N/A: Então...
Capítulo 53
A batalha
"This is the end. Hold your breath and count to ten."
"Skyfall" – Adele.
Ficaram parados naquela posição por poucos segundos. Sentiam o suor começar a secar e formando uma camada pegajosa sobre suas peles ainda iluminadas pelo fulgor da lareira. Àquela altura, Severo já havia amolecido dentro dela enquanto Elizabeth podia sentir o sêmen dele escorrer para fora do seu corpo.
Parecia muito tempo dentro do mundo frágil deles, mas não havia se passado um pouco mais de dois minutos. Não havia tempo para o depois, o torpor do carinho pós-sexo. Não havia tempo para um banho a dois, para se limparem e se amarem mais uma vez debaixo do chuveiro. Havia apenas a areia da ampulheta se esvaziando para o outro lado depressa demais.
Depressa demais.
Tique-taque. Tique-taque. Tique...
Ela foi a primeira a se mover, e evitou ao máximo olhar para ele naquele momento. Temia que não conseguisse seguir em frente se olhasse para os olhos dele mais uma vez. Uma última vez.
Taque.
Alcançou sua varinha perdida em um bolso da calça igualmente perdida sobre o sofá de couro. Um floreio foi o suficiente para deixá-la limpa, assim como Severo. Os dois se vestiram em absoluto silêncio, como se vestissem suas armaduras de guerra.
Tique-taque.
Sentou-se para amarrar os cadarços dos tênis ao passo que Snape abotoava o último botão da sobrecasaca quando, finalmente, se virou para ela.
— Ele descobriu que você é a garota da profecia.
Tique-taque.
— Desde quando ele sabe? — Sua voz ainda era muito calma.
— Faz umas duas semanas que ele descobriu. Binns conseguiu traçar a linhagem da sua família.
Tique...
Quando ela estava prestes a respondê-lo, Severo sentiu a Marca queimar em seu braço. Trocando um curto olhar com Elizabeth, que se levantava, ele declarou:
— Os Carrow pegaram o garoto.
Taque.
ooOOooOOoo
Caminhou sem pressa em direção da Torre da Corvinal. Se havia um lugar até onde o garoto iria, seria aquele. Viera até Hogwarts pensando em destruir o diadema perdido de Ravenclaw sem saber que Elizabeth já o destruíra um ano antes. Amaldiçoou o padrinho em pensamento, como vinha sendo de praxe. Era isso que ele queria ao não contar ao garoto que a horcrux do diadema já havia sido aniquilada. Dumbledore quis que Harry Potter retornasse à Hogwarts.
Naquele momento percebeu como as masmorras eram demasiadamente distantes de outros pontos principais do castelo, inclusive da torre onde jazia o Salão Comunal da Corvinal.
Muitos minutos depois, quando finalmente alcançava a sala, viu McGonagall sair e lançar diversos Patronos; os gatos alumiados desceram pelas escadarias. Seguiu a professora com discrição e escondeu-se atrás de uma estátua quando, alguns andares abaixo, ouviu, assim como a professora, passos abafados.
— Quem está aí? — Elizabeth conseguiu ouvir o forte sotaque escocês de Minerva.
— Sou eu — a voz inconfundível de Snape se fez presente.
Os dois discutiram por um breve momento. Snape questionou se Minerva havia avistado os Carrow, uma pergunta que foi respondida com displicência. O debate nada amigável ainda decorreu por algumas poucas perguntas e respostas atravessadas, até Snape questionar se a professora vira Harry Potter. Sabendo que já havia sido desmascarada, McGonagall lançou, ligeiramente, um feitiço na direção do atual diretor.
Elizabeth assistia ao duelo ainda escondida atrás da estátua, questionando-se se era o momento certo para se revelar. Optou por esperar mais um pouco. Não queria ter que fingir duelar com Severo nem queria levantar as desconfianças de Minerva contra si.
Em algum determinado momento, Flitwick, Sprout e Slughorn os alcançaram e Snape se refugiou atrás de uma armadura. Gritando, Flitwick enfeitiçou a armadura para que criasse vida e ela segurou e apertou Snape contra si. O espião conseguiu se soltar, fazendo a armadura voar na direção de alguém que estava oculto por uma capa de invisibilidade. Harry, pensou Elizabeth. Àquela altura, em meio a um duelo, era difícil manter-se totalmente coberto pela capa. Sendo assim, ela finalmente saiu de seu esconderijo e com a varinha apunhalada fez a armadura que voava na direção do garoto explodir em uma nuvem de poeira.
