oooOOoooOOooo
Severus acordou lentamente, envolto em calor e sentimentos de segurança e contentamento. Os lençóis. Mesmo sabendo que era uma paz induzida magicamente, não diminuiu o impacto sobre seus sentidos ou emoções. Era uma paz que ele sabia saborear. Com base em sua própria pesquisa e tudo o que leu, os lençóis lentamente perdiam sua magia com o tempo conforme o bebê para o qual foram feitos crescia, até que um dia eles eram simplesmente lençóis normais. Ele languidamente se perguntou enquanto se espreguiçava, apreciando a sensação de seus músculos se contraindo e relaxando contra o deslizamento de um pano macio, se o fato de ser um adulto faria diferença em como a magia agia.
Saboreando os sentimentos de contentamento, planejou seu dia. Ele tinha que falar com Dumbledore e Vector sobre o feitiço. Ele precisava falar com Hermione, embora não tivesse certeza do que diria a ela. Ele precisava planejar sobre seus pertences, tal como estavam. Simplesmente dizer a Rink para dar tudo a Hermione não seria o suficiente, ele decidiu. Havia providências que precisavam ser feitas. Ele precisava fazer muitas coisas, mas estava confortável e com a luz fraca que entrava pelas cortinas ainda era cedo. Curvando-se de lado, piscou sonolento e sentiu prazer no que ele sabia que seria uma sensação passageira de facilidade. Por uma das poucas vezes em sua vida, ele decidiu que merecia dormir e fechou os olhos.
oooOOoooOOooo
Harry varreu os olhos ao redor da mesa. Todos aqueles que viviam atualmente em Grimmauld Place estavam presentes, exceto Snape. Ninguém tinha visto o homem o dia todo. Harry notou Hermione lançando olhares ansiosos para as escadas enquanto trabalhava em algum tipo de papel que envolvia várias cores de tinta. A ligação dela com Snape ainda fazia seu estômago revirar de desgosto, mas ele finalmente compreendeu a preocupação óbvia dela e disse-lhe que tinha visto Snape de manhã cedo e que o morcego provavelmente estava apenas dormindo até tarde. Hermione parecia menos do que confiante, mas tinha voltado para suas marcas furiosas entre mordidas em seu almoço.
Chamando a atenção de Ron, Harry se sentiu encorajado quando seu melhor amigo sorriu para ele. Ele foi subitamente dominado pelo conhecimento de quão bom amigo Ron Weasley era, e o conhecimento de que ele estava prestes a enviar todos os que ele gostava para o que poderiam muito bem ser suas mortes o aterrorizou. Ao lado dele, Ginny apertou sua mão, puxando sua atenção de volta para a mesa. Ele abriu um sorriso agradecido e se levantou. Endireitando os ombros, ele estava ciente do quão jovem e despreparado realmente se sentia.
- Eu preciso convocar uma reunião da Ordem.
qTodos os olhos estavam imediatamente sobre ele que lutou contra a vontade de se inquietar.
Dumbledore o lançou um olhar cordial sobre uma garfada de feijão cozido.
- Isso é necessário, Harry? Talvez eu possa ajudá-lo?
Harry balançou a cabeça.
- Não senhor. - Virando-se para o lado, ele pegou a revista Witch Weekly que Ginny estava segurando para ele. Passando para o artigo, ele o jogou sobre a mesa.
- Esse é um artigo sobre um baile na véspera de Natal que o Ministério está promovendo. - A voz de Harry ficou monótona com uma raiva mal contida. - O Ministério está hospedando o baile para homenagear Devrom Dollart e sua equipe no Ministério por tudo que eles fizeram para proteger o mundo mágico nestes tempos difíceis.
Dumbledore pegou a revista e puxou-a para mais perto dele. Batendo nos bolsos, ele encontrou seus óculos e deu uma olhada no artigo em questão.
Harry deu a ele um minuto antes de continuar.
- Observe a lista de convidados. E isso provavelmente não é todo mundo. Mas o que está lá parece uma lista de quem é de quase todas as famílias bruxas de sangue puro proeminentes. Porém ainda mais do que isso, todos que estão nessa lista e conhecemos são Comensais da Morte. Eu estou supondo que todos que não conhecemos são Comensais da Morte também e estarão presentes. - A voz de Harry assumiu um tom duro de zombaria. - É o grande dia de Voldemort.
Enquanto os outros se aglomeravam ao redor do Diretor para ver a revista, Harry chamou a atenção de Hermione.
- Você acha que você e Snape podem estar prontos?
- Eu- Ela parou e folheou várias das páginas cobertas de equações na frente dela.
- Hermione? - Ele perguntou novamente quando ela pareceu se perder em uma página de suas equações multicoloridas.
Quando ela olhou para cima, ela estava com uma expressão abatida que Harry não entendeu, mas Hermione finalmente deu a ele um aceno de cabeça.
- Não temos as pessoas, - disse Moody, um olho em Harry e o outro na revista. - Muitas incógnitas. Se a Ordem estivesse com força total, talvez. - Ele balançou sua cabeça. - Agora, não temos nem gente suficiente para cobrir Comensais da Morte conhecidos ou suspeitos, muito menos os apoiadores do bastardo que estarão na multidão. Teremos uma luta em nossas mãos com certeza.
Harry tamborilou com os dedos na mesa.
- É minha melhor chance. - Ele lançou um rápido olhar para Ginny ao lado dele. - É nossa melhor chance. Quantas pessoas a Ordem pode trazer? - Ele perguntou, fixando seu olhar em Dumbledore. - Não apenas o pessoal central da Ordem, mas todos que prometeram sua ajuda quando você chamasse?
Dumbledore passou os dedos pela barba por vários longos momentos.
- Perdemos muitas pessoas boas. Outros terão muito medo de vir.
- Quantos? - Harry perguntou novamente.
- Talvez quarenta. Cinquenta, se tivermos sorte. No entanto, nem todos são duelistas. Muitos não estarão preparados para lidar com uma batalha campal.
Harry balançou a cabeça.
- Convoque eles. Podemos marcar uma reunião da Ordem amanhã?
- Muito cedo, - Moody rosnou. - Eles vão precisar de tempo para dar desculpas para desaparecer, especialmente se pensarem que estão sendo vigiados. Eles se sentem expostos, não virão de jeito nenhum.
- E quanto aos elfos domésticos? - George perguntou.
- Só se soubermos de um endereço ou se o elfo doméstico já estiver lá antes, ou se já tiver conhecido a pessoa, - disse Hermione do final da mesa.
