Na sala de espera, Lorde Roxton não conseguia manter a calma. Seus nervos estavam à flor da pele e cada segundo de espera pareciam horas de tormento. O caçador se levantava e se sentava constantemente, oscilando entre momentos em que andava freneticamente em círculos pela sala passando as mãos pelos cabelos em busca de aliviar a tensão, mas de nada adiantava. A essa altura, Veronica, Malone, Challenger e Jesse também já haviam chegado ao hospital, todos na esperança de que pudessem fazer algo para ajudar os amigos.
"Querido, por que você não se senta e nos conta o que realmente aconteceu?" Lady Elizabeth tentava de todas as maneiras desviar a atenção do filho, ainda que por pouco tempo, do que estava acontecendo no centro cirúrgico.
"Eu... eu não devia ter contado a ela. Não hoje. O dia já havia sido carregado de emoções..." como era caraterístico, ele não afastava de si a culpa pelo ocorrido.
"O que realmente você disse a ela?" o jornalista não podia conter a curiosidade pelo que o amigo acabara de confessar. Veronica o cutucou com o cotovelo pela indiscrição.
Em outras situações Roxton manteria em sigilo a conversa que teve com a esposa, mas, ele não estava mais respondendo por suas atitudes e era incapaz de raciocinar de forma clara. Além disso, ele precisava dividir com alguém a sua angústia, caso contrário sentia que iria sucumbir.
"A pouco mais de uma semana... eu... descobri quem eram os pais de Marguerite. Eu achei que essa informação seria um feliz presente de casamento, afinal foi o que ela buscou por toda sua vida. No inicio ela ficou feliz, mas em seguida começou a se sentir mal e eu suspeito que possa ter alguma relação com essa forte emoção " John sentou com os cotovelos apoiados sobre as coxas e a cabeça baixa sustentada pelas mãos. Agora ele já trajava um elegante terno escuro sobre uma camisa branca de botões, um colete da mesma cor que a peça superior e sapatos italianos de couro.
"Roxton, meu jovem, você ouviu o que Benjamin explicou. A condição de Marguerite pode ser congênita e ela já teve complicações anteriores. Não se culpe, o momento em que aconteceu foi apenas uma infeliz coincidência" Summerlee tentava consolar o amigo.
"E quem são seus pais?" mais uma vez Malone se viu obrigado a perguntar. Será que ele era o único interessado em saber aquela preciosa informação? Veronica revirou os olhos diante da falta de sensibilidade do companheiro. Mas, sabia que o jornalista não o fazia por mal. Ela mesma estava curiosa por saber quais eram as origens da herdeira.
O caçador ergueu a cabeça e encontrou o grupo de amigos e a mãe o olhando com apreensão.
"Marguerite nasceu no dia 12 de junho de 1897, na Índia" os seis lhe olhavam com atenção "Ela é filha de Sir Robert Rothemere e de Lady Marguerite Rothemere".
"O emissário do Rei George V" Lady Roxton concluiu "Eu conheci Lady Rothemere, não chegamos a ser amigas, mas, frequentávamos o mesmo os mesmos círculos na sociedade. Porém, a criança morreu junto com a mãe na tragédia, foi isso que os jornais noticiaram".
"Ela não morreu" John interrompeu "Marguerite nasceu logo após o terremoto, sua mãe, antes de morrer, deixou com ela um relicário que ganhou no seu aniversário de 15 anos. Foi através desta joia que eu consegui as respostas. Houve alguma falta de comunicação ou algum erro nas documentações que fez com que a criança fosse considerada morta e por isso quando ninguém reclamou a custódia de Marguerite ela foi enviada a um orfanato".
"Isso é impressionante" Malone concluiu.
"E triste" Veronica completou.
Os choros estridentes dos recém-nascidos desviaram a atenção do grupo.