Snape adentrou uma sala de aula vazia e foi seguido por McGonagall, Flitwick e Sprout. Elizabeth se adiantou para conferir se o menino estava bem e descobriu que Luna Lovegood também estava com ele.
— COVARDE! — Puderam ouvir Minerva gritar.
Os três correram para dentro da sala e os professores encaravam a janela quebrada.
— O que aconteceu? — O garoto perguntou ao correr para a janela, ignorando os gritos de surpresa dos demais professores perante sua presença.
— Ele saltou. — McGonagall respondeu com nojo. — Mas não está morto. Snape aprendeu muitos truques com o seu mestre, pelo visto. — E um pouco ao longe eles puderam ver uma forma negra voar para fora dos limites do castelo.
Slughorn, ofegante e assustado, os alcançou e se assustou ao avistar Potter e Elizabeth.
— Sr. Potter? Srta. Jones? Mas... O quê?! Snape?
— O nosso diretor vai tirar umas breves férias — disse McGonagall.
Na mesma hora, a cicatriz do garoto ardeu como nunca e ele viu Voldemort sair do lago de Inferis com uma expressão de fúria mortal. Provavelmente havia se certificado de que o medalhão tinha sido levado.
— Ele está vindo. — Harry disse. — Precisamos barricar a escola!
— Muito bem. Aquele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado está vindo até a escola — disse Minerva e os outros professores ofegaram. — Potter tem uma tarefa incumbida por Dumbledore para cumprir, então precisamos lançar todo tipo de proteção no castelo, enquanto Potter procura o que precisa.
— Naturalmente, você sabe que nada manterá Você-Sabe-Quem longe por muito tempo, não é? — Chiou Flitwick.
— Mas podemos retardá-lo — respondeu Elizabeth.
— Exatamente. É muito bom revê-la, Elizabeth. — Minerva e Elizabeth trocaram olhares de carinho e admiração. — Sugiro que lancemos uma proteção básica ao redor da escola, depois reunamos os alunos no Salão Principal. A maioria precisa ser evacuada, mas se alguém maior de idade quiser ficar para lutar é um direito deles.
Sprout concordou e declarou antes de sair que reuniria seus alunos. Harry finalmente olhou para Elizabeth com atenção e disse:
— Neville me falou que estava aqui. O que veio fazer? Também veio atrás do diadema?
— Harry, eu vim porque sabia que viria atrás da horcrux — mentiu. — Mas o diadema já é assunto resolvido. Eu o encontrei e destruí a horcrux antes do meu padrinho morrer.
— Como assim? — Franziu o cenho. — Dumbledore não me avisou...
— Porque era exatamente o que ele queria — deitou seus olhos sobre o garoto de maneira terna. — Alvo queria que viesse até Hogwarts. É aqui que tudo vai acabar, Harry. Aqui e hoje.
Os olhos de esmeralda do garoto vacilaram por uma fração de segundos, mas não teve tempo de alegar nada, pois Minerva declarou:
— Esperamos você e seus alunos no Salão Principal dentro de vinte minutos, Filio. — Ela olhou para os outros três. — Vocês, venham comigo.
Quando chegaram à saída da sala, Slughorn pareceu acordar do torpor que o atingiu. Pôs a mão sobre o peito e exclamou:
— Caramba! Minerva, não sei se o que está fazendo é certo. Você-Sabe-Quem conseguirá entrar de um jeito ou de outro...
— Também espero você e os alunos de sua Casa no Salão Principal, Horácio — declarou McGonagall com raiva. — Se quiser se retirar com eles, a escolha é sua. Não impediremos. Mas se algum de vocês tentar sabotar nossa resistência ou se virar contra nós, então duelaremos até a morte.
— Minerva! — Quedou-se, horrorizado.
— Está na hora da Sonserina decidir a quem é leal...
— Minerva — Elizabeth a interrompeu —, não é o momento para rivalizar as Casas. Slughorn está apavorado como todos nós. — Virou-se para o professor de Poções, sabendo que Minerva a fitava com incompreensão. — Horácio, reúna os seus alunos. Aqueles que quiserem lutar, ótimo. Deixe-os. Mas é prudente evacuar do castelo os filhos e parentes de comensais, por segurança.
O professor assentiu com a cabeça, ainda completamente paralisado, e Elizabeth virou-se para seguir McGonagall, junto de Potter e Lovegood. Filch apareceu para atrapalhá-los, mas foi rechaçado por Minerva. A professor ergueu sua varinha e declamou:
— Piertotum locomotor! — As estátuas e armaduras criavam vida enquanto Minerva bradava. — Hogwarts está ameaçada! Guardem os muros, nos protejam, cumpram o seu dever para com a escola!