Dumbledore acenou com a cabeça.
- Isso cuidaria da maioria deles. Ainda assim, sugiro esperar até depois de amanhã.
- Ainda não aborda o fato de que não temos gente suficiente para cobrir uma festa desse tamanho. Sem mencionar, os problemas com as proteções anti-aparatação que o Ministério terá criado.
- Temos gente, - disse Ron, chamando a atenção de todos para ele. - Podemos trazer mais trinta pessoas. Aqueles que estão preparados e, mais importante, prontos para lutar.
- Quem? - Moody rosnou em descrença.
- A AD, - Ron disse, e então esclareceu quando várias pessoas na mesa pareceram confusas. - A Armada de Dumbledore. É o clube de Defesa Contra as Artes das Trevas que Harry começou.
- Ainda existem as proteções.
Fred tossiu, chamando a atenção de todos para ele e Jorge.
- Quando estávamos fugindo, tivemos algumas ideias.
- E não há muito mais o que fazer, - acrescentou George.
- Certo. Podemos ter uma ideia ou duas para as proteções
Harry deu aos gêmeos um olhar agradecido antes de apontar para a revista.
- Veja a lista. Várias dessas famílias são proeminentes o suficiente para terem de ser convidadas independentemente de suas inclinações. Neville e sua avó, por exemplo. Neville fazia parte da AD. Outros também. Isso nos dá pessoas lá dentro, caso precise.
- Harry, não podemos envolver alunos nisso. - O rosto de McGonagall estava contraído e desaprovador.
Harry bufou em descrença.
- Estou envolvido. Estou envolvido desde os onze anos. - Ele esticou um braço e indicou Ron, Ginny, Fred, George e Hermione. - Eles estão envolvidos. Voldemort matou Molly e ainda está com o sr. Weasley. Todos na AD sabem pelo que estão lutando e por quê.
- Infelizmente, Harry, - Dumbledore começou, sua voz conciliadora, - não poderemos entrar em contato com os membros do seu grupo. Não sem levantar suspeitas que mal podemos sustentar.
- Isso não será um problema. - A voz de Hermione era apologética e presunçosa, como se ela tivesse vergonha de contradizer Dumbledore, mas satisfeita por ter a resposta. Ela ergueu um galeão, girando-o sob a luz de modo que brilhasse entre seus dedos. - Todos membros da AD ganharam um galeão com feitiço Metamorfo antes de deixarmos Hogwarts. Posso mandar uma mensagem. Eles virão.
McGonagall estava de pé agora, a tensão irradiando dela.
- Eu não gosto disso. É muito perigoso.
Dumbledore estava parecendo sério.
- Infelizmente, Minerva, acredito que o jovem Harry está correto. Não podemos nos dar ao luxo de esperar e esta festa nos daria uma oportunidade que não tivemos até hoje; todos os principais apoiadores e secundários de Tom reunidos em um só lugar. - O Diretor deu a Harry um aceno de cabeça. - Muito bem. Reúna seus colegas estudantes. Eu reunirei a Ordem. Depois de amanhã.
- Devemos nos encontrar aqui? - Ron perguntou.
- É a melhor localização, já que Hogwarts está atualmente fechada para nós. Vamos escalonar o momento das chegadas e trazê-los para dentro em pequenos grupos. - Dumbledore enviou a Harry um sorriso caloroso. - Muito bem, Harry. Entre isso e o Feitiço de Ligação, temos uma chance incomparável de acabar com tudo.
Harry enrubesceu com o elogio do homem que idolatrava. Ele sempre quis que Dumbledore se orgulhasse dele e estava procurando uma maneira de corrigir a decepção que causou a seu mentor quando se desviou para as Artes das Trevas.
- Senhor, eu também gostaria de falar com você um pouco mais sobre minhas outras aulas.
- Claro, Harry. - Dumbledore estendeu a mão para Harry, gesticulando em direção ao corredor. - Talvez possamos continuar nossa conversa agora?
Harry deu a ele um sorriso agradecido.
- Ótimo. - Voltando-se para seus amigos, ele acrescentou, - Ron, Gin?
Ron acenou para ele.
- Vá em frente Harry. Trabalharemos com Hermione sobre as mensagens que devem ser enviadas aos membros.
Levantando-se, Harry pegou a revista da mesa.
- Quando você estiver pronto, senhor.
oooOOoooOOooo
Silas Mariner estava apertando seriamente a mão de Harry enquanto vários dos outros alunos da AD estavam ao redor.
- Que bom que você chamou. É uma honra. Estou segurando meu galeão desde que Hogwarts fechou.
Revirando os olhos, Hermione veio ao resgate de Harry.
- Gin, você poderia levar este grupo para dentro de casa?
Ginny deu um sorriso conspiratório.
- Claro. Mariner, Luna, Neville, vamos lá. Precisamos tirar vocês da rua. - Ela estendeu um pedaço de papel. - Aqui, leia isso e nós iremos.
Houve vários "oohs" e "aahs" do pequeno grupo quando o Largo Grimmauld apareceu debaixo do feitiço Fidelius.
- São todos eles, então? - Ron perguntou.
Hermione consultou sua lista.
- Há mais alguns apoiadores da Ordem que devem chegar em breve e um último monte de pessoas da AD.
Ao lado dela, Harry franziu a testa.
- Tem certeza? Achei que o grupo de Neville fosse o último da lista.
Hermione lançou um olhar para Ron quando o estalo de uma aparição soou antes que ela pudesse responder. Diante deles estava Agnes Worth e seus dois colegas slytherins da AD, Vivian Pueche, uma slytherin de rosto aguçado e olhos cinzentos que raramente falava, mas parecia perder muito pouco do que acontecia ao seu redor, e Constantine Tártaros, um jovem grande e musculoso, isso sempre lembrava Hermione de Goyle. Seu tamanho e aparência lenta, todos eles descobriram durante as aulas da AD, escondiam um lutador forte e uma mente rápida. Junto com os três slytherins estava um jovem que parecia ter vinte e poucos anos. Ele se parecia o suficiente com Agnes, que estava curvada sobre seu braço e vomitando, Hermione imaginou que fosse o irmão.
- Droga, Hermione! - Harry gritou.
- Não culpe Hermione, Harry, - Ron disse, rapidamente antes que Harry pudesse se irritar. - Eu concordei com ela sobre isso. Precisamos deles. Precisamos de todos e você sabe disso.
