Capítulo 49 – Maar Dala (Morrer de amor)

A mansão em Juhu tinha três pavimentos e sua entrada ficava no final de uma alameda de casas onde a imponente residência se destacava, na parte mais nobre da praia, uma longa faixa de areia que ia do pequeno aeroporto de Juhu até a praia de Varsova, um trecho de cerca de 5 quilômetros de praias sem uma via marginal à orla, delimitada pelos muros de clubes, hotéis, prédios, casas e até mesmo trechos de reserva natural onde, dizia-se, podia se ver o mais belo pôr de sol de Mumbai.

E foi justamente ao pôr do sol, que Vegeta e Bulma entraram pela porta principal, um arco de pedra majestoso que tinha sido erguido pelo bisavô de Vegeta, quando construíra a casa no início dos anos 60, impulsionado pelo boom de dinheiro ganho na era de ouro do cinema clássico de Bollywood. Raaja fizera inúmeras reformas e acréscimos nos anos 80 e 90, quando herdara a casa e os estúdios, mas desde a morte da mãe de Vegeta, aquele era apenas um palacete vazio e triste, cheio de quartos desocupados e aposentos fechados, o que começara a mudar dois meses antes quando Raaja ordenara uma reforma da suíte principal, e do enorme salão, que agora recebia Bulma, deslumbrada com a decoração moderna do luxuoso ambiente.

Ela olhou para Vegeta e sorriu. Ele a havia levado para um restaurante que havia sido fechado para os dois, num ponto chique e sofisticado de Juhu. Tinha sido um almoço íntimo luxuoso e divertido, com os dois comendo juntos e namorando, sendo confortavelmente servidos por funcionários muito discretos que, no entanto, tentavam entender o fato deles estarem vestidos de noivos e sozinhos. Agora ela segurava a pequena maleta com duas mudas de roupa e uma camisola e se perguntava qual era o passo seguinte, um pouco nervosa com a sua inexperiência.

Vegeta então, delicadamente, tirou a mala das mãos dela e disse, enlaçando sua mão na dela:

- Vem... quero que veja uma coisa.

Ele abriu a porta para o varandão que corria de fora a fora ao longo da fachada para a praia. Bulma prendeu a respiração. O mar da Arábia, muito sereno e sem grandes tormentas, murmurava suavemente tingido de dourado, laranja e vermelho lá adiante, no fim da faixa larga de areia que se podia ver dali. Ele e ela foram até o parapeito da varanda e abraçaram-se em silêncio, ela com a cabeça no peito dele, sentindo o cheiro bom que vinha dele, fresco mas ao mesmo tempo almiscarado, um perfume que ela se habituara lentamente ao longo de tanto tempo de convivência e que agora percebia que amava.

Ela deu um suspiro profundo, Vegeta acariciava seus cabelos suavemente, enquanto a outra mão envolvia a sua cintura de forma ao mesmo tempo possessiva e carinhosa. De repente, Bulma disse:

- Que lindo, Vegeta... vamos mesmo morar aqui?

- Sim, se você quiser. Se não quiser, podemos escolher outro lugar.

- Não! Eu quero! Amei! É só que...

- Só que?

- É tão engraçado. A casa onde fui criada caberia inteirinha na sala dessa casa. É como viver um sonho.

- Ter você finalmente também é como um sonho para mim... eu devia ter me declarado naquela noite em que estávamos no Raj, sabia? Eu já estava apaixonado por você ali, só acho que não queria admitir. E no holi? Quando você me pediu um beijo, cheia de bhang e eufórica... como eu me controlei, achando que estaria abusando de você... sempre cheio de dúvidas e querendo roubar você daquele...

Ela o encarou, de repente. Tinha algo que ela não entender ainda.

- Por que você acabou decidindo fazer as coisas dessa forma depois de tudo aquilo que aconteceu em Dubai?

- Você quer mesmo saber? O que me fez abrir mão de você foi a sua recusa, mesmo sabendo que não era a sua vontade, mas a do seu irmão. E você sabe que eu não desisti, nem mesmo quando você me bloqueou no celular. Eu quase desisti porque eu não podia agir contra sua vontade. Só que havia algo que nenhum de nós não sabia... o sujeito, sabe?

- Yamcha?