Uma horda de estruturas de pedra e metal passou por eles, sendo comandados pelos dizeres da professora. McGonagall pediu para que os adolescentes voltassem à Sala Precisa e pediu para que Elizabeth a seguisse, e assim ela o fez.
ooOOooOOoo
Reuniu-se com os demais professores e os membros da Ordem da Fênix para lançarem encantamentos em volta do castelo. Elizabeth tomou a liberdade para usar alguns feitiços de magia das trevas, dizendo a si mesma que qualquer mecanismo era bem-vindo naquela luta.
No caminho para o Salão Principal, encontrou Melissa e Paul – que ela não sabia que havia se unido à Ordem – e, logo depois, os pais e o irmão.
— Cadê o Hector? E a vovó? — Foi a primeira coisa que disse quando alcançou Edward.
— Os dois estão com a tia da Emma. Assim como o Teddy.
— Teddy?! — Exclamou um pouco surpresa ao mesmo tempo que avistou Tonks e Andrômeda se unirem aos outros no salão. — Mas e Narcisa?
— Está com os outros...
— Ela voltou? — Quase gritou, e seu irmão a fitou com alarde.
— Narcisa decidiu que era melhor retornar para eles, para termos alguém daquele lado. — Edward murmurou. — Foi uma escolha dela. Ela vai manter a mentira de que foi sequestrada, dará respostas convincentes e estará zelando por nós do outro lado.
Ele deu o assunto por encerrado quando a segurou pela mão, levando-a até o Salão Principal, onde toda a Ordem e o corpo docente de Hogwarts se reunia para organizarem a evacuação dos alunos mais novos e as frentes de combate.
— Já fizemos toda a proteção em volta do castelo — McGonagall dizia —, mas não durará muito tempo. Portanto, peço a vocês que caminhem calmamente e façam o que seus monitores-
Mas uma voz se sobrepôs à da professora. Soava quase etérea e parecia falar dentro das mentes de todos que estavam no salão.
"Sei que estão se preparando para lutar."
Muitos alunos gritaram, completamente apavorados. A voz seguiu:
"Mas seus esforços são inúteis. Não podem lutar comigo. Não quero matar vocês. Tenho muito respeito pelos professores de Hogwarts. Não quero derramar sangue mágico."
Voldemort continuou a falar e Elizabeth sentiu um frio terrível em seu estômago, uma sensação de pavor que nunca sentira antes.
"Entreguem-me Harry Potter e Elizabeth Jones e ninguém saíra ferido. Entreguem-me eles e não tocarei na escola. Entreguem eles a mim e serão recompensados. Vocês têm até meia-noite."
Um silêncio fúnebre engoliu o salão e todos os olhos pareciam encontrar Harry e Elizabeth. Uma voz vinda da mesa da Sonserina se levantou. Era Pansy Parkinson.
— Eles estão ali, os dois. Peguem logo!
Diversas pessoas se colocaram entre Harry e Elizabeth, fazendo uma barreira humana de proteção e com suas varinhas levantadas.
— Muito obrigada por se pronunciar, Srta. Parkinson. — Elizabeth disse com cinismo. — Será a primeira a sair com Filch. Se mais alguém que pensa o mesmo quiser se unir...
Surpreendentemente, não foram tantos os alunos da Sonserina que se levantaram para deixar o castelo; pelo menos não tantos quanto Elizabeth esperava, e a surpresa no rosto de McGonagall era evidente. Aos poucos, os alunos mais novos dos restantes das Casas também foram saindo o mais calmamente possível, permanecendo apenas os mais velhos para lutar.
Kingsley subiu à plataforma, onde outrora fora ocupada por Minerva.
— Temos um pouco mais de meia hora até a meia-noite, então precisamos ser rápidos. Os professores Flitwick, McGonagall e Sprout vão levar os grupos combatentes até o topo das três torres mais altas: Corvinal, Grifinória e Astronomia. Dali terão uma visão abrangente e ótimas posições. Nesse meio-tempo, Remo, Arthur, Robert — ele apontava para cada pessoa mencionada — e eu levaremos grupos para os jardins. Enquanto isso, Melissa irá liderar Cássia, Andrômeda e Paul no auxílio aos feridos, enquanto Pomfrey não retorna com Filch. Precisaremos de alguém parar lidera as defesas nas passagens da escola...
