Autora: BelleDayNight

Tradutora: Juuh Haruno

Classificação: T-Rated

Disclaimer: Naruto e nem a história me pertencem, sou apenas a tradutora autorizada.


Capítulo 14: Presentes

"Sakura-Chan!" Naruto foi correndo em sua direção assim que a viu ela passar pelos portões de entrada do complexo Hyuga. Estendeu as mãos para pegar as dela, mas notou o pacote embrulhado em papel pardo, então moveu-as para agarrar os ombros delicados. "Eu estou com tanta inveja! Você vai sair em uma missão de classe A?"

"Nós seremos apenas o entretenimento para os filhos do Daimyo", explicou, encolhendo ligeiramente os ombros para livrar-se do aperto neles.

Naruto se remexeu ansiosamente. "Você voltará a tempo de assistir minhas lutas no exame chunin, não é?"

"Nós vamos escoltar o Daimyo no retorno justamente para ele assistir o exame", sorriu. "Então, pode ficar tranquilo porque chegaremos antes da terceira fase começar". Ela estendeu o pacote para ele segurar. "Segure isso por um minuto", entregou-o, remexendo a mochila até achar um fichário enorme de dentro dela. "Este é um fichário que fiz há quatro anos para estudar para o Exame Chunin, fique com ele."

"Obrigado!" Naruto começou a folhear as páginas... e seu sorriso desapareceu enquanto continuava virando página atrás de página e elas pareciam não acabar nunca. "Isso é muito material!"

"Apenas tente ler", Sakura aconselhou. "Nas duas vezes em que fiz o exame, a minha nota foi a mais alta, consegui gabaritar nos dois. E recomendo que você estude com a ajuda da Hinata, ela também se saiu bem na prova escrita."

Sasuke surgiu no caminho de pedras, andando na direção dos dois com uma carranca no rosto, sem perceber que a amiga também estava ali. "Ei, idiota, por que você correu tão de repente?", quando finalmente viu a garota de cabelo rosa, seus olhos arregalados de surpresa. "Sakura!", exclamou.

"Bom dia, Sasuke", respondeu com animação, levantando o pacote até o rosto do moreno. "Este é o seu presente de aniversário."

"Merda! Eu esqueci o seu aniversário?" Naruto apertou o fichário com uma mão e passou os dedos pelo cabelo, tentando pensar rapidamente no que poderia fazer para remediar isso. "Eu sinto muito."

"É na próxima semana", disse Sasuke, olhando para o pacote.

"Não se preocupe, Naruto. É só no dia 23, você ainda tem tempo". Olhou para o pacote e pediu animadamente ao amigo para abrir logo. "Vá em frente, abra! Eu quero ver a sua reação."

Olhando distraidamente para cima, notou Neji e Hinata caminhando em direção a eles. O Hyuuga também tinha uma mochila pendurada em um dos ombros.

Sasuke abriu o papel de embrulho e abriu a caixa. "É um pergaminho", puxou para fora da caixa. "Eu fico realmente feliz que você tenha se lembrado, Sakura", falou com sinceridade, seus olhos escuros atentos procurando os verdes calmos.

Sakura riu. "Oh, por favor, é claro que lembro do seu aniversário. Eu memorizei desde que tínhamos oito anos, quando meu sonho era ser a Sra. Uchiha..." Ela limpou a garganta, ficando desconfortável com o olhar fixo de Sasuke. Desviou os olhos e mirou no pergaminho em suas mãos. "É um pergaminho de armazenamento. Eu coloquei uma boa parte das armas que você me pediu para guardar lá em casa dentro dele, assim você pode invocá-las quando precisar. Também coloquei um kit de primeiros socorros, incluindo uma pomada que eu criei. Ela cura feridas menores e retarda o progresso de ferimentos mais sérios."

"Por que você não me deu um kit de primeiros socorros?" Naruto perguntou com uma voz magoada.

"Duas razões: primeiro porque eu estou sempre no seu time para te curar. E segundo, você tem a Nove-Caudas e se recupera rapidamente de quase tudo", respondeu. Ela o cutucou no peito. "Certifique-se de dividir o fichário com Sasuke e Hanabi."