Tomando a iniciativa, Hermione se aproximou do grupo que parecia um pouco nervoso. Bem, parecendo nervoso, exceto por Agnes, ela apenas parecia um pouco verde para Hermione. Ela deu ao grupo o que esperava ser um sorriso de boas-vindas.
- Pueche, Tártaros. Agnes, respire fundo algumas vezes, vai ajudar. - Então ela estendeu a mão para o jovem. - Hermione Granger.
- Talon Worth. - Ele deu uma leve sacudida em Agnes, que estava encostada em seu braço. - Esta é minha irmã.
- Não me sacuda, - Agnes gemeu. Endireitando-se um pouco, mas ainda se apoiando em seu irmão, ela acrescentou, - Antes que Potter fique todo confuso, Talon era Hufflepuff e eu disse a ele o que está acontecendo. Ele quer ajudar.
- Mas-
Com a expressão confusa de Harry, Hermione explicou.
- Parece que Worths não se reproduzem fielmente à sua afiliação de Casa como muitas famílias puro-sangue parecem. Eles são bastante notórios por isso.
Os lábios de Harry se apertaram quando ele deu ao pequeno grupo um aceno de cabeça rígido. Um segundo depois, ele segurou firmemente seu braço.
- Hermione, posso falar com você um momento? - Sentindo-se como se estivesse sendo levada à detenção, Hermione deixou Harry conduzi-la alguns metros para longe do pequeno grupo. - Você está louca? - Ele sibilou, fazendo um esforço para manter a voz baixa.
- Precisamos de toda a ajuda que pudermos obter.
- Mas eles são-
- Não diga isso, - ela interrompeu enquanto afastava a mão dele. - Eu não me importo para qual casa eles foram atribuídos e nem você deveria. Precisamos de aliados. Pueche tinha melhor precisão do que a maioria de nós e Tártaros era do sétimo ano. Ele é poderoso e pode aparatar.
- Parvati tinha melhor precisão, - disse ele mal-humorado.
Hermione ergueu as mãos com um rosnado.
- Harry Potter-
Harry revirou os olhos para ela.
- Tudo bem. Eu só- Ele soltou um suspiro que ela interpretou como uma rendição. - Como sabemos... como você sabe que eles são confiáveis?"
Ela suavizou sua própria voz.
- Eu não sei. Assim como você não sabe que os Ravenclaw ou os Hufflepuffs podem ser confiáveis. Oh, Harry, você não vê, nós nem mesmo sabemos que se própria Casa pode ser confiável. Mas tem de começar em algum lugar. Esta é uma luta para todo o Mundo Bruxo, Harry, não apenas para o grupo da Gryffindor.
- E se eles nos traírem por Voldemort? E então?
Ela sorriu, embora parecesse mais uma careta.
- Então todos nós cairemos lutando. E Colin ficará muito desapontado porque ele tem uma queda séria por Agnes.
A resposta dela surpreendeu uma risada curta de Harry que dissipou a tensão restante entre eles.
- Colin gosta de Agnes?"
- Não é a parte importante, Harry.
Ele deu a ela um sorriso torto em troca.
- É melhor do que pensar na outra parte. - Ele olhou para onde Ron estava abraçado com Agnes e o outro. - Ok, Hermione. Vou confiar neles e em você. Só espero que você esteja certa.
Hermione deu a Harry um rápido abraço de um braço.
- Tem que começar por algum lugar. - Balançando os braços e exibindo um ar alegre e esperançosamente confiante, ela voltou para os outros. - Ok, então. Deixe-me levá-los e apresentá-los.
Enquanto Talon gesticulava para frente, Hermione remexeu em seu bolso antes de puxar um dos pedaços de papel que haviam preparado.
- Leia isso, - disse ela, entregando-lhe o papel. Quando a casa se materializou, Hermione os levou para dentro. Ela estava preparada para uma luta da Ordem enquanto liderava o pequeno grupo de Slytherins. Harry tinha pelo menos trabalhado com esses alunos no AD. Para o resto da Ordem, eles seriam uma surpresa completa.
- Puta merda!
- Olha a língua, sr. Tártaros.
Hermione se virou ao ouvir a voz de Severus. Ele estava parado em uma pequena alcova sombreada logo após a porta da frente. Ela passou por ele sem vê-lo, mas Tártaros o avistou. Os slytherins estavam olhando para o Diretor da casa com algo semelhante ao espanto. Agnes, Hermione notou, estava sorrindo como se tivesse acabado de ganhar uma Excede Expectativas em Poções.
Tártaros enrubesceu, as pontas das orelhas ficando vermelhas de vergonha.
- Desculpe, senhor. Eu só... quero dizer, você está... certo. Desculpe, senhor.
Severus deu ao pequeno grupo um olhar que fez Hermione querer rir. Tanto para a famosa imperturbabilidade da Slytherin.
Os olhos de Severus se voltaram para ela e de volta para os três slytherins.
- Senhorita Worth, senhorita Pueche, senhor Tártaros, você dá grande crédito à sua Casa e ao Mundo Bruxo hoje. - O olhar de Severus percorreu o irmão de Agnes e Hermione suprimiu um sorriso quando o jovem automaticamente se endireitou sob seu olhar. - Você também, sr. Worth. Hufflepuff não costuma receber o crédito que é devido.
Talon pareceu crescer cinco centímetros no local, mas conseguiu um muito maduro.
- Obrigado, senhor.
Hermione deu um passo à frente.
- Professor Snape, talvez você gostaria de levar seus alunos, e o sr. Worth, é claro, para a reunião?
Seus olhos os percorreram novamente, avaliando e calculando.
- Sim, isso pode ser aconselhável. Siga-me.
Deixando-os com Severus, e interiormente aliviada por ser ele quem enfrentaria a Ordem quando os slytherins aparecessem, Hermione se virou e voltou para o ar frio de dezembro, descendo levemente os degraus da frente. O resto da Ordem poderia uivar de indignação, mas Hermione sabia que ter os slytherins ali seria um longo caminho para tornar o mundo bruxo melhor no longo prazo. Harry ainda parecia preocupado, mas não a estava evitando.
- Espero que você saiba o que está fazendo, Hermione.
- É o certo, Harry.
- Está feito agora, de qualquer maneira, - disse Ron. - Alguém mais na lista?
- Apenas o-
Um estalo de aparatação soou.
—Me para baixo. Como você ousa me sequestrar! Isso é um ultraje.
- gêmeos com Percy, - Hermione terminou durante uma pausa na gritaria de Percy.