— Deixa com a gente. — Fred declarou olhando para o irmão.
— Vou com vocês — disse Edward, caminhando para próximo dos gêmeos.
— Muito bem — declarou Kingsley. — Os líderes venham até aqui para dividirmos os grupos.
ooOOooOOoo
Alguns minutos depois, Elizabeth caminhava para os jardins. Seus passos eram rápidos e longos, e a expressão no seu rosto era um mix de raiva e determinação que fazia qualquer um em seu caminho se afastar. Atrás dela, vinham seu pai, Kingsley e Lupin.
— Elizabeth! — Lupin chamou enquanto tentava alcançá-la. — O combinado foi você ficar com Melissa.
— Até parece que vou ficar cuidando dos feridos — disse sem olhar para trás. — Eu vou para a linha de frente!
— Elizabeth — o homem finalmente chegou até ela e se pôs na sua frente, impedindo-a de continuar —, você está visada. Por algum motivo, Você-Sabe-Quem te quer tanto quanto quer Harry. Não podemos te deixar na linha de frente.
— Eu odeio soar soberba, mas eu sou a herdeira de Rowena Ravenclaw — os homens a olharam embasbacados —, e nós, corvos, não nos acovardamos.
Dito isso, ela desviou de Remo e continuou a caminhar até os jardins. Lupin olhou para Robert como se o repreendesse por não controlar a filha, o que o homem apenas respondeu com um dar de ombros e disse:
— Eu conheço a filha que tenho, Remo. Você não pode controlá-la. Ninguém pode.
ooOOooOOoo
Àquela altura, cansada, suada e machucada, Elizabeth já havia matado pelo menos cinco Comensais da Morte e deixado mais uns trinta desacordados. Seu rosto ardia como nunca por um corte fundo em seu rosto feito por Leambroundi – quem ela, orgulhosamente, desarmou e estuporou.
Correu até o Salão Principal, onde os feridos chegavam cada vez mais, e localizou a mãe que auxiliava Pomfrey. Cássia exclamou de horror quando viu o rosto ensanguentado da filha e se aproximou com a varinha e unguento. Em questão de segundos, a dor quase se extinguiu e sentiu que o sangue parara de verter, mas era um corte profundo e sabia que ganhara uma nova cicatriz.
— Viu meu pai? — Perguntou enquanto limpava o sangue do rosto com um pano.
— Não... Ele não está nos jardins? — A voz de Cassiopeia tremeu.
— Ele entrou para ajudar um aluno que estava perdendo para um comensal, mas não o vi mais.
— Ele deve ter adentrado o castelo para ajudar outras pessoas — virou-se para a perna ensanguentada de um jovem rapaz. — Ele vai ficar bem.
Elizabeth assentiu com certeza e correu para fora do salão. A perna há muito tempo atingida doía consideravelmente, mas nada a fez parar de correr. Viu Harry, junto dos dois amigos, avançar para fora do castelo e por um impulso, que não saberia dizer de onde viera, ela os seguiu. Porém, antes que pudesse alcançar os jardins, Dolohov se materializou à sua frente.
— Ora, ora, Srta. Jones — disse com um sorriso maldoso pendendo de seus lábios. — Você nos causou muito estresse quando fugiu.
— Estresse, é?! Pois te digo que minha perna nunca esqueceu você, Dolohov.
Ela, então, lançou um feitiço não-verbal, que por muito pouco não o atingiu. Ele rebateu com um Cruciatus, mas que foi desviado com um Protego poderosíssimo, que fez o feitiço se virar para ele. Enquanto se contorcia em dor, Elizabeth fez surgiu cordas que o prenderam por todo corpo e o ergueram até que permanecesse preso no alto das paredes do castelo, gritando por ajuda.
Atravessou os jardins o mais rápido que sua perna permitia. Desviou-se e rebateu a maioria dos feitiços que eram jogados sobre ela; um ou outro a atingiu superficialmente, abrindo pequenos rasgos em sua roupa. Usou o Wingardium Leviosa para fazer o graveto tocar o Salgueiro Lutador e adentrou a Casa dos Gritos.
Engatinhando, Elizabeth encontrou Hermione e Rony quietos, escondendo-se atrás de uma parede. Imaginou que Potter estivesse oculto pela Capa da Invisibilidade, o que era o correto a se fazer. Os dois adolescentes visíveis olharam para Elizabeth com espanto enquanto ela levou o indicador aos lábios, sinalizando para que permanecessem em absoluto silêncio.
