"NÃO!" Chloe chora em negação. Ela vira-se para Maze e abraça-a. "Porque ele tinha de partir? Eu amava-o tanto!"

Um demónio não pode ter emoções, mas Mazikeen estava a ser testada de todas as formas. O seu amo é um cadáver moribundo no chão e a humana implora por algo que ela não sabia resolver. Ela também estava num limbo de sofrimento, a vida que ela tinha, o prepósito da sua existência tinha desaparecido com o seu Senhor. Alguém que ela jurou defender com a vida… mas aqui estava ela… viva… e ali estava ele morto. E com isto uma lágrima solitária percorreu o seu lado do rosto perfeito. "Infelizmente não o amavas o suficiente, senão ele não morreria." Esta era Mazikeen, um demónio sem rodeios, que não via mais nenhum propósito para defender aquela humana.

"O que… o que queres dizer com isso?" Chloe diz afastando-se dela. "Porque questionas os meus sentimentos? Como és capaz?" Chloe diz ofendida.

"A maldição seria quebrada se alguém aprendesse a amar o Lucifer tal como ele é. Viste alguma mudança?" Mazikeen diz com raiva. "Não mintas humana, claramente não o amavas!" Ela acusa-a.

"O quê?" A voz de Chloe falha. Era muito para processar. Ela sempre foi a chave? "Porque ele não me disse?"

"Isso importa agora?"

Chloe aproxima-se novamente dele e cai de joelhos derrotada. Ela sabia que nunca seria o suficiente para ele. Ela é fraca e ele o ser mais forte que alguma vez viu. Como o amor de uma humana frágil podia romper uma maldição lançada por Deus. E se ela...? Chloe respirou fundo tentando se acalmar. Pegou a mão de Lucifer nas suas. As pontas dos dedos já frias, ela lutou para não chorar mais.

Ella e Linda entraram a correr no quarto. Ambas cobertas de manchas de sangue, mas nenhum delas. Isso demostrava que o problema dos humanos tinha sido resolvido. Chloe tentou-se manter tranquila e não pensar nas dezenas de corpos desmembrados que estariam espalhados pelo piso inferior.

"Ele está…?" Ella começou, mas não conseguiu continuar.

Linda olhou para Chloe com um olhar intenso, mas sem expressão. Ela numa saberia o que estava a passar pela cabeça dela.

Ela voltou para Lucifer à sua frente. A flecha ainda no seu peito. Ela não suportava ver mais aquela flecha no seu corpo e puxou-a para fora com o seu braço útil e atirando-a para o outro lado do quarto. Ela fungou e fechou os olhos. E rezou.

Deus? Será que me pode ouvir? Algo aconteceu. Algo que eu não esperava. Eu sei que não sou a mais fiel seguidora e eu peco como qualquer mortal. De tudo o que já passei na vida acho que pedir um pouco de paz acalmaria o meu coração neste momento. De qualquer forma eu não quero apenas paz, eu quero-o de volta. Eu preciso dele, tal como de ar para respirar. Eu estou perdida e ele é o único que me pode encontrar.

Ela abriu os olhos e olhou para Lucifer e fechou os olhos novamente.

Eu amo-o, eu sei que sim. Por favor, não o tire de mim.

Ela soluçou ao pensar na última vez que quase se beijaram na biblioteca.

Se não o pode trazer de volta… pelo menos leve-me com ele. Por favor Deus.

Ela voltou a abrir os olhos e olhou para o seu amor com carinho. Nenhuma alteração no seu estado. Ela teria de se conformar, mas antes de o deixar ela tinha de sentir os seus lábios. Pela primeira e última vez. Ela baixou-se sobre ele, um simples e casto beijo nos seus lábios frios, mas que ela tinha a certeza de que seriam escaldantes outrora. Se eles não tivessem sido tão tímidos talvez se tivessem provado. Desfrutando das caricias e da paixão que os envolvia-a, mas agora não restava mais nada.

Ela fungou quando se afastou e levantou derrotada.

Ela olhou para os três demónios. "Lamento, não posso fazer nada." Chloe diz passando a mão pelo cabelo.

Um clarão encheu a varanda, muito mais brilhante a estrela voltou a brilhar. Chloe olhou estupefacta para o acontecimento. Quanto olhou para Lucifer ele estava a flutuar no ar. A sua pele vermelha e queimada começou a dissipar por áreas como se fosse uma folha de papel a queimar. Como se fosse apenas um invólucro, a pele perfeita estava por baixo apenas à espera para ser revelada.

Chloe ofegou ao ver a sua aparecia mudar. Então ele estava de pé, chocado enquanto olhava para as quatro presenças à sua frente e para as próprias mãos agora completamente normais.

"Lucifer!" Chloe correu para os seus braços.

"Chloe!" Nunca um abraço foi tão bom.

Ela afastou-se rapidamente rasgando a camisa e alcançando a pele para verificar que estava perfeita sem um único arranham. "Querida, nunca imaginei que serias tão possessiva." Ele riu ao toque dela na zona onde antigamente estava o seu ferimento fatal.

Ela corou um pouco. "Olha quem fala." Ela sorri para ele batendo no seu ombro. As asas dele abriram-se nesse momento, mas não as de osso e membrana. Eram grandes, de penas brancas, a coisa mais perfeita que a Chloe já viu. Lucifer tocou o rosto dela, captando a atenção da mulher.

"Eu amo-te." Ela deixa escapar antes que ele feche a distância com um beijo inocente.

"Eu também te amo querida." Ele diz ainda com a testa na dela.

Uma nova voz afasta o casal. Uma silhueta de luz aparece na varanda. "Vejo meu filho que finalmente encontraste alguém que foi capaz de te libertar."

"Pai!" Lucifer ficou tenso.

"Não te preocupes." Deus emitiu a sua energia. As primeiras a sentir isso foram as 3 outras mulheres no quarto. "A partir de hoje serão humanas, agraciadas por uma alma." Diz Ele.

Então a luz movimentou-se para o exterior, convertendo as antigas estátuas em anjos que se deslocaram no mesmo momento para o Céu em massa. A estrela que antigamente era o símbolo de maldição guiou os anjos no seu caminho de volta para casa. Chloe sorriu para Lucifer que a abraçou enquanto se deslumbravam pelo acontecimento.

"Voltaremos a ver-nos mais tarde em casa, meu filho." Deus diz para Lucifer enquanto tirava o feitiço que tinha lançado à floresta e aos seres que nela habitavam. O palácio também mudou perdendo o tom sujo das suas paredes exteriores.

"Quase me esqueci." Deus curou a ferida que ainda atormentava o braço de Chloe.

"Obrigado." Chloe diz humildemente.

Lucifer olhou novamente para o Pai. "Eu posso voltar?" Lucifer estava chocado.

"Quando a Chloe partir, poderás juntar-te a ela. Serão muito bem-vindos." Diz Ele.

"Obrigado Pai." Foi a única coisa que ele podia dizer. E com isto cada ser celestial que ainda podia ser visto desapareceu, exceto Lucifer que ainda abraçava Chloe ao seu lado.

Ele sorriu ao pensar numa vida ao lado do seu amor e depois disso toda uma eternidade na Cidade de Prata. Ele iria desfrutar de cada minuto como se fosse o último e apesar da promessa de eternidade ele iria aproveitar ao máximo com a humana que o ensinou a se importar e a amar. Com ela cada segundo finalmente valeria a pena.


Isto foi o fim, próximo é apenas um pequeno epílogo. Muito obrigada pela leitura e todo o apoio!