- Vocês dois são procurados pelos aurores para interrogatório. Assim que eu ficar livre, vou denunciá-los imediatamente ao Ministério.
Hermione puxou sua varinha.
- Somnambul. - Percy, envolvido no que parecia ser um feitiço duplo de Incarcerous, desabou no aperto que Fred e Jorge tinham sobre ele. - Vocês não poderiam ter colocado um feitiço silenciador nele? - Ela retrucou exasperada.
- Desmancha prazeres, - disse Fred, mostrando a língua para ela.
- Além disso, - acrescentou George, - é muito mais divertido ouvir as ameaças.
Enquanto todos voltavam para dentro, arrastando Percy atrás deles, Hermione já podia ouvir o som de vozes na sala da frente. A ascensão e queda soaram como uma colmeia de abelhas raivosas enquanto as vozes se sobrepunham. Dando aos três acenos animados, Fred e Jorge carregaram Percy inconsciente para a reunião. Assim que cruzaram a soleira, as vozes cessaram por um momento. Então uma voz de mulher soou bruscamente.
- Oh, pelo amor de Deus, o que vocês dois fizeram? - Qualquer comentário de volta dos gêmeos foi abafado quando o zumbido de vozes aumentou novamente.
Olhando para Harry, Hermione notou sua expressão tensa e punhos cerrados. Estendendo a mão, ela roçou os dedos nos dele.
- Você está bem?
Harry soltou um forte suspiro.
- Não, acho que não.
Do outro lado, Ron soltou uma risada aguda.
- Não se preocupe, cara. Hermione e eu estamos aqui com você. - Ele apontou o polegar na direção da sala. - Não importa o que esse grupo decida, ou não, estamos com você. Lembre-se disso. É um bom plano que traçamos. Com a ajuda de Hermione e Snape com os Comensais da Morte, temos uma vantagem que não tínhamos antes. Vai funcionar.
Uma pontada de preocupação passou por Hermione quando Ron mencionou ela e Snape, mas ela deixou isso de lado por enquanto, focando em seus dois amigos.
Harry balançou a cabeça.
- Eu ainda não tenho ideia de como devo lutar contra Voldemort. O que adianta confrontá-lo se tudo o que faz é matar todos? Estou enviando-os para a morte.
- Não, Harry, você está conduzindo-os à sua única chance de vitória, - disse Dumbledore atrás deles.
Hermione girou, assim como Harry e Ron. Dumbledore estava parado na entrada, parecendo resplandecente em suas vestes bruxas completas, ao invés das vestes mais casuais do dia-a-dia que ela estava acostumada a vê-lo.
- Alguns deles podem morrer por minha causa.
A expressão de Dumbledore era grave.
- Sim, alguns deles podem morrer, mas não por sua causa, Harry. Todos nesta casa fizeram a escolha de enfrentar Tom.
- Porque você pediu a eles.
Dumbledore balançou a cabeça.
- Eu os trouxe aqui a este ponto e a este momento. Mas todos nós, inclusive eu, iremos segui-lo pelo resto do caminho. - Dumbledore colocou a mão no ombro de Harry. - Você me deixou muito orgulhoso hoje, Harry. - Ele olhou para a porta que dava para a sala. - E nada mais, esta promete ser uma reunião muito divertida, - ele acrescentou com uma piscadela maliciosa que lembrou Hermione dos gêmeos Weasley antes de alisar suas vestes e ir para a reunião da Ordem. Quando ele entrou na sala, o zumbido das abelhas silenciou.
Harry olhou fixamente para o Diretor, sua expressão nublada e sombria.
Estendendo a mão, Hermione colocou a mão no braço de Harry.
- Harry?
Harry piscou, seus olhos voltando ao foco.
- Vamos então, - disse ele, indo em direção à sala de estar.
oooOOoooOOooo
Severus encostou-se na lareira, estudando a sala e seus membros reunidos. Havia um padrão definido para o grupo: os membros da Ordem sentaram-se de um lado enquanto os membros auxiliares de Albus sentaram-se rigidamente do outro. Os alunos convidados por Potter se amontoaram em um canto próximo a um assento na janela. Aqueles que não cabiam na janela estavam sentados no chão e nas bordas das mesas e cadeiras próximas. Ele achou interessante que até mesmo seus slytherins foram bem recebidos no grupo de alunos como um de seu grupo. Ainda mais interessante, e interiormente divertido, foram as reações de choque de muitos dos alunos ao encontrá-lo na reunião. Deu a Severus um prazer perverso em confundir suas noções sobre ele.
A reunião transcorreu da maneira que ele pensara. A primeira hora foi preenchida com gritos de todas as partes, seguidos por curtos períodos de silêncio opressor, apenas para serem seguidos mais uma vez por gritos. Todos estavam se olhando com desconfiança e ele notou que mais de uma bruxa ou bruxo tinha suas mãos nervosamente enroladas em suas varinhas. Não foi um início auspicioso para a reunião.
A sala mais uma vez degenerou em um caos barulhento enquanto as cem ou mais pessoas na sala magicamente expandida tentavam conversar, ao redor e através umas das outras, pelo menos até Dumbledore fazer sua grande entrada e o silêncio reinou mais uma vez. Desta vez, o silêncio se manteve.
Severus deixou escapar um suspiro suave; o velho teve a audácia de chamá-lo de teatral. Severus não tinha dúvidas de que a aparência de Dumbledore, desde sua barba cuidadosamente aparada até as pontas de seus sapatos de bico fino bordado em prata, tinha sido cuidadosamente calculada. O efeito total era a imagem de um mago poderoso e comandante, rico em idade e poder. O fato de seu poderoso mago comandante também ser um excêntrico maluco que os vinha manipulando como um mestre titereiro por anos nunca passou por suas minúsculas mentes complacentes.
Albus deu um de seus habituais discursos animadores e Severus desligou sua mente. Ele tinha ouvido isso, ou variações suficientes dele ao longo dos anos, que dado o incentivo certo, ele provavelmente poderia fazer o discurso por si mesmo, até o brilho irritante e sorrisos geniais.
Ele e Albus haviam repassado o plano antes, enquanto os outros se reuniam. Albus falaria e então eles deixariam Potter fazer o resto da explicação. Eles haviam debatido se Vector mostraria a matriz aos membros reunidos, mas acabaram decidindo não fazê-lo. Esse ramo da Aritmancia era tão esotérico que a maioria da população bruxa não seria capaz de segui-lo. A última coisa de que precisavam agora era confusão entre os membros. Mas deixar Potter falar, isso Albus tinha sido mais inflexível. Severus tinha suas dúvidas, mas sabiamente as manteve para si.