— Tenho um problema, Snape — pôde ouvir a voz sibilada de Voldemort.
De onde estava, Elizabeth não conseguia ter nenhum vislumbre do cômodo à frente, a não ser da luz mísera da vela. Ao ouvir o nome de Snape, seu coração gelou e sentiu a mesma sensação aterrorizadora que sentira muito antes.
Snape estava ali para ser morto.
Voldemort tentaria matá-lo.
— Por que ela não funciona comigo, Severo?
— Mi-milorde? — Era a primeira vez que Elizabeth o ouvia gaguejar. Era a primeira vez que presenciava Severo Snape com medo. — Não entendo. O senhor realizou magia extraordinária com essa varinha.
— Não. Realizei minha magia habitual. Eu sou extraordinário, mas essa varinha? — Não podia vê-lo, mas Elizabeth imaginou que Voldemort fizera sua face de desprezo e ódio. — Não vejo diferença entre essa varinha e a que comprei de Olivaras há tanto tempo.
Um breve silêncio se fez antes de Voldemort continuar.
— Estive pensando, Severo... Você sabe por que o chamei até aqui?
— Não, milorde. Mas peço para que me deixa retornar. Me deixe encontrar o Potter.
— Você parece o Lúcio falando — disse com impaciência. — Ninguém compreende Potter como eu. Ele não precisa ser achado, ele virá até mim. Conheço a fraqueza dele, o seu grande defeito. Ele não suportará ver os outros morrendo por ele e, então, ele virá.
— Mas, milorde, e se ele for morto...
— Minhas instruções aos meus comensais foram claras — interrompeu-o. — Capturem ele. Não o matem.
— Então me deixe ir atrás da garota, pelo menos. Posso trazer Jones até o senhor.
— Não, Severo. Não. Eu o chamei aqui, Severo, para falar de você. Você tem sido tão valioso para mim. Tão valioso.
Elizabeth fez um movimento inconsciente, como se fosse se levantar, mas a mão de Hermione a puxou de volta. Ela segurou a varinha muito forte e continuou a ouvir aquela tortuosa conversa.
— Por que as duas varinhas que apontei para Harry Potter não funcionaram, Severo?
— Eu... Eu não sei, milorde.
— Não sabe? — Houve uma pequena pausa antes de Voldemort continuar. — Minha varinha de teixo fez tudo que lhe pedi para fazer, exceto matar Potter. Falhou duas vezes. Depois que Olivaras contou sobre os núcleos gêmeos e me aconselhou a pegar outra varinha, peguei a de Lúcio, mas a varinha foi destruída.
— Não tenho explicações para isso, senhor.
— Procurei outra varinha, Severo. A Varinha das Varinhas, a Varinha do Destino, a Varinha da Morte. Tirei-a do seu dono, tirei-a do túmulo de Dumbledore.
— Milorde... Me deixe ir até o garoto...
— Durante toda essa noite, eu estive aqui, pensando — o tom dele não passava de um sussurro — por que a Varinha das Varinhas não me responde devidamente, por que se recusa a agir como a lenda conta e... Acho que já sei a resposta. Talvez você também saiba, Severo. Afinal, é um homem muito inteligente.
— Milorde...
Um breve momento de total silêncio se fez e Elizabeth se sentia entorpecida, tentando se convencer de que aquilo não era real, que não estava acontecendo, mas estava. Era real. Era uma guerra. E Voldemort mataria Snape.
— Mate – disse em ofidioglossia.
Sabia o que era o medo paralisante. Aqueles minutos infernais em que seu corpo não parece capaz de assumir os comandos enviados pelo cérebro, em que não se sente dona das suas ações. Por que um corpo se ele não lhe obedecia? Por que um corpo se não conseguia ao menos se mexer enquanto podia ver a sombra de Nagini investir sobre Severo?
Permaneceu colada ao chão, completamente incapacitada de se mexer; o ar nem mesmo parecia adentrar seus pulmões. Assumiu controle sobre seu corpo no que pareceu muito tempo depois, embora não houvesse passado mais do que alguns segundos. Notou que os outros pareciam tão chocados quanto ela, e foi a primeira a se levantar para correr até ao cômodo onde acontecera a conversa.
Mas Voldemort e Nagini já haviam ido embora. No chão, estava apenas o corpo ensanguentado de Severo Snape.
N/A:
- Contém trechos adaptados da obra de J.K. Rowling, "Harry Potter e as Relíquias da Morte", 2007.