"Eles nasceram!" o caçador sorriu pela primeira vez na naquela madrugada. Abraçou-se com a mãe emocionada enquanto os amigos também se abraçavam em comemoração por este sinal de esperança. Em silêncio Arthur se afastou, precisava refletir sobre o que acabara de ouvir. Aproveitou que todos estavam parabenizando o novo e orgulhoso papai e saiu em busca de uma varanda onde pudesse respirar um pouco de ar fresco. Apenas Challenger percebeu a ausência do velho amigo e decidiu procurá-lo. Encontrou o botânico em uma das sacadas, apoiando-se com as duas mãos no parapeito do balcão. O peso das recordações o impedia de erguer a cabeça.
"Arthur, sente-se bem?"
"George, você já observou que pessoas predestinas sempre se encontram?" o professor se limitou a dizer essa frase carregada de enigmas.
"Ora, Summerlee. Eu não entendo o que quer dizer?" o cientista estava confuso.
"Meu amigo, chegou a hora de compartilhar um segredo do qual eu sinto remorso há quase trinta anos".
No hospital, Roxton correu até a porta do centro cirúrgico, bem a tempo de ver as enfermeiras trazendo até ele dois pacotinhos embrulhados em cobertores cor de rosa. "Nunca um homem se sentiu tão grande" pensou ele. A emoção daquele momento o encheu de um amor que nunca antes foi experimentado. A dor e a angústia deram lugar, ainda que por um instante, a uma sensação de plenitude frente aos dois maiores tesouros que um homem pode almejar. Naquele momento ele foi feliz e se permitiu transbordar seu amor em forma de lágrimas, enquanto se aproximava com todo cuidado para conhecer os filhos.
"Parabéns, Lorde Roxton, o senhor é pai de duas lindas garotinhas" a enfermeira sorriu ao afastar o pano da manta e mostrar o lindo rostinho da menina para o pai.
Era a visão mais linda que seus olhos já tiveram a oportunidade de ver. Embora ainda fosse muito pequena, o caçador achou que a bebê se parecia com Marguerite. Os traços delicados e a penugem de cabelo negro o ajudavam nesta suposição. A intensidade com que aquele serzinho chorava também evidenciava que inegavelmente tinha o temperamento da mãe.
"Elas são pequenas, mas, nasceram saudáveis. São duas meninas muito corajosas" a enfermeira mostrou a segunda neném ao pai. Ela dormia calmamente no colo da mulher. Roxton agradeceu aos céus por pelo menos uma delas ser um pouco mais dócil. "Três Marguerites ele não teria estruturas para suportar" riu de seu pensamento.
"Posso segurá-las?"
As mulheres colocaramas bebês nos braços do nobre, indicando a maneira certa de segurá-las, ele sentiu que seu orgulho estava prestes a explodir. Sorrindo para as crianças ele conversou:
"Olá, minhas pequenas. Eu sou o papai. Era eu quem conversava com vocês... reconhecem a minha voz?" a neném que chorava se acalmou ao som da voz do caçador, que abriu um belo sorriso e olhou para os companheiros que observavam a bela cena. "Bem, eu suponho que isso seja um sim. Prometo que de agora em diante eu viverei todos os meus dias para protegê-las e amá-las. Vocês e sua mãe" ao mencionar a esposa, John se deu conta que ainda não tinha recebido notícias dela, ainda embalando com gentileza as filhas ele inocentemente perguntou. "E minha esposa? Quero vê-la, e agradecer esses belos presentes que me deu"
As enfermeiras se olharam constrangidas, sem saber o que responder ao homem. Lamentavam ter que desmanchar tal felicidade.
Do lado de fora do hospital, George e Summerlee caminharam até uma cafeteria. Os dois professores sentaram em uma das mesas e o homem ruivo pediu ao garçom que lhes preparasse dois cafés fortes para acompanhar a importante conversa. Arthur não havia dito uma só palavra desde que saíram do Sta Mary's, o homem parecia alheio a tudo o que estava acontecendo, perdido em suas recordações e revivendo sentimentos de outras épocas.
