N/A: Obrigada por tudo!
Capítulo 55
O depois
"I found something in the woods somewhere."
"In The Woods Somewhere" – Hozier.
Ele abriu os olhos lentamente. Muito lentamente, pois pareciam que suas pálpebras estavam coladas, e se perguntou há quanto tempo estivera desacordado para que aquilo acontecesse. A claridade também foi um obstáculo, que o fez fechar os olhos mais uma vez e piscar várias vezes até suas pupilas se acostumarem com a luz.
A primeira coisa que notou, tirando a luz, foi o som de bipe de algum equipamento, algo que monitorava seus batimentos cardíacos. Logo depois notou o cheiro característico de hospital e um incômodo enlouquecedor em sua garganta. Antes que pudesse se mexer, o rosto negro e simpático de uma mulher surgiu em seu campo de visão.
— Sr. Snape, consegue me ouvir? Está me entendendo?
Ele quis falar, mas a secura e incômodo em sua garganta o impediam. Sendo assim, ele balançou a cabeça para cima e para baixo. A medibruxa puxou a varinha do jaleco e a apontou, com a ponta acesa, para os olhos de Snape para conferir o funcionamento de suas pupilas.
— É bom vê-lo bem, Sr. Snape — ela sorriu para ele. — Eu sou a Dra. Williams e sou responsável por você. Sei que deve estar cheio de perguntas para fazer, mas vou recomendar que evite falar um pouco.
"O senhor foi mordido por uma cobra durante a batalha de Hogwarts. Além do veneno, as presas atingiram uma veia importante e o senhor perdeu muito sangue. Teve uma infecção séria que o deixou em coma por um pouco mais de um mês. Esse incômodo na garganta que sei que deve estar sentindo é da sonda nasogástrica que o alimentou durante esse tempo.
"Vou comunicar à equipe de que está consciente e logo, logo as enfermeiras virão para livrá-lo da sonda e para realizar alguns exames. Tudo bem?"
Ele estava nitidamente em choque com todas aquelas informações, mas balançou a cabeça em compreensão e a medibruxa sorriu mais uma vez antes de sair.
ooOOooOOoo
Algumas horas mais tarde, com os exames feitos e, finalmente, livre da maldita sonda, a doutora o encontrou novamente, sempre com o sorriso satisfeito brincando em seus lábios.
— Quando irei sair? — Foi a primeira coisa que ele perguntou; a voz muito rouca.
— É sempre o que querem saber — riu. — Precisamos saber o resultado dos exames antes. Além disso, o senhor ficou desacordado por um tempo considerável, perdeu peso e talvez tenha algumas dificuldades de locomoção. Mas eu estou otimista, Sr. Snape. Espero que dentro de uma ou duas semanas o senhor já esteja de alta.
Alguém bateu à porta. Uma batida tímida e rápida. Ela se abriu lentamente para que um rosto bonito surgisse pela fresta.
— Ah, olá, Srta. Jones — a Dra. Williams sorriu para ela. — Entre. Eu já estava de saída. Vou deixar vocês dois à vontade.
A medibruxa tocou o ombro de Elizabeth antes de sair, mas os olhos dela estavam presos no homem deitado à maca. Assim que a porta se fechou, declinou a cadeira ao lado da cama, e se sentou ao lado dele sobre o colchão.
— Como está se sentindo?
— Bem. Muito bem. — Snape estendeu a mão para tocar seu rosto.
Ela parecia diferente da última vez que a vira. Os cabelos tinham crescido muito pouco, mas parecia ter recuperado boa parte do peso. Elizabeth trazia uma expressão cansada, mas aliviada ao mesmo tempo. Apenas uma coisa o incomodou, que foi a longa cicatriz que começava próximo do olho esquerdo e descia até um pouco abaixo da boca.
— O que foi isso? — Perguntou com certa raiva ao imaginar quem poderia ter feito aquilo com ela.
— Obra do Leambroundi — deu de ombros. — Mas está tudo bem. Ele está preso aguardando julgamento, assim como vários outros comensais.
— Isso quer dizer...
— Quer dizer que sim, Severo. Nós vencemos.
