An Unexpected Partner

Capítulo 13 — I Wanna Dance With Somebody (Who Loves Me)

— And when I touch you I feel happy inside, it's such a feeling that my love, I can't hide, I can't hide, I can't hide (E quando eu te toco me sinto feliz por dentro. É um sentimento tão forte que, meu amor, eu não consigo esconder, eu não consigo esconder, eu não consigo esconder) — eu e Edward cantamos em uníssono.

Estávamos a quase 3 horas no carro, já próximo de Seattle. Havíamos acordado às 5 horas da manhã e saímos às 6:30. Passamos toda a viagem em meio a conversa e cantoria. Toda música que conhecíamos a letra que tocava na rádio a gente cantava, e não era diferente com Beatles que descobri ser uma das bandas favoritas de Edward. Eu preferia The Runaways, mas eu não conseguia deixar de apreciar a boa música dos caras, eles não era "Os Beatles" atoa. Então quando começou a tocar I Want To Hold Your Hand, eu e ele sabíamos a letra de trás para frente.

Eu me sentia feliz pela companhia de Edward, eu realmente não queria ter de vir sozinha. Eu não gostava de cidades grandes, era tudo muito perigoso e eu era uma medrosa nata. Não é atoa que voltei para Forks, onde nada acontecia, nada mudava.

O ápice da minha aventura, de uma vez para nunca mais, foi fazer faculdade na NYU. Essa foi definitivamente a prova de que eu só iria para uma cidade grande acompanhada e de passagem. Pois definitivamente não era para mim.

— Quanto falta para nós chegarmos em Seattle? — Edward perguntou.

— Cerca de 28 km — falei olhando para ele de relance.

— Certo, então deixa eu checar o que vamos fazer. Nós iremos primeiro para a *** pegar todas as encomendas que vocês fizeram e depois iremos na *** para comprar os móveis, mesas de cirurgia, etc. Acertei?

— Isso mesmo.

— Conseguiremos fazer tudo hoje?

— Acredito que sim, mas na dúvida temos nossas roupas. Não se preocupe, eu banco a festa — pisquei.

— Não é com isso que estou preocupado, eu só queria confirmar o que vamos fazer hoje.

— Eu sei, eu sei — falei tamborilando os dedos no volante — ei, tem uma IHOP em Seattle, a gente poderia ir lá? Eu não sei você, mas já estou morrendo de fome.

— Agora isso é uma boa ideia, Swan.

— Acompanhe-me Cullen, essa é a primeira de muitas — falei de forma confiante, piscando para ele rapidamente antes de focar na estrada à minha frente.

Não demorou muito para eu chegarmos em Seattle, na rádio tocava Everybody Wants To Rule The World do Tears For Fears que logo teve eu e Edward cantando em plenos pulmões enquanto passávamos pela paisagem de Seattle. Ao longe podíamos ver o Space Needle. Entramos I-5 Express em direção ao centro de Seattle, onde ficava o centro empresarial.

Eu não vou mentir, que Edward precisou ler o mapa umas duas vezes para conseguirmos encontrar o IHOP, mas logo estacionamos na frente e pudemos descer e esticar nossas pernas.

Assim que entramos falei para Edward escolher uma mesa, pois eu precisava muito ir ao banheiro. Fiz minhas necessidades rapidinho, lavei a mão e voltei para a mesa. Edward aproveitou para fazer o mesmo e eu aproveitei para olhar o menu.

Logo Edward voltou e fizemos o nosso pedido. Eu havia pedido um chá gelado, e o Mexican Tres Leches pancakes. E Edward pediu um café e o combo Split Decision breakfast. Ficamos alguns minutos em silencio, olhando um pra cara do outro com cara de sono. Antes de começarmos a rir um da cara do outro.

— Meu deus, é tão estranho — Edward disse.

— O que?

— Nós dois juntos — ele disse franzindo as sobrancelhas e balançando a cabeça com um sorriso meio contido — é estranho. Eu confesso que esses dias parecem quase um mundo distópico fora da realidade.

— Eu sei como você se sente. Cara, onde que a gente imaginaria nossos pais namorando, onde nós dois faríamos aula de dança juntos e seríamos amigos enquanto ajudamos com o casamento deles? Isso é totalmente outra realidade.

