Penúltimo capítulo! Desculpem pelo atraso, mas essa semana foi muito conturbada para mim :( Felizmente, finalmente consegui encontrar tempo para postar hoje! ^^ Essa história está acabando mais rápido do que eu imaginava, mesmo eu tendo planejado ela para ser curta. Mas eu queria desde já agradecer a todos vocês por terem acompanhado a fanfic até aqui! ❤❤❤ Vou fazer uma despedida mais adequada capítulo que vem, mas desde já eu queria dizer que você são incríveis! ^^ Obrigada por tudo!

Capítulo 15 - Despedida

- Você está pronta?

Dando um aperto reconfortante na mão de Bella, Edward a observou engolir em seco e acenar rapidamente com a cabeça, prendendo a respiração – mesmo que desnecessariamente – quando eles saíram de entre as árvores para a escuridão da noite que banhava o gramado da frente da casa dos Swan. Tudo ao redor estava quieto, com nem sequer uma única alma desperta para vê-los ali. Ainda assim, eles se tornaram borrões indefiníveis enquanto corriam pela fachada da casa, entrando direto pela janela que Edward havia checado mais cedo, para ter certeza de que estaria aberta e devidamente silenciosa para facilitar a importante visita daquela noite.

- Esse era o meu quarto. – Bella engasgou de emoção suavemente assim que eles puseram os pés no pequeno cômodo – Ele manteve exatamente como eu deixei. Não mudou absolutamente nada. – seu choro fez a última palavra se partir.

Gentilmente, ele a abraçou pelos ombros, consolando-a silenciosamente enquanto ambos corriam os olhos por seu antigo quarto. Havia livros e um computador centenário, além de alguns cd's e sapatos empilhados. Obviamente, o único cheiro que havia ali era o do xerife da cidade, que aparentemente visitava o cômodo várias vezes por dia, especialmente depois da confirmação da morte da filha.

Depois daquele dia em que Bella lhe confessara seus temores sobre rever o pai e chorara em seus braços durante horas, os Cullen retornaram para a casa já quando ela estava mais composta, graças à Alice. Todavia, a visão que ela tivera do sofrimento de Bella lhe gerara também uma ideia: dar um ponto final na incerteza de Charlie e Renée, dando-lhes um túmulo para chorar.

De início, Bella fora contra, temendo que a dor de descobrir que a filha realmente não estava mais viva, inclusive com a existência de um cadáver que poderia ser enterrado devidamente, os levasse de volta para a estaca zero da depressão. Todavia, depois de muitas conversas com Carlisle, que também possuía alguns diplomas em psicologia e afirmou que era muito provável que o fim das dúvidas e das expectativas em encontrar a filha pudesse ajudar o Chefe Swan a finalmente passar pelo luto, e Alice ter explorado diversas possibilidades de futuro com suas visões, que também apontaram que, apesar da dor inevitável que aquilo lhes traria, seria sim importante para os pais de Bella ter a oportunidade de enterrar a filha, Bella concordara.

Alice fora cuidadosa e meticulosa ao executar seu plano, escolhendo uma jovem indigente que havia sido enterrada do outro lado do país, com altura e características que um dia haviam sido semelhantes às de Bella e cujo corpo estava em um estado de putrefação condizente com o tempo que ela estava desaparecida. Para poupar Charlie e Renée de mais sofrimento, imaginando pelo que a filha poderia ter passado antes de morrer, o cadáver havia falecido devido a um mal súbito, uma condição facilmente identificável, assim como o fato de que não havia quaisquer marcas de violência no corpo.

