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OPS! Aconselho que leiam sentadas;)

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Prendendo o cabelo para trás com um laço, Hermione contemplou seu reflexo antes de fazer uma careta e se afastar do espelho. Não era o visual mais lisonjeiro para ela, devido à natureza encaracolada e frisada de seu cabelo, mas o mantinha fora de seu rosto e semi-domesticado. Esta tarde foi tudo sobre praticidade. O café da manhã na casa dos Black foi tranquilo, mas logo depois que os elfos domésticos limparam os pratos restantes, os membros da Ordem começaram a chegar sozinhos ou aos dois. Ninguém sairia de casa depois disso até a hora no dia seguinte à noite para confrontar Voldemort.

Agora, era tudo sobre estratégias de última hora, acalmar nervos em frangalhos e acalmar temperamentos rápidos. Verdade seja dita, ela não estava ansiosa para descer as escadas. Uma parte dela só queria se esconder em seu quarto, ou melhor ainda, se esconder no quarto de Severus. Ela fez outra careta. Um pouco da gryffindor, eu sou. Mas ela não conseguiu evitar. Não importa o que Severus dissesse, Hermione tinha um mau pressentimento sobre a batalha que se aproximava. Ela olhou seus cadernos e o pergaminho desenrolado que prendeu na parede com seus próprios cálculos da matriz. Uma sensação muito ruim, de fato. Afastando-se decididamente das equações, ela pegou uma pena e um pequeno pergaminho vazio e desceu as escadas. Quando ela chegou ao corredor fora da biblioteca, já podia ouvir as vozes subindo e descendo em uma discussão óbvia.

Balançando a cabeça, ela entrou na sala. Ao longo da parede oposta, um dos quadros-negros de Vector havia sido colocado. Nele estava desenhado o contorno de uma grande sala marcada como 'Salão', com várias salas menores e vários corredores se ramificando a partir dela. Pequenos bastões de giz podiam ser vistos em pontos estratégicos ao longo do perímetro do salão de festas e pontos de acesso. Ron estava segurando um pedaço de giz, e a ponta de seu punho estava branca com o pó de onde ele apagou coisas várias vezes.

Parecia que havia várias discussões acontecendo ao mesmo tempo na sala. Kingsley Shacklebolt e Tonks estavam com Ron e Harry na frente do quadro-negro. O sempre argumentativo Mills parecia estar brigando com os gêmeos, um esforço inútil se ela já tinha escutado qualquer argumento dele. Colin Creevey estava discutindo com Agnes e seu irmão. Agnes estava com aquele sorrisinho secreto que sempre fazia Hermione pensar que Agnes era mais velha do que ela. A expressão de Talon Worth, embora aflita, tinha aquele toque de indulgência de irmão mais velho que deixou Hermione saber que o argumento em particular não era sério.

Não querendo se envolver em nenhuma das várias discussões, ela se esgueirou ao redor da borda da sala até chegar a Neville, que estava sentado no chão observando a sala com indisfarçável interesse. De costas contra a parede, ela deslizou ao lado dele.

- Como tá indo? - Ela perguntou baixinho, indicando a sala com uma inclinação de seu queixo.

Neville deu um sorriso rápido.

- Colin perguntou a Agnes se ela seria sua namorada. Ela gritou e o abraçou. Em seguida, ela o socou por convidá-la antes de irem para a luta. - Ele deu outro sorriso. - Acho que eles têm realmente um futuro. - Com um movimento de cabeça, ele indicou um grupo de pessoas no canto oposto. Parvati e Lavender pareciam estar flertando devido aos muitos sussurros e ocasionais risadas agudas.

- Eu nem quero saber o que elas estão tramando.

Hermione riu e cutucou seu ombro.

- Eu entendo. Às vezes, elas me deixam um pouco nervosa também. E eles? - Hermione indicou Shacklebolt, Tonks, Ron e Harry.

Neville balançou a cabeça.

- Eles tiveram uma briga e tanto. Shacklebolt quer tratar tudo como se fosse um exercício de auror. Ron continua lembrando a ele que metade de nossas forças são desconhecidas e provavelmente uma porcaria em uma luta direta. As pessoas com as atribuições definidas que Ron dividiu na reunião da Ordem não mudou, mas Kingsley continua tentando mover as pessoas que não foram designadas.

- Os duelistas.

- Sim. Oh, e você perdeu o Diretor. Ele esteve aqui alguns minutos atrás. Ele estava falando sobre a espada de Godric Gryffindor e como ele queria que Harry a carregasse na batalha como algum tipo de símbolo.

- Mas a espada está em Hogwarts, - ela disse, e então se sentiu uma idiota quando a resposta veio a ela. - O professor Snape pediu a um dos elfos que trouxesse o livro para ele. O Diretor fará o mesmo.

Ao lado dela, Neville encolheu os ombros.

- Não tenho certeza. Mas Harry não estava feliz. Acho que posso ver a lógica do Diretor. Harry indo para a batalha acenando com a espada da Gryffindor seria uma visão de guerra.

Hermione bufou em escárnio.

- Uma visão de reunião se você for um gryffindor. Não vejo isso inspirando muito as outras Casas. Certamente não vai fazer muito pelos slytherins.

Neville encolheu os ombros novamente.

- Eu acho. - Ele fez uma pausa e acrescentou - Ter um talismã pode ajudar às vezes.

Algo na maneira como Neville disse 'talismã' disparou as suspeitas de Hermione, e ela deu a Neville um olhar mais atento. Até que ela alcançou a mochila descansando contra seu quadril que sua suspeita se transformou em algo mais parecido com certeza.

- Neville, abra a bolsa.

Os olhos de Neville se arregalaram.

- Hermione-

Ela olhou para ele.

- Abra!

Com um pequeno resmungo, Neville obedeceu. Aninhado no fundo da sacola estava o boneco Severus que ela dera a Neville há muito tempo.

- Eu sei o que você está pensando.

Hermione lançou olhos incrédulos para Neville com cara de tímido.

- Não, eu não acho que você entenda. - Fechando os olhos, seus dedos esfregaram a ponta do nariz enquanto ela contava até cinco. Quando ela os reabriu, a bolsa estava fechada e apoiada ao lado de Neville novamente.

- Ele se tornou meu amuleto de boa sorte.

- Boa sorte, - ela repetiu em descrença.

Neville abaixou a cabeça envergonhado.

- Sim, como os trouxas e os pés dos cães da sorte.

Ela teve um momento de confusão.

- Cachorros? - Então ela percebeu. - Pés de coelho, - ela corrigiu automaticamente. - Pés de coelho da sorte, Neville.

A voz de Neville ficou pensativa.

- Tem certeza? Tenho quase certeza, Professor Burbage, disse cachorros no segundo ano de estudos dos trouxas.

- Sim, tenho certeza, e não tente mudar de assunto, - ela retrucou exasperada.

Isso rendeu um pequeno sorriso.

- Realmente não importa. Cães. Coelhos... - Ele deu de ombros. - Podem ser pés de Goblins, suponho. Mas o pequeno Sev trabalha para mim. Estou prestes a sair e lutar. Eu poderia morrer amanhã. Mas você e o pequeno Sev me ajudaram a enfrentar meu maior medo. Voldemort pode me matar. Mas Hermione, Snape... ele poderia ter falhado comigo.

Hermione olhou para seu amigo por um longo minuto antes de a risada borbulhar, e então ela se desfez em gargalhadas, Neville junto com ela. A risada deles, aparentemente deslocada em uma atmosfera tão tensa, atraiu a atenção de todos na sala.

- Hermione! - A voz de Harry estava cheia de alívio quando ele chamou o nome dela.

Ela ergueu a mão na direção de Harry e se levantou. Seu olhar exasperado para Neville foi interrompido pelo sorriso ainda estampado em seu rosto.

- Tudo bem, fique com ele. Mas, pelo amor de Deus, Neville, não deixe ninguém vê-lo.

Com o aceno de cabeça de Neville, ela se dirigiu a Ron e Harry.

- Algum problema?

- Não, - respondeu Shacklebolt.

- Sim, - Ron e Harry disseram em coro.

Ela ergueu as sobrancelhas em dúvida para Tonks, cujo rosto tinha sardas aparecendo e desaparecendo piscando em seu nariz. Provavelmente por aborrecimento, Hermione pensou.

- Shacklebolt quer que os mais jovens fiquem para trás.

- Eu continuo dizendo a você, não temos gente suficiente para isso, - disse Ron. - Os números simplesmente não funcionam. Não se quisermos cobertura. - Ele apontou para o diagrama no quadro. - Eu concordo que coloquemos os mais jovens e os piores duelistas nos pontos de guarda e no perímetro. Mas todos os outros têm que ser distribuídos pelo salão. Não é como se nós soubéssemos onde todos estão parados. Assim que Hermione e Snape ativarem o feitiço, nosso pessoal terá que caçá-los.

Shacklebolt não parecia convencido.

- Eu pensei, - ele disse, dirigindo-se a Hermione, - que esse feitiço deixaria qualquer um com uma Marca Negra inconsciente.

- Vai, - Hermione assegurou-lhe. - Mas existem várias incógnitas. O feitiço não pode ser ativado até que o Lorde das Trevas chame seus Comensais da Morte. O professor também nos quer perto da fonte do gatilho. Nós também não fomos capazes de determinar por quanto tempo os efeitos durarão. Pode demorar um minuto ou uma hora. Ele está preocupado com a forma como o feitiço se espalhará entre os Comensais da Morte. Ele se espalha igualmente ou se espalha de um para outro? Se for o último, então no último Comensal da Morte o feitiço pode durar apenas alguns minutos quando no primeiro pode durar dias. O professor não foi capaz de mergulhar muito a fundo no feitiço sem potencialmente despertar a consciência do Lorde das Trevas de que estamos examinando a Marca. É um risco.

- Não se esqueça, são apenas os Comensais da Morte que são afetados pelo feitiço, - acrescentou Harry. - Eles são a elite de Voldemort, e eles poderiam causar o maior dano, mas ele tem muitas pessoas que são leais que não carregam a Marca. Quando a luta começar, essas pessoas irão se reunir ao seu chamado. Eles vão lutar; apenas bruxos e bruxos comuns que acham que o modo dele de ver o mundo é o certo.

A discussão continuou a partir daí, repassando informações que há muito haviam se exaurido. A própria atenção de Hermione logo se desviou. Estratégia não era seu ponto forte, e ela suspeitava que essa discussão contínua era mais para dar aos participantes algo em que se concentrar em vez de se preocupar com a luta que se aproximava. Tudo foi interrompido, porém, quando Dumbledore chegou alguns momentos depois com a Espada da Gryffindor. A sala ficou em silêncio enquanto todos olhavam para o Diretor e sua carga.

Com o que Hermione agora reconheceu como um toque teatral, Dumbledore apresentou a espada a Harry enquanto todos na sala assistiam. Ela tinha que se perguntar, entretanto, se ela era a única a perceber o quão relutante Harry estava em pegar a lâmina.

- Senhor.

- Pegue a espada, Harry.

A voz de Harry baixou para que apenas aqueles que estavam perto pudessem ouvir.

- Não é o caminho certo.

Dumbledore deu a Harry um dos mesmos olhares que Hermione o vira dar a Severus em várias ocasiões. Era uma expressão que dizia que você está sendo difícil, mas eu sei que não, e eventualmente você fará as coisas do meu jeito.

