BELLA POV
Após passar o dia e a tarde de sábado me martirizando com meus pensamentos e as possíveis reações de Edward, pela noite, enquanto me arrumava, decidi que não era um bicho de sete cabeças. O pior que poderia acontecer era Edward duvidar da paternidade e pedir o DNA ou ele simplesmente duvidar que é o pai, fazer o teste, confirmar isso e mesmo assim ele não querer ter nada a ver com a criança, o que seria uma atitude de um canalha, mas eu já estava preparada para ser uma mãe solteira.
Enquanto dirigia em direção ao bar, percebi que não devia me preocupar com isso. Com ou sem Edward meu bebê seria mais amado que tudo, eu seria a melhor mãe possível para suprir a falta de um pai.
Me sentindo mais calma, estacionei na mesma vaga da vez anterior que vim aqui. A diferença é que o bar hoje estava mais lotado que o normal, afinal era uma noite de sábado e fim de mês, ou seja, pagamentos gastos em bebidas e festas de escritório.
Entrei no bar lotado, agradecendo mentalmente que as pessoas estavam animadas para dançar, então havia algumas cadeiras vazias no balcão do bar.
O balcão do bar...
O nervosismo começou a aparecer novamente. E se ele não quiser o bebê? E se ele for um canalha? E se ele tiver uma personalidade podre e se tornar uma má influência para a criança?
Eu devia ir embora dali, já foi um erro ter vindo até aqui, primeiramente. O que eu esperava? Que ele assumisse completamente a criança naquele exato momento e que fôssemos felizes para sempre? Francamente, eu parecia uma iludida.
Enquanto dava meia volta para a saída do bar ouvi sua voz firme me chamando.
— ISABELLA – Edward gritou.
Será que se eu fingisse que o som estava muito alto e simplesmente fugisse dali ele iria notar?
— BELLA! – Ele gritou mais uma vez. — Não adianta fingir que não me ouviu. – Ele riu enquanto eu me virava para olhá-lo, sentindo meu rosto esquentar.
— Eu não estava fingindo que não te ouvi. – Eu menti me aproximando.
— Ok, vamos fingir que não. O que devo a honra de tê-la em meu humilde bar novamente? Aceita uma bebida hoje ou ainda está tomando remédios? – Ele perguntou.
— Eu preciso conversar com você e não, não estou tomando remédios, mas não vou beber também. Quero apenas um suco, pode ser de laranja. – Eu respondi enquanto me sentava no banquinho.
— Ok, eu acho que consigo um horário pra você em minha agenda tão apertada. – Ele brincou enquanto me servia.
— Pode continuar seu trabalho, não quero atrapalhar. Não estou com pressa. – Eu o tranquilizei enquanto bebia meu suco.
— Tem certeza? Eu posso conseguir alguém para me cobrir por enquanto. – Ele sugeriu enquanto procurava por alguém no bar.
— Tenho sim. Só me diga onde é o banheiro, e pode continuar seu trabalho. – Eu respondi enquanto me levantava.
— Pode usar o do escritório, siga até a direção da pista de dança e vire à esquerda, a primeira porta é onde você está procurando. Se quiser pode me esperar lá também. – Ele respondeu enquanto me entregava uma chave.
Eu assenti, pegando minha bolsa e meu suco, me dirigindo ao local que ele havia indicado, girando a chave para destrancar a porta.
O escritório de Edward era... chique? Não sei bem se essa podia ser a palavra, mas não parecia um escritório de bar, não que eu já tenha pisado em um.
No centro da sala tinha uma mesinha de vidro e algumas revistas, com pequenas esculturas como decoração.
Havia uma mesa com uma cadeira parecida com a que eu usava em meu próprio escritório. No canto da sala tinha um lindo sofá branco, com almofadas vermelhas. Mas o que me chamou a atenção foi a estante perfeitamente organizada na outra extremidade da sala.
Olhei todos os seus livros com curiosidade, e apesar de organizados em tamanhos, eles não eram organizados de acordo com o conteúdo, visto que seus livros de faculdade dividiam espaço com Shakespeare.
Sentei em sua cadeira, bebendo meu suco e analisando o fundo de tela de Edward, que eram montagens dele, Alice e Rosalie, desde a infância até os dias atuais.