Jasper também fora de crucial importância no plano da parceira, subornando o médico legista que não apenas falsificara os documentos que permitiram identificar o cadáver como sendo Bella, como também fora responsável por usar de sua influência para reiniciar a tentativa de identificação de diversos outros cadáveres, o que encobriu suspeitas sobre o repentino aparecimento do "corpo" da filha do Chefe Swan, após quase dois anos de incessante procura. No fim, a morte de Bella se tornara apenas uma sucessão de tristes coincidências: segundo agora todos os habitantes de Forks sabiam, ela tivera um mal súbito durante sua viagem à Port Angeles e, durante a autópsia, seu corpo fora acidentalmente confundido com outro já rotulado como indigente e assim permanecera no anonimato até que um médico resolvera refazer algumas análises de identidade, temendo "incongruências".

Ainda que as visões de Alice já tivessem apontado que os cidadãos de Forks ficariam nada mais do que curiosos com aquela notícia, – centrando os comentários e fofocas quase que majoritariamente na surpresa do cadáver de Bella ter sido encontrado – Edward percorrera a cidade furtivamente algumas vezes, escondendo-se entre as árvores para verificar algumas mentes conforme a notícia se espalhara e ter certeza de que ninguém havia desconfiado de nada. Felizmente, a comoção da situação como um todo encobrira qualquer estranheza que a população pudesse ter sobre o processo que levara o cadáver a ser achado.

No dia do enterro, um final de tarde cinzento e chuvoso, como sempre, em Forks, Edward havia segurado Bella em seus braços conforme ela observa, a salvo no alto de uma construção que permitia uma vista ampla e segura do cemitério, seus pais enterrarem os restos mortais que tinham certeza ser dela. Na mente peculiar de cada um de seus pais, havia apenas desolação, mas ele manteve aquela informação para si mesmo, querendo poupar Bella de mais sofrimento – a mente de Renée era como um grande autofalante egomaníaco, centrada mais em como seria sua vida sem Bella do que concretamente no fim da vida da filha, mas ele logo compreendeu que não eram pensamentos maldosos ou intencionalmente egoístas. Era apenas a maneira como a mente da mãe de Bella funcionava: sempre colocando-se em primeiro lugar e reverberando suas necessidades e seus quereres para os outros, geralmente nunca o contrário. Mesmo já sabendo bastante sobre sua criação através do que ela mesma lhe contara, conhecer a mente de Renée explicou muito a Edward sobre a personalidade quieta e ferozmente altruísta de sua Bella.

Já a mente de Charlie, apesar de não ser tão silenciosa quanto a da filha, também tinha seus mistérios: Edward sentiu quase como se conseguisse captar suas intenções, o âmago de seus sentimentos, ao invés dos pensamentos verdadeiramente. Ao ler sua mente, ele sentiu ao invés de ouvir: sentiu a devastação de um pai ao perder a única filha, arrependimentos por coisas que Edward sequer conseguira distinguir exatamente o que eram, culpa por não ter estado lá para ajudá-la... Vazio e desespero por saber que nunca a veria novamente.

Contudo, por mais sombrio e doloroso que aquele dia tivesse sido, - especialmente quando Bella, entre seus soluços, tentara dar um passo à frente, inconscientemente tentando ir até seus pais, e ele a segurara, fazendo-a voltar à dura realidade e se desculpar mil vezes enquanto chorava - ele também encontrou seu fim. Os pais de Bella retornaram para suas casas, seus Estados, suas famílias... E agora também seu luto.

Após conhecer Renée, Edward compreendeu porque Bella tinha menos preocupações com seu estado emocional: a mãe de Bella tinha uma rede de apoio muito mais próxima através do marido e sem dúvida tinha tendências otimistas e de autocuidado que a ajudavam muito mais. Na noite antes de Renée tomar o voo que a levaria de Forks de volta para casa, Bella havia se sentido forte o suficiente para ir até o quarto da mãe, completamente adormecida pelos remédios que tomara. Lá, ela a havia coberto, lhe dera um beijo de despedida e, para a surpresa de Edward, falara em voz inaudível sobre coisas triviais: quase como se estivessem tendo uma conversa normal, ela explicara a Renée como lavar as roupas para deixar os suéteres macios como a mãe gostava, lhe disse qual a marca do produto de limpeza cujo cheiro ela gostava, lhe pediu que não esquecesse de pagar as contas... Foi quando ele finalmente se deu conta de que todas aquelas pequenas coisas eram, na verdade, um pedido silencioso para que Renée se cuidasse, agora que Bella já não poderia estar com ela de nenhuma maneira – da forma como uma mãe pediria para que sua filha permanecesse bem sem seus cuidados, e não o contrário.

