Enquanto eu torcia os dedos da minha mão em sinal de nervosismo, Jasper e Emmett agiam na maior naturalidade possível, o que era incompreensível para mim, visto que eu podia a qualquer momento fugir pela porta daquele hospital.
Como se pudesse ler meus pensamentos Emmett me olhou com reprovação.
— O que? Por que está me olhando assim? – Perguntei sem graça.
— Nós dois sabemos o porquê. – Ele respondeu de forma acusatória.
— Você não vai fugir, não tem motivos para isso. Estamos aqui com você. – Jasper me tranquilizou.
— Como vocês conseguem continuar tão calmos? Eu sinto que a qualquer momento vou surtar de ansiedade. – Eu respondi irritada, enquanto Emm buscava água para mim.
— Apenas beba a água e respire um pouco, é normal ficar nervosa. Você ainda não teve tempo para digerir toda a informação. – Jazz tentou mais uma vez, inutilmente, me tranquilizar.
— Querida, já é um fato que você está grávida. Viemos apenas buscar uma orientação e uma confirmação com sua ginecologista. – Emm respondeu se sentando ao meu lado.
— Eu não sei mais se posso confiar em Kate, ela é muito otimista. Isso me ilude, me dá falsas esperanças de coisas boas. – Eu disse enquanto fechava os olhos, torcendo para que aquele bendito resultado chegasse logo.
Era impressionante e bizarro como Emm e Jazz estavam decididos a dirigir até o hospital mais distante da cidade apenas para que eu me sentisse confortável em receber a notícia de alguém que eu já conhecia.
— Estou em dúvida se fico feliz por ser otimista e te dar esperanças ou fico triste por isso está abalando sua confiança em mim. – Kate finalmente apareceu com um papel em mãos.
Sua beleza sempre me surpreendia, ela era alta, com cabelos loiros platinados e um sorriso de tirar a concentração de qualquer um. Bom, ela estava sorrindo, talvez não tenha se ofendido com meu comentário.
— Por favor Drª dê logo esse resultado para essa mulher, se houver mesmo um bebê aí dentro eu não duvido que ela entre em trabalho de parto a qualquer momento com tanta ansiedade. – Emm suplicou.
— Bom, isso certamente não é o recomendado, segure seu bebê por pelo menos mais 8 meses, Isabella. Receio que eu esteja sendo mais uma vez otimista, mas não estou surpresa com o resultado. Você está grávida de mais ou menos 5 semanas. – Ela disse sorrindo radiante enquanto esperava animada por uma reação.
Grávida. Eu estava grávida. Um bebê, meu Deus eu teria um bebezinho.
Involuntariamente levei minhas mãos à minha barriga. Havia um serzinho ali dentro, dividindo espaço com o cheiro das panquecas queimadas que Emm fez no café da manhã.
Foda-se se ele não está no meu estômago e sim no útero. Provavelmente o cheiro é tão enjoativo que pegou todo o sistema digestivo e reprodutor. Já pensou se meu bebê nasce com cheiro de panquecas queimadas?
O sangue com a placenta seria uma mistura de mel com calda de morango e com certeza o gos...
— Bella? Está no planeta Terra ainda? – Jasper perguntou enquanto segurava meus ombros, interrompendo meus perturbadores pensamentos.
— Eu estou grávida. – Eu disse finalmente saindo do choque enquanto sentia minhas bochechas doendo com o sorriso involuntário.
— Isso é tão certo quanto ovos mexidos com bacon é a melhor refeição para o café da manhã. – Emm respondeu animado.
— Suas analogias com alimentos estão me deixando enjoada. – Eu revelei sentido a sensação de enjoo.
— Sério? Meu Deus que incrível. Por favor, me avise antes. Quero gravar seu primeiro vômito grávida. – Ele disse pegando seu celular.
— Bom, eu vou te passar alguns remédios para possíveis enjoos e algumas vitaminas também. Temos que marcar uma consulta o quanto antes para fazermos a ultrassom, tirar suas dúvidas a respeito do parto e tudo relacionado ao seu corpo e ao bebê. Desde já, não digo isso apenas como sua médica, mas também em nome da sincera amizade que construímos nesses anos em que te atendo. Aproveite sua gravidez, Bella, eu sei o quanto você queria isso e fico feliz que tenha confiado em mim para te ajudar.
— Meu Deus, eu vou chorar, eu juro. – Jazz disse emocionado.