"O que há no fichário?"

"É um guia de estudo para a prova escrita do Exame Chunin", falou ao colocar a mochila bem presa sobre os ombros. "Não que você precise, com esse seu Sharingan, provavelmente ainda se lembra de tudo do primeiro exame."

"Você estará de volta a tempo das lutas, não vai?", questionou baixinho. Um raro sinal de emoção brilhou através de seus olhos escuros.

Sakura estendeu a mão e segurou a dele. "Eu nunca perderia a sua luta." Sasuke apertou a mão dela e, em seguida, rapidamente a puxou para fora de seu alcance.

"Você está pronta?" Neji perguntou.

A médica percebeu na hora o enrijecimento da postura de Sasuke quando Neji se juntou a eles, mas não disse nada. "Deixe-me ver seu braço", ordenou. O Hyuga obedeceu e ela levantou a manga para fazer uma varredura rápida. "Parece bem curado, mas vou ficar de olho em você durante a jornada. Vou reavaliar em nossos próximos check-points."

"Ficou tão ruim assim?" Naruto perguntou com um olhar culpado.

"Ficou como se um jinchuriki tivesse quebrado o braço dele," repreendeu-o, virando-se para o jinchuriki em questão com os olhos franzidos, fazendo-o engolir em seco. "Está tudo bem, Naruto. Eu sei o que aconteceu", brincou, e logo em seguida se virou para Hinata e a abraçou. "Eu deixo esses dois em suas mãos capazes."

"Devemos partir logo ", anunciou Neji, um tom impaciente em sua voz. "Nós não queremos nos atrasar."

"Com Kakashi como nosso líder de equipe, posso garantir que ficaremos esperando um pouco."

"Obrigado pelo presente", disse Sasuke. Ele enfiou a caixa debaixo de um braço e, em seguida, deu um passo em direção da companheira de time e a puxou para um abraço feroz. "Tenha cuidado lá fora."

Sakura deu um tapinha em suas costas, tomada pela surpresa por não esperar que o último Uchiha fosse tão carinhoso. Vendo o olhar irritado de Neji por cima do ombro dele, recuou pouco depois. "Você vai ficar bem, Sasuke." Ela olhou entre seus dois colegas de equipe. "Tenho um pedido para vocês dois. Eu quero que vocês dois cuidem um do outro, entendem? Kakashi-sensei e eu não vamos estar por perto para ajudar, mas Sai estará aqui se precisarem dele. E se Hinata tiver algo a dizer para qualquer um de vocês – ouçam-na."

Naruto empurrou o fichário para Sasuke e então passou os braços em volta de Sakura em um abraço que rivalizava com o de Sasuke. "Se o Neji ficar muito abusadinho com você, conte imediatamente para o Kakashi-sensei, tá bom?", sussurrou em seu ouvido. "Vamos vê-la na rodada de batalha dos exames. Pode confiar!"

Neji e Sakura partiram do complexo em uma corrida rápida. Independentemente de suas palavras, a kunoichi ainda queria chegar cedo ao ponto de encontro. Se o líder da equipe chegava atrasado, era uma coisa. Mas, um subordinado deve chegar sempre no horário, independentemente de qualquer coisa.

"Eles são sempre tão carinhosos?", o resmungo do shinobi mal era audível.

Ainda assim, ela virou-se em sua direção enquanto corriam. "Naruto? Sim. E Sasuke? Só quando está se sentindo particularmente sentimental". Sabia que, desde que seus pais morreram, não era comum que ele ganhasse qualquer presente de aniversário. E quando foi embora de Konoha anos atrás, partiu alguns dias antes de seu aniversário, sem que Sakura tivesse a chance de dar-lhe seu presente de aniversário daquele ano. "E o seu time? Já vi o quão carinhosos Lee e Gai podem ser, mas e quanto a Tenten?"

"Com álcool – muito carinhosa", respondeu Neji.

Finalmente chegaram ao ponto de encontro, notando sem surpresa que eram os primeiros. "Você quer fazer uma aposta sobre o quão atrasado Kakashi chegará?" Sakura perguntou.