"Arthur, diga-me qual é o problema? O que realmente está acontecendo?"
"Challenger, o que eu estou prestes a lhe dizer tem me atormentando a muito tempo. Nunca tive coragem de revelar a ninguém. Trata-se de uma culpa da qual eu jamais achei que teria oportunidade de ser perdoado" ele fez uma pausa, como se procurasse na memória por onde começar a contar "Você sabe que minha família era humilde, meu pai era um cocheiro e minha cuidava do jardim da mansão da família Howard" Challenger olhou com surpresa pro amigo ao ouvi-lo mencionar o nome da família da mãe de Marguerite. "Minha mãe era uma mulher muito sábia, conhecia muito sobre as plantas e seus usos. Uma herança que trazia consigo de sua descendência celta. Foi com ela que aprendi a amar botânica. A senhora da casa era muito próxima de minha mãe, ela não tinha filhos e se apegou muito a mim. Essa mulher de bom coração foi minha madrinha e proveu meus estudos. Quando completei 15 anos eu fui estudar em Londres, algum tempo depois Lady Howard concebeu filhas gêmeas pela mãos habilidosas de minha mãe. Passaram-se alguns anos e meus pais partiram desta existência e raríssimas vezes eu voltei a Lancashire. No verão de 1877 por insistência de minha madrinha eu aceitei o convite de passar as férias com eles. Nessa época eu já era um jovem professor, tinha por volta dos meus 30 anos e foi quando eu a conheci: Marguerite Olívia Howard, uma das filhas dos meus padrinhos. Ela tinha 17 anos, nos tornamos amigos, quase inseparáveis. Embora eu fosse mais velho, ambos éramos completamente inexperientes em assuntos do coração e essa foi a primeira vez em que eu ousei permitir me apaixonar. O sentimento foi recíproco e na mesma noite que confessamos nosso amor, eu procurei meu padrinho para respeitosamente pedir permissão para cortejá-la" ele parou, bebeu um gole do café. George podia notar o quanto era difícil para o amigo tocar neste tema tão delicado.
"Ele permitiu que você a cortejasse?"
Summerlee deu um riso sarcástico e continuou "de modo algum. Na mesma noite ele me expulsou de sua mansão. Disse que não era porque sua esposa havia se compadecido de minha situação e ter me dado uma oportunidade de ser alguém menos miserável, que eu seria digno de estar no convívio deles muito menos fazer parte da sua família" ele abaixou a cabeça "nunca me senti tão humilhado".
"E você voltou a vê-la?"
"Sim, mas isso foi muitos anos depois. Após aquela noite eu voltei a Londres e em pouco tempo conheci Anna, nos casamos, em seguida tivemos nosso filho. Eu soube que Lorde Howard se apressou em casar a filha com um diplomata, um político promissor, alguém que ele julgou digno de sua família. Vez ou outra eu a via nas colunas sociais. Ela morou em vários países e eu a seguia a distância. Talvez por sua carreira diplomata eles nunca tiveram filhos. Uma noite eu estava no meu laboratório e recebi uma visita inesperada. Lady Marguerite Rothemere apareceu em minha sala. Faziam vinte anos que não nos víamos e ela estava de passagem por Londres, em breve estaria de mudança pra Índia. Deus, como ela estava linda. Ainda mais linda do que quando a conheci" o cientista pigarreou, não sabia se estava pronto para as revelações que vinham a seguir, mas, Arthur precisava falar tudo, não guardaria esse segredo nem por mais um dia "nós conversamos por horas, ela me contou o quanto estava insatisfeita com a mudança para Índia e pela falta de estabilidade para constituir um lar. Quando nós demos conta já estava muito tarde e ela precisava ir. Mas, ao se despedir, a força da atração guardada por vinte anos foi maior que o nosso bom senso. Nos permitimos, ao menos por aquela noite, viver o que nos foi negado na juventude. Quando eu acordei pela manhã, ela não estava mais lá. Havia partido de volta para sua vida e eu me dei conta que por anos alimentei uma paixão mal resolvida, me neguei por vinte anos a chance de ser plenamente feliz em meu casamento. A partir daquele dia eu soube que Anna era o grande amor de minha vida e tenho certeza que Marguerite se deu conta que amava Sir Rothemere, ou então não teria partido sem se despedir. Tudo tinha sido um erro. Depois de alguns meses soube da tragédia e descobri que ela esperava uma criança que infelizmente morreu junto com a mãe. O remorso e a dúvida me perseguem desde então".
