Capítulo Vinte e Oito: Olhando para Connor

Se tem uma coisa que eu aprendi, Albus pensou, enquanto ia para o Salão Principal para o café da manhã, é a importância da adaptabilidade.

Ele se sentou na mesa principal e acenou com a cabeça para Sirius e Severus, os únicos já sentados lá. Sirius acenou de volta para ele, um sorriso brilhante no rosto. Ele sorria o tempo todo desde que Albus havia lhe dado a bugiganga dourada para pendurar em seu pescoço. Realmente tinha sido mais simples do que Albus pensava confinar seus pensamentos e devolvê-los à calma. Como antes Sirius não o deixava olhar para sua mente com frequência, ele não sabia quantos desses pensamentos giravam em torno de magia das Trevas. Ter um foco central tornou muito mais fácil confiná-los.

Severus fez uma careta para ele e se afastou. Albus escondeu um suspiro. Ele tinha se comportado mal no início do ano, ele sabia. Se tivesse andado com mais cuidado, ele poderia ter conseguido manter a lealdade de Severus - embora uma extraordinariamente grande parte dela parecesse ter sido dada a Harry Potter.

Ele sabia por que não havia andado com mais cuidado. Suas emoções o cegaram, mais especialmente seu horror e pavor do que Harry estava se tornando.

Se eu tivesse pensado sobre isso, Albus decidiu, quando o mingau apareceu em sua tigela e ele começou a comer, eu teria percebido o que tinha que fazer. Infelizmente, pensar era a última coisa na minha mente naquele momento.

Ele sabia como sobreviver. Ele sabia que as coisas mudavam e ele tinha que mudar com elas. Se ele tivesse mantido aquela lição em mente, ao invés das lições por não fazer nada a respeito de Tom Riddle quando ele ainda era criança, ele achava que ainda teria Harry como um aliado provisório.

As coisas mudam, mas precisamos apressar elas? Tom congelaria todas as coisas na imutabilidade, tanto que ele teme a morte. E com Harry, ou melhor, com o vates que ele poderia se tornar, tudo é mudança.

Ele ergueu a cabeça, os olhos procurando Harry pelo Salão. Ele estava sentado à mesa da Sonserina, é claro.

Albus suspirou ao se lembrar de sua surpresa quando o Chapéu enviou Harry para Sonserina. Não era o que ele esperava, pelo relato de Lily sobre o menino e o que ele observou quando visitou Godric's Hollow, mas isso não era desculpa para suas reações. Muito se perdeu naquele momento. Se ele tivesse sido mais rápido, ele poderia ter contido o dano. Ele poderia ter convidado Harry para seu escritório e explicado que ninguém o desprezaria por pertencer à Casa da Serpente, desde que ele ainda agisse com a devida cautela, cortesia e cavalheirismo. Harry entendia os ideais de sacrifício e os vivia melhor do que qualquer outra pessoa que Albus já tivesse visto. Ele teria entendido a ideia de continuar com o sacrifício.

Albus poderia até mesmo ter lançado um feitiço de glamour auditivo, de forma que o grito do Chapéu soasse como Grifinória em vez de Sonserina. Então Harry poderia ter entrado em sua própria Casa, e muitos desastres teriam sido evitados.

Mas isso teria exigido que eu tivesse alguma ideia do que o Chapéu iria gritar, Albus pensou, enquanto terminava seu mingau e se voltava para seu suco de abóbora, e como já estabelecemos, eu não tinha.

Havia um tom de autodepreciação em seus pensamentos e ele não sabia por que não deveria haver. Ele cometeu erros. Ele podia admitir agora, agora que já era final de fevereiro e a primeira onda de fúria havia passado - Harry desatando sua magia, exigindo o passado de Sirius, machucando Lily...

Agora ele teria que viver no mundo mudado que surgira, pelo menos em parte, como resultado de seus erros, e se adaptar ao que se seguia.

Eu ainda devo ser o equilíbrio, ele pensou, e seu olhar foi de Harry para Connor. O grifinório estava conversando com seus amigos. O retorno de Sirius à sanidade foi bom para ele. Ele mais uma vez tinha um adulto na escola em quem confiava sem reservas, e seus amigos ajudaram de alguma forma a compensar a perda de seu irmão.

Devo ser o equilíbrio entre a ordem congelada e o caos desenfreado. Apenas no meio-termo a vida no mundo mágico pode continuar como antes, sem o reino de terror que Voldemort traria cruelmente ou Harry traria inocentemente.

Ainda havia a chance de que as coisas pudessem continuar como sempre. Albus não estava derrotado. Suas peças ainda se moviam no tabuleiro. Ele poderia colocar Harry de volta ao lado de seu irmão e treinar Connor para ser o tipo de líder que balancearia o equilíbrio entre a ordem e o caos. Harry ainda carregava parte da teia da fênix. Quanto mais tempo ele permanecesse longe de Connor, mais impaciente ela ficaria para trazê-lo de volta para o lado de seu irmão.

Esse era o primeiro caminho possível.

