Com esse eu passo a estar "apenas" cinco capítulos atrasado em NQO e incríveis DEZESSEIS em AFC, certo? Boy, I really fucked up. Lembrando de que eu ainda estou aceitando pedidos para as fanfics de dia dos namorados.
Nada fazia sentido.
Como era possível que num total de setenta dias tentando pescar de qualquer sem parar não desse para fisgar um peixe sequer, por menor que fosse? A essa altura eles já haviam percorrido uma distância absurda mar a dentro, não havia uma simples explicação lógica para o que estava acontecendo aqui, do porquê deles não alcançarem nunca a terra firme ou do porquê não havia peixes no meio disso tudo.
Era possível que existisse um deserto oceânico? Como ele nunca tinha ouvido falar disso em toda a sua vida? Não eram os oceanos a origem de toda a vida ou qualquer baboseira dessas que os cientistas falavam?
Então onde estavam todos?
Ele não fazia questão de escolher, até mesmo um rei dos mares serviria agora, qualquer pedaço de carne que brotasse dessas águas seria suficiente!
—Tem certeza de que não dá pra comer essas raízes?- perguntou ele para Usopp, que estava sentado ao seu lado, observando o mar, outrora transparente de tão cristalino, agora coberto de branco e tons claros de verde.
Com um suspiro cansado, o atirador começou a explicar pela milésima vez.
—Essa é uma planta é uma planta-sangue-suga, se você tentar morder ela vai simplesmente criar raízes por entre seus dentes, até conseguir ferir uma de suas gengivas ou encontrar uma ferida já aberto e começar a beber de seu sangue.- começou a explicar ele. —Ela cria essas raízes gigantes em rios e lagoas justamente pra encontrar algum hospedeiro. Quando ela consegue, as outras raízes se desmancham e ela se infiltra na corrente sanguínea do que quer que ela tenha pegado pra poder se proliferar por dentro do corpo do hospedeiro até que ele morra e ela possa florescer de seu cadáver.
—Credo, que horror! Porque você guarda essa coisa que provavelmente saiu da cabeça da Robin perto de onde eu durmo?!- a pergunta exasperada feita por Franky trouxe um fraco sorriso ao rosto de Usopp.
—Eu até pensei em tentar cozinhar ela, mas quando eu tentei cortar as raízes de desmancharam.
—Isso é perigoso, Sanji! Você não devia se envolver com esse tipo de coisa de planta assassina!
Ao que o cozinheiro deu de ombros.
—Eu já cozinhei comidas venenosas antes, não é como se o perigo fosse algo novo no mundo da culinária. Ainda assim, é impressionante como as suas sementes não são comestíveis. Aquele seu maldito milho não amolece nem com horas no fogo.- enquanto comentava o cozinheiro acendia um cigarro simplesmente fazendo refletir sobre sua ponta a luz do sol com uma colher.
—Você tem certeza de que é uma boa ideia fumar nesse estado?- um suor frio desceu pela espinha de Franky ao ver como era possível distinguir as veias e artérias da faringe de Sanji de tão magro que ele estava.
—Não seja idiota, fumei a vida toda, se for pra morrer fora de um campo de batalha que seja com um cigarro na boca.
—Os animais do arquipélago Boing são muito variados, a maioria é forte ou resistente o bastante pra lidar com as frutas e plantas de lá.- a resposta tardia veio enquanto que Usopp analisava uma semente que tentava alcançar seu dedão para fazer sabe-se lá o que com ele.
—Aquele arquipélago que devora todos os animais que estão nele de tempo em tempo? Realmente parece ser um lugar bem exótico.- o comentário de Robin como quem pensa num bom lugar para passar as férias era completamente destoante do estado de sua figura esquelética.
Com uma tossida Sanji emendou. —Aquela ilha que é uma super planta carnívora, né? Me pergunto se dá pra cozinha ela... com certeza daria pra matar a fome de um país inteiro por anos. Ou encher a barriga do nosso capitão por uma noite ou duas.- comentou em tom de brincadeira, mas Franky conseguiu pegar o toque de escárnio por trás da piada.
Até porque o próprio Franky sentiu seu estômago se revirar com a menção de Luffy.
—Ele realmente come muito, mas é o jeito dele, é como uma criança que está em eterno crescimento.- apesar da expressão e do tom de voz de Robin se mantiverem planos, era estranhamente perceptível o quão defensivo fora o comentário.
—Aqui, pessoal.- Brook apareceu antes que houvesse tempo de qualquer um contestar.
—Bem na hora.- foi o comentário de Sanji pegando um copo com alguns comprimidos dentro.
—Ainda é o mesmo?- perguntou Usopp pegando um copo a igual que Robin.
—Sim.
A resposta de Brook trouxe uma cara horrorizada de nojo ao rosto do atirador.
—Até quando vamos ter que tomar esses remédios?!
—Até que o doutor Chopper diga o contrário.
—Toda vez que eu engulo isso eu sinto como se estivessem arrancando a minha garganta pela parte de baixo do meu corpo e me forçando a engolir ela de volta para recolocar no lugar.- os dizeres de Robin eram acompanhados por um semblante imutável logo após engolir seus remédios.
—Nem me fale!- concordou o pobre atirador.
—Você pode entregar para Nami-san?- Brook entregou o último copo para Robin.
Franky se afastou do grupo que estava do lado de fora da cozinha conversando sobre mundaniedades e se encontrou descendo os degraus que levavam ao andar de baixo.
Apesar de Brook surpreendentemente não ter feito a piada sobre não estar faminto por "já estar morto"(yohohohohohohoho), era simplesmente desolador vê-lo ao lado de seus companheiros.
