Obs: P.O.V = ponto de vista do personagem que está narrando

[Todos os personagens pertencem ao Masami Kurumada e a Shiori Teshirogi!]


12

Lar

Dafne P.O.V.

Quando aproximei a primeira página das chamas, deixei que o fogo a consumisse até que não restasse nada em minhas mãos. Havia certa beleza em ver as coisas queimando. O fogo devorava tudo, e logo não havia resquícios da existência daquele objeto, como se nunca tivesse existido.

Reli cada palavra em silêncio à medida que elas desapareciam. Cartas de amor eram cobertas de sentimentos, mas sonhadoras demais, palavras não tinham força o suficiente na hora que mais precisávamos, eu sabia disso mais do que qualquer outra pessoa. Não acredito que Sumiye foi tão descuidada quanto a isso, no momento que soube da morte do cavaleiro ela deveria ter destruído tudo que o ligava a ela, ter derrubado a casa inteira, mas agora era tarde demais para lamentações, ao menos consegui as cartas que levavam o seu nome.

Algumas gotas de sangue escorreram de meu rosto e evaporaram quando se chocaram com as chamas, limpei-as com um lenço e depois também o joguei na fogueira, não me serviria mais no estado em que se encontrava. Havia me esforçado demais no caminho pelas Doze Casas e se as coisas continuassem dessa maneira não demoraria até que ficasse debilitada numa cama apenas por levantar um copo d'água. Não entendia por que isso estava acontecendo, eu fui forte o suficiente para voltar à vida, precisava suportar isso também.

Quando o calor diminuiu e o papel não passava de cinzas joguei areia sobre o fogo, apagando-o aos poucos. Foi quando senti uma presença se aproximando do local.

- Ei, você! – a voz era de uma mulher – O que está fazendo?

- Nada – respondi – apenas admirando a paisagem.

Virei-me para encará-la, a mulher usava uma armadura azul, com uma tiara no formato de águia em sua cabeça. Seu rosto estava coberto por uma máscara.

- Quem é você e como chegou aqui? – ela perguntou.

- Meu nome é Dafne, vim com os senhores Dégel, Kardia e Albafica a mando de Shion, Grande Mestre do Santuário.

A mulher recuou alguns passos, era difícil interpretar suas reações sem ver seu rosto.

- Então você é a sacerdotisa – sua voz soou diferente, com menos autoridade – os cavaleiros já se dirigiram a suas respectivas Casas, imaginei que estivesse no alojamento, posso acompanhá-la se quiser.

Então eles finalmente foram para as Doze Casas, tive sorte em sair de lá antes do fim da reunião, infelizmente não pude ser cuidadosa como queria em minha busca, mas não havia como eles descobrirem que o sangue pertencia a mim.

- Qual o seu nome? – perguntei a ela.

- Marin, sou Amazona de Prata da constelação de Águia.

- Agradeço sua preocupação, Marin – respondi com um sorriso – mas eu já sei o caminho.

Marin assentiu, ela permaneceu parada mais alguns instantes com seu cabelo ruivo ondulando ao redor de seu rosto, provavelmente olhando para o que restou da fogueira, antes de me dar as costas. Voltei a fitar as cinzas, desejando de ter conhecido o cavaleiro que recebeu aquelas cartas, anjos não eram facilmente seduzidos por mortais, principalmente quando este mortal era um Cavaleiro de Athena.

Olhei para o céu através da fumaça, ainda estava claro, mas a lua estava visível o suficiente para todos. Dia e noite, acho que teríamos de trabalhar juntos afinal.

XXX

Minha pequena aventura na Casa de Escorpião me deixou exausta a ponto de dormir dois dias inteiros. Às vezes ouvia batidas na minha porta, mas não tinha forças para levantar. Meu sono também não foi tranqüilo, pois minhas visões me atormentaram durante quase todos os minutos, assim como as lembranças de quando conheci Aspros. Também tive a sensação de que havia alguém em meu quarto, mas não sabia dizer se era Apolo ou Dégel, pois a sensação de conforto era a mesma.