Agora ele mantinha um ouvido em Potter enquanto o garoto explicava o plano para os outros. Severus estava mais interessado em observar as reações dos bruxos e bruxas reunidos; procurando sinais de traição ou fraqueza. Os sinais eram sutis, mas ele achou mais fácil ler bruxas e bruxos comuns do que ler seus companheiros Comensais da Morte. A inteligência que ele reuniu a partir de suas observações seria usada para traçar sua estratégia - quem iria se envolver diretamente com os seguidores do Lorde das Trevas na multidão versus o papel mais passivo e menos perigoso de prender os Comensais da Morte caídos. Eles tiveram a surpresa e a oportunidade do seu lado nisso, mas muita coisa ainda poderia dar errado.
Seu olhar pousou em Hermione. Ela estava observando Potter, sua postura aberta e séria, mas ele notou os olhares que ela estava enviando em sua direção. Algo estava em sua mente e a preocupando. Ele forçou seu olhar para longe e de volta para a sala quando um dos apoiadores da Ordem se levantou, chamando a atenção da sala.
- O Profeta diz que há uma profecia.
O questionador era alguém que Severus não conhecia pessoalmente, um dos presentes que havia prometido seu apoio a Dumbledore. O homem, Wills, Severus de repente se lembrou de seu nome das apresentações, Herbert Wills. Ele era um membro de nível médio de uma das pequenas fábricas de poção.
A pergunta não era beligerante, mas havia um tom duro nela que fez Severus endireitar levemente sua postura, para melhor se mover caso se tratasse de varinhas em punho. Eles esperavam evitar essa linha de questionamento. Ele viu Albus se mexer e então os olhos de todos estavam em Potter enquanto o garoto avançava.
- Há sim.
- Você planeja falar sobre isso?
- Agora, Herbert, - Dumbledore começou, - Eu não acho que esta seja a hora ou o lugar. Saber a profecia não fará nenhum bem a nenhum de nós. Pensar que você conhece o futuro apenas influencia suas reações à situação.
A mandíbula de Wills projetou-se para frente, dando ao homem uma notável semelhança com um buldogue. Ignorando Albus, ele se dirigiu a Potter.
- Você conhece esta profecia?
- Sim.
- Você acredita nisso?
O olhar de Potter varreu a sala antes de voltar para Wills.
- Acredito.
- Harry- Dumbledore começou, mas Potter continuou como se não tivesse ouvido.
- Aquele com o poder de derrotar o Lorde das Trevas se aproxima... nascido daqueles que o desafiaram três vezes, nascido quando o sétimo mês morrer... e o Lorde das Trevas o marcará como igual, mas ele terá o poder do Lorde das Trevas não sabe... e qualquer um deve morrer nas mãos do outro, pois nenhum pode viver enquanto o outro sobrevive... aquele com o poder de derrotar o Lorde das Trevas nascerá quando o sétimo mês morrer.
Severus sentiu um arrepio percorrer sua espinha enquanto Potter falava as palavras. Uma rápida olhada ao redor da sala disse que ele não era o único afetado, pois a sala ficou em silêncio enquanto aqueles reunidos absorviam o significado.
Wills bateu na própria testa.
- Sua cicatriz, essa é a marca que o torna como uma parte igual?
- Sim.
- E quanto a este poder? Como você planeja derrotá-lo?
- Herbert-
Albus tentou interromper a conversa novamente e Severus teve vontade de rir. Provavelmente, pela primeira vez em muito tempo, ninguém estava prestando a menor atenção ao grande Albus Dumbledore.
- Não. Tenho o direito de saber como isso vai funcionar. Este plano está muito bom. Fico feliz por termos um plano e uma vantagem, por menor que seja. Mas quero saber como você planejo enfrentar Você-Sabe-Quem antes de confiar minha vida e a vida de minha família nisso. Eu quero saber que quando se trata do duelo entre Potter e Ele, esse Potter ali vai lançar o primeiro Avada.
O rosto de Potter ficou branco, mas suas mãos estavam cerradas em punhos determinados.
- Eu não vou 'lançar o primeiro Avada'. - Potter levantou a mão quando parecia que Wills estava prestes a dizer algo mais. - A profecia diz 'poder que o Lorde das Trevas não conhece'." - Potter virou a cabeça para lançar um olhar para Weasley antes de continuar. - Como alguém apontou, Voldemort sabe tudo sobre magia negra.
Severus sibilou irritado quando Potter disse Seu nome. Felizmente, ele fez isso apenas uma vez.
- Esta não é uma luta de ódio contra o ódio. Eu sobrevivi como um bebê porque estava envolvida no amor de minha mãe por mim. Foi isso que o derrotou.
Wills parecia menos do que impressionado.
- E ela morreu por isso. Você está disposto a dar sua vida por nós?
A expressão de Potter assumiu o olhar teimoso que Severus conhecia muito bem. Ele olhou ao redor da sala, seu olhar parando e demorando em seus amigos.
- Se for necessário. Sim.
oooOOoooOOooo
Severus entrou em seu quarto e trancou a porta atrás de si. Como precaução secundária, ele lançou um feitiço arcaico de trancamento na porta, um que ele duvidava que poucos já tivessem ouvido falar, muito menos conheciam o contrafeitiço. Pela primeira vez, sua cabeça não latejava, um milagre inesperado, mas ele estava cansado. A reunião se arrastou por horas, girando e girando até que se tornou uma farsa. Dumbledore finalmente colocou um fim em tudo. Cada participante havia jurado seu segredo com a varinha antes de ser enviado para seu rumo. Bem, cada participante, exceto Percy Weasley. Ele ainda estava sob o feitiço do sono em algum lugar da casa.
Ele gostaria de poder dormir sozinho. Infelizmente, isso não estava em seu futuro imediato. Recostando-se contra a porta, respirou fundo algumas vezes para se firmar e fechou os olhos. Com uma intenção extremamente cuidadosa, ele construiu suas imagens de Oclumência. Ele reuniu todos os vestígios de qualquer coisa que pudesse denunciá-lo ao Lorde das Trevas. Pensamentos e emoções, conversas e interações envolvendo Flitwick, Vector, matriz e, mais importante, Hermione, foram cuidadosamente recolhidos e afundados sob a água fria de seu lago imaginário. Quando nada restou além de memórias e emoções cuidadosamente selecionadas e editadas, ele abriu os olhos.
