Escarlate: roupas de segunda mão
Capítulo 12
Vermelho
Precisou fechar os olhos por um momento após vê-la virar a taça de vinho. Ainda lembrava de como a pele sardenta sentia contra seus lábios, e a vontade de descobrir se a boca tinha o mesmo gosto o deixava sem a capacidade de pensar. Escutá-la daquele jeito o deixava sem a capacidade de funcionar.
Quando que ouvi-la sem a bruxa pronunciar qualquer palavra se tornara tão natural? Não estava nem mesmo tentando, ao contrário, precisava forçar a voz dela para fora de sua cabeça. Mas mesmo se concentrando no quanto estava atrasado com o jantar, era a vontade de Ginevra desejando beijá-lo a única coisa que dominava seus pensamentos.
Zabini nunca batia na merda da porta, e um dia o moreno ainda veria mais do que o necessário. Ao escutar o melhor amigo praticamente arregaçar sua maçaneta, a esposa consertando o estrago logo atrás, Draco pensou que, pela primeira vez na vida, aquele casal de sonserinos chegava na hora certa. Mais um segundo a sós e não haveria mais janta alguma.
"Oh Merlin, temos visita!" Foi só quando escutou o tom usado pelo outro bruxo que lembrou o quão errado aquela noite poderia acabar. Por que seus únicos amigos não poderiam ser normais, ao invés de dois insanos sem freios nas línguas? "Que adorável, nosso garoto vai finalmente nos apresentar a namoradinha, Pan!"
Como esperava ao escuta-la parar de pensar, viu o rosto de Ginevra ficar quase da cor de suas sardas. Mas nem a provocação de Blaise, nem a cor tomate que via na bochecha que acabara de beijar, muito menos o olhar que ganhou de Parkinson o fez tirar a mão da cintura da ruiva. Ele nem mesmo havia beijado aquela maldita e já orbitava ao redor dela, o tempo passando tão devagar toda vez que se pegava olhando para aqueles olhos castanhos.
"Você sempre foi assim insuportável?" Olhar para qualquer outra coisa lhe tomou alguns segundos.
Mal reparou no moreno já ao lado dos dois, um sorriso claramente provocador antes de envolver Ginevra num abraço. Ela realmente estava xingando mais do que quando a conhecera - e ele estava fazendo outra vez. Precisava descobri o motivo daquilo ser tão automático.
Merda, iria acabar com qualquer coisa que poderia haver entre os dois antes mesmo de começarem. Respirou fundo, passando uma mão nervosa pelos cabelos.
"Espero que esse trouxa esteja te tratando bem, irmãzinha." Ou talvez os Zabini fariam aquilo antes de Draco conseguir foder qualquer tipo de algo a mais.
"Peça o serviço completo," Finalmente escutou a voz de Pansy - onde estava com a cabeça ao falar para a ruiva ficar? "As avaliações são realmente ótimas, se é que você ainda não sabe - Hogwarts inteiro sabia."
Mas Ginevra não parecia mais tão nervosa. Pelo contrário, quando seus olhos voltaram a se encontrar, soube que a bruxa estava se divertindo com o aparente deboche dos dois. Porque eles faziam Draco ser muito mais normal do que ela imaginava, muito mais atingível - por que estava tão difícil parar com aquilo hoje? Álcool, eles precisavam de álcool, ele precisava de mais álcool.
"Essa realmente merece uma das suas respostas atravessadas," Veio de Blaise, que já tirava um copo de uma das cabines. "Não perca a próxima oportunidade, Escarlate. Agora, cadê a comida?" Ele servia-se de whisky, enquanto Pansy fuçava no que Draco tinha parado de preparar.
"Eu disse que seria melhor a gente trazer alguma coisa."
Vendo que a ruiva estava confortável o suficiente entre os dois, voltou para frente da panela, fogo aceso. Colocou na boca mais uma taça de vinho que seria para o risoto, sentindo-se um pouco mais relaxado e ridículo por ser dos quatro, justo quem mais precisava beber.
"Traz vinho e esquece a boca da próxima vez, querida."
Escutou a sonserina puxar o ar, fingindo estar ofendida, e quase tremeu ao ouvir o apelido que mais detestava na vida.