"O quê apostaríamos?", respondeu sua pergunta com outra pergunta. Cruzando os braços sobre o peito casualmente, seu rosto permaneceu impassível e sua postura sugeria que destinava a ela toda a sua atenção naquele momento. "Você tem algo que eu quero?"

"Por que, Senhor Hyuga? Você está flertando comigo?", um sorrisinho de canto adornava os lábios rosados de aparência macia.

Ele esticou uma de suas mãos e traçou seu dedo indicador desde sua têmpora, descendo por sua bochecha, e o colocou sobre a clavícula exposta. "Agora, eu estou flertando com você", a voz profunda enviou arrepios pela espinha de Sakura.

"Espero não interromper nada", interrompeu Kakashi. Os adolescentes ergueram os olhos para ver o líder da equipe sentado no telhado acima deles com um exemplar do romance Icha Icha em suas mãos. Ele pulou do telhado e aterrissou no chão de terra ao lado deles. "Desculpe estragar sua diversão em adivinhar quanto seria meu tempo de atraso", inclinou-se perto do ouvido de Sakura. "No entanto, estou curioso para saber o que você iria apostar. Anda passando muito tempo com Lady Tsunade, hm?"

"Neji! Meu querido aluno!" Gai gritou, sua voz embargada de emoção enquanto corria na direção do trio. Ele estendeu os braços para abraça-lo, mas o herdeiro desviou-se elegantemente de seu velho professor. "Se ao menos Lee e Tenten pudessem participar dessa grande aventura!"

"É bom ver você também, Gai-sensei", disse em um tom educado.

"Acho que a festa começou", exclamou Anko, caminhando na direção deles, olhando especulativamente para Kakashi. "Quais são os seus comandos, Hatake?"

"Gai e Neji na liderança, Anko no meio, Sakura e eu na escolta," ordenou. "Nós vamos diretamente para a propriedade do Daimyo. Todos sabem o caminho?", virou-se para Neji e Gai.

Gai sorriu largamente, ele abriu a boca para falar muito corajosamente.

"Nunca peça ao Gai-sensei para seguir um mapa", interveio Neji. "Eu sei o caminho."

"Bem, então vá em frente, garoto charmoso", brincou Anko.

Sakura sentiu suas bochechas queimarem. Todos eles viram Neji flertar com ela momentos atrás? Provavelmente.

"Você está apostando sobre o quão atrasado o seu velho professor pode chegar?" Kakashi perguntou, sua voz soando magoada enquanto corriam ao lado do outro no grupo. "E sem o honorífico?"

"Você pediu para Naruto e eu deixarmos de usá-lo quando nos juntamos ao Time Kakashi", defendeu-se.

"Mas você costuma usá-lo mesmo assim", o líder continuou com um beicinho atrás da máscara.

Sakura olhou para ele, sem saber se estava falando sério ou brincando. Tinha passado muito tempo com Kakashi, ele era mais do que apenas seu ex-professor, era era um dos seus melhores amigos. "Kakashi, você é uma das pessoas que eu mais amo neste mundo. Não quis te desrespeitar."

Seu sensei estendeu a mão e alisou seu cabelo carinhosamente. "Eu sei, só estou brincando. Eu também te amo, Sakura, mas lembre-se, nesta missão eu sou o líder, não o seu amigo."

"Vocês é os dois", protestou.

"Só para ficarmos claros. E não me chame de sensei nesta missão", pediu. "Isso me faz sentir velho. Você ser uma jounin me faz sentir velho o suficiente."

Sakura ficou boquiaberta. "E eu achei que, momentos atrás, você estava tentando me fazer te chamar pelo honorífico novamente..."

Fazia muito tempo que não ia em uma missão com Kakashi, seu professor vinha sendo enviado em muitas missões rank S que só ele poderia realizar. A intenção de Tsunade de indicá-lo para o papel de Sexto Hokage fez com que ele desejasse realizar o maior número possível de missões antes de ser inevitavelmente acorrentado à mesa lotada de papéis de um Hokage. "Além disso, você já era um jounin aos doze anos. Como isso te faz sentir velho?"