A segunda possibilidade era que Harry se libertaria mais e mais de Connor, e as coisas continuariam a piorar. Nesse caso, Albus sabia, ele teria que fazer uma trégua com Harry - alguma barganha que valesse. Ele teria que perguntar ao menino o que ele mais queria e selar o assunto, talvez com um ritual puro-sangue. Albus temia que as coisas chegassem a esse ponto, já que ele sabia que isso significaria ter que dizer a Lily que ela realmente nunca veria seu filho mais velho novamente, mas ele estava preparado para aceitar isso agora. Nesse caso, nada do que ele fizesse faria tanta diferença para Harry de uma forma ou de outra, até aquele momento fatal; essa possibilidade era a que tinha menos impacto em seus planos.

Esse era o segundo caminho possível.

E no terceiro...

Albus estreitou os olhos, embora mantivesse o rosto calmo. O terceiro era imprevisível e ele temia que provocasse a mudança e o caos que tanto temia. Mas ele também sabia que ficava mais provável quanto mais demorasse seu plano paciente e metódico de capturar Peter novamente. A qualquer momento, Peter poderia perceber que Harry não sabia toda a verdade, ou Harry poderia mostrar a ele com um comentário descuidado. E, no entanto, o plano paciente e metódico não tinha como ser apressado.

Se Harry descobrir toda a verdade sobre a profecia ...

Esse era o terceiro caminho possível, aquele em que Albus teria que fazer a maior adaptação, a mais pura sobrevivência e a mais cuidadosa guarda. Caso isso acontecesse, ele teria que ser aliado de Harry, porque não havia outra escolha com um bruxo tão poderoso e que ficava intensamente violento com a simples menção de compulsão. Ainda assim, ele teria que estar preparado para se voltar contra ele a qualquer momento, também, porque se Harry fosse longe demais, Albus seria o único com o poder e o compromisso de contê-lo.

E ainda assim, o tom irônico de seus pensamentos, sua companhia constante nos últimos dois meses, apontou, Harry nunca teria odiado tanto a compulsão se você não o tivesse amarrado. Você forjou sua própria maldição. Você o deixou mais parecido com um vates ao amarrar sua magia.

Albus assentiu e afastou os arrependimentos. Não havia lugar para eles.

Enquanto Severus saía para dar sua primeira aula e Minerva chegava para tomar o café da manhã, Sirius praticamente saltitava para fora do Salão enquanto piscava para Connor, enquanto Harry se levantava e partia com o herdeiro Malfoy em seu rastro, Albus tomou um gole de seu suco de abóbora e estendeu sua consciência lentamente, delicadamente. Em seu escritório, uma penseira brilhava, e a memória que ela mostrava seria de uma noite, doze anos atrás, quando Albus lançou outra teia de fênix. Dali, fios delicados de compulsão serpentearam para fora e em direção a Peter. Albus não sabia exatamente onde ele estava se escondendo, nem quanto tempo levaria para se reconectar com a teia da fênix reordenada. Ele sabia que estava tendo algum sucesso; foi Peter quem sugeriu que Harry visitasse Albus, dando ao Diretor outra chance de fazer uma oferta a Harry, e Peter disse que queria visitar Connor, criando assim uma situação na qual ele poderia ser visto como uma grande ameaça para o Menino-Que-Sobreviveu e o Ministério concordaria em enviar mais Dementadores de Azkaban para capturá-lo.

Mas Albus não sabia quando iria vencer, e a pressão para fazer algo mais do que isso estava ficando maior.

Albus deixou o arrependimento de lado novamente e se indagou o que os bruxos faziam que nunca aprendiam essa habilidade.


Harry não ficou surpreso que Draco o acompanhou no café da manhã. O ataque da aranha e o pesadelo no início de fevereiro obviamente o assustaram. Mas como agora era um domingo no início de março, Harry se sentiu um pouco justificado em se virar e confrontá-lo.

"Draco", ele disse.

Draco olhou para ele. "O que?"

"Eu estou indo para o corujal", apontou Harry.

"Sim," Draco disse, olhando para ele.

"Você não precisa me acompanhar até lá", disse Harry. "É o corujal. As pessoas não se escondem lá para emboscar outras pessoas. Isso aconteceria nas masmorras, se fosse acontecer em qualquer lugar."

Claro, seu livro de história interno prontamente o lembrou de algumas vezes durante a Primeira Guerra contra Voldemort e a guerra contra Grindelwald, quando as pessoas realmente foram emboscadas em Corujais. E Draco já estava balançando a cabeça. "Você precisa de alguém com você o tempo todo." ele disse.

"Você confia em mim para ficar no escritório de Snape e na aula de Adivinhação sozinho", disse Harry.

"Eu confio em Snape," disse Draco, e se encostou casualmente na parede. "E eu tenho conversado com pessoas que estão em Adivinhação e estão de olho em você."

Harry piscou. "Quem?"

Draco apenas sorriu para ele.

"Estou me sentindo um pouco sufocado", disse Harry, depois de pensar em quem poderia ser e não lembrar de ninguém. "Por favor, Draco, gostaria de um tempo sozinho para enviar esta carta." Ele gesticulou com o pequeno embrulho, embrulhado em seda, que segurava.

"Você está enviando para meu pai", disse Draco. "Eu deveria poder assistir, eu acho."

Harry revirou os olhos e partiu novamente. Não valia a pena discutir. Além disso, ele não tinha tempo. Ele hesitou em enviar o próximo presente de trégua para Lucius, e agora mal chegaria a tempo de Lucius escolher o próximo presente e responder no equinócio de primavera. E logo depois de enviar a carta, ele iria fugir de Draco, gostasse seu amigo ou não, e encontrar Connor.