— Obrigada Drª, pode não parecer pelo choque, mas não há nada que possa me deixar mais feliz agora, também fico grata por ter seu otimismo. – Eu respondi também emocionada, enquanto a abraçava.
— Você sabe que pode me chamar de Kate, sempre. Agora eu realmente preciso ir, vejo você em breve. Foi um prazer conhecer vocês, rapazes. – Ela se despediu.
Na volta para casa, Emmett e Jasper não pararam de falar em nenhum momento. Devido a animação com a notícia, aparentemente eu devia comemorar a me dando férias. Não vou negar que essa ideia me tentou imediatamente.
Ao chegarmos em casa, fui intimada a tomar banho enquanto os meninos faziam o almoço. Deus, queira que eles não queimem minha casa, em breve terei uma criança pequena para criar.
Enquanto almoçávamos, o assunto sobre a gravidez surgiu novamente, dessa vez os meninos queriam mais informações sobre o doador.
— Gente, não tem o que falar. Eu escolhi características semelhantes às minhas, quero olhar para a criança e me ver ali. Não uma pessoa que nunca convivi ou algo assim.
— Bom, por sorte o último cara foi o Edward e você usou camisinha. Já pensou você faz uma fertilização toda organizada para depois de uma transa de uma noite seu bebê nascer a cara do desconhecido? – Jazz riu, acompanhado de Emmett.
Fodidamente que não. Nunca, em hipótese alguma isso seria possível. Eu não posso ser tão azarada a esse ponto, simplesmente me recuso, não é possível, meu Deus.
— Bella, o que houve? Está se sentindo mal? Você está branca como um papel. – Emm perguntou, ele e Jazz de repente preocupados.
— Eu não... Foi uma vez só gente, não é possível é? – Eu perguntei e então suas expressões tornaram-se chocadas.
— Puta que pariu
— Caralho
Eles xingaram em uníssono.
— Eu estou tão fodida. – Eu respondi apoiando minha cabeça em minhas mãos.
Como pode um ser humano ser tão azarado dessa forma? Eu olhei para todos os lados do meu apartamento, esperando algum apresentador cafona anunciar uma pegadinha, totalmente iludida.
Era real a possibilidade, eu transei com um cara desconhecido sem camisinha, por pura irresponsabilidade e desespero por ter um gostoso daquele agarrado em minhas pernas.
Eu ainda tentava perdoar a mim mesma, mas a questão não era apenas a gravidez, tudo bem que ele falou que estava limpo, mas e se isso fosse mentira? Senti todo o meu corpo suando em sinal de desespero.
— Como assim você transou sem camisinha? E o anticoncepcional? – Emm perguntou.
— Idiota, ela queria engravidar, ela não está mais usando o anticoncepcional. Certo, Bella? – Jazz perguntou e eu só assenti em confirmação, sem condições de formar uma frase.
— O que está feito está feito, não tem mais para onde correr. Você transou com o Edward sem camisinha. O pai dele é médico então acho que eles devem ter alguma coisa sobre fazer todos esses exames, né? Eu sei disso porque Rose comentou algo parecido, mas a questão aqui é que se ele estiver limpo ou não, há chances do bebê ser dele. – Emm anunciou o óbvio.
— Mas foi apenas uma noite. – Eu retruquei.
— E daí? Eu fui concebido depois que minha mãe esqueceu de tomar os remédios um dia. Seu bebê pode ser um bebezinho atleta, como o tio Jazz. – Jasper respondeu enquanto tocava minha barriga.
— O que eu faço agora? Chego no bar dele e falo: "Olá Edward, lembra de mim? Eu sou a Bella, a divorciada que transou com você no balcão do bar.
Então, você tem alguma IST? Porque eu acho que estou grávida e o filho pode ser seu." – Eu debochei enquanto tentava me acalmar.
— Sim, de forma menos agressiva, mas nesse caminho aí mesmo. – Emm opinou.
— Eu realmente preciso contar? O pai será anônimo mesmo, ninguém precisa ficar sabendo. – Eu ponderei.
— Eu não sei se posso compactuar isso, quer dizer, pode ser realmente o filho dele. Te conheço o suficiente para saber que você não vai dormir tranquilamente com isso. – Jazz respondeu. Ele estava certo, eu não conseguiria levar essa mentira adiante.
— Vamos fazer assim, pelo resto da tarde você descansa. Amanhã também e pelo resto da semana que vem você pensa no assunto, como vai conversar com ele e o que você decidir, estamos do seu lado. – Emmett propôs.