"Draquinho, como você se atreve?" De canto de olho, viu a amiga falar para Ginevra. "Ele costumava ser muito mais dócil."
"Nos seus sonhos?" respondeu.
"Antes dele nascer?" E Zabini respondeu logo atrás.
"Bem, eu iria trazer um doce, mas não sabia se a sua neurose já havia passado." A informação prendera a atenção de Ginevra automaticamente, fazendo Draco fuzilar a bruxa com os olhos. "Vou pegar o vinho."
Pansy sumiu com um pop.
"Sinto muito, mas acho que minha esposa vai deixar alguns dos seus segredinhos escapar durante o jantar." Já morria de arrependimento, tentando imaginar tudo mais que os dois poderiam falar que faria Ginevra querer correr porta afora - ou pior, que criariam ainda mais perguntas em sua mente. "Pansy e sua maravilhosa boca grande, você conhece bem. Bem, não tão bem quanto eu." Ainda de canto de olho, viu o amigo sanar a curiosidade da bruxa. "Bem, acho que você já deve saber da fama de nosso amigo. Há dois anos atrás ele comeu uma trufa envenenada," Estavam em janeiro, e poderia azara-lo até ano que vem. "E depois dessa informação, eu também vou buscar o vinho."
E estavam novamente a sós, ao menos por alguns minutos. As duas doses de vinho já no estômago apenas piorou sua maldita mania: Ginevra queria saber por que diabos ele tinha comido algo envenenado, que relação aquilo tinha com o açúcar, e havia um aperto no peito - dela e dele - ao pensar em todas as possibilidades.
"O açúcar mascara o gosto de alguns venenos." respondeu o que podia falar sem entrar em detalhes. E sim, ele comia tudo que ela lhe dava, porque confiava na bruxa como nunca confiara em ninguém em toda a vida. Nunca nem mesmo considerou que algo que ela oferecia fosse-lhe fazer mal, e quase respondeu em voz alta a pergunta nunca vocalizada.
Quando virou-se, a ver sentada na bancada de justo sua cozinha lhe deu outra vez o calor que andava adorando sentir ao olha-la com suas coisas, em suas coisas, na sua vida. Foi automático parar entre aquelas pernas, automático colocar os fios ruivos atrás da orelha, como se os dois fizessem isso por anos, e não pela primeira vez na vida.
"Tem certeza que me quer pra janta?" E outra vez, a vontade de beija-la que quase o deixava sem a capacidade de pensar. E outra vez, aquele sendo o maior pedido vindo dela.
"Eu te quero para todas as refeições." Sem qualquer capacidade, visto sua primeira resposta, que fez questão de corrigir após vê-la abrir a boca. "Sim, eu quero a sua presença na janta, se você estiver confortável em ficar."
Sabia que ela ficaria pelo sorriso que deu, pelo jeito como sua mão gelada tocou seu braço, a tatuagem já perfeitamente cicatrizada graças a todos os cuidados que recebera durante a última semana.
O beijo que tanto queria dar significaria a mesma coisa para a bruxa? Porque Draco não conseguia nem mesmo pensar em ficar com qualquer outra desde sexta passada, não considerava nenhuma mulher além dela desde a noite em que ficara tão, tão vulnerável. Ela tinha ideia do quanto o bruxo tinha se aberto, do quanto era difícil, e do quanto doía, tudo que falara, tudo que mostrara naquela noite? Tinha ideia de que nem mesmo sua mãe algum dia o vira assim?
O roçar dos lábios veio no momento em que Draco fechara os olhos, e acabou tão rápido quanto começou, um pop outra vez ecoando na sala. Sua pele queimava, e seu corpo não cumpria o prometido de minutos atrás por puro ciúme: não queria compartilhar com ninguém nenhum dos gemidos que sabia que a ruiva daria. Ele estava tão apaixonado.
Ele estava tão, tão fodido.
"Linda saia," Pansy começou, colocando uma garrafa de vinho entre os dois, Zabini segurando mais uma. "O bom gosto do colégio continua na vida adulta."
"Mudar de roupa é mais fácil do que nascer de novo." Touchè - e tanto ele quanto Blaise riram, Pansy mostrando o menor dos sorrisos.