- Sim, ele. Ontem eu almocei com Suno por causa do papel que faremos num filme juntos e ela me disse que ele era... homossexual. Diante disso... eu tinha que fazer você desistir de qualquer forma!

- O quê?! O Yamcha é gay?

- Sim. E se eu soubesse disso há mais tempo, teria tido menos escrúpulos ao lidar com tudo...

Bulma abriu um sorriso. Ela não disse nada a Vegeta, mas finalmente um peso saía dos ombros dela. Não era ela quem era indesejável, então, como sempre pensara, quando ainda gostava do rapaz. Ela encarou Vegeta, ainda sorrindo, e disse:

- O que importa agora é o daqui para frente, não acha?

Ele meneou a cabeça com um sorriso e segurou o queixo dela, encarando o rosto onde a maquiagem de noiva ainda resistia. Ela havia retirado a mangatikkah e o nath, o anel de nariz, ainda no carro, porque o peso a incomodava, mas os lindos brincos de visual retrô ainda emolduravam seu rosto, e ao pôr do sol sua pele clara tinha um tom cremoso e dourado e ele disse:

- Amo você, garota. Talvez tenha começado a te amar naquele dia que você, atrás daqueles óculos enormes, me olhou com indiferença e me fez perceber que eu não era tão irresistível quanto eu pensava. Certamente eu já te amava quando te disse isso na pele do Shakti, e por todos os Deuses, como eu te amei quando pensei que iríamos morrer juntos, naquele dia do sequestro.

Ele então a beijou, primeiro com suavidade, sentindo os lábios macios dela contra os seus, numa carícia doce e cálida, enquanto ela envolvia seu pescoço com os braços, puxando-o mais para junto dela, seus lábios se entreabriram e ele entendeu o convite, brincando com sua língua na dela à medida que tornava o beijo mais íntimo, mais profundo.

Os lábios dele deixaram os dela então ele beijou seu rosto, seus olhos e sua testa, encarando-a antes de dizer:

- Falta uma coisa, ainda... – ele a puxou de volta para a sala e achou, sobre um móvel, um pequeno pote dourado de tintura de kunkun e sândalo, então, sorrindo ele tocou a tintura com o indicador e fez nela a marca da tikka do meio da testa à raiz dos cabelos, dizendo:

- Om shanti, mere soniya (Seja abençoada, minha amada)

Bulma sorriu e refez o gesto dele, deixando um ponto vermelho bem no meio da testa, dizendo:

- Om shanti om, mere soniya (Todas as bençãos ao meu amado)

Os dois sorriram um para o outro, porque agora eram, de fato, marido e mulher de acordo com os costumes, tinham feito o maior juramento de proteção mútua do hinduísmo. Bulma então fez o gesto de se preparar para tocar os pés de Vegeta, em respeito e ele a impediu, dizendo:

- Você nunca fará isso. Antes, eu tocarei os seus todos os dias. – ele então a pegou no colo como se fosse uma pluma e disse: - segure firme, temos uma escada para subir.

Ele a levou para o segundo andar, onde o quarto da suíte principal os esperava, com as duas portas em estilo indiano antigo, de madeira cobertas de arabescos, abertas. O quarto tinha em seu centro uma cama enorme, do tipo king size, que jamais havia sido usada e as cortinas escondiam as portas de vidro que davam para a varanda que ficava acima da varanda da sala. O quarto estava quase escuro, mas Vegeta, depois de deixar Bulma sobre a cama, regulou a iluminação para meia luz antes de fechar as portas e olhar para ela, que tinha os olhos muito azuis um pouco arregalados.

Ele andou até a beira da cama e ajoelhou-se para tirar os delicados sapatos de noiva dos pés dela, dizendo, calmamente:

- Faremos tudo no seu tempo. Da sua maneira... do jeito que você quiser. – ele a encarou, enquanto massageava calmamente seus pés e ela deu um sorrisinho tímido, dizendo:

- Eu acho... que meu tempo é o tempo de quem esperou demais. Eu quero... eu quero você, Vegeta.

Ele sorriu e então sentou-se na cama ao lado dela, puxando-a para um beijo mais íntimo, mais arrebatador. Agora a língua dele achara o caminho e devorava a dela, que correspondia intensamente. Bulma sentia aquele despertar de sensações pulsantes e quentes no seu baixo ventre, seu coração batia acelerado e ela sentia-se quente e úmida, curiosa para saber como seria aquilo que, na teoria, ela até conhecia bem, porque lera romances eróticos e tocara-se inúmeras vezes, muitas das quais pensando precisamente em Vegeta.

