Capítulo 48 – Rab ne bana di Jodi (Uma união criada no céu)
O grupo inteiro parou, em suspense quando Raditz repetiu a pergunta que já havia feito:
– O que está acontecendo aqui?
Vegeta, que já estava adiante com Bulma, retornou e se postou diante do rapaz. A diferença de altura entre o gigante Raditz e ele tornava sua postura altiva ainda mais afrontosa, quando ele disse:
– Cinco dias atrás em Dubai você disse que eu era um canalha por tirar sua irmã de um casamento que ela não deseja. Você a convenceu a seguir adiante, mas eu, que realmente me preocupo com a felicidade da mulher' que eu amo, decidi vir aqui e leva-la a um templo e me casar com ela. Não o farei aqui por razões óbvias, mas não vai passar mais um dia sem que ela se torne minha esposa!
– Você sabe que isso terá consequências. O dinheiro envolvido, a desonra para a família do noivo... a reputação de minha família...
– Nada que eu não possa ser consertado – disse Raaja Vegeta. O filho fez um gesto para que se calasse e completou:
– Acredite, a família do noivo não merece a sua consideração. A sua sim, e eu farei de tudo para que a sua honra seja preservada.
– Mas Bulma havia concordado em...
– Bhaee... aquela Bulma deslumbrada pelo Yamcha não existe mais – disse a irmã, chegando à frente de Raditz – Vegeta esteve comigo e fez por mim tudo que Yamcha jamais fez. Eu deveria ter terminado o compromisso quando percebi isso, mas nossa tradição diz que a prioridade é honrar o compromisso...
– E é uma tradição bem estúpida – disse Gine, cruzando os braços – escute, pryi beta... eu escapei de um casamento sem amor na minha juventude nos braços do seu pai. Não posso permitir que a minha pequena sitara dê um passo para trás quando dei um para frente. Sim, eu queria vê-la atar seu nó e dar os sete passos com esse rapaz, mas apenas porque acreditava que ela o amava, mas se ela não ama, deixemos que ela e Vegeta sigam seu caminho e nós, a família, poderemos resolver tudo unidos. Lembre-se que a felicidade da sua irmã é o mais importante!
Raditz olhou em volta. Ele era o homem mais velho daquela família, mas percebia, de repente, que não adiantaria bater o pé e reivindicar o papel de baudje (patriarca). Seu pai jamais precisara se impor à força, ele tomava naturalmente as melhores decisões para todos e agora era a vez dele de seguir o exemplo de Bardock. Tinha tempo que eles haviam deixado de ser uma família 100% tradicional e ele sabia disso, mas insistia em tomar as rédeas de tudo porque gostava do controle e acreditava que assim mantinha-se fiel à memória de seu pai, mas ele agora não tinha certeza se o pai apoiaria o casamento de Bulma com Yamcha. Ele não tinha mais argumentos e, para completar, de repente seus olhos encontraram os enormes olhos claros de Tights, que o encaravam com uma expressão que ele não conseguia decifra. Ele tornou a olhar para Bulma. A vida inteira ele a protegera com unhas e dentes, mas agora era a hora de entender que ela tinha tomado a sua decisão. Ele encarou Vegeta e disse:
– Faça minha irmã feliz.
Bulma se adiantou e o abraçou, e ele fechou os olhos. O irmão e a mãe se juntaram ao abraço e então, ele disse:
– Vá. Eu terei que ver o que faço quando o cortejo do Yamcha chegar...
Vegeta pegou Bulma pela mão e eles passaram pelo meio dos amigos e da família que os haviam cercado. Bulma levava a pequena "maleta da noiva" uma tradição de casamentos em que a noiva saía para sua nova casa com algumas mudas de roupas, para simbolizar a vida nova junto à família do marido. O casal entrou na Ferrari, que saiu cantando pneus sob o aplauso dos amigos e da família e os olhares confusos dos funcionários da casa de casamento, que não entenderam absolutamente nada.