Ele se calou por algum tempo, a mão abandonando delicadamente o rosto de Elizabeth para segurá-la pela mão. Ela respeitou o seu silêncio e choque. Se nem mesmo ela acreditava que finalmente a guerra acabara, mal podia imaginar como Snape estava se sentindo. Ele, que fora um espião, um soldado, por tantos anos, durante praticamente metade de sua vida, finalmente estava livre de seus deveres. Não existia mais Lorde das Trevas, Comensais da Morte, guerras. Não precisava mais fingir, não precisava mais se matar por uma causa. Estava livre. E a liberdade o apavorava, pois não a conhecia.
— Vencemos — ele repetiu —, mas quantos perdemos para isso?
Elizabeth suspirou. Apertando a mão que segurava a sua, ela contou:
— Perdemos Lupin, Dédalo, Fred Weasley, Colin Creevey... Enfim, foram muitos.
— E os danos?
Ela o encarou por alguns segundos e desviou os olhos momentaneamente. A mão de Snape alcançou seu queixo e, delicadamente, ele a virou para si.
— Lilá Brown ficou com cicatrizes feíssimas por causa de Greyback, mas nada de licantropia — comentou. — Edward foi atingido por estilhaços de vidro e perdeu a visão do olho esquerdo, meu pai... Bem, uma parede desmoronou perto dele e ele foi atingido. Demoramos a encontrá-lo, pois ele ficou sob os destroços. Ele sofreu uma fratura na coluna.
— E...?
— Não é reversível. Os médicos até cogitaram reconstruir a coluna dele, mas os riscos eram muito altos. Papai optou pela cadeira de rodas. — Riu uma risada triste. — Ninfadora foi gravemente ferida. Não acho que ela poderá voltar a trabalhar como auror.
Snape secou uma pequena lágrima que escapou pelo canto do olho de Elizabeth. Ela lhe ofereceu um sorriso triste e deu de ombros.
— Mas foi uma guerra, não é?! Já sabíamos que haveria essas perdas e essas sequelas. — Piscou algumas vezes para afastar qualquer resquício de choro e disse. — Kingsley quer vê-lo.
— Kingsley?
— Ele foi nomeado Ministro da Magia.
— E o que o ministro quer comigo? — Questionou, embora já soubesse a resposta.
— Ele precisa entregar sua intimação — respondeu sem jeito. — Devem marcar a primeira audiência para assim que você receber alta.
Snape bufou e revirou os olhos. Sabia que não escaparia de um julgamento se sobrevivesse, mas não esperava que o assunto surgisse tão rapidamente.
— Fique tranquilo. — Elizabeth garantiu. — Nós contratamos o melhor advogado do Reino Unido e suas testemunhas são fortíssimas. As coisas estão ao seu favor.
ooOOooOOoo
Elizabeth não estava enganada.
No dia 23 de junho, iniciou-se o que a imprensa bruxa estava chamando de "Julgamento do Século". Snape surpreendeu-se com a quantidade de pessoas que estavam o apoiando e como, agora, ele parecia ter um pequeno "fã clube". Elizabeth explicou-lhe que Harry contara a Voldemort sobre sua real lealdade e que muitas pessoas estavam presentes quando isso aconteceu. Além disso, o fato d'O Eleito estar ao seu lado, apoiando-o publicamente, contribuiu – e muito – para que uma quantidade surpreendente de pessoas também acreditasse em sua inocência.
Mas durante seus quase vinte anos como espião, Severo Snape também reuniu muitos desafetos e inimigos, incluindo alunos que sofreram na mão de carrasco do ex-professor. Esse grupo – que mesmo que fosse menor, ainda recebia bastante atenção da mídia – também esteve presente em todos os dias de julgamento, com seus cartazes e gritos de condenação, que entravam em conflito com as palavras de ordem dos apoiadores.
O julgamento durou dois meses. As testemunhas de acusação eram parcas, embora as informações que trouxessem fossem reveladoras. Em contrapartida, as testemunhas de defesa eram nomes respeitados, heróis de guerra. Elizabeth e Edward Jones, Harry Potter e Minerva McGonagall. Até mesmo Narcisa – que também já tinha passado pelo seu próprio julgamento, do qual foi sentenciada apenas a um ano de serviço comunitário – testemunhou.