"Ela fala!" Sabia que a morena continuaria com as provocações até o marido resolver para-la - e esperava que tal acontecesse antes que Ginevra perdesse a paciência e desse uma resposta realmente atravessada. "Draco, prefiro essa do que a corvinal que você trouxe da última vez!"
Filha da mãe.
"Pansy, por que você não-"
"Eu já disse que não chupo pequenos objetos." Silêncio. "Foi demais?" E então, viu Ginevra tampar a boca para evitar gargalhar alto - a risada ecoava em sua mente. Como sempre acontecia - e ele ainda precisava descobrir porque - não conseguiu não sorrir ao ver a bruxa feliz, por mais que pensasse que ainda lhe mostraria bem o dito pequeno objeto.
Zabini finalmente interviu.
"Ok babe, acho que já podemos parar." disse, puxando a morena para seus braços, Draco notando somente agora que seu direito ainda envolvia a cintura da ruiva. "Ela ainda não saiu correndo, mas existe um limite entre tolerância e insanidade que é melhor não testar."
"Vocês são dois idiotas." Afastou-se a contragosto, lembrando-se que deveria escolher entre continuar a janta ou achar algum restaurante decente que tivesse delivery. "E você merece a garrafa inteira por aturar isso." Colocou o vinho ainda fechado nas mãos de Ginevra e voltou a atenção para o que estava na panela.
Era tão irritantemente bom escutar os três conversando como se fossem velhos amigos enquanto mexia o risoto.
"Bem, a economia está uma merda, as abelhas estão morrendo e filmes ou são remakes ou são ainda mais uma continuação." Zabini falava, terminando mais uma taça de vinho. "Agora que cobrimos praticamente todos os tópicos importantes, me conta uma coisa," O moreno virou-se para Ginevra, uma expressão séria no rosto. "Por que o seu irmão descontinuou a linha de orelhas extensíveis?"
Incrivelmente, a janta começou e acabou sem mais qualquer arrependimento, o casal de amigos se comportando bem demais. Pansy havia até mesmo sido agradável - e isso era definitivamente bizarro.
"Acho que não posso exatamente responder isso." ouviu Ginevra falar, encostando as costas no sofá, em nada incomodada pelo braço novamente em sua cintura. Pelo contrário, ela se posicionava de um jeito que os dedos achavam exatamente o ponto descoberto entre sua cintura e o começo do top.
"Ah, alguém reclamou." Blaise olhou para a esposa. "Tem alguma história suja aí."
"Consigo descobrir o que houve em dois dias." Pansy respondeu, ganhando um olhar surpreso da ruiva.
"E eu faço seu irmão voltar com a produção em três," o bruxo completou. "Diga para Jorge falar comigo, se ele quiser."
"Gostava das orelhas, por mais que os feitiços de devaneio sejam muito melhores." E teve que conter a surpresa ao descobrir que Ginevra achava a mesma coisa. "Draco que o diga, não é mesmo, D?" Ao menos havia Parkinson para lhe infernizar e fazê-lo parar de pensar nos feitiços, a ruiva, e quando, onde, e quem faziam parte dos devaneios.
"Eles são ok." respondeu, percebendo olhos castanhos curiosos.
"Pareciam ser muito mais do que ok da última vez que te vi usando um." Merda, Parkinson. "Marilin não ficou muito ok depois que descobriu, claro." Engoliu seco, se perguntando-se por que a bruxa tinha a necessidade de lembra-lo justo da primeira noite daquele ano.
"Marilin, a Corvinal?" foi sua bruxa que perguntou, um sorriso brincalhão enquanto manchava os lábios com o vinho tinto.
"Marilin, a francesa." Nem mesmo sabia - ou lembrava - que a mulher que acordara ao seu lado não era britânica. "Não se preocupe, desde que você apareceu esse aí não consegue foder ninguém até o fim." E Ginevra quase engasgou com a bebida, as bochechas voltando para a cor escarlate.
"Parkinson-" Poderia queimar aquela bruxa.
"Babe, não precisamos mais tocar nos nomes das vadias do meu irmão."
E por um momento, Draco sentiu-se agradecido, e até mesmo deixou a ponta dos dedos acariciarem a pele sardenta. Ela gostava daquilo, gostava quando era tocada de uma forma delicada mas ao mesmo tempo possessiva. Ficaria feliz em saber o quão possessivo ele realmente era?