Finalmente, depois de muitos pedidos que nunca seriam ouvidos, Bella sussurrou um último "eu te amo" para a mãe. E eles partiram.

Aquele encontro, contudo, obviamente partira o coração de sua companheira de maneiras indizíveis e ela preferira adiar ter aquele tipo de encontro também com Charlie. E, após ver seu aspecto abatido, mesmo que de longe, e ouvir o conteúdo de seus pensamentos no dia do enterro, Edward apenas concordou. Por mais inevitável que fosse, nem o pai nem a filha estavam prontos para aquele último adeus. Conforme as semanas se passaram e os Cullen começaram a organizar sua mudança, ele se manteve vigilante quanto a Charlie e ao seu estado emocional, sempre se certificando de que os psiquiatras fossem avisados quando a depressão do Chefe Swan arriscava consumi-lo por completo.

Finalmente, após dois meses, a casa dos Cullen estava quase completamente vazia, e sua família estava pronta para recomeçar em outro lugar. Após tanto tempo em que Bella adiara aquele encontro, visivelmente ainda não estando pronta para ver o pai diretamente, Edward apenas havia conjecturado que eles partiriam com os outros e retornariam à Forks apenas quando sua parceira tivesse forças o suficiente para aquilo – após meses, anos, ou, até mesmo, décadas.

Mas, como sempre, ela o surpreendera, pedindo-lhe, no começo daquela semana, que a acompanhasse até a casa de Charlie naquela noite de sexta-feira – o último dia dos Cullen em Forks.

- Não quero ir embora novamente sem vê-lo... Sem me despedir. – ela suspirara naquele dia, enquanto recostava a cabeça em seu ombro – Quero que eu e ele possamos ter esse último momento. Antes de tentarmos seguir com nossas vidas.

E ali estavam eles, caminhando lentamente de mãos dadas para fora do pequeno quarto de Bella, ao longo do sombrio corredor da casa dos Swan, onde o único som que cortava o ar era o som do suave ressonar de Charlie, certamente preso em um sono profundo depois da carga de antidepressivos que Edward o vira tomar através da janela da cozinha mais cedo naquele dia, antes de ir buscar Bella. Assim como fora com Renée, os remédios eram uma boa garantia de que ele permaneceria adormecido durante aquela noite, mesmo que fosse improvável – para não dizer impossível - que ele acordasse conforme Bella e Edward se moviam inaudivelmente ao redor.

As coisas ao redor pareciam um pouco sujas e malcuidadas, como se Charlie já não tivesse mais interesse em arrumar muito a casa, apesar de que, ele bem sabia, pelo que os demais Cullen ouviam pela cidade, que os amigos de Charlie, especialmente os que residiam em La Push, – que Edward ficou pasmo ao descobrir que era uma cidade que costumava abrigar lobisomens no passado – o visitavam com frequência diária para se certificar de que ele estava vivendo dignamente. Ainda assim, ao longo do caminho, ele percebeu Bella franzir a testa, obviamente descontente e preocupada com o estado da casa e, se ele bem a conhecia, também com como aquilo poderia refletir o cuidado que seu pai estava tendo consigo mesmo.

Finalmente, ambos pararam na porta de onde o ronco baixo vinha e, percebendo que Bella de repente ficara paralisada, Edward ergueu a mão até maçaneta e a abriu com um rangido suave, dando à mão de sua companheira um aperto gentil de incentivo, para estimulá-la a entrar no quarto envolvido pela penumbra.

