentir-se esmagar nos braços do homem.
Verdade seja dita, na atual conjuntura das coisas, Nami já estava num estado tão critico de magreza que já não lembrava à Franky a figura vivida e bela que normalmente ostenta curvas que o faziam ter sonhos felizes e molhados à noite.
Não por menos ele evitou de colocar qualquer força que fosse por trás de seu abraço. Temia parti-la ao meio se exagerasse.
Muito lhe estranhava, no entanto, que só agora podia sentir uma centelha de calor vindo do corpo da mulher, só agora sentisse uma pulsação - mesmo que leve e fraca - vindo de suas veias.
A porta da enfermaria então se abriu, chamando a atenção do tarado de cabeça raspada.
De lá o doutor Chopper saiu, caminhando calmamente, sem dar-lhe a satisfação de um olhar.
A rena a passos lentos subiu numa das cadeiras e depois subiu por cima da mesa, indo na direção de Franky com um semblante plano de irritação velada.
—Cho-chopper?- perguntou ele mas sua resposta não foi outra, se não um tapa bem servido no rosto, deixando cravadas no metal as pontas do casco da rena. —Ei!- tentou discutir, mas calou-se ao ver o olhar irritado do médico.
Mais do que isso, Franky podia ver claramente que por debaixo do pelo de Chopper que sua pele já havia alcançado os ossos, o que era ressaltado pelas profundas olheiras que rodeavam seus olhos.
—Nós estamos no meio de uma crise, a maior parte dos nossos tripulantes já atingiram o limite de seu peso e é um milagre que ninguém tenha morrido ainda, mesmo assim, quando você se enfiou na oficina e começou a fazer um escândalo lá dentro por duas semanas sem parar, ninguém te perturbou porque sabíamos que você estava trabalhando pra nos ajudar e sabíamos que você estava lidando com uma situação complicada para você. Agora, o mínimo que você poderia fazer por todos é não perturbar o sono de quem está com um quadro tão delicado!- esbravejou ele sem de fato erguer a voz.
—Como o Sanji-kun está?- perguntou a navegadora.
—Ele está respondendo melhor que o Usopp, mas acho que tem mais a ver com o fato de que ele já passou por esse tipo de situação antes... ainda assim, eu não sei di- Franky não mais prestava atenção à conversa.
Ao ouvir as palavras iniciais da conversa dos dois, o Ciborgue desviou seu olhar para a enfermaria, onde era possível ver pela fresta da porta entreaberta que tanto o cozinheiro quanto o atirador jaziam sobre as camas da enfermaria, desacordados e descobertos.
Como as coisas tinham chegado à tanto? Ele perdeu duas semanas inteiras na casa das máquinas de verdade? Então seus companheiros estavam sem comer à quarenta e sete dias?
Como isso era sequer possível? Ele atém agora vinha reduzindo o passo do motor do Sunny para garantir que eles demorassem mais para andar, mas que fossem mais longe com o pouco combustível que tinham, mas eles tinham o luxo de desperdiçar seu tempo na vã esperança de um dia chegar à uma ilha que nunca chegava? Talvez não fosse melhor eles gastarem o combustível todo de uma única vez e torcer para alcançarem alguma coisa?
—Franky!- chamou Chopper pelo que parecia ser a quinta vez.
—Sim?
—Se não for pedir muito, você poderia fazer o favor de chamar o Brook quando voltar pra sua oficina? Aquele idiota não pode simplesmente se oferecer para ser ajudante na enfermaria e gastar tanto tempo longe dela.- ao fim de seus dizeres o médico voltou para dentro da mesma, Nami - que estava em seu encalço - parou próximo ao batente da porta antes de dirigir-lhe a palavra.
—O chá da geladeira acabou... mas ainda sobrou a cola. Você pode usar minhas laranjeiras para improvisar um chá, se quiser... elas já foram destruídas mesmo...- disse por fim entrando, passos tão lentos e cuidadosos quanto os do próprio Chopper, que agora estava acordando Sanji de seu sono.
Eles estavam todos empenhados em sobreviver.
Enquanto que ele nutria ideias de motim, seus amigos estavam sobre a linha que separa a vida e a morte. Que amigo de merda era ele, afinal?
Deixou a cozinha ainda abalado com a situação, seus passos nunca antes foram tão silenciosos em direção a proa. Percebeu, pelo caminho, o quão barulhenta vinha sendo sua pequena aventura na oficina ao notar que era possível ouvir os sons de sua máquina mesmo ela estando bem abaixo.
Era realmente necessário continuar trabalhando-a? Que utilidade teria chegar até a ilha se o Sunny seria apenas um navio fantasma no final?
Cês também acho que eu fiquei meio perdido no final? Sei lá, tá um calor desgraçado aqui, não to mais suportando ficar na frente do PC pra escrever
