Capítulo Vinte e Sete: A Segunda Profecia de Trelawney

"Pega."

Esse foi todo o aviso que Harry deu a Peter antes que ele jogasse sua varinha. Mas parecia ser o único aviso de que Peter precisava, enquanto pegava a varinha habilmente no ar com sua mão - a esquerda, Harry notou - e então a trouxe para perto de si.

Harry parou e observou com um pequeno sorriso, aproveitando a oportunidade para renovar seus feitiços de aquecimento. Peter olhou para a varinha de ébano com o olhar que Harry imaginou que teria se um dos outros Marotos se aproximasse, estendesse a mão e oferecesse para renovar sua amizade. Seu pulso tremia enquanto ele lentamente segurava a varinha diante de si, apontava para nada em particular e sussurrava: "Lumus."

Harry aplaudiu quando a luz começou a brilhar na ponta da varinha e se espalhar na frente dele, iluminando a neve que se estendia ao redor da borda da Floresta Proibida, ininterrupta exceto por seus rastros, os de Peter e uma trilha longa, fina e sinuosa que Harry pensou que poderia viver sem saber a origem. Peter puxou sua varinha de volta para si. Ele ainda estava olhando-a.

Então ele olhou para cima e soltou um suspiro curto. "Onde você conseguiu ela?" ele sussurrou.

Harry encolheu os ombros. "McGonagall entregou para mim. Você teria que perguntar a ela." Ele fez uma careta e ajustou o cachecol para que se enrolasse mais perto de seu pescoço quando uma rajada de vento frio beliscou sua garganta. Peter usava roupas esfarrapadas sobre roupas esfarrapadas. Harry sabia que provavelmente as estava roubando. Pelo menos ele seria capaz de usar magia agora, com sua varinha de volta. "Estou com ela há cerca de três semanas. Lamento não ter podido sair e vê-lo mais cedo para devolvê-la, mas Snape me manteve sob controle mais rígido do que eu pensava." A única coisa boa que Harry poderia dizer sobre as restrições que Snape negociou com ele foi que ele preencheu o tempo que Harry tinha que passar no castelo com treinamento de magia defensiva e preparo de poções além da Mata Cão. Se Harry tivesse sido forçado a fazer coisas completamente improdutivas durante esse tempo, como dormir, ele teria se preocupado.

"Obrigado," Peter sussurrou mais uma vez, e colocou a varinha no bolso do casaco.

Harry hesitou, então perguntou. "Eu queria saber como você esteve evitando os Dementadores por tanto tempo, e conseguindo sobreviver."

Peter mostrou algo que só podia ser chamado de sorriso porque estava em seu rosto e usava seus dentes e lábios. "Eu passo muito tempo como rato, Harry. Não ficamos gelados tão facilmente e sempre posso encontrar muito para comer."

"Ah, certo," Harry murmurou, sentindo-se estúpido. Mas então, ele vinha se sentido assim muitas vezes nas últimas três semanas. Ele suspeitava que havia cometido um erro, mas perguntar à Draco e Snape sobre isso apenas produzia garantias veementes de que não, ele não havia cometido. Ele tinha vindo aqui só parcialmente para devolver a varinha de Peter.

Peter reconheceu os sinais em seu rosto e soltou um bufo suave que Harry suspeitava que nenhum rato jamais fizera. "Faça a próxima pergunta, Harry. Eu te prometo, eu não mordo." Ele mostrou os dentes da frente enormes novamente. "A menos que você seja Dumbledore."

Harry riu, e usou a risada para facilitar seu caminho para a próxima pergunta. "Hum - você sabe o que aconteceu com Lily?"

Peter assentiu com a cabeça lentamente, seus olhos fixos nele. "Eu estive - farejando alguns lugares onde Dumbledore se esqueceu de fechar as proteções", ele disse. "Eu não fui um Maroto à toa, sabe. E eu ouvi algumas coisas. Mas não toda a verdade."

Harry soltou um suspiro profundo. "Bem. Usei um ritual de justiça com ela. Uma dança puro-sangue. Isso a tornou uma Trouxa."

"E seu irmão culpa você," Peter supôs facilmente. Ele suspirou. "Eu não fico surpreso, realmente. Lily e Sirius pegaram ele primeiro, e Merlin sabe por que razão, eles sempre quiseram encher sua cabeça de baboseiras. Suponho que você disse a ele a verdade e ele não acreditou totalmente em você, certo?"

Harry engoliu em seco. Aqui estava o ponto crucial do erro que ele suspeitava ter cometido. "Hum."

Peter olhou fixamente para ele, os olhos redondos na luz fraca ainda brilhando de dentro do bolso do casaco. "Harry", ele disse, parecendo chocado.