Hermione balançou a cabeça quando Harry, como Severus, acabou cedendo à insistência do Diretor. Observando o desenlace, ela se perguntou quando se tornou tão cínica, e então não conseguiu decidir se Severus tinha sido uma influência boa ou ruim naquele traço em particular.

Enquanto Harry aceitava a lâmina, Dumbledore era todo sorrisos e boa vontade.

- Excelente, Harry. Eu entendo que você não quer usar a lâmina, meu garoto. Eu entendo. Mas eu acredito que ver você com a espada trará um senso de coragem para o grupo.

Harry fez uma cara que pode ser interpretada como um sorriso.

- Claro senhor.

Dumbledore deu uma tapinha no ombro de Harry.

- Bom - Com aquele reconhecimento final, Dumbledore se dirigiu para os outros grupos dentro da sala, dando sua própria marca de conversa encorajadora.

Harry balançou a lâmina para cima.

- O que vou fazer com essa coisa? Não posso carregá-la. Vai contra todo o plano.

Shacklebolt encolheu os ombros.

- Use uma bainha. Que diferença isso faz?

- Porque- Harry parou, seus olhos em Neville do outro lado da sala.

- Harry? - Todos podiam ouvir Ron - O que você está pensando? - na questão.

- Ei, Neville, você pode vir aqui um minuto?

Pegando sua bolsa Neville foi até eles com um sorriso.

- Eu pensei, você não gostaria carregar a espada? - Ele perguntou, enquanto se aproximava do pequeno grupo de pessoas.

- Eu não estou entendendo.

Neville soltou uma risadinha.

- Eu não sei, Harry. Você poderia ficar bem com ele amarrada ao seu lado. Talvez eles possam escrever uma balada sobre você e a espada depois que tudo acabar.

Harry olhou para Neville, especialmente quando Ron riu também. Mas o brilho rapidamente se transformou em um sorriso largo.

- Eu não estarei carregando a espada. Você estará.

A risada de Neville parou quando ele olhou em pânico repentino para o grupo ao seu redor.

- Oh, não, não, não, - ele gaguejou. - Eu não posso carregar essa coisa.

Harry tinha um brilho quase maligno em seus olhos.

- Oh, sim, sim, sim. - Seu sorriso se alargou. - Até faz sentido. Você era a outra pessoa a quem a profecia poderia se aplicar. Então, se eu não vou carregá-la, você vai, - Harry disse, empurrando o cabo na direção de Neville.

- Mas o Diretor-

- Tem me dito que preciso ser o único a derrotar Voldemort, - Harry interrompeu. - E eu estou lhe dizendo, que você precisa ser quem carregará a espada.

Neville balançou a cabeça, mas estendeu a mão com óbvia relutância para pegar a lâmina como se fosse uma serpente venenosa.

- Eu só gostaria de dizer que esta é uma má ideia.

Harry deu uma tapinha no ombro de Neville com entusiasmo exagerado.

- Não se preocupe, eu me especializei em ideias ruins. Bem-vindo a ser Harry Potter.

A reunião degenerou em exercícios, embora ela achasse que não ajudaram muito, pois os níveis de ansiedade de todos aumentaram. Hermione podia sentir a tensão nela mesma: uma bola de medo quente e agitado que nunca parecia sair da boca do estômago. No momento em que o almoço foi anunciado, as emoções de Hermione estavam tensas.

- Então, Hermione?

Hermione estremeceu. Ela conhecia aquele tom. Colando um sorriso, ela deu um aceno rápido para suas ex-colegas de quarto.

- Lavender. Parvati. - Então ela se virou para se concentrar em Denis Creevey, seu parceiro de treino.

Suas duas ex-colegas de quarto não foram dissuadidas, porém, com um passo rápido, Lavender se plantou na frente de Hermione enquanto Parvati passava o braço em volta da varinha de Hermione. Hermione lançou um olhar suplicante para Denis, mas o pequeno traidor deu uma olhada e saiu correndo em direção ao outro lado da sala.

- Eu deveria saber que se alguém iria atrair a atenção da nossa pequena Hermione, seria um professor.

Hermione gemeu.

- Lavender, não vá por aí.

Lavender se envaideceu um pouco e piscou para Parvati antes de voltar sua atenção para Hermione.

- Então é verdade. - Abaixando a voz, ela afetou uma expressão magoada. – Eu estou arrasada Hermione. Absolutamente arrasada. Somos suas companheiras de quarto há sete anos e tivemos que descobrir essa notícia de Adrian Puce. Puce, Hermione! Um slytherin. - Ela deixou escapar um suspiro teatral. - Foi simplesmente constrangedor.

Ela olhou para suas colegas de quarto.

- Vocês duas não vão deixar isso passar, vão?

Parvati efetivamente ignorou sua pergunta enquanto a conduzia em direção à porta.

- Por que você não nos conta tudo enquanto vamos almoçar?

Sentindo-se como se estivesse indo para a forca, Hermione se deixou ser conduzida, durante o tempo todo se recusando terminantemente a discutir o assunto em questão.

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Arrosa Alverez era curandeira há muito tempo. Ela sabia que esse era o seu caminho antes mesmo de entrar em Hogwarts, tantos anos atrás. Ser uma curandeira era uma das profissões mais difíceis dentro do mundo mágico, algo que muitos bruxos leigos nem sempre percebiam ou apreciavam. Ser uma curandeira não era apenas acenar com a varinha e murmurar o feitiço correto, embora ela estivesse mais do que disposta a admitir que havia muito disso também. Ser uma curandeira também significava ser um estudante da natureza bruxa. Às vezes, era tão importante entender POR QUE alguém lançou um feitiço quanto entender o feitiço em si.

Ela também tinha uma longa história com a família Weasley. Como a Curandeira Responsável da Ala de Danos por Feitiço, ela provavelmente teve tanto contato com as crianças do mundo mágico quanto com os professores de Hogwarts. Mais cedo ou mais tarde, ela viu todos eles. A ninhada Weasley tinha sido uma clientela particularmente constante ao longo dos anos. O mais velho, Bill, não tinha sido tão ruim, mas ela tinha visto muito Charlie, com sua natureza ousada e destemida. Na verdade, foi na época de Charlie que ela assumiu o controle dos Weasleys pessoalmente, em vez de entregá-los a um de seus curandeiros. Os casos interessantes, ou neste caso, família interessante, mantinham um Curandeiro aos seus pés, afinal.

Quando Percy Weasley apareceu, ela esperava outro Weasley típico, mas o menino era uma criança completamente diferente dos dois anteriores. Ela nunca o tratou de qualquer lesão por feitiço real até que os gêmeos apareceram, e Percy se tornou, voluntariamente ou não, seu principal alvo e cobaia. Os gêmeos, é claro, eram um assunto totalmente diferente. Na verdade, considerando alguns dos feitiços, truques e acidentes com poções que passaram por sua pupila por causa daqueles dois, ela mais de uma vez considerou nomear um andar em homenagem a eles, ou possivelmente um aprendizado de Curandeiro.

Mas agora, em uma reviravolta estranha, ela estava em busca de Percy, cada instinto de Curandeira a empurrando para encontrar o menino. Vendo Percy entrar na reunião na noite anterior, ela pensou que o jovem estava doente - ele parecia alguém que estava saindo de um forte caso de febre dos duendes. Mas ela não foi capaz de chegar até ele antes do fim da reunião, e ele escapuliu para o caos da casa. Mas Arrosa era persistente. Ela chegou à casa dos Black cedo e começou a procurar, cômodo por cômodo. Ela o encontrou em uma pequena sala encardida cheia de caixas descartadas. Ele estava empoleirado em um velho baú de viagem, com os braços em volta da cintura, sua pose de miséria abjeta.

- Percy?

Sua preocupação aumentou quando Percy não se moveu, sua resposta falada para o chão.

- Não estou doente. Por favor, saia.

Sua resposta rápida a surpreendeu. Mas então, ele sempre foi uma criança inteligente, perceptiva em seu caminho. Usando sua melhor maneira brusca de cabeceira, ela invadiu o quarto, estalando.

- Quem é a curandeira, aqui? Você me deixa ser a juíza disso.

Percy ainda evitou seu olhar e balançou a cabeça.

- Tudo bem. Acene sua varinha. Você não encontrará nada. - Mesmo essa resposta a preocupou. Percy era sempre aquele que discutia, que oferecia sua opinião sobre qualquer que fosse o assunto. Apenas sentar lá, não era o jovem.

Franzindo a testa, ela puxou a varinha e disparou um feitiço de diagnóstico, surpresa ao descobrir que Percy não estava muito errado. Seu diagnóstico não mostrou nenhuma doença, pelo menos não fisicamente. Ela detectou leituras incomuns, no entanto, ao longo de alguns de seus caminhos mágicos, embora isso falasse de trauma emocional. Mas isso não era incomum. Ela não tinha ouvido os detalhes, mas pelo que ela descobriu, Percy finalmente soube a verdade sobre Voldemort e o envolvimento do Ministério. Estava fadado a causar transtornos emocionais. Ela não poderia curar isso, no entanto. Era algo que ele teria que resolver sozinho.

Enquanto guardava a varinha no bolso, ela estendeu a mão para apertar o braço dele.

- É difícil ver ideias valorizadas destruídas, Percy. Vai ficar melhor.

- Ideias valorizadas, - ele zombou suavemente, sua voz cheia de amargura. - Não posso nem dizer que não sabia. - Ele falou com as mãos, evitando o olhar dela. - Minha família tentou me dizer. Potter tentou me dizer. Estava tudo lá. Eu só não queria ver, acreditar.

Arrosa ficou quieta, mas muitas vezes era esse o caminho. Um paciente dizia que não queria falar e, de repente, tudo desabava.

Percy balançou a cabeça novamente, seus olhos se contraíram como se ele estivesse com dor.

- É mais do que isso, você sabe. - Ele soltou uma espécie de risada estrangulada. - Nunca me adaptei à minha família. Sempre soube disso. Eles também sabiam. - Ele finalmente olhou para ela. - Eu nunca disse a ninguém... mas quando fui selecionado, o Chapéu me disse que eu me sairia bem na Slytherin com a minha ambição.

Arrosa considerou o que ela sabia sobre Percy.

- Eu concordo. Você poderia ter feito alguns contatos inestimáveis se o Ministério fosse seu objetivo final.

- Foi. Sempre foi. Entrando no Ministério, subindo na hierarquia... - Ele fez uma careta. - Eu tive um sonho ingênuo de trazer ordem ao caos. Mas quando o Chapéu disse 'Sonserina', eu entrei em pânico. Tudo que eu pude ver foi a reação da minha família se eu fosse aceito naquela Casa. - Ele deu uma risada estrangulada. - Você pode imaginar isso? Um Weasley na Slytherin. - Ele riu de novo, mais suave dessa vez. - O Chapéu me disse que seria preciso muita coragem e determinação se eu fosse sozinho com minhas ambições. Que eu, necessariamente, ficaria sozinho. Então ele disse que se eu estivesse disposto a fazer isso, eu precisaria de coragem de um Gryffinfor.

Arrosa estava começando a ver a cena.

- Quando toda a conversa sobre o retorno de Você-Sabe-Quem...

Percy acenou com a cabeça.

