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O baile do Ministério foi inundado por luzes de fadas brilhantes. Um quarteto de cordas tocava em um pequeno palco, a música estava alta o suficiente para ser apreciada, mas não tanto a ponto de atrapalhar a conversa. Os mais poderosos e influentes do mundo bruxo da Grã-Bretanha estavam reunidos ali essa noite. Bruxos e bruxas bem vestidos se misturavam com os funcionários do Ministério, flertando e cortejando, consciente ou inconscientemente, o poder que o Ministério exercia sobre eles.

Foi uma exibição linda e encantadora. Para o homem conhecido como Devrom Dollort, a sala cheirava a decomposição e podridão. A exibição cintilante escondia apenas corrupção, uma massa fervente de pus sob tudo o que era puro e bom. Isso minou e destruiu tudo o que o mundo bruxo poderia ser - deveria ser - e como qualquer cirurgião, ele eliminaria a infecção de seu meio.

Era um futuro tão poderoso, e só ele era forte o suficiente, poderoso o suficiente para inaugurar a nova era de ouro do poder bruxo. De seu lugar um pouco atrás do Ministro da Magia, ele inspecionou a cena e observou os casais na pista de dança girarem juntos e separados no tempo da música. Seria um futuro glorioso.

Todos os seus planos estavam dando certo. Este seria o culminar de tudo pelo que ele trabalhou. Os contratempos que suportou não seriam nada quando reivindicasse sua vitória final. Quando a pressão na sala mudou sutilmente, Voldemort sorriu. Estava começando. Ele nem mesmo precisou do aceno rápido de confirmação da adorável Bellatrix para saber que a Ordem da Fênix havia derrubado as proteções de aparatação que cercavam as imediações do Ministério. Eles estavam vindo. Este era o final glorioso para todos os seus esforços.

Depois dessa noite, e da derrota de Dumbledore e de seu pirralho fantoche Potter, ele tomaria seu devido lugar como governante do mundo bruxo da Grã-Bretanha. Ele eliminaria o coração fraco e doente do mundo bruxo, deixando apenas o forte. Ele colocaria os nascidos -trouxas em seu devido lugar, aos pés dos sangues-puros. Então . . . então começaria o trabalho real. Europa, Ásia, Américas, todos eles se curvariam a ele ao seu tempo. Os enclaves bruxos mais antigos, ele sabia, durariam mais tempo - Egito, Oriente Médio e as sociedades africanas. Mas, então, seria tarde demais e eles estariam em menor número para ficar contra ele por muito tempo. E quando todos os bruxos estivessem sob seu comando, os próprios trouxas cairiam de joelhos.

Quando Dumbledore apareceu no meio da sala, Devrom Dollort abandonou sua postura mansa e despretensiosa que havia assumido atrás do Ministro da Magia. Agora, ele se adiantara corajosamente para ficar na beira do estrado que abrigava os oficiais do Ministério de alta patente. Afinal, era adequado dar as boas-vindas aos convidados mais esperados.

- Albus Dumbledore. - Seu olhar mudou para a direita e ele se curvou ligeiramente. - E a sempre leal e estimável, Minerva McGonagall. - Os olhos dele demoraram-se na faixa de tartan enrolada no peito e nas vestes com kilt, mantidas no lugar por um largo cinto de couro. - Vejo que você veio vestida para a batalha.

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Albus deu um passo à frente, ignorando os estalos da aparatação ao seu redor, enquanto o resto da Ordem o seguia, assim como os suspiros e sons de consternação dos participantes da festa que não entendiam o que estava acontecendo. Houve vários gritos de "Dumbledore" ou "Ministro". Ele ouviu algumas pessoas mencionarem "O Menino Que Sobreviveu" quando Harry apareceu. Ele até ignorou a maldição murmurada atrás dele por Minerva na saudação de Tom.

- O tempo dos jogos de sombras acabou, Tom. - Ele estendeu as mãos para a multidão agora curiosa, lançando sua voz de forma que mesmo aqueles no canto mais distante da sala pudessem ouvir. - Essas boas pessoas merecem saber a verdade. Não existe Devrom Dollort. - Suspiros da multidão corresponderam a este pronunciamento. - Diga a eles quem você é. Ou você prefere que eu diga a eles? Que você é Tom Marvolo Riddle, o filho de Merope Gaunt, bruxa, e Tom Riddle, um trouxa.

Voldemort estava de pé, seu rosto vermelho de raiva.

- Mentiras! Tom Riddle era um fracote patético. Eu não sou Tom Riddle. Eu NUNCA fui Tom Riddle. Nunca foi meu destino ser restrito a essa pequena vida mundana. - Seu rosto se contorceu em um rosnado. - Você quer saber quem eu sou?

Pressionando sua varinha no braço repentinamente exposto do homem ao lado dele, Voldemort derramou a última das miragens que o escondiam.

- Eu sou LORDE VOLDEMORT. - Sua voz se elevou acima dos suspiros de horror e gritos de medo da multidão. - Venham até mim, meus mais leais Comensais da Morte. - Então, erguendo a varinha acima da cabeça, ele lançou o Morsmordre sobre a reunião. A energia verde do feitiço disparou para o teto abobadado do salão de baile, mas como não fora feito para um ambiente fechado, alcançando o teto o feitiço estourou, fazendo chover uma névoa verde doentia que deixou o outrora brilhante salão de baile escuro e assustador. Enquanto os festeiros se espalhavam, Voldemort ria. - Agora, - ele comandou. - Todos os que me reconhecem, tragam-me meus inimigos.

Bruxos e bruxas assustados assistiam em descrença atordoada enquanto amigos e vizinhos, pessoas que eles pensavam que conheciam bem, puxavam suas varinhas em meio a gritos de "Lorde Voldemort".

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Neville não tinha certeza de como ele acabou no canto mais distante do salão com Nagini. Ele se ofereceu para rastrear os Lestranges. Enquanto Dumbledore e Voldemort falavam, ele viu Bellatrix Lestrange no fundo da multidão e partiu na direção dela. Então Voldemort liberou o Morsmordre, e ele a perdeu entre as pessoas que gritavam e se amontoavam, enquanto os restos dispersos do feitiço cobriam a sala. Agora ele havia perdido Harry e Ron de vista. Tropeçou um pouco, e tinha quase certeza de que tinha visto sua avó, e ela o viu - e ele não teria nenhuma explicação para dar mais tarde - e ele obviamente tomou o caminho contrário porque todos estavam DO OUTRO LADO e ele estava ALI.

Com Nagini.

Ele deu um passo para trás.

- Bela cobra.

Ele deu mais um passo, seus olhos correndo ao redor por ajuda, qualquer ajuda. A fumaça ainda flutuava ao longo do chão e grudavam nas paredes, obscurecendo muito do que estava acontecendo no corredor. Nenhuma ajuda parecia estar chegando.

Nagini deslizou mais para frente, os músculos de seu enorme corpo se contraíram de uma forma hipnotizante.

Ele apontou sua varinha para ela.

- Estou avisando. Fique longe.

Não que algum de seus últimos três feitiços tivesse feito algo para atrasá-la. O respingo de cores brilhantes dos feitiços apenas escorregou por suas escamas lisas. Sua enorme boca se abriu, expondo presas do tamanho da mão de Neville. Obviamente, ela não achava que ele era uma ameaça. Se as cobras podiam rir, Neville tinha certeza de que ela estava rindo dele. Ela deslizou mais para perto.

Ao seu lado, obscurecido por uma nuvem de fumaça, os gritos pararam e um silêncio ameaçador caiu sobre a sala. Nesse silêncio, Neville ouviu Voldemort chamar o nome de Harry. Ele não foi capaz de ouvir a resposta de Harry. Então sua atenção estava de volta em Nagini enquanto ela disparava para frente.

Enquanto Neville cambaleava para trás, fora de seu alcance, seu calcanhar prendeu-se e ele caiu, as vestes enroscando-se em suas pernas.

- Ooophf.

Metal implacável cravado em suas costas. A Espada da Gryffindor. Ele tinha se esquecido disso.

Nagini se moveu dentro do alcance do ataque. Em pânico, Neville rolou, tentando se levantar, tentando libertar a espada de sua posição desajeitadamente amarrada.

