Addis Abeba, Aeroporto

Após a festa, descansamos algumas horas e viemos para o aeroporto. Ikki iria me esperar na África do Sul, junto com Shaka. O avião deles partiria antes do meu.

- Shun, cuide-se.

- Logo estarei com vocês. Aqui estão as chaves do apartamento. Façam uma boa viagem.

- Obrigado.

E então Ikki e Shaka embarcaram, tratei de ficar próximo ao meu guichê de embarque, após o avião decolar. Estou parado olhando para a pista, até que...

- Shun! - Era June, a minha June... ela corria em minha direção e quando ficou mais próxima abriu seus braços até me abraçar.

- June. - A abracei.

- Ainda bem que você ainda não foi. - Disse ainda abraçada. - Queria te ver antes de embarcar.

- Está tudo bem, meu amor. Que bom que ainda temos esse tempinho... - A abracei mais forte. - Mas logo estaremos na África do Sul. Ikki já está indo para lá. Eu só vou resolver as coisas pela Somália e fico te esperando. - Nos beijamos e ficamos ali por mais alguns instantes, até o portão de embarque abrir. - Te amo! - Gritei antes de ultrapassar o portão.

- Te amo também! - Ela me gritou sorrindo.

Hora de voltar a trabalhar... depois de percorrer meu trajeto, tratei de procurar Algethi com quem falei quando estive na Somália. Fomos até a Corporação Solo para retratar o momento pós queda dos negócios do ex-noivo de June. Com os depoimentos de Algethi e de outros empregados, as empresas Solo estão em processo ao ressarcimento de danos aos que trabalhavam ali e com a morte do herdeiro, os prováveis acionistas e candidatos a presidente da empresa fechariam as portas no continente africano afim de reerguer a imagem da empresa, indenizando justamente os que trabalharam ali. Fiquei durante dois dias e retornei à Africa do Sul. Ikki me aguardava e June estaria prestes a chegar. Depois de almoçar com Ikki, retornei ao escritório.

- Vejo que não precisam mais de mim... Acho que voltarei para a Etiópia... - Adentrei de modo irônico.

- Shun! - Kamus e Shaka responderam ao mesmo tempo.

- Como estão?

- Com muito trabalho, mon ami... E sentindo sua falta.

- Obrigado. Vou avisar ao Saga que já cheguei e com a matéria redigida. Logo conversamos.

Disquei para o chefe, já que ele me pediu tal tarefa.

- Alô, Saga?

- Olá, Shun.

- Estou ligando para avisar da minha chegada aqui na África do Sul.

- Certo. Você tem a matéria redigida?

- Mandarei para o seu e-mail assim que desligar.

- Aproveito para te pedir que a faça para a internet também.

- Sem problemas. Lhe enviarei mais tarde.

- Perfeito. Bom retorno.

- Obrigado. - Desliguei.

- E então Shun, como andam as coisas com a sua namorada? - Kamus perguntou.

- Estamos muito bem. O pai dela me recebeu muito bem...

- Já a sogra dele é uma pedra carrancuda. Não fala e está sempre de cara amarrada. - Shaka riu.

- Espero que ela não lhe cause problemas. - Kamus se preocupou.

- Não. A mãe dela é estranha mas não é de causar problema... Mas o melhor é que June está para chegar. Vai tentar conseguir trabalhar como modelo por aqui.

- Certamente conseguirá algo. Fico feliz por você.

- Só falta você se arranjar meu caro pingüim... - Shaka alfinetou Kamus.

- Você me alfinetou. Touché! - Kamus admitiu. - Mas, não tenho a pretensão de me casar ou de ter alguma namorada.

- E do que vive e do que viverá, ó Cubo de Gelo?

- Das coisas boas, dos momentos bons, aqueles de tirar o fôlego... Se estou solteiro, não significa que estou sozinho. Compromisso exige muito. Não quero alguém me dizer o que devo fazer e como fazer.

- Você é um Charlie Harper mais refinado...

- Sou bem diferente dele.

- Você é chegadinho num whisky, tem jeito de não precisar de esforço para chegar numa mulher e tem fobia de compromisso...

- O Shaka te deixou sem saida Kamus. - Provoquei.

- Xeque-mate! - E nós três caímos na risada.


Sexta-feira
Cidade do Cabo - aeroporto

Chegou o dia em que June viria para ficar comigo. Estava a espera dela e Ikki veio junto. Ansioso, eu andava de um lado para o outro.

- Calma! Daqui um pouco vai abrir um buraco! - Ikki riu. - Logo ela estará aqui...

- Mesmo estando namorando com ela, já me bate a ansiedade por vê-la...

- Só você mesmo, Shun...

- Já estão anunciando nos visores que o avião está pousando e o desembarque será no portão 5. - Caminhei, mas percebi que meu irmão estava, digamos devagar. - Ikki, vamos! - Acenando-me negativamente com a cabeça, levantou-se e seguiu comigo até a saída do portão de desembarque.

Aproximadamente 10 minutos depois, June chegava, vestida de forma discreta com uma blusa rosa, calça jeans e uma boina azul. Provavelmente para não chamar muito a atenção dos pais ou de algum paparazzi.

- Shun! - Correu até mim ao me avistar.

- June! - Abracei-a forte.

- Esses dois... - Ikki ria. - Que melação!

- Fez uma boa viagem? - Perguntei, antes de ser beijado. - Pelo beijo, isso não importa.

- Estava com saudades!

- Mas mal começaram a namorar. - Ikki alfinetou.

- Parece que são anos... Do jeito que a gente se completa. - Disse June, sorrindo.

- Sabe o que é June?

- Diga, sou toda ouvidos, meu amor.

- O Ikki está precisando de uma namorada. - Provoquei-o.

- Não diga asneiras, maninho. - Ikki resmungou.

- Você não tem nenhuma amiga pra apresentar ao Ikki?

- Vamos logo! Você tem de trabalhar. - Ikki saiu andando para desviar do assunto. Eu e June saímos abraçados e rindo dos resmungos do meu irmão.

Para não deixar meus amigos na mão, Ikki me largou diretamente no trabalho, assim como acompanharia June em sua reunião com uma agência, para depois levá-la a um hotel perto do apartamento aonde moro. Como o apartamento é de um quarto e Ikki está comigo, June decidiu que seria melhor se instalar em um hotel nos primeiros dias, enquanto procura um apartamento para si. Com um sorriso de orelha à orelha cheguei ao trabalho com direito às piadinhas e alfinetadas de Kamus e Shaka, que aliados a motivação que June me deu, o dia passou rápido e fomos para casa. Ao chegar em casa, vejo Ikki fazendo um pequeno lanche.

- Cheguei!

- E trabalhar foi pouco para seu bom humor. - Ikki falou enquanto empunhava uma xícara de café.

- Como foi com a June?

- Depois que fomos na agência, levei-a para o hotel. Pediu apenas que você ligasse assim que chegar do trabalho.

- Farei isso agora mesmo.

Ao falar no telefone, June parecia calma. Calma até demais para quem estava com grandes expectativas. Perguntei se estava cansada, estado negado pela minha namorada. Pareceu estranho, mas como bom jornalista que sou, Joguei a isca convidando-a para sair e saber o que se passa. Convite aceito.

- E então? - Ikki pareceu curioso.

- Ela está estranha. Chegou de viagem, não está cansada e pelo jeito tem algo a dizer, mas quer fazer isso de modo discreto.

- Deve ser algum tipo de charminho, manha. Você é o namorado, tem de descobrir.

- Ikki, ela não te falou nada? Você não entrou na agência com ela?

- Não entrei na agência. E ela não me falou nada do que aconteceu.

- Melhor eu tomar um banho e ir buscá-la no hotel.

Estando devidamente apresentável para minha namorada, fui até o hotel onde ela estava hospedada. Alguns minutos depois da recepcionista avisá-la, June desceu. Estava com um vestido de simples de cor rosa com alças delicadas e de tamanco plataforma branco. Com uma mínima maquiagem e um perfume suave ela se aproximou de mim e me beijou de forma discreta.

- Você está linda.

- Você também, apesar de estar bastante arrumado para dar uma volta. - Disse-me sorrindo.

- Acho que ainda de alguma forma estou tentando te conquistar, algo como se fosse o primeiro encontro.

- Bobinho. - Disse ela me dando um leve tapa no peito.

- Você não está cansada?

- Não, de verdade. E então, vamos?

- Claro.

Já que estávamos com algum contraste, decidi levá-la a um restaurante mais descontraído próximo da praia. Depois de pedirmos os nossos pratos decidi entrar no assunto de forma discreta.

- Como foi lidar com meu irmão?

- O Ikki é um rapaz generoso, bacana.

- Nem todo mundo pensa assim do meu irmão. - Ri.

- Por quê?

- Nem todos vêem o Ikki com bons olhos. Principalmente por suas palavras sarcásticas e irônicas.

- Comigo ele foi uma boa companhia. Apesar de ainda ser um pouco durão pra conversar.

- Eu sabia que estava bom demais pra ser verdade. - Rimos.

- Mas ele é um cara legal. Você tem sorte de tê-lo como irmão.

- Eu sei. Ele é o meu melhor amigo. Depois de... - Lembrei rapidamente do modo como Hyoga me tratava depois de contar que eu estava apaixonado por June e ter a certeza de que Ikki era sim meu melhor amigo.

- Depois de?

- Melhor deixar isso pra depois. Mas e como foi na agência?

- Na verdade... foi como eu esperava! - Disse ela em um salto de animação.

- Então você?

- Isso mesmo, meu amor! Fui contratada pela maior agência de modelos do continente!

- Então devo pedir um champanhe. Garçom! Por favor traga um champanhe doce. - Voltando a ela, entrelacei suas mãos às minhas. - Parabéns, meu amor! Eu sabia que tinha algo de errado com seu comportamento no telefone. - Confessei.

- Então nosso plano correu como esperado. - Disse ela contente.

- Nosso plano? Ikki... - Deduzi. - Ikki sempre consegue me enrolar e pelo jeito conseguiu uma aluna. - Disse sorrindo e causando o riso dela.

Com a chegada do balde com o espumante, brindamos.

- Ao seu sucesso como modelo.

- À nós dois.

E o sucesso de June voltou como um relâmpago. Desfiles, capas de revista, ensaios apareciam de forma gradual. Não demorou uma semana e ela já estava em um apartamento alugado. Ikki voltara ao Japão alguns dias depois e eu retomaria minhas viagens de trabalho pelo continente. June começava a expandir seu reinado pós Miss Universo mais uma vez. Até que veio uma proposta irrecusável para ela: uma festividade no Japão, da qual concordou logo de cara. Eu como ainda tinha alguns dias de férias pedi ao Saga que a acompanhasse nessa viagem. Como bom chefe, apesar de haver alguns protestos iniciais de Kanon, Saga não se importou.


Tokyo, Japão
Aeroporto Internacional de Narita

2 meses depois

Chegamos ao Japão para as festividades tradicionais. Avisei Ikki que chegaríamos por volta das 9 horas da manhã. Eu estava de paletó e calça marrom, camisa preta e um óculos aviador da mesma cor do paletó e das calças, com o cabelo um pouco mais comprido do que de costume. June, preferiu vir de blusa florida e calça jeans, também de óculos escuros. Sabendo da proximidade das festas e de nossa chegada alguns paparazzi faziam plantão discreto no aeroporto, mas quando nos reconheceram, iniciou-se um furdúncio. Flashes e uma multidão a se aproximar.

- Paparazzi...

- Apesar de ser da imprensa, eu não estou acostumado a ter os flashes em mim... - Resmunguei tentando tapar com as mãos os flashes.

Ikki, em sua maneira "sutil", se aproximou de nós e fomos até o carro. De lá iamos para casa, acompanhado de um cortejo de carros. Ao chegar, novamente flashes. Decidi me livrar deles antes que tirassem fotos de nosso cotidiano. Ikki e June foram para dentro, enquanto me encarregava dos meus colegas.

- Gente, por favor!

- Amamiya, como estão as coisas entre você e sua namorada? - Um perguntou.