– Para onde vamos? – perguntou Bulma.
– Templo de Hanuman, em Juhu. E depois, para nossa nova casa.
Bulma sorriu. Era a noiva mais feliz do mundo naquele momento.
Na calçada, no entanto, Tarble deu um suspiro e disse com um muxoxo, olhando para o carro se afastando:
– É romântico e tudo mais... mas bem que queria um casamento de verdade hoje.
– Se eles tentassem casar aqui iam acabar presos – disse Raaja – aliás, acho que vamos precisar de um advogado... aquela doida da Hime processa todo mundo.
– Ah – disse Goku, com um sorriso – com essa parte vocês não se preocupem. Tudo vai ser resolvido!
Ele olhou e relógio e chamou o irmão num canto. Não era verdade que naquele dia, naquela casa, não aconteceria um casamento.
O cortejo com a família de Yamcha não poderia ter partido de Navi Mumbai por causa da ideia megalômana de Hime de trazer o filho montado em nada mais nada menos que um elefante. O enorme animal, decorado com uma pintura colorida, vinha caminhando no seu passo gingado pela rua que levava à casa de casamentos, com Yamcha suando em bicas, sentado no palanquim colocado no topo das costas do animal, o turbante dourado e os botões da túnica reluzindo ao sol do meio dia enquanto passantes saudavam o noivo, sorrindo, às vezes percebendo que se tratava de uma celebridade de Bollywood.
Atrás do elefante vinha uma fila com mais ou menos dez carros e vans, com todos os convidados do noivo. No primeiro deles, uma limusine, sentada no banco de trás, Hime olhava impaciente para a rua, querendo chegar logo e acabar com aquilo, dando fim às suas aflições de mãe que tinham começado ainda quando Yamcha era um adolescente.
Yamcha não sorria. Não era um noivo feliz, não parecia se importar em ostentar o símbolo de opulência e riqueza que era aquele cortejo. Na verdade, seus pensamentos estavam em outro lugar, tentando apenas ir adiante e suportar o que estava pela frente. Ele sabia que tudo na vida tinha um preço, e aquele casamento era o preço que ele imaginava que pagaria pelo fim do inferno que era sua mãe vigiando-o e pressionando-o para que ele assumisse um papel de homem indiano e seguisse as tradições de família.
Do alto do elefante não era possível para Yamcha ver um homem que não sorria observando o cortejo, escondido num bar no meio do caminho. O certo seria que ele estivesse como convidado, afinal, havia a fachada de "grande amigos", mas Piccolo até o último minuto tentara fazer com que ele desistisse de fazer parte naquela farsa, dizendo a ele que mesmo que jamais pudessem assumir o que tinham em Bollywood, não seria impossível fugir dali e começar uma nova vida nos Estados Unidos, onde tantas vezes haviam vivido quase despreocupadamente seu amor e sua relação.
No caminho, um ou outro paparazzo tentava tirar fotos boas do cortejo, sabendo que no dia seguinte não seria difícil vender para algum dos sites de fofoca sempre de plantão atrás de qualquer notícia sobre celebridades. De repente, porém, a cerca de cem metros do portão de entrada da casa de casamentos, uma pessoa entrou no caminho abrindo os braços e dizendo:
– Ôooo! Ôooo! Para o elefante aí, por favor!
O elefante, que na verdade era conduzido de baixo, por dois homens que vinham segurando cordas ao lado do animal, estacou subitamente e o noivo olhou para o chão, estranhando ao ver Goku, que acenava para o cortejo e então disse:
– Foi mal aí, Yamcha... mas minha bahaan desistiu de casar contigo.
Logo atrás de Goku, Raditz observava o irmão, de braços cruzados e sério. Em cima do elefante, Yamcha franziu a testa e disse apenas:
– O quê?