"Arthur, você acha que..."
"Eu não sei George. Não posso ter certeza, mas, as datas batem... e se eu estiver tendo a oportunidade de reparar meu erro? Se Deus foi misericordioso e colocou minha filha diante de mim todo esse tempo e agora está me castigando, deixando-me assistí-la morrer sem que eu possa fazer nada a respeito?" O botânico se rendeu as lágrimas.
Challenger estava impactado com o segredo do amigo. Não era capaz de julgá-lo, pois afinal de contas ele mesmo já tinha sido infiel a Jesse algumas vezes, mas, o que o deixava incrédulo era a ironia armada pelo destino que colocou desconhecidos predestinados naquele lugar mágico que era o platô. Qual seria o propósito de tudo isso?
"Escute-me. Marguerite ainda tem chances de sobreviver e você sempre foi bondoso e generoso com ela. O carinho entre vocês sempre foi mútuo e espontâneo. Um chamado do sangue se quiser assim denominá-lo. Era impossível saber quem ela era, nem a própria Marguerite sabia até esta noite. Não se culpe, meu amigo. De todos nós, você foi o primeiro que a enxergou como ela realmente é, por de trás daquele falso manto de egoísmo e arrogância que queria que se esforçava em demonstrar".
"Você consegue imaginar por tudo que ela deve ter passado sozinha e desamparada?"
"Isso estava além do seu poder, tudo que ocorreu a Marguerite serviu para torná-la a mulher forte e independente que é, a qual você tanto se orgulha. Ela é numa sobrevivente, vai supera mais esse desafio e agora ela tem pelo que lutar".
"Assim eu espero, meu amigo. Preciso ter a chance de lhe pedir perdão".
Enquanto isso, no hospital...
"E então?" John insistiu "Onde está minha esposa? Eu quero vê-la" já estava um pouco impaciente pelo silêncio das mulheres.
"Bem, milorde, o Dr. Summerlee virá conversar com o senhor em breve. Agora precisamos levar as meninas para o berçário" as enfermeiras pegaram as garotinhas e não deram mais nenhuma informação.
Os instintos de caçador de Roxton começaram a se alertar, e uma preocupação tomou conta de si. Benjamin também não aparecia. O que poderia ter acontecido? Um aperto no peito quase o sufocava e começava a pressentir o pior. Quando ele surgiu no fim do corredor, John foi ao seu encontro. Durante o curto caminho, ele pode notar uma expressão de derrota no médico, que trazia tristeza no olhar. Num impulso de raiva ele tirou a máscara arrebentando os nós que a prendiam atrás da cabeça. O caçador soube naquele momento o que isto significava, mas não podia acreditar. Ele precisava da confirmação. A dor era demais para que ele se dar ao luxo de racionalizar com clareza.
"Onde ela está?" Gritou ao segurar o Benjamin pela gola do avental.
"Eu lamento. Fiz tudo o que estava ao meu alcance"
"NÃO! É MENTIRA! VOCÊ ESTÁ MENTINDO...QUER NOS SEPARAR!" Ele chorava enquanto gritava com o médico que sequer revidava as acusações porque sabia da dor que o homem estava sentindo.
Numa atitude impetuosa , Roxton invadiu a sala do de parto e viu sobre a mesa o corpo imóvel de sua amada. Gritando seu nome ele a sacudiu.