- E a Káritas vai inaugurar mais alguma sede? Alguma chance para os países do sudeste asiático?

- Gente...

- Rumores apontam que vocês...

- Por favor! Por favor! - Pedi.

- Ei, escutem o Amamiya! - Uma voz que não ouvia há muito tempo surgiu do nada.

- Honma?

- Hei! Quanto tempo, Amamiya? - Disse ele vestido de forma simples com uma câmera profissional no pescoço.

- Está de paparazzi? - Questionei.

- Na verdade estou no Asahi Shinbun. Mas e você, hein? Que salto! E ainda com a Miss Universo... Lembra que falamos dela?

- Lembro, foi na aula do professor Shimizu. E quanto a Okada, Sano e Mikayama?

- Sano está na JHK, Mikayama foi para a Nihondaira e Okada trabalha junto comigo no Asahi.

- Que bom. Peço desculpas, Honma, mas tenho algo a fazer.

- Está certo.

- Gente, um minuto da atenção de vocês! - Pedi.

- Ouçam o Amamiya, gente! - Honma ajudou e fomos atendidos.

- Gostaria de agradecer a recepção, mas como colega de profissão peço que permitam que eu, a June e minha família possamos ter nossa privacidade. Quando formos às festividades vocês podem tirar quantas fotos quiserem e fazer quantas perguntas acharem que devem, mas em momentos de privacidade, peço que nos deixem a vontade. Espero que entendam, obrigado. - Dei as costas.

- Mas Amamiya... - E o burburim reiniciou-se.

- Caras! Deixem de ser chatos! - Ikki veio me buscar fora de casa e me protegia enquanto empurrava alguns paparazzis mais insistentes. - Vão embora! Saiam!

E adentramos na casa.

- Meu filho! - Mamãe veio correndo me abraçar.

- Mamãe.

- Esse é o nosso garoto.

- Papai.

- Bom tê-lo em casa, filho. - Agora era papai a me abraçar.

- Gente, antes de tudo, quero oficialmente apresentar a minha namorada June. - June que ainda tinha algumas barreiras de linguagem, ficou tímida em frente aos sogros antes da entrada de Shun.

- Então era ela a sua June... - Shizuka ficou estática. - A Miss Universo...

- É. - Limitei a responder.

- Naquele dia bem que você estava estranho... - Hiroshi lembrou. - O seu irmão até caçoou de você, mas nem levei a sério.

- Bem vinda, querida! - Mamãe deu um forte abraço em June, o que a deixou feliz. June olhou me contente e apenas acenei com a cabeça.

- Horitsu-jo no hahaoya arigato. - June agradeceu em japonês.

- Ela fala como nós? - Mamãe ficou contente.

- Um pouco. June ainda tem um vocabulário simples.

- Dessa nem eu esperava. - Ikki comentou.

- Vou cumprimentá-la ao modo estrangeiro. - Hiroshi estendeu a mão para a nora. - Bem vinda, filha.

- Obrigada, senhor Amamiya. - Retribuiu.

- June, não fique com receios. A mamãe é assim, receptiva e amorosa.

- E vai te paparicar um monte. - Ikki acrescentou. - Não se sinta constrangida.

- Já o papai ele é mais sério, mas não chega a ser frio como o Ikki.

- Ei! Eu não sou frio! Só não sou de falar muito. - Todos rimos.

- Onde estão as malas? - Perguntei.

- Seu irmão as levou para o quarto de vocês. - O chefe da família Amamiya lembrou.

- Mas você e o Ikki, dormirão na sala. - Shizuka avisou.

- Tudo bem por mim.

- Mas e vocês não vão querer ficar mais a vontade, Shun? - Ikki cochichou comigo.

- Melhor que seja assim. Papai e mamãe querem respeitar a June.

- Vocês é que sabem. - Ikki deu de ombros. - Logo aviso os rapazes que você está em casa.

- Que bom. Logo marcamos um encontro. Hoje apenas quero mostrar a vizinhança para June.

- Descansem, logo começarei a preparar o almoço. - Shizuka pediu. - June, a casa é sua, fique a vontade.

- Obrigada, senhora Amamiya.

Enquanto mamãe preparava o almoço levei June até o meu quarto, dividido com Ikki. Ao abrir a porta, lágrimas de emoção escorreram em meu rosto. Fiquei em silencio até que as enxuguei.

- Meu bem, o que houve? - June me perguntou com seu olhar terno acompanhado de um lindo sorriso.

- Lembrei dos tempos em que eu e Ikki dividimos o quarto...

- De certa forma ainda dividem não é? Mesmo estando você no exterior.

- Bons tempos, mas o que mais me levou à emoção foi lembrar dos fins de noite em que ficava aqui... - Deitei-me para mostrar minha cama. - ... deitado, sonhando em te encontrar. Era aqui onde eu mais depositava os meus pensamentos em você. - Disse ainda secando algumas lágrimas que insistiam em cair.

- Ah, Shun... - Disse ela após ser contagiada com minhas lágrimas, enxugando meu rosto e inocentemente deitando sobre mim. - Te prometo compensar todos esses momentos com o que sinto por você. - Ela acariciava meu rosto e começamos a ficar com uma respiração ofegante.

De certa forma, fiquei nervoso. É a primeira vez que ensejamos esse tipo de desejo. Sempre a respeitei pelo fato de passar por um relacionamento duro com Solo. Mas ela assim por cima de mim... É tentador, mas...

- June... Eu adoraria... mas você sabe, meus pais...

- Eu entendo. - Disse tranquila, saindo daquela posição dominante. - Respeitarei a vontade de seus pais.

- É melhor você descansar... - Levantei depressa e desajeitado. Senti meu corpo reagir e decidi disfarçar me inclinando. - Qualquer coisa, estou lá embaixo.

- Tá. - Disse levemente ruborizada.

Saí do quarto e antes de descer para a sala, dei um tempo no corredor para que não vissem essa reação. Ikki certamente aproveitaria com uma piada, ao sair de perto dos nossos pais. Mamãe gritaria em instantes:

- Shun, tudo bem?

- S-sim mamãe, June está descansando e estou descendo. - Disse ainda sem jeito. Com o susto e tudo voltando ao normal, desci tranquilamente.


Parque Inokashira, Tokyo

Dia seguinte

Combinamos de todos irmos ao festival da primavera. Ikki sairia com papai e mamãe na frente com o carro do meu irmão. Eu e June, iríamos com o carro do papai. Todos vestidos ao modo tradicional japonês. Mamãe e June me pregaram uma peça: saíram sozinhas para escolher uma peça tradicional para June. Antes de mamãe sair, deixando June pronta, pude ver o resultado: June trajava um lindo kimono tradicional de seda de tom rosa bem claro, com alguns desenhos tradicionais. Seu cabelo estava preso a um coque tradicional com um pequeno toque de June, no qual deixou uma pequena franja no lado direito do rosto o qual estava levemente maquiado, também de forma nipônica tradicional.

- Como eu estou? - Disse levemente encabulada.

- Está linda!

- Você gostou? - Perguntou ainda sem jeito.

- Amei. - Recebendo seu sorriso.

- Eu sempre tive vontade de usar essas roupas e ir nesse tipo de festividades...

- Eu sei. Assisti anos atrás a reprise do Ohayo Japan, quando você esteve no Japão pela primeira vez.

- Verdade?

- Sim. Mas fiquei triste ao saber que seu coração tinha dono... - Decidi brincar com nosso joguinho de manhas.

- Sabe de uma coisa? - Disse ela me abraçando. - Se eu for no Ohayo Japan de novo terei de dizer ao Hasegawa-san que meu coração está ocupado de novo...

- Que pena... - Segui brincando.

- Por um japonês.

- Tá melhorando...

- Lindo. - Disse enquanto me beijava a face. - Romântico. Sensível. Carinhoso. De cabelos verdes, chamado Shun Amamiya.

- Agora eu fiquei feliz. - June riu levemente do meu comentário e nos beijamos. - Mas vamos, senão seus patrocinadores vão ficar esperando.

Saímos de casa e fomos até o evento. De forma tímida chegamos, mas logo que June foi anunciada pelos patrocinadores do evento os flashes começaram a rolar a solta. Enquanto papai e mamãe passeavam pelo parque eu e Ikki ficamos a observar June, esperando-a cumprir com o combinado de fotos para as empresas japonesas que a contrataram.

- Esse povo é chato, hein Shun? - Dizia Ikki saboreando um yakitori, referindo-se aos paparazzi.

- Paciência, irmão. Não posso correr com meus colegas de profissão.

De vez em quando os assessores de imprensa liberavam June para uma entrevista rápida com os jornalistas ali presentes.

- Senhorita Klinger, feliz de estar presente nas festividades? - Um repórter da JHK perguntou.

- Sim, é um sonho realizado estar aqui. Estou aproveitando muito e quero agradecer aos patrocinadores.

- E quanto ao seu relacionamento com Shun Amamiya? - Outro repórter, ligado a imprensa das fofocas quis partir para um lado mais pessoal.

- Estamos felizes, nos amamos e ele é o homem certo para mim.

- Vocês pretendem se casar? - Perguntou um outro repórter. June apenas sorriu e saiu em direção em uma das pagodas aonde tirava fotos.

Ao verem que June não responderia mais nada, vieram até mim.

- Amamiya-san, como se sente com a Miss Universo de namorada?

- Estamos felizes juntos.

- Vocês planejam se casar em breve?

- Desculpe, mas não posso responder.

- Está gostando do festival?

- Está lindo, estou muito contente de estar aqui com minha namorada e com a família. Obrigado. - Tratei de encerrar ali.

Depois de algum tempo, June acenava sinalizando estar livre da publicidade. Fomos até ela e a levamos para comer. June comeu um temaki de sushi e depois se juntou a mim e a Ikki nos yakitori. Depois de nos deleitar com uma boa comida, caminhávamos pelas barracas das festividades, até que Ikki decidiu nos deixar.

- Bem, maninho. Vou deixar você e sua namorada curtirem o festival.

- Se você quiser ficar... - June não se importou com a presença de Ikki.

- Obrigado, June. Mas esses momentos são especiais só para vocês. Nos vemos em casa. - Deu de costas e saiu andando.

- Até mais, Ikki. - Acenei enquanto meu irmão tomava seu rumo. - June, venha. Vou te levar a um lugar lindo. - Peguei-a pelo braço e saí em disparada.

- Espera. - Dizia entre risos.

Paramos em uma pequena ponte de madeira e cercado por algumas cerejeiras que deixavam suas flores cair no solo e no pequeno rio que corria.

- Que lugar lindo, Shun! Quero tirar uma foto! - Pediu.

- Tá! - Peguei meu celular e a fotografei de forma natural. - Agora faz uma pose meiga, romântica...

- Agora peça para alguém tirar! Quero ter uma de nós dois aqui.

Então pedi para um rapaz que passava nos fotografar com meu celular. Depois de agradecer-lhe. Voltamos para a ponte e ouvi alguns comentários de meus patriotas, enquanto ela soltava seu cabelo dos grampos.

- June, olhe para o céu em direção daquele templo.

- Está bem.

Logo começou um espetáculo de fogos de artifício na cor rosa.

- Shun, não tenho palavras para descrever! - Me abraçou fortemente. - Tudo está maravilhoso!

- Estou feliz de estar aqui com você. - Disse abraçado nela. - Mas ainda tem mais.

- Mais!?

- Vem comigo. - Estendi a mão para ela, recebendo seu sorriso e sua mão.

Fomos para o carro e decidi levá-la para além de um dos limites da cidade e alugarmos um ryokan, recomendado por Ikki. Acendi algumas luminárias para ficarmos à meia luz.

- Shun, isso é lindo! - June contemplava a pequena casa tradicional que aluguei.

- Sabia que iria gostar. - Sorri agradecido. Sentei-me ajoelhado no tatami. - Venha. - Aproximou-se e sentou da mesma maneira de frente para mim. - Como se sente?

- Realizei um sonho, mas com as suas surpresas, foi mais que isso. - Empurrou-me levemente, contra o tatami. - Deite.