Consegui me mover na manhã do terceiro dia, quando finalmente consegui lavar o corpo e me trocar. Reconheci Marin por sua armadura, mas também haviam outras amazonas no alojamento, poucas, mas de nomes desconhecidos para mim.

Não gostava da ideia de cobrir o rosto para ser aceita, especialmente ao servir uma deusa.

Albafica foi o primeiro a me procurar, ele queria ajuda para limpar a Casa de Peixes, por mais que a oferta fosse tentadora para tentar descobrir mais sobre os antigos cavaleiros foi à comida que ele me ofereceu que me fez aceitar. Não estávamos mais na hospedaria e o Santuário estava com poucos ajudantes. Albafica me disse que antigamente os Cavaleiros de Ouro tinham servos que os ajudavam nas Doze Casas, mas agora eles precisariam descer para se alimentar, o que era um problema.

Ele me levou à última casa por outro caminho, onde podíamos atravessar o Santuário sem precisar passar pela escadaria. Pelo que pude perceber ali era usado apenas em situações de emergência e conhecido por poucos, mas Albafica achou que seria melhor seguirmos por ali devido a minha situação.

A Casa de Peixes estava ainda mais destruída que a de Escorpião, a estrutura estava firme, provavelmente fora reparada por alguns dos Cavaleiros de Prata remanescentes, mas o interior também fora saqueado e o jardim que Albafica disse que costumava ficar nos fundos não existia mais.

- Posso consertar isso – disse Albafica, olhando com um certo pesar para a vegetação alta – não é tão difícil.

- Tenho certeza de que conseguirá, logo Lissa poderá vir te visitar em um belo jardim.

O sorriso de Albafica murchou, ele olhou para as rosas mortas que ainda estavam no chão de terra.

- As rosas que plantarei aqui não são para crianças, ou para qualquer outra pessoa.

- Seu sangue está limpo, Albafica, não precisa passar pelo ritual de novo, talvez não tenha mais efeito.

- Não pode ter certeza disso.

Ele suspirou, achei que sem o sangue venenoso Albafica seria um pouco mais feliz, mas ele parecia deslocado e ainda mais distante dos outros. Talvez ele quisesse o sangue venenoso de volta para se sentir um pouco mais como si mesmo.

- Dégel estava preocupado com a sua saúde – ele mudou de assunto de repente, voltando a arrancar as rosas mortas – talvez seja ele quem lhe leve comida pela manhã.

- Vamos cuidar do jardim – respondi, não queria falar sobre aquele cavaleiro.

XXX

Comecei a descer os degraus devagar, não estava me escondendo de ninguém dessa vez, e acho que nem poderia. Segurava uma pesada caixa com objetos que Albafica me dera, os encontramos no quarto da Casa de Peixes e ele disse que não usaria, então tudo acabou passando para mim mesmo não sabendo exatamente qual a função de cada um.

Albafica me disse para voltar pelo mesmo caminho, mas eu queria passar na Casa de Escorpião e me certificar de que Kardia não desconfiava de nada. Havia acabado de chegar a Casa de Aquário, a casa de Dégel, rezando para que ele não percebesse minha presença, quando o cavaleiro me interceptou.

- Vai acabar tropeçando desse jeito.

Dégel tirou a caixa de minhas mãos.

- O que são todas essas coisas?

Dégel usava roupas semelhantes aos dos soldados que vi treinando no que sobrou do Coliseu naquela manhã, com algumas partes simples de armadura no peito, braços e nos joelhos.

- Descartes da Casa de Peixes – respondi – são meus agora.

- Albafica aceitou a sua ajuda? – Dégel pareceu surpreso – Não os vi passando por aqui.

- Ele me mostrou outro caminho, e não devemos aceitar um "não" de Albafica, ou ele acabará se isolando novamente, então decidi ver se Kardia também precisava de ajuda.

- Venha – Dégel entortou a boca por um momento e tive a sensação de que foi por não ter oferecido ajuda a ele também, mas logo acabou sorrindo – a levarei até lá.