Temerosamente, os pés de Bella se moveram lentamente pelo chão, quase como se ela estivesse fazendo força para andar, até finalmente parar ao lado da cama onde seu pai estava estendido, com o corpo rígido e o cenho franzido, aparentemente não tendo um sono tranquilo. Os segundos se passaram e Bella permaneceu no mais completo silêncio, o rosto contorcido de dor enquanto ela avaliava as feições do pai: magro, pálido e com profundas olheiras no semblante abatido, ele estava longe de se parecer com o homem forte e saudável que ela sempre lhe descrevia. Seus sonhos turbulentos, tal qual seus pensamentos, eram mais sensações e imagens descontextualizadas. Ainda assim, não foi difícil para Edward entende-las: um pequeno bebê de cabelos castanhos, dormindo em meio a braços masculinos que o faziam parecer ainda mais frágil e indefeso; uma garotinha corada contando timidamente sobre o que mais gostava na nova escola; a alegria de ver a jovem Bella nas ruas de Forks, bem ali, ao lado dele, mais próxima do que nunca; a dor e o desespero de imaginá-la sofrendo na escuridão, indefesa; a raiva de si mesmo, por não tê-la protegido, por tê-la deixado ir sozinha; um cadáver sem forma e, finalmente, o nada. O vazio da perda. A depressão.

Tentando se recompor da profundida da emoção do luto daquele pai, Edward tentou se distrair. Correndo os olhos ao redor do quarto do sogro enquanto Bella continuava profundamente quieta, ele percebeu que haviam vários pertences dela no ambiente claramente masculino: alguns pequenos bichos pelúcia puídos que ele julgou terem pertencido à ela na infância; diversos porta-retratos acompanhando diversas fases de sua vida, em que ela parecia sempre tímida e corada; papéis coloridos com o que parecia ser uma letra infantil – cartões de natal e de dia dos pais que ela havia enviado há muitos anos atrás, ele finalmente se deu conta. Pequenos tesouros de sua filha, com certeza. Olhá-los devia ser como uma tortura ou como um antídoto para um pai de luto?

Se a personalidade dele fosse semelhante à de Bella, como Edward tinha a impressão de que era, então certamente seriam as duas coisas.

Foi com um sobressalto que ele a viu, pelo canto do olho, começar a erguer a mão em direção a Charlie e, por extinto, Edward a deteve, olhando-a sobressaltado. Porém, ao invés de determinação ou abandono, ele viu apenas uma expressão terrivelmente triste e perdida em seu rosto, que se tornou surpresa quando ele segurou seu pulso. Balançando a cabeça, tranquilizando-o, ela murmurou fragilmente.

- Está tudo bem.

Ele a observou por um instante, deixando sua garantia pairar entre eles por algum tempo antes de finalmente solta-la, observando-a atentamente enquanto ela pousava, com a suavidade do bater das asas de uma borboleta, uma das mãos no rosto adormecido do pai, que, mesmo com a sensação fria, não demonstrou reação. Conforme ela o afagava carinhosa e suavemente, Edward relaxou, sabendo que, mais uma vez, ela dominara seus impulsos e certamente não sucumbiria à tentação de acordar o pai e acabar com a tristeza que o dominava.

- Oi, pai. – ela sussurrou finalmente, seu murmúrio falho, quebradiço – Sou eu, Bella.

Charlie reagiu minimamente, com o vinco entre suas sobrancelhas aumentando, embora ele ainda estivesse longe de acordar.

- Sinto muito se preocupei você e a mamãe. Dois anos é muita coisa e tenho certeza que vocês dois deviam estar enlouquecendo enquanto não sabiam onde eu estava. Conheço você pai. Sei que tentou se fazer de forte para todo mundo... Mas também sei o quanto você estava sofrendo. – ela engasgou, movendo a outra mão para envolve-la suavemente na do pai – Eu sei que poderia me prender por invasão de privacidade... – ela deu um sorriso trêmulo – Mas eu sei muito sobre a sua terapia. Edward que contratou toda aquela junta psiquiátrica apenas para você e a mamãe, sabia? – ela se virou e sorriu para ele, quase como se Charlie estivesse acordado e ela os estivesse apresentando.