Com os nervos e os escudos preparados ele empurrou a manga da camisa e puxou a varinha. Tocando a ponta da superfície da Marca, enviou um pulso de magia. Então ele esperou.
Esperar era fácil e atemporal. Sem corpo, ele flutuou nas profundezas das águas geladas da lagoa. Quando o Lorde das Trevas o convocou, ele estava preparado.
Levantando suas vestes externas mais pesadas, se vestiu e destrancou a porta. Ele não fez nenhum esforço extra para ficar quieto enquanto descia as escadas, Albus o encontrou na porta.
- Tenha cuidado, Severus.
- Claro, Albus. - Ele se virou para sair e parou, uma das mãos na porta.
- Severus?
Severus hesitou por um momento, então falou.
- Se... se a srta. Granger perguntar, diga a ela que eu voltarei.
Albus ficou quieto por um longo tempo.
- Severus-
Severus virou a cabeça apenas o suficiente para encontrar o olhar de Albus. O velho suspirou.
- Eu direi a ela.
Severus concordou.
- Obrigado.
Saindo de casa, nenhum sinal de qualquer turbulência interna ou preocupação mudou sua expressão. Uma vez além do Fidelius, ele seguiu o puxão da Marca Negra. Severus aparatou às cegas, mas não ficou surpreso ao se encontrar onde o Lorde das Trevas sistematicamente o torturou durante o verão. Também não foi surpresa que o Lorde das Trevas não estivesse sozinho. Thorfinn Rowle também estava na sala, recostado em uma das cadeiras de couro como se o escritório fosse seu próprio domínio. Severus escolheu ignorar Rowle, sua concentração estava no Lorde das Trevas. Ou talvez, Devrom Dollort. Ou Tom Riddle. Ou Lorde Voldemort. O homem mudava de nome com a mesma frequência que Nagini mudava de pele. Severus baixou os olhos e caiu de joelhos. Pensamentos tolos e perigosos, uma parte dele sibilou sob o gelo. Pensamentos perigosos, isso o matará. Foco!
- Não é sempre que você entra em contato comigo, Severus.
Levantando-se de sua posição ajoelhada, Severus se ergueu em toda sua altura.
- Minhas notícias eram tais que achei melhor vir imediatamente, meu Senhor.
- Você achou melhor? - A voz era Rowle, escorregadia e pesada com um desprezo oleoso.
Severus continuou a ignorar o outro homem. Rowle estava atualmente ocupando um lugar ao lado do Lorde das Trevas, mas essa posição era frágil.
- Dumbledore e Potter chegaram a uma decisão. Eles esperam usar a distração do Baile de Natal do Ministério para lançar o ataque contra você. Eles acreditam que suas forças estarão dispersas e que você não ousará lançar um contra-ataque completo na presença de tanto do Ministério quanto dos cidadãos bruxos.
- Meu Senhor, esta é uma armadilha flagrante, - disse Rowle, levantando-se da cadeira. - Snape é um espião de Dumbledore.
A criatura que um dia fora Tom Riddle riu.
- Claro, ele é Thorfinn. Severus é o melhor tipo de espião - o tipo que fala a verdade. Não é, Severus? Pois Severus percorre um caminho perigoso e delicado entre me dizer a verdade e contar a Albus Dumbledore a verdade.
Severus baixou a cabeça, mas ainda se endireitou. Isso também fazia parte do caminho delicado que ele trilhou - ser humilde diante de seu mestre, mas não subserviente. Se ele mantivesse o equilíbrio certo, seu mestre se divertia com seu fel. Se ele jogasse errado. . . Severus tinha cicatrizes para mostrar por essas falhas.
- A verdade nem sempre é tão preta e branca quanto a Ordem da Fênix gostaria de acreditar. - Severus deu de ombros delicadamente. - Não posso ser responsabilizado se eles interpretarem a verdade de acordo com suas próprias percepções. Aqueles fora de Slytherin raramente entendem os muitos e variados tons de cinza em que o mundo é pintado.
Rowle fez um barulho de desgosto.
- Palavras bonitas, Snape. Palavras bonitas destinadas a esconder a verdade que vejo. Que você é um traidor de nosso Senhor.
Voldemort ergueu uma mão bem cuidada e Rowle caiu em um silêncio fervente.
- Me conte suas novidades, Severus.
- Dumbledore não me deixa de ter em bom grado. É verdade que ele sabe que vim até você esta noite.
Olhos que refletiam de volta vermelho do fogo na lareira cintilavam de ódio e insanidade.
- Ainda assim, você está aqui, Severus.
Seu coração bateu mais forte com a ameaça subjacente a essas palavras.
- Eu estou onde minha verdadeira lealdade reside, Mestre. Eu sempre o servi fielmente. Dumbledore e a Ordem estão em ruínas. Poucos permanecem leais ao velho tolo. Há desistência nas fileiras. Dumbledore vê isso como a última esperança de derrotar você e seus planos para o mundo bruxo.
- Você quer que acreditemos nessa bobagem?
Desta vez, Voldemort fez mais do que apenas levantar a mão. Uma explosão de magia sem varinha arremessou Rowle pela sala, jogando-o na parede oposta.
- Enquanto eu valorizo seu conselho, Thorfinn, não se esqueça de quem eu sou. Severus foi um dos primeiros a receber a Marca de sua lealdade. Eu dei a ele permissão para falar e você vai segurar sua língua, ou eu vou removê-la.
Do outro lado da sala, Rowle lançou um olhar cheio de ódio na direção de Severus antes de abaixar a cabeça para o tapete no qual ele estava esparramado.
- Perdoe-me, Mestre. Eu procuro apenas promover seus objetivos e protegê-lo. Mas, como você diz, tenho certeza de que minhas dúvidas são infundadas. Meu irmão Severus o serviu muito e bem. - As palavras foram conciliatórias, mas o tom prometia retribuição a Severus.
Severus arriscou um olhar para Rowle, seus lábios torcidos em uma careta de desprezo. Afinal, era esperado e seu Mestre adorava jogar seus súditos uns contra os outros.
- Ao contrário de alguns, - disse ele, - eu caminho entre o inimigo diariamente. Eu vejo sua arrogância e seus medos. Em seu desespero, eles permitiram que Potter chamasse seus colegas de escola pedindo ajuda. - Ele baixou a voz. - Eles acham que podem nos derrotar com crianças. Mesmo assim, seus números não significam nada para os nossos. Seus pontos fortes são insignificantes, suas fraquezas opressoras.