— Sim, exatamente — ele falou gesticulando, seus olhos meio arregalados, frisando a palavra — eu só consigo pensar que isso é muito surreal. Porque eles se conhecem há anos. O que mudou?

— Dirty Dancing — respondi.

— Não é atoa que eles querem refazer cenas do filme no final — ele resmungou.

Logo chegou a nossa comida e eu já fui atacando as panquecas alegremente. Uma mistura de doce de leite, creme de baunilha e chocolate era maravilhoso.

— Eu de forma surpreendente, estou gostando da aula de dança — Edward disse, em meio a mordidas em seu café da manhã — eu pensava que seria um porre, mas acabou que está sendo bem divertido. Eu não sabia que gostava de dançar.

— Você não gostava de dançar? — perguntei surpresa, já que ele até dança bem nas discotecas.

— Eu dançava para conquistar as garotas — ele falou, dando um sorriso malicioso — mas dizer que eu gosto de dançar, eu confesso que não gostava, até agora.

— Que fofo, Cullen, descobrindo um novo hobby.

Ele revirou os olhos.

— Só com a parceira certa — ele piscou e eu ri.

— Realmente, eu sou sensacional — concordei.

— Humilde também.

— Sempre — sorri.

Terminamos de comer e logo pagamos tudo e partimos. A nossa primeira parada foi na ***, ela ficava bem no centro de Seattle, e foi um saco estacionar. Eu e Edward saímos do carro e peguei uma pasta com a documentação e a lista dos materiais que eu pedi para fazer a checagem.

Todo o processo levou em torno de 4 horas, pois faltou algumas coisas e eles tiveram que ir buscar no depósito. Mas no mais, assinei os documentos e fiz o pagamento.

Assim que saímos já se passava das 14 horas. Eu e Edward paramos para almoçar num restaurante mexicano, e pegamos burritos para comermos no carro a caminho do ***. E era ali que o resto do nosso tempo precisava ser gasto.

A sorte é que eu e Rosalie, já tínhamos feito uma pesquisa de quais eram os melhores equipamentos, e sabíamos que ali tinha os melhores preços. Então assim que cheguei eu já fui direto para atendente e comecei a fazer meus pedidos. Dentre eles: raio x veterinário, máquina de ultrassom, bomba de infusão, kit de anestesia, cabos para bisturi, bandejas de inox, cuba, espéculo. Kit odontológico, kit oftalmológico, mesas de atendimento, móveis clínicos e outros itens essenciais.

A quantia que gastei ali foi astronômica.

Os itens grandes seriam levados para Forks pela transportadora deles, mas alguns já iriam comigo, e eu acabei lotando toda a parte traseira da picape.

Eu ainda não acreditava que eu e Rosalie havíamos conseguido um empréstimo que cobriria nossas despesas, mas obviamente o banco viu que teríamos sorte devido a localidade remota com muitas fazendas e nenhum atendimento. Nós faturaríamos, e se não... eu nem quero pensar. Em breve as parcelas viriam, e nós teríamos que pagar.

Edward foi de grande ajuda, me ajudando a carregar as caixas e arrumando as coisas na traseira da picape. Ele era muito mais organizado que eu, e conseguiu fazer tudo se encaixar, Cobri tudo com uma lona e amarramos tudo.

Então percebemos que já era tarde demais para irmos embora. Então seguimos em busca de um hotel que não fosse absurdamente caro. Logo encontramos um hotel que não parecia ser uma merda completa e nem um luxo absoluto. Algo que conseguiríamos pagar e tinha um estacionamento para a picape.

Estacionei a picape e saímos do carro já pegando nossas mochilas e seguindo para dentro do hotel. O hotel em si era bem organizado, as paredes pintadas em um tom acinzentado, era elegante, mas não luxuoso. Fomos até a recepção onde já tinha uma pessoa sendo atendida e aguardamos.

— Espero que tenham vaga — Edward falou. Suas mãos no bolso e o pé batendo de forma impaciente.

— Eu também espero, estou cansada.

Logo as pessoas à nossa frente saíram e fomos finalmente atendidos.

— Olá gostaríamos de dois quartos — pedi.

— Infelizmente não estamos mais tendo dois quartos individuais — a atendente falou — temos só um, com cama de casal. Ou um com duas camas.