Sorri ao lembrar de Emm e Jazz.
Em sua mesa tinha também portas retratos, uma era Edward e seu canudo de formado em mãos e o outro era Edward também de beca e canudo, acompanhado de uma mulher pouco mais baixa que ele, de olhos esverdeados, cabelos ruivos acobreados como os dele abraçada à um homem da altura de Edward, com cabelos loiros, olhos azuis e um sorriso torto que já era familiar para mim, o casal perfeitamente elegante. Julgando por seus olhares orgulhosos, deduzi que eram seus pais na foto.
Será que um canalha consegue amar sua família a ponto de tê-la estampada ao redor de sua sala, mesmo que fosse privada? Eu espero que não.
Entediada, decidi mexer em meu celular para passar o tempo, assistindo alguns vídeos de pegadinhas no YouTube.
Minhas risadas com o vídeo que eu assistia foram interrompidas quando senti um gosto estranho na boca.
Senti todo o meu corpo suado e provavelmente eu estava pálida também.
Puta que pariu, eu iria vomitar.
Corri até a única porta na sala além da de saída, encontrando o banheiro. Destampei o vaso, colocando para fora o lanche rápido que fiz antes de sair de casa e o suco recém tomado.
Sem forças, senti grandes mãos segurando meu cabelo e pela voz me chamando, deduzi ser Edward.
— Meu Deus, o que você comeu? – Ele perguntou enquanto passava uma toalha molhada em meu rosto.
— Um sanduíche antes de sair de casa. – Eu respondi antes de voltar a vomitar novamente.
— Não pode ter sido só um sanduíche ou você já teria colocado tudo para fora. Você está vomitando suas tripas como uma grávida faria. – Ele riu enquanto eu sentia todo o meu corpo se retesar.
De todos os meus ensaios, ele descobrir através de uma piada não estava em meus planos.
Fodidamente azarada.
Percebendo minha reação, Edward ficou sério. Ele não parecia irritado, apenas chocado, como se estivesse com uma confusão em seus pensamentos, eu não o julgava por isso.
Sem falar nada, ele lavou meu rosto, me pegou no colo e me deitou no sofá, me oferecendo uma toalha.
Enquanto me olhava, Edward puxava seus cabelos e andava de um lado para o outro pela sala, deduzi ser nervosismo. Comecei a pensar de acordo com sua linguagem corporal.
Ele não queria esse bebê, estava óbvio por sua reação.
— Olha, eu não vim até aqui te cobrar nada, eu apenas... – Eu tentei justificar.
— O que? Não, não é isso, eu estou apenas pensando. Eu realmente preciso voltar para o bar agora porque deixei lá fora sem ninguém enquanto vinha conferir se você não tinha se perdido pelo caminho. – Ele respondeu se desculpando.
Talvez seja esse o momento ideal, ele iria atender as mesas no bar e eu fugiria, um ótimo plano.
— Tudo bem, eu já falei que estava sem pressa. – Eu tentei soar calma, o que provavelmente não funcionou.
Respirando fundo, Edward ligou o ar condicionado, e pegou um cobertor na pequena cômoda do lado da estante, o que eu prontamente aceitei.
— Eu prometo não demorar, em breve as pessoas vão embora e eu volto aqui. – Ele falou enquanto beijava minha testa, o que me causou estranhas, algo como reações de uma adolescente recebendo atenção do garoto popular da escola.
— Ok, eu vou esperar. – Ou talvez não, pensei.
— Isabella? – Ele me chamou da porta.
— Sim? – Eu perguntei desviando dos meus pensamentos da possível fuga.
— Não tente fugir de mim novamente. Eu vou te procurar, de qualquer forma. – Ele respondeu sorrindo, enquanto fechava a porta.
Eu devia disfarçar melhor minhas tentativas de fuga, até um desconhecido conseguia reconhecer meus planos.
Talvez Jasper esteja certo, eu seria uma péssima atriz com minha falta de naturalidade para mentir ou fingir alguma coisa.
De qualquer forma, eu não iria fugir, eu não passei a semana inteira pensando nisso para chegar ali e me acovardar. Eu enfrentaria aquela situação, ela acabando bem ou não.
Não percebi que tinha pegado no sono até sentir as mãos de Edward me cutucando.