- Achei que era meu momento de coragem, minha hora de ficar sozinho na defesa de minhas ambições e lealdade ao Ministério.

- Oh, Percy. - Era como se ela não tivesse falado, entretanto, enquanto as palavras dentro de Percy continuavam a jorrar; palavras e pensamentos que ele nunca ousara contar a ninguém antes.

- Minha mãe está morta. As memórias de Snape... Eu vi...

- O quê? O que você quer dizer com 'memórias'? Eles colocaram você em uma penseira das memórias de Snape?

Percy acenou com a cabeça, aparentemente inconsciente de sua própria raiva crescente. Memórias de Snape. Oh misericordioso, Merlin. Se metade do que ela suspeitava sobre Severus fosse verdade, o trauma dessas memórias em alguém como Percy seria devastador.

Percy balançou a cabeça novamente. Um gesto que ela estava começando a prestar mais atenção, como se ele tentasse se livrar das imagens em sua cabeça.

- Mas não foi só isso que vi... as coisas que ele fez e viu. - Percy baixou a cabeça, a base das mãos pressionando com força em suas têmporas. - Não consigo parar - as memórias, todos os gritos e cheiros. - Sua pele ficou momentaneamente pastosa e ele engoliu em seco. - Os cheiros são os piores, - disse ele calmamente.

Estendendo a mão, ela apertou seu ombro.

- Percy, as memórias de Snape... Eu gostaria de ter estado aqui. - Ela iria matar Albus Dumbledore. - Eles deveriam ter encontrado uma maneira melhor. Você quer que eu aplique um Obliviate?

Percy levantou a cabeça.

- Sim. Mas não, - ele acrescentou, enquanto ela pegava sua varinha novamente. - Eles estavam certos em usar as memórias. Não sei se eu teria ouvido sem ver... tudo. Mas depois da batalha. Depois que acabar. Você poderia?

- Percy, garoto, se você está carregando essas memórias porque acha que precisa se punir-

- Não. Não é punição. - Ele deu a ela um sorriso pálido. - Chame isso de motivação. Se eu esquecer... se eu realmente não entender quem são o que o sr. Rowle e o sr. Dollort... - Ele balançou a cabeça. - Eu preciso saber.

Ela o estudou. Ele ainda parecia pálido e ela duvidava que ele estivesse dormindo. Tomando uma decisão rápida, ela deu a ele um olhar duro.

- Muito bem, mas você vem me encontrar esta noite. Eu vou te dar um frasco de Sono sem Sonhos.

O alívio passou pelo rosto de Percy.

- Eu farei isso. Obrigado. Você pode ir embora agora?

Seus lábios se estreitaram em uma linha dura, mas suas palavras foram gentis.

- Ok, Percy. Mas se você precisar de alguma coisa, venha me encontrar. Você entendeu?

Em seu aceno, ela saiu. Ela estava relutante em deixá-lo, mas também estava determinada a encontrar um general de guerra que se auto intitulava. Ela e Albus iam trocar umas palavras.

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Quando o grupo se aproximou da sala de jantar, as vozes dos que já estavam lá foram carregadas claramente para o corredor.

- Claro, eu não confio em Snape!

- Você concordou com o plano, Alastor, - Hermione ouviu a Professora McGonagall dizer. - Albus confia em Severus, e todo esse plano depende dele.

- Eu concordei com isso, sim. Gostar? Não, eu não gosto disso. É o plano perfeito para capturar cada um de nós.

- Pare de ser um idiota, Moody.

Hermione sacudiu o braço de Lavender ao ouvir a resposta de Moody.

- Isso se chama vigilância constante, Minerva. Algo que vocês deveriam praticar um pouco mais. - A voz de Moody assumiu um tom malicioso e zombeteiro. - Ou você não notou que Snape está convenientemente fora da linha de fogo com este plano? Junto com aquela pequena senhorita dele da qual ele gosta tanto.

Hermione prendeu a respiração com indignação com as palavras do ex-auror. Ela se importava menos com as insinuações dela sobre sua pessoa do que com as insinuações que ele fazia sobre Severus. Como ele ousava? Depois de tudo que Severus fez por essas pessoas, ele ainda não encontrava nenhum respeito por parte deles.

- Hermione, não-

Ela ouviu as palavras de algum lugar ao lado dela, mas as ignorou, concentrando-se na sala ao entrar.

- Eu ouvi o suficiente!

- Srta. Granger-

Hermione passou por McGonagall, desconsiderando-a enquanto se dirigia para Moody e o grupo de voluntários mais velhos e o que restava da Ordem original.

- Você é um velho paranoico, odioso, mesquinho e incapaz de ver a verdade quando ela está na sua frente, mesmo com este olho mágico.

O olho em questão se voltou para ela enquanto Moody a encarava.

- O covarde obviamente corrompeu você, garota. Junto com tudo o mais que ele fez com você.

- Oh, bolas. - Ela pensou que a voz era de Ron, embora pudesse ser de Harry. Ela não podia ter certeza sobre o rugido em seus ouvidos e o rosnado escapando por trás de seus dentes cerrados.

- Covarde? Você não sabe nada sobre ele, - ela cuspiu.

Ela deu mais um passo à frente, olhando com desprezo para o grupo reunido em torno de Moody.

- Ele não está se escondendo da luta. E ele não está se escondendo de Voldemort. - Ela mostrou os dentes para o grupo quando eles se encolheram coletivamente com o pseudônimo de Riddle. - Você sabe alguma coisa sobre esse feitiço que faremos amanhã à noite? - Sua voz caiu em um escárnio zombeteiro. - Ou vocês estão ocupados demais se preocupando com a vigilância constante para entender? Você perguntou à Professora Vector o que significa? Ou falou com o Professor Flitwick?

Quando ninguém respondeu, ela soltou uma risada.

- Não? Que tal eu te contar? Severus Snape está entrando nessa luta e nem mesmo será capaz de usar sua varinha. Ele vai se deitar, e eu vou canalizar energia de feitiço suficiente através dele para tocar em todos os outros Comensais da Morte.

Moody rosnou para ela, seu rosto cheio de cicatrizes tornando a expressão ainda mais feia.

- Como eu disse, o covarde fica de lado enquanto o resto de nós briga com Você-Sabe-Quem.

Hermione ouviu algo estalar como eletricidade, mas ignorou, enquanto sua raiva aumentou.

- Ele não é um covarde! - Sem pensar, ela ergueu a mão, os dedos agarrando Moody, enquanto dezenas de faíscas azuis bruxuleantes enxamearam ao redor dele. - Seu troll hipócrita. Você ouviu alguma coisa da Professora Vector? Você olhou para a matriz? Tudo! Tudo diz que ele vai morrer. Vou enviar tanta energia mágica através dele que ELE MORRE!

A última parte saiu como um grito, seu medo derramando nas palavras. Todos os outros na sala ficaram em silêncio, seja por suas palavras ou pela visão de Moody pendurado a um metro de altura e cercado por um halo de faíscas raivosas.

- Vejo que vamos ter que te dar aulas de magia sem varinha. - As palavras caíram no silêncio, nítidas e claras. - Você também pode colocar o Moody no chão.

Hermione corou quente e depois fria ao perceber o que acabara de fazer. Sua raiva se foi, ela se virou, deixando Moody descuidadamente atrás dela, onde ele bateu no chão com um baque.

- Severus. - Oh Deus. Ela acabara de dizer a todos que o que ele queria manter em segredo. - Sinto muito. Eu não-

Ele acenou com a mão, ignorando ela e a multidão de pessoas assistindo em ávida fascinação enquanto ele se inclinava ligeiramente para a direita para olhar ao redor dela em direção a Moody, que estava sendo ajudado a se levantar do chão por dois membros da Ordem.

- Notável. O almoço nunca foi tão divertido no castelo.

Então, ignorando a todos, ele começou a se sentar, seu rosto não mostrando nada de suas emoções.

Hermione lutou contra as lágrimas, seu olhar encontrando o de Ron. Ele deu a ela um meio sorriso. Inclinando a cabeça, ele indicou a mesa. Com uma respiração trêmula, Hermione ergueu o queixo e sentou-se. Ela já tinha feito um espetáculo de si mesma e Snape; ela não faria outro.

Ela ficou muito grata quando Ron e Harry ocuparam seus lugares ao lado dela. O resto da sala logo os seguiram, mas o almoço foi silencioso. Moody não se sentou.

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Albus entrou na sala com pouco de sua fanfarra usual. Ele estava cansado e muito velho para tudo isso. Ele lutou por este dia por tanto tempo. Ele ficaria feliz em finalmente desistir da luta. Mas ainda não era hora. Ainda havia coisas que precisavam ser feitas e planos que precisavam ser colocados em prática.

Fechando a porta atrás de si, ele encontrou Miranda como esperava: olhando para a imagem lentamente girando da matriz com uma curvatura cansada em seus ombros.

- Houve alguma mudança?

Ela não se virou.

- Não. - A única palavra estava cheia de frustração e raiva.

- Srta. Granger- Ele parou quando um pedaço de giz foi jogado contra a parede lateral para explodir em uma nuvem branca de poeira.

Miranda finalmente se virou.

- Não é ela, - então moderou sua explosão com um tom mais calmo, - Bem, é ela. Severus pode falar o quanto quiser sobre possibilidades e probabilidades e tudo o mais, mas eu tenho vivido com essa matriz por quase dezessete anos, Albus, e eu... eu... droga, Albus, acabei de conhecer o homem depois de todos esses anos. E agora...

- Houve outros perdidos.

- Você diz isso tão facilmente, - ela respondeu, amargura em sua voz. - Provavelmente perderemos mais amanhã, mas Severus se sente... é pessoal. Como se eu tivesse falhado com ele, de alguma forma.

- Não é sua culpa.

Ela soltou um suspiro pesado.

- Não é? Não é no final das contas minha e sua culpa? Você e eu dirigimos esta coisa desde a noite em que você resgatou o sr. Potter. E se eu perdi alguma variável? E se eu não vi algo importante? A matriz mutante no ano passado, era tudo sobre Granger. E se eu soubesse antes? Perdeu-se muitos, Albus. Eu não quero mais.

- Você fez o que eu pedi, minha querida. Seu trabalho sempre foi manter Harry vivo para derrotar Tom. Você fez isso, com sangue e coração frios como o processo pedia às vezes. Mas como você sempre me diz, nem mesmo o melhor aritmancer pode prever o futuro. Em última análise, todos nós somos dispensáveis à causa.

Miranda rosnou silenciosamente, seus lábios puxados para trás para expor seus dentes.

- Eu não tenho que gostar.

Albus riu baixinho.

- Eu espero que não, minha querida. Mas a culpa não é sua para suportá-la.

Olhos problemáticos encontraram os dele.

- É seu?

- Com certeza. - Ele deu a ela um sorriso irônico. - Se você duvida pergunte à Curandeira Alverez.

Ela soltou um fantasma de uma risada.

- Ela não gosta de você.

Seu sorriso se alargou.

- Arrosa gosta muito de mim. Simplesmente temos opiniões diferentes sobre o que é necessário.

- É assim que você chama toda a gritaria de antes?

- Arrosa é uma curandeira. Ela sabia que era o caminho de sua vida desde muito jovem. O que eu fiz não... caiu bem com ela. - Ele passou os dedos pela barba em um movimento suave. - Temos falado-

- Gritado.