Ele continuava tentando convencer seu irmão da verdade. Cada vez, isso se transformava em socos e, da última vez, Connor sacou sua varinha. Harry sabia que poderia ter prendido seu irmão no lugar e o forçado a ouvir com magia, até mesmo enviado a verdade em sua mente; Snape estava ensinando Legilimência a ele.

Era exatamente por isso que ele interrompia os confrontos no momento em que o fazia. Ele não obrigaria Connor, de forma alguma. Seu irmão tinha que ouvir livremente.

Eles chegaram ao corujal recebidos por arrulhos, pios e movimentos nos poleiros. Harry ergueu o braço e Edwiges foi para ele antes que ele pudesse chamá-la. Harry piscou, então deu de ombros e prendeu o pacote com cuidado na pata dela.

"Lucius Malfoy, na Mansão Malfoy," ele disse a ela, e lhe deu um pedaço de massa que guardou do café da manhã.

Edwiges comeu delicadamente, deslizou uma mecha de seu cabelo pelo bico e então alçou voo e saiu pela janela. Harry a observou ir com os olhos estreitos. Quando ele se concentrou, ele achava que podia ver uma amarração que saia dela, ou talvez pela qual ela voasse, ancorada nas pedras do corujal.

"O que havia ali?" Draco perguntou, tirando-o de seu torpor. Harry piscou e balançou a cabeça. Uma leve dor de cabeça por voltar tão cedo à visão normal o atormentou. Pelo menos era melhor do que a dor de cabeça dos pesadelos - que, reconhecidamente, diminuíram desde seu sonho com o rato e o cachorro, de modo que ele sonhava apenas com o círculo de sombras que se fechavam.

"Uma pedra que encantei para que seu pai pudesse quebrar meu pescoço se ele a esmagasse," Harry respondeu, e se virou para as escadas.

A mão de Draco em seu braço o fez parar. Surpreso, Harry se virou e encontrou Draco o encarando, olhos arregalados e com raiva.

"O que?" Ele colocou uma grande quantidade de emoção nessa palavra, Harry pensou secamente. Ele teria que pedir à Draco para mostrar como ele tinha feito isso.

Harry encolheu os ombros, tentando remover o aperto firme. Só ficou mais apertado. "Ele me deu um galho que poderia quebrar seu pescoço se eu quebrasse", disse Harry. "Eu não podia responder com menos."

"Sim, você podia," Draco disse, parecendo não saber se ficava mais bravo com Harry ou Lucius.

"Não, eu realmente não poderia", disse Harry, e ergueu o queixo para olhar Draco diretamente nos olhos. "A trégua não funciona assim, Draco. Ele sabia o quão vulnerável estava se tornando quando me deu o galho, mas também sabia que eu lhe devolveria uma vulnerabilidade."

"Qual será o próximo presente dele?"

"Eu não sei", Harry respondeu calmamente. "Esta é a parte da trégua em que quem a iniciou pode escolher o presente, e eu só tenho que dar uma resposta aceitável. Mas eu posso escolher meu próprio presente de verão."

Draco abriu a boca para dizer mais alguma coisa, mas duas coisas o interromperam naquele momento: uma coruja deslizando pela janela em direção a Harry, e uma tosse na porta. Harry olhou por cima do ombro de Draco e viu Rony esperando lá, com o rosto um pouco vermelho.

Harry disse, "Só um minuto, Rony" e tirou a carta da pata da coruja. Era apenas um bilhete, sem o selo do Ministério, que não lhe dizia de quem era até que ele o abrisse.

Caro Sr. Potter:

O que você me pede seria muito imprudente.

Rufus Scrimgeour.

Harry franziu a testa e amassou o papel em seu punho. Não era sensato pedir a Scrimgeour para tentar arranjar para que Lupin fosse o guardião de Connor? Por quê?

Mas ele sabia que o Auror dificilmente lhe daria respostas mesmo o importunando mais, se isso era tudo que ele tinha enviado, e Harry devia muito a ele para importuna-lo.

Isso o deixava quase sem escolha, novamente. Dumbledore teria sido mais adequado do que Lily ou Sirius, e Harry teria uma chance mais realista de fazer o Ministério concordar com o diretor, mas Dumbledore havia dado seu preço pela guarda, e Harry não voltaria para a teia da fênix. James devolvia fechadas as cartas de todos. Lupin era "imprudente". Snape tinha desenvolvido um ódio por Connor, aparentemente quase tão grande quanto seu ódio por Sirius, e Lily e Sirius lutariam se a escolha fosse McGonagall.

Mas suponho que não tenho outra escolha a não ser perguntar a ela, Harry pensou tristemente.

Rony tossiu novamente.

"O que você quer, Weasley?" Draco perguntou. "Veio para transfigurar cocô de coruja em galeões? Ou talvez este seja o lugar onde você lava sua roupa?" Seu olhar passou pelas vestes gastas de Rony com um desprezo espetacular.

Rony ficou vermelho, mas falou com Harry em vez de Draco. "Eu tenho uma mensagem para você de Connor," ele disse.

Harry olhou fixamente para ele. "Uma mensagem?'