Precisei andar mais depressa para acompanhar seus passos largos, uma tarefa cansativa, até que tomei coragem e segurei seu braço para que andássemos lado a lado.

- O que você ganhou? – perguntou ele.

- Não sei o que são essas coisas – respondi – mas quero experimentá-las. A maioria são frascos com líquidos coloridos, Albafica disse que se chamam perfumes.

O soltei e abri a caixa, retirei um objeto pequeno, de frasco prateado, ao abrir só precisava girar a parte inferior para revelar um bastão cor de rosa.

- Para que serve isso? – perguntei.

- Para os lábios, já vi algumas moças usarem.

- Ah – aproximei o bastão do meu nariz, aquilo cheirava a morangos.

- Mas você não precisa disso para melhorar a aparência – disse Dégel.

- Então você me acha bonita? – coloquei o bastão de volta na caixa e peguei um frasco um pouco maior, quando o abri ele revelou algo parecido com um pincel coberto por uma tinta negra, seria usado para escrever?

- Sim – Dégel respondeu – mas, não quero que pense que estou lhe faltando com o respeito.

- Está tudo bem.

Dégel sorriu, evitando olhar diretamente para mim, o que me permitiu respirar um pouco.

Passamos pela Casa de Capricórnio em silêncio, assim como a de Sagitário. Dégel só voltou a falar quando nos aproximamos da Casa de Escorpião.

- Kardia está estressado ultimamente, então, por favor, ignore seu mau humor.

- Por que ele está desse jeito? – perguntei, um pouco aflita pelo que encontraria a minha frente.

- A Casa de Escorpião está uma bagunça, ele está tentando arrumar, mas não tem paciência para isso.

- Tenho certeza de que o problema não é a Casa, mas a garota.

Dégel assentiu.

- Sim, ela também, aliás, você me disse para ficar de olho nele por causa dela, mas ainda não me disse o porquê.

Paramos na entrada da oitava casa, com Dégel bloqueando meu caminho. Ele passou a segurar a caixa com apenas uma das mãos, usando a outra para segurar meu pulso.

- Não entendo por que faz isso – eu disse - não pretendo fugir de você.

E nem conseguiria, pensei. Não estava forte o bastante para correr, além do mais o destino parecia nos querer do mesmo lado.

Sua mão escorregou do pulso para minha mão, e dessa vez não consegui evitar que minhas emoções transparecessem em meu rosto. Uma mistura de nervosismo e euforia me invadiu imediatamente, não estava acostumada a sentir isso, pelo menos não com ele.

- Com licença – a voz de Kardia fez com que Dégel me soltasse e a exaltação em meu corpo sumisse – sou um grande fã de aventuras amorosas, mas a Casa de Escorpião não é lugar para isso.

Kardia usava uma roupa parecida com a de Dégel, mas as cores eram diferentes e a camisa não tinha mangas. Seu cabelo estava preso e havia um lenço em sua cabeça.

- Tenho certeza de que é uma casa muito respeitada – Dégel brincou.

- Façam algo de útil com as suas vidas e venham me ajudar – Kardia falava enquanto retornava para a parte reservada da Casa de Escorpião – ainda não consegui tirar todo o sangue do chão...

Quando Kardia se foi, Dégel continuou parado, provavelmente me esperando.

- Você não sangrou mais? – o Cavaleiro de Aquário perguntou.

Pelo olhar de Kardia, ele parecia não desconfiar de nada, mas a pergunta de Dégel me deixou um pouco aflita.

- Estou melhor agora – respondi. É claro que ele podia ter perguntado apenas por ser educado, mas foi muita coincidência – é melhor eu ir.

- O que? Você não queria ficar?

- Voltarei para o alojamento – tirei a caixa de suas mãos – pode ajudar o seu amigo, não precisa me acompanhar.

Continuei sorrindo para encorajá-lo, não podia dizer a ele meu verdadeiro motivo de não querer ficar na Casa de Escorpião.