Logo ela sentiu as mãos dele desfazendo o nó do seu Choli e abrindo caminho para buscar os seios dela, que ele tocou suavemente sob as roupas, fazendo-a gemer, excitada. Ela timidamente amassava a túnica dele, às cegas, tentando espelhar os gestos dele, que sussurrou, interrompendo o beijo brevemente:

- Quer tomar um banho comigo? Ajuda a perder a vergonha.

Ela apenas sacudiu a cabeça e ele sorriu, levantando-se e abrindo uma porta oculta atrás de um painel, onde ele desapareceu brevemente. Quando voltou, estava descalço, já não vestia a túnica e ajeitava os cabelos, que tinham ficado amassados depois de horas usando um turbante mas aos poucos voltavam ao normal. Ela ficou olhando o torso nu, musculoso e bronzeado, um corpo que ela já vira bastante coberto apenas por uma sunga de luta, quando eles gravavam o filme, mas que ela finalmente se dava conta que agora era todo dela: seria seu marido e seu homem dali para frente.

- Eu pus a banheira para encher – ele disse, parecendo ele mesmo um pouco tímido.

Bulma então terminou de tirar o choli, que jogou ao chão e levantou-se, indo até ele e dizendo:

- Acho que temos que tirar as minhas roupas...

Ele riu e a puxou para junto dele, então, procurou o fecho da saia muito rodada do lehenga e abriu, fazendo com que a saia caísse aos pés dela, que por sua vez, puxou para baixo também as anáguas, antes de se abraçar a ele, tocando seu tórax e seu peito musculoso, cheirando seu pescoço e roçando seu corpo seminu no dele. Vegeta então achou o fecho do sutiã e o abriu, olhando um instante para os seios redondos com pequenos mamilos rosados antes de envolve-los com as mãos, fazendo Bulma gemer docemente.

Ele a pegou novamente no colo e a levou através da porta para o banheiro da suíte, que era enorme e luxuoso, coberto de mármores rosados e com metais dourados, onde uma banheira enorme e redonda já estava quase cheia. Vegeta a sentou na beira da banheira e lentamente, olhando nos seus olhos, tirou sua calcinha, prendendo a respiração quando a viu finalmente nua. Ele acionou a hidromassagem e logo a banheira estava cheia de espuma. Ele então terminou de tirar as roupas e os dois se encararam, nus e juntos pela primeira vez, e, com o olhar insistente dela mirando sua ereção, foi ele quem corou primeiro, fazendo Bulma rir.

- Você está com vergonha? – ela perguntou e ele disse:

- Não, não estou. – ele entrou na banheira, ainda com o rosto vermelho e a puxou para a água, envolvendo-a nos braços, sentindo o corpo dela nu contra o seu. Ele sentou-se encostado na parte mais confortável da banheira e a encaixou à sua frente, sentindo a maciez das nádegas dela contra sua dureza, num toque que era quase torturante. As mãos dele então, passaram a percorrer o corpo dela sob a água, enquanto ele beijava seu pescoço, deixando-a cada vez mais excitada.

Com as mãos de Vegeta acariciando suavemente seus mamilos, Bulma esfregava uma perna na outra, para aliviar a pulsação dormente que a estava deixando louca de excitação. Os beijos e suaves mordidas que Vegeta dava em seu pescoço e atrás de sua orelha, em pontos sensíveis, a faziam ao mesmo tempo querer mais daquilo, num doce desespero, que a fazia empurrar sua bunda ainda mais contra ele, que às vezes ofegava, também louco para seguir em frente. A mão direita dele então desceu pela sua barriga e encontrou sua vulva sob as águas, fazendo Bulma abrir as pernas gemendo quando ele espalmou sua mão sobre ela.

Os dedos dele brincavam com ela habilmente, Bulma gemia, sentindo o prazer se avolumando conforme o indicador dele ia e vinha, massageando seu clitóris suavemente, enquanto a mão esquerda brincava com seus seios e ele se esfregava nela, sussurrando que a amava em seu ouvido. Era como uma tensão forte e vibrante que, de repente, a atingiu como uma onda, seu corpo todo tremeu e ela gemeu alto, ofegante, quando o orgasmo chegou num misto de alívio e prazer.