- Já conversamos. Ela não gosta da necessidade, mas entende a causa.

- Como Severus?

Sua expressão mudou, tristeza e arrependimento escurecendo seu olhar.

- Severus sempre entendeu melhor do que ninguém.

- Valeu a pena? - Havia alegações de que Albus não estava acostumado a ouvir sua aritmancer.

- Sim, minha querida. Por todos os passos errados, e por todos os erros, sim, valeu a pena. Não posso duvidar disso, nem você deveria. Tom não pode ser autorizado a subir ao poder. Nem nós, nem o mundo trouxa, poderiam sobreviver a isso.

Miranda endireitou os ombros, embora ainda parecesse infeliz. Com um aceno de mão, a matriz desapareceu e todos os quadros-negros foram limpos.

- Se você me der licença, Albus, tenho algumas coisas para fazer antes de amanhã à noite.

Albus a observou partir com o coração pesado. Ele tinha causado muitos danos ao longo dos anos, mas mesmo agora, ele não tinha certeza se faria algo diferente. Mas, agora poderia ter esses momentos com aqueles que foram leais a ele. Já havia falado com Minerva. Ele fez o que pôde para acalmar a consciência problemática de Vector. Ele falaria com o jovem Harry amanhã. Agora, era hora de rastrear Severus.

oooOOoooOOooo

Quando a porta da biblioteca se abriu, Severus esperava ver Hermione. Ele deliberadamente procurou a biblioteca esta noite para garantir que ficar sozinho. Claro que depois do desastre no almoço, Hermione iria procurá-lo para se desculpar ou explicar ou algo assim. Ele supôs que deveria estar furioso com ela, mas ele descobriu que era muito difícil ficar com raiva quando ela colocou toda aquela ferocidade gryffindor em sua proteção, mesmo que ele considerasse isso equivocado. Apesar de todo o constrangimento que ela causou a ele, sua defesa acalmou lugares em sua alma que ele estava percebendo agora que ainda existiam depois de todos esses anos. Agora ele se sentia desapontado por se deparar com Albus ao invés de Hermione.

- Albus?

- Boa noite, Severus. Como você está? Espero que não haja efeitos nocivos do... tumulto desta tarde?

Severus soltou um suspiro.

- Se você quer saber se eu menosprezei o caráter de Hermione e desviei-me de seu afeto desconcertante por mim, então não. Se você está perguntando se eu matei algum dos membros da Ordem, então novamente, a resposta é não. Se você está perguntando se eu tive uma discussão com Flitwick sobre dar a Hermione alguma instrução de magia sem varinha antes que ela incendeie a casa em torno de nossos ouvidos, a resposta é sim.

Albus riu.

- Bom.

Quando Albus continuou parado ali, ele finalmente perguntou.

- Mais alguma coisa?

Por um breve momento, Severus pensou que Albus parecia quase desconfortável antes que o outro homem finalmente falasse.

- Severus, preciso que você faça algo por mim.

- Claro, Albus. - As palavras eram mecânicas. Isso era familiar - o Diretor pedindo algo e Severus fazendo o que podia para acomodar. Foi algo que Severus entendeu.

Albus sorriu para ele então, cheio de uma paciência afetuosa que fez Severus querer enfeitiçar o outro homem.

- Mais um favor, Severus. O último, eu prometo. O último de uma longa fila, eu garanto. - Albus acariciou sua barba, seus dedos se enredando nas mechas enquanto ele olhava para uma distância que Severus não podia ver.

Este inesperadamente pensativo Albus o deixou cauteloso, mas sua própria impaciência o levou a fazer sua próxima pergunta quando o Diretor não continuou.

- O que você precisa, Albus?

O olhar distante voltou para ele, mas ainda estava pensativo.

- Eu abusei muito de você ao longo dos anos, não é? Pedindo mais de você do que qualquer um tinha o direito.

Isso não era nada que ele esperava e ele não sabia como responder, enquanto Albus continuava.

- Eu não posso dizer que sinto muito por isso, entretanto. Eu fiz o que era necessário e eu precisava de você. Eu posso me desculpar, entretanto, pelo que isso custou a você.

Severus finalmente encontrou as palavras.

- O que isso me custou? Você ao menos sabe? - Severus moveu-se para o outro lado da sala, seu corpo repentinamente tomado por uma agitação inquieta. – Pelas bênçãos de Merlin o abençoe, Albus, nem tenho certeza se sei qual foi o custo total para mim.

Albus assentiu, ainda sereno e imperturbável em seu ritmo.

- E então meu último pedido a você.

O cansaço passou por ele então, quando ele baixou a cabeça, seu corpo se acalmando.

- O que você quer de mim agora?"

- Eu quero que você viva.

Sua cabeça se ergueu de repente.

- O que?

- Eu quero que você viva. Viva desafiando o que eu e Tom fizemos a você. Viva apesar da profecia ou da matriz. - Albus riu então. - Viva para me irritar, meu garoto, - acrescentou ele com óbvio prazer.

Ele ficou parado, chocado demais para dizer qualquer coisa enquanto Albus lhe dava um daqueles malditos sorrisos cintilantes que faziam você pensar que tudo ficaria bem.

- Eu tenho cuidado de você, você sabe. Por favor, nunca duvide disso.

Então, enquanto Severus continuava a olhar em choque atordoado, Albus saiu, a porta clicando suavemente atrás dele.

oooOOoooOOooo

Hermione ficou nervosa no corredor estreito, olhando para a porta de Severus. Ela o vira ir para a biblioteca antes, fugindo dos olhos curiosos dos membros da Ordem, sua expressão distante e fechada. Ela conhecia aquele olhar, então o deixou sozinho ao invés de tentar se desculpar novamente, e voltou a trabalhar com Harry, Ron e os outros enquanto fazia sua própria parte ignorando sussurros. Com a cabeça erguida, ela fez o seu melhor, mas seus pensamentos sempre voltavam para o homem lá em cima. Grande e misericordioso Merlin, ela estragou tudo. Mas ela só poderia adiar falar com ele por um certo tempo. Ela até mesmo se aproveitou descaradamente da habilidade dos elfos de saber tudo o que acontecia na casa e fez com que eles contassem quando Severus fosse do escritório para o quarto.

Agora, ela se encontrava ali fora da porta de seu quarto com o coração batendo forte e as palmas das mãos suadas. Ela tinha tudo planejado. Então arruinou tudo com seu pequeno espetáculo anterior, e agora, ela não tinha ideia de como ele responderia, muito menos como ele responderia a seu outro pedido. E realmente, ela estava ficando cansada de ter que enfrentar um Severus mal-humorado. Ela mal podia esperar pelo dia em que ele teria de enfrentar uma Hermione mal-humorada. Estimulada por aquele pensamento divertido, ela juntou sua coragem e bateu suavemente na porta. Um momento depois, ela se abriu para revelar o Severus favorito de Hermione - de camisa branca e casual, ou como sua mente insistia em chamá-lo - o Severus desabotoado.

A carranca em seu rosto suavizou para algo mais acolhedor, embora um pouco cauteloso, quando ele a reconheceu.

- Hermione?

- Posso entrar? - As palavras saíram rapidamente antes que ela perdesse a coragem.

Suas sobrancelhas levantaram em surpresa.

- E-

Ela não perdeu como seus olhos percorreram rapidamente o corredor vazio.

- Por favor?

Ele a estudou por um longo momento antes de finalmente dar um leve aceno de cabeça. Recuando, ele segurou a porta aberta. Quando ela entrou no quarto, ela soltou um pequeno suspiro de alívio. Primeiro obstáculo.

O quarto estava exatamente como ela havia deixado no verão anterior, ainda parecendo sujo e esparso. Sua única mobília era uma cama estreita, uma cômoda e uma pequena escrivaninha. Ela se divertiu ao ver que Severus deixara a cadeira e as cortinas que ela havia colocado durante sua convalescença durante o verão. Aqueceu um lugar dentro dela saber que mesmo quando eles não estavam se falando, ele manteve um pouco dela com ele.

- Está tarde. Algum problema? - Ela se permitiu um pouco de admiração de que as palavras que a teriam feito sair correndo um ano atrás, agora soassem cansadas para ela.

Ela balançou a cabeça. Uma de suas sobrancelhas ergueu-se e ela percebeu que havia chegado ao fim de sua paciência limitada. Ao lidar com Severus, era sempre melhor apenas dizer o que ela estava pensando. Caso contrário, ele começaria a adicionar nuances e interpretações de sua autoria. Entrelaçando os dedos para não ficar nervosa, Hermione corajosamente encontrou os olhos dele.

- Eu queria me desculpar por esta tarde. Eu sei-

Ele a interrompeu com um suspiro exasperado.

- Parte de mim deseja ficar irritada com você.

- E as outras partes?

- Perceba que você não seria você se fosse diferente, e que devo me resignar a ter minha dignidade abordada em todas as frentes de agora em diante.

Hermione escondeu um sorriso atrás da mão e se perguntou como ela já o considerou sem humor.

- Isso foi tudo?

- Não. Havia algo mais.

Novamente, sua sobrancelha subiu. Desta vez ela não escondeu o sorriso.

- Eu também vim para te seduzir. - Se ela não estivesse tão nervosa, ela teria rido de sua expressão de alarme e da rapidez com que ele se afastou dela.

- Granger!

Ela riu então, uma risada suave que não fez nada para diminuir a expressão em seu rosto.

- Sinto muito. Eu não tive a intenção de chocar você. É apenas... Esta tarde, e amanhã e... E... - Ela deu a ele um encolher de ombros constrangido e constrangido. - Eu descobri uma nova apreciação dos clichês dos romances.

- Romances... - Ele parou de falar em descrença momentânea. - Você não sabe o que está dizendo.

Ele não a tinha expulsado ainda. Tomando isso como uma pequena vitória, ela continuou em uma corrida de palavras.

- Tudo está se encaixando e, ao mesmo tempo, parece que tudo está desmoronando.

- Hermione-

Ela conhecia aquele tom - exasperação misturada com paciência e rejeição.

- Não, - ela interrompeu antes que ele pudesse tentar acalmar seus medos ou dissuadi-la. - Estou com medo. Com medo da batalha que está por vir. Com medo de meus amigos que podem morrer nessa luta. E eu estou com medo- As palavras a sufocaram, e ela teve que parar e respirar antes de continuar. - Estou com medo de perder você. E eu sei o que você disse sobre probabilidades e possibilidades, e isso não me deixa menos assustada. Não quero perder você antes de descobrir o que significa ter você em toda a sua glória complicada e sarcástica.

Quando todas as palavras jorraram, ela estava ofegante. Seu corpo inteiro lutando para respirar o ar de que precisava.

Eles ficaram olhando um para o outro, um quadro congelado, sem saber mais o que dizer ou qual deveria ser o próximo movimento. Então ela viu sua expressão mudar. Foi apenas uma pequena mudança, mas ela se tornou perita em ler o que a maioria considerava uma máscara sem expressão. Um leve estreitamento de seus olhos e uma inspiração rápida, e ela soube que tinha perdido.

- Você está me rejeitando. Por que, Severus?

Por um momento, sua expressão pareceu dolorida, e então desapareceu.

- Não é uma rejeição. Não quero que isso seja sobre medo ou se torne um encontro impulsivo do qual você se arrependerá.