- Se é o que você quer – ele parecia desapontado – eu ficarei, mas ainda não acredito que o antigo cavaleiro era tão desorganizado...

- O nome dele era Miro – eu disse por impulso, o conteúdo daquelas cartas era extremamente pessoal – o antigo dono desta Casa.

- Como você sabe? – perguntou Dégel.

- Alguma amazona deve ter comentado, sabe que estamos dividindo o alojamento – me apressei a responder – os antigos companheiros desses cavaleiros são nossas melhores fontes de conhecimento sobre eles, devia tentar ouvi-los.

- Sim, você tem razão, mas logo as Doze Casas estarão ocupadas novamente e talvez não possa andar entre elas tão livremente.

- Eu sei disso – suspirei – quero distância da Casa de Gêmeos.

Parti em direção a saída da casa, mas Dégel me seguiu.

- A senhorita ainda teme Aspros?

Parei para encará-lo. É claro que eu ainda temia Aspros, talvez temer fosse uma palavra fraca demais para o que sentia quando olhava para seus olhos assassinos. Ele me deixava paralisada, revivendo um pesadelo.

- Até logo, Dégel. – encerrei nossa conversa.

Saí dali rapidamente e só me acalmei quando olhei para trás e não consegui mais enxergar a figura elegante do cavaleiro.

Enquanto tentava ignorar as lembranças de Aspros, meu passado com Defteros, e todas as minhas mentiras, Dégel era meu maior problema agora, assim como seu futuro, e agora que tinha espiado por aquela janela era tentador demais querer concretizá-lo.


Defteros P.O.V.

- Ficou em silêncio a viagem inteira – Aspros disse assim que chegamos à Casa de Gêmeos.

A viagem foi longa, mas já tinha enfrentado coisas piores quando cavaleiro. A única coisa que me incomodou foi ter que ouvir a conversa de Sísifo com meu irmão durante todo o trajeto, de suas lembranças bobas de um passado quase perfeito. Agora ele já estava passos a nossa frente, indo em direção a Casa de Sagitário, agraciando-me com o silêncio.

– É por causa da garota? – Aspros perguntou, ele insistia em falar sobre ela - Ao menos devia estar feliz em voltar para cá já que também é a sua casa.

- Nunca cheguei a morar aqui, então não sinto como se fosse o meu lar – evitei falar sobre Dafne com ele, era melhor assim.

- O que? – ele olhou para mim surpreso, às vezes me esquecia de que ele havia morrido sem presenciar várias coisas – Por que não?

- Porque não sou igual a você, eu nunca quis tudo isso, eu apenas queria... – suspirei e deixei as palavras sumirem no ar. Aspros pareceu entender.

Naquela época a única coisa que eu queria era poder viver ao lado dele sem ser considerado um estorvo, mas então as coisas mudaram, e o poder ficou mais importante para ele do que qualquer outra coisa, até mesmo do que sua própria família.

- Na última vez que falamos sobre isso – disse Aspros – queríamos viver aqui juntos.

Ele entrou na área reservada aos cavaleiros primeiro, eu o segui. A sensação foi estanha quando abrimos a porta, apesar da poeira Aspros parecia bem confortável já que morou aqui quando recebeu a armadura de ouro. Mesmo assim essa Casa já tinha sido o lar de dezenas de cavaleiros após a nossa morte, então sentia que estávamos invadindo a vida de outra pessoa.

Para nossa surpresa não havia muitas coisas na Casa, nem roupas ou objetos pessoais que remetessem que alguém morou ali. Shion não nos contou muito sobre o Cavaleiro de Gêmeos desta era, apenas nos disse que ele também tinha um irmão, mas eu tinha a sensação de que a dualidade do bem e do mal nos perseguia ao longo das eras, como uma maldição.

As únicas coisas úteis que encontramos foram alguns móveis. Uma cama, um guarda-roupa, armários, tudo parecia novo. Deixei que Aspros se instalasse no único quarto e coloquei minhas coisas no sofá.

Lembrei-me de quando Dafne me disse que gostaria de viver aqui comigo. Essa realidade parecia impossível agora.