— Como sempre você atrapalhando meus cochilos. – Eu resmunguei enquanto me sentava no sofá.
— Meu bar que tem algum tipo de sonífero ou você que está sempre cansada? Toma, fiz um novo suco para você e pedi Emily para fazer um sanduíche, já que você provavelmente vomitou tudo que comeu pelo dia. – Ele respondeu e se sentou ao meu lado.
— Você quer? – Eu perguntei apenas por educação porque com a fome que eu estava aquele sanduíche terminaria em segundos.
— Não, ele é todinho seu. – Ele riu enquanto me observava.
Aquilo poderia me deixar envergonhada em outras situações, mas estranhamente eu me sentia confortável com ele me observando enquanto eu comia. Ele também não fazia questão de disfarçar que me olhava, era como se ele quisesse comprovar que eu estava me alimentando realmente.
Terminei meu sanduíche e beberiquei meu suco enquanto me preparava para começar a nossa conversa.
— Então...
— Como descobriu?
Dissemos ao mesmo tempo.
— Desculpe, pode falar. – Ele falou enquanto se ajeitava no sofá.
Respirei fundo enquanto organizava meus pensamentos.
— Tudo bem. Eu descobri há poucos dias e como já falei eu sou divorciada e como meu ex-marido nunca quis ter filhos acabou que só pude realizar esse desejo depois de divorciada. Eu fui em uma clínica de fertilização in vitro e fiz todo o procedimento, então eu vim até aqui com os meninos e depois rolou todo o sexo no balcão, não sei se você lembra bem, mas não usamos proteção, então tem possibilidades de ser seu e de não ser também. Eu particularmente não estava pensando em te contar, nem ao menos pensei na possibilidade e...
— Quanto tempo? – Ele interrompeu.
— De acordo com os exames, mais ou menos 5 semanas. – Ele me olhou confuso. — Quase 2 meses. – Expliquei.
— É meu.
— Sim, exatamente isso, eu imaginei que você duvidaria que era seu mesmo e... espera aí. O quê? – Eu perguntei em dúvida se tinha entendido o que ele falou.
— O bebê, é meu. – Ele disse naturalmente.
— Seu? – Eu repeti percebendo que havia entendido certo.
— Sim, quer dizer, nosso bebê né? – Ele corrigiu.
— Mas você nem fez o DNA para ter tanta certeza. – Eu retruquei.
— E daí? Você fez? – Ele perguntou.
— Lógico que não, eu já sei que sou a mãe.
— Assim como eu sei que eu sou o pai. – Ele respondeu dando seu sorriso torto.
— Como você pode ter tanta certeza? – Eu perguntei irritada.
— Não sei? Ele só é nosso, é meu filho sim, não tenho como explicar. Eu não quero fazer exame de DNA para provar nada, você quer? – Ele perguntou confuso.
— Não. Na verdade, não sei. Eu não estava preparada para essa reação. – Admiti.
— E o que você imaginou? Que eu fosse exigir um exame de DNA ou simplesmente duvidasse que fosse meu? Bella, eu fui criado melhor que isso. – Ele revirou os olhos.
— Eu não sabia? Não me julgue, não é todo dia que eu falo para um desconhecido que ele pode ser o pai do meu bebê e ele simplesmente aceita e o pior, afirma que é realmente o pai sem nem pedir um teste. – Eu me justifiquei.
— Não estou julgando. Você quer esse bebê, eu quero esse bebê, o que tem de errado nisso? Não preciso de um papel confirmando que sou o pai, não pensei que isso pudesse importar para você... – Ele respondeu enquanto passava a mão em seus cabelos novamente.
— Eu não preciso de um papel justificando isso, só achei que você quisesse ter uma certeza, podemos fazer o exame e você ver quando se sentir pronto, não sei. – Eu disse bebendo o resto do meu suco, enquanto ele apenas assentia.
— Você já fez algum exame para saber se está tudo bem? – Ele perguntou depois de um tempo em silêncio.
— Sim, perfeitamente bem. – Eu respondi sorrindo.
— E você já sabe o sexo?
— Ainda não, está meio cedo para isso, talvez daqui algumas semanas.
— Eu posso ir? – Ele perguntou envergonhado.