"Já faz vinte anos desde que tive doze anos!" lamentou. "Eu sou um homem velho, todo o meu cabelo já ficou branco."

Sakura sorriu, divertindo-se com as palhaçadas do amigo. "Você nasceu com cabelos brancos."

µµµµµ

Se a equipe shinobi mantivesse um ritmo intenso e apenas descansasse o mínimo, alcançariam o castelo do Daimyo dentro de três dias. Kakashi decidiu que descansariam durante a parte mais escura da noite e vigiariam em turnos. No entanto, todos criariam alguns clones de sombra para proteger a periferia do campo.

Comeram um jantar simples, mas não fizeram fogueira no acampamento improvisado pois a luz atrairia muita atenção. Não estava muito frio e um simples jutsu podia assar a maior parte da comida, se necessário, sem um fogo prolongado.

Sakura caminhou ao lado de Kakashi num rápido reconhecimento ao redor da clareira. Os dois ficariam de vigia no primeiro turno, mas até agora só Gai estava dormindo. O entusiasta da juventude roncava bastante alto, assim como tudo o mais que fazia na vida era alto.

"Kakashi, só quero que saiba que eu aprecio você e senti sua falta nos últimos dois meses", a médica disse calmamente.

O platinado riu e colocou o braço em volta de seus ombros confortavelmente. "Eu também senti sua falta, Sakura."

"Você percebe que esses sinais de afeto são mais indicativos de amizade do que de relacionamento entre um líder e seu subordinado", destacou.

"Prometo ser mais reservado no resto da missão, eu senti sua falta", Kakashi respondeu, falando perto do seu rosto.

Sakura fungou. "Você bebeu sake?"

"Claro que não, estamos em uma missão!"

"Deixe-me ver sua cantina", pediu. Entregou-a a contragosto para ela desatarraxar a tampa. Era difícil de detectar, mas tinha quase certeza de que havia álcool.

"Hm, você sabe, acho que essa é a cantina do Gai," defendeu-se, pegando o recipiente de volta e olhando de perto. Se o hiperativo jounin bebesse um pouco de álcool para manter seu entusiasmo inabalável, não ficaria surpresa.

Voltaram para o acampamento com o braço de Kakashi ainda ao redor dos ombros da médica, e esta percebeu que estava na mira de um olhar um tanto malvado de Anko. "Faça o que puder para manter Anko longe de mim", ele sussurrou em seu ouvido. "Ela está tentando me fazer reencenar cenas de Icha Icha há anos."

O drama provocou um ataque de risos em Sakura e uma expressão de mágoa fingida em seu sensei, ambos sob o olhar curioso Neji. Ela sussurrou de volta para Kakashi. "Mas eu não quero que um dos meus melhores amigos seja um solteirão para sempre. De que outra forma a titia Sakura brincará com seus adoráveis bebês de cabelo prateado?"

O braço em seus ombros caiu com uma rapidez surpreendente. "Você pode ser uma mulher muito assustadora às vezes, Sakura Haruno."

"Espere, Kakashi", chamou-o antes que se afastasse. Ela colocou a mão sobre o abdômen superior direito no local do fígado. Encontrou uma quantidade vestigial de álcool e purificou-as. "Certifique-se de beber do seu cantil da próxima vez."

"De que outra forma eu devo sobreviver um mês com ela?", sussurrou.

Sakura sacudiu a cabeça, percebendo que Kakashi não bebeu da cantina de Gai por engano – isto se a cantina fosse mesmo de Gai. Apesar de suas palavras, duvidou que a paquera de Anko fosse o fator instigante. A crescente pressão de ser o futuro Hokage deve estar afetando-o mais do que imaginava.

Havia uma razão para que Lady Tsunade bebesse como um peixe. No entanto, ele não tinha mais o seu Sharingan, então não podia se dar ao luxo de se prejudicar de seus movimentos com álcool. Decidiu que ficaria de olho em seu velho amigo, especialmente durante a viagem.