- Tem alguém aqui – disse Aspros

Ele largou o pedaço de queijo velho que encontrou e voltou para a entrada da Casa de Gêmeos, eu o segui.

- Ah, é apenas você. Imagino que não veio falar comigo.

Aspros deu as costas ao visitante e voltou para dentro com a expressão fechada. Primeiro achei que Asmita tivesse retornado, o Cavaleiro de Virgem surpreendeu a todos ao se voluntariar para partir conosco e parecia estar sempre de olho em Aspros e em mim, especialmente depois de ter me ajudado a cortar o cabelo, mas quando vi a cor esverdeada do cabelo do cavaleiro que me esperava na entrada foi quando percebi que era apenas Dégel.

Fiquei aliviado ao vê-lo, mas ele parecia diferente, seu olhar parecia diferente.

- Posso entrar? – disse ele – Precisamos conversar.

Havia me esquecido de que as pessoas precisavam de permissão para atravessar as Doze Casas, por isso demorei um pouco a entender sobre o que Dégel estava falando, ele deu apenas um passo, o suficiente para ficar do lado de dentro da Casa de Gêmeos.

- Aconteceu alguma coisa? – perguntei, e minha mente me levou a lugares sombrios aonde Dafne estava em perigo – Onde está Dafne?

Não a vi desde que chegamos ao Santuário, apesar de uma amazona ter nos avisado de que a pítia estava aqui. Imaginei que ela acabaria sentindo minha falta com a separação que já durava semanas, mas pelo jeito dessa vez teria que ser eu a dar o primeiro passo.

- É sobre ela que quero falar – Dégel parecia mais sério do que o habitual – e sobre o seu irmão.

Assenti, é claro que ele queria falar sobre Aspros, talvez Dafne o tivesse enviado até aqui.

- Achei que esperaríamos o retorno de Dohko para permitimos a entrada dele – Dégel olhou para o interior da Casa de Gêmeos – o que ele está fazendo aqui?

- Shion acha que Dohko está demorando demais, ele e Hasgard ficaram para trás para esperar mais um pouco, enquanto isso Sísifo dará as ordens, e você sabe que eles são amigos.

- Isso não apaga o que ele fez – Dégel pareceu incrédulo com o que tinha acabado de ouvir – forçá-la a conviver com ele de novo é muito cruel.

Ele estava falando sobre Dafne, visivelmente preocupado com ela, talvez até tanto quanto eu.

- Ela está se adaptando bem ao Santuário, mas agora que Aspros está aqui como pode garantir que ela estará segura?

- Está mesmo querendo falar sobre isso comigo, Dégel? – dei um passo à frente, eu era um pouco mais alto do que ele – Não fui eu quem a protegi quando ela acordou? Quem a manteve segura todo esse tempo?

- E agora protege o assassino dela – Dégel cruzou os braços - como acha que ela está se sentindo com isso?

- Quer mesmo me dizer como ela se sente? – resisti ao impulso de golpeá-lo – Você acha que eu não sei?

Senti a intensidade do meu cosmo aumentando pela primeira vez desde o despertar, o ar ao nosso redor ficou mais pesado, mas Dégel não moveu um músculo.

- Quem você pensa que é para cobrar alguma coisa de mim? Para falar por ela?

- Sou apenas alguém preocupado com a segurança da pítia que você insistiu em manter entre nós – Dégel respondeu.

Senti um gosto amargo na boca ao ouvi-lo falar. Havia algo a mais por trás de suas palavras, eu podia perceber, talvez Dégel ainda não tivesse se dado conta, mas ele sentia algo por Dafne.

- Boa sorte com Aspros, e diga a ele que não hesitarei em revidar se ele tentar algo contra a senhorita.

Ele deu meia volta, subindo as escadas, partindo em direção a Casa de Aquário.

Continua...


N/A: Não posso ser a única a estar me divertindo com todo esse drama entre Dafne-Defteros-Dégel...! As coisas só vão ficar mais complicadas a partir de agora, os deuses já estão quase prontos...