- Eu não vou- Ela balançou a cabeça. - Esqueça, - disse ela com um suspiro. Discutir com ele agora não faria bem a ela, por mais que ela quisesse criticá-lo por ser um idiota teimoso. Reunindo sua dignidade um tanto esfarrapada, ela se virou. Na porta, ela fez uma pausa. - Se você mudar de ideia, sabe onde estarei.

Ela pensou que fosse chorar, mas nenhuma lágrima veio. Em vez disso, palavras mais satisfatórias fluíram enquanto ela descia as escadas.

- Estúpido.

- Imbecil.

- Babaca

- Cabra sem mãe de todas as cabras sem mãe.

- Desgraçado.

A ladainha a seguiu escada abaixo, e ela esperava que a cada passo ele ouvisse cada palavra.

oooOOoooOOooo

Severus estava sentado na ponta de sua cama estreita, os cotovelos apoiados nos joelhos e os dedos unidos contra os lábios. Ele mal se movia, a pequena subida e descida de seu peito e o piscar lento de seus olhos, enquanto olhava para uma distância inexistente, a única indicação de que ele não tinha sido atingido por um feitiço de imobilização. Sua imobilidade física estava em contraste direto com os giros selvagens de seus pensamentos e emoções.

Ele sentia muita falta dos dias em que a única perturbação para sua calma emocional era um encontro com Potter ou uma convocação do Lorde das Trevas. Aqueles dias pareciam tão fáceis agora. Ele não podia acreditar na audácia dela. Não, isso não estava certo. Ele podia acreditar. As ações dela eram exatamente o que ele esperava. . . ele começou a pensar na gryffindor. Isso não estava certo. Simplesmente rotulá-la por sua Casa apenas resvalava na superfície. Ela era muito mais do que apenas 'gryffindor'. Hermione era ousada e, às vezes, agressiva. Ela sentia suas emoções fortemente e não se intimidava com esses sentimentos.

Não é essa uma das razões pelas quais você se sente atraído por ela?

Hermione era uma jovem saudável no auge de sua vida, enfrentando o que poderia ser uma situação de vida ou morte. Não era como se ele nunca tivesse contemplado. . . nunca imaginado como seria cravar os polegares na carne macia atrás dos joelhos dela ou como seria ser segurado dentro de suas coxas. No entanto, mesmo tendo esses pensamentos, ele se castigou por tê-los.

Eu sou um idiota.

Ela foi até ele, ousada em seus desejos e vontades, e ele a rejeitou. Ele a repreendeu sobre seus medos, mas ele estava deixando seus próprios medos controlá-lo? Muitos medos e uma vida inteira de cautela. Mas, ele poderia estender a mão e pegar o que queria? Não era esse o seu maior medo - potencialmente sacrificar sua vida quando não tinha nada a perder era uma coisa. Para abandonar essa vida depois de provar tudo o que o futuro poderia ser. . . ele poderia fazer isso? Ele poderia não ser tão egoísta? Tão forte? Tão sem medo?

A resposta era: ele não sabia.

oooOOoooOOooo

Hermione não estava completamente dormindo quando a porta de seu quarto se abriu, mas pairando naquele lugar intermediário entre a consciência e os sonhos.

- Severus? - Ela piscou para a aparição na frente dela.

A luz da lua iluminava fracamente o quarto e, por um momento, ela não teve certeza do que estava vendo. Severus estava parado na porta dela, ainda desabotoado, seu cabelo despenteado como se ele tivesse passado os dedos por ele. O mais surpreendente de tudo, Hermione podia ver as linhas longas e elegantes de seus pés se projetando além da ponta da calça. Ela teve um lampejo de memória de uma noite quando ela apareceu para ele. Ele perguntou a ela: 'Você é real?' Ela entendeu a pergunta agora e voltou para ele.

- Você é um sonho?

Ele arrastou os pés levemente, sua expressão era o que ela apenas descreveu como nervosismo, um olhar que estava em conflito com o Severus que ela conhecia.

- Eu- Ele parou.

Hermione prendeu a respiração. Ela estava bem acordada agora enquanto o observava.

Severus se moveu em direção à cama, uma graça fluida em seus passos que forçou o ar de seus pulmões.

- Isso é o que você quer? Eu sou realmente sua escolha? - O tom de sua voz era baixo, deslizando por sua pele e deixando arrepios em seu rastro.

- Sim.

- Isso é tolice.

Parte de sua tensão desapareceu. Como ela poderia não amar este homem?

- Provavelmente, - ela concordou. - Mas eu posso morrer amanhã. Você pode morrer amanhã.

Ele não se aproximou mais, e Hermione percebeu que teria que ir até ele, dar o primeiro passo antes de encontrá-lo no meio. Mas então, ela pensou, talvez seja com isso que ele estava contando. Para deixá-la empurrá-los para o próximo nível, para dar aquele passo em frente quando ele era incapaz de fazê-lo, seja por medo ou por uma vida vivida com cautela por muito tempo.

Ela deslizou para fora da cama. Ele se mexeu quando ela passou por ele para trancar a porta, o som da chave de metal girando alto na fechadura do quarto. Ela voltou a ficar na frente dele, dedos dos pés descalços. A visão a fez sorrir divertida.

Ele a surpreendeu estendendo a mão e puxando-a para si, aninhando-a contra o plano rígido de seu corpo. Ele era uma contradição - empurra, puxa, quer, não quer.

- Você me confunde até o fim, - ela murmurou contra sua camisa.

Ele soltou uma risada suave.

- Nós combinamos bem, então, já que você me confunde a cada passo. Porém, mais do que isso, você me apavora.

Roçando sua bochecha contra o peito dele, ela sentiu o batimento cardíaco forte, o ritmo selvagem em desacordo com seu exterior aparentemente distante e calmo. Virando levemente a cabeça, ela roçou os lábios no pedaço da pele nua que aparecia sob o colarinho e sentiu os dedos dele apertarem seus ombros antes de deslizar para baixo em seus braços.

Ousando muito, ela estendeu a mão e desabotoou o botão de cima da camisa dele.

- Eu não quero te aterrorizar.

- Estou ciente disso. Não o torna menos verdadeiro.

Ele a observou com foco concentrado enquanto ela soltava o botão seguinte, mas não disse nada. Ela estremeceu sob o olhar acalorado.

- Não deixe que se espalhe que o professor mais temido da história de Hogwarts tem medo de mim. Isso destruiria sua reputação.

- Insolente.

A palavra foi dita com todo o desdém acalorado do Professor Snape em sua forma mais ácida, mas estava em contraste direto com a pressão quente de suas mãos enquanto deslizavam por seu corpo.

Ela se afastou ligeiramente dele para que pudesse vê-lo.

- É uma terrível falha de caráter. Junto com o autoritarismo, a habilidade de envergonhar você e uma tendência a pular antes de olhar.

Sua expressão era severa, mas ela percebeu a risada em seus olhos.

- Você esqueceu de teimosa.

Ficando na ponta dos pés, ela roçou os lábios nos dele em recompensa por brincar com sua tolice.

- Isso não é uma falha, - ela murmurou.

- Não, - ele concordou, quando ela se afastou. - Suponho que, ao lidar comigo, teimosia é provavelmente uma virtude. - Sua voz caiu para um estrondo profundo, as palavras roucas enquanto fluíam sobre ela. - Eu não estava rejeitando você.

- Eu sei.

- Também precisamos discutir suas deploráveis habilidades com o idioma. - Ele ergueu uma sobrancelha para ela. Deliberadamente desta vez ela tinha certeza. - Cabra sem mãe de todas as cabras sem mãe?

Ela soltou uma risada.

- A coisa favorita da minha avó para chamar de meu avô. - Ela desabotoou o último botão e observou enquanto a camisa se separava. Arrastou um dedo ao longo da pele exposta pálida, despenteando os finos cabelos escuros que giravam em seus músculos peitorais. - Ensine-me a praguejar mais tarde.

Ele respirou fundo quando ela espalmou a mão contra sua pele.

- Muito bem.

- Severus. - Ela não sabia como dizer o que queria, para fazê-lo entender que ela tinha chegado ao limite que a coragem da Gryffindor iria levá-la neste momento, mas ele pareceu entender, quando uma grande mão se fechou as costas da camisola, puxando o tecido para cima.

Pela expressão dele, ela esperava feroz. Algo mais parecido com os beijos arrepiantes que eles já haviam compartilhado, aqueles que a deixaram sem fôlego e meio tonta. Ela ficou surpresa quando o primeiro roçar de seus lábios contra os dela foi suave. Ela devolveu a pressão suave e foi recompensada com um segundo beijo, este um pouco mais firme, mas ainda surpreendente em sua suavidade. Isso derreteu Hermione até os dedos dos pés. Qualquer hesitação ou medo que ela teve sobre dar este passo derreteu.

Ele deve ter sentido o sorriso que curvou seus lábios.

- Por que você está sorrindo? - Ele perguntou, afastando-se apenas o suficiente para olhar para ela.

Seu sorriso se alargou.

- Porque você nunca é o que as pessoas esperam que você seja.

Uma sobrancelha se ergueu em dúvida. Ela o beijou novamente.

- É uma coisa boa, - ela esclareceu.

Ele pareceu aceitar isso quando a mão que segurava sua camisola mudou, puxando o tecido ainda mais para cima em suas costas. A mão que segurava frouxamente seu quadril agora subia por sua espinha. Sentir a pele quente de sua mão deslizando por suas costas a fez ofegar e arquear com a sensação.

- Hmm, sensível.

Ela prendeu a respiração irregularmente enquanto aquela mão a pressionava contra o longo comprimento dele, a pele exposta de seu peito quente através do tecido fino de sua camisola. Os lábios dele desceram para aquele ponto macio abaixo da orelha esquerda dela, antes que continuasse, a respiração quente contra sua pele.

- Mas então, eu percebi que você parece ter um... fascínio particular pelas minhas mãos.

Os joelhos de Hermione dobraram.

A mão de Hermione que ainda estava espalmada no peito deslizou para agarrar o ombro enquanto ela tentava se manter firme. A outra foi atrás do pescoço para se emaranhar em seus cabelos enquanto Severus usava sua arma mais perigosa - sua voz e as palavras - de uma maneira que Hermione nunca havia sonhado.

- Imagine o que minhas mãos podem fazer por você, - aquela voz insistente retumbou, enquanto a mão em questão alisava sua espinha, juntando mais de sua camisola com ela. Ela não pôde evitar o arrepio que sacudiu seu corpo. Suas mãos não eram suaves ou macias, mas com marcas de batalha e calejadas. Ela podia sentir cada ponto áspero enquanto elas se moviam em sua pele, também eram seguras e experientes e ela tinha mais de uma fantasia sobre elas.

- Severus. - Seu nome foi um suspiro silencioso.

Uma gargalhada profunda e Hermione percebeu que seus olhos estavam fechados. Forçando-os a abrir, ela encontrou Severus olhando para ela, lábios curvados em um sorriso preguiçoso, seus olhos tão escuros que ela sentiu que poderia cair neles.

Ficando na ponta dos pés, ela pressionou os lábios sob seu queixo, beijando ao longo da gola aberta de sua camisa. Ele gemeu baixinho, a outra mão deslizando por sua espinha para se juntar à primeira em uma trilha de fogo.