- Sim, eu sei que você detestaria saber que um homem tem algo a ver com tudo isso. Mas eu tive que vir aqui hoje, Charlie... Pai... – ela se corrigiu enquanto chorava – Porque eu precisava que você soubesse... Soubesse que não deixei você por mal. Aconteceram muitas coisas que eu não pude evitar ou controlar. E sinto muito por isso. Sinto muito por ter deixado você sozinho, por ter preocupado você e agora pelo que a minha... Morte... Fez com você... – ela engoliu em seco – Se eu pudesse evitar tudo isso, eu evitaria, papai, eu juro, mas... Eu não posso. Não posso, desculpe. – sua voz trêmula e aflita se partiu em meio ao choro e Edward avançou para envolver os braços em torno de seus ombros, desejando, talvez como nunca em sua vida, poder poupá-la daquela dor.

Seu pequeno gesto, porém, pareceu surtir algum efeito, pois Bella ergueu o rosto desolado para olhá-lo por alguns minutos, dando um pequeno sorriso agradecido antes de se voltar novamente para o pai, a voz baixa agora um pouco mais estável.

- Mas, pai, eu também precisava vir aqui hoje para que você soubesse... Que eu estou bem. – Bella disse aquela última frase devagar, quase como se quisesse ter a certeza de que ela chegaria à Charlie, mesmo em meio aos seus sonhos – Eu encontrei uma pessoa que amo mais do que pensei ser possível. E que vou amar por toda a eternidade. – ela acariciou os braços que ainda estavam sobre seus ombros – Sei que você gostaria do Edward, mesmo que ficasse um pouco rabugento no início. – ela sorriu – Ele me salvou, papai. Me deu uma vida e uma nova família e eles estão cuidando de mim... Como eu sei que você gostaria de estar cuidando. E eu amo cada um deles também. – Bella engoliu em seco antes de continuar – Por favor, não pense que eu não sinto sua falta, ou falta da mamãe. Eu amo vocês e voltaria para casa se pudesse, mas... Como eu disse, infelizmente não posso.

- Mas também não suporto mais saber o quanto você está triste, pai. – ela soluçou, desolada – Por isso você tem que saber que eu estou bem. Não sofri há dois anos atrás e não estou sofrendo agora. Eu estou feliz e você logo vai estar também, eu tenho certeza. Então não chore mais por mim, por favor. Volte a viver como sempre viveu: cuidando de Forks e das pessoas. E de si mesmo também. – ela lentamente aproximou o rosto do dele, recostando a testa suavemente na do pai e cobrindo a ele e ao travesseiro com o grosso cabelo escuro – Vou sentir muito a sua falta também. Todos os dias. Já sinto, desde que parti. Sinto muito ter sido tão estúpida quando eu era criança. Podíamos ter passado muito mais tempo juntos, nos conhecendo melhor e sendo amigos, se eu não tivesse me convencido de que odiava essa cidade.

- Mas eu não odeio, pai. Eu amei cada minuto que passei em Forks com você, especialmente aqueles últimos meses. Prometo que vou fazer de tudo para manter a lembrança deles viva na minha mente, não importa quanto tempo passe. E nunca vou te esquecer. – ela chorou – Isso eu prometo. Então, por favor, não me esqueça também. Assim, sempre vamos poder estar juntos, mesmo que não da maneira como queremos. – com o rosto repleto de nada além de amor e angústia, Bella encostou os lábios gentilmente na bochecha do pai, demorando-se ali por um segundo – Adeus, papai. Eu amo você. Lamento não ter dito isso com a frequência que deveria, mas eu amo. Amo muito você. – naquele segundo, seu arfar frio tocou a face de Charlie e, sabendo o que viria a seguir, Edward imediatamente a puxou para trás, seu pequeno corpo fragilizado pela tristeza não oferecendo muita resistência.