Quando o cortejo parou, Hime olhou para fora e percebeu que ainda não estavam diante da casa de casamentos e por isso, abriu a janela. Ela ouviu então a voz do irmão da noiva dizendo:
– Então, é isso, ela se apaixonou pelo Vegeta... e aí foi casar com ele.
– O QUÊ! – a mulher saiu furiosa de dentro da limusine, a duppata do sári de seda bordada esvoaçando loucamente quando ela correu até a frente do elefante e gritou – o que você está dizendo, seu moleque?
– Calma, senhora Hime – disse Goku, num gesto apaziguador – eu sei que é meio chocante, mas a senhora não acha isso melhor do que um casamento que não dê mesmo certo e acabe em divórcio? A senhora é rica, normalmente os ricos odeiam divórcios!
– Eu vou processar aquela vadiazinha de cabelo azul por humilhar meu filho! – ela gritou – ou ela se casa ou vai presa! Ela assinou um compromisso!
– Desde 1999 compromissos pré-matrimoniais não têm valor legal – disse Raditz, secamente. – Ela foi embora justamente para que a senhora não pudesse chamar a polícia para tentar obriga-la a casar. Aliás, a essa hora nem sabemos se já está casada.
A mulher parecia histérica e irritada, o que contrastava com a atitude do filho: Yamcha, do alto do elefante, parecia reflexivo e quieto. Foi quando Goku disse:
– Mas a senhora não precisa ficar tão zangada. Eu tenho a solução para tudo. Quero comprar o casamento.
Hime olhou para ele, atônita. Ela piscou inúmeras vezes antes de dizer:
– O quê?
– O que a senhora ouviu. Eu compro esse casamento: o buffet, a cerimônia, os três trajes de noiva... teve joias também, não? Claro que a senhora tem a opção de leva-las porque joias são algo meio pessoal, mas creio que elas ficariam muito lindas... na minha noiva.
– Noiva? Que história é essa?
– Então, eu e Chichi até queríamos todo aquele processo de Chunni, sanjeer, varsha e tudo mais... mas já que apareceu um casamento assim, prontinho, por que não? A senhora acha que um crore paga tudo? Quer dizer, tudo menos o elefante, não tô muito a fim de chegar nele no casamento não.
– Lógico que 1 crore é um ótimo preço! – ecoou Raditz, sério.
– Por que eu venderia esse casamento? – disse a mulher, zangada – eu vou é processar sua família, e dar entrevistas para acabar com a carreira daquela atrizinha ridícula e conversar com Sanjay Dutt para que o expulse da SFL, seu abusado...
– Não, a senhora não vai! – bradou Yamcha, jogando a escada de corda para baixo, para descer do elefante. – a senhora não vai prejudicar a Bulma ou a família dela!
– Ela te abandona e você ainda a defende, Yamcha? Que espécie de filho acha que eu criei?
– Um filho angustiado e chantageado que finalmente percebeu que não é obrigado a aturar suas loucuras. – ele olhou para Goku – o casamento não vale um crore. Ela conseguiu descontos em tudo.
– Além de tudo, estou sendo traída pelo meu próprio filho! Yamcha, sabe o quanto eu investi para que esse casamento te ajudasse e...
– Sim, eu sei. E eu sei que não era o que eu queria, nunca foi. E por todo esse tempo eu me senti mal. – ele olhou para Goku e disse – me alivia saber que Bulma não me ama. É um sinal dos deuses, pelo jeito... peça um milhão de desculpas a ela por mim, Goku! Eu estava me casando pela herança, pela carreira, por tudo, menos por amor, porque meu coração pertence a outra pessoa.
– Eita – disse Goku – mas um crore paga tudo ou não?