- O que você está fazendo, June? - Perguntei surpreso, deitando-me.

- Algo que nós dois estamos querendo há muito tempo. - Sorriu-me levemente maliciosa, subindo da mesma maneira do dia em que chegamos em minha casa e causando aquela sensação.

- June... - Olhei-a em seus olhos, já ofegante pelo desejo e tímido, por ser a minha primeira vez.

- Fique tranquilo, meu bem. - Disse acariciando meu rosto ruborizado. E então nos beijamos.

Depois de um longo beijo, June decidiu tirar de leve a parte superior do seu kimono, mostrando-me lentamente seus ombros e logo seus seios. Então ela levantou-me para remover a parte de cima do meu kimono.

- Me abrace, Shun. - Pediu-me.

Tomado pelo desejo, fiz mais. Beijei-a e depois levei minha boca por seu pescoço, fazendo-a delirar. June então removeu a calça do meu kimono e novamente se veio por cima de mim, dessa vez pronta para saciar nossos suspiros, dando vazão para nossos gemidos.

- June... - Dizia seu nome diante daquele momento de prazer. Enquanto côncavo e convexo se uniam e se desuniam momentaneamente. Até que chegamos ao ápice do nosso desejo. Deitou-se sobre mim e nos beijamos até que fui tomado pelo cansaço.


Ao despertar com a luz do sol, percebi que June adormecia em meu peito. Fiquei a contemplar seu sorriso enquanto dormia, até que ela acordou.

- Oi... - Disse ela com seu sorriso.

- Bom dia. - Sorri. - Dormiu bem?

- Fazia tempos... não! Melhor que isso! Foi o melhor adormecer que tive e um dos momentos mais lindos da minha vida.

- Fico feliz por isso. - Respondi.

- E você fez tudo uma surpresa, né seu danadinho? - Disse-me dando alguns tapinhas de brincadeira.

- Se eu te contasse tudo, talvez nossa noite não teria sido mágica... - Me fiz de sonso.

- Seu bobo. - Riu. - Foi mais que mágica! Foi perfeita! - Beijou-me.

- Estava tudo tão lindo, mas temos de voltar para casa. - Falei após bocejar.

Nos arrumamos e voltamos para a minha casa. Papai tinha saído para trabalhar e mamãe havia saído. A casa parecia deserta, só que alguém nos esperava...

- Ora, ora... Isso são horas de chegar em casa? - Aquela voz e aquela alfinetada, só podia ser meu irmão, tentando segurar o riso.

- Bom dia pra você também, Ikki. - Respondi. - Você estava nos esperando né?

- Eu apenas me esqueci de um projeto...

- Me engana que eu gosto, Ikki.

- Cunhadinho, essa é velha... - June decidiu entrar na brincadeira.

- Bom, eu tenho que zelar pelo caçula... - Aproximou-se e bagunçou os meus cabelos. - Se a mamãe ver essas manchas aí nos pescoços de vocês, ela vai te pegar, hein maninho? June, é melhor você dar um jeito nisso.

- Está bem, cunhadinho... pode deixar que eu cuido do seu irmão melhor que você. Não se preocupe.

- Melhor cuidado do que o dela, impossível, Ikki.

- Bobo... - June me deu um tapinha.

- É assim que se fala! Então, vou pegar minha pasta de projeto e tô saindo. Mas ó, a mamãe não foi muito longe. Nada de de deixar roupas pelo chão e nem tirem os móveis do lugar... - Disse saindo com seu repertório de piadas.

- Engraçadinho... - June se pronunciou. - Você é bem mimado por eles, hein? - Falou, voltando-se para mim.

- Será? - Me fiz novamente de sonso. Até ser beijado do nada.

- Talvez seja pelo seu coração enorme, pela sua inocência... - Brincava com seus dedos em meu rosto.

- Inocência... acho que perdi isso ontem a noite.

- Bobinho, convencido... - Beijou-me novamente. Estávamos novamente em desejo até que...

- Cheguei! - Mamãe entrava na porta, após ouvir sua voz, eu e June ríamos. - Ah, vocês estão aí! Que bom! Filho, pode me ajudar com as compras?

- Claro. - Respondi.

- Eu ajudo também! - disse June. E então rumamos até a cozinha para ajudar mamãe.


E então passamos o dia com a mamãe, que decidiu pegar as fotografias da família e as mostrou para June. Como tínhamos uma boa parte do dia livre, levamos mamãe à Kamakura para sua tradicional visita que novamente teria minha companhia depois de alguns anos sem que eu pudesse vir. Até que mamãe recebe uma ligação nada esperada.

- Shun, meu filho é pra você. - Passou-me seu telefone.

- Alô?

- E aí cara! Quanto tempo, hein? - Era Seiya do outro lado da linha.

- Seiya. Que bom ouvir sua voz, amigo. Como estão as coisas?

- Tudo em cima. Eu liguei pro Ikki pra marcar o nosso futebolzinho de amanhã e ele me deu a notícia de que você está em casa. Mas liguei pra lá e ninguém atendeu até que o seu irmão me passou o celular da sua mãe.

- Entendo. Pois bem, como estão os rapazes?

- Tudo bem. Olha, já que você está por aqui quero te convidar pra jogar no nosso time e fazer um happy hour. Acho que só assim pro Shiryu nos apresentar a namorada dele...

- Como assim? O Ikki disse que ele estava namorando faz tempo... Vocês ainda não a conhecem?

- Você sabe como é o Shiryu... Certinho demais... Tava num chove e não molha. Mas agora, parece que estão até morando juntos. E o Hyoga também está de namorada nova.

- Hyoga, de namorada? - Estranhei já que Hyoga estava sempre com uma e outra diferente desde os tempos do colegial.

- Parece que esta colocou ele nos eixos.

- Vai ser interessante esse happy hour. Marca logo que eu vou!

- Beleza! Mas e quanto ao jogo? Sabe dessa vez é contra a equipe do Jabu...

- Ainda temos essa rivalidade?

- É claro! Mas quero você me servindo os passes, o Frey é bom, mas você é o nosso tradicional jogador de passe...

- Está bem. Eu vou!

- Legal! Agora tenho mais um gás para trabalhar! Até mais Shun!

- Até, Seiya. - Desliguei.

- Falava com o Seiya? - Mamãe perguntou.

- É. Ele soube que estou por aqui e decidiu me convidar para jogar futebol e para um happy-hour com os nossos outros amigos.

- Isso é bom. - June opinou. - Apesar de você estar sempre cercado por Shaka e Kamus, é uma boa oportunidade de ver seus antigos amigos.

- E terei a oportunidade de te apresentar para eles no happy-hour. - Acariciei o rosto de June.

- Ai, que lindo, meu filho! - Mamãe emocionada interrompe o que viria a se tornar um beijo. Fazendo com que eu e June ficássemos vermelhos naquele instante.


Hora do jogo. Depois de muito tempo jogando contra a equipe do Jabu novamente... Para os rapazes isso é derby. Seiya decidiu buscar a mim e ao Ikki. Para causar uma surpresa e para revezar conosco, o Seiya convocou Frey, que me substituiu nesses anos. Combinamos de que eu ficaria no carro aguardando que todos entrassem no ginásio para que eu entrasse de surpresa.

- Gente, antes de irmos para a quadra, preparei uma surpresa pra vocês. Entra aí cara! - Seiya pediu.

- Shun! - Shiryu, Hyoga e Frey responderam em uníssono.

- E aí gente? Prontos para vencer?

- Com certeza! - Disse Shiryu animado.

- E quanto ao Frey? - Hyoga perguntou.

- Frey, se você não se importa, será o nosso reserva hoje. Tudo bem? - Seiya tentava fazer a diplomacia.

- Sem problemas. - Respondeu tranquilamente.

- Mas vou avisando que não tenho jogado com frequência. - Avisei.

- Assim mesmo venceremos. - Hyoga animou.

- Coloca logo esse uniforme e vamos! - Ikki resmungou.

A equipe de Jabu já estava fazendo alongamento enquanto íamos para a quadra.

- Shun Amamiya...! - Jabu se aproximou. - Voltou para perder?

- Seiya me convidou e como estou por aqui decidi vir jogar.

- Era melhor ter ficado lá pra não passar vexame. - Ichi alfinetou.

- Melhor jogar do que ficar nas palavras. Vamos começar?

Bola rolando... O time de Jabu toma a iniciativa com Ichi tocando para Nachi que lança Jabu, que é obstruído por Ikki. Ikki toca para Shiryu que inverte a jogada e toca para mim e de primeira já coloco a bola nos pés de Seiya, que dribla o gigante Geki e dispara sem chances para Ban. Um à zero para o meu time... Ichi e Nachi, que jogam de alas no time adversário, fazem uma tabela extraordinária, indo para o centro aquele que não estivesse com a posse de bola. Como Ikki marca Jabu, eu e Shiryu somos os encarregados de marcar os alas, como estou sem ritmo, algumas vezes eu não acompanhava Ichi. Enganando até mesmo Jabu, os dois avançam e Ichi marca. Um à um. Seiya toca para Shiryu, este mais avançado e pressionado por Nachi, me lança a bola. Ao dominar, Ichi vinha com seus tradicionais carrinhos. Algumas vezes conseguia desviar, de outras eu não saía isento. Jogo bem disputado e Frey revisava comigo ou com Shiryu, já que ele era ala. Ikki era a segurança do time e Seiya detestava sair de campo. Quase cinquenta minutos depois estávamos empatados. Com um lançamento alto de Shiryu, Seiya chuta de primeira e Ban espalma. Escanteio. Shiryu se responsabiliza pela cobrança e toca para mim, Seiya completamente marcado e eis que com o grito de Ikki, toco a bola para ele que vem em velocidade e dispara uma bomba. Golaço! Nachi toca para Jabu e é desarmado por Seiya. Irritado por ter sido desarmado pelo rival, Jabu pede a Ichi que marque Seiya. Ichi vem em disparada e Seiya sofre o carrinho, mas tocando antes para Shiryu que dribla Nachi e me lança já que estou desmarcado. Ban vem ao meu encontro e com um pequeno drible eu o deixo no chão e marco o gol da vitória. Com dois gols de diferença, vencemos a turma de Jabu.

- Legal, Shun! - Shiryu me fez um sinal positivo.

- Apesar do jogo duro, vencemos! - Disse Ikki.

- Mesmo estando fora de forma, você jogou melhor do que quando estava para sair do país. - Disse Hyoga.

- Valeu, gente.

- Que golaço, Shun. - Frey cumprimentou-me.

- Obrigado.

- Então galera, marcado o happy-hour mais tarde, né? - Seiya agitou.

- Depois desse jogo é tudo o que eu quero! - Shiryu parecia animado.

- Beleza, vou tomar um banho, pegar a Saori e os encontro lá.

- Maravilha. - Disse Hyoga.

- Eu sinto, mas não poderei comparecer. Estou com uma reunião com cliente. - Disse Frey.

- Que pena. - Lamentou Seiya. - Boa reunião.

- Seiya, você nos leva? Afinal a surpresa foi ideia sua... - Lembrou Ikki.

- Claro! Vamos nessa!

Seiya então nos levou até em casa, afinal nosso destino era caminho para o dele. Ele também se ofereceu para pegar-nos da volta, porém Ikki achou melhor não incomodá-lo, já que estaria com Saori. Chegando em casa, June veio em minha direção.

- Como foram? - Ela perguntou.

- Ganhamos. Dois gols de diferença.

- E os dois gols foram dos irmãos Amamiya! - Passou Ikki com a mão estendida para o alto, para um toque de mãos, retribuído por mim.

- Mas você dizia não estar em forma, Shun?

- Espírito de equipe.

- E como seus amigos reagiram ao te ver?

- Ficaram contentes, acho que isso lhes motivou a jogar com mais empenho. - Beijei-a levemente. - A propósito, logo temos o happy hour.

- Está bem. Admito que estou ansiosa para conhecer seus amigos.

- Não se preocupe. Eles vão te adorar.


