Niki podia não admitir diretamente a mim, mas eu sabia que no fundo, ele estava preocupado com a ideia de ter um bebê. Eu, depois de um tempo necessário para me acostumar à ideia, estava genuinamente feliz, procurando me preparar da melhor maneira possível para cuidar do bebê e ser a melhor mãe que eu poderia ser. Já o meu marido, tinha algumas dúvidas quanto à sua parte. Niki não me contou exatamente o que era, mas eu esperava que em algum momento, ele pudesse me contar, se sentir confortável o suficiente para isso.
-Como você tá hoje? - ele me perguntou depois de um dia de trabalho, organizando a empresa e inspecionando os aviões.
-Bem melhor, os enjoos passaram e, bem, estou mais calma quanto a tudo isso que aconteceu tão rápido - consegui sorrir, realmente me sentindo melhor - mas Niki...
-Sim? - ele se voltou pra mim, curioso, tentando deduzir o que se passava na minha mente no momento.
-Eu queria falar uma coisa com você, só não quero te pressionar - eu fui sincera, falando sobre o que estava pensando sobre ele nos últimos tempos.
-Ah entendi - ele baixou a cabeça, meio pensativo, relutante em me responder - acha que eu tô meio assustado com a ideia do bebê? Não, eu não estou, eu amo nosso filho e vou fazer meu melhor por ele.
-Eu sei que vai, claro que vai - segurei as mãos dele - mas não há mais nada que tá te preocupando? Era isso que eu queria conversar com você, só se você quiser.
-Bom, eu realmente não queria falar disso, mas já que tocou no assunto, eu não posso mais fugir, não é? - ele rebateu, meio irritado.
-Niki, eu não queria te aborrecer - eu me senti arrependida.
-Nem eu queria te aborrecer com meus pensamentos, ainda mais agora, nas suas condições - ele viu que fiquei triste e tentou se redimir.
-Olha, você nunca foi de esconder o que pensa de mim, então, mesmo grávida, prometo que aguento, seja lá o que for - eu soei mais determinada dessa vez, fosse o que fosse, não o deixaria escapar sem dizer o que estava acontecendo.
-É verdade, eu sei - ele suspirou e se rendeu, sentando ao meu lado - eu fiquei muito feliz com a notícia, é verdadeiramente maravilhoso pra nós, só que depois eu pensei na minha família, na minha experiência com os meus pais e tudo mais...
-Oh entendi... - compreendi imediatamente - você tem medo de ser rígido como seus pais foram com você.
Niki apenas assentiu, confirmando minhas suspeitas.
-Não, isso não vai acontecer, não comigo por perto, eu nunca vou deixar você ser rígido demais, ou condescendente demais - afirmei - eu entendo o sentimento, entendo mesmo, mas Niki, não tem como você reproduzir uma atitude que te marcou tanto de um jeito muito ruim, você vai se lembrar do que passou, se colocar no lugar do nosso filho e vai ser bem mais tolerável.
-Como você pode ter tanta certeza disso? - Niki ainda tinha suas dúvidas.
-Porque eu conheço você, sei como voc assim que vai agir, eu acredito nisso - afirmei sem titubear e tudo que falei pareceu acalmar meu marido.
-Obrigado - ele agradeceu, beijando minha bochecha.
-Não tem de que, é pra isso que estou aqui - disse de coração.
Depois daquela preocupação inicial descartada, minha gravidez prosseguiu tranquila. Não tivemos mais surpresas ruins, ou fantasmas do passado nos assombrando. Tudo que conseguíamos ver a partir dali era o futuro brilhante que estava à frente, para nós e o pequeno membro da nossa família.
Niki trabalhava mais arduamente, tudo em prol do bebê e eu, procurava ficar tranquila, manter em mente que tudo daria certo, que, por um instinto natural, eu saberia o que fazer em cada momento e situação como mãe, por meu amor por nosso filho.
Assim, o momento de conhecê-lo chegou. Agradeci a Deus por Niki estar perto de mim quando a bolsa estourou, já que eu não teria condições de dirigir sozinha. Ele foi cuidadoso, mas rápido ao volante, e quando ele poderia se desesperar, ele estava calmo, focado, concentrado em fazer o que era melhor. Essa postura me acalmou também.
Niki não saiu do meu lado, exigindo estar presente, dando o apoio que precisava, garantindo que tudo daria certo, e realmente, depois de um tempo, tudo deu certo. Ouvimos o choro do nosso menino, eu me sentia exausta, mas aliviada. Agora outra etapa viria à nossa vida.
-Ele está aqui, Marlene, ele está! - Niki disse com entusiasmo ao meu lado.
Esperamos um pouco até podermos ver nosso filho novamente. Realmente era um menino lindo, parecia não ter puxado quase nada de mim, mas não fiquei com raiva. Além da aparência física, esperava que ele herdasse a determinação do seu pai.
-Tem algum nome em mente? - eu perguntei, depois de pensarmos em alguns nomes antes e não chegarmos a nenhum que nós dois gostássemos.
-Que tal Lukas? - Niki sugeriu - eu gosto do nome.
-Lukas Lauda soa muito bem - eu concordei, olhando para os dois, e por um breve momento, lembrando de Luca, em como Niki era próximo dele - é em homenagem ao Luca?
-Hã, talvez, não esperava que você gostasse da ideia, por isso nunca sugeri - meu marido explicou.
-Bom, pra mim é perfeito - olhei para o meu bebê, a quem agora chamávamos de Lukas - seja bem vindo ao mundo, pequeno Lukas.
Ele olhou de volta pra nós, não sabia o que se passava na cabeça do meu filhinho, mas esperava que ele já soubesse o quanto nós o amávamos.