- E o pirralho?
- O garoto fica do lado de Dumbledore e tem medo da luta que está por vir. A Ordem já questiona a habilidade dele de lutar contra você.
- Mostre-me.
Foi todo o aviso que Severus recebeu enquanto Voldemort forçava seu caminho em sua mente. Severus refletiu de volta suas imagens cuidadosamente escolhidas sobre o gelo de seu lago. Cada memória e associação aparentemente aleatória, mas cada uma contando uma pequena parte da história que ele tentava tão delicadamente tecer.
Uma conversa.
Uma imagem.
Sentimentos de traição e ódio. De solidão.
E então, no final, ele mostrou a reunião da Ordem enquanto Wills questionava Potter: o rosto de Potter tinha ficado branco, mas suas mãos estavam cerradas em punhos determinados. "Eu não vou 'lançar o primeiro Avada'." Potter levantou a mão quando parecia que Wills estava prestes a dizer algo mais. "A profecia diz 'poder que o Lorde das Trevas não conhece'." Potter virou a cabeça para lançar um olhar para Weasley antes de continuar. "Como alguém apontou, Voldemort sabe tudo sobre magia negra."
"Esta não é uma luta de ódio contra o ódio. Eu sobrevivi como um bebê porque estava envolvida no amor de minha mãe por mim. Foi isso que o derrotou."
Wills parecia menos do que impressionado. "E ela morreu por isso. Você está disposto a dar sua vida por nós?"
A expressão de Potter assumiu o olhar teimoso que Severus conhecia muito bem. Ele olhou ao redor da sala, seu olhar parando e demorando em seus amigos. "Se for necessário. Sim."
Voldemort se afastou tão abruptamente da mente de Severus que a reação mágica o fez cambalear e o derrubou em um joelho. A dor percorreu sua cabeça com a retirada repentina quando a imagem de Potter dizendo 'Eu sobrevivi como um bebê porque estava envolvido no amor de minha mãe por mim' foi gravada em sua mente. Lutando para subir, ele encontrou Voldemort do outro lado da sala, andando freneticamente em frente à lareira.
Doeu olhar para o brilho do fogo, mas Severus resistiu à dor, como sempre.
- Meu Senhor?
- Eles estão desesperados.
- Muito desesperados, - ele concordou. - Potter está fraco e sem foco. Ele se agarra a qualquer coisa.
Voldemort parou de andar e se virou para olhar Severus completamente.
- Você tem certeza que eles vão atacar no Baile?
- Eles se comprometeram.
- Eles acreditam que meus escolhidos, meus Comensais da Morte e seguidores estarão lá?
- Sim mestre.
Então Voldemort começou a rir.
- Eles desejam encontrar meus seguidores. Então eu os reunirei. Dumbledore, Potter e todos os que se opõem a mim serão esmagados de uma vez.
- Mestre!
Voldemort se virou para Rowle.
- Sim, Thorfinn, pode ser uma armadilha. - Voldemort lançou um olhar para Severus. - Você não me levaria a uma armadilha, não é, Severus?
Severus encontrou os olhos de Voldemort com um olhar firme.
- Eu daria minha vida, Mestre, antes de levá-lo ao perigo.
Na segurança de sua mente, nas profundezas das águas geladas de suas imagens de Oclumência, Severus Snape deu um sorriso sereno. Como ele havia dito antes, a verdade estava pintada em tons de cinza e, de acordo com Vector, ele estaria realmente morto.
oooOOoooOOooo
Severus cambaleou de seu patamar de aparatação. Sua cabeça ainda latejava e estava afetando sua concentração. O uso de Legilimência por Voldemort tinha mais a ver com uma abordagem do tipo martelo do que com o corte cirúrgico de um cirurgião. A última imagem que ele havia mostrado a Voldemort cintilou em sua mente como um loop. 'Eu sobrevivi como um bebê porque estava envolvido no amor de minha mãe por mim.' Ele balançou a cabeça, tentando sumir a imagem e a dor. Era um esforço infrutífero. Ele sabia que nada iria entorpecer a imagem residual ou a dor da penetração de Voldemort em sua mente, exceto o sono e o tempo. O Lorde das Trevas o atrasou com planos e, para saber se ele não estava mentindo, postura desnecessária. Agora o amanhecer estava no horizonte e ainda havia muito a ser feito antes que qualquer plano pudesse ser implementado.
Indo em direção ao Largo Grimmauld, a leve camada de gelo no chão rangia sob suas botas, perturbando o silêncio ao seu redor. Tanta coisa para fazer e tão pouco tempo. Ele não queria nada mais do que entrar no Largo Grimmauld e esquecer tudo por um tempo, envolver-se nos lençóis de Hermione e dormir.
'Eu sobrevivi como um bebê porque estava envolvido no amor de minha mãe por mim.'
Severus parou, seu coração batendo forte. Respirando fundo o ar frio da noite, ele o soltou lentamente. 'Eu sobrevivi como um bebê porque estava envolvido no amor de minha mãe por mim.'
Magia da mãe. Magia antiga. Tudo o que Voldemort se opôs e tudo o que ele nada sabia. Misericordioso Merlin.
Esquecendo sua dor de cabeça, Severus acelerou seus passos, quase voando para dentro de casa e subindo as escadas para seu quarto. Severus havia recebido um novo elfo doméstico pessoal dos elfos de Hogwarts, uma elfa mais velha e séria, de nome Mot. Mas pensando agora, ele invocou um nome totalmente diferente.
- Rink!
Por um longo momento ele se perguntou se o elfo iria aparecer. Hogwarts estava fechada, Rink era um elfo de Hogwarts e não mais apegado a Severus, e eles não se separaram nas melhores condições. Um momento depois, Rink apareceu, já meio curvado em uma reverência.
- Como Rink pode servir ao Mestre de Poções?
- Eu não sou mais... deixa pra lá, - Severus disse impaciente. - Levante-se e pare com essa reverência ridícula.
Rink levantou-se e ficou imóvel, exceto a ponta das orelhas, que oscilava rapidamente para a frente e para trás. Mesmo sabendo que havia chamado Rink, Severus não pôde deixar de perguntar.
- Você deveria estar aqui?
Severus quase riu quando os ombros estreitos élficos caíram em um gesto de desafio teimoso que ele vira muitos gryffindors fazerem ao longo dos anos.
- Mestre de Poções chama Rink.