Harry suspirou e passou a mão pelo cabelo. "Eu realmente queria", ele disse. "Sério. Mas eu pensei que ele deveria ter qualquer família e inocência que lhe restasse, e—"

"Você é um idiota", disse Peter sem rodeios. Harry piscou, mas assentiu com a cabeça. Ele poderia aceitar o insulto sem vacilar. Ele certamente merecia se realmente tivesse cometido o erro que suspeitava ter cometido. "Sirius não é adequado para ser a família de ninguém. E Dumbledore é quem vai controlá-lo agora. Lily mal consegue agir sem o controle dele."

"Não sei se isso é verdade", disse Harry, lembrando-se dos olhos da Trouxa, e afastou a ideia. Ele não gostava de pensar nela. "A questão é que não sei como contar a Connor sobre o ritual de justiça sem contar a ele sobre tudo que ela fez para torná-lo necessário."

"A teia da fênix?" Peter perguntou.

Harry concordou. "Entre outras coisas."

"E por que você quer mantê-las em segredo?"

"Não gosto que ninguém saiba sobre elas", disse Harry categoricamente. "Todos os que sabem sobre elas sabem porque as causaram, ou porque sofreram algo semelhante - como você - ou porque não consegui impedi-los de descobrir." Ele fez uma careta, pensando em Snape, e em como ele continuava espiando detalhes dos pesadelos de Harry, detalhes que Harry nunca quis dar. "E eu pensei que Connor não deveria ter que crescer tão rápido-"

"Eu esperava que você compartilhasse minha história com ele," disse Peter, sua voz levantando ligeiramente. "Eu esperava vê-lo aqui com você alguma noite. Eu pensei que ele estava simplesmente sendo teimoso, ou Sirius o pegou primeiro e o convenceu a acreditar no que ele quisesse. Mas agora, ouvir que você não disse nada a ele -" Ele estreitou os olhos para Harry. "Estou decepcionado com você, Harry."

Harry respirou fundo e forçou as memórias gritantes a recuar e deixar sua mente clara. Essa era uma das técnicas de Oclumência que Snape lhe ensinou, uma que deixava as memórias nadar sob a superfície de seus pensamentos, presentes, mas sem interferindo em suas emoções. Ele não conseguia ouvir o eco da voz da Trouxa na de Peter toda vez que ele dizia algo assim. Se ele tinha falhado, então ele tinha falhado, e isso não significa que ele tinha falhado no intenso programa de treinamento que a Trouxa o colocou, onde seu fracasso significaria a morte de seu irmão.

"Vou falar com ele, então," disse Harry calmamente. "Eu perguntei a Draco e Snape sobre isso, mas os dois disseram que eu não precisava."

"Você precisa," disse Peter, quase violentamente. "Vá até Dumbledore se for preciso, se Connor não ouvir. Pergunte a ele o que seria necessário para deixar seu irmão livre." Ele se inclinou para trás e olhou fixamente para Harry. "Você sabe uma das razões pelas quais concordei em me tornar o sacrifício de Sirius em primeiro lugar, Harry?"

Harry piscou. "Eu pensei que Dumbledore tinha te persuadido. Ou compelido você. E que Sirius iria quebrar."

Peter inclinou a cabeça. "Tinha um pouco de tudo isso. Mas, sinceramente, achei que isso iria... conquistar a verdadeira amizade dele. Eu amei eles. Eu já podia ver no nosso sexto ano em Hogwarts que eles não me amavam exatamente da mesma maneira." Sua boca se torceu. "Eu era muito pequeno, ou muito gordo, ou não era simpático o suficiente, suponho."

Harry se perguntou quanto tempo levou para recitar aquelas verdades para si mesmo sem vacilar.

"Eu pensei", sussurrou Peter, "que ser um sacrifício os faria perceber o quanto eu valia."

Ele abriu as mãos e ergueu a voz novamente. "E não funcionou. Eles nunca vieram me ver em Azkaban. Eles nunca pareceram pensar em mim novamente, exceto para me descrever como um traidor do mal. "

Ele olhou diretamente nos olhos de Harry. "Sacrificar-se assim não é a maneira de fazer seu irmão te amar, Harry."

Se ele tivesse dado um soco em Harry, não o teria atordoado mais. Harry ficou ali, piscando, a fumaça de sua respiração diante dele, e não conseguindo pensar em nada para dizer.

"Vá falar com ele," Peter sussurrou. "Se você o ama, mas não só por causa disso. Se você quiser que ele te ame. Eu deveria ter recusado Dumbledore. Os outros não podiam desgostar mais de mim do que já faziam. E eu teria tido minha liberdade. Acho que você pode ter mais do que isso. Se você ama seu irmão tanto, então deve haver algo bom para amar."

"Vá falar com ele."

Harry respirou fundo, assentiu com a cabeça uma vez e depois se virou e voltou para a escola, ouvindo atrás de si o bater das patas de um rato na neve.


"Connor."