"Ele é bom demais para falar com o próprio irmão, não é?" Draco perguntou com um sorriso de escárnio.

"Cale a boca, Malfoy, não é assim," Rony retrucou. "Isso é uma coisa de puro-sangue." Ele olhou desconfortavelmente para Harry. "Eu sugeri que ele experimentasse e, bem, ele disse que pensaria sobre isso. Agora ele realmente conseguiu." Ele avançou e colocou um pequeno pergaminho na mão de Harry.

Harry olhou para Rony enquanto desenrolava o pergaminho. "Você não quer me dizer qual era a profecia, quer, Rony?" ele perguntou, a mesma pergunta que fazia toda vez que via o outro garoto desde aquele dia na Torre de Trelawney. Ele ouviu Rony e Connor discutindo a profecia em voz baixa e sabia que o outro garoto realmente se lembrava dela.

O rosto de Rony ficou ainda mais vermelho. "Eu não sou um dedo-duro, Harry", ele disse, com uma espécie de dignidade tranquila em sua voz. "E sou leal aos meus amigos."

Harry suspirou. Ele suspeitava que não iria arrancar a verdade de Rony sem lê-la direto de sua mente ou obrigando-o a dizê-la. E ambos cheiravam a escravidão para ele.

Ele leu o pergaminho e piscou.

Encontre-me no equinócio vernal ao pôr do sol, no corujal. Não se aproxime de mim novamente antes disso. Connor Potter.

Harry soltou um longo e lento suspiro. Equinócio vernal, quando o inverno se transformava em primavera, e o dia e a noite tinham exatamente o mesmo tamanho. E o pôr do sol, um momento de equilíbrio entre escuridão e luz.

Essa hora e data em particular eram usadas para rituais de reconciliação praticamente desde o início da cultura puro-sangue.

Harry pôde se sentir sorrindo ao colocar o pergaminho no bolso. "Diga a ele que estarei lá", disse a Rony, que, agora ele percebia, estava cumprindo o papel formal de mensageiro.

Rony concordou. "Eu direi a ele." Ele deu a Harry uma pequena reverência, então se virou e saiu.

Draco abriu a boca e disse algo sarcástico e desdenhoso sobre Connor ou Rony ou ambos, sem dúvida. Harry o ignorou. Seu coração batia forte, com uma esperança cautelosa.

Ele podia ser capaz de se reconciliar com seu irmão. Ele podia.


Durante o jantar da noite do encontro desagradável com Weasley, Draco se recostou e fez uma careta para a mesa tagarela da Grifinória do outro lado do Salão Principal.

Connor era o centro deles, o idiota. Ele não era nada sutil com isso, também, o que fazia Draco pensar que ele estava perdendo o ponto do poder. Sua mãe e seu pai lhe ensinaram tudo sobre isso - seu pai com lições explícitas, sua mãe com a vivência. Um Malfoy não andava por aí proclamando que é poderoso. Não tinha uma aula sobre isso, e isso tornava os outros bruxos mais propensos a se irritarem. Além disso, não funcionaria com Sonserinos, com Corvinais, mesmo com alguns Lufa-Lufas, particularmente os mais espertos como Smith.

Mas funcionava com os Grifinórios, e havia uma certa força bruta na maneira como o irmão de Harry os comandava. Eles sabiam que ele estava tendo aulas particulares com o vira-lata do padrinho de Harry, e eles sabiam que ele tinha algum dom mágico secreto especial, e eles sabiam que algo terrível havia acontecido com a mãe dele. Adicione a mística persistente do Menino-Que-Sobreviveu, e isso ganhava simpatia e admiração em quantidades quase iguais. Era raro um Grifinório conseguir resistir a uma combinação de proclamação de glória e babação de ovo.

Draco estreitou os olhos com desgosto enquanto observava a garota Patil dizer algo para Connor. Connor disse algo de volta, e a garota Patil começou a rir. Connor se recostou e fez outra observação, olhando fixamente para a mesa da Sonserina, e todos começaram a rir, exceto Granger, que obviamente estava se esforçando para se concentrar em seu livro.

Draco se virou e olhou para Harry, e balançou a cabeça. Os gêmeos dificilmente eram comparáveis. Harry não precisava se gabar de seu passado trágico ou de seu poder. Ele comia, dormia, estudava, fazia o dever de casa, andava por aí, tramava muita coisa (pelo menos de acordo com seu relógio) e fazia esforço para se reconciliar com idiotas que obviamente não o mereciam.

E ele virava cabeças.

O poder emanava dele lenta e sutilmente, atingindo os outros, fazendo-os pensar, sussurrar e debater, e assim inspirando outras pessoas a pensar, sussurrar e debater. Sonserinos flutuavam mais perto de Harry, atraídos pelo fato de que ele tinha essa magia e não a usaria para governar sobre eles. Alunos mais velhos observavam com olhos estreitos, e às vezes faziam perguntas inquisitivas, testando Harry, que respondia com mais honestidade do que deveria - exceto que a força de sua magia o protegia. Os sonserinos que mantinham segredos de Harry no ano passado estavam começando a compartilhá-los com ele, esquecendo-se de que ele não fora criado como um verdadeiro puro sangue e não entendia muitas das coisas que eram instintivas para eles.

Harry, o idiota, continuou a não notar.