Logo saímos. Nos encontraríamos em um novo lugar escolhido por Shiryu. Fica no bairro (nome), um pub ao estilo americano. Entrei de braços dados com June, atrás de Ikki. Ao nos avistar Shiryu e Seiya sorriem, diante deles e de costas para nós, estavam Hyoga, Saori e a provável namorada de Shiryu, que usava uma longa trança e um traje de seda tipicamente chinês, na cor verde.

- Enfim, chegaram! - Seiya ao seu modo tradicional nos recebe.

- Demoramos, mas não foi culpa do Shun dessa vez... - Ikki sorriu.

Ao se levantarem Saori, a moça e Hyoga ficaram surpresos. Principalmente o meu velho amigo, aquilo lhe parecia uma ilusão, algo que o deixou literalmente paralisado.

- Gente, esta é June. Minha namorada. - Falei.

- Muito prazer. Sou Seiya, amigo de infância do Shun. - Disse Seiya.

- Sentem-se. - Shiryu ofereceu o espaço.

- Oi! Como vai? - Saori, recuperada cumprimenta June.

- Ei, Hyoga... Você não ouviu? Temos gente nova no grupo. - Provocou Ikki. Hyoga ainda atônito tenta entender o que se passava ali. - Sabia que é falta de educação não cumprimentar as pessoas? - Prosseguiu.

- Ãhn? Olá... - Disse ainda sem entender.

- Shun, Ikki e June. Quero lhes apresentar Shunrei, minha namorada.

- Finalmente hei de conhecer a famosa Shunrei... - Ikki, de forma típica, alfineta. - Como está?

- Prazer, Shunrei. Seja bem vinda. Sou Shun Amamiya e essa é a minha namorada June Klinger.

- Pra-prazer... - Falou timidamente ao reconhecer June.

- Como vai? - June de maneira contente respondeu.

- Sentemos todos, garçom, manda um suco pro nosso amigo Shun. Uma cerveja para o Ikki e você June, o que bebe?

- Acho que vou tomar um coquetel de frutas. Tudo bem, Shun?

- Claro. - Sorri.

- Beleza. Um coquetel de frutas pra nossa amiga June. - Pediu Seiya ao garçom que passara rapidamente na mesa. - Acho que agora estamos completos, não é?

- Falta a namorada de Hyoga, Seiya. - Saori completou.

- É verdade... Desculpa aí, Hyoga.

- Não, não foi nada... Disse ainda sem lhe cair a ficha.

- June como conquistou o coração do nosso caçula? - Seiya pergunta.

- Shun é um homem muito generoso. Nos conhecemos no Kenya em uma das sedes da Káritas, mas jamais imaginava que ele já era apaixonado por mim.

- Realmente é admirável o amadurecimento do Shun. - Shiryu falou. - Saiu daqui tímido, ingênuo e mostrou ser capaz de atos gigantescos.

- Mas quando você se deu conta dele? - Saori perguntou.

- Lá no Kenya de maneira tímida, mas acabei sendo surpreendida por Julian Solo... Depois de muito tempo e passada a minha relação com Solo tive a certeza que ele é o melhor homem para mim. - Disse acariciando minha mão.

- Desculpa, posso te pedir uma coisa? - Shunrei de maneira tímida solicitou a June.

- Claro.

- Posso tirar uma foto com você?

- Podemos sim, vamos. - June se aproximou de Shunrei e Shiryu com o celular tirou uma foto de ambas. Alguns, ao perceberem, começaram a se aproximar. - Gente, gente por favor. Ela está em um momento com amigos, por favor voltem aos seus lugares. Obrigado. - Insistiu ele de forma generosa à aqueles que se aproximavam. June então voltou ao meu lado e sorriu para mim, contente por Shiryu lhe ser cordial.

- Você é demais, Shiryu. - Disse a namorada ao beijá-lo de leve.

- É sim. - Reforcei. - Shiryu é um cara fora de sério. - Ganhei um sorriso tímido do meu amigo que estava enroscado pelo abraço de Shunrei.

- Você é chinesa, não é? - June perguntou.

- Sim, de Rosan.

- E nos conte como o nosso amigão aqui chegou em você? - Perguntei e Shiryu se ruborizou.

- De certa forma, já poderíamos estar juntos há mais tempo, desde que ele estava concluindo a faculdade. Mas é que ambos fomos tímidos. - Disse ela. - Ele me convidou para irmos ao cinema, depois demos uma volta até que ele me beijou.

- Tava num chove e não molha esses dois...

- Ikki, deixa de ser mala! - June cutucou meu irmão.

- Tô certo ou não, Seiya?

- É verdade. Ficavam só naquelas palavrinhas e naquela trocação de olhares... Sério. A gente até se afastava, mas ficavam só naquilo. - Seiya imitava os gestos, causando a risada na mesa. - Até apostamos pra ver onde ia dar.

- De novo... - Resmunguei.

- Sh! - Seiya me fazia gestos. Lembrei daquela vez em que eles apostaram de mim e da Saori. Melhor eu ficar quieto...

- Ah, Eiri! Finalmente! - Hyoga reclamou ao ver sua namorada. Levantou-se, beijou-a. - Como você está?

- Desculpe o atraso, mas tive de ir em casa.

- Gente, essa é Eiri, minha namorada. - Depois da breve apresentação de Hyoga, Eiri cumprimentou-nos.

- Sabe, agora quem está perplexo, sou eu. - Disse Ikki, imitando Hyoga.

- O que você está querendo dizer? - Disse Hyoga rangendo os dentes, causando o riso de Ikki.

- Você sabe. - Ikki desafiou. - Você de namorada? Essa é nova...

- Cale-se! - Hyoga rebateu. - Vou me surpreender no dia em que você tiver uma namorada, lobo solitário.

- O quê? - Ikki bate com a mão na mesa e encara Hyoga.

- Acho mais fácil o Shun ser pai, do que você ter alguém. Já que você não passa de um arrogante estúpido, Ikki.

- Miserável, vou acabar com você! - Ikki faz menção de ir pra cima de Hyoga. Shiryu o segura. - Me solta Shiryu! Senão vai sobrar pra você!

- Vem! Pode vir que eu não tenho medo de você! Cão que ladra não morde! - Provocou Hyoga.

- Para Hyoga. - Seiya pediu.

- Ele vem pedindo por isso há tempos, Seiya. Vamos lá para rua, Ikki. Eu e você...

- Ikki, acalme-se. - Pedi. - E você também Hyoga.

- Mas Shun... - Ikki tentava se explicar.

- Viemos aqui para comemorar nossa amizade e cada reunião você e o Hyoga estão a ponto de brigar... Vamos irmão, abaixe o braço. Hyoga já entendeu e preferiu se calar.

- Aff, está bem... - Ikki aliviou a força do braço que era segurado por Shiryu. - Acho que peguei pesado.

- E agora, você Hyoga... - Pediu Shiryu, já que Seiya estava sendo empurrado com a força de Hyoga. - Pelo menos, acalme-se pela sua namorada. Ela não merece ver esse tipo de reação.

- Tudo bem. Desculpe, Eiri. - Pediu.

Decidimos voltar ao nosso bairro e relembrar os velhos tempos. Fomos ate a escola onde estudamos e na praça aonde nos reuníamos depois das aulas. Após algum tempo entre conversas... Hyoga contando seu relacionamento com Eiri que falou de sua profissão como veterinária, June contando algumas coisas que aconteceram em seu reinado, Ikki falando da cara de pastel da minha sogra... enfim... até que sou surpreendido por um ato.

- June, posso conversar a sós com você? - Saori pediu.

- Claro. Podemos sim.

Então as duas se afastaram e sentaram em um banco da praça. June parou e esperou que Saori iniciasse o tema da conversa. Vestida com um vestido bordô de mangas longas que ia até o início dos joelhos, Saori ainda meio tímida em frente a mulher que declarava ser sua ex-rival desconhecida, estava ali, frente a frente com ela.

- Saori... - June tratou de dar um empurrãozinho para ver se a namorada de Seiya iniciava o que desejava dizer.

- Desculpe, serei sincera. É que estar diante de uma celebridade...

- Esqueça, sou apenas a namorada do seu amigo Shun. - June tentava deixá-la mais a vontade.

- Está bem. - Saori disse depois de respirar fundo.

- Isso. Acredito que falaremos do Shun...

- Sim. Shun é um dos meus melhores amigos, senão o melhor desde a infância. Ele sempre foi um menino generoso e preocupado comigo. Shiryu também era, mas era mais distante. Hyoga e Ikki sempre me trataram de uma maneira mais distante, mas me aceitavam em seu grupo.

- E Seiya? Certamente se ele e Shun eram amigos de infância...

- Seiya era muito infantil. Vivia a pegar no meu pé até que Shun ou Shiryu intervirem a meu favor. Sempre fui vista como uma menina mimada por meu avô ser um grande empresário. Como vovô estudou aqui quando jovem, queria que seguisse seus passos.

- E quanto aos seus pais, Saori?

- Meus pais faleceram em um acidente de avião, quando eu tinha cinco anos. Tenho poucas lembranças deles...

- Sinto muito.

- Tudo bem. Meu avô se tornou um grande pai para mim...

- Desculpe interromper você. Mas é curioso ver uma menina, neta de empresário estudar em uma escola simples.

- Já estou acostumada com isso. - Saori sorriu. - Então, com Shun sendo tão gentil ao longo dos anos, acabei me apaixonando por ele, quando tinha 14 anos, mas nunca revelei até o momento em que ele estava indo para o exterior.

- Ele nunca notou?

- Não. Mesmo com as piadinhas de Ikki, Hyoga e Seiya ele nunca percebeu.

- Shun ainda mantém uma certa ingenuidade... Isso é muito bom.

- E era tão ingênuo, mas também posso dizer que foi um sonhador.

- Sonhador?

- Sim. Na véspera da sua partida eu encontrei ele e os demais saindo de um pub no começo da madrugada. Viemos para esta praça e confessei o que sentia em uma tentativa desesperada de não perdê-lo. Shun confessou que amava outra moça e que estaria indo ao encontro dela, mesmo sem saber se ela sentiria o mesmo. Em sua última visita e sabendo do que aconteceu pela mídia, perguntei a ele se era você. E ele me confirmou.

- Então Ikki não estava de brincadeiras...

- Enfim, e vendo vocês dois hoje só posso confirmar que vocês foram feitos um para o outro. Fico muito feliz por vocês.

- Obrigada Saori. Vejo que Shun tem uma grande amiga. - June segurou as mãos de Saori em forma de gratidão.

- Ele também é um grande amigo. Eu que confundi as coisas lá atrás...

- Posso te perguntar uma coisa?

- Claro.

- Se Seiya era tão imaturo, como vocês...?

- Logo depois que Shun partiu, meu avô me fez viajar para os Estados Unidos afim de que eu me formasse em uma grande universidade de lá. Quando voltei encontrei com Seiya em uma livraria. Aí ele viu que eu não era mais aquela menina mimada e eu vi que ele não era mais aquele moleque imaturo...

- Implicâncias de infância por muitas vezes acabam assim... - June riu, provocando o riso de Saori.

- Tem razão. Mas posso pedir uma coisa a você e ao Shun?

- Se pudermos ajudar...

- Já que gostamos muito do Shun e como estou gostando da nossa conversa... gostaríamos que vocês fossem nossos padrinhos de casamento. O que acha?

- Tenho certeza de que ele vai adorar, assim como eu. Senão eu farei o possível, já que você abriu seu coração e deseja a felicidade do Shun.

- Que maravilha! - Ambas entrelaçavam as mãos como se fossem amigas de muitos anos. - Uau! Sinto-me mais aliviada agora. - Saori suspirou, causando um sorriso em June. - Vamos voltar pra lá?

- Vamos sim. Mas quero dar um abraço na minha mais nova amiga e futura afilhada. - June abriu os braços e Saori a abraçou. - Parabéns, minha amiga.