Ele não ia conseguir.

Às suas costas, Neville podia ouvir cantos e se perguntou se os anjos estavam vindo atrás dele mais cedo.

E lá estava Lil 'Sev, deitado no chão de mármore, olhando de maneira reprovadora para Neville. Ele sabia que Sev devia ter caído de seu bolso enquanto estava se debatendo, mas os olhos escuros de Sev estavam fitando-o diretamente, e Neville podia ouvir a voz mordaz do Mestre de Poções. Idiota! Você só vai ficar aí deitado e ser comido?

Ele ficaria?

Nagini se levantou em todo seu comprimento, boca aberta e presas à mostra enquanto se preparava para atacar.

Ela mergulhou para frente.

Com a varinha ainda presa por dois dedos, Neville agarrou Lil'Sev e o jogou na boca aberta de Nagini.

- Engorgio!

A cobra gigante mordeu reflexivamente, seu pesado corpo batendo com tanta força no chão que Neville podia sentir a vibração de onde estava deitado.

- Engorgio. - Ele lançou outro feitiço em Lil 'Sev e observou enquanto a boneca crescia do tamanho de um homem, seu corpo preenchendo as mandíbulas da cobra.

Enquanto Nagini lutava para se livrar do boneco, Neville finalmente se levantou e puxou a espada de sua bainha. Com ambas as mãos, ele balançou a espada, e com um único golpe cortou a cabeça da grande cobra, a força de seu golpe cravando a espada mágica nos pedaços de mármore abaixo de Nagini. Afundando no chão, seu corpo tremendo de adrenalina, Neville pensou ter ouvido um grito atrás dele, mas não tinha certeza sobre o rugido com seu próprio sangue batendo em seus ouvidos.

Respirando profundamente, Neville percebeu que realmente havia canto. Alguém, vários alguéns, estavam cantando. Agarrando o rubi cintilante no punho da espada, Neville se ergueu e seguiu a música.

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Albus observou Bellatrix, com os olhos brilhando de loucura, avançar sobre ele. A mulher estava indo em direção a Harry, e Albus não podia permitir que Bellatrix distraísse Harry de sua missão.

- Oh, srta. Black, o mundo não tem sido bom para você.

Ela rosnou, quase selvagem em sua loucura, enquanto lançava outro feitiço nele à medida que avançava.

- Meu nome é Lestrange, - ela sibilou.

Albus facilmente desviou de seu feitiço, levando-a para o lado, longe da multidão.

- Para mim, você sempre será aquela garotinha doce que conheci em Hogwarts. O que aconteceu com ela, Bellatrix? O que aconteceu com aquela criança confiante e amorosa?

- Eu confio e amo meu Mestre.

- Ele não vai te amar de volta, minha querida. Ele não pode. Você não vê? Não tem que chegar a esse ponto. Rompa seus laços com ele.

- Você não sabe de nada, - ela gritou, lançando outro feitiço. - Meu Mestre é tudo. Através de mim, ele prevalecerá. Ele-

Ela estremeceu, sua varinha caindo repentinamente dos dedos frouxos. Com os olhos arregalados, virou a cabeça, procurando seus companheiros Comensais da Morte, vendo muitos deles caírem.

- Não! - Ela gritou. - Não! - Ela cambaleou para frente, apenas para ficar de joelhos na frente de Albus. - O que você fez, velho? - Ela estava lutando contra o feitiço, tentando se livrar de seu domínio.

Ele estendeu a mão para ela, segurando-a de pé.

- Sinto muito, Bellatrix.

Ofegante, ela lutou para manter os olhos abertos. Agarrando as vestes dele, ela deixou seu peso puxá-los para o chão.

- Odeio você, - ela grunhiu, mesmo enquanto suas pálpebras tremiam. - Odeio ... - A mão direita dela, a mão da varinha, soltou o manto dele para deitar sobre o peito em cima do coração.

- Para meu Mestre, - ela sibilou. – Avada Kedavra.

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Arrosa viu Bellatrix Lestrange puxar Albus para baixo. O medo a invadiu quando nenhum dos dois se moveu ao atingir o chão. Merlin, maldito seja velho, se você... Ela não concluiu o pensamento enquanto se esquivava entre os duelistas e as luzes coloridas piscantes de feitiços para cair de joelhos ao lado dos dois corpos caídos.

Virando Albus, ela passou sua varinha sobre ele e a mulher Lestrange. Morto. Os dois estavam mortos, Albus com um olhar pacífico em seu rosto enquanto a mulher Lestrange usava uma careta congelada de ódio.

- Velha cabra teimosa, - ela murmurou, enquanto fechava os olhos de um de seus amigos mais antigos. Endurecendo o coração, sabendo que não poderia fazer nada ali, ela se levantou e lançou um feitiço em uma mulher que estava lutando contra a garota Weasley. Piscando para conter as lágrimas, partiu para o próximo membro da Ordem abatido, esperando que desta vez suas habilidades fossem necessárias.

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Fred e George estavam no ritmo da luta, disparando e ziguezagueando no meio da multidão. Eles foram designados para ajudar os membros da Ordem na luta contra os não-Comensais da Morte. Os sibilos bruxos dos Weasleys estavam sendo usados para confundir, distrair e marcar aqueles que lutavam por Voldemort até que os membros designados da Ordem pudessem derrubá-los. Os gêmeos eram o caos encarnado, e se deleitavam nisso.

Gritos, berros e ruídos inconfundíveis de duelos chamaram sua atenção. Percy e um dos membros da Ordem estavam lançando maldições desesperadas em Thorfin Rowle, que bloqueava seus esforços facilmente, com um sorriso divertido no rosto.

Fred e Jorge trocaram sorrisos perversos e correram para ajudar. Jatos de luz voaram em todas as direções, e um dos homens duelando com Rowle caiu agarrando-se em sua barriga, aparentemente com um desconforto terrível.

Fred e Jorge lançaram feitiços impressionantes, que Rowle desviou, mas foi o suficiente para distrair Rowle enquanto Percy arrastava o homem caído atrás dele pela pouca proteção que isso oferecia.

De repente, Rowle vacilou, balançando em seus pés. Seus olhos se arregalaram quando ele percebeu que algo estava errado. "O que você-" Ele balançou a cabeça, lutando contra o que Percy sabia ser o feitiço de Snape e Hermione.

Os lábios de Rowle se contraíram em um rosnado de raiva, e sua varinha lançou um feitiço não-verbal. Percy foi lançado para longe. Muito longe. Ele estava muito longe.

O próprio ar pareceu explodir. Percy sentiu-se erguido, voando pelo ar, quando a força do feitiço o atingiu. Ele só podia se enrolar com força e segurar sua varinha e esperar a queda. Ele caiu no chão com um estalo nauseante que ele sabia estar quebrando ossos. Abriu a boca para gritar apenas para ter o som roubado dele. Alguém estava gritando, um grito terrível que vinha de dentro, que expressava uma agonia de um tipo que nem fogo nem maldição poderiam causar, e ele se ajoelhou, ignorando o braço esquerdo inútil, ignorando tudo, exceto o som daquele terrível grito. Ele se levantou, cambaleando, mais assustado do que no dia em que vira as memórias de Snape na penseira, mais assustado, talvez, do que nunca em sua vida.

Ele foi jogado para o lado, para o lado onde Rowle estava.

- Não não não! - Alguém estava gritando. - Não! Fred! Não! - George de joelhos, sangue escorrendo pelo rosto, enquanto sacudia Fred, que estava imóvel no chão.

- George, - ele gritou. Ou pensou que ter gritado. Ele não sabia dizer sobre o lamento agudo de miséria vindo de George. Ele esperava que George se virasse e atacasse Rowle, mas George estava perdido para qualquer coisa, exceto seu irmão gêmeo. Ele não estava prestando atenção em Rowle, que estava apontando sua varinha para ele.

- Avada K–

- Não. - Erguendo sua própria varinha, Percy se colocou entre Rowle e seus irmãos. Para a surpresa de Percy, Rowle parou sua maldição. Sua cabeça inclinada, ele ignorou o caos ao redor deles enquanto estudava Percy como se nunca o tivesse visto antes.

- Percy Weasley.

Percy ergueu o queixo. Ensanguentado, espancado, mas ainda ele mesmo.