Nesse momento, Yamcha viu Piccolo, que saiu de dentro do bar onde observara a cena toda. Os dois sorriram um para o outro e Yamcha tirou o turbante dourado, entregando-o a Goku, dizendo:
– Negocie com ela. Mas não aceite que ela pise em você. – ele olhou para a mãe e disse – maan, sua tirania acaba aqui. Não mais escândalos abafados, ou chantagens por causa do que me aconteceu quando eu tinha 20 anos. Eu deveria ter assumido quem eu era ali, em vez de tentar mil vezes corresponder ao que você queria para mim. Eu vou embora, vou procurar a felicidade onde ela realmente está!
– Yamcha! Eles vão massacrar sua reputação! Vão te chamar de nomes horríveis e...
O rapaz já ia andando na direção do amado, que o esperava de braços abertos, mas se voltou e disse:
– Maan... eu já não me importo. Ninguém pode me massacrar mais do que a senhora fez por todos esses anos!
Ele correu e os repórteres e paparazzi que observaram a cena tiveram a oportunidade de fotografar, ao vivo, um abraço do primeiro casal gay assumido de Bollywood. Hime queria gritar de ódio, mas foi interrompida por Raditz, que disse:
– Posso transferir online um crore para a senhora? É pegar ou largar.
– Transfere, então – disse Hime, bufando de ódio. – pode levar tudo!
– Tudo não – disse Goku, ajeitando o turbante dourado de noivo na cabeça – o elefante eu dispenso, muito estranho chegar pra casar nesse bicho!
Vegeta às vezes desviava o olhar para Bulma, cujas jóias brilhavam ao sol do meio-dia conforme eles avançavam pelas ruas de Mumbai em direção ao templo de Hannuman em Juhu. Quando os olhos dos dois se encontravam eles riam como bobos, mas até pareciam faltar palavras para descrever a felicidade que a loucura que estavam fazendo proporcionava. De repente, ele disse:
– Eu não sei o que aconteceria se você me dissesse não.
– Porque você sabia que eu não diria! – ela riu – Vegeta... eu acho que eu fugiria mesmo que você não tivesse ido me buscar.
– Agora isso não importa. Vamos nos casar.
– Você tem certeza que vamos conseguir um sacerdote que se disponha a a nos casar assim, de repente?
– Minha mãe passou anos e anos doando muito dinheiro para o Asram daquele templo. Eu duvido que o sacerdote me diga não!
Logo eles paravam num templo não muito grande, dedicado ao deus macaco da mitologia hindu. O templo parecia, por fora uma loja, e, lá dentro, um sacerdote gorducho de óculos escuros pequenos e redondos conversava com um macaco, sentado perto de um altar:
– Senhor Bubbles... é preciso que o senhor coma a sua tigela de mingau...
O macaco fez um som irritado e ele disse:
– Não seja malcriado. Bananas estão em falta! Outros macacos adorariam ter um prato como esse que...
– Sacerdote Kaioh? – um aprendiz brâmane interrompeu o homem, que o olhou, curioso, dizendo:
– O que houve, Gregory? Ainda está cedo para as funções da tarde. Estou tentando fazer o senhor Bubbles comer!
– Mas ele não gosta de mingau de aveia!
– Shhh! Eu disse a ele que era cevada! Agora você arruinou mesmo tudo, rapaz... Mas o que você quer?
– Bom... tem um casal de noivos aí... querendo casamento.
– Ah, sim, sim... muitos querem. Vamos lá ver qual a data para eles...
– Não, senhor. Eles querem se casar agora.
– O quê?
– E tem mais uma coisa. É um casal de atores de Bollywood.
Em um segundo, o sacerdote estava disparando na direção da entrada do templo.
Eram quase duas da tarde quando Chichi e Goku foram postos sentados um diante do outro em frente a uma pira do fogo sagrado trazido do templo de Vishnu de Collaba, com um véu entre os dois. Lunch, que estava de convidada no casamento, ajudara na arrumação improvisada de Chichi, que incluíra um mehndi feito às pressas nas mãos e as joias compradas originalmente para Bulma e ela estava linda num sári dourado e vermelho rosado. Quase ao mesmo tempo, em Juhu, Vegeta e Bulma, auxiliados por Gregory, estavam sendo casados pelo sacerdote Kaioh, diante do fogo sagrado de Hannuman.