— Uau, você solucionando problemas. – Eu disse verdadeiramente surpresa.
— Eu sempre tenho a solução, porém, as soluções do Jay Jay sempre ganham. – Ele deu de ombros.
— Isso porque eu sou a mente do grupo, o racional. – Jasper se vangloriou.
— Não, você é apenas o teimoso. Eu e Emmett que poupamos nosso tempo tentando argumentar. – Eu respondi.
— Racional ou não, não sou eu que carrego um bebê na barriga enquanto decido se conto para o possível pai a notícia ou não. – Ele retrucou, fazendo com que Emm risse.
— Isso foi golpe baixo, Whitlock. – Eu respondi enquanto abria a porta do apartamento.
Às vezes, quando você dá muita intimidade, simplesmente precisa toma-la de volta, para manter o bom convívio dos envolvidos.
— Sempre muito receptiva. – Emm debochou enquanto pegava sua carteira e chaves.
— Eu sou, vocês que são muito folgados. Eu preciso pensar e com certeza a dupla tico e teco não vai me ajudar. E também já está anoitecendo, não precisam chegar tarde em casa por minha culpa – Eu respondi enquanto o abraçava.
— Pense no que conversamos, eu sei que parece assustador, mas estamos aqui. Qualquer coisa pode ligar, não importa a hora. – Jasper disse enquanto me abraçava.
— Ok meninos bananas, podem ficar tranquilos. – Eu me despedi enquanto observava eles entrarem no elevador.
Tranquei a porta, indo até a cozinha e pegando um pouco de refrigerante com um pedaço de pizza para comer enquanto assistia programas aleatórios na tv.
Depois de passar o resto da tarde vegetando no sofá, decidi lavar as louças que usamos e tomar um banho de banheira logo em seguida. Quem sabe assim eu conseguiria relaxar.
E se Edward for o pai do meu bebê? E se ele não for? Será que seria um risco fazer o exame de DNA com o bebê tão novo? Eu anotei mentalmente essa pergunta em minha cabeça, para quando fosse me consultar com Kate no meio da semana.
Não tinha para onde correr, eu iria contar para Edward, no sábado, sem falta. Eu precisava fazer isso sozinha, se eu fosse com Emmett e Jasper provavelmente iria me acovardar, eu tinha que colocar um ponto em todas essas dúvidas.
Sentindo os dedos de minhas mãos já enrugados por estar muito tempo na água, me sequei e fui para a cama, tentando ao máximo dormir para estar preparada para o começo do domingo, seguido de uma semana de trabalho.
Minha semana foi um desastre.
Depois de um domingo de filmes e descanso, a segunda-feira chegou com tudo para tirar a minha paz, eu me sentia irritada, constantemente com fome e não conseguia parar de comer donuts de chocolate com recheio de morango.
Na terça-feira donuts de chocolate se transformaram em monstros para mim, enquanto os de caramelo eram minha nova paixão.
Já a quarta-feira... Como explicar a quarta-feira? Foi meu dia preferido da semana. Não, do mês. Porra, poderia facilmente ser o dia mais feliz da minha vida.
Na linda quarta de um dia ensolarado, eu tive uma consulta com Kate. Descobri pelo ultrassom que meu bebê estava saudável e no finalzinho da quinta semana, algo como um mês mais ou menos. Deus, eu me sinto tão brega por falar em semanas, totalmente paguei minha língua.
Depois do exame, eu me sentia mais segura por saber que estava tudo bem com a vida que eu carregava dentro de mim.
Apesar de nada muito importante em minha quinta-feira, ela com certeza foi boa também, simplesmente porque eu estava anestesiada das boas notícias de quarta.
Felizmente os humilhados foram exaltados e apesar do cansaço extremo da semana, a sexta-feira chegou em toda sua glória, com um tempo frio e agradável e totalmente inesperado, típico de Boston.
Quando cheguei em casa, preparei todo o discurso e perguntas que tinha que fazer para o barman não tão desconhecido.
Deus, talvez eu não queira mais o final de semana, será que podíamos logo cortar para a semana seguinte, ou o mês seguinte? Eu espero que sim, pois eu nunca fiquei com tanto medo de um sábado como eu estava naquele momento deitada em minha cama enquanto ensaiava minhas falas.
"Não seja ridícula Isabella, ele estava há pouco tempo no meio das suas pernas, não tem motivo para sentir vergonha de uma conversa."
Era o que eu repetia inutilmente enquanto tentava dormir.