- Thorfinn Rowle, - ele murmurou.

Rowle riu em resposta, como se estivesse satisfeito com a audácia de Percy.

- Afaste-se, Percy.

- Eu não posso fazer isso.

- Percy, Percy.

Foi dito com um ar paternal tão zombeteiro que o estômago de Percy embrulhou. Como ele pode ter sido tão cego para não ver o que esse homem realmente era?

- Você sempre foi o mais inteligente dos Weasleys, Percy. Ambicioso. Um lutador. Os outros podem ter zombado e você, mas reconhecemos seus talentos imediatamente. Você sempre soube quem era o lado vencedor. Qualquer pequeno truque que você tentar, não funcionará. Fique ao meu lado. Não cometa um erro agora e jogue fora tudo o que podemos dar a você.

Percy inclinou a cabeça para indicar a sala ao redor deles, nunca tirando os olhos de Rowle.

- Você chama isso de vitória? É o caos. - Ele sufocou um soluço crescente. - Pessoas estão morrendo. – Já estão mortas, uma parte dele sussurrou em desespero.

A postura de Rowle relaxou.

- Mudar nunca é fácil. Algumas pessoas sempre resistem. Mas nós prevaleceremos, Percy. O Mundo Bruxo prevalecerá, NOSSO MUNDO tomará seu lugar de direito. Não vamos nos esconder entre os trouxas como ratos assustados. Nós somos os poderosos e nós tomaremos o que é nosso por direito.

- Mas não é seu.

Rowle continuou como se não tivesse ouvido as palavras de Percy, perdido em seu fanatismo justo.

- Junte-se a nós agora. Não tem que ser assim. Temos grandes e maravilhosos planos para o mundo. O Lorde das Trevas vai recompensá-lo grandemente. Qualquer coisa que você desejar pode ser seu. Pense nisso.

- Você está certo, - disse Percy. - Eu conheço o lado vencedor. - Percy abaixou a ponta da varinha, e o sorriso de Rowle cresceu mais largo em antecipação.

Graças às memórias da Penseira, Percy se lembrou das relações de Snape com os Comensais da Morte. Ele conhecia as torturas que Snape suportou. Ele sabia coisas que gostaria de ignorar. Mas acima de tudo, ele conhecia as maldições que Snape havia usado. Ele conhecia o som, a forma e a sensação das palavras em sua boca. Ele sabia o ódio necessário para gerá-los. Ele sabia o custo.

Percy caiu no chão como uma marionete cujas cordas foram cortadas.

- Avada Kedavra - A maldição de retorno assustada de Rowle voou inofensivamente sobre a cabeça de Percy no lugar onde ele estava.

Cerrando os dentes contra o estômago pesado, Percy rastejou até Rowle para se certificar de que o homem estava morto. Olhos arregalados olhavam sem ver o teto. Morto.

- Por Fred, - ele sussurrou para a concha vazia de Rowle. - Por meus pais. - Ele engoliu em seco. - Por quase me fazer acreditar.

Percy perdeu a batalha para seu estômago.

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Ron era bom em tática. Ele sempre foi. Ele também tinha um temperamento e uma tendência a ignorar seu próprio bom senso de tática e simplesmente entrar na briga sem pensar ou se importar. Este último ano jogando xadrez com Snape lhe ensinou uma coisa, ele precisava usar suas forças. A vida, ele descobriu, muitas vezes espelhava o tabuleiro de xadrez, se alguém tivesse olhos e paciência para ver os padrões.

Ele não ficou muito confortável com a extensão desse pensamento, pois uma vez que você entendia os padrões das pessoas ao seu redor, era apenas um passo fácil manipulá-los para mover-se através do tabuleiro da vida conforme os desejos dele. Era muito fácil começar a pensar que sabia o que era melhor e organizar as coisas de acordo.

Mas, agora ele precisava dessa mesma habilidade. Ele queria ficar ao lado de Harry, mas finalmente cedeu a posição a Ginny e esperava que sua irmã e melhor amigo ficassem seguros. Não era seu trabalho. O dele, junto com o de Kingsley Shacklebolt, era liderar a batalha; mover as peças pelo tabuleiro de xadrez dessa luta conforme necessário, mudando suas forças contra os apoiadores de Voldemort e dando a Harry o tempo que ele precisava.

Aparatando no Salão de Baile do Ministério, Ron quase riu. O chão, de mármore polido até brilhar sob as milhares de luzes bastante iluminadas que circundavam a sala, estava disposto em um enorme padrão xadrez preto e branco. Era xadrez, então. Acenando para Shacklebolt, Ron se afastou para assumir sua posição. Ignorando o que estava acontecendo entre o Diretor e Voldemort, Ron deliberadamente se afastou de Harry e sua irmã e se concentrou em sua tarefa e na mudança da paisagem do salão de baile.

Como esperado, a multidão havia mudado, insegura e confusa com o súbito aparecimento da Ordem em seu meio. Examinando a multidão, ele distinguiu vários de seus alvos e outros sobre os quais eles tinham suspeitas. Gesticulando para aqueles atribuídos a ele, os enviou em leque para encontrar seus alvos e se moverem para o lugar. Eles só tinham uma pequena janela de oportunidade para deixar todos prontos antes que Voldemort chamasse seus Comensais da Morte. Porque Voldemort chamaria os Comensais da Morte para se juntar a ele, e não que já não houvesse o suficiente deles espalhados pela multidão. Sem mencionar aqueles seguidores que não usavam marca, mas estavam seguindo simplesmente por lealdade ou ideologia.

Observando suas equipes partirem, cada uma para suas atribuições, ele sentiu uma sensação de orgulho e pavor. Suas instruções poderiam fazer com que qualquer um deles fosse morto e isso o aterrorizava. Mova as peças, ele pensou. Peças em um tabuleiro. Ele apontou um ponto de vista estratégico para a Professora Vector. Eles descobriram que ela não era uma duelista poderosa, mas tinha uma pontaria impecável. Ela cobriria a multidão em geral e pegaria combatentes à distância.

Ele viu Luna Lovegood disparar para a multidão atrás dos Goyle, seus alvos designados.

Um dos slyhterins deu a ele um aceno de cabeça enquanto assumia sua posição designada em uma das portas que conduziam ao prédio do Ministério. Não haveria como escapar deste lugar uma vez que Percy levantasse as proteções anti-aparatação, desde que tivessem as saídas cobertas.

Ele teve um vislumbre de um cabelo ruivo e pensou apenas em Ginny. Ginny era forte. Ela manteria a si mesma e a Harry seguros.

Então a atmosfera mudou, algo mais sentido do que ouvido. Com o coração começando a bater forte, ele olhou para o pequeno palco onde Voldemort estava, apenas sua cabeça visível para Ron a esta distância. Ele chegou bem a tempo de vê-lo proclamar sua identidade legítima e chamar seus fiéis a ele.

Por um breve momento, a aglomeração pareceu prender a respiração, e então o caos irrompeu quando um amigo se voltou contra o suposto amigo, e homens e mulheres com capuzes começaram a aparatar na sala. Faça isso agora, Hermione, ele pensou, pouco antes de lançar uma maldição em uma figura vestida de preto que apareceu na borda da multidão.

Ron soube imediatamente quando Hermione lançou seu feitiço assim que o Comensal da Morte à sua frente começou a balançar. Eles nunca souberam exatamente como o feitiço afetaria os Comensais da Morte. Essa pergunta foi respondida e então outro Comensal da Morte conhecido entrou em colapso. O feitiço estava se espalhando, passando de um para o outro, mas até Ron podia ver que estava perdendo força conforme se espalhava. Este foi o segundo pior cenário; o primeiro, é claro, seria se não funcionasse de jeito nenhum.

Isso tornava seu trabalho mais difícil, mas não impossível. Eles conversaram sobre isso. Planejado para isso. Dez jogadas à frente no jogo. Então, tudo se resumia a ler a mudança da multidão, mover pessoas e recursos onde eles eram necessários, tentando conduzir aqueles considerados do seu lado para o lado da luta e longe de seu povo.