Eram dois vivahs, rituais de casamento, quase iguais em ritos e perfeitamente idênticos em termos de sentimento.
Tanto em Juhu como em Collaba, as duas noivas receberam do noivo uma cesta com frutas e açúcar, e ouviram deles a frase: "Nossa vida, que seja doce e próspera!" Então, ambas tremendo um pouco, receberam do ajudante do sacerdote um pote de iogurte com mel para entregar aos seus noivos e, pela primeira vez desde o início da cerimônia, puderam olhar nos olhos deles, quando ofereceram o pequeno pote:
– Eu te ofereço a doçura do meu coração! – disseram as duas, quase ao mesmo tempo, enquanto suas mãos tocavam as deles ao passar o pequeno símbolo de amor e harmonia. Os sacerdotes recitaram mantras e os dois casais colocaram guirlandas floridas um na cabeça do outro. Bulma tremeu um pouco, mas acabou sorrindo para Vegeta quando o viu coroado de flores. Já Chichi não conseguia parar de rir, porque a guirlanda não conseguia parar reta na cabeça de Goku.
Os dois rapazes então entregaram, cada um, um pote de arroz e trigo ao sacerdote, dizendo:
– Honrarei todos os meus compromissos.
Em Juhu, Gregory precisava simbolizar o pai, a mãe e toda família tanto de Bulma como de Vegeta, desdobrando-se em funções, mas em Collaba, foi Gine que deitou uma faca sobre um pote de água dizendo que aquele casamento seria calmo como a água daquele pote: jamais passaria por tormentas. Houve um certo burburinho quando Raaja Vegeta pegou uma colher da mesma água, jogou ao solo e olhou para Goku, dizendo:
– Jura que honrarás a minha filha, agora tua esposa?
E em Colaba como Juhu, Goku e Vegeta juraram pela honra de suas esposas. Logo depois, os dois casais, com as mãos unidas, jogaram grãos de arroz no fogo, dizendo juntos:
– Tomo tua mão em nome da felicidade. Que vivas uma vida muito longa e feliz comigo. As forças da natureza te deram a mim e me deram a ti. Tu és a terra, eu sou o céu. Casemos e tenhamos descendência. Que tenhamos muitos filhos e que eles vivam uma vida longa. Que possamos ver cem outonos juntos.
E ao fim do juramento, as vestes deles e delas foram atadas para que dessem os sete passos em volta do fogo sagrado:
– Um passo pelo nosso amor, dois passos para termos bons alimentos, três passos pela nossa força, quatro passos pela nossa felicidade, cinco passos pela prosperidade, seis passos pelos filhos que teremos, sete passos pela devoção. – eles disseram ao mesmo tempo enquanto caminhavam. Três voltas com elas à frente, três voltas com elas atrás e a última, lado a lado e então estava feito. Os dois casais estavam casados.
As danças começaram logo depois da cerimônia, em Collaba. Goku e Chichi dançaram de improviso e foi imediata a sintonia. Chichi escolheu a música, "Tujhe dekha toh" uma de suas favoritas, do filme "Dilwale Dulhania La Jayenge":
Querido, quando te vi descobri
Que amor é louco, querido
Agora, estou perdido de amor
E vou morrer em seus braços
Meus olhos, seus sonhos
Meu coração, suas memórias
Não importa: tudo é nosso.
Vivo e respiro por ti
Suas lágrimas queimam meus olhos
E sua alegria leva embora minha tristeza
Meu coração não liga
Para o que dizer ou fazer
Se você está por perto
Eu continuo olhando para você
Você ligou e eu vim
Não há promessa maior que o amor
Na última hora a festa havia lotado com pessoas que Goku havia chamado de improviso, e à porta da casa de casamentos repórteres se acotovelavam tentando entender tudo que estava acontecendo. Raditz estava um pouco enlouquecido porque decidira assumir a organização da festa e ver o que estava acontecendo com o Buffet, que tinha comidas e bebidas sofisticadas, algumas que ele estava até mesmo tentando entender.