Enquanto Saori e June voltavam, Hyoga inquieto e ainda estranho em comportamento entreolhava a mim e a June. Parecia estar assimilando aquilo tudo. Enquanto ríamos eu, Ikki, Seiya e Shiryu acompanhado de Shunrei. Eiri percebia o namorado diferente, até que ele em um rompante falou.

- Shun, eu preciso falar com você.

- O que você quer Hyoga? - Ikki o afrontou, recebendo o silêncio como resposta.

- Ikki... - Shiryu repreendeu.

- Ikki, está tudo bem. - Pedi.

- Irmão...

- Não se preocupe, Ikki. Logo estaremos de volta. - Voltei-me para o meu amigo. - Vamos Hyoga. - recebendo apenas uma confirmação com a cabeça e nos distanciamos.

- Esse Hyoga, espero que não diga besteiras...

- Acalme-se. Ambos precisam conversar. - Shiryu interviu.

- É cara, o clima entre os dois tá estranho há mais de anos. Principalmente do lado do Hyoga. Shiryu, o que acha? - Seiya deu seu pitaco.

- Logo saberemos o resultado. Vamos nos distrair com nosso passado... - Fazendo com que os demais voltassem ao que relembravam...

Passei por June e ela ficou me observando sem entender aquela conversa repentina com Hyoga. Apenas a olhei de modo calmo para tranquilizá-la e me encaminhei com Hyoga que caminhava com os olhos fechados. até que já afastado dos demais parou.

- Shun, acho que te devo desculpas... Por não ter sido um bom amigo durante esses anos.

- Não se sinta assim, Hyoga. Para mim isso é passado...

- Seria ignorância minha deixar as coisas terem tomado um rumo tão distante na nossa amizade. Me diga, Shun e quero que seja sincero: Você ficou magoado comigo durante esse tempo?

- Na verdade, nunca estive magoado. Fiquei chateado apenas no momento. Depois passou. Você foi quem esfriou e tomou ares pessimistas.

- Realista... ah! Quer saber? Chega! Estou cansado de ficar nesse clima hostil. Você tem razão. Mas foi porque eu não acreditava. Parecia impossível e era.

- Não te condeno. Muita gente pensou isso a meu respeito. Um amor platônico que se tornou mais que uma ilusão...

- E eu te admiro por ter esse espírito de correr atrás de seus sonhos. Não imagino o quanto você lutou por isso e tampouco pelos perigos que passou. Voê era o nosso caçula, ainda imaturo, inocente e até mesmo medroso, mas que conseguiu se transformar num cara completamente responsável e que chegou onde queria. Tenho orgulho de você. Por favor, me desculpe por zombar de você. De coração. - Hyoga então me estende a mão, seu semblante voltara a ser o que era antes dele ter se tornar o cubo de gelo que acabou de quebrar.

- Claro. Não precisa nem pedir. - Cumprimentei-o, selando nossa amizade novamente.

- Posso dizer uma coisa? - Disse abraçado, enquanto voltávamos para junto dos demais.

- Diga.

- Sua Miss Universo é linda mesmo!

- A Eiri também é bonita. Agora eu vou te perguntar algo.

- Manda.

- É sério ou vocês estão apenas ficando?

- É sério. Pode ter certeza. - Hyoga soltou uma gargalhada.

Ao nos aproximar dos demais. Seiya e Shiryu pareciam contentes. Ikki ao ver, entendeu que sua birra com Hyoga terminara ali, mas como era muito orgulhoso para se retratar preferiu ficar quieto.

- Pelo jeito, tudo às antigas... - Shiryu sorriu.

- Agora sim, hein? Os amigos de sempre. - Seiya comemorou.

Hyoga e eu apenas sorrimos, até que ele retirou o braço dos meus ombros e foi calmamente até June.

- June, estou meio embaraçado, mas quero te pedir desculpas por não ter estado muito social por hoje. Eu jamais imaginaria que estaria diante da Miss Universo a qual meu grande amigo Shun fora apaixonado por anos.

- Sem problemas, Hyoga. - June minimizou. - Estou acostumada, mas saiba que estou aqui na sua frente e que estou mesmo namorando seu amigo. Sou uma pessoa comum, apenas tive meus momentos de fama, mas quero recuperar ao lado do Shun o meu jeito comum.

- Por favor, suplico que aceite as minhas desculpas.

- Está bem. Então não fique estarrecido. - June beliscou Hyoga para ele parar de delírios. - Isso foi pra colocar você no lugar. - Rimos todos, até mesmo o próprio Hyoga.

Com o final da noite mais leve estivemos todos como nos velhos tempos. June se entrosou bem com Saori, Shunrei e Eiri. Ikki e Hyoga já não se digladiavam mais e depois de muitas risadas, voltamos para casa.

- Nossa! Shun, me diverti muito! - Disse June ainda empolgada.

- Que bom! Vejo que todos gostaram muito de você.

- Bem... - Me beijou. - Vou tomar um banho e logo venho aqui te ver.

- Está bem, amor.

Mamãe já havia deixado nossas camas prontas, mas notei que Ikki não estava com suas piadinhas, mesmo depois da conversa que tive com Hyoga ele havia voltado ao seu normal, mas chegou em casa e nem piou. Até que...

- Achei! Nem me lembrava que tinha deixado o meu celular carregando. - Disse ele com o celular em punho.

- Estava esperando alguma ligação?

- Não, mas é algo indispensável hoje em dia. Não sei como você fica sem ele muito tempo, irmãozinho. Ainda mais sendo jornalista.

- Esses celulares são uma distração. Porque se pode fazer muita coisa com eles e eles fazem a gente não socializar direito com quem está na nossa frente.

- Um e-mail da empresa? - Ikki estranhou e franziu a testa enquanto lia. - Shun, felicite seu irmão. - Disse contente.

- Por que?

- A Elysée, empresa que ajudei aqui no Japão pediu a minha empresa da qual se tornou parceira e eles solicitaram aos meus chefes para ir para a França para ajudar em alguns projetos ao estilo japonês.

- Isso é maravilhoso, Ikki. Parabéns! - Abracei-o.

- Estão comemorando o que rapazes? - Perguntou o nosso pai, que descera após ouvir nossa alegria acompanhado de nossa mãe.

- Eu fui convocado pela empresa para ajudar Elysée na França! - Disse Ikki animado.

- Parabéns, meu filho! - Mamãe abraçou Ikki e se emocionou.

- Mamãe... - Disse Ikki abraçado na mãe.

- Meu filho, quero lhe dar meus parabéns. - Disse papai. - Sabia que esse dia logo chegaria. - E também abraçou Ikki.

- Obrigado papai.

- Gente, desculpa interromper, mas o que está acontecendo? - June desceu curiosa.

- Cunhadinha, logo vou estar na França à trabalho!

- Parabéns Ikki! Fico feliz por você.

- Obrigado. Amanhã eu levarei todos para jantar. Por minha conta. - Disse meu irmão entusiasmado.

Não deu em outra. Ikki estaria indo para Paris em uma semana, assim como nós estávamos à caminho da África do Sul, retornando às nossas atividades. Voltamos com tudo para o trabalho. Mas não parávamos em 'casa'. O mundo da moda requisitava a presença de June, que fez questão de seguir com a carreira de modelo e eu segui com minhas reportagens pelo continente, acompanhado dos meus escudeiros Shaka e Kamus.


Ilha Andros, Grécia
2 meses depois

Dessa vez, Saga fez a festa da MATI fora de casa, afinal a empresa criada por ele e Kanon completaria seus 10 anos e não poderia ser restrita apenas aos seus funcionários. Celebridades de muitas partes do mundo vieram prestigiar nossos chefes, aonde os gêmeos se encantaram com aquele evento beneficente onde tive a infelicidade de ver a June com Julian Solo pela primeira vez. Mas, hoje ela está comigo. Trajando um lindo vestido rosa bebê cheio de pedrinhas brilhantes e com o cabelo preso a um coque. E também hoje eu não estou trabalhando como daquela vez, hoje eu sou um dos mais cumprimentados pela reportagem que fiz. Não estou acostumado com isso, mas estou tendo meus cinco minutos de fama... Como estava pelo continente a trabalho, convidei Ikki para passarmos um tempo juntos.

- Finalmente, cheguei! - Disse ele empolgado.

- Sem problemas. - Disse eu, o aguardando na entrada.

- Nossa! Que festerê! Parece aquelas de filmes...

- Isso eu já havia te falado certa vez. Mas esta é bem maior do que na casa dos meus chefes.

- E então vamos entrar? - Perguntei.

- Vamos nessa! - Disse ele animado.

Entramos e Ikki parecia uma criança deslumbrada com o local. Acenava para as celebridades que reconhecia, por vezes ensejava em dançar, mas voltava ao seu comportamento natural, logo em seguida. O que me causava risos. Parecia que tudo estava indo bem para o meu irmão. Parecia... Ao trabalhar para Elysée, Ikki sabia que ficaria mais próximo de Pandora. Isso na teoria... pois apesar de Pandora se uma das chefes da empresa, ela estava casada com um dos sócios da mesma e desde o Japão nunca mais se viram, mas Ikki soube que ela continua casada e que já teve uma menina chamada Perséfone. Ainda faltava para meu irmão uma companheira que fizesse de Pandora apenas uma doce lembrança do passado.

- Shun, quero te agradecer pelo convite. Isso aqui está muito bom.

- Não precisa agradecer. Você é meu convidado, então aproveita que ainda eu estou famoso... - brinquei.

- Shun Amamiya! Já que eu estou bem na sua frente, quero tirar uma foto. - Ikki entrou na brincadeira.

- Claro! - Puxei o meu celular e tiramos uma foto.

- Mas agora, falando em você e ser famoso... cadê a June?

- Deve estar por aí, June tem muitos amigos aqui na festa. Logo ela aparece.

- Olha quem está aqui... se não é o Ikki! - Shaka, acompanhado com Marin, cumprimenta meu irmão.

- Como vai?

- Com a minha Marin, não existe estado melhor... Como estão as coisas na França?

- Muito bem. O trabalho tem sido um êxito.

Até que June chega e junto com ela uma moça loira, muito bonita.

- Amor! - Chegou e me beijou. - Finalmente te encontrei!

- Estava esperando o Ikki lá fora.

- Oi, Ikki!

- Olá cunhadinha.

- Meu amor, queria que você conhecesse a minha amiga Esmeralda Fernandez. Ela participou no mesmo Miss Universo que eu.

- Prazer Esmeralda, sou Shun Amamiya, reporter da MATI e namorado da sua amiga.

- Prazer! - Parecia empolgada. Apesar de miss, Esmeralda parecia baixinha aos moldes típicos, mas era de uma inegável beleza. Ela trajava um vestido amarelo sem alças acompanhado de uma bela gargantilha de ouro. - Você concorreu por qual país? - O concurso me veio na cabeça, mas não lembrava dela entre as concorrentes.

- Espanha. Sou de Santander. - Por isso não lembrei dela... Já que seu país não ficou entre as finalistas e eu assisti das 10 últimas concorrentes até June ser coroada. Para não deixar má impressão apenas acenei positivamente com a cabeça.

- E este é Ikki, irmão do meu Shun.

- Oi! - Disse ela animada. Estendendo a mão para cumprimentar meu irmão.

- O-oi... - Ikki, retribuindo o cumprimento, parecia ruborizado. - Sou Ikki Amamiya.

- Muy guapo! - Esmeralda cochichou no ouvido de June, causando o riso de ambas. O que deixou Ikki ainda mais vermelho.

Ikki ainda sim tímido naquele instante, reparou de imediato que a moça não portava nenhum anel nos dedos. Talvez a experiência com Pandora lhe deixou uma lição. Eu também não acreditei que ele estava tímido, já que ele sempre teve sucesso com as mulheres. Até que ele deu um rompante.

- Esmeralda, não é?

- Sim!

- Estou afim de beber algo, me acompanha? - Nesse momento eu e June nos trocamos olhares.

- Vamos! - Disse ela empolgada.

E ambos foram rumo a copa.

- Eu sabia que não seria uma má ideia. - Disse June comemorando.

- E pelo jeito, sem saber, meu irmão gostou bastante da sua ideia. - Ambos rimos.