Um grito chamou sua atenção para um grupo de duelistas. Colin estava caído, um toco sangrento retorcido onde antes estava sua mão direita. Agnes estava ajoelhada ao lado dele e literalmente cuspindo em Lucius Malfoy. Com uma maldição, Ron saiu correndo, mas não conseguiria. Muito tarde. Tarde demais, martelava seu cérebro a cada passo. Então, quando estava se aproximando deles, Malfoy vacilou antes de se ajoelhar. Foi com um pequeno sorriso de satisfação que ele viu Malfoy pai tombar quando a sra. Malfoy deu um grito curto e correu para o seu lado.

Colocando uma última explosão de velocidade, Ron deslizou pelo chão, agarrando Colin enquanto caminhava. Puxando o menino mais novo e mais leve, ele o empurrou para Agnes.

- Vá para as laterais, - ele gritou antes de se virar para enfrentar Draco Malfoy, que agora estava sobre o corpo de seu pai, sua varinha balançando de um lado para o outro em um movimento protetor. Ron esperou por outro batimento cardíaco para ver se Draco cairia.

Hum. Acho que Harry devia a ele cinco galeões, já que não parecia que o furão havia recebido a marca.

- Malfoy, largue sua varinha.

- Weasley, - ele rosnou.

- Me escute, Malfoy, é sua única chance. Largue sua varinha e seja um não combantente ou fique com ela e seja marcado como um dos seguidores de Voldemort.

Os olhos de Draco repletos correndo em pânico.

- O que você fez com meu pai?

- Ele não está ferido. Mas eu não posso garantir o mesmo para você ou sua mãe se você não largar a varinha.

- Você acha que eu vou acreditar em você?

- Você não tem escolha, Malfoy.

- Não. Confringo!

Ron lançou um Feitiço Escudo para bloquear o feitiço de Malfoy.

- Droga, Malfoy. Me escute.

- Expelliarmus!

O feitiço atingiu Ron em cheio, e ele caiu em um emaranhado desajeitado de braços e pernas, o impulso deslizando-o ao longo da superfície lisa do chão de mármore. Quando finalmente parou ele rolou para o lado e olhou para a varinha apontada para Draco Malfoy.

- Estupefaça. - A voz de uma mulher.

Ron olhou em choque enquanto Malfoy se enrijecia e então caía. Ron olhou para encontrar Narcissa Malfoy parada entre seu marido abatido e seu filho, a varinha frouxamente presa em sua mão. Alguns passos trêmulos a levaram até Draco, onde ela se abaixou para pegar sua varinha. Ela estendeu as varinhas dela e de Draco enquanto Ron ficava de pé. A cabeça loira erguida, ela declarou.

- Não somos combatentes.

Ron deu a ela um aceno trêmulo e a direcionou para uma pequena sala que eles designaram como um refúgio seguro para civis. Ron notou que mesmo quando Narcissa puxou Draco para se levantar, ela nunca olhou para o corpo atordoado de seu marido caído a alguns metros de distância.

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Hermione e Severus apareceram atrás de Voldemort, à sua esquerda. Havia um pequeno vestiário ali que fora designado para seu uso. Hermione ficou grata em ver que já havia sido trancado. Mills, barulhento, obstinado e rabugento, estava de guarda vigilante do lado de fora da porta em arco.

O tempo era essencial, foi apenas um aceno rápido de saudação que ela deu ao outro membro da Ordem quando eles entraram na sala mal iluminada.

Demorou apenas alguns segundos para Hermione se ajoelhar ao lado de Severus, que já estava estendido no chão, com a manga puxada até o cotovelo. Centrando-se, ela reuniu sua magia e começou o feitiço. Travesseiros. Era igual toda a prática com os travesseiros escuros.

Hermione sentiu sua magia se unir à de Severus. Ela quase esperava ouvir um clique quando eles conectaram. Quando os primeiros tentáculos de sua magia deslizaram para a Marca Negra, Severus enrijeceu. Ela queria olhar para ele, para se assegurar de que ele estava bem. Ela não podia, porém, não podia parar o feitiço agora.

Girar. Balançar. .

Ela passou pelas primeiras camadas do feitiço, indo para os estratos mais profundos da Marca Negra que possuía um toque oleoso, efêmero contra seus sentidos mágicos. Ela estremeceu de repulsa quando deslizou para baixo da última camada e tocou algo tão vil, tão escuro, que seu estômago embrulhou.

Este era o momento.

Ela queria dizer a Severus que o amava.

As palavras para o feitiço caíram de seus lábios.

Ela queria estender a mão para ele, mas ao invés disso, sua mão permaneceu firme em sua varinha.

Reunindo sua magia, Hermione canalizou o feitiço Atordoante que o Professor Flitwick havia criado direto para o coração da Marca Negra, direto para o nexo de magia que ligava todos os Comensais da Morte de Voldemort.

Quando o Feitiço de Atordoamento, deliberadamente criado para ser mais forte do que qualquer feitiço normal, foi lançado, Severus gritou.

Ela não conseguia parar, não podia traze a magia uma vez liberada. Severus se contorceu no chão, seu corpo arqueando enquanto o poder inundava seus caminhos mágicos, mergulhando direto na Marca Negra, e a magia ali lutou. Então ele se acalmou.

- Severus?

Quando ele não respondeu, ela o sacudiu.

- Severus?

Ele ainda estava.

- Não. Por favor, Severus, não.

A matriz brilhou diante de seus olhos. A linha de Severus se entrelaçou com a dela. A linha dele terminando, e apenas a dela emergindo do ponto de ligação da batalha.

Severus não estava respirando.

A curandeira Alvarez estava lá fora, ela sabia. Talvez. Mas, a magia o matou. Ela sentiu a sobrecarga, sentia como o Feitiço de Atordoamento queimou Severus, rasgando os pontos do chakra de uma forma que a magia nunca teve a intenção de fluir. Adicionar ainda mais magia agora ajudaria ou machucaria, mesmo que fosse magia de cura?

Ela não sabia e não havia tempo. Os trouxas, então. Sua mente estava frenética, procurando soluções, sabendo que cada segundo contava agora.

- Rink!

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Desde o dia em que Pauline Granger descobriu que sua filha era uma bruxa, ela soube que as coisas iam mudar. Sua visão do mundo havia mudado. Coisas que antes pertenceram ao reino dos contos de fadas - vampiros, gigantes, bruxas, tudo se tornou real. Ela ganhou um novo vocabulário e novos amigos. Em algum momento do segundo ano de Hermione em Hogwarts, Pauline perguntou a Hermione os nomes de alguns de seus colegas que, como ela, nasceram de pais não-mágicos. Com a ajuda de seu marido, Pauline iniciou um pequeno grupo de apoio para outros pais de crianças mágicas.

Era difícil para ela e para os outros pais ver seus preciosos filhos lentamente se afastando deles, para um mundo e uma cultura dos quais eles próprios não podiam participar. Mesmo assim, nenhum deles queria segurar seus filhos.

Quando ela recebeu o título de Matriarca da Linha da Casa dos Grangers, e três elfos foram colocados sob seus cuidados, ela ficou apavorada e emocionada. Ela estava apavorada porque, bem, ela estava sendo responsabilizada por outra espécie e emocionada porque isso a deixava entrar no mundo de sua filha de uma forma pequena, uma forma que de outra maneira ela não teria feito.

Então ela recebeu a carta confessional de Hermione. Ela sabia que sua filha não estava lhe contando tudo. Afinal, conversar e comparar notas e informações era exatamente o que o grupo de pais fazia. Mas ela realmente não sabia a extensão disso. Ela não sabia que sua filha tinha dado seu coração a Severus Snape, um homem de quem ela tinha ouvido falar repetidamente nas histórias de outros pais.

E esta noite, véspera de Ano Novo, sua filha iria para a guerra. Parecia completamente ridículo e ainda assim. . . Pauline olhou para a carta amassada na mesinha de centro e balançou a cabeça.

Ela puxou o robe mais apertado em volta da cintura e olhou novamente para o relógio. Estava acontecendo agora.

Com um estalo de som mais alto do que qualquer outro que ela tinha ouvido antes, Rink apareceu diante dela. As orelhas do elfo estavam apoiadas em seu crânio e seus olhos estavam cheios de terror.