— Ir aonde? – Eu indaguei confusa.
— Nas consultas, nas compras para o bebê, nessas aulas sobre parto, quero participar de tudo. – Ele respondeu visivelmente animado.
— Ok... Sem problemas, você pode me acompanhar sim. – Eu disse com sua animação me contagiando.
Ficamos um bom tempo conversando amenidades, sobre nossa infância, sobre como seria aquela criança no futuro e quando peguei meu celular percebi o quão tarde era.
— Meu Deus, já são três da manhã, tenho que ir para casa. – Falei enquanto calçava meu tênis.
— Eu te levo em casa. – Edward respondeu também levantando.
— Não precisa se preocupar, eu vim com meu carro. – Eu disse enquanto íamos para o bar, agora totalmente vazio.
— Então eu te acompanho até em casa com o meu. É perigoso dirigir sozinha essa hora da madrugada. – Ele rebateu.
Enquanto Edward trancava as portas do bar, eu me perdi em como sua beleza era surpreendente.
Por um momento, pensei que apenas uma noite de sexo seria o suficiente para suprir a necessidade que eu tinha de estar com aquele homem, grande engano. Ele era sexy apenas por respirar.
Se um dia eu falei sobre qualquer cor preferida que não fosse azul marinho, era mentira. Azul era minha nova cor favorita, simplesmente porque era a cor da camisa de mangas curtas que ele usava, que combinava perfeitamente com sua calça jeans escuro.
Percebendo que eu o encarava, Edward se endireitou, dando uma rápida volta enquanto ria de mim.
— Está gostando do que está vendo? – Ele perguntou sorrindo.
— Não tem nada aí que eu já não tenha visto. – Tentei soar desinteressada.
— Talvez não tenha sido o suficiente já que você continua me secando com os olhos. Já eu posso afirmar que você de jeans é quase tão perfeita quanto sem roupa. – Ele falou enquanto abria a porta do carro pra mim.
— É apenas jeans, não há nada de interessante nisso. – Respondi enquanto colocava o cinto de segurança.
— Não é apenas o jeans, é a forma como você tira o jeans para descobrir o que tem por baixo dele. Leia as entrelinhas, Isabella. – Ele respondeu malicioso, fazendo com que todo o meu corpo esquentasse, especificamente meu rosto.
Sem esperar por resposta, Edward entrou em seu carro e buzinou, esperando que eu ligasse o meu e dirigisse até minha casa.
Talvez, só talvez, eu pudesse convidá-lo para subir e quem sabe depois de muita coragem eu teria a segunda noite de sexo intenso com o barman já não tão desconhecido.
Desviei dos meus pensamentos perversos enquanto dirigia pelas ruas que levavam até meu apartamento. Chegando em frente ao meu prédio, dei seta para que Edward entendesse que era ali que eu ficaria.
Ele apenas piscou o farol do seu carro e desligou o veículo, saindo do mesmo e vindo em minha direção.
— Seu número. – Ele disse apoiado em minha janela.
— Que número? – Perguntei confusa.
— Seu número de celular, preciso ter algum contato com você. Mas se você preferir eu posso mandar cartas também. – Ele sorriu.
— Muito fofo da sua parte, mas isso é desnecessário. – Então eu passei meu número de celular para ele, o que ele fez questão de conferir se estava certo, me enviando uma mensagem.
— Tenha uma boa noite, Bella. – Ele falou após beijar meu rosto.
— Tenha uma boa noite, Edward. – Eu respondi e dirigi até a garagem, estacionando meu carro na minha vaga.
Chegando em casa, tranquei a porta, e caminhei pelo corredor, apagando todas as luzes pelo caminho até meu quarto. Tomei um banho rápido e arrumei minha cama, deitando logo em seguida.
Pensando na estranha conversa com o barman, eu ri imaginando o quão nervosa eu estava, o que agora percebi que era tão desnecessário. Emmett estava certo, eu sofria muito por antecedência.
Lembrando dele e Jasper, eu mandei uma mensagem no grupo avisando que estava bem e que assim que acordasse amanhã iríamos fazer chamada de vídeo, na qual eu contaria com todos os detalhes a minha conversa com Edward.
Fechei os olhos e adormeci, agradecida por, no fim, tudo estar dando certo para mim.