A cada dia que passava eles estavam cada vez mais semelhantes ao esqueleto.
E não havia nada que realmente pudesse ser feito. Ele já havia tentado de tudo. Já havia pescado de todas as maneiras possíveis, já havia mergulhado, já tentado transformar as sementes do Usopp em algo comestível, já havia até mesmo tentado criar um sistema para caçar pássaros.
Para o inferno com esse tal tratado de der Vogelweiss, se ele tivesse a oportunidade quebraria o pescoço do primeiro News Coo que visse.
Eles já não tinham tempo.
Seus amigos já não tinham tempo, seus corpos não aguentariam muito mais do que já suportaram.
Ele já não tinha tempo.
O lado humano de seu corpo já havia entrado em falência, assim que seu combustível terminasse ele estaria tão bem quanto um cadáver em si.
Eles estavam no limite da morte e todos pareciam já ter aceitado.
O imbecil do seu capitão não saíra da proa desde que houve aquela discussão, sempre parado junto dos dois patetas, seus fieis escudeiros.
Sanji até tinha tentado fazer lanches de coisas não comestíveis, um hambúrguer de ripas de madeira entre duas fatias de sapato servidas com tiras de cinto e com trapos extras. O gosto era horrível, a digestão pior, mas o que vale é a intenção.
Usopp bem que tentou ajuda-lo à pescar, mas já não tinha forças para se levantar e toda a ajuda que ele poderia prestar era oral.
Nami e Robin passam a maior parte do tempo em seus quartos, aonde podem permanecer nuas para tentar aliviar um pouco o calor intenso que sentiam.
Brook agora era o ajudante oficial de Chopper que não largava da enfermaria, tentando desenvolver alguma droga ou remédio que os faça viver um pouco mais e no fim, todos os esforços de Franky não serviram para nada.
Nada além de entregar o Thousand Sunny como o melhor navio fantasma do mundo nas mãos do primeiro idiota que o encontrasse.
Ele amaldiçoou a própria sorte, lançando ao mar uma lança com múltiplas pontas que, ao entrarem em contato com a água dispararam em todas as direções mar a fundo apenas para explodirem e gerarem mais e mais raízes.
Ajoelhado sobre o corrimão de sua obra prima, ele se limitou a encarar as raízes crescendo e os intrigantes padrões que elas formavam na água límpida.
Claro que ele podia sentir os olhos de seus companheiros sobre si, mas os ignorou, resignando-se à encarar as raízes como quem encara o próprio fracasso e esperar por qualquer mudança na vã esperança de uma salvação tal como quem espera pela própria morte que caminha a passos lentos porém certeiros em sua direção.
E assim adormeceu.
A madrugada já era adulta quando recobrou a consciência.
Sons estranhos como o de várias pequenas bolhas se formando e estourando foram ouvidos pelo Ciborgue.
Olhou ao redor apenas para encontrar-se sozinho, mas os sons estranhos prosseguiram.
Sua origem não foi difícil de encontrar, no entanto.
Vinha do mar.
Onde muitas das raízes que ali proliferaram estavam agora se desfazendo, desmanchando-se na mesma direção.
Isso só queria dizer uma coisa: comida.
Tentou agarrar a linha que estava presa às raízes, mas ela caiu sobre as águas, sendo puxada pelas raízes também.
Não precisou, no entanto, se desesperar, pois era plenamente visível para os olhos robóticos de Franky.
Longe no horizonte havia algo, ele sabia.
Ele não gostava do que isso significava, mas no momento ele não se importava ou sequer tinha qualquer escolha.
Abriu suas pernas e dobrou seus joelhos, igualando a linha de sua cintura com a linha de seus joelhos, de seus calcanhares saíram pás de aderência que ao se encostaram contra a superfície de madeira do Sunny prenderam-se à ele firmemente.
—Longe demais para o meu Strong Right... não tenho outra opção, senão...
Entrelaçou seus dedos, juntando suas mãos apontadas para frente.
—Strong Right! Weapons Left! Juntas nós temos...
Da superfície de seus antebraços surgiram aberturas, destas sairão dez canos de canhão miradas para as costas de Franky e dez pontas afiadas como dedos gigantes apontadas para a frente.
Abriu-se também uma tampa que fica nos ombros esféricos do Ciborgue, circundando a junção com os braços do homem, revelando por ali um extenso cabo que dava voltas e mais voltas ao redor do eixo de seus braços e se conectava à eles na ponta.
—ROOKIE SHOULDERS!
Ao seu comando os canhões deram ignição, gerando um empuxo tão poderoso que não só tentava arrastar o corpulento homem como estavam começando a deslocar levemente o navio.
Após acertar os últimos detalhes da mira, ele estava pronto para a partida.
—LI~~FTO~~FF!
E no entanto, o lançamento fora interrompido, os canhões se desligaram, as luzes se apagaram, todos os processos e calculos foram parados e qualquer atividade foi encerrada.
Já não havia mais combustível.
Já não havia mais Franky.
Já não havia tempo para mais nada.
E com isso encerramos os capítulos do Franky. GRAZADEU, não tava mais aguentando escrever sobre esse porra. O título do capítulo tem uma brincadeirinha, mas ninguém se importa. Ah, o "Rookie Shoulders! Liftoff!" é uma coisinha criada por mim, tá? Não que seja relevante, é claro. Por sinal, tem um trocadelho nesse nome, mas se você não pegou meio que foda-se. É isso queridos, papai ama vcs. Dexa eu i lá q eu to morreno de sono fome cansaço decepçao e as porra toda.