Foi até Neji e sentou-se ao seu lado enquanto ele estudava um mapa. Com seu Byakugan, sua visão noturna era certamente melhor que a da maioria. "Eu preciso te mostrar uma coisa", disse assim que a viu acomodar-se no chão.

"Há algo no mapa?" perguntou.

"Não", ele colocou a mão dentro de sua mochila e tirou algo embrulhado dentro de um pequeno pano, entregando para Sakura sem abrir.

Ela desdobrou o material de linho e olhou em choque para o lindo colar de ametista e jade. As cores combinavam com sua marca roxa em forma de diamante e com suas íris verdes. "Você tentou combinar as cores?", encontrou seus olhos, curiosa sobre o lindo colar.

Qual era o significado disso para ele? Parte dela esperava que fosse um gesto romântico. Sabia muito bem que o acordo deles era apenas um arranjo temporário, mas depois daquele encontro improvisado e do ocorrido no aniversário dele, uma parte dela desejava que o relacionamento fosse real. Preferia morrer queimada à fantasiar com um homem bonito, porém intocável, novamente. Não queria passar por toda essa decepção novamente, seu foco agora era ser a melhor kunoichi que pudesse ser. Não tinha tempo a perder com romances bobos.

O Hyuga pressionou os lábios, obviamente envergonhado com o que diria a seguir. "O colar pertenceu à minha mãe. Funcionava como um elo de conexão entre ela e meu pai". Distraidamente esfregou a testa, onde seu selo amaldiçoado costumava residir. "Basicamente, é como um contrato de convocação como o que você tem com suas lesmas," apontou para o sensei. "Ou Kakashi com seus cachorros ninja."

"Convoca a outra pessoa?", perguntou. Essa era uma joia muito valiosa e prática. O Raio Amarelo costumava usar kunais marcadas com esse propósito. Sua leve fantasia sobre o colar ser um gesto romântico foi frustrada pela praticidade dele. "Como o contrato é feito?"

"Cada um de nós coloca uma gota de sangue dentro dele. Se você estiver em perigo, eu posso estar ao seu lado em um instante", explicou. "Apenas duas pessoas podem ser ligadas uma à outra pelo colar."

"Isso pertencia aos seus pais?" questionou, tocada que ele estaria disposto a dar-lhe uma herança tão preciosa. "Eu não posso aceitar isso, Neji. É demais."

Neji pegou a mão de Sakura e fechou seu punho em torno do colar. "Para todas as intenções e propósitos, Sakura, você é minha noiva. Já estamos conectados formalmente. Eu quero ser capaz de tirar proveito dessa situação. Em vez de tentar descobrir maneiras de dissolver o vínculo, quero encontrar uma maneira de utilizá-lo. "

"Mas... mas pertenceu aos seus pais."

"E eu quero que você o use", insistiu. "Por favor, Sakura. Você nunca esteve na casa do Daimyo. Enquanto o próprio Daimyo é um bom homem, meu tio me avisou do quão traiçoeira é a sua família. Se o filho do Daimyo se interessar por você, ele vai te tomar. O mesmo é válido para a filha do Daimyo em relação a mim mesmo". Ele se inclinou para mais perto. "Peço que continuemos nossa farsa para nosso benefício mútuo. Protegerei a sua honra e você protegerá a minha."

Isso fez mais sentido. Sakura assentiu.

Neji sorriu fracamente, e em seguida, puxou uma kunai da bainha da perna e espetou o polegar. Uma gota de sangue se formou e ele deixou cair sobre a pedra de ametista. Sakura ergueu a mão e ele repetiu o processo em seu polegar, vendo uma gota do seu próprio sangue cair sobre a jade e sentindo uma onda morna de energia tocá-la conforme o pacto era formado.

Neji pegou o colar do lenço de linho e colocou-o em volta do pescoço alvo. Sakura curou seu polegar e, com apenas um pensamento, o polegar de Neji também foi curado.

"Isso é mais forte do que eu imaginava", disse Neji, erguendo o polegar curado.