Por um momento mais curto do que um milésimo de segundo, ela o olhou com aqueles grandes olhos abatidos antes dos dois correrem pelo resto da casa, passando novamente pela janela do antigo quarto dela no exato momento em que Charlie começou a realmente despertar em sua cama, remexendo-se afobadamente, como se tivesse acabado sair de um sonho atribulado.

Porém, ao invés de leva-la direto para casa, Edward a guiou até o alto de uma árvore próxima ao quarto de Charlie, de onde a cama de seu pai e sua figura inquieta eram perfeitamente visíveis. Ele havia visto a cena que se seguiria na mente de Alice e sabia que seria importante para Bella presenciá-la. Assim, ele a abraçou silenciosamente e os dois observaram quando seu pai finalmente saltou sobre a cama, atordoado.

- Bella? – sua voz rouca perguntou, soando desorientada enquanto o homem olhava freneticamente ao redor, como se tivesse certeza de que poderia encontrar a filha em qualquer lugar ao redor, enquanto pressionava os dedos contra sua bochecha, no exato local em que Bella o beijara segundos atrás.

Com um arfar silencioso, Bella viu o pai olhar ao redor por mais algum tempo, profundamente perturbado, antes de colocar a outra mão sobre o próprio peito e permanecer imóvel, aflito e confuso, por incontáveis segundos. O único sinal que denunciou suas lágrimas foram seus soluços, que começaram baixos e gradualmente aumentaram, enquanto ele apertava o próprio peito e chamava o nome da filha desconexamente.

Ao seu lado, os soluços inaudíveis de Bella também se intensificaram, mas Edward a puxou para perto e sussurrou em seu ouvido o que ela não poderia deixar de saber naquela noite.

- Ele ouviu você. – aquela frase baixa a fez se virar para ele, chocada e assustada – Não se preocupe, ele estava sonhando. Mas sua voz chegou até ele. – Edward explicou com um sorriso gentil, completamente submerso nos pensamentos ao lado deles, cuja essência era de tristeza, saudade... e também um pouco de alegria – Ele sonha com você constantemente... Mas hoje foi diferente, mais nítido... Ele sonhou que você era um anjo feito de luz. – seu sorriso se ampliou diante daquela descrição tão correta – E que o encontrou para lhe dizer que estava bem. Feliz, segura e... Que o amava. – ele a olhou no fundo dos olhos antes de completar – E ele sabe disso, Bella. Sabia antes, mas agora mais do que nunca. E ele também vai sentir sua falta até o último dia de vida... – ele observou tristemente o homem que ainda chorava desoladamente através da janela, antes de voltar os olhos para ela novamente – Mas sonhar com você hoje trouxe a ele paz. Por saber que você está feliz. E ele vai tentar ser feliz de novo por você, porque você pediu, Bella. Porque ele te ama também.

A expressão chorosa de Bella, que fora se tornando cada vez mais profunda a cada palavra que ele dizia, finalmente se rompeu em uma torrente de soluços violentos e lágrimas inexistentes. Acolhendo-a em seus braços, Edward se manteve quieto enquanto pai e filha choravam intensamente suas perdas, em um último adeus. Os minutos correram como se fossem segundos e, por fim, Charlie, que parecia quase desidratado de tanto chorar, abraçou-se com uma foto de Bella que havia ao lado de sua cabeceira e virou-se na cama, ficando de costas para a janela, enquanto ainda soluçava baixinho.