"Marguerite, me escute! Reaja! Isto é uma ordem! Você precisa conhecer nossas filhas, elas são lindas e se parecem com você... eu não vou conseguir sozinho... por favor..." as palavras foram abafadas pelos soluços e pelas lágrimas de desespero que alagavam seu rosto.
Nos sonhos da herdeira, ela acordava em um campo de margaridas. Não estava mais vestida com sua camisola bordada, nem ostentava sua barriga de gestante. Apesar do ambiente estranho, ela não sentia medo. Não havia dor, nem culpa, apenas paz.
"Então morrer é isso?" Falou para si mesma "Nada mal para alguém como eu".
"Você não está morta...ainda. Ou melhor, você morreu, mas seu espírito ainda não deixou totalmente a sua matéria" uma voz feminina lhe respondeu.
Marguerite buscava a origem da voz, mas, para onde olhava só via flores.
"Quem é você ? Onde você está? Apareça!"
Um forte clarão se fez e Marguerite mal podia enxergar a silhueta feminina que emanava de dentro da luz. Com o tempo a intensidade do luminosidade foi diminuindo e a herdeira começou a reconhecer a mulher que se aproximava.
"Você?!"
"Sim, minha querida! Sou eu, sua mãe" a mulher estava emocionada e aflita "não temos muito tempo, recebi uma permissão para falar com você mas apenas por um momento. Então, me escute, por favor, e não me pergunte nada. Em breve você terá todas as respostas"
Marguerite apenas concordou com a cabeça.
"Minha criança, você sempre foi amada e desejada. O meu tesouro mais precioso. Embora eu não estive com você em matéria, espiritualmente eu sempre a acompanhei e por isso sei de todas as feridas que você carrega em seu coração. Entenda, que nada acontece por acaso, você foi ao platô em busca de saber quem era e sua origem esteve tão perto, e ainda está. Aprenda que além perdoar, você precisa se permitir o perdão é assim alcançará a plenitude. Agora, minha filha, é necessário que você volte. Seu marido e suas filhas precisam de você. Volte e viva a felicidade que está a sua espera. Eu te amo, nunca se esqueça"
Tão rápido quanto apareceu, a mulher se foi. Marguerite se sentiu confusa por um minuto, mas, ao longe ouviu uma voz a chamando com desespero. Ela caminhou hipnótica na direção da voz, ela sabia quem a chamava... era ele.
"John..."
Roxton se ajoelhou diante do corpo da esposa. A sua fronte apoiada no dorso das mãos tamanha a desolação que sentia. Aquilo não podia estar realmente acontecendo. As gotas de água salina que pingavam de seus olhos agora formavam pequenas poças no chão e ele pensava se valeria a pena viver em um mundo onde Marguerite não existia. O caçador era um homem que conhecia a dor da perda e da culpa, mas, nada que um dia sentiu se comparava a dilaceração que estava sofrendo. Era como se seu coração havia sido arrancado de seu peito, ele estava vazio. Envolto pela própria miséria, ele não ouviu quando em um sussurro chamaram seu nome e então, aconteceu de novo.
"John?!"
Por um momento ele achou ser um delírio, mas levantou os olhos com pressa para averiguar se seu desespero o estava levando as portas da loucura. Foi então que viu os lindos olhos acinzentados cheios de vida.
"Marguerite?! É você?!" Perguntou incrédulo.
"John, o que aconteceu? Porque você está chorando? Onde estão nossas filhas?"
"Meu amor, está tudo bem" disse entre lágrimas. "Nossas meninas são lindas e saudáveis" sorriu com entusiasmo. "Essas lágrimas são de felicidade, querida, de felicidade" ele acariciou a cabeça da mulher enquanto beijava os seus lábios.
Marguerite não conseguia lembrar-se exatamente da experiência que acabara de viver, mas ela se sentiu amada como nunca antes a palavra felicidade jamais havia feito tanto sentido.