- Hermio-

Ela não terminou sua palavra quando sua mão foi agarrada e puxada para outro lugar. Ela se encontrou em um vestiário de aparência comum com Hermione, que estava ajoelhada ao lado de um homem vestido de preto, olhos vermelhos e cheios de lágrimas.

- Mãe! Ele não está respirando.

Por um momento, Pauline se lembra: "Mãe, está quebrado." "Mãe. Eles riram de mim." "Mãe, por que sou diferente?" Mil vezes, de mil maneiras, sua filha tinha vindo a ela pedindo que consertasse o que estava quebrado.

- Eu-

- Por favor.

Certo. Como cirurgiã-dentista em uma clínica que lidava com anestesia, Pauline e seu marido Stewart precisaram ser certificados em RCP, mas ela nunca tivera que fazer isso, não fora da sala de aula.

- Sem batida.

Hermione fez um som com as palavras de Rink que rasgou seu coração.

Ela poderia fazer isso. Caindo de joelhos, inclinou a cabeça dele para trás, verificou as vias respiratórias e colocou as mãos na posição adequada

- Respire para ele quando eu contar, Hermione.

Ignorando todas as histórias de terror que tinha ouvido de RCP que deu errado - costelas quebradas, pulmões perfurados, danos internos ao coração - Pauline realizou sua primeira compressão.

Um. Dois. Três. Quatro. Cinco.

- Respire.

Comprimir.

Um. Dois. Três. Quatro. Cinco.

- Respire.

Mantendo a contagem em sua cabeça, ela mal ouviu a ladainha de súplicas de Hermione. "Por favor Severus. Não faça isso. Por favor."

Um. Dois. Três. Quatro. Cinco.

- Respire.

- Você fez tudo o que eles queriam. Você não tem que fazer isso.

Um. Dois. Três. Quatro. Cinco.

- Respire.

- Sev- a voz de Hermione falhou. - Por favor, - ela finalmente sussurrou.

Um. Dois. Três.

- Batida.

Seu primeiro pensamento foi que Rink estava adicionando suas próprias demandas de vida às de Hermione. Mas um rápido olhar para o elfo impediu sua próxima compressão. Rink estava inclinado para a frente, ambas as orelhas em forma de asa de morcego voltadas para baixo.

- Batida, - disse ele novamente.

- Vamos, - ela sussurrou. - Vamos. Respire.

O peito imóvel subiu uma pequena fração. Agarrando o ombro da filha, ela conseguiu sua atenção.

- Batida. - Rink estava olhando para ela com os olhos arregalados e louco até mesmo para elfo. Quando ele se curvou para ela, seu nariz longo e pontudo apenas tocou o chão. - Linha Matriarca.

Ela apenas pegou sua filha quando Hermione se jogou em seus braços.

- Obrigada. Obrigada, - ela soluçou. - Eu não... eu não... linha matriarca, - ela finalmente engasgou.

Piscando para conter suas próprias lágrimas, ela voltou a sua própria natureza prática.

- Hermione, ele precisa de atenção médica. E o que está acontecendo? Onde estamos? Quem é?

A cabeça de Hermione se ergueu quando o som de uma cantoria penetrou na pequena sala. Ela se inclinou e deu um beijo no homem em coma - Severus, Pauline estava supondo.

- Mãe, vou explicar, mas não posso, não agora. Tem que... ficar aqui com ele. Rink, não deixe ninguém entrar. Não deixe ninguém fazer nada estúpido com minha mãe.

- Hermione?

- Não posso, mãe. - Sua cabeça se voltou para o som do canto. - Mais tarde. Eu prometo.

Hermione esfregou as marcas de suas lágrimas com a palma da mão.

- Eu sinto muito.

Enquanto Pauline observava, sua filha deslizou pela porta e de volta para aquele outro mundo misterioso.

Pauline recostou-se na cadeira com um suspiro. Seus joelhos doíam de se ajoelhar no mármore. Suas costas doíam por estar curvada. Ela estava vestindo um roupão que era tão velho quanto Hermione e chinelos que um dia poderiam ter sido azuis. Ela não tinha dúvidas era assim que ela conhecera o mundo de sua filha.

Ela olhou para Rink, cujas orelhas ainda estavam firmemente focadas em Severus Snape, um homem que sua filha obviamente amava.

Fora da sala, a cantoria estava ficando mais alta. Agora que ela estava ouvindo, ela percebeu que conhecia a música. Era uma velha canção de ninar. Parando para pegar a próxima frase, ela começou a cantarolar junto.

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Harry ignorou tudo o que acontecia ao seu redor, confiando na Ordem para lidar com os apoiadores de Voldemort e Ginny para lidar com qualquer um que tentasse atacá-lo. Eles esperavam que a ordem permanente de Voldemort de que ele não seria morto os protegesse até que estivessem prontos. Até agora, a sorte deles estava ajudando. Ginny e Harry pararam como um pequeno ponto de calma em uma sala que estava girando em caos, mas era necessário. O feitiço de Hermione tinha que começar antes que Harry fizesse seu movimento contra Voldemort. Os Comensais da Morte tinham que ser incapacitados para que Voldemort não pudesse sugar a magia e força deles para seu próprio uso.

Eles estavam bem em frente a Voldemort, que ainda estava no estrado observando Harry com um olhar quase sem piscar. Ocasionalmente, ele olhava ao redor como se estivesse tentando encontrar alguém. Na terceira vez que ele olhou ao redor, Harry pôde ver a raiva e a frustração crescendo dentro dele. Foi então que Harry percebeu quem ele estava procurando.

Harry se separou de Ginny e deu um passo à frente.

- Ele não vem, - disse ele. - Você está procurando Severus Snape, e ele não vem.

Voldemort balançou a cabeça.

- Eu saberia se ele estivesse morto ou se não atendesse meu chamado.

Harry deu a ele um sorriso sombrio.

- Eu não disse que ele não sentiu seu chamado. Só que ele não está vindo para te ajudar. Você foi enganado.

- Então o traidor morrerá. Assim como você. - Voldemort sacudiu sua varinha, um feitiço não verbal enviado na direção de Harry.

Harry se abaixou reflexivamente quando a luz verde ácida da Maldição da Morte respingou inofensivamente contra seu Feitiço Escudo.

- Não vai funcionar. Você não pode me matar com a maldição.

Voldemort perdeu sua fachada de calma.

- Então, garoto, eu vou te matar com minhas próprias mãos.

Harry se manteve firme enquanto Voldemort saltou do estrado para seguir em sua direção, a área ao redor deles agora sem combatentes - um mar de pessoas e havia apenas os dois.

- Você ainda não entendeu, não é?

- A única coisa que eu preciso conseguir, - Voldemort rosnou, - é que você morra hoje.

Harry balançou a cabeça.

- Então o quê? - Ele perguntou, cansaço aparecendo em sua voz. Estendendo o braço, ele indicou a multidão horrorizada que os cercava. - Eles sabem quem você é agora. Eles sabem os nomes e rostos daqueles que o seguem.

Voldemort riu, o som era feio no silêncio que os cercava.

- Você acha que eu me importo com eles? Eles são ovelhas e aprenderão seu lugar dentro da minha nova ordem.

- Mas com quem você vai compartilhar seu novo mundo? Onde estão seus amigos? Sua família? Não há ninguém que você ame com quem você possa compartilhar sua visão.

- O amor é uma fraqueza e inconseqüente.

- Não, você está errado. Levei muito tempo para entender isso. Eu segui seu caminho por um tempo. - Seus olhos varreram a sala para se fixar brevemente em Ginny, ainda corajosamente protegendo suas costas. - Mas eu aprendi. Eu entendo agora.

Voldemort riu novamente enquanto avançava.

- Você não sabe nada.

Conforme Voldemort se aproximava, Harry largou sua varinha, o som de madeira atingindo o piso de mármore polido alto em seus ouvidos. De um bolso em suas vestes, ele tirou uma pequena agulha de prata e espetou o dedo.

Seu rosto se esticou em um sorriso repentino triunfante, Voldemort estendeu a mão para Harry, e Harry se lançou para frente e o encontrou, avançando para o abraço do monstro. Voldemort não esperava o movimento, e Harry sentiu o corpo do outro enrijecer em choque quando Harry passou os braços em volta das costelas de Voldemort, travando as mãos e segurando a varinha de Voldemort entre eles.