Por um instante, ele a abraçou em silêncio, conforme ela relaxava, os braços envolvendo sua cintura, ele mesmo tentando dominar sua própria excitação, acalmando-se enquanto a sentia, quente, macia e lânguida depois de tanto prazer. Ela então virou-se um pouco para encará-lo e sorriu antes de um beijo suave. Quando abriu os olhos, ela perguntou, de cenho franzido:

- E você?

- Temos tempo para mim... – ele sussurrou, beijando-a suavemente de novo. – o importante para mim é que seja bom para você.

Eles ficaram um tempo no banho, falando algumas bobagens, antes que ele pegasse a toalha e a enxugasse sensualmente, puxando-a para o quarto e a levando para a cama, que ele desfez antes de deitar-se com ela sob as cobertas, tomando-a num beijo quente, sensual, sedutor. Bulma queria mais daquilo, mais prazer, mais dele. Mas Vegeta sabia que tinha de ser o mais delicado possível com ela, não a queria machucar. Ele então, passou a explorar o corpo dela com a boca, beijando, mordendo e sugando, descendo desde o pescoço até o baixo ventre, passando pelos mamilos que ele assanhou com a língua, fazendo com que ela pedisse por mais e mais.

Com a boca, ele abriu seus pequenos lábios e habilmente, procurou dar a ela mais daquele prazer que ela acabara de descobrir, a língua e os lábios se alternando em carícias sistemáticas que a deixavam cada vez mais molhada e pronta para ele. Logo ele sugava o seu clitóris e ela implorava a ele que não parasse, porque ainda era melhor do que a carícia de antes, e ela se abriu para ele e gozou mais uma e ainda outra vez, sentindo seus sentidos quase faltarem de tanto prazer.

Ele então a encarou, ajoelhado entre suas pernas, apaixonado pela visão dela, desalinhada, sexy e perfeita depois de ter sido levada por ele a um prazer que ela antes apenas conseguia imaginar. Os cabelos azuis caíam pelos ombros, o elaborado penteado de noiva meio desfeito, a maquiagem quase desvanecida, uma expressão que ele ainda não conhecia, provocante, no sorriso que ela deu para ele quando se apoiou nos cotovelos para encará-lo.

- Vegeta... eu estou pronta. Eu quero...

Ele então deu um sorriso de lado e engatinhou sobre ela como uma pantera, encostando seu rosto no dela, acariciando-a antes de dizer:

- Se é o que quer...

Ele a beijou e foi se deitando lentamente sobre ela, cada centímetro de seu corpo se encaixando ao dela, com calma e carinho. Ela ofegou um pouco, mesmo muito molhada, ela podia sentir a própria resistência conforme ele ia, aos poucos, penetrando-a com o máximo de calma que conseguia reunir. Vegeta chegava a morder os lábios para aguentar: a resistência do hímem era um desafio para seu nível de excitação, mas ele estava disposto a levar aquilo da forma mais prazerosa possível para ela.

Então, Bulma sentiu uma dor quando ele finalmente estava inteiro dentro dela e gemeu baixinho. Ele perguntou se ela queria que parasse e ela gemeu um não que era ao mesmo tempo dolorido e excitado. Vegeta ficou um instante parado dentro dela, então, ela se esfregou nele, pedindo mais, e ele finalmente perdeu o controle. Logo ele a estocava e ela gemia, porque ao mesmo tempo que doía, era inimaginavelmente gostoso tê-lo dentro de si, e, depois de um tempo, eles acharam um ritmo próprio e logo os dois chegavam ao prazer juntos, agarrando-se um ao outro com força quando tudo chegou ao fim.

Vegeta deitou-se então ao lado dela, dando-se conta de quanto estavam suados e quentes quando ela se encostou nele. Os dois ficaram olhando então o pedaço de céu que aparecia por uma fresta da cortina mal fechada do quarto. A noite escura e sem lua fazia as estrelas no céu de Juhu cintilarem como diamantes. Ele a abraçou. Naquela manhã, ele partira certo de que ela seria dele, mas nem em seus melhores sonhos imaginara que seria tão bom.

- No que você está pensando? – perguntou Bulma.