Connor se virou e ficou tenso. Harry caminhou até ele, respirando tão calmamente quanto podia. Ele lembrou a si mesmo que todos os outros ainda estariam jantando no Salão Principal, ou trabalhando furiosamente nos deveres de casa que deviam ser entregues no dia seguinte, já que era noite de domingo. Ele rastreou Connor até este canto remoto da escola com o Mapa do Maroto. Ele poderia falar com ele sem ninguém interferir.

Connor cruzou os braços. "Vou me encontrar com Sirius," ele disse, a voz afiada como um tapa. "Vá embora."

"Eu não posso." Harry balançou a cabeça. Suas mãos também tremiam. Ele as segurou nas costas para acalmar o tremor. Quase tão forte quanto seu medo de dizer a verdade era a náusea ao pensar no que seu fracasso poderia ter custado a Connor. Harry tentou o máximo que pôde ignorar seu treinamento. Não faria nenhum bem a eles agora.

Connor o observou em silêncio. Seus braços ainda estavam cruzados, sua cabeça inclinada para um lado, seus olhos castanhos estreitados com antipatia. Harry percebeu abruptamente que a pose era uma que ele nunca tinha visto seu irmão usar antes. Ele quase certamente a copiou de Sirius.

"Eu tenho que te contar sobre o ritual que usei na mamãe," disse Harry. Ele poderia chamá-la assim, por uma questão de reparar seu relacionamento com seu irmão. Ele não queria chamá-la de "a Trouxa" e ver os olhos de Connor se arregalarem de nojo. "Foi um ritual de justiça, Connor, não um ritual de vingança, o que quer que eles tenham dito a você. Eu prometo. Não teria funcionado se ela não tivesse me machucado."

"É disso que a Professora McGonagall tem tentado me convencer," disse Connor, em uma fala arrastada e preguiçosa que soava como Sirius... talvez. Harry não tinha ouvido Sirius soar tão desdenhoso. Talvez esta seja a voz que ele usa quando estavam sozinhos e falando sobre Sonserinos. "Mas não é verdade. Eu sei que não pode ser verdade. Mamãe e Sirius já me disseram que era um ritual de vingança."

"Eu prometo que foi," disse Harry. "O que você quer que eu jure? Merlin? Magia? Meu amor por você? Estou preparado para jurar por qualquer um deles. " Ele estava mesmo. Na verdade, isso iria contentar um pouco da ansiedade que batia em sua mente. Um ritual de puro-sangue era a coisa certa.

"Eu não quero que você jure por nada", disse Connor, sua voz inesperadamente crua. "Mamãe me disse que você tentaria um juramento assim, para me fazer ouvir. Ela disse que eu não podia confiar em você, que não era possível para um sonserino manter sua palavra. E Sirius concordou com ela."

Harry deu um passo para trás, incerto, então se recompôs. "Eu não-"

"Você a viu, Harry?" Connor sussurrou. "Você a viu desde que a transformou em Trouxa e tirou a magia dela? Ela parece uma mariposa. Ela mal consegue se mover, mal consegue levantar a cabeça do travesseiro pela manhã. Sirius me aparatou em Godric's Hollow para vê-la. Se Dumbledore não tivesse enviado um elfo doméstico para cuidar dela, ela estaria completamente sozinha, já que papai fugiu como o covarde que é." A voz de Connor arranhou e sibilou. "Ela não tem interesse em nada. Ela não quer comer. Ela dorme o tempo todo. Isso soa como se você a tivesse deixado viva, porra?" A voz de Connor estava aumentando agora.

Harry estremeceu. Eles estavam no corredor do quinto andar, mas Connor poderia atrair a atenção de um monitor a qualquer momento. Mas ele havia prometido a Peter que faria isso, e ele queria que Connor entendesse, se pudesse.

"Ela me machucou, Connor," disse Harry rápido, antes que pudesse mudar de ideia.

Connor olhou fixamente para ele, então balançou a cabeça com um bufo. "Não, ela não machucou", ele disse. "Eu nunca vi um hematoma em você, e você não poderia ter escondido isso."

"Não assim," disse Harry. "Mentalmente. Eu tinha algo chamado teia da fênix em mim. Você pode perguntar a Hermione sobre ela se não acreditar em mim. Ela pode confirmar que existe. Ela limitou minha magia e me forçou a pensar em servir e amar você acima de qualquer coisa."

Connor olhou para ele. Harry olhou de volta e esperou por alguma reação.

Então Connor balançou a cabeça novamente e disse: "Eu não entendo. Você sempre me amou de qualquer maneira, Harry." Sua voz estava melancólica. Ela mudou antes que Harry pudesse tirar vantagem. "Ou eu pensei que você amava. Então, se a teia estava forçando você a amar as pessoas e não machucá-las com sua magia, então ela era boa. Devia ser." Ele deu um passo à frente. "É por isso que você não me ama mais, por isso você machucou a mamãe de um modo pior que a morte? Porque você só era uma boa pessoa porque a teia fez você ser?"