- Você criou este corpo, esta vida roubada, com meu sangue. Meu sangue, Tom. Você esqueceu que está ligado ao último presente de amor dela para mim? Para minha proteção? - Apertando seu abraço contra, o agora lutando, Voldemort, Harry picou a nuca de Voldemort com a agulha e colocou sua própria mão sangrando sobre a ferida. - Minha mãe me amava, - Harry sussurrou, e então ele começou a cantar, sua voz hesitante e insegura. - Durma meu filho e a paz te acompanhe, durante toda a noite, durma meu filho e a paz te acompanhe, durante toda a noite.

Quando as primeiras palavras do feitiço ecoaram ao redor deles, Voldemort se sacudiu e puxou com força contra o aperto de Harry, mas Harry continuou a cantar, sua voz ganhando força. Fazendo como o livro dizia, Harry colocou de lado seu medo e ódio e se concentrou em tudo de bom em sua vida. Ele se lembrou do dia em que sua primeira carta de Hogwarts chegara, seu encontro no trem com Hermione e Ron, aquele primeiro passeio emocionante em uma vassoura. Cho Chang esteve suas memórias, e a primeira vez que ele segurou a mão de Ginny e a foto de si mesmo, sua mãe e seu pai, juntos, dentro do Espelho de Ojesed.

Ainda cantando, ele pensou em Voldemort e em tudo que Dumbledore tinha ensinado sobre o homem que um dia fora Tom Riddle. Buscando profundamente sua compaixão, ele procurou entender o outro - ele conheceu a solidão de ser um órfão. Ele conhecia o medo do abuso e do ódio. Ele sabia o que era desejar desesperadamente ter amigos, aceitação e ser amado por seus colegas. Ele até conheceu a tentação de recorrer às Artes das Trevas para seguir o caminho mais fácil.

Voldemort estava se contorcendo descontroladamente agora enquanto lutava para se livrar do aperto de Harry, gritando de raiva ao sentir o único fio de pura magia espiralar em sua alma, sangue com sangue. Incapaz de se segurar e continuar cantando, a voz de Harry vacilou. Por um breve e horripilante minuto, Harry pensou que tudo estava perdido antes que uma voz rachada e esganiçada tocasse a música. A cabeça de Harry se ergueu enquanto procurava encontrar o cantor.

oooOOoooOOooo

Quando os gritos começaram, Augusta Longbottom sacou sua varinha e se abrigou atrás de uma mesa virada com dois bruxos. Como qualquer bom duelista sabe, é melhor avaliar a situação antes de mergulhar na luta. Ver seu neto Neville aparecer, segurando a mão de um garoto mais novo, junto com muitos de seus amigos foi surpreendente, mas não tão surpreendente quanto observar várias bruxas e bruxos na multidão caindo no chão. À medida que cada um caía, eles eram protegidos por um dos amigos de seu neto ou outras pessoas.

Dollort era Voldemort, e o confronto há muito temido entre Potter e Você-Sabe-Quem estava acontecendo agora. Todos podiam ouvir as palavras ecoando entre Voldemort e Potter, mas sem saber como melhor ajudar seu neto, que ela havia o perdido de vista na multidão, ela ficou onde estava até Potter começar a cantar.

Confusa, ela se ergueu de novo, com a bengala firmemente plantada no chão. Potter ajoelhou-se no chão, o mago, Devrom Dollort - Voldemort - agarrado em seus braços. Ambos estavam lutando, Dollort obviamente tentando escapar enquanto Potter estava obviamente tentando segurá-lo. Mesmo enquanto ela observava, as miragens e outros feitiços em torno de Voldemort começaram a desaparecer, revelando a verdadeira face do monstro.

Augusta Longbottom viveu muito tempo. Ela era exigente, severa e intransigente em muitos aspectos. Ninguém nunca a acusou de ser suave, mas também não era estúpida. Ela era uma bruxa sangue puro de uma família longa e distinta. Ela deu à luz três filhos e fez lençóis mágicos para todos eles. Ela conhecia a música que Potter estava cantando e sabia seu significado.

A magia girou em torno de Potter, chamada pela música. A luz encontrou a escuridão. A pureza lutou contra a corrupção. Com passos firmes, Augusta foi em direção a Potter e se plantou ao lado dele. Fechando os olhos, ela se lembrou de seus filhos, lembrou-se do nascimento de seu neto Neville, e lembrou-se de tempos mais felizes quando sua família era inteira. Quando Potter tropeçou nas palavras da canção de ninar, ela começou a cantar, canalizando a música e sua magia para o menino.

oooOOoooOOooo

O corpo de Voldemort enrijeceu, um grito de dor subindo dele.

- Nagini.

Harry seguiu o olhar de Vodemort, mas não conseguiu ver nada além das pessoas que os cercavam. Ele poderia adivinhar o que havia acontecido. Alguém matou a cobra gigante.

- Ela se foi. Todos eles se foram. Somos só você e eu agora, e é hora de descansar.

Harry voltou a tocar a música, sua voz acompanhada por mais e mais pessoas enquanto entendiam o que estava acontecendo, mesmo que não entendessem completamente como ou por quê. No entanto, era o suficiente à medida que cada rodada a música ficava mais segura e a magia aumentava a cada repetição.

Voldemort há muito havia parado de lutar e estava inerte nos braços de Harry, exceto por uma mão que agarrava com força o braço de Harry. Olhos que normalmente não mostravam nada além de ódio e desprezo agora estavam cheios de uma mistura turbulenta de terror e confusão.

A cantoria continuou ao redor deles, e Harry podia sentir a magia vibrando por ele. Sua pureza e intenção eram uma mistura inebriante, e o lembrou do que ele sentiu quando voou alto e rápido em sua vassoura. Reunindo a magia, ele a concentrou, torcendo os vários fios juntos. Pegando Voldemort, Harry o abraçou forte.

- Está tudo bem, - ele sussurrou. - Eu não vou machucar você. Mas é hora de dormir agora. Hora de deixar ir.

Voldemort estremeceu.

- Pot-ter- A voz faltou força quando a magia foi transferida de Harry para Voldemort.

Balançando ligeiramente, como se Voldemort fosse um bebê em seus braços, Harry disse novamente.

- Está tudo bem. Você não pode sentir? Não há ódio. Sem medo. Há apenas amor e paz. Vá dormir. Descanse. Eu vou ficar com você por um tempo.

Voldemort estremeceu novamente, seus olhos piscando uma vez, depois duas vezes antes de fecharem.

Tom Riddle, Lorde Voldemort, Devrom Dollort, o terror do Mundo Bruxo por mais de vinte anos, morreu com um suspiro silencioso.

Quando o corpo caiu pesadamente em seus braços, Harry sentiu uma mistura confusa de emoções tomar conta dele. Alegria e alívio estavam lá, mas também havia uma tristeza e uma pena quase esmagadoras. Harry Potter abaixou a cabeça e começou a chorar, grandes soluços devastadores que enviaram lágrimas aos olhos de Voldemort. Devido a um fotógrafo designado para cobrir a festa, e que passou a maior parte da batalha se escondendo atrás de uma planta de oleiro, a imagem se tornaria o símbolo icônico da derrota de Voldemort.

oooOOoooOOooo

Ele acordou lentamente. A dor foi a primeira coisa que notou, aguda e surda, como se um cão gigante tivesse seu peito entre as mandíbulas e não pudesse decidir se queria morder ou roer. Dor, no entanto, era algo que ele conhecia há muito tempo, então ele a ignorou. A luz, entretanto, que queimava seus olhos mesmo através de suas pálpebras fechadas, era um aborrecimento que precisava ser cuidado.

Severus nunca foi um homem que suportava bem os pequenos aborrecimentos. Com o espírito de fazer algo sobre a luz infernal, ele forçou os olhos a abrirem e se viu olhando para o teto abobadado familiar da enfermaria de Hogwarts.

- Eu deveria saber que este seria o meu inferno. - Afinal, era a única explicação para ele estar ali. Ele estava morto.

Uma risada suave chamou sua atenção para uma mulher desconhecida sentada em uma cadeira ao lado de sua cama. Ele estreitou os olhos para ela.

