NO PALCO DAS TRAPAÇAS, NEM SEMPRE O QUE SE RECEBE SÃO APLAUSOS.

Na manhã do dia do casamento, Santana e Britanny se dirigem á casa dos Andersons, com o objetivo claro de alertar Don Leonard das trapaças descobertas na calada da noite anterior. Encontrando o senhor Leonard na entrada principal da casa, as duas o cumprimentam prontamente.

"Que quereis de mim, caras senhoras? Deve ser importante, para se deslocarem até aqui justamente hoje!" falou Don Leonard intrigado.

Santana, cumprimentando don Leonard com um leve aceno da cabeça, responde prontamente "Ora, senhor, desejava ter uma confidência convosco, que vos afeta diretamente", o que é reafirmado com o olhar sério que ela e Britanny dividem.

Sentindo que algo não estava certo na presente situação, don Leonard aponta para a sala, convidando-as a entrar "Então sede breve, por favor; porque, como podem ver, tenho muito o que fazer para o dia de hoje."

Britanny, prontamente responde, não querendo atrapalhar os preparativos do acontecimento e ao mesmo tempo alertando o senhor dos sérios acontecimentos. "Não queremos tomar o seu tempo demasiadamente..." o que Santana completou " Não queremos atrapalhar, muito pelo contrário. Queremos alertá-lo do que descobrimos, senhor."

Cada vez mais confuso e preocupado com a situação, don Leonard pergunta mais uma vez sobre o que as senhoras desejam "O que é que há de tão sério, minhas caras amigas? Desejaria saber o que tendes a me dizer."

Tornando-se séria, Brittany responde " Ora, senhor Leonard, nossos guardas desta noite, prenderam um par de bandidos falastrões, como só em Messina se encontram, falando alto próximo aos seus portões ontem a noite."

Não entendendo o motivo de as duas comandantes acharem tão importante, virem, num dia tão importante em que ele estaria altamente atarefado e preocupado com outras importantes questões, e o porque de tanto barulho só por dois baderneiros bêbados da madrugada, Dom Leonard, tenta se desvencilhar das duas educadamente. "Senhoras., me desculpem, mas preciso me retirar..." mas antes que terminasse sua frase, Santana fala "Uma palavra, senhor. Os nossos homens da guarda, encontraram e apreenderam hoje duas pessoas auspiciosas e eu desejava que esta manhã elas fossem examinadas diante de Vossa Senhoria".

Não querendo parecer ingrato, muito menos desprezar a preocupação das duas comendantes, mas preocupado com o tempo passando e os preparativos para o casamento se acumulando, don Leonard responde diretamente á Santana "Confio plenamente nas senhoras. Incumbi-vos vós desse exame e trazei-me o relatório. Estou com muita pressa, como já deveis ter percebido."

Aceitando a confiança e a incumbência a elas dada, Santana e Brittany cumprimentam dom Leonard, curvando-se ao senhor, e se retiram. Enquanto don Leonard segue a saída das duas comandantes com o olhar, um jovem empregado da casa, se aproxima "Milorde, estão à vossa espera para apresentardes vosso filho ao noivo.", o que o senhor responde prontamente "Não demoro; já estou pronto. Vamos!"

Já nos portões da residência Andersons, Santana se vira para Brittany e ordena "Ide logo, cara Brittany, vá até o escrivão e lhe diga que vá urgentemente à cadeia com pena e tinta. Teremos de examinar aqueles indivíduos, e deixar tudo documentado."

Aceitando as ordens, Brittany responde seriamente "Sendo preciso que o façamos com sabedoria, pois certamente don Leonard irá querer saber do que se trata." Concordando com amiga, Santana diz "Inteligência é que não nos há de faltar, é só o que eu vos digo. Não admito trapaças contra pessoas inocentes como o jovem Anderson... Vamos... temos que ser duros e responsáveis com esses falastrões!"

Santana e Brittany se separam e dirigem-se cada uma, ao seu objetivo. Brittany vai procurar o escrivão para documentar o que os trapaceiros tinham a dizer, enquanto Santana ruma diretamente á delegacia.

Algum tempo depois, quando o escrivão e Brittany já se encontravam na delegacia, Comandante Santana ordena aos guardas do turno, que trouxessem os dois bandidos falastrões á sala de depoimento.

Chegando a sala, Karovsky e Hunter, demonstram tamanho nervosismo que Brittany precisa segurar a risada que teima em querer aparecer. Os dois homens não tem coragem de olhar diretamente nos olhos das oficiais, e mantém suas cabeças baixas o tempo todo.

Sentindo que a situação estava se tornando cada vez mais séria, e reconhecendo os sinais que os dois rapazes demonstravam, Santana ordena á Britanny, "Como é necessário conhecer totalmente o caso em questão, sem falso testemunho nem conversas combinadas... Comandante Brittany, leve o caro senhor Karovsky novamente para a cela que iniciarei a fase dos depoimentos primeiramente com o senhor Hunter."

Hunter, surpreso pela ação da oficial, levanta a cabeça repentinamente e olha fixamente para o companheiro Karovsky visivelmente nervoso.

Assim que Brittany se retira com guiando Karovsky á cela, acompanhada de mais dois oficiais, Santana limpa a garganta e fala diretamente á Hunter. "Vamos lá, vamos esclarecer o que está para ser realizado aqui. O senhor está sob minha jurisdição, logo, se me conhece bem sabe que não sou de brincadeiras. Não gosto de trapaças, muito menos contra pessoas inocentes e ingênuas." Hunter, engole seco e prende a respiração sem perceber. Ele sente que está realmente em apuros pelo que falou, e principalmente pelo que ajudou á fazer contra a família Anderson e, principalmente, ao jovem Blaine.