Palavras, o raciocínio disperso dela insistia, dê-lhe as palavras. Ela era Hermione Granger. Ela sabia brincar com palavras. Ela era boa com as palavras. Se apenas as pontas dos dedos dele parassem, ela pensou, então descartou a ideia. Ela definitivamente não queria que aquelas mãos e dedos parassem.

Palavras, seu cérebro insistiu novamente.

Se aninhando sob o colarinho aberto, Hermione lambeu um caminho através da clavícula.

- Mãos fortes e capazes, - ela concordou, satisfeita por encontrar as palavras que queria através da névoa de seus pensamentos confusos. - Adoro ver você trabalhar. Posso imaginar... - ela parou, não tão ousada na realidade quanto a Hermione em sua cabeça.

Uma mão deixou suas costas para inclinar a cabeça dela para trás. Ele a beijou então, com força, sua boca pressionando a dela para abrir. Ela gemeu contra ele em apreciação, sua língua enredando-se ardentemente com a dele.

Logo ele estava se afastando novamente, mesmo quando ela fez um pequeno barulho de protesto.

- Quando você estiver pronta, teremos que comparar sua imaginação com a minha.

Um calor vertiginoso tomou conta dela, apagando completamente suas próximas palavras enquanto sua - muito ativa - imaginação conjurou todos os tipos de coisas que ela tinha ouvido e lido ao longo dos anos. Ela culpou seus pensamentos girando por perder os movimentos das mãos, até que varreram sua camisola para cima e sobre sua cabeça.

O pânico e algo parecido com o embaraço afugentaram seus pensamentos sedutores, enquanto o instinto a impelia a se cobrir do olhar que varreu sua forma, uma dúzia de inseguranças e medos clamando por sua atenção repentina.

- EU-

Ele a agarrou pelos pulsos e a puxou para mais perto quando colou seu corpo no dela e ela se esqueceu do pânico e do constrangimento e de quase tudo o mais enquanto ele fazia seus sentidos cambalearem.

Pele nua contra pele nua e beijos entorpecentes e Hermione não conseguia pensar em mais nada. Foi durante uma pequena calmaria, enquanto os dois prendiam a respiração, que ela deixou escapar.

- Não sei o que estou fazendo. - As palavras eram incômodas, fazendo-a enrubescer de vergonha. A última coisa que ela queria fazer era destacar novamente as diferenças de idade e experiência entre eles, mas ela sentia que tinha que ser honesta.

Ele fez uma pausa.

- Eu tinha... assumido que era esse o caso. - Um de seus dedos roçou ao longo do topo dos seios, antes de serpentear seu caminho para baixo. - Vou me esforçar para tornar a experiência o mais agradável possível.

Ela se arqueou, incapaz de fazer qualquer coisa, exceto empurrar para cima naquele toque tentador. Hermione soltou uma risada satisfeita, embora ainda um tanto nervosa. Somente Severus para deixar isso soar tão formal em um momento como este. Esticando-se, ela deu nele vários beijos demorados enquanto os dedos espertos dele brincavam ao longo de seu corpo.

- Eu nunca duvidei disso. - Ela o beijou de novo. – Você não é um homem que deixa as coisas pela metade.

Severus tinha trepado com várias mulheres ao longo dos anos. Quando Lily se casou com James Potter, ele afogou sua raiva e mágoa da maneira mais vil possível, em alguns dos cantos mais sombrios do Beco do Tranco. Seus amigos, aqueles que eventualmente se tornariam seus companheiros Comensais da Morte, estavam muito ansiosos para satisfazê-lo e incentivá-lo.

Eventualmente, se cansou dos encontros sem emoção, pois eles não fizeram nada para preencher o buraco dolorido que Lilly havia deixado dentro dele. Depois de um tempo, os encontros simplesmente se tornaram rotina. Quando o corpo exigia liberação, ele procurou. Era sem paixão e frio, mas finalmente eficiente e discreto o suficiente para que ele não precisasse se preocupar em comprometer sua posição com os Comensais da Morte ou como professor em Hogwarts. Foi sua própria história que o fez parar. Usei-as. Fodi elas. Comprou e pagou pelo tempo. Ele nunca tinha feito amor com nenhuma deles. Nunca nenhuma delas fez amor com ele.

Ele se sentiu inexplicavelmente nervoso enquanto Hermione o encarava com olhos cheios de confiança e amor.

Arrastando as pontas dos dedos ao longo de sua pele, ele se maravilhou com a fé nele. Ela fora tímida com seu corpo antes e agora ela estava diante dele sem nada além de um pedaço de algodão e confiava nele.

- Me beija? - Suas palavras eram suaves e sem fôlego.

Ele não podia recusar tal pedido.

- Você gosta de beijar. - Inclinando-se, ele deu um beijo provocante, antes de se aninhar ao longo de sua mandíbula até a orelha. - Haverá mais beijos, - ele respirou, apreciando o estremecimento que suas palavras causaram.

Então, lentamente, ele abriu a mão e empurrou. Ela deu um passo para trás. Severus recompensou sua ação com outro beijo. Passo a passo lento, beijo a beijo, ele a conduziu pelo quarto até que chegaram à cama. Ele engoliu seu "Oh" assustado com um beijo mais profundo quando a parte de trás de suas coxas bateu na beira da cama.

Hermione não precisou de incentivo dele porque ansiosamente pulou na cama, movendo-se para trás até chegar à cabeceira. Ele levou um momento para remover a camisa branca que ela desabotoou mais cedo e passou a mão para o botão de sua calça. Lá fez uma pausa, dando-lhe um olhar rápido por baixo de seus cílios. Os olhos dela estavam focados em sua mão e na ereção esticando o tecido da calça, seu lábio inferior preso entre os dentes. Ela estava respirando pesadamente, o movimento fazendo seus seios subirem e descerem de uma forma quase hipnótica.

- Tire-os.

As palavras eram suaves, mas claras. Ele soltou o botão e depois se livrou da roupa que o confinava. Em um momento, ele estava montando sobre ela na cama, mãos e pernas envolvendo seu corpo.

Hermione cantarolou sua aprovação, um ruído que Severus estava associando com ela estar feliz e satisfeita. Isso o fez se perguntar que outros ruídos poderia arrancar dela. Indo para baixo, ele se agarrou aos lábios dela novamente, desta vez um pouco mais forte, um pouco mais agressivo. Ela respondeu lindamente, serpenteando os braços para cima e ao redor do pescoço, arqueando-se no espaço entre eles de modo que seu peso o puxasse para cima dela.

O calor dela o escaldou e enviou seu sangue latejando por seu corpo, mas nada poderia tê-lo preparado quando Hermione abriu as pernas e Severus caiu entre suas coxas.

Hermione engasgou debaixo dele, sua cabeça jogada para trás no travesseiro enquanto seu peito empurrava para cima e para frente. Severus aproveitou a oportunidade apresentada. Deslizando por seu corpo, ele manteve seu peso pressionado contra ela. Ele começou a lamber e beijar um amplo caminho através de sua pele. Movendo-se ligeiramente, raspou a ligeira barba por fazer de sua bochecha contra o mamilo esquerdo e a ouviu dar aquele delicioso zumbido profundo novamente.

Mordiscando seu caminho até a lateral do seio, ele brincou com a ponta do mamilo com a língua até que Hermione se empurrou sob ele no desejo por um toque mais firme.

- Sever...

Ela nunca conseguiu pronunciar seu nome completo quando ele fechou a boca sobre o mamilo, pegando-o com cuidado entre os dentes e adicionando golpes firmes de sua língua no bico. Ele foi recompensado por um gemido alto e ofegante que disparou direto por seu próprio corpo, fazendo com que seu pênis se esticasse contra o tecido confinante de sua roupa. Ela fez o barulho novamente quando ele agarrou seu joelho e puxou-o bem alto ao longo de seu quadril.

- Você faz sons tão deliciosos, Hermione. Estou ansioso para aprender todos eles.

A cabeça dela balançou de um lado para o outro no travesseiro, se foi em reação às suas palavras ou ações, ele não tinha certeza. Voltando sua atenção para o outro seio, ele pegou o mamilo e o atormentou com os dentes e a língua como fizera com o outro, na esperança de provocar outro daqueles ruídos deliciosos. Não demorou muito para que fosse recompensado, os suspiros e gemidos de prazer dela mais altos enquanto se movia para concentrar sua atenção na parte sensível do seio.

- Pare! Espere. - As mãos dela, antes massageando seus ombros, agora o empurraram. - Pare. Eu- Ela estava ofegante, tentando recuperar o fôlego.

Ele imediatamente se afastou, erguendo-se sobre os cotovelos. Procurou sua expressão, com medo de que achasse algo de dor ou que mudança de ideia. Felizmente, ele encontrou apenas frustração envergonhada olhando malignamente de volta para ele.

- Ah. Demais.

- Desculpe. - O rubor envergonhado se aprofundou, um rubor que ele rastreou enquanto se espalhava tentadoramente pelo corpo dela.

- Eu vou me lembrar, - ele murmurou, abaixando a cabeça para traçar o caminho do rubor, mesmo quando ela puxou seus ombros para puxá-lo para mais perto.

Tendo em mente a sensibilidade, ele deixou uma mão subir para segurar o seio, dedos leves e fazendo cócegas. Quando ela estava mais uma vez se movendo contra ele, deixou sua mão vagar para baixo. Ele brevemente agarrou seu quadril, puxando seu corpo apertado contra ele e empurrando para região de suas coxas, deixando-a sentir ele e suas próprias reações enquanto eles deslizavam juntos. Os braços de Hermione se apertaram, agarrando-se a ele enquanto ela afundava as unhas cegas em seus ombros.

Ela estremeceu quando ele colocou o polegar sobre seu quadril e para baixo através da pele macia de sua coxa. Mas foi o barulho que ela fez enquanto ele continuava o movimento em sua calcinha úmida que o agradou mais. O zumbido se aprofundou em um ronronar estrondoso ao qual ele poderia se acostumar.

Ele esfregou o polegar no tecido de algodão novamente, pressionando com mais força e usando a fricção do tecido para levá-la mais alto. Movendo-se ainda mais para baixo em seu corpo, deixando cair beijos chupados ao longo do caminho, ele murmurou coisas deliciosamente perversas contra sua pele. Tudo o que ele estava sentindo, qual era o sabor dela, o que ele iria fazer com ela. Ele fazia anotações mentais cada vez que algo que dizia a fazia se contorcer ou gemer um pouquinho mais alto.

Ele fez uma pausa quando alcançou sua calcinha, mas ela não fez nenhum movimento para detê-lo quando ele a tirou por suas pernas.

- Requintado.

- Severus...

- Você é excelente, - ele repetiu. - Deixe-me vê-la. - Correndo os dedos sobre os cachos úmidos no ápice de suas coxas, ele retomou seus comentários correntes. - Você já gritou, Hermione? Não de raiva ou dor, mas de puro prazer?

Ela fez um ruído inarticulado com suas palavras.

Espalhando ambas as palmas na curva de suas coxas, ele pressionou para fora até que ela se abriu para ele.

- Você está tremendo, Hermione. Um pequeno movimento tão delicado. Eu me pergunto o que seria necessário para fazer você tremer. Devo tentar? - Ele soprou uma suave corrente de ar em seu sexo e riu quando ela realmente estremeceu. Mas ele queria muito mais dela.