Harry cerrou as mãos. "Não," ele disse calmamente. "É muito mais complicado do que isso, Connor. Você não entende tudo ainda. Posso contar a história completa—"

"Ela disse que você faria isso também," Connor interrompeu. "A mamãe. Ela disse que você diria que eu não entendia tudo e que você tinha que me contar longas histórias para explicar tudo. Eu não acredito, Harry." Seu rosto estava totalmente fechado agora. "Ela me disse, e ela não iria mentir. Ela me ama."

Harry reprimiu a subida de bile. Ele reconhecia as táticas de sua mãe, muito bem. Ele havia deixado as coisas de canto por muito tempo.

Connor se virou. Harry avançou e gentilmente pegou o braço de seu irmão.

Connor se virou com um soco. Harry rolou e conseguiu fazer parecer que o golpe o havia machucado mais do que realmente havia, mas ele apenas roçou a bochecha no punho de Connor e seu ombro no chão.

"O que é tudo isso, então?"

Harry olhou para cima, piscando, quando Percy Weasley apareceu na luz das tochas. Seu rosto estava vermelho, como se ele tivesse corrido pelo corredor, e seus olhos dispararam suspeitosamente entre um e outro.

"Vocês estavam brigando, Connor?" Ele demandou. "Dez pontos da Grifinória se vocês estavam brigando."

"Não, Percy," disse Connor, com um olhar inocente de olhos arregalados que Harry reconheceu como o rosto de Sirius há muito tempo, antes de todas essas coisas acontecerem. "Eu prometo. Eu estava indo estudar e ele me emboscou."

Harry encontrou os olhos de Percy firmemente quando Percy se virou e olhou para ele. Ele não recebeu um olhar fixo em troca. Percy desviou o olhar imediatamente, então mostrou seu distintivo de monitor-chefe.

"Sinto que terei que levá-lo para ver o diretor, Harry", ele disse. "Não dá para evitar que os alunos deixem os estudos."

Harry assentiu com a cabeça bruscamente, uma vez. Ele não sabia por que Percy estava aqui—provavelmente vigiando ele por ordem de Dumbledore novamente, como ele tinha feito no ano passado—e ele não se importou. Peter disse a ele para tentar Dumbledore se tudo mais falhasse, para tentar afastar Connor de Lily e Sirius.

"Vamos, então", disse ele, e partiu firmemente na direção da gárgula, deixando Percy tropeçando atrás dele.


"Meus queridos meninos." Harry ficou maravilhado que o diretor podia soar perfeitamente calmo com Percy, com o rosto vermelho e ofegante, e Harry, seu corpo formigando com magia, na frente dele. Mas ele soou, e acenou para as duas cadeiras que Harry reconheceu como de quando ele e Snape visitaram. Desta vez, não houve truques com a altura. Eles podiam sentar nelas confortavelmente, embora Percy estivesse enxugando o rosto como se tivesse corrido muito e não conseguisse estar confortável. "O que posso fazer por vocês?"

"Eu peguei Harry brigando com Connor nos corredores, senhor", disse Percy, naquele tom pomposo. Harry se questionou preguiçosamente se era algo exclusivo dele ou se todos os monitores-chefes tinham isso. "E já que você me disse... bem, já que Connor é tão importante, achei melhor trazê-lo para você imediatamente."

"Claro, claro, Percy. Esse é o tipo de iniciativa que um monitor-chefe deve tomar." Dumbledore se virou para Harry. "E o que você me diz, Harry? Você estava brigando com seu irmão?"

Harry olhou nos olhos de Dumbledore. O velho estava calmo e paciente, droga, e Harry podia sentir o calor perigoso de seu próprio temperamento. Parecia que ele sentia mais raiva quente do que fria ultimamente. Snape disse que isso era um sinal de progresso. Harry se perguntou se era assim que deveriam chamá-lo, mas ele dificilmente poderia contestar; sua própria raiva fria o tinha assustado, e Snape sabia mais do que ele sobre Oclumência.

"Gostaria de falar com você em particular, senhor", ele disse. "Sobre meu irmão."

Dumbledore acenou uma mão cortês para Percy. "Sr. Weasley tem uma parcela de responsabilidade em cuidar do castelo também, Harry. Eu diria que ele pode ouvir qualquer coisa que você me diga."

"Sobre minha mãe, senhor? E Sirius?"

Percy se levantou imediatamente. "Ah, eu poderia ir embora, Professor Dumbledore, se estes são assuntos familiares privados-"

"Sim", disse Dumbledore, seus olhos em Harry. "Talvez você devesse ir." Mas ele ainda parecia curioso, intrigado, ao invés de chateado. Isso frustrou Harry.