"Senhor escrivão. Tudo pronto para iniciar a tomada do depoimento deste senhor?" perguntou Santana ao escrivão Schuster, que assinalou prontamente que estava atento a tudo.

Santana continuou, "... então, com o poder a mim investido, quero avisar ao depoente que não será admitido desrespeito de nenhum tipo. Tudo que o senhor revelar aqui será documentado, para depois ser averiguado e passado às partes envolvidas. Por esse motivo, pense bem no que pretende falar e fazer. Recomendo que não se utilize de subterfúgios nem falsas afirmações, será melhor para você."

Sentindo cada vez mais em seus ombros, o peso de suas más ações, Hunter vai se encolhendo em si mesmo, e perdendo o ar arrogante que ainda trazia no rosto. Sinalizando que tinha ouvido, e principalmente, entendido tudo que a oficial Santana tinha lhe falado, Hunter responde "Sim senhora. Compreendo e me comprometo em dizer a verdade, somente a verdade."

Santana, iniciando a interrogatório, senta á mesa em frente á Hunter e convida-o à posicionar-se na cadeira oposta. Os guardas que se encontravam ao lado de Hunter, o levam até a cadeira e fazem-no sentar, não muito delicadamente.

Santana, sinalizando ao escrivão que iria iniciar o interrogatório, começa com o discurso de praxe " Bom, hoje dia 20 de junho de 1602, estamos na presença do senhor Hunter Clarington que foi detido em flagrante por distúrbio da ordem, sendo averiguado posteriormente, seu envolvimento em possíveis crimes à honra de terceiros. Estou correta?" perguntou ao homem que se encontrava á sua frente, de cabeça baixa e calado. Por sua vez, Hunter, respondeu com a voz baixa e sem olhar para a oficial. "sim senhora!."

"Prefiro que fale mais alto e olhando para mim. Não creio que alguém que estava á esbravejar e vangloriar-se em alto e bom tom ontem a noite seja tão tímido agora." Disse Santana de modo sarcástico.

Hunter por sua vez, respirou fundo, endireitou a coluna e levantou a cabeça respondendo com a voz seca "Sim senhora.", atitude que ganhou uma levantada de sombrancelha e um sorriso malicioso da oficial, que se encostou na cadeira e cruzou as mãos sobre a mesa.

"Conte-nos sobre o que o senhor conversava ontem a noite, no pátio próximo à residência dos Andersons, que fez com que os senhores fossem trazidos á minha presença." Disse Santana.

Preparando-se para o que estava prester a revelar, Hunter respirou fundo, e respondeu da maneira mais direta que conseguia imaginar, para tentar não se prejudicar tanto e talvez, não comprometer Don Sebastian "Como já disse, minha senhora, Eu e Karovsky estávamos saindo de uma celebração na casa dos Andersons... Nós dois havíamos bebido um pouco mais do que deveríamos, e por isso estávamos falando alto... Talvez seja por isso que acabamos causando um distúrbio não desejado..." mas antes que Hunter se prolongasse na sua explanação sem sentido, Santana deu um murro na mesa, calando o homem na hora. "Você, sinceramente, acredita que irá me enganar com essa sua conversa desconexa? Não se lembra que eu fui uma das duas oficiais que ouviram exatamente sobre o que você e seu amigo conversavam? Pois acho bom que repense sua atitude e comece a contar a verdade para que seja documentada de maneira correta." Santana se inclinou na mesa, aproximando-se de Hunter e olhando duramente e diretamente nos olhos do rapaz, e com um tom quase mortal na voz "E fique o senhor sabendo, que não admito que tentem me enganar nem me fazer de palhaça. Com isso dito; conte-me EXATAMENTE sobre o que os senhores conversavam ontem á noite!"

Percebendo que não havia escapatória, e que a oficial falava sério quando dizia que não admitia ser feita de boba; mesmo porque, a fama de durona da oficial era conhecida por todas as regiões próximas. Hunter engoliu o pouco orgulho que lhe sobrava, engoliu em seco e começou a relatar a noite passada com tantos detalhes quanto era possível:

"Como eu falei anteriormente, eu e Karovsky tínhamos apenas saído das festividades na casa dos Andersons, e tínhamos bebido um pouco demais... "sentindo que a oficial já ia perder a paciência com ele, ele rapidamente continuou, "mas a questão não é essa, eu sei... Quando percebi, ou melhor, achei que estávamos sozinhos, resolvi contar ao Karovsky o que teria acontecido, momentos antes dentro dos muros de Dalton. Como a senhora sabe, meu senhor, Don Sebastian, não tem um bom relacionamento com seu irmão Don David e consequentemente, tem suas diferenças com seus protegidos, principalmente com o jovem Kurt..." Santana assinala sim com a cabeça e acena para ele continuar.

"... então, começando pela festa em homenagem á don David oferecida pelo senhor Leonard Anderson, e seguido pelo constatação do romance entre os jovens Blaine e Kurt, e posteriormente anúncio do noivado dos dois, meu senhor foi tomado de sentimentos mesquinhos como inveja e ciúmes da atenção dada ao próprio irmão, e pior ainda, ao protegido dele, me questionou se haveria um modo de fazer com que o jovem Kurt visse seu futuro destruído e a honra de Don David manchada de alguma maneira... e eu, querendo manter-me em suas boas graças, já que tenha Don Sebastian como meu senhor, ou melhor, tinha, resolvi ajuda-lo. E foi isso que a senhora e os outros guardas ouviram-me confidenciar ao Karovsky... "

A oficial, com um olhar severo, comanda que Hunter descreve exatamente o que ele planejou e realizou para satisfazer os desejos de Don Sebastian. Hunter obedeceu sem questionar.