Draco balançou a cabeça e deu mais uma olhada dura para a mesa da Grifinória. Lá estava a figura que as pessoas realmente prestavam atenção. Comendo calmamente ao lado de Draco estava o soldado que realmente mudaria o mundo.

Granger olhou para cima e encontrou seu olhar naquele momento. Draco ergueu uma sobrancelha. Ela acenou com a cabeça de volta, confirmando sem palavras o acordo de que ela iria vigiar Harry na aula de Adivinhação.

Às vezes, Draco meditou, era bom que Harry fosse tão alheio aos assuntos emocionais que tinham a ver com ele. Haviam ameaças que ele também não pensava em observar, e desta forma outras pessoas poderiam protegê-lo sem sua reclamação rabugenta.


Snape estava de mau humor o suficiente para agradecer ter que ensinar os grifinórios e sonserinos do terceiro ano quando eles entraram na sala na segunda semana de março. Qualquer coisa era melhor do que a turma do quinto ano e os gêmeos Weasley.

Eles haviam variado a clássica Poção de Reparo de uma forma que Snape ainda não conseguia entender, então a usaram para colar os caldeirões de seus colegas nas mesas. Não importava que feitiços Snape lançasse, os caldeirões permaneciam presos. Os gêmeos ficaram na frente dele com olhos arregalados e inocentes e sorrisos ocultos, não se importando com quantos pontos ele tirava da Grifinória, então Snape foi finalmente forçado a fazer os caldeirões de todos desaparecerem e ameaçar os alunos a obterem novos na próxima aula. Os gêmeos haviam recebido duas semanas de detenção, cada um, que Snape deliberadamente agendou para incluir momentos em que ele sabia que o time de Quadribol da Grifinória estava praticando.

Os gêmeos não pareciam se importar.

Snape não se preocupou em escrever as instruções da Poção Brincadeira de Criança. Era um antídoto simples para vários dos feitiços comuns que as crianças sempre lançavam, para situações com magia acidental em que Finite Incantatem previsivelmente não funcionaria. Ele simplesmente acenou com a varinha, conjurou as instruções e gritou: "Vocês entregarão uma amostra da poção no final da aula." Isso fez com que todos lutassem para pegar seus caldeirões.

Snape percebeu alguns olhares traídos entre os sonserinos do terceiro ano. Ele geralmente fazia uma introdução à poção, pelo menos, e explicava o que ela fazia e por que eles a estavam fazendo; ao contrário de todos os Grifinórios, exceto Granger, eles realmente ouviam. Snape os ignorou. A vida não lhes entregaria introduções para as poções, nem os oponentes no campo de batalha ficariam parados e explicariam pacientemente o que cada feitiço fazia. Era hora de aprender a parar de se apoiar tanto nele.

Ele era autoconfiante o suficiente para admitir, enquanto espreitava entre os alunos, que parte de sua impaciência vinha da turma do quinto ano e parte da queimação cada vez mais insistente da Marca Negra em seu braço esquerdo, tão intensa na noite passada que esta manhã ele teve que enfeitiçar o membro imóvel. Ele estava com raiva o suficiente para não se importar.

"Assim, Neville," Harry estava explicando enquanto Snape os circulava como um lobisomem em perseguição. "As pétalas da alfazema têm que entrar antes das carapaças de besouro. Você sabe por quê?"

Longbottom mordeu o lábio por um momento, e então seus olhos brilharam. "Porque as pétalas tornam a poção lisa e pronta para receber as carapaças?"

"Exatamente," disse Harry, tão calorosamente que Longbottom corou. Então ele viu o olhar de Snape e empalideceu.

Harry ergueu os olhos também. Snape fez uma careta para ele. Harry olhou calmamente de volta, nem um pouco intimidado. "Nossa poção ainda não está pronta, senhor", ele disse.

Snape notou que ele logo teria que encontrar para Harry um parceiro diferente de Longbottom. Longbottom havia melhorado irremediavelmente, e era hora dele, assim como todos os outros, aprender a se manter por conta própria. Além disso, Harry poderia emprestar seu conhecimento de forma mais produtiva aos outros sonserinos. Crabbe estava começando a errar tanto que Snape logo não seria capaz de ignorar.

"Eu posso ver, Potter," ele disse. "Quando você acha que estará pronta?"

Harry virou a cabeça para olhar as instruções no quadro. "Uma hora a partir deste ponto, senhor", ele disse.

Snape zombou. "Então veja se você a prepara, Sr. Potter, em vez de falar comigo." Ele foi embora. Ele podia sentir os olhos de Harry em suas costas, ainda não intimidado. Esta semana o garoto havia mostrado maior tendência a discutir com ele sobre o que Snape achava que eles deveriam praticar nas aulas particulares, bem como quantas vezes ele deveria ter permissão para sair de Hogwarts.

Isso terá que ser corrigido, Snape pensou, enquanto se virava para descarregar sua raiva em um alvo que merecia.

Connor Potter era parceiro de Rony Weasley; eles sempre trabalhavam juntos, a menos que Snape designasse um deles para outro lugar. Atualmente, eles estavam discutindo em sussurros acalorados sobre se deviam adicionar as pétalas de lavanda completamente esmagadas, como as instruções claramente pediam, ou em pedaços grandes, porque levava menos tempo. Snape se perguntou que cruel capricho do destino havia lhe enviado alunos incapazes de seguir simples instruções.