– E isso é o quê?
– Um chaat desconstruído, senhor.
– Qual o problema do chaat construído? Só vejo comida espalhada num prato aí!
O chef o olhou ofendidíssimo e ele foi salvo pela mãe, que apareceu na cozinha de repente:
– O senhor sirva tudo do jeito que está, mas por favor, explique aos convidados!
Ele encarou Gine e disse:
– A senhora está parecendo muito feliz com essa loucura, maan.
– Quase – ela disse, sorrindo enigmática – falta apenas uma coisa, meu priy beta...
– O quê?
– Você ser feliz! – ela saiu para a festa, e Raditz viu com surpresa sua mãe fazendo o típico gesto de ombros do bangra conforme se juntava às pessoas que dançavam. Ele pôs as duas mãos nos bolsos e olhou em volta. Ainda havia muito a ser feito para organizar aquela festa.
– Vegeta! – gritava Goku ao telefone – vocês deveriam vir para a festa! Está tudo ótimo, tem comida para caramba! O quê? O casamento foi onde? Ah, Juhu não é assim tão longe, vai! Ok, não precisa ser malcriado. Dê um beijo na minha bahaan.
– O que ele disse? – perguntou Chichi, se aproximando dele no meio da dança.
– Que por nada do mundo ele viria aqui. Parece que ele já programou a festa dos dois...
Os dois se olharam e começaram a rir, então Goku sussurrou ao ouvido dela:
– E eu acho que ele também vai começar a estudar aquele seu livro famoso, mas junto com a Bulma...
– GOKU!
Gine dançava alegre, quando viu Raaja parado adiante, encarando-a com um meio sorriso nos lábios. Ela havia prometido que jamais falaria com ele, mas por mais que tivesse sentido raiva – e ela sentira – tudo havia se dissipado ao longo da cerimônia e simplesmente nem existia mais durante a festa. Em algum momento ela acabara sendo franca com Toma e dissera que ele era um bom homem, mas ela não podia aceitar sua corte, e naquele momento ela retribuiu o sorriso do pai de Vegeta e Chichi.
Logo ela saberia o que fazer com ele.
– Você é o cara mais legal que eu conheci na vida! – disse Tights, rindo com Tarble, que dançava com ela, já quando quase anoitecia.
– É agora que você diz "pena que é gay"?
– Não! – Tights riu – que ótimo que é! Assim posso ser sua amiga e ninguém vai ficar "shippando" a gente!
– Ai, céus, você consegue ser ainda mais perfeita que a Bulminha. Como estou feliz que estamos mais ou menos na mesma família!
– Você vai me explicar então todas essas coisas que eu não entendo para eu parar de passar vergonha?
– Com o maior prazer, contanto que você me receba naquela sua magnífica mansão quando eu viajar para Londres!
– Com chá e biscoitos! Mas não é uma mansão. Moro num sobradinho perto do Tâmisa!
– Lovely! – gritou Tarble.
De repente, Tights virou-se e viu Raditz. Ele tinha saído de dentro da mansão e agora dava instruções para alguns garçons que serviam drinks aos convidados. Os dois encararam-se, sérios. Ela então virou-se, ainda tentando imitar os passos de dança de Tarble, e arrastou o novo amigo para longe. O irmão de Vegeta deu uma olhada para trás e disse a ela:
– Qual é o seu barato com o Mr. Rúpias?
– Como você o chamou? – ela riu.
– O irmão do Goku que não ri. O que você e ele...
– Não é verdade que ele não ri – disse Tights, corando.
– Mentira! – Tarble olhou para trás, vendo Raditz virando as costas e voltando para alguma função da organização da festa. – e ele e você...?