"Eu posso te curar remotamente", supôs. "Isso é bom", sorriu, excitação borbulhando dentro dela. "Quanto tempo dura o contrato?"

A mandíbula de Neji travou e ele se remexeu desconfortavelmente.

"Neji?" Sua mão curvou-se num punho. "Quanto tempo?"

"Normalmente, esse colar é reservado para casais. O vínculo dura até a morte", respondeu.

Sakura olhou para ele. Até a morte? "Você não pensou em dizer isso antes?", o falso namoro deles deveria acabar em menos de um ano! O que aconteceria então? Ficariam presos um ao outro mesmo quando ele se casasse com outra pessoa? Alguém mais apropriado?

"Seria tão ruim se o nosso namoro fosse mais do que apenas um artifício para o meu clã me deixar respirar?", o herdeiro perguntou baixinho.

O punho de Sakura voou para o seu rosto, mas ele segurou o pulso e gentilmente desviou o golpe.

"Apenas considere isso, Sakura. Porque, eu ficaria completamente satisfeito em ficar com você." Seus olhos pálidos e opacos procuraram o rosto ansiosamente.

Sakura olhou para ele, a raiva se esvaindo instantaneamente enquanto apertava o colar encantado contra seu peito distraidamente.

"Se vocês não se importam, alguns de nós estão tentando dormir", disse Anko, sua voz aguda em irritação. "Já é bastante difícil com a Besta Verde aqui roncando igual serra elétrica".

"É melhor eu voltar para o serviço de guarda", murmurou. Neji assentiu, mas não disse mais nada enquanto enrolava o mapa e colocava de volta em sua mochila.

Sakura foi para o lado de Kakashi para fazerem outra vistoria no entorno. "Você sabe, nem todo mundo tem ouvido tão excepcional quanto o meu", Kakashi começou, seus olhos analisando o horizonte e não olhando para ela. "É parte do meu contrato com os cães ninja. Mas Neji está certo. Se o filho do Daimyo se interessar por você, ele vai tê-la. Como shinobis, às vezes somos vistos como objetos de entretenimento para a nobreza menos honrosa. Um noivado – seja real ou falso – pode poupar muita dor e sofrimento. "

"É tão ruim assim, hein?", perguntou. Antes, estava animada com a tarefa no castelo do Daimyo, mas agora estava preocupada em ser tratada como um espetáculo e não honrada como a kunoichi que era.

"É pior", respondeu Kakashi, olhando para ela com seus olhos escuros ilegíveis. "Você pensou que eu estava bebendo pela pressão de me tornar o Hokage? Estou é temendo esta tarefa." Ele puxou a máscara. "Esta é geralmente a única barreira que me salva do interesse da nobreza entediada. Eu digo a eles que tenho uma doença altamente contagiosa, o que geralmente funciona." Ele olhou por cima do ombro para o acampamento. "Porém, isso não funciona com todo mundo."

"O grande fardo de ser bonito", brincou Sakura.

Kakashi deu de ombros e mudou de assunto. "O que acha do Sasuke? Ele está se adaptando à vida na aldeia? Você passou mais tempo com ele nos últimos tempos do que eu."

"Sasuke precisa de amigos. Ele esta aprendendo agora a se importar com as pessoas e se permitir ser cuidado. Claro que ainda tem uns traços de relutância, mas estou otimista."

"E o que ele pensa sobre o seu acordo com Hyuga?", perguntou, suas sobrancelhas prateadas arqueadas.

"Eles não suportam um ao outro. Há muitas semelhanças entre os dois. Mas acredito que possam ser grandes amigos, se apenas derem uma chance ao outro."

"Você tem que considerar que quando dois homens amam a mesma mulher, eles não vão ser amigos", disse Kakashi em um tom sério, sua expressão sombria.

Sakura não disse nada, enquanto as palavras de Kakashi a faziam pensar em sua amizade com Obito. Este último amava Rin, mas os sentimentos dela eram para Kakashi. Seus sentimentos não foram retornadas por Kakashi, mas isso não impediu uma ruptura de desenvolvimento entre os dois. Ela queria abraçar Kakashi e fazê-lo se sentir melhor, mas era uma ferida antiga que havia infeccionado ao longo dos anos. Ele ainda visitava o memorial dos dois com frequência.