Fechando os últimos centímetros entre eles, ele a lambeu com um amplo movimento de sua língua. O primeiro gosto dela estourou contra suas papilas gustativas como a melhor poção preparada - inebriante e doce, com um travo subjacente de pura Hermione.

- Sim, excelente, de fato. - Curvando a língua, ele procurou até encontrar o pequeno nó que a levaria ao limite.

Alternando entre sacudir a língua e aplicar pressão de sucção delicada, ele a impulsionou para cima até que ela se contorceu e resistiu contra ele, inconscientemente usando a força de suas pernas para direcioná-lo e aplicar ainda mais pressão onde ela desejava.

Severus se deleitou com as reações dela - a fácil aceitação de sua própria natureza apaixonada, os sons de seu prazer que agora eram um fluxo constante intercalado com palavrões que ele nem sabia que ela conhecia. Mas o que mais o emocionou foram as mãos dela, que se agarraram a qualquer parte dele que ela pudesse alcançar. Ele estava fazendo isso com ela e ela estava aproveitando cada minuto.

Erguendo a cabeça, ele olhou para o longo plano de seu corpo e talvez realmente percebeu pela primeira vez, que esta jovem extraordinária era sua. Tomando um tempo para observá-la se torcer e arquear, ele substituiu a boca pelos dedos.

- Você tem um vocabulário tão variado, - ele murmurou. - Palavras tão sujas de uma pequena gryffindor tão boa.

Ela soltou um gemido particularmente alto e ele a recompensou inclinando a cabeça para ela novamente, movendo os dedos para baixo e para dentro dela, estabelecendo um ritmo intenso.

Seus gemidos eram constantes agora, aumentando cada vez mais alto, pontuados por palavras meio formadas. As mãos dela abruptamente deixaram os ombros dele para afundar nos lençóis ao lado de suas coxas e Severus soube que ela estava perto.

- Goze para mim, - ele rugiu contra sua carne e ela gozou. Suas costas se arquearam, ela se torceu com força, suas pernas sacudindo enquanto o zumbido que ele tanto adorava aumentava em um gemido agudo que ela mantinha bloqueado por trás dos dentes cerrados.

Severus superou cada contração e impulso de seu corpo, usando seus longos dedos para tirar os espasmos que o atormentavam. Ele só relaxou quando ela caiu em uma série de minúsculas contrações musculares involuntárias.

Hermione rolou facilmente em seus braços, seu corpo praticamente sem ossos, quando Severus rastejou de volta para se deitar ao lado dela. Colocando a cabeça dela no oco onde seu ombro encontrava seu peito, ele esperou que ela se mexesse enquanto ignorava ferozmente as demandas de seu próprio corpo. Conhecendo Hermione, não demoraria muito.

- Eu ... -Ela fez uma pausa, virando o rosto quase totalmente contra o peito dele e dando um pequeno beijo ali. - O que se diz depois disso?

Ele soltou uma risada.

- Obrigado. Isso foi bom. Talvez, meu Severus, você seja extraordinariamente talentoso.

Ela bufou divertida e, em seguida, deu outro beijo em seu peito.

- Obrigado. Isso foi muito bom. E, meu Severus, você é extraordinariamente talentoso.

- Insolente de novo.

Ela cantarolou sua concordância, mas Severus estava mais interessado em seus dedos errantes do que em sua resposta. A juventude e a curiosidade obviamente a reanimaram. Seu toque era leve e deixavam cócegas enquanto traçava em seu peito. Quando o polegar dela roçou em seu mamilo esquerdo, ele não conseguiu controlar a reação que o toque provocou.

- Você gostou disso? - A pergunta era um tanto hesitante, como se ela não tivesse certeza. Conhecendo sua inexperiência e sua própria natureza gryffindor, ele deixou os jogos de palavras de lado e deu uma resposta direta.

- Você gostou do que eu fiz para você?

Ela corou, uma rosa delicioso que se espalhou de suas bochechas até o peito, mas ela encontrou seus olhos diretamente.

- Sim.

- Não sou tão sensível quanto você, mas o toque é agradável.

Ela levantou uma sobrancelha para ele, algo que ele suspeitava que ela tivesse aprendido com ele, antes de se curvar para passar a língua em seu mamilo. Ele suspirou de encorajamento e isso era tudo que ela precisava enquanto seus lábios e língua logo começaram a explorar a extensão de seu peito e costelas, seu cabelo caindo ao redor de seu rosto para fazer cócegas com toques provocadores. Ela parou apenas quando chegou à linha grossa de cabelos negros que desciam abaixo da cintura de suas calças.

Mais uma vez, seus olhos ergueram-se para encontrar os dele com ousadia, seu sorriso era um sorriso malicioso. Ele não pode deixar de rir com aquele olhar. Tão inocente e, ao mesmo tempo, não. Essa era Hermione. Levantando os quadris, ele deixou o convite permanecer. Com as pontas dos dedos quentes contra sua pele, ela deslizou a cueca para baixo e para fora das pernas.

- Oh.

Ela não encontrou seus olhos dessa vez. Mas isso era esperado de alguém novo neste jogo. Ele segurou a mão dela. Lentamente, para não assustá-la, ele a colocou contra o peito. Com movimentos deliberados, ele levou a mão dela ao peito e ao estômago.

A respiração dela aumentou, ele percebeu, tornando-se mais rápida e superficial. Ela estava ficando excitada novamente ao tocá-lo.

Ele pressionou um pouco mais forte quando os dedos dela passaram pela trilha de cabelo em seu abdômen, mas finalmente envolveu sua mão ao redor da base de seu pênis.

- Eu nunca-

Ele não a deixou terminar, simplesmente moveu sua mão para cima, apertando e liberando para mostrar a ela o que ele queria.

- Oh.

Com os olhos arregalados e o lábio inferior preso entre os dentes novamente em concentração, Hermione aprendeu o corpo dele. Ela sempre foi uma estudante rápida e não demorou muito para que sua outra mão se juntasse à primeira.

Ele pretendia ficar quieto, mas fazia muito tempo e ele estava tenso. Ele não pôde conter o gemido quando os dedos dela dançaram sobre ele. Ela poderia ter sido pouco qualificada, mas não era nada além de curiosa. Quando seu polegar roçou a parte inferior da cabeça, ele empurrou sua mão, seu movimento brusco e descontrolado. Ela fez isso de novo e pareceu satisfeita quando os quadris dele seguiram seus movimentos por conta própria.

Seus olhos se fecharam para saborear melhor as ondas de prazer que irradiavam por seu corpo, então ele estava completamente despreparado quando sentiu o golpe da língua dela em sua cabeça.

- Doce Merlin! - Seus olhos se abriram para encontrá-la inclinada sobre ele. - Hermione, - ele avisou com um gemido.

Seu sorriso era travesso e um tanto constrangido.

- Todos os livros, você sabe. Eu queria... provar.

- Provar? - Seus tons normalmente suaves soavam ásperos em seus próprios ouvidos. Ela queria provar? Alguns dos fios de seu controle se romperam. Levantando-se rapidamente, ele a agarrou e os girou até que estivesse apoiado sobre o corpo dela. - Podemos discutir seus hábitos de leitura mais tarde. Mas se você deseja que isso chegue ao fim, não estarei no cardápio esta noite.

Ele pegou sua carranca com um beijo.

- Mais tarde?

- Mais tarde, - ele concordou. - Serei um verdadeiro bufê para sua curiosidade insaciável.

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Hermione passou a língua pelos lábios, sentindo o gosto de Severus novamente. Ela tinha ficado fascinada pela maneira como seu corpo se movia enquanto ela o tocava. Isso a fez se sentir poderosa de uma forma inexplicável, era bom saber que foi ela quem colocou aquela expressão de prazer e dor em seu rosto.

Mas agora, ele a estava tocando novamente, aquela parte tão masculina dele aninhada entre suas pernas. De vez em quando, ele separava e deslizava contra a umidade e ela não queria nada mais do que empurrar contra aquele sentimento atormentador. Ela nunca tinha percebido o quanto seu corpo podia sentir até Severus começar a tocá-la. Sentimentos tão maravilhosos que ele fez borbulhar dentro dela.

Ele estava apoiado em um braço sobre ela, a outra mão segurando seu quadril. Ele a tocou intimamente naquela noite, mas agora, aquele toque e o olhar em seus olhos escuros foram o suficiente para fazê-la colocar as mãos em volta de seu pescoço. Ela fixou seu olhar no dele quando mais uma vez ele trouxe sua coxa para cima e sobre seu quadril, abrindo-a para ele.

Ela sabia o que estava por vir e lutou para segurar a névoa de prazer que ele criou dentro dela.

- Relaxe, - ele murmurou em seu ouvido e ela estremeceu ao sentir a palavra fluindo em sua pele aquecida.

Ela tentou, mas era tão difícil quando ele cobria cada pedacinho dela. Ela podia sentir o batimento cardíaco dele descontroladamente contra seu peito, e a rajada de cada uma de suas respirações contra seu pescoço enquanto ele subia um pouco mais alto sobre ela.

- Olhe para mim, Hermione.

Quando ela o fez, ele emitiu um barulho de aprovação e a palma da mão desceu de seu quadril para se curvar em torno de seu traseiro, mudando o ângulo de seus quadris. Havia peso e pressão e ela automaticamente mudou para trás contra a sensação desconhecida.

Oh.

Seus olhos se fecharam e ela engasgou, apenas para descobrir os lábios de Severus capturando os dela, bebendo-a.

Oh.

A pressão aumentou.

Oh.

Ele empurrou para frente.

- Oh!

Por longos momentos ela conheceu apenas a dor. Gradualmente, percebeu a voz de Severus em seu ouvido. O som era reconfortante e encorajador. Ela estava acostumada a ouvir aquela voz, então fez o possível para seguir as palavras, abrindo lentamente o corpo e relaxando os braços e as pernas. Enquanto ela relaxava, a dor diminuiu até que se tornou uma dor surda centrada profundamente dentro dela. Mas logo outro sentimento anulou completamente a dor. Ela podia senti-lo. Severus estava assentado bem no fundo do corpo dela e apenas a ideia de ele estar dentro dela era o suficiente para fazê-la subir contra ele.

- Tranquilo, ele sibilou. - Lento.

Sua voz soou tensa para seus ouvidos, como se talvez ele também estivesse surpreso por ser parte dela.

- Devagar, - ele repetiu. Só que desta vez a palavra foi acompanhada por um movimento de seus quadris.

- Devagar, - ela concordou, enquanto procurava aprender o ritmo e acompanhá-lo enquanto ele estabelecia um ritmo lento para dentro e para fora que logo arrancava longos gemidos dela.

Logo ela estava usando a alavanca de suas pernas para encontrar seus impulsos. Era bom, mas nada como o prazer que ele tirou dela antes com sua boca. Ela sabia que esse ato poderia ser, seria, tão prazeroso. Mesmo agora, ela podia sentir pequenos tremores quando ele se movia de uma certa maneira que sugeria o que poderia ser. Ela suspeitou que a dor que ainda sentia impediria outro orgasmo, mas não estava preocupada. Ela estava paralisada demais com a visão do rosto de Severus enquanto ele se movia sobre ela. Olhos fechados, sua mandíbula estava cerrada e sua testa franzida em concentração. Ele estava lindo aos olhos dela.