- Você não é o que eu teria imaginado para o meu diabo pessoal. Na verdade, eu sempre imaginei Albus.

Ela sorriu para ele, a curva de seus lábios e o calor em seus olhos castanhos familiares.

- Você não está morto. Bem, talvez por um ou três minutos, mas você melhorou. - Ela estava sorrindo novamente, como se fosse uma piada particular.

Ele franziu a testa.

- Tenho certeza de que me lembro de morrer, e se existe um inferno, este é certamente meu. - Ele fechou os olhos novamente. - Vá embora, demônio, e me deixe em paz.

Ela riu de novo, para o aborrecimento dele. No entanto, houve novamente aquele lampejo de quase reconhecimento.

- Eu posso ver porque Hermione gosta de você.

Seus olhos se abriram de repente para fitar a mulher.

- Você não vai falar dela!

O rosto da mulher perdeu qualquer traço de diversão quando ela se inclinou para frente. Seus próprios olhos se estreitaram.

- Talvez, eu deva me apresentar. Meu nome é Pauline Granger. Eu sou a mãe de Hermione. Eu salvei sua vida, e você com certeza não está morto.

- Impossível, - ele retrucou.

A diversão estava de volta quando ela olhou para ele.

- Não, impossível é como vou explicar tudo isso ao meu marido. Você, querido, é simplesmente improvável. O que, por algum motivo, entusiasma muito minha filha.

Havia muitas perguntas passando por sua cabeça que precisavam de respostas, mas a mais importante precisava ser feita.

- Hermione está bem?

Batendo palmas, Pauline Granger se levantou.

- Ela está sofrendo por amigos perdidos, tentando consertar este seu mundo, e preocupada demais com você. Agora, não vá a lugar nenhum. Eu disse a todos que os alertaria no momento em que você acordasse.

Assim que Pauline Granger saiu da enfermaria, Severus se ergueu na cama com um gemido. Seu corpo certamente doía o suficiente para ele estar morto, mas se era para acreditar, ele estava vivo. Com uma mão trêmula, ele empurrou para cima a manga do roupão de enfermaria que Poppy preferia. Havia algo estilo trouxa em seu braço. Impaciente, ele puxou a bandagem, sem se importar com os pelos finos que estavam presos na fita adesiva. Ele prendeu a respiração irregular quando finalmente se soltou. Onde antes a Marca Negra se destacava contra sua pele pálida, agora havia apenas uma queimadura inchada, vermelha e um pouco escorrendo.

Ele estava tão concentrado em seu braço que não ouviu ninguém entrar até que Minerva falou.

- Só o seu é uma queimadura.

O olhar de Severus se voltou para ela.

- Só meu?

- A curandeira Alverez diz que é uma queimadura de feitiço. Ela disse que curaria, mas você teve tanta magia derramada em seu sistema que ela quer deixar curar por conta própria, em vez de por meios mágicos. Todos os outros que carregaram a Marca ainda têm a sua embora estejam desbotadas e cinzentas.

- Então ele está... - Severus podia ouvir seu coração batendo forte em seus ouvidos, mas se forçou a dizer o nome, - Voldemort está morto.

A expressão de Minerva ficou dura e fria.

- Morto. Seu corpo queimou com Fiendfyre e suas cinzas espalhadas ao vento.

Ele afundou um pouco nos travesseiros. Ele estava vivo e o Lorde das Trevas, Voldemort, estava morto. Ele levou vários longos momentos para pensar sobre isso. Ele estava vivo. Hermione estava viva. Albus disse a ele - "Onde está Albus?" A pergunta foi aguda. Albus deveria estar aqui contando isso a ele. E ele sabia a resposta antes mesmo de Minerva falar.

- Bellatrix Lestrange. Ela lançou um Avada sem varinha e pegou em si mesma e em Albus.

Severus fechou os olhos, profunda tristeza brotando onde apenas momentos antes havia uma alegria aparentemente ilimitada. Ele e Albus tiveram um relacionamento tão complicado ao longo dos anos. Mas mesmo naquela época em que ele odiava mais Albus, ele ainda amava o velho. Saber que ele se foi o deixou se sentindo vazio de uma forma que ele não percebeu que podia sentir.

Foi demais. Muitas emoções o estavam inundando. Ele não sabia o que deveria sentir e o olhar compassivo de Minerva não fazia nada além de piorar as coisas. Ao sentir a incerteza, ele recuou na lógica, puxando seus escudos de oclumência para isolar suas emoções em constante mutação. Ele iria sofrer mais tarde.

- O que aconteceu? Presumo que já que estamos de volta em Hogwarts e que saímos vitoriosos.

Minerva o conhecia há muitos anos e se retirou emocionalmente para o modo protetor que sempre estava lá. Severus estava infinitamente grato por ela ter dado a ele tempo para se recompor enquanto ela se acomodava na mesma cadeira em que a sra. Granger estava sentada antes.

- Vitoriosos, mas não sem perdas, receio. - Tirando os óculos, ela esfregou os olhos, e Severus achou que podia ver cada um dos seus setenta e poucos anos de idade. - A lista de mortos e feridos é... Tivemos sorte que a Curandeira Alvarez estava lá. Muitos não teriam sobrevivido sem sua atenção rápida.

- Quem?

- Adrian Puce.

Um dos slyhterins.

- Ele morreu defendendo um grupo de convidados da antiga Ephraim Greenway.

- Greenway? Eu nem sabia que ele era um apoiador. - Ele balançou sua cabeça. - Quem mais? Conte-me tudo.

- Lilá Brown. Moody, achamos. Encontramos seu olho mágico rolando pelo salão, mas não encontramos nada dele. Nymphadora Tonks. Fred Weasley. Colin Creevey perdeu a mão. Alvarez diz que ela não será capaz de cultivar uma nova um, mas está trabalhando em um construto mágico. Mills sofreu algumas queimaduras de feitiço, mas deve se recuperar. Nevile Longbotton diz que alguém chamado Sev Little morreu, mas eu não acho que o conhecia. - Ela balançou a cabeça. - O resto dos nossos feridos, aqueles que ainda não foram tratados e foram embora, estão em St. Mungos. Tivemos sorte, Severus. O feitiço seu e de Hermione... fez toda a diferença. Quando os Comensais da Morte começaram a cair, era como se isso minasse a crença dos outros. Muitos simplesmente entregaram suas varinhas. - Minerva ficou em silêncio, observando-o. Em seguida, acrescentou - Você também morreu, Severus.

- Como exatamente um trouxa me trouxe de volta da morte? E como um trouxa está mesmo em Hogwarts?

Minerva riu, mesmo que sua alegria fosse tingida de tristeza.

- Acho que não entendo os meios de sua ressurreição, embora a Curandeira Alvarez diga que sim. Você poderia perguntar a ela, ou à sra. Granger ou Hermione sobre isso. Embora a sra. Granger diga que Rink merece muito crédito também. Algo sobre ouvir melhor que um ECG, embora eu ainda não tenha entendido o que é esse ECG e por que tem ouvidos. Quanto à presença da sra. Granger em Hogwarts, parece que os elfos estão por dentro disso. Hermione disse algo sobre as cortesias devidas a Matriarca de Linha visitante.

Havia um assunto que ele realmente tinha medo de perguntar, mas Minerva estava olhando para ele agora, um sorriso brincando em seus lábios. Ele sabia que ela o esperaria e o faria fazer a pergunta sem rodeios.

- E quanto a Potter, Weasley e Hermione?

- Com a morte de Voldmort, toda a extensão da corrupção do Ministério foi revelada. Percy Weasley avançou com uma força admirável. Ele e Kingsley Shacklebolt têm tentado trazer ordem ao caos. Sua primeira tarefa foi derrubar as proteções ao redor da Grã-Bretanha que manteve muitos de nosso povo fora e libertou aqueles que ainda estavam presos falsamente em Azkaban. Harry está emprestando seu nome e apoiando Percy para resolver isso. Ron Weasley está na Toca. Charlie e Gui estão de volta para casa e ajudando os outros, mas pobre Arthur, ele...

- Ele viu Molly morrer. Você não supera isso.

- Não.

Ambos ficaram em silêncio por um momento.

- E Hermione? - Ele finalmente perguntou, fingindo o que esperava ser uma certa indiferença.