"O que nós precisamos tocar é no assunto que ele acha que eu vou ignorar." Quase não pegou a almofada arremessada contra sua cabeça. "Que merda é essa na tua cara, Draco?"
Ginevra havia sentido o quanto sua mão ficara gelada? Confiava em Blaise, não estariam ali se ele não confiasse nos dois bruxos. Mas a última coisa que precisava era discutir seu rosto, ou qualquer coisa relacionada a quão fodido ele estava. E ela queria tanto saber, até mais do que Zabini - mas que merda.
"Você deveria perguntar que merda é essa no braço dele." Pansy disse, apontando para o braço esquerdo, a tatuagem que ia até quase o começo da mão visível apesar da manga comprida.
"Vocês são o que, meus pais agora?"
"Não, caso contrário já estaríamos te azarando até a eternidade e vendo um jeito de tirar esse monte de-" E Zabini virou-se mais uma vez para a sua ruiva. "Quando que isso aconteceu?"
"Eu estou literalmente na sua frente."
"Sexta passada." E ela não hesitou em responder.
"E ele não quis ir para nenhum hospital, pelo que eu vejo. O que é isso?" O moreno levantou-se, examinando de perto os pontos trouxas que ainda estavam em seu supercílio. "Por que você não falou pra gente?" O bruxo estava puto, Draco nem mesmo precisava ouvi-lo para saber. "Quem foi?"
"Blaise, não."
Até o sétimo ano, não sabia o quanto bons amigos conseguiam se comunicar com apenas um olhar, uma palavra, uma entonação diferente. Zabini não insistiu mais na pergunta.
O que não queria dizer que o assunto havia acabado.
"Você não me procurou porque?" Por que acha que merece essa dor? Por que acha que merece essa merda na sua cara? Por que- E Blaise o cortou, sabendo que o sonserino escutava. "Cadê o colar?" E ali estava Zabini, o tratando como se realmente fosse seu irmão mais velho. Só notou o quanto seu corpo estava tensionado ao sentir algo quente em seus dedos frios. Ali estava sua ruiva outra vez abrindo sua mão, e outra vez Draco se perguntava o que havia feito de bom na vida para tê-la ao seu lado. "Sabe, eu não quero ouvir."
"É, eu também não." Agarrou a mão que segurava a sua, precisando se conter outra vez para não agarrar a bruxa. O cheiro de gengibre já estava por toda sua roupa, toda sua casa. "Ginevra já fez questão de me colocar o suficiente no lugar quando descobriu."
"Com razão. Eu não iria querer ficar com um idiota sem um pingo de autopreservação." Blaise Zabini havia segurando a noite inteira o quanto ficara puto ao ver o estado do amigo, e Draco sabia que se não houvessem as bruxas na sala, teria mais um roxo para a coleção. "Você sempre foi assim? Como sobreviveu até os 25?"
Daquela vez, foi Pansy quem interveio.
"Você sabe que eu poderia ter arrumado essa sua cara ridícula em segundos." ela disse, fazendo o marido outra vez sentar-se. "Todas as drogas que eu prescrevo são ou ilegais ou viciantes, do jeito que você gosta."
"Pansy é meio que uma medibruxa." respondeu, finalmente cometendo seu primeiro deslize - ao menos não era tão óbvio, ao menos poderia justificar sua resposta com a cara confusa de Ginevra.
"Eu não sou exatamente registrada, mas sei muito mais do que muito curandeiro por aí."
Viu o amigo estender a mão direita para a esposa, ainda com a mesma cara fechada.
"Babe, acho que é hora de irmos. Claramente ficamos muito mais do que Draco planejava." Mas os olhos escuros suavizaram quando voltaram para ele. "Foi uma ótima noite. Bem esclarecedora." Deu pra ver o quão de quatro você está. Filho da mãe.
"Nos convidem mais vezes."
"Zabinis, vocês podem pegar as suas opiniões e-"
O casal desapareceu com um pop antes que ele pudesse completar a frase.
Estava tão nervoso quanto sentiu-se em seu primeiro dia de Hogwarts. Ginevra notou, a mão que não esquentava mais saindo da cintura dela quando Draco resolveu que voltar a encher as taças vazias seria mais seguro. Provocar um hipogrifo seria mais seguro do que continuar ao lado dela, perder um braço talvez fosse melhor do que perder a cabeça como estava prestes a perder.