O pirralho Potter ergueu os olhos quando Snape se aproximou, e então estreitou os olhos e fez uma careta de deboche. A expressão tinha Black estampada nela. Era o mesmo olhar que ele sempre lançava a Harry quando eles se cruzavam nos corredores. Snape considerava o pirralho uma perda de tempo, para além da esperança de redenção, e não sabia por que seu protegido continuava a tentar redimi-lo, contra o conselho explícito de Snape. Isso, combinado com o quanto ele se parecia com Black agora, dava a Snape toda a desculpa que ele precisava para destruir a confiança do pirralho Potter.

"Sr. Potter," ele disse, e olhou para a poção. Ela estava, claro, solidificando, já que nem Potter nem Weasley pensaram em continuar mexendo enquanto conversavam. "Por favor, diga-me, você pretende ter caroços em sua poção grandes o suficiente para machucar quem a engolir?"

O olhar de Potter se intensificou, mas ele não disse nada. Em vez disso, ele ergueu a mão para esfregar a cabeça. Não, Snape pensou, já que ele havia se acostumado a observar o gesto em Harry, sua testa.

Uma gota de sangue saiu da cicatriz em forma de coração, atrás de seus dedos.

Snape olhou fascinado enquanto a gota escorria pela cicatriz e começava a cair, e então deu alguns passos precisos para trás.

O sangue caiu no caldeirão e causou uma explosão imediata de gases nocivos. Snape esperou até que Potter e Weasley dessem uma boa tragada antes de prender a fumaça no ar com alguns movimentos de sua varinha e então a fez sumir. Ele acenou com a cabeça para Granger.

"Acompanhe-os até a ala hospitalar, Srta. Granger. Vou passar um tempo com alunos que não são tão estúpidos a ponto de desprezar o conhecimento oferecido," Snape falou lentamente, e voltou para o lado Sonserino da sala, sentindo-se imensamente melhor.

Claro, ele tinha que considerar o que significava Connor Potter era sangrando de uma cicatriz supostamente infligida por Voldemort, assim como Harry Potter.

Nada significativo, espero, pensou ele. Se aquele pirralho é realmente o salvador do mundo bruxo, então podemos nos entregar ao Lord das Trevas agora mesmo.


Minerva tinha que admitir, ao verificar se as xícaras de chá estavam no lugar sobre a mesa e se ela estava sentada em uma postura ereta, que estava nervosa. Ela nunca tinha feito nada assim antes.

Ah, tiveram alguns alunos para os quais ela poderia ter considerado fazer isso, mas isso era uma coisa diferente do que realmente fazer. E era muito diferente de fazer isso a pedido do irmão do aluno.

Uma batida rápida soou na porta e Minerva soltou a respiração. "Entre," ela chamou.

Da porta, Connor olhou para ela. Minerva olhou para ele. Harry estava certo. Ele precisava de alguém para intervir. Ele podia sorrir mais brilhantemente do que nunca, mas seus olhos estavam sombreados e ele parecia não estar dormindo muito. Ele esfregou distraidamente a testa e aquela famosa cicatriz enquanto se arrastava pela sala e se acomodava na cadeira em frente à mesa dela.

Minerva indicou as xícaras de chá em sua mesa. "Você gostaria de um chá, Sr. Potter?"

Ele olhou para ela, então se endireitou na cadeira. "Apenas me diga do que se trata, por favor, Professora McGonagall," ele disse. "Eu pensei que iriamos discutir meu projeto de Transfiguração, não..." Ele parou e esperou.

Minerva suspirou e cruzou as mãos na sua frente. "Acho que você precisa de um adulto diferente para cuidar de você, Connor," ela disse, deixando de lado o sobrenome que poderia lembrá-lo de sua família e distanciá-lo dela. "Eu sei que Sirius e sua mãe estão dando o melhor de si, mas sua mãe está, obviamente, privada de magia e, portanto, de uma participação significativa em nosso mundo. E Sirius é ... instável. "

"Ele não tem sido instável a semanas!" Connor explodiu.

"Sim, bem." Minerva uma vez acreditou que era impossível pensar que Sirius Black realmente quisesse fazer mal a alguém. O fato dele não ter intenção de machucar era o problema, é claro; quando algo ruim acontecia como resultado de suas pegadinhas, ele só tinha que piscar e sorrir e parecer um pouco arrependido, e ele estava dispensado. Mas agora, ela não tinha certeza. "Isso não significa que não estou preocupada com o seu futuro, Connor."

Os olhos de Connor se estreitaram e uma expressão estranha apareceu em seu rosto. Minerva teria dito que era sonserina, se ela não acreditasse que o menino desprezava a Sonserina de todo o coração e nunca pareceria com um.

De bom grado, ela acrescentou em sua cabeça.

"Você realmente acha que mamãe não pode cuidar de mim sem magia, professora?" ele perguntou.

"Acho que ela já tem problemas para cuidar de si mesma," disse Minerva baixinho. Quando ela pediu mais detalhes sobre Lily Potter, Albus os forneceu voluntariamente, especialmente quando ela explicou que pretendia confortar Connor Potter. Ele parecia acreditar que a estava atraindo de volta para seu lado. Minerva estava deixando ele pensar isso. "E eu sei que você está em um ponto em sua educação mágica em que você precisará continuar aprendendo mesmo durante o verão. E dado quem você é, Sr. Potter, você tem... bem, mais ameaças do que a maioria para se preocupar."