Até que, finalmente, em agosto, o ministro Kingsley Shacklebolt bateu seu malhete. O júri popular, como era de se esperar, inocentou Severo Snape da grande maioria das acusações, embora não pudesse fugir dos crimes de omissão e assassinato. Sendo assim, sua pena fora um ano de reclusão domiciliar e seis meses de restrição de magia. Não gostou nem um pouco de ter que entregar sua varinha, mas o fez, tendo a consciência de que em alguns meses a teria de volta e, é claro, agradecendo por não ter ido parar em Azkaban.
Saindo do tribunal, com a visão sendo ofuscada pelos flashes das câmeras, Elizabeth encontrou sua mão e a segurou, e eles caminharam juntos de mãos dadas. Precisou ser escoltado para fora do Ministério, tamanho era o assédio da mídia. Nessa hora, pensou que a prisão domiciliar viria a calhar para manter aqueles sanguessugas o mais longe possível.
Antes de ir até a sala onde ele receberia sua pulseira eletrônica, ouviu seu nome ser gritado. Virou-se para encontrar o Menino-Que-Sobreviveu ofegante por ter corrido até ele e um tanto encabulado.
— Snape, estou muito feliz que tenha dado tudo certo. Eu queria pedir desculpas por tudo e, também, agra...
— Sr. Potter — cortou-o —, poupe-me desse sentimentalismo grifinório público e exacerbado. — Ele sentiu Elizabeth apertar seus dedos e viu que ela o olhava com repreensão. Por isso, ergueu a sobrancelha para ela e se voltou para o garoto. — Mas aceito seu agradecimento, da mesma maneira que espero que aceite as minhas desculpas.
Harry piscou os olhos verdes algumas vezes, incrédulo pelo que presenciava. Era Severo Snape pedindo desculpas genuinamente, mesmo que Elizabeth tivesse chamado sua atenção. Balançando a cabeça, o garoto indicou que estava tudo bem, que as desculpas eram mais do que aceitas. E então, em mais um gesto surpreendente, Snape estendeu-lhe a mão. Harry não hesitou e também levantou a mão, segurando a de Snape em um aperto de paz que ficaria registrado para sempre, nas memórias de cada um e nos jornais que não perdiam um movimento sequer.
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Maio de 1999
Não era mais do que nove horas da manhã quando Elizabeth gemeu de encontro aos lábios de Severo no momento em que ele se pôs dentro dela. Ele se afastou minimamente, usou a ponta do nariz para traçar a fina linha da cicatriz na bochecha dela antes de afundar o rosto na sua curva do pescoço.
As pernas dela se enroscaram ao redor da cintura dele e ela segurou seus cabelos entre os dedos, puxando-os até que ele se afastasse, até que conseguisse olhá-lo nos olhos. Ela explodiu sob a admiração do olhar dele, enquanto Severo precisou de mais alguns segundos até gozar sobre a barriga dela.
Algumas horas mais tarde, após o almoço, ele estava defronte o espelho, ajeitando as vestes que cobriam seu corpo. A roupa não era muito diferente da sua habitual sobrecasaca, porém, era feita de um tecido menos grosso e possuía um corte mais fino. Pelo espelho, viu Elizabeth se levantar da penteadeira. Duas mechas do seu cabelo estavam presas atrás da cabeça e ela usava uma maquiagem leve, incapaz de esconder a cicatriz do rosto. Ela trajava vestes igualmente negras; um bonito macacão de mangas longas.
— Está pronto? — Ela perguntou, olhando-o pelo espelho.
Snape apenas assentiu com a cabeça e deu a mão para ela. Eles caminharam para fora da casa onde agora moravam juntos – em Salthouse, que ficava a uns cinco quilômetros de Blakeney – e aparataram.
Seus pés encontraram o chão de Hogsmead enquanto outras pessoas caminhavam em direção à Hogwarts. Snape, que ainda estava em reclusão domiciliar, havia recebido uma autorização do Ministério para que pudesse comparecer à cerimônia, e se sentiu estranho por finalmente sair de casa e, principalmente, por estar voltando à Hogwarts.