Ao virar-se para observar o céu dando os primeiros sinais do breve amanhecer, Edward viu pelo canto do olho Bella colocar a mão sobre o próprio peito, quase como se pudesse sentir o abraço do pai... Antes de se virar para ele e, com um gesto silencioso com a cabeça, sinalizar que estava pronta para ir. Sem uma única palavra, eles desceram da árvore, esperando apenas que Bella tivesse uma última visão da casa do pai antes que eles corressem para dentro da vastidão da floresta, deixando Forks para trás.

O silêncio se aprofundou conforme eles avançavam pelo caminho até a casa dos Cullen, agora andando mais devagar, depois de tomar uma distância segura da cidade. Observando-a pelo canto do olho, preocupado, Edward percebeu que Bella ainda parecia cabisbaixa e pensativa ao seu lado, e assim permaneceu durante boa parte de sua caminhada, surpreendendo-o quando finalmente sussurrou, visivelmente emocionada.

- Obrigado... Por ter me dito aquilo. – ela lhe deu um pequeno e lindo sorriso – Significou... Tudo para mim.

- Nada poderia me fazer mais feliz do que ajudar você nesse momento. – ele afirmou, beijando delicadamente sua testa – E não se preocupe, amor. Charlie vai ficar bem.

- Sim, eu sei. – ela suspirou – Vou sentir tantas saudades dele...

- Porque você o ama. – Edward a consolou, erguendo seu queixo para que ela pudesse olhá-lo nos olhos – Você estava certa quando disse aquilo a ele. Enquanto se lembrarem um do outro, estarão sempre juntos. Aqui. – delicadamente ele tocou onde o coração silencioso dela estava – E é isso o que importa.

- Oh, Edward. – ela arfou, antes de se atirar nos braços dele, escondendo o rosto na curva de seu pescoço – Obrigado... Obrigado por estar comigo hoje.

- Estive com você hoje como sempre estarei. Pelo resto da nossa eternidade. – ele suspirou, deliciando-se com a verdade que havia naquelas palavras e como aquilo significava que ele sempre a teria ali, em seus braços.

O doce rosto que ele amava se iluminou com um sorriso amoroso e Bella o puxou gentilmente para um beijo lento e apaixonado, que só terminou quando ela afastou um pouco o rosto para olhá-lo, com um brilho diferente no olhar.

- Acho que esse é um bom momento para tornar a eternidade oficial, certo?

Ele a encarou, sem entender.

- Oh, Edward. – ela riu – Você não percebe? Eu me arrependi tanto de não ter feito certas coisas como humana... De não ter me permitido ter certas experiências, como estar com o meu pai em Forks mais cedo, apenas porque era teimosa demais para admitir que estava odiando gratuitamente uma coisa que nunca sequer tinha experimentado de verdade. – ela o olhou, a felicidade voltando a iluminar suas feições – Não quero cometer esse erro novamente. Não quando estou tão certa do que quero. Do que vou querer para sempre.

- Isso é ótimo. – ele deu um sorriso torto, ainda confuso – Mas... Será que você poderia me dar uma pista sobre o que está falando? – ele riu – Se não quer que eu fique confuso, como no jogo de beisebol, tem que me deixar ver mais claramente o que está se passando aqui dentro. – ele beijou sua testa gentilmente.

- Espero que essa pista seja suficiente. – ela sorriu e, para sua surpresa, tomou sua mão esquerda, beijando a base nua de seu dedo anelar – Edward Cullen, eu amo você mais do que jamais serei capaz de descrever. E, mesmo se vivermos mil eternidades juntos, sei que nunca será o suficiente para mim. Quero você para sempre. E quero que vivamos juntos tudo o que pudermos. Especialmente algo que você quer tanto. Posso não ter estado pronta a um ano atrás, mas estou agora, se você quiser. – ela sorriu apaixonadamente, inclinando a cabeça enquanto o olhava, em expectativa – Edward Anthony Masen Cullen, você aceita se casar comigo?