"Voldemort tentou me matar três vezes até agora", disse Connor. "Eu escapei todas as vezes. E Sirius está me ensinando agora, e mamãe ainda pode me ensinar, mesmo que ela não consiga levantar a varinha e me mostrar ela mesma." Um espasmo passou por seu rosto, algo que Minerva pensou ser raiva, tristeza ou dor. "Harry se certificou de que ela não pudesse fazer isso," ele sussurrou.

Minerva se inclinou para frente. "Estou me oferecendo para treiná-lo, Connor," ela disse. "Você poderia morar em Hogwarts durante o verão enquanto aprende."

Connor piscou para ela por um momento.

Então, ele balançou a cabeça.

Minerva franziu a testa. "Algo errado, Sr. Potter?" Ela se amaldiçoou pelo deslize no momento seguinte, enquanto o rosto do menino se fechava ainda mais.

"Você não confia em Sirius ou na minha mãe," ele disse suavemente. "E você não sugeriu meu pai ou Remus, embora pudesse. E você não sugeriu o diretor, que seria o melhor para me treinar do que qualquer outra pessoa, e talvez tenha algum tempo durante o verão também." Ele a olhou diretamente nos olhos. "Por favor, me diga. Harry colocou você nisso?"

"Sim," disse Minerva, e então piscou, uma mão subindo para tocar sua boca. Ela não queria dizer isso. Parecia extremamente estranho que ela tivesse dito.

"Obrigado," disse Connor, e então levantou de sua cadeira e foi para a porta.

Minerva o chamou. "Por favor, Sr. Potter, diga-me que você vai considerar isso."

Connor fez uma pausa e olhou por cima do ombro. Seu rosto ficou quieto, seus olhos introspectivos. Ele parecia mais com Harry naquele momento do que Minerva já tinha visto.

"Sinto muito, professora", disse ele calmamente. "Eu não posso. Minha mãe perdeu um filho e Sirius perdeu um afilhado. Não posso compensar por Harry, mas não quero que eles me percam também."

Ele fechou a porta suavemente atrás de si.


Remus se forçou a parar de andar. Ele tinha o terceiro ano da Grifinória e Lufa-Lufa chegando para a aula de Defesa Contra as Artes das Trevas em cinco minutos. Ele não podia parecer extremamente preocupado.

Mas ele também não conseguia parar de pegar a carta que estava sobre a mesa e lê-la novamente.

Caro Remus:

Não tenho motivos para pensar que você vai ler isso assim que reconhecer minha caligrafia, mas gostaria de garantir que recebi sua carta. E estou respondendo a você mesmo não tendo respondido a mais ninguém porque acho que você vai entender. Às vezes, nós, Marotos, demoramos muito para nos decidir. Você e eu sempre fomos os mais demorados.

Eu estou seguro. Estou no Lux Aeterna agora, apenas olhando ao meu redor, e estou pensando. Parece que se passaram anos desde a última vez em que pensei. Parece que estou varrendo teias de aranha da minha mente. É como olhar as consequências e avaliá-las. Todas elas.

E é isso que estou fazendo, Remus. Dois meses e meio pensando, e ainda não consigo fazer tudo ficar certo na minha mente. Claro, tenho treze anos de erros para pensar e corrigir. Peter e Albus e a profecia e desistir da minha posição como Auror e Connor e Harry e Lily.

Lily.

Provavelmente não o choca em saber que ainda a amo, Remus. Você sempre foi bom com coisas assim. E sempre senti que poderia falar com você sobre qualquer coisa.

Mas não desta vez. Não tudo. Isso é algo que tenho que resolver sozinho, se algum dia quero ser o pai—e o marido—eu deveria ter sido. Se algum dia vou ser o homem que deveria ser, eu penso nos dias ruins.

Chega dessa lamentação auto-indulgente! Mantenha meus meninos seguros se puder, Remus, e cuide de Sirius. Eu li uma das cartas dele e sei que sua mente está mais segura agora do que há um ano, graças a Merlin e a Dumbledore (embora eu também não consiga parar de pensar coisas horríveis sobre ele).

Eu estarei aí, se puder, no final do ano.

Malfeito feito,

James.

Remus soltou um suspiro profundo, e então dobrou a carta e guardou-a novamente quando os alunos entraram na sala. Ele precisaria de toda a sua concentração para lidar com esta classe. Hoje era a primeira aula prática, após meses de teoria; Quirrell e Lockhart deixaram a classe em um estado tão vergonhoso que Remus se sentiu compelido a começar com a teoria primeiro.

Além disso, qualquer professor, Remus estava fervorosamente convencido, precisaria de toda a sua concentração para lidar com Hermione Granger e Zacharias Smith na mesma aula.

Ele encontrou seus olhares com um sorriso calmo quando eles se acomodaram em seus assentos, fez uma contagem mental da classetodos estavam láe perguntou: "Qual é a última coisa que vocês lembram de eu ter contado sobre criaturas das Trevas?

As mãos de Zacharias e Hermione estavam no ar ao mesmo tempo, mas a de Hermione foi um pouco mais rápida. Remus assentiu com a cabeça para ela. "Sim, Srta. Granger?"