O sorriso que Minerva retribuiu o fez franzir a testa.

- Ela estaria aqui agora, e tem ajudado com os prisioneiros, separando os Comensais da Morte sobreviventes e aqueles que eram apenas apoiadores. Ela tem-

- Diretora McGonagall?

Um jovem que Severus lembrava vagamente de ter deixado a escola há quatro ou cinco anos enfiou a cabeça pela porta.

- Desculpe incomodá-la, Diretora, mas há alguma maneira de você ir ao Salão Principal? Estamos tentando colocar os estandartes para os alunos que retornam, e cada vez que fazemos, eles mudam para as cores da Lufa-lufa como vencedores deste Copa das Casas do ano. Não podemos fazer com que eles mudem.

- Diretora? - Ele perguntou, enquanto Minerva se levantava com um suspiro.

Minerva fez uma careta, seus lábios apertados.

- Eu desejei mil vezes por dia que Albus ainda estivesse aqui para fazer isso. Não sei se estou mais apta para isso, mas nosso mundo precisava da normalidade de Hogwarts. - Ela se inclinou e deu uma tapinha em seus pés cobertos pelo cobertor. - Deixe-me cuidar do que está acontecendo com os estandartes, depois volto.

Ele esperou precisamente quatro minutos depois que ela desapareceu antes de jogar as cobertas.

- Rink!

Quando o elfo apareceu, Severus já estava sentado ao lado da cama.

- Pegue minhas roupas e capa. - Enquanto Rink curvava sua aceitação, Severus acrescentou - E então vá dizer a Lonny que estou aceitando você de volta ao meu serviço.

- Mestre de Poções é-

- Roupas, Rink, - ele retrucou. Satisfeito por ter evitado qualquer declaração sentimental de gratidão dos elfos, ele se levantou. Trêmulo, mas administrável. Uma coisinha como a morte não iria mantê-lo naquela cama nem mais um minuto.

Poucos minutos depois, após o retorno de Rink, ele estava vestido.

- Sabe, eu não acho que você deveria estar pé.

Severus se virou para encontrar a sra. Granger parada na porta.

- Há coisas para fazer que não podem esperar. Estou deitado há dias.

- Você está inconsciente há dias. Há uma diferença.

Quando ele não fez nenhum comentário, ela ergueu as mãos em um gesto de frustração que ele viu Hermione usar.

- Ela disse que você era teimoso, mas pelo bom Deus. Pelo menos vá se sentar na cadeira antes de cair.

Em particular, ele admitiu que ela poderia ter razão e foi se sentar. Ele não perdeu o suspiro de alívio ao fazer isso sem cair.

- Obrigado. - Ela parecia assustada. - Minerva me informou que realmente devo minha vida a você.

A sra. Granger puxou outra cadeira, sua expressão séria.

- Minha garotinha me implorou para salvá-la. - Havia algo na maneira como ela disse "minha garotinha" que disparou os instintos de sobrevivência apurados de Severus.

- Você falou com Hermione. - Ele não expressou a parte 'sobre mim' da frase, mas foi compreendido por ambos.

- Falei.

- Você deseja saber minhas intenções para com sua filha.

Ela assentiu lentamente.

- Durante a última semana, Hermione me falou muito sobre suas intenções para com você. Eu quero saber se você vai partir o coração dela. - Sua voz tornou-se invernal. - E se eu vou me arrepender de salvar sua vida.

- É justo. Provavelmente vou partir o coração de Hermione uma dúzia de vezes. - Enquanto o corpo da sra. Granger enrijecia, ele acrescentou - A diferença de idade entre nós não é considerada extrema pelos padrões bruxos, mas temo que a juventude dela seja um desperdício comigo.

Pauline o estudou com olhos penetrantes e Severus se sentiu tentado a perscrutar sua mente apenas para ver como ela o via. Ele não tinha ilusões de que não seria a primeira escolha de uma mãe para sua filha única.

Finalmente, ela perguntou.

- Você vai pedir a minha filha em casamento?

- Hoje? Não. Amanhã. Não, também.

- Não?

Ela parecia chocada e Severus procurou uma maneira de explicar.

- Hermione tem toda sua vida pela frente. Passei a maior parte da minha vida preso à vontade dos outros. NÃO vou vinculá-la a mim.

- Minha filha te ama.

- Um fato que eu não duvido.

- Ainda assim, você não está pedindo a ela em casamento? Você não a ama? É esse o seu problema?

Ele se levantou da cadeira. Hermione sempre teve a habilidade de agitar suas emoções. Parecia que mesmo quando ela não estava lá, ela tinha a habilidade de desconcertá-lo, mesmo além da disciplina de Oclumência. Ele precisava andar, vacilante como estava.

- Eu já amei antes. Uma vez. Eu sei como é. Eu amo Hermione. Esse não é o problema.

- Mas, você duvida do amor dela por você?

- Não... duvido. Ela é muito jovem. Sua vida até agora tem sido o mundo trouxa e estas paredes do castelo. Seus companheiros são os conhecidos nos últimos sete anos. Ela nunca interagiu com pessoas fora de Hogwarts. Ela nunca viajou através do mundo bruxo. Há muito mais pessoas e coisas para ela experimentar. Eu a deixaria voar, não cortar suas asas.

- Quando?

Severus se virou para encontrar Hermione na porta atrás dele. Ela não parecia zangada, apenas decidida com um tom determinado em suas feições. Ele lançou um rápido olhar para Pauline, mas ela apenas levantou uma sobrancelha para ele.

- Quando o que? - Ele finalmente perguntou.

- Quando terei idade suficiente?

- Hermione-

Ela ergueu um dedo e ele parou.

- Hoje é dia oito de janeiro. Quer se casar comigo, Severus?

Ele olhou novamente para Pauline, que não ofereceu nada além de um sorriso enigmático. Ele balançou sua cabeça.

- Eu te amo, mas em sã consciência, eu não posso.

Hermione, confusa, deu a ele um sorriso brilhante.

- Você vai viajar comigo e me mostrar todos os lugares maravilhosos do mundo bruxo?

Ele considerou seu pedido.

- Eu posso fazer isso.

O sorriso ficou impossivelmente maior.

- Você vai me apresentar a pessoas de fora de Hogwarts?

Severus Snape não era um homem estúpido. Ele não tinha dúvidas sobre o que ela estava lhe oferecendo. Por um momento, pensou em dizer não, mas depois disse a si mesmo para não ser idiota. Ele assentiu.

- Seria um prazer.

- Ótimo. Então vou perguntar de novo em um ano. - Ela deu a ele um sorriso que ele não soube interpretar.

- Me avise quando for a hora.

Então ela estava correndo pela sala e Severus sentiu seus olhos se arregalarem de horror com a ideia de que ela estava prestes a se atirar nele.

O medo de não ser capaz de segurá-la e cair vergonhosamente sobre o traseiro dele foi felizmente evitado quando ela derrapou e parou na frente dele. Lágrimas transbordavam dos olhos dela e todos os novos medos o assaltaram. Ele apenas resistiu ao impulso de olhar para Pauline Granger novamente.

- Eu pensei que tinha perdido você. - As palavras foram sussurradas e ele entendeu.

Inclinando-se para frente, ele a beijou.

Em algum lugar atrás dele, Pauline Granger estava rindo novamente. Ele estava realmente começando a odiar aquele som.

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N/T.: O capítulo todo foi bem emocionante para mim. Muitas vezes tive que parar para respirar porque meus olhos estavam nublados. Eu não esperava de modo nenhum este tipo de batalha entre Voldie e Harry. Alguém já leu algo parecido com isso? Amei este final. Caeria foi inovadora e ainda assim não achei desarmônico. A cena na enfermaria não me soou discrepante. Todos já sabiam que eles estavam juntos. Adorei ele e Minerva e também com a mãe de Hermione. Gosto tanto desses dois! Para quem deseja escrever sobre um jovem Hermione e Severus professor esta fanfic é uma verdadeira aula. Beijos para Duda R0drigues, Menina Maru (kkkk preste mais atenção aos recados da tia;* e Daiane. Desculpem os erros e nos vemos no epílogo.

N/T.: ECG quer dizer eletrocardiograma e RCP reanimação cardiopulmonar.