Tights balançou a cabeça e disse:
– Mas foi um erro. Ele não é quem eu pensava que fosse.
Tarble olhou para a jovem inglesa com um sorriso e disse:
– Olha... não sei, mas parece um erro que você adoraria repetir...
– Never! – ela disse, fechando a cara e mudando de assunto.
As pessoas que tiveram a sorte de comparecer àquela festa diriam por muito tempo que foi provavelmente o casamento mais divertido de todos os tempos. A comida no fim acabou realmente se provando deliciosa, por mais "desconstruída" que fosse, e além disso, as danças, as músicas e a alegria tinham se espalhado pelos presentes como se tudo tivesse conspirado para que todos se sentissem felizes.
Goku e Chichi dançaram, foram celebrados, e sorriram muito. Durante o banquete, ele fez como um bom noivo indiano e deu a ela toda atenção, e quando o enorme bolo (um pouco cafona, porque tinha sido originalmente escolhido por Hime) foi partido, ele celebrou um brinde à felicidade deles, e então pôs um pedaço na boca de Chichi, que corou e riu. Foi quando ele viu o irmão.
Raditz estava parado, de braços cruzados, no limite entre o toldo e o jardim, com um sorriso sereno no rosto, finalmente apreciando a felicidade e a alegria com as quais o irmão vivia aquele momento. Tinha começado uma música nova, "Nagada" (colorido), do filme "Jab We met". Goku sorriu para Chichi e levantou-se da mesa, dizendo a ela:
– Tenho uma missão!
Como quem não queria nada, ele começou a dançar, e Chichi viu para onde ele olhava e sorriu. Goku e Raditz ainda não tinham tido a oportunidade real de se reconciliarem depois de dias tão complicados em que tinham dito coisas tão terríveis um para o outro. Ele agora olhava para o irmão, rindo e Raditz fez uma cara de pânico quando Goku brotou ao lado dele, empurrando-o para a pista de dança ao som dos versos:
Oh ... tão colorida!
Vestindo roupas coloridas
Essa garota brincalhona
Seus olhos volúveis são adagas
Sua beleza se tornou sua arma
Quando ela aparece, eles caem fulminados
Então todos comentam:
Que quando soa o tambor
Ela tem a atenção de todos!
Raditz nunca dançava, não era o feitio dele, sempre tão sério. Mas Goku o puxou e cantando em volta dele, batendo palmas, aos poucos, fez com que o irmão passasse do riso à gargalhada e dessa para a dança. Logo, os dois haviam ido dançando até a mesa do bolo e puxaram Chichi, e ali, naquele dia de verão em que milagrosamente, mesmo sendo época de monções, a tarde passara livre de qualquer tipo de chuva e agora uma brisa fresca trazia o anoitecer, pela primeira vez em sua vida, rindo e dançando com o irmão, Raditz sentiu-se livre.
Sim, ele podia ser feliz como o irmão, mesmo que tivesse obrigações. E ele sabia agora que não pediria à mãe que arrumasse para ele casamento nenhum. Seus olhos procuraram em volta, caçando o rosto lindo e os cabelos louros dela. A mulher que agora tinha seu coração.
Ele a viu, parada, no limite do jardim. Ia andar até ela quando percebeu que ela estava esperando apenas um carro, um táxi, porque estava indo embora. Seu primeiro impulso foi correr, mas ela foi bem mais rápida. Não houve sequer tempo de pedir que ficasse. Ela entrou no carro e pediu ao motorista que desse partida, deixando-o ali, em silêncio e com um milhão de coisas a serem ditas.
Raditz ficou ali, sério e mudo até que o irmão apareceu do lado dele e disse:
– Não se preocupe. Apenas confie.
Raditz sorriu. Voltou com o irmão para a festa, mas a dança não teve mais a mesma alegria e nem o bolo o mesmo sabor. Ele ainda precisava aprender a confiar.