- Que eu finalmente tenho a minha Bulma – ele disse – e isso é a melhor coisa do mundo.

Ela riu. Ele a abraçou mais forte. De alguma forma, cada risada, cada palavra que ela dizia o fazia mais feliz. Ele então, começou a falar:

- Meu pai jamais foi feliz nessa casa, sabia? Nem ele e nem minha mãe. Eu não entendi quando há uns meses ele inventou de fazer obras aqui, ajeitar a sala, ajeitar esse quarto... meus pais tinham esse quarto, mas eu só me lembro deles dormindo separados. Eu dormia no quarto do final do corredor, minha mãe no que fica em frente a esse, ao lado do quarto do Tarble... meu pai, quando dormia em casa, acabava dormindo num sofá do escritório. Ele e a garrafa de uísque.

- Ele bebia?

- Como um gambá. Principalmente...

- Principalmente?

- Logo depois que a mãe da Chichi morreu. – ele deu um suspiro – mas então... ele começou a trabalhar como produtor e se tornou mais sério. E logo depois, parou de beber. Claro que nessa época eu não estava mais aqui... por muito tempo eu tive raiva.

- Raiva? Do quê?

- De tudo. De ser quem eu era. De ter o pai que tinha. A única pessoa no mundo que eu amava era o meu irmão. Nós dois nos protegemos quando tudo desabou. Eu o protegi quando ele foi para o colégio interno. E aí quando me formei, eu tinha ainda mais raiva. E foi quando meu pai, sem que eu percebesse, me salvou e evitou que minha raiva se tornasse ódio. Ele me forçou a ser ator, é verdade. Mas hoje não me vejo fazendo outra coisa. E aí, uns meses atrás, ele começou a me falar das obras que tinha feito na casa... e disse: vou fazer alguma coisa, alguém que se interesse depois pode fazer o resto... ele nunca mandou embora a criadagem daqui, porque sabia que quando eu ficava puto com ele era aqui que eu me refugiava.

- Aqui?

- Sim. Eu não percebi que ele estava reformando a casa para mim. – ele riu – para que eu viesse morar aqui. Não sei se ele imaginava que eu e você... bom, o fato é que nos próximos meses vamos ter que decidir como vamos ajeitar o resto da casa. – ele olhou para ela – você gosta desse quarto assim? Quer mudar?

Ela olhou em volta. Sorriu e disse:

- É lindo. E o resto da casa? Parece muito grande.

- Ah, é. Tem mais 7 quartos, 5 aqui e dois no andar de baixo. Uma cozinha gigantesca... um salão de jogos lá embaixo, no térreo, está meio detonado. É dos anos 80, as mesas de sinuca estão bem ferradas... tem um terreno grande mas não temos uma piscina – ele riu. – você gosta de praia?

- Nunca fui muito. As praias de Mumbai são muito poluídas, né? Em Goa acho que ia mais... mas não me lembro.

- Sim, as praias daqui são poluídas como um esgoto. Juhu nem tanto. Enfim, aqui dá para ir à praia de vez em quando. Não é nem muito cheio. E à noite é bem bonito, digo, da varanda. Quer ver?

- Eu preciso... das minhas roupas, sabe? Eu não posso ir para a varanda... pelada.

Ele riu e levantou-se da cama, e, para surpresa de Bulma, saiu pela porta completamente nu. Logo voltou, vestindo um roupão e com a maleta dela nas mãos. Ela abriu e pegou a camisola longa, azul e a vestiu, sem roupa de baixo. Ele então afastou as cortinas e abriu a porta da varanda. Havia uma mesa e duas cadeiras, ele puxou uma cadeira e sentou-se, sentando-a no seu colo, e ela riu, aninhando-se a ele.

O mar era uma grande massa escura estendendo-se até o horizonte, e o céu não tinha nuvens, coalhado de estrelas. De repente, Bulma disse:

- Puxa... hoje não teve chuva...

- Sim, os Deuses decidiram que no dia do nosso casamento não podia chover. – os dois riram e ele completou – amanhã podemos tomar café da manhã aqui. Não temos mais um cozinheiro contratado, só faxineiras e uma pessoa que administra a manutenção da casa, mas posso pedir para entregarem comida aqui.

- E depois?

- Decidimos para onde vamos viajar na nossa lua-de-mel.