"Todos saíram." disse, coçando a barba que crescia desde o último sábado, os cortes que ainda curavam o fazendo parar de tentar usar a navalha. Ela gostava da barba, e se a ruiva pensasse o que acabara de ecoar em sua mente outra vez ele nunca mais se barbearia na vida.
Que merda estava fazendo, não conseguindo parar de escuta-la? Sua legilimência se mostrava outra vez completamente descontrolada, e que merda aquela bruxa estava fazendo para justo ele sentir tanto ao lado dela? Só percebeu agora não haver mais vinho na garrafa, deixando as taças na bancada enquanto jogava no lixo o vidro vazio.
"Todos saíram." ela repetiu, levantando-se do sofá e indo até a cozinha, organizando toda a bagunça que o bruxo ordenava manualmente com apenas um toque de sua varinha. Tinha até esquecido de como a vida com magia era prática, tendo novamente apenas ela para dar sua atenção.
Enquanto a olhava movimentar a mão, lembrrava-se da primeira noite que a ruiva invadiu seus pensamentos, e tudo que havia sentido apenas imaginando aquele toque.
"Você quer mais vinho?"
Virou-se, focando em ao menos não tentar arrancar a parte de cima do pouco que cobria aquelas sardas enquanto alcançava uma garrafa ainda fechada. Todas as chances. Queria dar todas as chances possíveis para Ginevra virar-se e ir embora. Porque assim que ela se rendesse, nunca mais a deixaria sair - mesmo se ela resolvesse ir embora.
Sempre soube que ela ignoraria todas e ficaria.
"Eu não preciso de mais vinho." escutou, ao mesmo tempo em que sentia mãos quentes acharem seu caminho por baixo de sua camiseta. "Eu não preciso de vinho nenhum."
O melhor dos vinhos não se comparava ao gosto que ela tinha na boca. Ginevra era doce e picante, e o gemido que soltou quando Draco deixou seu toque copiar o dela o fez mandar mais da metade de seu controle para o inferno. Aquele não era um beijo delicado como fora o primeiro roçar de lábios da noite, mas um no qual ela dizia exatamente o que precisava ao puxa-lo de leve pelo cabelo, a outra mão perigosamente perto de abrir seu zíper, o cinto já no chão.
Ela o queria, o queria tanto quanto ele parecia precisar dela. O suspiro rouco que escutou quando seus lábios desceram para as inúmeras sardas à mostra no colo branco o fez ver o quão perto estava de simplesmente levantar a saia verde e abaixar a calça, e o bruxo respirou fundo, o rosto afundando no pescoço, se embriagando no cheiro que aprendera a adorar desde ano passado.
Ginevra Weasley, uma Weasley, o fazia sentir vivo como há anos não sentia.
"Merda." deixou escapar, tentando pensar em outra coisa além do toque tímido que sentia em sua virilha. "Isso-"
"É muito melhor do que eu imaginava." Tirar as palavras de sua boca estava se tornando um hábito para ela.
"Eu te quero tanto que chega a doer." confessou, os lábios outra vez se achando. "O que você fez comigo, sua bruxa?"
E ali, contra a parede de sua sala, teve o beijo que procurou durante toda a vida, aquele que conseguiu o que nunca nenhum outro passou perto de fazer. Clichê, era tão clichê outra vez, mas sentia tudo parar enquanto lábios macios envolviam os dele, os dedos presos em seu cabelo possessivos e ao mesmo tempo delicados . Soltou um gemido cru quando a sentiu mexer os quadris, e ela lhe devolveu um igual quando puxada para mais perto. Poderia viver naquele momento para sempre.
Foi Ginevra quem tirou a primeira peça, o que o fez ter coragem o suficiente para puxar para baixo o tomara que caia, descobrindo todas as sardas que cobriam aqueles seios. Nunca foi tão íntimo sentir pele contra pele, nunca amou tanto a coragem grifinória. Enquanto sua mão esquerda ainda repousava entre os fios vermelhos e a parede, a direita se perdia debaixo da saia, do jeito que queria perder-se há tempos.
