Depois que meu segundo filho nasceu, senti uma calma e paz incríveis. O parto para mim, tinha sido menos doloroso e penoso, tudo parecia ter se ajeitado conforme deveria acontecer. Agora, eu esperava poder rever meu filho mais novo outra vez. Seu nome era Mathias, outro nome que escolhemos com antecedência.
As enfermeiras trouxeram meu bebê de volta mais rápido do que esperava, e ali, ficamos só eu e ele, admirando um ao outro. Era incrível como ele parecia ainda mais com Niki do que Lukas, era como se esses meninos herdassem o mínimo de genética de mim, mas não me importava, o importante é que meus meninos estavam bem e saudáveis, e eu os amava muito.
Me deixaram descansar um pouco, recuperando as forças, enquanto Mathias, milagrosamente colaborou comigo, ficando bem quietinho, diferente de um bebê recém nascido que era muito mais agitado. Só então quando eu e o bebê estávamos mais dispostos, deixaram que Niki entrasse, justamente na companhia de Lukas, o que me surpreendeu.
-Olá pra vocês dois! - disse surpresa, mas contente.
-Oi, como você tá? Como vocês estão? - Niki notou Mathias nos meus braços.
-Bem, eu estou me sentindo bem - respondi - e você, Lukas, por que veio com o papai?
-Ah ele quis me trazer e eu vim - meu filho mais velho foi sincero - e eu gostei de vir, mamãe, esse é o meu irmãozinho?
-É, é sim, diga oi para o Mathias - eu deixei Lukas chegar mais perto.
-Oi, irmãozinho - disse meu filho mais velho para o bebê.
Mathias, por sua vez, apenas o olhou de volta. Com muito cuidado, Lukas fez um carinho em seu bracinho. Quando distraí o olhar rapidamente desse momento fofo, olhei para meu marido, reparando que estava ligeiramente emocionado.
-Tudo bem, meu amor? - perguntei a ele.
-Tudo sim, só lembranças repentinas - ele me explicou, sem mais detalhes.
Não precisei de mais coisas para entender que ele tinha lembrado de Florian, provavelmente de como eles eram na infância, ou quem sabe, do restante da família. Talvez agora que a nossa própria família estava crescendo, Niki poderia retomar o contato com seus pais, mas não tinha certeza se ele estaria completamente disposto a isso. Essa decisão cabia a ele, e não a mim, eu também não iria pressioná-lo quanto a isso. Agora precisávamos focar em nossos filhos.
Voltamos para casa, e eu acompanhei Lukas por todo canto, já que ele queria mostrar a casa ao irmãozinho.
-Está bem, Lukas, acho que isso já foi suficiente - eu avisei entre risos - seu irmão precisa descansar, e eu também, pra ser sincera.
-Tudo bem, mãe, pode descansar - ele disse como um verdadeiro e responsável homenzinho, o que me deixou orgulhosa.
Os dias seguintes foram marcados por adaptação, de nós três a Mathias. Ter um bebê na família não era completamente inédito, mas mudava muito a rotina da casa, principalmente, pela atenção que Mathias na sua pouquíssima idade requeria. Mesmo assim, logo todos nós estávamos habituados a fazer o nosso melhor conforme cada necessidade dele.
Ao lado do irmão mais velho, ele foi aprendendo a andar e falar, tendo Lukas como exemplo, o que não passava despercebido por nós, era algo comum um irmão mais novo se espelhar no mais velho, e meus filhos não eram exceção disso.
Com os meninos um pouco maiores e com as coisas estáveis em casa, Niki começou a ponderar se não voltaria às corridas algum dia.
-Acha que seria uma boa ideia? - ele pediu minha opinião.
-Uma coisa é inegável, correr é a vocação da sua vida, me surpreenderia se não quisesse voltar nunca mais - fui sincera na resposta.
-A questão é... será que estou pronto pra encarar tudo de novo? - vi genuína dúvida em meu marido.
-Se você se sente pronto, é porque está, mesmo com dúvidas, você sempre foi um piloto formidável - elogiei de coração - se voltar, sei que você vai se sair muito bem.
Vi Niki refletir nas minhas palavras, mas por enquanto, ele não decidiu fazer nada a respeito. E foi assim que ficamos, Niki ficou um bom tempo sem se dedicar às corridas, mas ao invés disso, investiu todo seu tempo e dedicação a mim e aos meninos, sendo um excelente pai e marido.
Assim, nos restou aproveitar a companhia um do outro, com os meninos sempre nos levando a participar das suas aventuras repentinas. Mathias sempre tinha a ideia de caminharmos pela nossa propriedade, sempre com o irmão e ele apostando corrida um com o outro. Dava para ver que eles tinham a quem puxar a competitividade. Ao fim do dia, os dois pediam descanso no meu colo, revezava ao me sentar ao sofá, e os meninos apoiando a cabeça no meu colo um de cada vez. Era bem típico Mathias adormecer ali, enquanto Lukas, ao sentir sono, nos desejava boa noite e subia para o seu quarto.
Foi numa noite assim, em que os meninos dormiam tão perto de nós, buscando o aconchego que só seus pais poderiam dar que eu e Niki pensamos a mesma coisa.
-Isso é simplesmente perfeito - murmurou meu marido, sorrindo ao ver o que compunha nosso ambiente.
-Concordo - sorri e nos beijamos, confirmando que pensávamos a mesma coisa.
Aceitar dar carona a Niki há tanto tempo atrás me trouxe a felicidade inexplicável que eu sentia agora, composta pelo amor que tínhamos um pelo outro e pelos nossos filhos. Era com certeza, perfeito.
A/N: Bom, este é o final da história, espero que tenham gostado, eu realmente amei escrevê-la. Até a próxima!