Ele fechou os olhos e imaginou uma das poças de mercúrio que Snape lhe ensinara, um dos recipientes de fluido para suas emoções durante a Oclumência. Eles funcionavam muito melhor do que os sólidos como a caixa, mas operavam com o mesmo princípio. No momento em que Percy fechou a porta, Harry estava calmo novamente. Ele abriu os olhos e se obrigou a encontrar o olhar de Dumbledore sem muita expressão.

"Agora, Harry?" Dumbledore o encorajou gentilmente. "Você estava dizendo?"

Harry soltou um suspiro profundo. "Eles envenenaram a mente de Connor", ele disse. "Disseram-lhe mentiras sobre o ritual de justiça. E eu quero que ele seja removido deles. Eles o estão colocando em perigo. "

Dumbledore suspirou. "Sua mãe tem o direito de ver seu filho, Harry. Já que seu pai desapareceu e Connor não tem outro guardião, ela é sua melhor proteção, agora. E Sirius nunca desejaria matar ou machucar Connor como desejou com você."

Harry piscou. "Por quê?"

Dumbledore ergueu uma sobrancelha. "Quando você ouviu sobre o—desagradável—passado de Sirius, eu te disse, Harry. É a magia das Trevas que exacerba a estabilidade decadente de sua mente. Você destila magia das Trevas. Ele não gosta de Severus ou de Sonserinos, pelo mesmo motivo. Mas o dom de Connor é da Luz. Ele e Sirius fizeram pesquisas o suficiente para me convencer disso. Connor está seguro com Sirius como você nunca estaria."

Harry mordeu o lábio inferior. "Mesmo assim, senhor, Sirius é louco. Eu gostaria de poder ir às aulas com Connor."

"Como eu teria sido capaz de dizer se você não tivesse me interrompido," Dumbledore continuou, "não há mais por que se preocupar com a insanidade dele - embora eu não possa dizer o mesmo sobre o que a aversão dele por magia das Trevas pode pressioná-lo a fazer. Fiz para ele um dispositivo que confina seus pensamentos e os leva de volta a padrões calmantes quando ficam muito agitados. Antes do Natal, achei que ele conseguiria, mas ver o que aconteceu com sua pobre mãe foi demais para ele."

Harry balançou a cabeça lentamente. "Então você poderia tê-lo curado a qualquer momento?"

"Isso não é uma cura," disse Dumbledore. "É uma prevenção - assim como as muletas trouxas evitam que alguém caia no chão, mas não curam sozinhas uma perna quebrada. Levei algum tempo para descobrir se era necessário, por que era necessário e para fazê-lo. Você pode pedir para ver por si mesmo, se quiser. É um grande ornamento de ouro que ele usa em uma corrente ao redor do pescoço. "

Agora que Harry pensava sobre isso, ele tinha visto uma corrente no pescoço de Sirius. Mas ele não tinha estado perto de seu padrinho tempo suficiente para notar qualquer mudança verdadeira em seu comportamento.

Ele debateu por um momento se poderia parar ali, mas então seus pensamentos voltaram para o ácido que Connor havia destilado nos corredores. Sim, algumas coisas tinham a marca de Sirius, mas outras tinham a marca de sua mãe.

"Eu não acho que ele deveria ficar perto da Trouxa também", ele disse com firmeza. "Ela é perigosa."

"E quem a deixou assim, Harry?" O olhar de Dumbledore estava nivelado nele e absolutamente claro.

Harry mais uma vez mergulhou algumas de suas emoções no mercúrio. "Por favor, Diretor. Estou pedindo que você o remova dela. Você mesmo pode assumir a tutela dele. Acho que seria o suficiente, já que afinal o Ministério confia em você- "ele pensou em Scrimgeour para se acalmar desta vez "- e eu sei que você o valoriza."

Dumbledore simplesmente o observou, até que Harry pensou que o rosto do homem havia congelado naquela expressão inescrutável. Então ele disse: "Não vou privar sua mãe de seu único filho verdadeiro, Harry." Harry se encolheu sem querer, e o diretor continuou falando como se não tivesse notado. "Mas se houvesse uma maneira de reverter o que foi feito com ela, então eu poderia concordar, já que eu poderia dar a ela um filho de volta para substituir o que ela roubou."

Harry se perguntou se havia mergulhado todos os seus pensamentos na água, e não apenas aqueles que produziam emoções desconfortáveis. Sua visão nublou quando ele disse: "Você sabe que o ritual não pode ser revertido, senhor."

"Eu não estava pensando nisso," disse Dumbledore, e estendeu as mãos. "Eu estava pensando em colocá-lo sob a teia da fênix novamente, tornando-o o que você era. Se você concordar com isso, eu assumirei o treinamento do dom de compulsão de Connor, e Lily não verá Connor novamente até que ela esteja mais - ela mesma, e pronta para lidar com ele. "

Harry fechou os olhos e recostou-se na cadeira. Esta era a guilhotina mais afiada que já o prendeu.