- Ela também estava precisando. Afinal faz uns dois meses que pegou o ex-namorado com uma amante...

- Sinto muito por ela.

- Mas quando eu mostrei as fotos do Ikki, ela ficou admirada.

- Então eles vão se acertar.

- O 'muy guapo' que ela me cochichou já foi a vitória garantida.

- O que isso quer dizer?

- Significa 'homem muito bonito' em espanhol.

- E eu sou seu 'muy guapo'? - Depois da pergunta ela riu e me beijou.

- Sim, mi guapo. - E me beijou apaixonada.

Após algum tempo, Saga interrompe a banda para falar ao microfone.

- Boa noite à todos. Desculpem incomodar os que estavam dançando, mas é importante. Em primeiro lugar, quero agradecer a todos por virem comemorar o décimo aniversário da MATI conosco. - Saga é aplaudido e retoma depois dos aplausos diminuir. - Eu e Kanon estamos muito contentes que o nosso projeto tenha dado certo, sempre tentando o impossível para levar um bom conteúdo de notícias a todos vocês. - De repente, surge um telão mostrando um pouco da história da MATI, os depoimentos de nós trabalhadores, de Saga, Kanon e algumas celebridades, além dos bastidores de algumas notícias. - E para finalizar, com este pequeno envelope em mãos e já aberto, quero comunicar que a reportagem 'Operação Posseidon' de Shun Amamiya irá concorrer ao Pullitzer deste ano. - Então todos aplaudem novamente. Até que são interrompidos por alguém que não estava predestinado a subir no palco.

- Booooaaa noitiiiii! - Era Shaka, bêbado. - Dá licença, chefinho... dá licença. - Shuuun meu amigooo! Parabénsssss, meu brinde a vocêeeeee! - Ergueu a taça em minha direção e para não deixá-lo na mão, retribui. - Agooraaaa eu vou pedir pra banda me acompanhaaaar. Música, Maestro! - Fazendo um sinal de ordem, com os reflexos já alterados. - Straaaangersssss in the night, exxxxxxchanging glancess, woooondering in the night...

Shaka tem até uma boa voz, mas grogue está completamente fora de compasso. Decidi me ater a dois comportamentos: Kanon reclamava de longe, Kamus com a mão esquerda repousava a cabeça e a acenava negativamente.

- Vamos meu bem! Isso mesmo! Está demais! - Dizia Marin, empolgada.

- Ikki, você gostaria de dançar? Eu adoro essa música. - Perguntou Esmeralda.

- O Shaka está assassinando ela... mas que se dane! Vamos! - Ikki acompanhou Esmeralda e os dois foram para o centro do salão, mesmo com bastante gente ali só observando até aonde Shaka iria.

- Me dá isso, aqui! - Saga aproveitou o instrumental da música e tirou o embalo do meu amigo anglo-indiano. - Banda, por favor, toquem o que quiserem, mas em modo INSTRUMENTAL! - Dizendo a última palavra olhando firmemente para Shaka.

- Seu sem graça... - Shaka resmungou e voltou até sua namorada.

Após dançarem um pouco, Ikki convidou Esmeralda para contemplar o mar que banhava a Ilha de Andros. Prontamente, a espanhola aceitou.

- Acho que aqui falaremos com mais tranquilidade. - Disse ele. - Foi muito bom dançar com você.

- Eu é que agradeço.

Com ambos ainda se conhecendo, volta e meia são interrompidos por um silêncio.

- Você voltará ao Japão em breve?

- Ainda não. Vou terminar meu trabalho em Paris e ver o que acontece.

- Fico feliz por isso. - Esmeralda sorri.

- Por que? - Ikki decide brincar, bancando o sonso.

- Eu pensei que você estivesse aqui apenas pelo convite do seu irmão.

- Estou trabalhando para uma empresa chamada Elysée.

- Você é advogado? Consultor?

- Sou arquiteto.

- Como você veio de tão longe, Ikki Amamiya?

- Bem... De certa forma pelo meu talento. - Continuou a brincar. - Na verdade, a Elysée fez uma parceria com a empresa para qual trabalho no Japão.

- Nossa. Parabéns! - Disse empolgada.

- E de certa forma eles gostaram do meu trabalho. - Disse em um tom desanimado.

- O que foi? - Esmeralda parecia preocupada.

- Deixe pra lá.

- Conta. - Esmeralda, agarrou-se nas mãos de Ikki e o olhou com ternura.

- É que lembrei de alguém...

- Uma garota.

- Sim. Ela era a representante da Elysée que foi ao Japão. Se chamava Pandora. Ela estava noiva de um dos donos da empresa, mas não sabia quando estivemos juntos.

- Tiveram um caso. E pelo jeito você se apaixonou.

- Ela mexeu comigo. Mas era um amor proibido, pelo qual ela acabou optando pelo noivo.

- Que triste. Mas vocês nunca mais se procuraram?

- Não. Ela casou e nunca mais retornou ao Japão e nem me procurou.

- Talvez porque tenha sido apenas uma paixão para ela.

- Quem sabe...

- Eu também passei por uma decepção, só que é mais recente. Meu ex-noivo que era jogador de futebol me traiu com outra mulher. E o pior de tudo é que flagrei os dois embaixo dos lençóis.

- Olha só que dupla de azarões... - Ikki decidiu fazer uma piada para acabar com aquele clima chato, fazendo-a cair na risada.

- Sabe de uma coisa? - Ela aproximou-se de Ikki com malícia.

- O que? - Disse ele entregando-se.

- A vida é teimosa até que as coisas certas aconteçam.

- Acho que com o que você disse, nós não somos mais azaroes. - Agora ele, falava maliciosamente. Para ela beijar-lhe com paixão.

Ikki e Esmeralda voltam para o continente juntos e de lá vão para o hotel onde Esmeralda se hospedara. Ao chegar no quarto de forma apaixonante e desastrada, os amantes entram enroscados tirando um a roupa do outro até que chegam a cama. Ikki vira Esmeralda de costas e a possui com firmeza, beijando-lhe a face e o pescoço, enquanto suas mãos, acompanhadas pelas mãos dela passeavam pelo corpo delicado de Esmeralda. Ela entregue totalmente ao seu apaixonado condutor, tornava a olhar-lhe suplicando seus beijos, que eram prontamente atendidos por ele. Ambos se completaram. O sangue quente e apaixonado da espanhola com a segurança do sedutor Ikki lhes privilegiou com uma bela noite de amor, até que se entregaram ao êxtase e ao cansaço.


Pela manhã, Ikki acorda com Esmeralda deitada em seu peito. Ikki admirou a silhueta pequena e delicada de Esmeralda, que parecia uma ninfeta. Mas ao recordar do calor da noite anterior chegou a rir. Com o palpitar do riso, acabou acordando-a sem querer.

- Ikki... Que horas são?

- Eu não faço ideia. - Riu de modo a nem querer se preocupar com as horas.

- Melhor assim... - Esmeralda repensou com um suspiro, e deitou-se novamente no peito de Ikki.

Ambos ficaram ali mais um tempo. Ikki acariciava os cabelos louros de Esmeralda, contemplando-a novamente. Então Ikki foi para o hotel aonde estava hospedado. Ao adentrar, um senhor, encarregado da recepção lhe chamou.

- Senhor Amamiya?

- Sim. - Disse se aproximando.

- Há poucos instantes chegou esta mensagem para o senhor. - Disse o velho senhor, entregando-lhe um papel.

- Obrigado. Onde fica o salão do café da manhã?

- Segundo andar, no final do corredor à esquerda.

- Mais uma vez, obrigado.

Estávamos eu e June no salão do café da manhã com uma farta mesa de desjejum.

- Será que o Ikki voltou bem?

- Meu bem, fique tranquilo. Tenho certeza de que ele logo surgirá. Provavelmente deve estar dormindo...

- Até o momento que saímos do quarto ele não havia chegado.

- Shun, bebe o seu café antes que esfrie. - June queria que eu parasse de me preocupar.

Não passou dez minutos até que recebo a sonora resposta da minha namorada.

- Viu! Eu não disse que ele logo estaria aqui.

Percebo que ele vinha lendo um bilhete que lhe fazia sorrir.

- Pelo jeito você acordou com o pé direito, hein Ikki?

- Bom dia pra você também, maninho.

- E qual o motivo desse sorrisão?

- Esmeralda... - Disse ele.

- Como foi?

- Preste atenção, meu caro irmão. - Pediu-me, se gabando. - "Ikki, não encontro palavras melhores para descrever a linda noite de ontem que passei ao seu lado. Quando for para Paris, não esqueça de me ligar para eu ir ao seu encontro. Esmeralda."

- Ai, que lindo! - Disse June comovida. - Eu sabia que vocês dois iam se acertar!

Ao ouvir as palavras de June, Ikki sorria de uma forma como eu nunca vira antes. Acredito que seja o exato inverso que da forma em que ele falava de Pandora. Depois, sem a presença de June, pedi que ele me contasse como havia sido a noite dele. Ikki, com suas brincadeiras e detalhes me contava de maneira empolgada na qual pude comprovar que seu sorriso era mais contagiante de como me contou seu caso com a sua antiga paixão. Ikki estava enfim encontrando a sua cara-metade como me dizia June ao tramar esse encontro.


Aeroporto de Athenas

Conforme combinei com meus colegas, nos encontraríamos antes de embarcar para irmos juntos à África. O que não esperava era a presença dos nossos chefes. Por algum motivo eles estavam lá.

- Shun, Kamus. Pedi ao Saga e ao Kanon para ir cobrir o torneio de esqui que a Marin participará em Calgary.

- E sem parcialidades, Shaka. - Pediu Kanon. - Da última vez tive que corrigir seus elogios exagerados à sua japinha. - Recebendo caretas do casal.

- Então, bon voyage, mon ami.

- Daremos conta, vá tranquilo Shaka.

- Kamus e Shun. - Saga se dirigiu a nós. - Acho que não precisam de grandes instruções. Afinal, já estão craques em reportagens na África.

- Somos os melhores em qualquer parte do mundo, Saga. - Kamus fez questão de dizer.

- Sei muito bem disso, não é a toa que Shun, que é o mais novo de vocês, está concorrendo ao Pullitzer. Kanon, está na hora de voltarmos. - Recebendo a confirmação do gêmeo.

- Espera, Kanon. - Pedi. Sem muito entender ele vem em minha direção, parando na minha frente, esperando por minhas palavras. - Gostaria de que você fosse receber o Pullitzer.

- O quê!? - Ikki intercedeu se colocando em minha frente. - Mas isso foi você quem fez! Como vai deixar de receber o maior prêmio do jornalismo!?

- Ouça seu irmão, Amamiya. - Kanon falou tranquilamente. - Ele tem toda a razão.

- Eu sempre quis ser jornalista, mas nunca almejei tal prêmio. Fiz a reportagem para desmascarar Julian Solo e salvar a June. Quem merece esse prêmio é você, que tem uma carreira longa e que foi injustiçado, sem mencionar que se não fosse por você eu talvez nem estaria aqui com a mulher que amo. - Ele apenas consentiu com a cabeça, sem esboçar nenhum sorriso. - Se a reportagem vencer ele é todo seu. - Então ele deu as costas e foi rumo a saída.

- Amamiya. - Parou e tornou a olhar-me. - Se ganharmos, vou lhes presentear com uma viagem.

- Feito.

- Boa viagem. - Disse de costas, indo ao encontro de Saga.

- Espero que saiba o que está fazendo, Shun. - Disse Ikki ainda incrédulo.

- Fique tranquilo. Ele sofreu muito por causa de Solo.

- Tenho certeza de que você sabe o que faz, meu amor. - June até então quieta, se manifesta.

- Enfim... - Suspirou Ikki. - Que seja a melhor decisão.

- E você? Fica até quando em Paris? - Perguntei.

- Acho que mais um mês e estarei voltando ao Japão. A não ser que eu me arranje por aqui...

- Como assim?

- Bem... eu e a Esmeralda... como vocês sabem estamos combinando de nos encontrar em Paris... - Disse meio encabulado.