Por um minuto, Edward pode apenas piscar, mantendo o olhar focado nela, o choque do que Bella acabara de lhe perguntar fazendo-o temer novamente ser o primeiro vampiro da história a delirar – ou melhor, sonhar. Um pequeno vinco de preocupação já estava começando a se formar entre as sobrancelhas dela quanto ele, antes mesmo de se dar conta do que estava fazendo, a tomou nos braços, mantendo-a suspensa em seus braços e com as pernas em volta de sua cintura, enquanto cobria seus lábios com os dela.

Gemendo contra sua boca, Bella entrelaçou os dedos em seus cabelos, aprofundando mais o beijo e permitindo que suas línguas se acariciassem conforme ele correu as mãos por seus quadris, apertando seu traseiro com firmeza para moldar seu corpo contra o dele, deixando sua ereção crescente acariciar seu núcleo por cima das roupas. Sentindo-se ávido e faminto, quase louco, ele moveu seus beijos por sua bochecha e seu pescoço, até chegar à gola de sua blusa, onde envolveu os dentes, nem ao menos raciocinando conforme rasgava um pedaço considerável que lhe deu acesso ao decote de seu sutiã.

- Ninfomaníaco... – ela meio riu e meio ronronou conforme o sentia passear os lábios pela pele de seus seios – Você poderia me dar uma pista? Isso é um sim?

- Nunca poderia haver outra resposta para essa pergunta. – ele ergueu o rosto para olhá-la, sentindo seus olhos queimarem com lágrimas inexistentes – É claro que eu vou me casar com você, amor. Vamos correndo até Las Vegas agora mesmo, se você quiser.

- Eu adoraria. – ela sorriu, mas um barulho grave e alto a cortou, semelhante ao som de um tronco de árvore sendo profundamente rachado ali perto... Na direção da casa dos Cullen.

Ambos riram ao perceber que não era um acidente. E sim um aviso.

- Acho que realmente seria muita maldade tirar essa diversão de Alice. – ele refletiu, lembrando-se das lindas imagens que sua irmã lhe mostrara naquele primeiro dia. Bella vestida lindamente de branco, a caminho do altar até ele... Sim, não havia cenário mais perfeito no mundo. E ele sabia que Alice já devia estar planejando aquele evento desde a primeira visão que tivera sobre eles.

Bella suspirou, bem-humorada – Não sei se devia estar feliz ou com medo. Levando em consideração do que vi de Alice até agora, acho que vou me conformar em sentir as duas coisas.

- É nosso casamento. – ele sorriu, tentando confortá-la – A última palavra é nossa.

- Acho que não estamos falando da mesma Alice. – ela riu e o beijou novamente, divertida – Mas isso não importa. É apenas uma festa. O que importa é o que vem depois.

- Seremos marido e mulher... – ele refletiu, extasiado.

- Sim, isso... – Bella mordeu o lábio, divertida – Isso... E a lua de mel.

Edward riu maliciosamente, movendo uma de suas mãos até cobrir sua intimidade, correndo preguiçosamente um dedo ao longo da extensão de sua abertura ainda coberta.

- Você fala como se pudesse escapar de mim até lá. – ele sussurrou contra seu ouvido antes de prender seu lóbulo entre os dentes, fazendo-a estremecer. – Como se não fossemos viver em lua de mel pelo resto da eternidade.

- E você fala como se eu algum dia fosse querer escapar. – ela devolveu sua provocação, estourando lentamente os botões da camisa dele conforme descia um dedo por seu peito e se pressionava ainda mais contra sua mão – Então... Meu noivo... – ela sorriu ao ver o olhar dele se iluminar ao som daquela palavra – Eu fiquei curiosa... – ela ronronou, mordendo os lábios sugestivamente - Porque não me mostra um pouco do que me espera durante essa eternidade que você prometeu?

E, com um sorriso, voltando a selar os lábios nos de sua futura esposa, ele passou o resto da noite ali mesmo na floresta, dando a ela um gosto do que significava para sempre.