- Como?

- Sei lá, rodamos um globo e saímos apontando... escrevemos um monte de nomes e sorteamos...

Os dois riram. De repente, algo o ocorreu e ele disse, preocupado:

- Bulma... acabamos não tomando nenhum cuidado! Eu... eu sei que não tenho nenhuma doença mas não sei se é uma boa ideia nós dois...ainda é cedo para filhos, você acabou de fazer seu primeiro filme e...

Ela deu uma gargalhada e ele a ficou olhando, surpreso. Ela disse então, rindo:

- Quando tive meu Chunni e minha mãe conheceu a minha ex-futura sogra ela ficou receosa e me orientou a ir a um médico e começar a tomar anticoncepcional. Ela achou que ter filhos logo poderia ser um problema, também.

Ele respirou aliviado e disse:

- Então estamos seguros?

- Teremos filhos quando quisermos! – ela riu – e não vai ser agora.

- Está com fome? – ele perguntou.

- Tem comida, aqui?

- Provavelmente não. Mas posso pedir alguma coisa.

- Ainda não estou com fome...

- Quer voltar para a cama?

Ela deu um sorrisinho e ele a puxou de volta para o quarto. A brisa do mar os embalou conforme ele tirava a camisola dela, seu roupão e logo os dois estavam de novo embalados num abraço de corpo inteiro. Eles trocavam beijos longos e carícias sensuais e logo ele estava novamente dentro dela, o amor dos dois era perfeito e os dois se entregaram ao prazer e quando tudo terminou, ela sussurrou para ele:

- Amo você, Vegeta...

- Não mais do que eu te amo.

- Não é engraçado? Eu me sinto como se...

- Como se quem você era antes tivesse morrido e agora você fosse outra pessoa?

- Isso. Ela sorriu. Como se eu tivesse, sei lá, morrido de amor.

- E nascido de amor também – ele disse, dando um beijo de leve nela.

- Exatamente isso – ela respondeu, aninhando seu corpo ao dele.

Na manhã seguinte, foram acordados pela luz da manhã entrando pela janela e ficaram um tempo na cama, até que ele disse:

- Hora do café da manhã e de decidir para onde vamos na nossa lua-de-mel...

Horas depois, Raaja Vegeta estava em seu escritório quando seu telefone tocou. Ele viu que era o número do filho, que não dava sinal de vida desde que desaparecera levando Bulma. Logo depois que ele atendeu Tarble o ouviu gritando:

- Como assim desmarcar todos os compromissos até agosto, garoto? O quê? Paris? Você ficou louco? Com o avião... ah, sim, claro, nenhum dos dois se importa mais em me dar satisfações, nem você e nem sua irmã!

Tarble riu e escreveu uma frase, no diálogo que preparava para um filme de romance: "Devemos fazer uma loucura, o que acha? Podemos pegar um avião e ir para Paris!"

Notas:

Não tem muito o que falar, né? Finalmente Bulma e Vegeta juntos, como vocês queriam. Com romance suficiente para acalmar vocês, minhas Vegelokas.

E agora? Depois de todo esse amor, querem mais o quê? Faltam apenas 6 capítulos para o fim da história.

Tem muita fantasia romântica nesse capítulo: dia de alto verão sem monções, céu estrelado na poluída Mumbai... tudo para criar um clima lindo para vocês.

Maar Daala, do filme Devdas, de 2002, foi eleito o número musical mais bonito dos primeiros 100 anos de Bollywood numa eleição da revista Filmfare no ano de 2013. O filme, dirigido por Sanjay Leela Banshali, é a quarta adaptação para o cinema do clássico da literatura indiana de mesmo nome, que conta a história do casal Devdas e Paro, prometidos e apaixonados desde crianças, mas que por um desentendimento entre famílias acaba separado, com Devdas se entregando ao alcoolismo diante dos olhos piedosos da cortesã Chandramukhi, que, mesmo apaixonada pelo rapaz, acaba servindo de intermediária da paixão platônica do casal, num drama que questiona costumes e tradições indianas de forma contundente. Maar Daala, no filme, é o momento mais bonito do personagem de Madhuri Dixit, que aposta sua própria liberdade por amor a Devdas, que nos momentos finais da música cede ao alcoolismo, dando início à decadência do personagem.