Acordei com o sol batendo na minha cara, olhei ao redor querendo saber onde eu estava.
Depois de uns segundos, percebi que estava no meu sofá, na minha sala, no meu apartamento.
Suspirei de alívio.
Não conseguia lembrar de muita coisa que aconteceu ontem. Lembro de estarmos comemorando que Astoria e Draco vão começar a morar juntos – Draco não devia saber o motivo, mas comemorou com muita animação –, lembro de beber mais do que devia, isso explicaria do porquê da minha cabeça parece que vai explodir e de estar com uma sensação horrível no estômago, e do meu celular...
Merda, o meu celular!
Que caiu no vaso sanitário, e que eu não pude pegar, nem para recuperar meu cartão de memória e chip.
Eu preciso comprar outro, urgentemente!
Fico mais um tempo deitada, para ver se meu estômago melhora ou que minha dor de cabeça passe em um passe de mágica.
Não acontece nada.
Então me levanto, vou em passos lentos até a cozinha, pego uns analgésicos e os tomo para as dores passarem.
Depois vou tomar um banho, para sair para comprar um novo celular.
Ainda bem que hoje eu não trabalho, não ia aguentar meu chefe hoje, de jeito nenhum, ainda mais com essa dor de cabeça.
Ao sair me olho no espelho e tomo um susto comigo mesma.
Meu estado estava crítico, meu rosto estava em um tom verde, meus olhos com olheiras, meu cabelo mais indomável do que o normal – e meu cabelo é muito indomável.
E agora percebi que estava com dor nas costas, provavelmente por ter dormido no sofá da sala.
Vou me arrumar, visto uma blusa regata branca, saia jeans e calço um tênis all star vermelho. Faço uma maquiagem, para dar um pouco de cor no meu rosto.
Depois me olho no espelho, pareço até apresentável.
Vou até o shopping,o que uma pessoa faz sem seu celular?
O celular é necessário pra praticamente tudo na minha vida.
Nele estão meus amigos, documentos de trabalho, minhas músicas, meus livros, basicamente minha vida inteira estava naquele celular, que foi levado pela descarga da privada.
Sim, depois de cair e eu fui me endireitar acabei apertando a descarga, e meu celular foi embora.
Como ele passou pelo cano? Eu não faço idéia.
Quando cheguei no shopping estranhei, não estava cheio, e era final de semana e sempre está cheio nos finais de semana.
Fui até a loja que vende celulares, e me assustei ao perceber que só tinha uma pessoa além de mim naquela loja, só uma vendedora, que estava de costas pra mim.
Será que estava ocorrendo algo, ou era feriado e eu não fiquei sabendo?
Deixei isso pra lá e fui até a vitrine que mostrava vários modelos de celulares de todos os tamanhos, um melhor que o outro.
A única vendedora que estava no local, uma senhora com um rosto bonito, virou para mim, e sorriu de modo amigável.
— Deseja um celular senhorita? — disse ela me examinado.
— Sim. — disse como se fosse óbvio, e era já que eu estava olhando os celulares.
— Tem algum modelo em especial?
— Não, não tenho. Mas se você tiver um celular que faça absolutamente tudo, eu vou querer. — digo animadamente, enquanto olho para a vitrine, eu parecia uma criança em uma loja de brinquedos.
— Você precisa de um celular que faça tudo? — disse ela me encarando.
— Precisar, eu não preciso, mas eu quero um.
— Se não precisa, por-
— Porque sim. — digo respondendo a pergunta que eu sei que ela vai fazer. — Porque eu não vivo sem meu celular, meu computador e meu micro-ondas. — digo, querendo fazê-la rir com o último, não funcionou. — Minha vida depende desses aparelhos.
Ela suspirou, me olhou atentamente e hesitou, mas foi em direção ao balcão, tirando de lá uma caixa.
— Então, acho que esse seria de seu agrado. — disse ainda hesitante, fiquei atenta ao celular que ela tirava da caixa, ele era lindo, todo cromado, uma tela grande e parecia muito moderno,eu queria aquele celular.
— Sim, ele faz tudo? — Pergunto ainda admirando o celular que estava na sua mão.
— Sim, ele faz, vem com chip e cartão de memória incluso, não pode trocar o chip, pois só funciona com ele. — diz ainda hesitante.
Me pergunto o porquê de tanta hesitação, talvez o celular tenha algum defeito ou sei lá.
— Tudo bem. — meu chip e cartão de memória devem estar em algum lugar do esgoto a uma hora dessas. — Mas o celular tem algum defeito?
— Não, ele funciona perfeitamente, e é o último então não pode ser trocado.
— Está bem, então.
— Aceitamos pagamento em cartão e dinheiro. — diz ela.
E eu suspiro aliviada, a única maneira de eu pagar esse celular seria parcelando ele no cartão.
Procuro meu celular na minha bolsa, e não acho.
Coloco a bolsa no balcão e tiro tudo de dentro pra achar ele. Tenho certeza absoluta que coloquei meu cartão lá dentro.
Batom, blush, chaves, absorventes, lixa de unha, camisinha; eu era uma mulher precavida. Nada de cartão. Continuei procurando,tinha que estar ali!A última vez que usei o cartão tinha sido no almoço do dia anterior e eu tinha certeza de tê-lo guardado de volta na bolsa.
Encontrei meu romance todo ferrado, remédio para dor de cabeça, minha nécessaire de higiene, caneta, elástico para cabelo, sache de ketchup —como é que isso veio parar aqui?
Ah! Encontrei!
— Já volto Hermione. — disse ela sorridente, eu estranhei.
— Como sabe meu nome?
— Eu li no cartão. — diz com seu sorriso sumindo, mas dessa vez ela não hesitou em falar.
— Tá bom. — digo ainda desconfiada, tenho quase certeza absoluta de que ela não tinha olhando pro cartão.
Ela me devolve o cartão depois de passar ele na máquina.
— Espero vê-la de novo, tenho certeza que o celular será muito útil, e que você vai achar tudo que deseja. — diz com uma voz bem baixa e meio sinistra.
Que mulher estranha!
Pego o celular de sua mão e vou embora, com medo daquela velha.
Vou andando até chegar na praça, que está vazia por sinal, tiro o celular da caixa, coloco ela dentro da bolsa, em casa eu vejo as instruções.
Jogo a sacola numa lixeira e tento ligar o celular.
Nada acontece.
Não quer ligar,era por isso que ela tava hesitando,não funciona.
Mas que merda!
Estou dando meio volta, para ir tirar isso a limpo com aquela velha, quando a tela liga.
A luz da tela, vai aumentando até ficar insuportável, e por um momento parece que tudo ao redor está com a luz do celular.
Não, tudo está mesmo com a mesma luz da tela do celular ao redor.
Que merda está acontecendo?
Acabo tropeçando em alguma coisa e batendo a minha cabeça no chão.
Depois de um tempo tudo volta ao normal.
A luz natural e suportável do sol volta.O que será que aconteceu?O celular deve ter dado curto circuito e...
Espera, onde eu tô?
Não tem nada normal, onde está tudo?