Eu e Edward nos olhamos e inclinamos a cabeça, como se dissesse "porque não?".

— Vamos querer o com duas camas — falei.

— Certo, a diária é de U$ 150.

Tirei o dinheiro da carteira e entreguei para a moça pagando tudo, antes que Edward pudesse fazer um movimento, ele resmungou e ainda tentou dar 100 reais para mim, mas me recusei a pegar. Ele acabou desistindo enquanto eu fazia o nosso cadastro claramente o ignorando.

Assim que terminamos tudo a moça entregou a chave do quarto para nós dois e indicou o andar que ficava e o número da porta. Pegamos o elevador até o quarto andar, e rapidamente achamos o quarto já entrando.

O quarto era limpo e acolhedor, nada fugindo do padrão de hotéis, as duas camas eram até grandes, não parecia cama de solteiro. Melhor ainda, eu me joguei na cama próxima da janela e me estiquei toda sentindo os músculos do meu corpo protestando depois do dia cansativo.

— Meu deus era isso que eu precisava.

— Nossa, sim — Edward disse e eu olhei pro lado e vi que ele também estava deitado na cama.

— Que bom que vamos ficar aqui, vai ser menos cansativo para quando formos amanhã.

— Com certeza. Apesar que... Que tal nós irmos numa discoteca que tem aqui em Seattle. Aquela que faz sucesso que tem até dançarinas exóticas?

— Está todo interessado em Cullen? — perguntei erguendo meu corpo o suficiente para dar um sorriso malicioso para ele que riu.

— Nada como mulheres seminuas — ele respondeu dando um sorriso safado que se eu não estivesse deitada, eu teria caído. O que diabos?

— Pode ser — respondi meio atordoada.

Eu então virei o rosto e enterrei a cara no travesseiro tentando entender o que aconteceu. Oras, bolas. Desde quando eu acho o Cullen gostoso?

Ele é bonito. Sim, eu não nego. Ele é sexy? Sim, eu não nego. Gostoso? Ok, eu não posso negar isso. Mas desde quando eu comecei a ter interesse por ele?

Não, não podia ser. Ele é muito bonito e qualquer garota saudável teria uma epifania quando um garoto bonito faz algo que ela considera sexy.

Sim. É isso.

Só podia ser isso.

—x—x—

Três horas depois, eu e Edward estávamos parados do lado de fora da Up Down. O lugar era claramente muito badalado, e eu de repente fiquei feliz de ter colocado o meu vestido de lantejoulas curto que tinha um decote em v, que marcava minhas curvas da melhor forma. Obrigada sexto sentido feminino.

Sorri para Edward animada. Definitivamente seria divertido. Assim que entramos na boate já estava tocando Domino Dancing do Pet Shop Boys, o que me fez dar um gritinho e já arrastar Edward para pista de dança sem nem mesmo uma pausa para a bebida.

Logo Edward estava dançando comigo. Nossos corpos se movendo junto. Enquanto cantávamos a música só para nós dois. Ele me girou e eu ri voltando meu corpo para encontrar o seu, balancei meus quadris de um lado pro outro e ri.

Quando a música finalmente acabou e começou a tocar outra que eu não conhecia, eu realmente parei para olhar em volta e me ambientar. Edward riu quando percebeu que agora que eu estava olhando em volta. Enquanto eu olhava e via as paredes escuras, iluminadas por luzes coloridas, e o globo de luzes girando no teto que era maior que o comum. Vi alguns postes e algumas mulheres dançando semi nuas, como Edward disse que teria. Edward aproveitou para me arrastar para o bar.

Hoje eu havia decido evitar a cerveja e então pedi um Cosmopolitan. Edward também decidiu me acompanhar e estava bebendo cuba libre.

O nosso erro talvez tenha sido misturar, porque logo que terminamos desafiamos um ao outro num concurso de tequila. 5 shots cada, e quem terminasse primeiro vencia. Eu venci. E dai foi só ladeira abaixo.

Já estávamos para lá de bêbados quando começou a tocar uma das minhas músicas favoritas me fazendo arrasta-lo de volta para a pista de dança. Quando (I'll Never Be) Maria Magdalena da Sandra começou a tocar, eu me senti quase outra pessoa enquanto olhava para Edward.