- E pelo jeito ela te pegou de jeito, hein Ikki...

- Não vou negar, cunhadinha. Ela mexeu comigo.

- Isso significa que...

- Manchete do dia: Ikki Amamiya está novamente apaixonado. - Brinquei com ele.

- E a felizarda é a ex-Miss Espanha Esmeralda Fernandez. - June entrou na brincadeira.

- Cuidado com os paparazzi, Ikki. - Mexi com ele.

- Por aqui ela é muito famosa... - June continuou.

- Está bem, engraçadinhos. É melhor eu ir andando. Meu avião irá partir em breve. - Então Ikki me abraçou e abraçou June para rumar até o embarque.

- E trate bem a minha amiga, senão eu te mato! - Gritou June, recebendo um contente sorriso de meu irmão.

Voltamos para a África... Eu e Kamus assumimos as pautas e Shaka não demorou a voltar já que o campeonato seria de duas semanas apenas. Marin, inspirada com o apoio e carinho do nosso amigo anglo-indiano venceu na sua modalidade sem grandes problemas e seu namorado voltaria afiadíssimo no serviço. Enquanto Shaka voltaria, June estava novamente em viagem, dessa vez faria um desfile em Nova York para uma grife de roupas famosa. Mas logo estava de volta aos seus ensaios fotográficos e publicitários.


Paris, França

Ikki estava de volta ao trabalho. Ao voltar, decidiu ir até as obras das quais estava atuando como consultor e como tudo estava indo como planejado, voltou ao hotel e ligou para Esmeralda. Não demoraria uma semana e ela desembarcaria na capital francesa. Ikki, inspiradíssimo, tocou o projeto de tal forma que a obra se concluiu antes do prazo, o que chamou a atenção dos diretores e supervisores diretos da Elysée. Com o júbilo, a empresa de arquitetura decidiu fazer um evento de estreia no empreendimento erguido. Ikki se vestiu impecavelmente com um smoking preto, típico dos filmes de James Bond. Esmeralda decidiu apostar em um vestido de seda amarelo-ouro, com um decote profundo, que a deixava fatalmente sedutora alinhado à pele bronzeada que o sol da costa espanhola lhe proporcionou. A festa estava como a gala e não perdeu para a festa da MATI, a qual Ikki e Esmeralda se conheceram. Shun, infelizmente, não esteve presente por estar de volta ao trabalho. Música tocada por uma pequena orquestra, champagne, canapés, pessoas bem vestidas, dry martinis... E o evento abarrotado de pessoas. Ikki ao pegar uma taça esbarrou, de costas em alguém, também de costas.

- Pardon. - Falou em francês.

- It's okay... - Uma voz feminina respondeu

Ao ouvir tal voz, Ikki congelou até ficar diante da dona da voz que ele reconheceu. Cabelos longos e negros, com uma franja repartida. Olhos da cor púrpura e pele alva, trajando um vestido verde de alças e com uma sensualíssima fenda na perna esquerda. Um fantasma. Alguém que não via a muito tempo...

- Pan-dora?

- Ikki! - Respondeu surpresa. - Desculpe, por esbarrar em você. - Disse, também assustada.

- Sem problemas. Tudo bem?

- Tudo... - Disse ela ainda desconcertada. Para ela, Ikki foi uma paixão arrebatadora, mas devido ao relacionamento construído com Radamathys, na época seu noivo, ela optou por manter seu noivado, mesmo que Ikki tenha a tomado em um turbilhão de sentimentos como uma paixão de adolescência. - Você está incrível!

- Obrigado. E o que posso dizer de você? Sempre bonita. E a sua menina... Perséfone, certo?

- Como viemos apenas para o evento, deixei-a com a babá. Mas é uma menina adorável. Cada dia uma descoberta nova. - Pandora pegou o celular e a mostrou para Ikki.

- Uma menina muito bonita, pelo jeito vai puxar para a mãe.

- Obrigada. - Esboçou um sorriso.

- Ikki... Achei você. - Esmeralda se aproximara.

- Esmeralda, quero te apresentar Pandora Adams, uma das representantes administrativas da Elysée. Pandora, esta é Esmeralda Fernandez, minha namorada.

- Prazer. - Esmeralda em sua natural espontaniedade estende a mão.

- Igualmente. - respondeu Pandora, cumprimentando-a.

- Como faz um bom tempo que não nos vemos, vocês estão juntos há?

- Um mês, não é Esmeralda? - Disse dando o braço direito à espanhola.

- Isso mesmo.

- Que bom... - Pandora se desconcerta levemente.

- Pandora, você está aí... - Agora, outra pessoa conhecida por Ikki surgiria...

- Oi querido! Estava aqui falando com o Ikki, a quem não via desde que fomos ao Japão.

- Amamiya... - Radamanthys lhe estende a mão. Também de smoking, o marido de Pandora era um homem alto, atlético, de cabelos louros e de sombrancelhas grossas, praticamente unidas.

- Senhor Adams. - Ikki retribui o gesto.

- Devo lhe dar os parabéns. O toque nipônico deu um charme tradicionalmente exótico em um lugar onde sempre pinta uma novidade arquitetônica. Ficou incrível.

- Obrigado por confiarem no meu serviço.

- Agradeça à Pandora, ela foi que se encarregou de escalá-lo no projeto. Agora vejo o porque.

- Obrigado, Pandora.

- Você fez por merecer. - Limitou-se a dizer.

- Amamiya, perdoe-nos de não podermos ficar, pois deixamos a nossa menininha aos cuidados da babá e ela ainda é muito apegada à Pandora.

- Sem problemas. Filhos são prioridade.

- Então até uma próxima oportunidade.

- Até.

- Foi bom te ver, Ikki. - Disse Pandora, congelando aquele instante ao olhar para sua paixão proibida. Algo dentro dela queria ficar ali, mas percebeu que Ikki ao contemplar Esmeralda em sua chegada, percebera que aquele brilho antigamente destinado à ela, tinha outra dona. Consolou-se ao saber disso, já que por muitas vezes no silêncio da madrugada por vezes seu pensamento se destinava à ele, já que sabia do que ele sentia por ela. Ao virar de costas e andando alguns passos, balbuciou, sem ele ouvir, ao correr uma lágrima de de seu olho esquerdo. - Adeus, Ikki... Você merece ser feliz.

Esmeralda então parou diante de Ikki.

- Como foi? - Perguntou curiosa, sem qualquer esboço de ciúme.

- Desconcertante. - Confessou. - Mas também superador. Se bem que superado já havia sido, quando eu te conheci... - Disse ele entrelaçando os braços em Esmeralda.

- Então a prova de fogo foi uma brasinha?

- Uma pequena chama.

- Notei. - Esmeralda riu.

- Como?

- Você disse que estamos namorando...

- Acha rápido demais?

- Pelo contrário, mas você nunca me pediu em namoro?

- Aquela hora foi um pedido.

- Para, Ikki. - Deu uns tapinhas no peito dele.

- Você quer que eu diga com todas as letras?

- A-ham.

- Olha que eu mudo de ideia. Sou um cara muito difícil de lidar... - Brincou ele.

- Aquela hora não valeu... - Ela fez um pequeno beiço. - Você disse só para se vangloriar.

- Também. - Pontuou.

- Me pede ou vou fazer um escândalo. - Ela provocou.

- Shh! Tá bom. Tá bom! - Disse ele assustado, fazendo ela rir. - Você quer namorar comigo? Ou melhor, quer ser minha noiva? - Ikki então tirou uma caixinha preta com um anel.

- Ikki Amamiya... - Ficou sem reação. - Você não presta! - Tascou um beijo apaixonado em Ikki. Que parou a festa, fazendo os presentes aplaudirem o casal apaixonado.

- E então? - Disse ele, recuperando o fôlego.

- Não valeu?

- Não. - Rebateu.

- Você não está se precipitando?

- Olha, eu demorei muito pra te encontrar. Você me completa e a gente se entende na rotina e na cama. Pra quê esperar algo que já tá na nossa testa? - Segurou firme nas mãos da sua namorada. - Agora é a sua vez...

- Aceito. - Disse encabulada.

- Eu não ouvi.

- Eu aceito. Seu bobo. - Disse em tom normal, dando uns soquinhos em Ikki.

- Ah, qual é? O povo não aplaudiu em vão... - Provocou, elevando o tom de voz.

- Está bem... - Disse ela completamente ruborizada. - EU ACEITOOO! - Fazendo com que Ikki a puxe com jeito para um outro beijo apaixonado, com direito a mais aplausos dos presentes.


3 meses depois...

Kanon foi em meu lugar para a premiação do Pullitzer, em Nova York, do qual vencemos. Conforme o prometido, deixei o trofeu com ele e com a vitória ele nos presenteou com uma viagem, para não ficar muito longe do trabalho, escolhi um local não muito longe...

Namibe, Angola

June e eu decidimos passear, como eu já conhecia Angola devido as minhas viagens não pensei duas vezes. O Namibe tem uma costa muito bonita formada por morros rochosos e seria um local paradisíaco para ficarmos juntos. Apesar do céu estar cinzento, a cor que envolvia contrastou com as cores da areia, das rochas e da água do mar. Contemplando a imensidão do oceano, sob um dos morros, estava eu entrelaçado ao corpo dela.

- Shun, esse lugar é realmente lindo! - Disse ela deslumbrada.

- Não foi por acaso que eu te trouxe aqui. A beleza dele foi um dos motivos, mas há mais um motivo.

- Diga. - Virou o rosto para mim.

- June, quero que seja minha esposa. Aceita casar comigo?

- É o que eu mais quero na vida! - Em um impulso, virou-se por completo e nos beijamos.


Tokyo, Japão
5 meses depois

Chegou o grande dia tanto para mim, quanto para June. Decidimos em Angola que nosso casamento seria no Japão, afinal minha família é maior e pela paixão de June pelo meu país. Quanto aos pais de June teriam as passagens pagas por Miro, que foi escolhido como padrinho ao lado de sua amiga Jisty, assim como também Seiya e Saori em forma de retribuição por sermos seus padrinhos de casamento e pela boa amizade que temos com o casal. Quanto aos meus, seriam meu irmão e Esmeralda, além de Hyoga e Eiri. Meus amigos e colegas Shaka e Kamus estarão presentes, graças aos meus chefes que também fizeram questão de vir, além do meu sócio Aldebaran. O casamento será ao modo católico, mesmo com os protestos da minha sogra, que só se acalmou quando dissemos que faríamos um pequeno casamento aos costumes judaicos ao voltarmos para Etiópia. Ao desembarcarmos, June decidiu permanecer em um hotel para esperar seus pais, acompanhada de Esmeralda. Eu, mais uma vez, de volta ao carinhoso cantinho da Família Amamiya, dessa vez, na minha cama onde pensava na June antes de nos conhecermos. Estou no meu quarto em frente ao espelho, alinhando a gravata com a camisa do terno.

- E então? - Ikki entrara no quarto.

- Estou quase pronto, só falta alinhar a gravata... - Disse enquanto mexia na mesma.

- Deixa eu ver... - Disse Ikki, ao ficar de frente e começar a mexer na gravata. - Acho que agora está bom.

- Papai e mamãe já foram?

- Sim. Estão recebendo os convidados.

- E a Esmeralda está com a June?

- Na verdade a Jisty quis ficar lá com ela em nome dos velhos tempos, além de um cara afeminado, que chegou lá completamente emocionado. A Esmeralda achou que seria muita gente para ficar em volta da June e está lá embaixo.

- Deve ser o Afrodite, ele ajudou a June enquanto concorreu e durante o mandato de Miss Universo...

- Pronto? Preparado para sacramentar a sua união com a mulher dos seus sonhos?

- Mais do que nunca, Ikki.

- Então vamos para a igreja!

Assim, partia rumo a igreja. Ikki vestia um smoking ao estilo dos anos 80 de gravata vermelha. Esmeralda vestia um vestido sem alças da cor verde água. E eu com o tradicional terno e gravata, em tons de verde, minha cor favorita. Ikki ligou então para papai aguardar com mamãe a minha chegada, para que ela entrasse comigo na igreja.