Ele disse que nunca mais ficaria sob a teia da fênix novamente.

Mas Connor estava em perigo.

Mas ele disse que nunca ficaria sob ela.

Mas Connor estava em perigo.

Mas ele disse que precisava de sua liberdade.

Mas Lily pode machucar Connor.

Harry pensou que podia ter chegado perto de chorar, exceto que ele nunca iria chorar na frente do diretor.

Ele tomou sua decisão.

Ele respirou fundo, áspero com o som de soluços, levantou-se e encontrou os olhos expectantes de Dumbledore.

"Foda-se, senhor", disse ele calmamente, e saiu do escritório.


"Aaah, sim, querida", disse a Professora Trelawney com entusiasmo, enquanto olhava para as folhas cuidadosamente arrumadas de Lavander Brown. "Sim, acho que vejo seu futuro marido aqui." Ela fez uma pausa para que as risadas de Brown pudessem correr sobre ela e continuou. "Sim, ele é um sujeito muito bonito... alto, e o que é isso? Ele está usando uma coroa!" Ela se virou e piscou para a classe que se amontoava atrás dela, muitos deles meio adormecidos na sala da Torre encharcada de incenso. Era um dia excepcionalmente quente para o início de fevereiro, o que não ajudava a situação. "Quem pode me dizer o que significa uma coroa?"

Algumas pessoas folhearam seus livros, sem vontade, em busca do símbolo. Harry encontrou os olhos de Hermione e revirou os seus. Hermione fez o mesmo gesto de volta. Ela estava parecendo cada vez mais enojada com Trelawney, e de vez em quando sua mão subia para brincar com algo em seu pescoço, algo que continuava irradiando uma magia incrivelmente poderosa quando Harry se preocupava em prestar atenção nisso.

Rony e Connor estavam do outro lado da sala. Parecia que Rony estava imitando Trelawney e ganhando uma gargalhada do gêmeo de Harry. Quando ele viu Harry observando, ele franziu a testa.

Harry desviou o olhar. Ele estava começando a odiar esse desperdício de aula. Ele havia se inscrito em Adivinhação para que pudesse compartilhar outra aula com Connor, mas isso tinha sido na camaradagem calorosa do ano passado, quando tudo parecia possível. Harry estava ficando cada vez mais convencido, entretanto, de que Trelawney só diria algo útil por acidente. Ele permanecia na aula para ouvir essas dicas, de vez em quando ouvindo enquanto ela tagarelava sobre chás, folhas ou pedaços de teia de aranha.

E ele poderia conversar com Hermione, é claro, ele pensou, enquanto se inclinava cuidadosamente para mais perto da bruxa Grifinória, observando a professora pelo canto do olho. Era uma marca do desdém de Hermione pelo assunto que ela realmente conversasse em vez de diligentemente prestar atenção e rabiscar notas.

"Alguma coisa?"

"Nada," Hermione sussurrou de volta, do jeito que ela fazia em todas as aulas. Desta vez, porém, ela hesitou e puxou a coisa em volta do pescoço para fora da veste. Harry piscou. Parecia nada mais do que uma pequena ampulheta de prata pendurada na corrente. Foi polida para ter um brilho cintilante, mas ele não viu nada nela que pudesse torná-la tão poderosa, a menos que...

"Um Vira-Tempo?" ele sussurrou.

"Claro," disse Hermione, parecendo um pouco descontente por Harry ter conseguido adivinhar o que era sem a intervenção dela. Ela encolheu os ombros no momento seguinte, no entanto, e verificou a posição de Trelawney - a professora agora estava falando sobre a sorte de Parvati Patil na próxima terça-feira quando ocorria a lua cheia - então sussurrou, "A Professora McGonagall trouxe para mim para que eu pudesse assistir a mais aulas. Eu só tenho que ter cuidado para nunca me encontrar."

Harry concordou. "E você também o usou na biblioteca para pesquisar a teia da fênix?" ele perguntou.

Agora Hermione parecia irritada. "Como você sabe disso?"

"Você não o teria retirado a menos que tivesse algo a ver com o que estávamos falando, e estávamos falando sobre sua pesquisa sobre a teia da fênix", disse Harry, dando de ombros.

Hermione murmurou algo que soou como "Sonserinos", mas ela continuou antes que Harry pudesse questioná-la. "Eu tentei, Harry", disse ela. "Encontrei livros que sugeriam sua existência e me diziam onde procurar. Mas todos os livros que tentei encontrar se foram. Eles estão nas mãos de um professor ou estão na seção restrita." Ela parecia zangada.

Harry suspirou. Ele supôs que deveria ter suspeitado disso. Dumbledore. Sempre irritante.