Fazia um ano desde a batalha, e a escola e o Ministério da Magia se uniram para realizar uma cerimônia em memória dos mártires e em homenagem àqueles que lutaram. Snape não queria ir, a princípio. Sabia que receberia uma condecoração do próprio ministro, mas não se achava merecedor. Ademais, sempre odiou ser o centro das atenções, e só de estar ali, caminhando pelo jardim até chegar ao castelo, muitos olhares o observavam. Estava ali porque fora convencido por Elizabeth.
O castelo estava quase totalmente recuperado. Podia ver apenas uma ou outra falha na construção, mas que logo, logo seria consertada. As aulas voltariam apenas em setembro daquele ano – e Elizabeth estava ansiosa para retornar –, e o evento que aconteceria ali marcava o início de uma nova fase de Hogwarts.
— Pensou no que Minerva lhe propôs? — Ela se referia ao pedido da diretora para que Snape voltasse a lecionar. — Ela disse que queria sua resposta hoje ainda.
— Não vou voltar, Liz.
Elizabeth parou de repente e se virou para o seu noivo. Noivo, a palavra ainda era engraçada para ela. Possuía um vinco entre as sobrancelhas bem feitas, mas seu semblante não trazia surpresa.
— Nunca quis ser professor e nem levo jeito para o magistério — explicou. — Trabalhei aqui tanto tempo por causa de Dumbledore. Mas não quero voltar. Hogwarts é a minha casa, sempre será. Mas já chega de lecionar.
— E o que você tem em mente? — Sorriu-lhe.
— Eu tenho um pequeno leque de opções, não é? — Eles retomaram a caminhada. — Posso tentar algo no laboratório do St. Mungus, posso abrir um boticário... — Elizabeth não respondeu, mas o sorriso em seu rosto dizia que estava satisfeita com a ideia.
Eles deram quatro ou cinco passos para dentro do castelo quando, dessa vez, Snape parou. Sentiu seu coração acelerar e olhou para aquelas paredes de pedras. Foram seu refúgio por tantos anos, mas agora era muito estranho estar ali. Teve certeza mais uma vez da sua decisão de não voltar. Não o faria bem. Trazia muitas lembranças conflituosas, a morte de Dumbledore sendo a principal delas.
— Ei — a noiva o chamou. — Está se sentindo mal? Podemos ir embora, se quiser.
— Não, eu estou bem — abandonou a arquitetura do castelo e deitou seus olhos negros sobre a mulher que amava. — Acho que vou dar uma volta pelos jardins, tudo bem? Eu te encontro daqui a pouco.
Ela ainda quis dizer alguma coisa, mas pareceu desistir. Balançou a cabeça em compreensão e continuou caminhando até o Salão Principal. Snape ainda ficou algum tempo parado ali, observando as costas de Elizabeth se afastarem gradativamente. Quando a perdeu de vista, virou-se para fora do castelo.
A grama estava verde como jamais estivera antes, e amortecia com carinho os passos de Severo. Alguns bruxos ainda estavam ali, conversando e se encontrando antes de irem até o salão. Ele continuou a andar, sem nunca parar, até chegar à orla da Floresta Proibida. Ele observou as árvores e fitou em volta, certificando-se de que ninguém viria importuná-lo.
Adentrou a floresta com um sentimento bom de nostalgia e acolhimento. Talvez fosse a sua parte favorita de todo o terreno do castelo, e a única que não guardava lembranças ruins. Ele ia até a Floresta Proibida com frequência, quando ainda era professor, para colher ervas e plantas para suas poções. Quando foi nomeado diretor, ia até ali para ficar sozinho. Sentava-se sobre algum tronco caído e observava a copa das árvores, escutando os sons da natureza.
Continuou a adentrar a floresta, gostando de sentir o cheiro das folhas. Foi quando seu pé pisou em algo duro entre as folhas que revestiam o chão. Ele se afastou e viu que não era um pedaço de madeira nem uma rocha. Na verdade...
Ele se agachou e analisou o objeto. Era uma pequena pedra negra. Cutucou-a com a ponta do dedo e ao virá-la viu o símbolo das Relíquias da Morte gravado. Sentiu sua respiração pesar e um suor frio brotar de seus poros. Pegou a pedra na mão e se levantou, analisando-a minuciosamente. Uma parte de si quis largar a pedra e sair dali o mais rápido possível, já uma outra parte quis segurar a pedra com mais força e ver alguém.