Era tão fácil saber do que Ginevra precisava, era tão fácil ler as expressões, era quase ensurdecedor tudo que escutava sem nem mesmo tentar. Ela era tão aberta, de uma forma tão, tão perigosa. Perder-se naqueles pensamentos era tão fácil, e Draco precisava ter um cuidado absurdo para ficar apenas na superfície enquanto seus dedos arrancavam os melhores suspiros que já ouvira.
A ruiva durou segundos sem apoiar-se nele. Sentiu-se orgulhoso ao escutar um gemido longo - tão melhor do que o de suas fantasias - preencher o apartamento. Teria a beijado em todas as partes se as mãos pequenas não estivessem usando seus ombros como apoio. A última coisa que considerava fazer agora era parar antes que sua bruxa perdesse completamente o equilíbrio.
O coração acelerou junto com o de Ginevra ao escutar a respiração cada vez mais rápida, o corpo dela indo ao encontro a sua mão. Tinha certeza de que nada em toda sua vida seria mais erótico do que o momento que dividiam. Nada conseguiria apagar a imagem de sua cabeça, nada conseguiria apagar os sons, tudo que saía de sua boca e de sua mente.
Unhas curtas cravaram em seus ombros ao mesmo tempo em que Ginevra contraía-se ao redor de seus dedos, e teve certeza de que nunca em sua vida desejou tanto algo como desejava a bruxa que chamava seu nome outra e outra vez.
"Poção?" Não sabia como conseguiu lembrar de tal detalhe com ela desabotoando sua calça, ele mesmo sentindo as pernas mais leves quando Ginevra o pegou nas mãos. "Feitiço?" tentou, ao vê-la fazer não para a primeira opção.
"Eu não sei nenhum pra isso." precisou segura-la para conseguir focar em algo que não fosse enterrar-se dentro dela. "Draco-" Por favor, por favor- Ouvi-la daquela forma era delicioso e ao mesmo tempo desesperador, e perguntou-se o quão verdadeiros eram os boatos sobre a fertilidade daquela família.
"Pernas na minha cintura." ordenou, agradecendo pela bruxa ainda estar vestindo a saia, por mais fino que fosse o tecido entre eles.
A caminhada para o quarto pareceu demorar uma eternidade, os lábios carnudos não colaborando para fazê-lo conseguir andar em linha reta. A deitou na cama, achando a embalagem fechada que Zabini com certeza lhe dera de brincadeira. Nunca ficou tão feliz pelas brincadeiras ridículas do amigo.
"Se você me chamar de trouxa-" advertiu, voltando para cima dela e mostrando o que tinha nas mãos. Como ele, Ginevra nunca ficara tão feliz em vê-lo segurando uma invenção não-bruxa.
O pacote plástico foi para o chão, os dois não se importando com as roupas que ainda vestiam. Ela precisar tê-lo tanto quanto ele precisava senti-la o deixava praticamente em seu limite, e Draco gastou o resto de sua sanidade quando finalmente a preencheu, a intimidade que tanto desejavam deixando ambos sem ar. Pegava fogo, o calor só aumentando ao olhar para a mulher embaixo dele.
Outra vez era Ginevra quem ditava as regras, contorcendo-se embaixo dele enquanto tentava o fazer ir mais rápido. Qualquer movimento já o deixava tão perto de acabar aquilo que fechar os olhos foi necessário, enterrando o rosto no pescoço da bruxa enquanto mexia-se tortuosamente devagar.
E mais rápido foi tudo que ouviu durante um minuto inteiro. Apertou o nariz ainda sensível contra o travesseiro, se obrigando a focar em qualquer coisa que não aquele monte de vermelho.
"Draco," não resistiu quando um par de mãos o forçou a olha-la, achando mais desejo do que imaginava naquele par de olhos castanhos. "Eu não quebro." As três palavras bastaram para ele atender ao pedido silencioso, a ruiva cumprindo mais uma vez a última parte da ameaça de mais cedo. Nunca seu nome soou tão bem.
Queria fazer aquilo durar para sempre, mas sabia que estaria no lucro se conseguisse aguentar mais de cinco minutos - ridículo, estava pior do que um adolescente. Perto, tão perto, mal conseguia se concentrar, os olhos cerrados por pura necessidade. Outra vez mãos fechavam-se em seus ombros, e Draco deixou-se enfim encontrar a expressão que queria ver todos os dias no rosto da bruxa. O nome dela foi dito como uma adoração segundos depois.