Severus balançou a cabeça confuso. F.A.L.E. pode sofrido uma morte vergonhosa, mas ele suspeitava que o legado de Hermione com os elfos domésticos teria implicações mais duradouras do que qualquer um imaginava.
- Eu chamei você. Você pode me trazer algo dentro de Hogwarts?
Rink contemplou o pedido, então disse.
- Rink pode.
- Ótimo. Há um livro na minha mesa de cabeceira. Eu preciso que você o pegue e traga para mim.
Rink foi embora quase instantaneamente, seu retorno um mero momento depois. Ele entregou o livro a Severus com outra reverência. Sua mão enrolou frouxamente em torno do livro, Severus estudou Rink.
- Você percebe que essa... devoção é completamente ridícula.
Uma das orelhas de Rink curvou-se para baixo enquanto o elfo parecia estudar Severus por sua vez.
- Rink serve, - disse ele, e se afastou.
Severus bufou. Elfos. Com o livro em uma mão, Severo agarrou o lençol feito para ele por Hermione e foi procurar o Diretor.
oooOOoooOOooo
Ele e Albus os encontraram no jardim. Feitiços de aquecimento mantinham a maior parte do frio longe, mas nem mesmo a magia conseguia manter a mordida do inverno inteiramente longe do ar. Quatro pares de olhos o encararam enquanto ele invadia o domínio. O olhar de Hermione era caloroso e acolhedor. O de Potter estava reduzido a suspeitas mal disfarçadas, enquanto o de Weasley estava curioso e o da garota era surpreendentemente neutro.
- Diretor. - Os lábios de Potter se torceram. - Snape.
Ele ouviu Hermione murmurar, "Oh, honestamente, Harry." Ele lutou contra a vontade de sorrir para o menino. Era encorajador como uma forma que a inimizade entre eles continuava; reconfortante como deslizar em um velho e surrado par de chinelos. Quando o pensamento ocorreu, ele soltou um suspiro silencioso de diversão. Ele realmente tinha ficado louco. Simplesmente não havia outra explicação para isso. Ignorando as sutilezas de uma conversa educada, ele foi direto ao ponto da visita.
- O Diretor e eu acreditamos que encontramos uma solução para o seu problema.
- Meu problema?
Severus olhou para Albus, vendo se o velho queria explicar, mas ele estava sorrindo para Severus. Ele lutou contra a vontade de revirar os olhos. Albus parecia pensar que essa solução de alguma forma uniria Potter e ele.
Mas, como Albus parecia não querer falar, ele começou.
- Você não pode derrotar o Lorde das Trevas com as Artes das Trevas. Você também não pode vencê-lo com pura força, já que ele é mais forte física e magicamente do que você. Em seus confrontos anteriores com ele, você sobreviveu por causa de pouco mais do que sorte.
Potter estava olhando entre ele e Albus.
- Então, você está aqui apenas para se gabar da minha próxima derrota?
- Não seja absurdo, - ele retrucou. - Sua derrota significaria a destruição total de tudo o que dei minha vida para ver concluído. Eu, possivelmente mais do que qualquer pessoa além de você, quero ter certeza de que você prevalecerá.
- Sentimentos nobres, - Harry zombou em descrença. - Então porque você está aqui?
Severus respirou fundo e soltou o ar lentamente. Ele sabia que essa conversa não seria fácil e estava determinado a manter a calma.
- Estou aqui para lhe oferecer uma maneira de derrotar o Lorde das Trevas.
O olhar do Weasley se aguçou e ele se levantou.
- Uma arma? Que tipo de arma e por que não ouvimos falar disso antes? Harry poderia ter usado esse tempo para treinar.
Severus tocou a lombada do livro em sua mão. Ele pulsou suavemente sob a ponta dos dedos.
- Lily Evans- Ele fez uma pausa. - Lily Potter... salvou sua vida e derrotou o Lorde das Trevas uma vez. Você disse isso na reunião: você sobreviveu como um bebê porque estava envolvido no amor de sua mãe. Essa derrota, no entanto, teve um preço. - Erguendo os olhos, ele pegou o olhar de Potter e o segurou. - Ela deu sua vida para protegê-lo invocando uma magia muito antiga. Neste ponto, nunca saberemos se ela fez isso consciente ou inconscientemente, mas o resultado foi o mesmo. Muitos desprezam essa magia hoje como menos poderosa, menos... controlável. Se você usasse o que ele não conhece, eu procuraria aqui. - Severus deu os últimos passos para frente e estendeu o livro para Potter.
- Você está me dando um livro?
Severus lutou contra o pensamento irracional de que se Hermione fosse a "Escolhida", essa guerra já teria acabado e o Lorde das Trevas estaria enterrado. Permanentemente.
- Sim, sr. Potter, um livro; um livro cheio de poder perigoso e freqüentemente ignorado. É um livro contendo aceitação incondicional, compreensão, alegria, celebração e, o mais importante, amor.
- Eu pensei que você tivesse dito que era uma arma?
- O sr. Weasley usou a palavra arma. Você continua pensando em termos de luta... de ganhar e perder.
- A profecia é bem explícita. Um de nós matará o outro.
- As profecias mentem, - ele sibilou. - Nós as interpretamos da maneira que queremos. Dê-lhes peso e significados que não existem em nenhum lugar exceto em nossas mentes. Você não se ouviu falar as palavras da profecia na reunião da Ordem? Ele terá um poder que o Lorde das Trevas não conhece.
Os lábios de Potter se afastaram de seus dentes em um grunhido enquanto ele terminava a frase.
- E um ou outro deve morrer nas mãos do outro porque nenhum deles pode viver enquanto o outro sobrevive.
- Morrer pelas suas mãos, sr. Potter, não é a mesma coisa que morrer pelas suas mãos. Dele. - Pela primeira vez desde que entrou no jardim, Severus olhou para Hermione, e então desviou o olhar rapidamente para as emoções nuas escritas no rosto dela. - Leia o livro, Potter. Tenho certeza que a srta. Weasley pode ajudá-lo com as palavras maiores. A srta. Granger pode ajudá-lo com tudo o que você precisa saber. - Ele não esperou por uma resposta, mas girou nos calcanhares e voltou para a casa.
- Severus? - Albus chamou.
Mas Severus o ignorou e continuou seu caminho.
oooOOoooOOooo
N/T.: Olá! Tudo bem? Beijos para o Trio de Ouro. O que acharam? Gostei da reunião. Desculpem os erros e até o próximo capítulo.