Foi o que ele fez.
Snape fechou os olhos e apertou a pedra contra seus dedos. Sentiu uma breve brisa arrastar as folhas e ricochetear seus cabelos, e, então, sentiu o perfume dela. Aquele cheiro de rosas e cigarro.
— Olá, Severo. Como vai? Olhe só, as nuvens estão se afastando. Acha que fará sol hoje?
Ele abriu os olhos para encontrar Eileen Snape à sua frente. Ela observava o céu, procurando se certificar do que acabara de lhe questionar, e depois olhou para ele. Sua mãe estava da maneira que gostava de se lembrar dela, parecia com uma antiga foto de seu ano de formanda. Seu semblante era leve e despreocupado, e seus longos cabelos negros emolduravam um rosto de beleza incomum e singular.
— Mãe...
— Oi, querido — sorriu. — Eu precisava falar com você.
— Precisava?
— Ah sim! Tentei falar com você por sonhos, mas tem um sono muito leve — abanou a mão como se afastasse um mosquito. — Mas cá está você.
— O que... — ele ainda estava atordoado com o que via. — O que queria falar comigo?
— Eu... — hesitou — Eu precisava dizer que está tudo bem, Severo. Não precisa se martirizar pelas coisas que aconteceram. Muitas delas não foram culpa sua.
— Foram muitos erros, mãe.
— Sim, foram. Você não é perfeito, Severo, e ainda bem que não é. Mas seus erros não fazem totalmente a pessoa que é. Eles o fizeram ser o homem que é hoje, mas não o resumem a isso. — Eileen caminhou até um pequeno toco de madeira e se sentou. — Você quer ser feliz. Na verdade, você é feliz. Eu vejo isso. Está livre, vivo e com a mulher que ama ao seu lado. Porém, esse peso ainda o impede de sentir felicidade. Severo, esqueça isso. Você é feliz e tem o direito de ser, diga isso para essa vozinha dentro da sua cabeça.
Ele não quis, e nem tentou, impedir as lágrimas que vieram até seus olhos, e deixou que elas caíssem. Eileen sorriu para ele, um sorriso cheio de amor e uma certa angústia.
— Eu senti sua falta — sussurrou o homem.
— E eu, a sua — a voz de sua mãe também estava embargada. — Mas saiba que eu nunca deixei você, Severo. Sabe, eu sempre conversei com Ele sobre você.
— Deus existe, então?
— Não da maneira que as pessoas acham — riu. — Enfim, eu sempre conversei sobre você. Sofri contigo, chorei contigo, mesmo que não pudesse me ver. Você sofreu tanto, Severo... E fui eu quem pediu para que Ele enviasse um anjo para você.
— Ele enviou?
— Olhe para a aliança em seu dedo e terá sua resposta.
Ela se levantou e caminhou até o filho. Sua imagem translúcida parecia ficar cada vez mais clara e Severo soube que não tinham muito tempo.
— Escute — murmurou —, queria que soubesse que estou muito orgulhosa de você. Você se tornou o homem corajoso e íntegro que eu sempre soube que se tornaria. Eu amo você.
— Eu também te amo, mãe.
Eileen sorriu mais uma vez e deu as costas para o filho. Sua imagem oscilava a cada passo e antes que pudesse desaparecer, ela disse:
— Conte a ela sobre mim.
— Ela quem?
Eileen continuou a sorrir e a última coisa que pôde dizer antes de desaparecer foi:
— Vai descobrir.
N/A:
- Contém cena inspirada na música "Only One" de Kanye West.
Eu não vou começar nenhum discurso de agradecimento pois ainda temos um epílogo. Depois que eu postar o epílogo (que vai ser na segunda, e não na terça) vou fazer um agradecimento aqui como se fosse um capítulo novo.
No último capítulo, eu falei sobre fazer um Perguntas & Respostas sobre a fanfic e vou fazer sim. Coloquem suas perguntas nos comentários e, por favor, as sinalizem com um asterisco (*), só para eu não me perder. Vou tentar gravar um vídeo as respondendo e posto o link aqui na história mesmo, como se fosse um capítulo novo.
Mas e aí, um último questionamento. Do que a Eileen tá falando?