O que ele queria que Hermione fizesse teria sido muito mais fácil com provas, mas havia a chance de Connor confiar na palavra de sua amiga mesmo sem elas. "Você pode falar com Connor?" ele sussurrou. "Eu tentei dizer a ele como era estar sob a teia da fênix, e ele não acreditou em mim, que era ruim. Eu sei que não temos os livros, mas você estava na reunião naquele dia, e—"

"Sr. Potter!" Trelawney acenou para ele. Ela estava pairando sobre ele agora, e olhando para as folhas lamacentas, mofadas e meio congeladas que Harry havia colocado em sua mesa. "Vamos ver o que suas folhas dizem."

Dizem que você é uma morcega velha que deveria calar a boca e me deixar em paz, Harry pensou irritado, mas controlou seu temperamento. Ele olhou uma vez para Hermione, que acenou com a cabeça para ele. Trelawney interpretou mal o motivo do aceno e se virou para Hermione.

"E o que suas folhas dizem, querida?" ela perguntou. "Ou você tem uma ideia do que dizem as folhas do Sr. Potter?"

Hermione abriu a boca, um olhar penetrante em seu rosto, então olhou para Harry, suspirou e modulou sua voz em um tom doce doentio. "Sinto muito, professora", ela disse. "Não consegui ler bem esta parte." Ela apontou um canto marrom molhado e ondulado de uma folha. "Você acha que é um veleiro ou uma nuvem?"

Trelawney se mexeu para olhar. Harry deu um sorriso agradecido para Hermione, que olhou de volta para ele.

Um dia, ela realmente vai pirar com ela, Harry pensou, enquanto se recostava e esperava que a charada acabasse. Mas não hoje.


Harry deixou Adivinhação mais cedo e sozinho, como de costume, mas permaneceu próximo ao final da escada para a Torre. Ele devia ser capaz de ouvir a conversa de Hermione e Connor de lá. Ele sabia que Hermione começaria em um tom razoável, mas a voz de Connor provavelmente aumentaria.

O que ele não percebeu foi a rapidez com que isso aconteceria.

"- não fale comigo sobre o meu irmão!" Connor gritou. "Eu sei que ele colocou você nisso. Não é verdade, não é, e não quero ouvir mais nada sobre isso!" Então ele acrescentou algo mais, algo baixo e cruel que resultou em um suspiro alto e um sussurro de Rony ao longo das linhas de, "Você realmente não deveria ter dito isso, cara."

Hermione desceu a escada nos minutos seguintes. Harry não se atreveu a falar com ela. Ela lançou-lhe um olhar terrível, balançou a cabeça, disse: "Ele" e saiu correndo pelo corredor.

Harry suspirou. Ele sabia que não era a melhor hora para falar com seu irmão, mas pelo menos ele sabia onde Connor estava, e eles teriam uma audiência, na forma de Rony e a Professora Trelawney. Ele não achava que Connor o machucaria muito com eles ali. Pelo menos o assunto estava em primeiro lugar na mente de seu irmão naquele momento.

Ele tinha acabado de colocar a mão no corrimão da escada quando ouviu um barulho de algo deslizando no corredor. Harry girou, sua magia aumentando ao seu redor. Ele apertou os olhos quando percebeu que só conseguia ver uma pedrinha, movendo-se para frente e para trás sozinha, no meio do corredor. Parou como se o visse a observando, então se virou e rolou pelo corredor.

Harry puxou sua varinha.

Outra coisa saiu do nada e se juntou à pedra. Era uma aranha, Harry pensou, mas então ele viu o brilho das tochas no metal e joias, e rosnou para si mesmo. Era outra criatura das Trevas artificial, como a que atacou Draco.

Ele se aproximou da coisa com passos largos.

A pedra parou de balançar e a aranha correu para encontrá-lo com uma lufada de ar. Harry se jogou para o lado, apontou sua varinha e murmurou, "Petrificus Totalus."

O feitiço não funcionou, como ele pensava que poderia não funcionar. A aranha ficou parada de frente para ele, imóvel por um momento, então jogou um fio de seda com joias no ar. Harry observou com cautela. Ia grudar no teto, ou no chão, ou num suporte de tocha?

Não fez nenhuma dessas coisas. Ela flutuou no ar por um momento, então explodiu abruptamente em uma nuvem de esporos prateados.

Harry cobriu o nariz e a boca e se abaixou imediatamente. Ele tinha ouvido falar de coisas assim. Respirar os esporos nãoera uma boa ideia. Mesmo assim, ele tossiu e ficou tonto, o que pode ter significado que alguns deles entraram, mas ele manteve a consciência e o equilíbrio.

Chega de brincar, ele pensou, e falou com calma. "Reducto."

A aranha se despedaçou. Harry se aproximou e chutou cuidadosamente as peças para se certificar de que não se moviam mais, então olhou ao redor. Ele não podia ver nenhum sinal de mais aranhas, nem de quem havia lançado esta.