Eu comecei a rebolar e sensualizar para Edward, olhando para ele. Eu não sabia o porquê eu estava fazendo isso, só que eu queria fazer isso. Eu sorri enquanto passava a mão sob meu corpo e sorria para ele. Só que eu gostava muito da música e não resisti em canta-la nem que seja um pedacinho.

— Why must I lie? Find álibis. When will you wake up and realise, I can't surrender to you (por que devo mentir? Localizar álibis. Quando você acordar e perceber. Eu não posso me render a você.) — Cantei olhando em seus olhos. Logo eu parei e ri. E virei de costas encostando meu corpo contra o dele, seus dedos tocaram minha cintura que se mexia contra seu corpo o provocando. Eu gostei disso, eu inclinei minha cabeça e senti seu nariz em meu pescoço enquanto dançávamos juntos.

Meu corpo se arrepiou contra seu corpo. Eu nunca me senti tão viva, eu não sabia se eu estava alta por causa dele, do álcool, ou o conjunto dos dois. Mas eu me sentia invencível, sensual e desejada. E eu naquele momento o queria tanto. Aquilo era mesmo certo?

Eu não ia pensar nisso.

Eu ia dançar.

Eu só precisava dançar.

Depois eu pensaria, agora eu dançaria.

E como se num chamado místico, começou a tocar "I Wanna Dance With Somebody (who loves me)" da Withney Houston. E eu ri me afastando um pouco de Edward, o suficiente para virar e pegar sua mão. Ele parecia entender o que eu queria, já que começou a dançar comigo, meus passos acompanhando o seu, seu corpo acompanhando o meu, dançando no ritmo da música.

E era impressionante o quanto nós tínhamos química, o quanto dançar com ele era bom. Os pensamentos passavam por minha mente naquele momento nunca foram tão claros. Eu gostava de estar ali em seus braços, eu gostava da forma como ele me fazia me sentir ali. Eu amava ser sua parceira de dança e por um brevíssimo segundo, fiquei fascinada com a ideia de tê-lo em meus braços e dançar com ele pelo resto de nossas vidas.

E ali olhando nos olhos verdes de Edward, com meus braços agora enrolados em torno do seu pescoço e seu braço em torno da minha cintura. Enquanto a música ecoava na minha cabeça.

"I wanna dance with somebody, I wanna feel the heart with somebody, yeah, I wanna dance with somebody, with somebody who loves me" (Quero dançar com alguém, quero sentir o calor com alguém, sim, quero dançar com alguém, com alguém que me ame).

Eu ouvia a música e sentia meu coração acelerar, meu corpo se arrepiar, meu estômago embrulhar de nervoso e ao mesmo tempo eu sentia uma expectativa que não sentia a muito, muito tempo. Eu não sei o que se passava na cabeça de Edward, mas a forma que ele me olhava era quase... como se ele gostasse de mim. Que ele gostasse de estar ali comigo em seus braços.

Eu acho que foi a bebida que me fez tomar a decisão que tomei ali. O impulso que me levou ali. Mas antes de parar de dançar e me erguer na ponta dos pés para encostar meus lábios no seu, a única coisa que ecoava em minha cabeça era que eu queria dançar com alguém que me amasse, e que eu queria que ele fosse esse alguém.

Quando meus lábios finalmente tocaram os de Edward, o meu mundo parou. Por um segundo, enquanto meus lábios encostaram de forma até mesmo desajeitada contra ele, eu não me movia. Surpreendida pelo meu movimento impulsivo, mas logo eu me derreti em seus braços. Meus dedos em seu pescoço subindo por seu corpo cabeludo e o puxando para mim, e eu ajeitei meus lábios no seus.

Os braços de Edward se apertaram em volta da minha cintura enquanto seus lábios se entreabriam para responder ao meu beijo, com fome. Algo que me surpreendeu. Edward respondeu ao meu beijo com tanto ardor e paixão que me roubou todo o folego, mas nem assim consegui deixar de beijá-lo. Nossas línguas se enroscaram uma com a outra, e meu corpo todo respondia a cada sensação que ele despertava em mim.

E quando finalmente nos afastamos, sem fôlego e com os lábios levemente inchados da ferocidade de nosso primeiro beijo, eu só conseguia olhar em seus olhos, sem acreditar que aquele momento aconteceu e me perguntando: por que não aconteceu antes?