- Meu filho! Meu filhinho! Como você está lindo! - Shizuka se emocionou, abraçada em Shun.

- Obrigado, mamãe.

- Meu filho! Vou entrar discretamente. Sua mãe está entregue. Lhes aguardo no altar. - Disse Hiroshi após abraçar o caçula.

- Logo estaremos lá.

Ao ver papai entrar, e a mim acompanhado de minha mãe na porta da igreja, o padre faz um sinal para o rapaz do órgão tocar uma música para a nossa entrada. Os convidados levantam. Cada passo que dava, senti um misto de nervosismo e ansiedade. Ao chegarmos no altar a música para, e os convidados sentam. Um momento breve de silêncio até que se começasse o bate papo entre as pessoas próximas. Ali no altar, já estavam eu, o padre, os meus pais, Ikki e Esmeralda, Hyoga e Freya, Seiya e Saori. Miro e Jisty não demorariam a integrar o grupo dos padrinhos. Mas ali, se fez uma eternidade. Fiz um pequeno sinal a Jisty para que ela se aproximasse.

- Jisty, pensei que a June viria atrás de vocês.

- Calma, Shun. - Ikki me dera leves palmadas no ombro esquerdo. - Logo ela estará aqui.

- Shun, é normal a noiva se atrasar... você sabe. - Disse Jisty.

- Estou ansioso! Não imaginava que tal espera fosse uma eternidade...

- Fique tranquilo. - Ikki pediu. - Nem faz 10 minutos que a Jisty e o Miro chegaram...

Ficaria a amargar ali mais algum tempo. Até que ouço o início da marcha nupcial. Era June, entrando com Chain. Os convidados novamente se levantam contemplando a beleza de June, que trajava um vestido de alças ao cair dos ombros, com um pequeno véu cobrindo o decote, além de vestir uma tiara semelhante a uma coroa, além do véu e grinalda tradicionais. Ao entrar na igreja, June entra sorridente com os olhos marejados. Ao se aproximar, seu sorriso e seus olhos pareciam ter apenas um alvo: no caso, eu. Já, a mãe de June viria de forma discreta ao parar ao lado dos meus pais. Chain beija a testa da filha e para ao lado de minha sogra.

- Senhores e senhoras, que a paz do Senhor esteja convosco.

- Ele está no meio de nós.

- Quem entrega esta moça? - Perguntou o padre ao meu sogro.

- Eu, Chain Klinger, pai dela.

- Senhoras e senhores, estamos reunidos aqui na Casa do Senhor para celebrar a união de amor entre este casal: Shun Amamiya e June Klinger. Iniciamos assim em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo...

- Amém.

- Shun Amamiya, aceitas June Klinger como sua esposa na saúde e na doença, na pobreza e na riqueza, amando-a e respeitando-a até que a morte os separe?

- Acredito que os laços de amor, nem mesmo a morte separa. Aceito-a como minha esposa.

- E você, June, aceitas Shun como seu marido incondicionalmente, amando e respeitando-o, conforme os laços do amor verdadeiro?

- Aceito.

- Ó Senhor, Bendito sejas, que do amor vieste, e por amar-nos morreste e ressucitaste com o intuito de nos mostrar que o verdadeiro amor tudo suporta, tudo crê, tudo sofre e tudo espera: o amor nunca falha. Assim, abençoai estas alianças para que este casamento seja sacramentado e fortificado pelo amor maior.

- June, aceite esta aliança como prova de minha fidelidade e do meu amor sincero.

- Shun, aceite esta aliança como prova da minha fidelidade e do meu amor incondicional.

- Em comunhão acordo, eu os declaro marido e mulher.

Com isso nos beijamos e após assinarmos a ata de casamento, rumamos à porta à qual fomos recebidos na saída por uma chuva de arroz. E assim fomos para a nossa festa, antes de partirmos para a lua de mel, que será um passeio do sul ao norte do Japão.

- Meninas, quero que se aproximem! - Pediu June.

- Ela vai jogar o buquê! - Alegrou-se Saori.

- Querida. - Seiya pegou sua mão. - Estamos casados.

- É verdade, me empolguei. - Disse Saori colocando uma das mãos à cabeça. - Fazendo os amigos ao redor rirem.

- Todas reunidas? Lá vai!

E o buquê cai nas mãos de Marin.

- Peguei! Olha, Shaka! Peguei o buquê! - Disse ela faceiríssima.

- Por Buda! Logo será a nossa vez! - Disse Shaka empolgado, pegando Marin e rodopiando com ela.

- Irmão, cunhadinha... Meus parabéns! - Ikki veio nos felicitar.

- Parabéns, amiga! Parabéns, Shun! - Disse Esmeralda.

- Obrigado. - Dissemos enquanto abraçávamos os nossos padrinhos.

- Shun, se importa de vir conversar comigo um momento? - Pediu Ikki.

- Vamos lá.

Ao afastarmos dos demais, Ikki então começou a falar.

- Sabe, Shun. No final das contas, você estava certo. - Disse com um sorriso, ao contemplar Esmeralda. - As coisas começaram a acontecer...

- Fico feliz por você, Ikki. Dizem que tudo dá certo, quando se chega no final. Ouvi isso em algum lugar... Você está noivo também, conseguiu uma oportunidade que abriu novas portas pra você.

- Devo isso à ela. Ela chegou animadinha e tomou meu coração por inteiro. Além é claro do seu apoio e do amor dos nossos pais. Enfim, só quero te agradecer por acreditar em mim. - Ikki me deu um forte abraço.

- Assim como você acreditou em mim. - Disse abraçado nele.

- Te amo.

- Eu também. Mas chega de sentimentalismo... Vamos curtir a sua festa!

Ao chegarmos perto das meninas, Afrodite as rodeava.

- Shun, meu amor! Estavamos esperando por você. - Disse June empolgada. - Afrodite queria cumprimentá-lo.

- Parabéns, Shun. - Estendeu-me a mão. - Eu admito que tinha um conceito errado de você e quero pedir desculpas a você e a June.

- Desculpas? Pelo quê?

- Senão fosse por mim, June jamais teria conhecido Julian Solo.

- Afrodite... - June tentou intervir.

- Mas é verdade. Eu deveria ter deixado você mais a vontade no Kenya e ter cancelado tal evento... Mas eu e a minha mania de grandeza...

- Você não sabia que ele era assim... - June tentou amenizar.

- Aliás, poucos sabiam, Afrodite. - Expliquei.

- Pensei que você só fosse um menino ingênuo e deslumbrado por estar perto da June... Mas sua atitude foi de um cavalheiro ao defendê-la e mostrar ao mundo que aquele canalha era um verdadeiro monstro... E eu também caí na dele...

- Afrodite. - Coloquei a mão em seu ombro para confortá-lo. - Está tudo bem. Eu e a June nos casamos e estamos bem. Não se sinta assim. Você é meu amigo.

- Depois de tudo que eu fiz?

- Por que não? Você se redimiu, certo?

- Shun Amamiya, você é um homem de caráter. - Ele colocou uma das mãos sobre meu ombro. E a outra no ombro de June - E June, eu abençoo a união de vocês. Sejam felizes.

A festa continuou a acontecer. Kamus estava com seu tradicional copo de whisky. Shaka e Marin dançavam desajeitados, mas nem se importavam. Ikki e Esmeralda ficaram em um verdadeiro namorico... Shiryu, Seiya, Hyoga e suas namoradas riam das piadas e histórias contadas por Seiya. Até que no meio da festa...

- Gente, por favor eu queria um minutinho da atenção de vocês. - Kanon decidira falar no microfone, enquanto fazia sinal para o DJ retirar o volume. - Eu sou Kanon Tsiforos, chefe do Shun, assim como meu irmão Saga Tsiforos.

- Qual é a do Kanon? - Shaka perguntou a Kamus.

- Vamos ver no que vai dar...

- O Shun foi uma escolha do Saga, que viu talento nesse jovem rapaz, um nome popular na rádio para qual trabalhava... Hoje vemos que a aposta do meu irmão deu certo. Shun, apesar de ter me passado e não fazer muita questão, é o vencedor do Pullitzer, o mais importante prêmio de sua profissão. Mas por trás dessa história há algo que o motivou e eu gostaria que todos vocês ouvissem, a história de Shun Amamiya. Shun... - Estendeu a mão empunhada com o microfone para que eu falasse e fazendo com que os convidados começassem a aplaudir enquanto clamavam por mim.

- Gente... - Tentei fugir sem sucesso... Um mutirão formado por Ikki, Shaka, Kamus, Shiryu, Seiya e Hyoga me levaram até o microfone.

- Shun! Shun! - Os convidados insistiram...

- Está bem. - Depois de ser aplaudido. - Tudo começou quando estava para completar 19 anos, um colega falou sobre o concurso de Miss Universo ao qual não dei importância em uma transmissão de programa que realizamos na faculdade. Enquanto isso... amigos e familiares me esperavam para comemorar e eu tive de me comprometer em realizar esse trabalho. Quando cheguei, meus amigos decidiram apenas me abraçar e foram embora devido ao meu cansaço.

- Sacanagem, hein! - Gritou uma voz conhecida, causando o riso nos convidados.

- Cala a boca Seiya! - Hyoga gritou.

- Mamãe havia preparado meu prato preferido e como a festa estava cancelada, papai ligou a televisão para vermos o Miss Universo. Entre as dez finalistas, estava ela...

- Ah, seu danadinho... - Mais risadas.

- Nessa época eu não imaginaria que estaria casando com ela depois de alguns anos... Sim, me apaixonei pela June desde o concurso. Depois de algum tempo entrei na Nihondaira, me formei e fui trabalhar para a MATI, pedi que fosse para a África para tentar ficar mais perto dela. Vi a miséria, pessoas e culturas desaparecerem. Criei a MATI com a ajuda de muita gente. Salvamos vidas, saciamos a fome e ensinamos as crianças... Até que ela veio de encontro a mim, nos conhecemos e nos entendemos logo de cara, mas nossa história de amor ainda não havia começado ali... June havia conhecido Julian Solo, o qual era tido como o príncipe encantado das histórias ocidentais. Mas que escondia uma personalidade sádica e ambiciosa por trás do bom nobre. Indo a Grecia tive a oportunidade de um modo discreto de ser excluído da vida de June. Mas com a ajuda de Kanon, que havia passado por momentos muito mais duros que eu, eu conseguiria abrir os olhos de June e das demais pessoas. Em exaustivas viagens à América, Europa e ao continente africano, eu colhi provas para agir antes que Solo soubesse de que outro jornalista investigasse seu passado. E consegui. Não fiz isso por prêmios, fama ou dinheiro. Fiz isso porque esse é o trabalho do jornalista: mostrar e informar, mas principalmente por ela... - Estendi a mão para que June ficasse ao meu lado. - Mas precisei de paciência... E June precisou assimilar o que acontecia. E no meio de tudo isso, tive uma fada madrinha, que essa sim é verdadeira e me ajudou com a June do princípio até hoje, nossa querida Jisty. Mais calma e sabendo que cumpriria uma promessa que fiz a ela quando nos conhecemos, nos reencontramos mas dessa vez para plantarmos a semente do nosso amor. E de lá para cá só foi sorrisos. Antes disso passei por muitos obstáculos e perigos, mas todos valeram a pena, por transformar um amor platônico em um amor de verdade. Mamãe e papai, obrigado por tudo. Ikki, meu irmão e meu melhor amigo, você foi a rocha por firmar esse sonho que parecia um devaneio. Shaka e Kamus vocês são como dois irmãos para mim. Kanon, obrigado por confiar em mim. Hyoga, independente do que aconteceu, te agradeço por me colocar os pés no chão e poder seguir passo à passo o caminho e que mesmo tendo opinião contrária me mostrou que eu deveria trabalhar em silêncio para eu fazer o que tinha de ser feito. E June, obrigado por realizar todos os meus sonhos junto contigo. Eu te amo.

- Eu te amo, Shun. - E então nos beijamos.

FIM