Enquanto isso, depois de uma tarde em que os dois almoçaram num restaurante muito refinado e Vegeta a tratou como uma princesa. Bulma saía da Ferrari dele diante da mansão à beira da praia em Juhu, olhando espantada para toda aquela imponência. Ela segurava nervosa a pequena mala com suas roupas e tremia um pouco quando perguntou:
– Que lugar é esse, Vegeta?
– Aqui é a sua nova casa. Nossa casa.
Ele passou a mão pelos ombros dela e delicadamente a conduziu pelos degraus rumo à sua nova vida. Não tinha sido um casamento planejado, mas certamente, aquela era uma união escolhida pelos deuses.
Notas:
Fiz o máximo possível para retratar o vivah, a cerimônia de casamento, de forma respeitosa, porém sucinta, porque é uma cerimônia que varia de acordo com região, com a subcultura e os subcultos e que costuma ser longa e ter a participação das duas famílias. Como muitos povos orientais, os indianos acreditam que casamentos são a união de duas famílias, o único momento apenas dos noivos é mesmo o saptapadi (sete passos) que também pode variar de rito para rito.
Então, o grande plano do Goku era comprar o casamento, e convenhamos, foi um momento brilhante da parte dele: evitou os tediosos preparativos para ele e Chichi e salvou Bulma de um escândalo enorme e de um processo. Conforme o relatado, até alguns anos atrás, era possível até mesmo prender familiares de uma noiva que não cumprisse um acordo e não casasse, embora o mesmo não fosse exigido do noivo. Machismo, sim, sem dúvida nenhuma.
Falando em escândalo... eu não queria em momento algum retratar o Yamcha como uma pessoa de caráter ruim. É extremamente comum na Índia homossexuais casarem-se para cumprir o compromisso de família, ainda mais porque apenas em 2018 a criminalização da homossexualidade foi banida da Índia, e ele tem, como sabemos, uma mãe terrível. Eu quis que esse capítulo fosse uma celebração ao amor verdadeiro, a exemplo de alguns filmes que inspiraram esta história. Por isso os casais verdadeiramente apaixonados ficaram juntos.
Menos Raditz e Tights. Acho que é um belo castigo para o moço. Raaja e Gine também podem ter seu momento, mas isso depende dos humores da nossa viúva favorita.
Nagada Nagada, música de Jab We Met, é bastante conhecida no Brasil por ter sido parte da trilha sonora da novela "Caminho das Índias". O filme, com Kareena Kapoor e Shahid Kapoor (primos em segundo grau e namorados na época) fez um imenso sucesso. Mas Shahid e Kareena não foram casal por muito tempo. Ela casou com Saif Ali Khan e ele com uma noiva escolhida pela família, porque ainda existem casamentos arranjados na Índia!
Rab ne bana di Jodi é uma comédia romântica farsesca deliciosa de se assistir: o tímido contador Suhinder (Sharuk Khan) acaba casado com Taani (Anuskha Sharma), a filha do seu falecido professor por uma série de circunstâncias, entre elas o falecimento num acidente do noivo escolhido para a moça, mas, achando ser uma pessoa desinteressante, pede a ajuda ao seu amigo meio doido, Bobby (Vinay Patak, impagável), um cabeleireiro que o transforma em "Raj Kapoor" um aspirante a dançarino que tenta conquistar a moça que, ao mesmo tempo, começa a ver méritos no seu tímido marido, mesmo que ele seja uma pessoa muito diferente dela. O filme acabou sendo um sucesso, mesmo sendo prejudicado pelo fato de ter sido lançado poucos dias depois dos fatídicos atentados terroristas em Mumbai, no ano de 2008. Foi o filme de estreia de Anuskha Sharma, que depois repetiu a parceria com Sharukh Khan em "Jab Harry met Sejal", que não teve o mesmo êxito, no ano de 2018.
No próximo capítulo, finalmente a noite de núpcias de Bulma e Vegeta...