"Eu vou tomar o lado sul", disse ela, antes de deixar sua presença para terminar seus deveres.

O colar em torno de sua garganta parecia quente e pesado.

Talvez devesse abrir sua mente para a possibilidade de um relacionamento real com Neji. Ele era inteligente, atencioso, honrado e bonito. E absolutamente fiel a Konoha.

µµµµµ

Neji olhou para os galhos mais baixos das árvores acima deles. Sabia que deveria se forçar a dormir, mas sua mente estava ocupada demais. Pensamentos complicados nunca mantiveram Gai acordado no meio da noite e ele estava com um pouco de inveja de seu ex-professor por esse motivo.

Anko estava de mau humor, mas Neji não ficou surpreso. Não sabia muito sobre a encantadora de serpentes, exceto que ela gostava de golpear o terror nos corações dos jovens que esperavam passar no Exame Chunin. E que ela estava sempre vestida para matar... Não que fosse seu tipo, mas obviamente notava sua escolha de roupas, com generosos decotes e seus braços e pernas bem tonificados.

Mas seria necessário um homem com um estômago forte para olhar além das cobras e vê-la por si mesma.

Tinha ficado aliviado por Sakura aceitar usar o colar, temia que ela fosse rejeitá-lo depois de saber do seu significado. E ainda mais, temia que o rejeitasse.

Ele prometeu que encontraria uma maneira de dissolver o namoro e agora estava claramente retrocedendo com sua palavra.

Fechando os olhos, fingiu dormir, e pensou nas várias mulheres em casa que poderiam ser matriarcas aceitáveis do clã Hyuga e voltou com opções bastante sombrias. Não queria se casar com uma prima de segundo ou terceiro grau. Sua antiga colega de time, infelizmente, não era adequada para o papel da matriarca. Devia admitir que mesmo que tivesse uma pequena queda por Tenten, ela não era adequada para a vida dentro do clã Hyuga. Eles eram amigos há anos e confiava nela, mas seu comportamento recente de ciúmes não tinha sido atraente. Ino certamente era bonita, mas eles não tinham nada em comum e ele não conseguia pensar em uma única conversa que pudessem ter compartilhado. Uma civil estava fora de questão. Sua parceira precisava ser uma shinobi, ela precisava entender os meandros da vida entre os ninjas.

Quanto mais pensava sobre isso, a escolha mais lógica continuava apontando para Sakura. Essa missão poderia ser essencial para consolidar o acordo deles. Não haveria interferência da parte de seu tio ou de Sasuke Uchiha.

Sentiu a aproximação dela antes de vê-la. Sakura gentilmente sacudiu seu ombro e ele abriu os olhos como se tivesse acabado de acordar. "Acorde, Neji", sussurrou. "Você e Gai têm o próximo relógio."

Neji se sentou e seus olhos vagaram até Gai, que ainda estava dormindo. "Eu cuido da patrulha sozinho", informou. Ele começou a se levantar, mas Sakura segurou sua mão.

"Tenha cuidado, Neji." Um sorriso tímido se espalhou por seus lábios. "E pensei bem em suas palavras e... E eu gostaria de tentar."

Ele assentiu, lutando contra o impulso ridículo de gritar 'Isso!' e aplaudir.

µµµµµ

"O que você está fazendo?" Hinata perguntou, sentando ao lado de Naruto em um banco sob uma das árvores grandes do pátio.

"Tentando estudar", respondeu, folheando várias páginas cobertas pela caligrafia limpa de Sakura. "Eu sei que não sou tão esperto, mas não tenho ideia do que ela está dizendo aqui. Em que língua está escrito?"

Ela olhou para as anotações e riu. "É a mesma língua que nós falamos. Você está na seção sobre a história do exame, estas são as datas de várias batalhas importantes ao longo dos últimos séculos."

"Como eu devo me lembrar de tudo isso?", perguntou com um gemido. Ele apoiou os cotovelos sobre o fichário e segurou a cabeça entre as mãos. "E eu ainda não pensei num presente para Sasuke e seu aniversário é em menos de uma semana!"