Era assustador o quanto era bom deitar naqueles braços. O quanto seus lábios procuravam os dela, o jeito que ela retribuía cada toque.
"Isso foi melhor do que qualquer devaneio." A voz veio rouca, o bruxo novamente encostando a testa na dela. Ginevra retribuiu mexendo os quadris de um jeito que devolveu todo seu desejo. Maldito modo trouxa de fazer as coisas que o obrigava a afastar-se dela.
Já tinha mais uma camisinha na mão e estava prestes a livrar-se do jeans quando ouviu algo batendo contra sua janela. Subir a calça foi automático, abrindo o vidro enquanto se perguntava quem mandaria uma carta aquela hora.
"Merda de ave." Mas não era seu nome o escrito no envelope. "É pra você."
Voltou para cama, entregando a carta para sua sardenta e finalmente achando o zíper da saia verde. Estava a cumprir a ameaça de mais cedo, a boca mordiscando um dos seios, quando notou que o tremor que sentia não era causado pelas suas ações.
A bruxa estava mais pálida do que ele.
"O que houve?" A carta foi posta sobre o lençol, Ginevra levantando-se sem nenhuma palavra. "Você está tremendo, me fala o que houve." Não conseguia ler mais nada a não ser nervosismo, ela respirando fundo antes de cobrir novamente os seios e prender os cabelos longos num coque bagunçado.
"Meu pai está no hospital." escutou-a dizer já totalmente vestida. "Não fala mais nada aqui," Merda. "Desculpa, eu preciso-" Levantou-se, segurando-a pelo pulso.
"Você não vai aparatar assim." Ela era insana em pensar em fazer tal coisa no estado em que estava?
"Draco, é meu pai-"
"Me dá um minuto." E ele abriu o armário, cobrindo-se com uma camisa e um casaco enquanto pegava o de couro que era o favorito dela. "Coloca." Não esperou consentimento antes de envolve-la com a jaqueta, fechando os olhos e respirando fundo.
Ele conseguia fazer aquilo. Treinara um verão inteiro sem sua varinha, perdera a conta de quantas vezes-
"Segura minha mão e limpa a mente." Demorou para ela entender o que estava prestes a acontecer. "Agora, Ginevra. Quem vai fazer isso sou eu."
Para alguém que não aparatava fazia meses - anos, daquele jeito -, Draco fizera um ótimo trabalho em fazê-los chegarem inteiros na ruela há uma quadra do St. Mungos.
"O hospital é a sua direita." Dizer que os olhos de Ginevra mostravam surpresa era suavizar demais aquela expressão. "Vai."
E a bruxa fechou a boca e virou-se, Draco fazendo o mesmo, pensando em quantas quadras teria que andar até chegar de volta em seu apartamento. Desejou ter pensado um pouco mais e não ter esquecido sua carteira ao ver os flocos de neve caindo, e estava pronto para começar sua longa caminhada quando sentiu uma mão agarra-lo pela jaqueta.
Ele nunca mais se esqueceria daquele toque, e assim que virou-se, foi puxado para um beijo que demonstrava ainda mais sentimento do que minutos atrás.
"Obrigada." Ginevra tinha lágrimas nos olhos, e por um momento, tudo que Draco mais queria era acompanha-la hospital adentro. "Obrigada, obrigada."
Segundos depois, quando a bruxa enfim seguiu na direção de onde estava o pai, Draco soltou a respiração que inconscientemente segurava.
Ele estava apaixonado por aquela sardenta. Por uma Weasley. Pela sua Escarlate.
Estava tão, tão fodido.
Merda.
Nota da autora: Preciso dizer que depois desse capítulo eu realmente quero saber a opinião de vocês? Gente, acho que chegamos na metade, iei! E vão ter mais algumas cenas como a que tiveram aqui nos próximos, que eu espero estar escrevendo de uma forma ok. Please, opiniões! Hahaha
E tenho mais uma fic em andamento, voltando pra época de Hogwarts - quem lê?
Vamos ter uma discussão Pansy-Gina bem mais pra frente, também. Ou ao menos isso está nos meus planos.
Bom fds e um beijo,
Ania.