Serpenteando uma mão atrás da cabeça de Severus, ela enredou os dedos em seus cabelos, puxando sua cabeça para trás até que ele expôs a coluna longa e pálida de sua garganta. Com um zumbido de prazer, ela agarrou sua garganta, beijando e chupando sua pele.

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Olhos cerrados com força, Severus ouviu Hermione abaixo dele. Seus gemidos anteriores de prazer foram reduzidos a apenas um suspiro ou zumbido ocasional quando ele acertou o ângulo. Ele queria abrir os olhos e vê-la embaixo dele, mas temia que seu controle não fosse tão forte. Por melhor que ela se sentisse perto dele, ele temia que a visão dela o derrubasse muito cedo.

Seu controle cuidadoso foi perdido quando ela puxou sua cabeça para trás a fim de plantar beijos de sucção em sua garganta. Com um grunhido, ele mudou, subindo mais alto sobre ela para aumentar a duração e a força de suas estocadas. Ele se preocupou brevemente em machucá-la, mas ela levantou as pernas, plantando os pés e dando a ele um acesso ainda mais amplo.

Doce Merlin.

- Hermione. - A palavra pode ter sido gritada, mas tudo o que saiu como um sussurro áspero. Cabeça jogada para trás, Severus perdeu o que restava de seu controle.

Quando ele caiu em cima dela, Hermione o envolveu com seus braços e pernas, um casulo seguro de calor e mulher. Ele não queria nada mais do que afundar nela e descansar na doçura de seu amor por ele. Mas ele ainda não tinha terminado, não com ela. Saindo de seu doce corpo com um gemido, ele deslizou para trás.

- Sev- Oh.

O que quer que ela estivesse prestes a perguntar foi perdido quando ele mergulhou de volta entre suas pernas. Agarrando seu clitóris, ele chupou forte. Faltava a graça de seus esforços anteriores, mas ele estava condenado se iria deixá-la ir sem ter certeza de que ela sempre se lembraria desse encontro com ele como um cheio de prazer. Hermione não pareceu se importar com sua falta de sutileza quando começou quase imediatamente a resistir e se contorcer sob seu ataque. Ciente de sua dor potencial, ele não forçou, mas sim empurrou e torceu os dedos superficialmente dentro dela.

Ela durou menos de dois minutos antes de se separar mais uma vez e Severus sentiu uma sensação de satisfação e amor que ele não poderia dizer que já sentira antes.

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Hermione se viu deitada sem ossos contra Severus, a cabeça apoiada no peito dele enquanto ouvia as batidas lentas de seu coração. Misericordioso Merlin. Ela devia a Lavender e Parvati um pedido de desculpas. Sem mencionar, se todos eles sobrevivessem à batalha que se aproximava, ela pegaria emprestado alguns dos livros e revistas mais picantes de Lavender.

Ela cantarolou um pouco de contentamento e se ajustou em uma posição um pouco mais confortável. Ela se lembrava de ter adormecido.

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Ela estava esparramada ao lado dele, seu corpo meio cobrindo o dele, seu cabelo uma cortina emaranhada obscurecendo seu rosto. Ele lutou contra a vontade de rir. Ele deveria saber que ela não se enrolaria ao seu lado como uma flor delicada, nem se afastaria para o lado oposto da cama como uma virgem arrebatada. Não, Hermione Granger assumiu - seu corpo e a cama - assim como ela fez com todas as outras partes de sua vida, membros e aquele cabelo maldito, agora inevitavelmente ao redor dele.

Bem, a parte cínica dele se corrigiu, inevitável pelo tempo que sua vida durou. Ele não achava que nem mesmo o cabelo dela poderia segui-lo em qualquer vida a qual ele estava destinado. O braço jogado ao acaso em seu peito, momentaneamente aprofundou o aperto em torno de suas costelas antes de relaxar novamente, quase como que em resposta a seus pensamentos sorumbáticos.

Como ele chegou a isso? Se até um ano atrás ele soubesse que Hermione Granger estaria envolvida em torno dele na véspera da batalha contra Voldemort, teria pensado que eles estavam loucos. Era tudo muito estranho, muito improvável.

Ele bocejou na escuridão.

No entanto, ele estava quente e saciado e estranhamente, se sentindo amado. Tão estranho, de fato, foi seu último pensamento antes que o sono o reclamasse.

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Hermione acordou com o som de seu nome. Piscando meio grogue, ela encontrou Severus vestido com os trajes de Mestre em poções, parado rigidamente ao lado da cama.

- Severus?

- Bom Dia.

- Bom o que? - Ela estava cansada e pela manhã nunca era no seu melhor. Mas ela tinha quase certeza de que não era assim que o sexo pós-primeira vez deveria ser. Pelo menos ela não se lembrava desse cenário em nenhum dos livros mais sinistros de sua mãe. Então, novamente, ela pensou, este é Severus. Nada com ele jamais foi da maneira que ela pensava. Tentando acordar, ela espreguiçou-se e depois estremeceu quando uma série de dores e sofrimentos profundos se manifestaram.

- Beba isso.

- Beba isso.

Três pequenos frascos de poção foram colocados sob seu nariz. Ela só reconheceu um.

- Analgésico e...

Ele mudou de posição e pigarreou.

- Um analgésico, algo para garantir que não engravide e uma poção de cura leve. Vai ajudar. - Seus olhos encontraram os dela firmemente, mas ela podia ver a tensão em seus ombros. Ele estava nervoso, quase cauteloso, e ela percebeu que suas ações agora, ainda mais do que na noite anterior, poderiam fazê-lo correr mais uma vez.

Inclinando-se para frente, ela pegou a mão dele em vez dos frascos. Com uma torção rápida, ela deslizou da cama para ficar nua diante dele. Ela podia sentir o rubor que varreu sua pele, mas achou que o constrangimento valeu a pena quando as pupilas dos olhos dele dilataram, tornando-se ainda mais impossivelmente escuras.

Com movimentos lentos, ela engoliu cada frasco antes de se levantar na ponta dos pés para dar um beijo suave em seus lábios.

- Obrigado, Severus. Foi muito gentil ao pensar em mim.

Ela observou um rubor envergonhado tingir suas bochechas de um rosa delicado.

- Volte para a cama. - As palavras foram ásperas, mas não combinavam com seu tom e Hermione escondeu um sorriso no ombro enquanto subia de volta sob o calor das cobertas da cama. Ela se deleitou com aquele calor quando Severus saiu para começar o que poderia ser seu último dia.

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A atmosfera em Grimmauld Place estava tensa enquanto todos esperavam até a noite. Não ajudou o fato de estar lotada com todos os que participariam do ataque. A velha casa era grande, mas aquela quantidade de gente, mal-humorada e nervosa, era um desastre em construção. Para piorar as coisas, e o temperamento de Hermione, ela não tinha visto Severus desde que ele deixou sua cama na luz do amanhecer. Ele não se esquivou, nem agiu de maneira alguma como se estivesse arrependido; deu a ela as poções de cura e dor, então ela não estava sofrendo nenhuma insegurança pós-virginal boba. Mas ela gostaria de vê-lo. Ele a acalmava, e ela precisava de um pouco de calma agora.

Mas não era para ser e logo chegou a hora marcada. Só então Severus apareceu, a expressão fechada. Os membros da Ordem se afastaram enquanto ele caminhava por entre a multidão reunida para ficar ao lado dela. Ela podia sentir o frio que ela associava com sua Oclumência irradiando dele. Ele não falou, mas acenou com a cabeça para ela. Ela sabia que não conseguiria mais dele neste momento. Mais sábio agora, ela não o pressionaria, o deixaria ter sua própria paz.

Em vez disso, ela olhou ao redor da sala para as bruxas e bruxos reunidos. Eles eram um bando de aparência tão maltrapilha, que ela queria rir. Eles não se pareciam em nada com as fotos dos soldados que Hermione vira na televisão. Em vez de uniformes blindados e estampados camuflados, as pessoas ao redor dela vestiam túnicas coloridas e chapéus bobos. Nenhum deles parecia estar indo para a guerra.

Agora era preciso esperar o sinal de Percy para começar. Ela olhou para Ron e Harry. O rosto de Ron estava vermelho brilhante, mas seus lábios estavam pressionados em uma linha dura e plana. Harry estava imóvel, seu único movimento era a varinha que continuava aparecendo e desaparecendo em sua mão. Ela estava com medo de olhar para Severus, com medo de que seus medos a superassem se ela olhasse para ele. Mas ela podia sentir sua presença sólida em suas costas, firme e forte enquanto o frio girava em torno de seus sentidos mágicos. Num impulso, ela moveu a mão para trás e ficou surpresa e infinitamente grata quando os dedos calejados dele roçaram os dela.

Em seguida, o patrono de Percy estava na sala. As proteções do Ministério estavam desativadas.

- Vão, - a voz de Harry era suave, mas alcançou a todos na sala.

Sozinhos ou em dois, ou pequenos grupos com base em suas atribuições, as pessoas que ela considerava seus amigos e família desapareceram por chaves de portal ilegais até que apenas Hermione e Severus permaneceram.

Eles tinham que esperar. Ela odiava esperar. Ela virou-se para encará-lo.

- Severus?

Ele não reconheceu o medo e o amor em sua voz enquanto evitava seus olhos.

- Seus amigos estão contando com você, - foi sua resposta. Sua voz estava sem emoção. Para qualquer outra pessoa, ele teria parecido seu bastardo normal, mas Hermione percebeu o leve tremor que varria seu corpo de vez em quando.

O amor que ela sentia rasgou por dentro, sabendo que não havia nada que ela pudesse fazer para impedir isso. Então fez o que quis. Agarrando os dois punhos daquele maldito casaco, Hermione puxou um Severus assustado em sua direção, apenas o suficiente para tocar seus lábios nos dela. O beijo foi breve e forte, mas inconfundível em seu significado. E apenas no caso de ele pensar em brincar de jogos de adivinhação sorrateiros da Slytherin com seus motivos, ela sussurrou ferozmente contra seus lábios.

- Eu te amo.

Quando ela se afastou, algo muito parecido com o medo cruzou o rosto dele.

- Hermione-

Ela balançou a cabeça ferozmente.

- Não. Eu te amo. Não se atreva a morrer diante de mim.

Antes que pudesse dizer qualquer outra coisa, ele sibilou, agarrando seu braço onde a Marca Negra estava escondida sob seu casaco. Voldemort estava chamando seus Comensais da Morte. O vínculo entre todos eles agora estava ativo. Com o coração batendo forte, Hermione colocou os braços ao redor dele enquanto Severus os aparatava, seguindo o chamado do Lorde das Trevas.

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N/T.: Leram sentadas? Todas vivas? Que cena hein? Acho que a inveja brota do fundo de nossos corações nestas horas, rs. Beijos para o Trio de Ouro. Duda, sobre Unquestionable Love tem um problema, ela não foi finalizada. Não dá para traduzir fics em hiatus nem em andamento. Obrigada pela dica. Sobre a próxima fanfic, acho que já achei uma candidata. Estou lendo uma bem interessante e bem elogiada em inglês. Preparem os lenços para o próximo capítulo porque lágrimas sempre rolam quando tem batalha em Hogwarts. Beijos.

N/T.: Pessoas, vocês perceberam que o capítulo foi longuíssimo e por isso teve mais erros. Traduzi devagar e com atenção mas apenas dois olhos cansam e deixam os erros fugirem. Desculpem. Beijos.