"Que algumas criaturas das Trevas se alimentam do medo que causam," disse Hermione. Ela não apenas imitou suas palavras, mas também a entonação com que ele as proferiu. Remus se perguntou se ela percebia que fazia isso com todos os professores. Ouvir as pausas deliberadas e os tons cortantes de Severus filtrados pela voz dela era realmente surpreendente. "Dementadores, por exemplo," ela acrescentou, e essa era mais sua própria voz.

"Muito bom, Srta. Granger," Remus disse, com um aceno de cabeça. "Cinco pontos para a Grifinória."

"Mas você também disse que enfrentaríamos uma criatura que causava medo hoje," Zacharias interrompeu, usando toda sua postura de puro-sangue treinada para tentar parecer mais alto do que Hermione. "E eu não acho que você traria um Dementador para a escola, professor. É um bicho papão?"

"Cinco pontos para Lufa-Lufa," disse Remus. Ele suspirou ao notar Hermione olhando feio para Zacarias, e Zacarias olhando feio de volta. Pelo menos estaremos praticando magia em breve, e eles precisarão usar feitiços, assim não poderão competir entre si nas perguntas. "Sim, de fato, Sr. Smith." Ele se virou e voltou para a beira da mesa, gesticulando com sua varinha para trazer o pesado baú que havia trazido de seus aposentos. O baú se mexeu quando ele o colocou no chão. Mais de um aluno se encolheu.

"Um bicho papão assumirá a forma do que você mais teme," ele informou à classe. Todos estavam prestando atenção agora, ele notou, e nenhum parecia pronto para interromper. "É por isso que eles são considerados criaturas das Trevas; eles tiram emoções da mente de suas vítimas e, como a Srta. Granger observou, eles se alimentam delas. O encantamento para derrotar um bicho papão é o Riddikulus. Isso atrai o riso, uma emoção oposta ao medo que os bichos papões tentam invocar, e exige que o lançador use sua força de vontade para resistir à compulsão que tenta dominar sua liberdade. E, é claro, assim que os outros começarem a rir, o bicho papão estará perdido." Ele mediu a classe com os olhos, olhando para além do mais ansioso—Hermione—e do mais nervoso—Neville. Finalmente, ele acenou com a cabeça para Justin. "Sr. Finch-Fletchley. Poderia se aproximar?"

Justin se levantou engolindo em seco e avançou, sua varinha estendida. "Qual era mesmo o feitiço, professor?" ele perguntou.

"Riddikulus," Remus respondeu com um sorriso.

Justin repetiu para si mesmo algumas vezes, depois assentiu. "Estou pronto, professor," ele disse.

Remus lançou Alohomora no baú e saiu do caminho quando o bicho papão se libertou, uma forma confusa por um momento enquanto tentava identificar os medos das pessoas ao seu redor. Então se concentrou em Justin, e de repente se tornou um cachorro enorme, com dentes serrilhados tão longos que cobriam sua mandíbula. Remus piscou e torceu para que Justin nunca enfrentasse Sirius em sua forma animaga.

O bicho papão avançou, rosnando. Justin estremeceu e parecia ter problemas para levantar a varinha. Seu rosto estava pálido.

"Algo que te diverte!" Remus falou, pronto para mover sua varinha e banir a coisa se o desafio fosse demais para Justin.

Mas Justin prendeu a respiração, acenou com a varinha e gritou: "Riddikulus!" No momento seguinte, um gorro de bebê apareceu na cabeça do cachorro e um gatinho estava sentado em seu pescoço, miando e dando tapinhas na boca do cachorro para chamar sua atenção. O cão girou, aparentemente confuso, e o gatinho agarrou-se, sibilando.

A classe caiu na gargalhada e Remus assentiu. "Muito bem, Sr. Finch-Fletchley!" Ele desviou os olhos para a pessoa imediatamente atrás dele. "Sr. Potter?"

Connor se levantou e avançou. Remus tinha que admitir alguma curiosidade sobre a forma que seu bicho papão assumiria.

O cão explodiu em uma nuvem de fumaça e então avançou para uma forma menor.

Remus sentiu seu coração apertar dolorosamente. O bicho papão de Connor era Harry.

Connor estava olhando para seu irmão, ou a forma de seu irmão, com terror doentio em seus olhos. O bicho papão-Harry ajeitou os óculos no nariz e deu um passo à frente, apontando sua varinha para Connor e exibindo um sorriso que Remus sinceramente esperava não vir de uma experiência da vida real.

Connor apontou sua varinha, com dificuldade, e conseguiu sussurrar, "Riddikulus."

Precisou de mais algumas tentativas, mas o bicho papão-Harry finalmente tropeçou, quebrou os óculos e começou a tatear cegamente. A turma riu de novo - pelo menos, a maioria deles riu. Remus notou que havia uma ponta de nervosismo no som, e que Hermione estava carrancuda como se seu rosto fosse explodir. Zacharias recostou-se na cadeira, olhando ao redor, avaliando friamente a reação de seus colegas.

Pelo menos nisso eles são iguais, Remus pensou, com o coração pesado, enquanto fazia Connor recuar e Rony avançar. Já que o bicho papão de Harry, afinal de contas, era Connor morto por causa de seu fracasso.