Ele balançou a cabeça e voltou para a escada, mantendo um olho por cima do ombro. Ele supôs que teria que contar a Draco e Snape sobre isso, embora o ataque fosse tão pequeno e parecesse sem sentido. Era um aviso? Sobre o que?

Harry reprimiu a tentação de voltar às masmorras para verificar Draco. Ele iria, assim que terminasse de falar com seu irmão. Connor ainda estava na Torre. Talvez Rony estivesse discutindo com ele sobre o que quer que ele tenha dito a Hermione, e isso significava que Harry poderia pegá-lo quando ele se sentisse culpado.

Ele subiu até chegar à sala de Adivinhação e sentiu uma estranha quietude no ar ao entrar. Ele sentiu um vento passar por ele e viu um clarão prateado perto da parede que o fez puxar sua varinha novamente.

O que mais o incomodou, entretanto, foi a visão de Trelawney, seus olhos reviraram em sua cabeça e sua voz fria, monótona, morta, enquanto ela recitava palavras para Connor e Rony, atordoados.

"... ficar em pé ou cair."

Então ela desmaiou.

Harry deve ter feito um barulho, porque Rony se virou e o viu. Ele estava atordoado, balançando a cabeça. Connor se apressou para ajudar Trelawney.

"Eu ia falar com ele ..." Harry sussurrou, os olhos na professora caída.

"Não acho que seja uma boa ideia", disse Rony, e fez uma careta ao começar a coçar os ombros. "Ela simplesmente enlouqueceu e recitou um monte de baboseiras para nós."

"Você não lembra delas?" Harry exigiu. Ele não achava que Trelawney era mais do que uma fraude, realmente não achava, mas se alguma vez as circunstâncias puxassem uma profecia verdadeira dela, essas eram as circunstâncias. Ele procurou por outro sinal do flash prateado, mas não conseguiu ver.

"Desculpe, cara, não." Rony balançou a cabeça. "Eu não-"

"Vá embora."

Harry olhou para o rosto de Connor e surpreendeu uma expressão assassina ali. Com cuidado, ele ergueu as mãos e voltou para a entrada da sala de aula.

Claro, ele se sentiu obrigado a perguntar. "O que foi isso, Connor? Uma profecia? Foi feita para você?"

"Eu não preciso dizer a você." O rosto de Connor ficou muito vermelho. "E eu não quero falar com você, Harry. Vá embora."

Harry se virou e saiu, silenciosamente. Ele continuaria seus esforços para ficar do lado bom de seu irmão e ajudá-lo, quer Connor quisesse ou não. Desta vez, porém, ele teria a curiosidade adicional do que exatamente a profecia poderia ter dito sobre seu irmão. Claro que seria sobre ele, já que foi ele quem ouviu, e era o Menino-Que-Sobreviveu.


Naquela noite, um novo pesadelo veio persegui-lo.

Harry se viu em uma planície, plana e escura, com sombras sendo as únicas coisas que se moviam à distância. Ele não conseguia ver nenhuma construção ou árvore. Ele pisou no chão e percebeu que era duro como ferro. Ele estremeceu.

Então, abruptamente, uma forma escura de quatro patas saltou em movimento do outro lado da planície e correu em sua direção.

Harry pulou para fora do caminho bem a tempo. Ele relaxou um pouco confuso, observando enquanto corria. Ele estava vendo um lobisomem? Ou alguma outra coisa? Ele não conseguia distinguir nada além do fato de que a coisa tinha quatro patas e era bem grande.

Ele não distinguiu a criatura muito menor que perseguia a grande até que ela pulou e, aparentemente, travou os dentes na lateral do pescoço da grande.

A coisa grande gritou.

Harry gritou junto com ela. A dor que o lembrou do Crucio sacudiu seu corpo. Ele acordou em alguns instantes, se debatendo e enrolado nos lençóis, e quase cego. Demorou um pouco para perceber que isso não vinha dos lençóis, mas do sangue escorrendo de sua cicatriz e sobre seus olhos.

Draco estava lá então, envolvendo seus ombros e tentando aliviar a dor. Já tinha sumido, mas Harry não conseguia encontrar voz ou fôlego para dizer isso a ele. Ele deixou Draco segurá-lo e limpar o sangue de seus olhos, e assentiu com a cabeça quando pensou que estava bem para ir para a ala hospitalar.

Ele permaneceu em silêncio mesmo enquanto Madame Pomfrey tagarelava e cuidava dele, e Draco explicava, sério, que ele havia caído e batido com a cabeça no caminho de volta do banheiro, porque estava pensando nas imagens em seu sonho.

Embora ele não soubesse por que sua mente ficava girando de volta para a ideia—as formas eram menos do que silhuetas, e ele não tinha razão para pensar que eram reais, ou mesmo que o sonho significava alguma coisa—ele acreditava que as formas que ele tinha visto eram as de um rato e um cachorro.