Hinata afagou as costas de Naruto com carinho. "Vai ficar tudo bem. Poderíamos pedir a Sai para ilustrar essas batalhas para você, isso pode fazer com que se lembre mais facilmente delas. No entanto, eu certamente recomendo que você foque nas leis shinobi. Qual é a regra número vinte e cinco?"

O Uzumaki fez pouco caso. "Um shinobi nunca deve mostrar suas lágrimas. Isso é papo furado! Hashirama sempre foi chorão e ele foi o maior shinobi de nossa aldeia."

"Regra número quatro?"

"Um shinobi deve sempre colocar sua missão em primeiro lugar", recitou. "Essa é ainda pior. Kakashi-sensei sempre nos disse para colocar os companheiros de equipe em primeiro lugar. Isso é o que o Canino Branco fez, a vila o ostracizou e isso levou ao seu suicídio", Naruto resmungou amargamente. "Além disso, a regra setenta e três cancela essa porque diz que um shinobi deve seguir as instruções de seu comandante. Aqueles que quebram as regras do mundo ninja são lixo, mas aqueles que abandonam seus companheiros são piores que lixo."

"Esse é um enigma interessante", concordou Hinata. Não é de se admirar que Naruto e Sakura fossem tão obcecados em salvar Sasuke. Perguntou-se o que sua própria professora, Kurenai, pensaria sobre as lições que Kakashi incutiu nas mentes impressionáveis de seus alunos. Foi algo que pareceu funcionar muito bem. A união do time sete foi a razão pela qual todos sobreviveram à última guerra, afinal de contas.

"Eu gosto da regra número trinta e dois. Um shinobi deve enxergar os motivos ocultos dentro dos motivos ocultos", disse Naruto. Ele sorriu, pegou o fichário de volta de Hinata e fechou-o. "Na minha primeira prova, eu passei pela primeira fase do exame sem estudar nadinha."

"Naruto, Sakura teve um grande trabalho para montar este guia de estudo. Eu sou uma das inspetoras na primeira parte do exame e recomendo que você continue estudando. A prova chega muito em breve."

"Eu realmente não preciso saber disso", resmungou. "Tenho meu próprio caminho ninja para seguir."

"Sim, mas você será o Hokage um dia", afirmou com confiança. "E precisa conhecer bem as regras, para que então possa mudá-las!"

"Como é que Sasuke já sabe de tudo isso? Eu estava estudando com ele mais cedo, mas ele já sabia de tudo!", reclamou.

"Ele tem o Sharingan, isso o ajuda a memorizar facilmente", explicou pacientemente. Ela passou os dedos pelos riscos da bochecha do namorado. "Mas você me tem."

"Eu tenho, não tenho?" Naruto sorriu e se inclinou para perto de Hinata, selando seus lábios contra os dela em um beijo faminto.

"Uhum", ouviram o som de uma garganta sendo limpa. Eles se viraram para ver Hanabi com os braços cruzados sobre o peito e o pé batendo impaciente no chão. "Se você não vai mais estudar, eu gostaria de pegar emprestado o fichário da Sakura. " E então, como se tivesse acabado de se lembrar dos bons modos, complementou. "Por favor."

Hinata deu um tapinha no lugar ao seu lado no banco. "Sente-se conosco, podemos estudar juntos".


Faltam exatamente 10 capítulos + 1 epílogo para acabar essa fanfic! Muitas águas ainda rolarão, mas estamos mais próximos do fim que do começo...

E olha, boa notícia: dia 29 desse mês é meu aniversário (foi em outubro, se você estiver lendo no futuro), mas quem vai ganhar o presente são vocês hahahaha Sabem aquela MadaSaku que eu tinha prometido? Pois então... agora já tenho data para começar a postagem!

E a viagem finalmente começou! Já adianto que é nessa viagem que acontecem uns dos melhores momentos NejiSaku!

ACHO que consigo postar o capítulo 15 nesse fim de semana, então me aguardem.