Olá pessoal, Calborghete aqui, como estão todos? Espero que bem, aqui vamos iniciar um novo capítulo.
Primeiro de tudo que agradecer a todos o apoio que tenho recebido de vocês, muito obrigado pelas palavras de carinho, eu e minha família agradecemos muito.
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Então agora sem mais enrolação, boa leitura.
"Diálogos"
- Pensamentos -
"Conversa via Rádio"
"Auto conversa."
Nota de Responsabilidade:
Evangelion, seus personagens e cenário são propriedade de Hideaki Anno. Qualquer marca, filmes e séries mencionado nesta Fanfic é propriedade de seus criadores.
(*)
Capítulo 22.
Abrindo seus olhos Gendo acordou, como sempre levantou antes do sol nascer, ele novamente sonhou com seu cenário, em tudo que poderia acontecer, todas as variáveis que podiam acontecer, tudo que poderia atrapalhar, parecia que a mente do homem nunca descansava, nunca parava, tudo em prol de seu cenário e seus objetivos.
Lentamente ele se levantou, soltando um longo suspiro ao sentir o sono deixando seu corpo, seus passos eram pesados e curtos, não demorou para o homem colocar seus óculos e ir para a seu grande escritório, ele queria ficar sozinho, pensar em tudo que poderia dar de errado em seu plano considerado perfeito.
Presa firmemente em seu pulso, Gendo ignorou a dor de ter uma pesada pasta fixada por algemas em seu pulso, ele nunca iria deixar esse objeto desprotegido, ele era valioso demais para correr algum risco desnecessário.
A caminhada foi curta, ele morava dentro da NERV, toda sua vida era a NERV, ele não ligava para seu salário, mera formalidade para os olhos do homem, ele não ligava para bens, isso seria algo que não poderia levar com ele quando a hora tiver chegado, nada iria junto com ele, então eram descartáveis.
"Bom dia senhor." Sua secretaria falou com um sorriso amigável, Gendo não falou nada, ele somente acenou com a cabeça ao caminhar para dentro de seu grande escritório, ignorando completamente o olhar abatido da mulher que somente queria ser reconhecida pelo seu trabalho.
Finalmente caminhou para dentro da sala que era grande e vazia, somente sua mesa podia ser vista ao fundo, a sala era fria como seu coração, a sala era escura como seu coração, tudo era sem vida assim como seu coração.
Gendo caminhou para sua mesa, seus olhos focados friamente em seus objetivos, o Geofront ao fundo começando a ganhar a luz do dia que nascia, Gendo tinha uma mão no bolso, suas mãos sempre protegidas pelas suas luvas brancas, puxando sua cadeira e se sentando, colocando delicadamente a pasta que daria o início ao seu plano.
Colocou a mão sobre o rosto e ficou em sua posição tradicional, Gendo esperou, não pelo café da manhã que pontualmente seria trazido à sua mesa, mas sim pelo dia em que tanto esperou, abaixando os olhos, ele olhou para os relatórios que deveria ler com cuidado, mas ele os ignorou.
Como sempre, sua porta foi aberta, revelando a equipe da NERV, trazendo um pequeno carrinho com sua refeição, todos os membros da NERV trabalhando incansavelmente em suas funções.
"Pronto senhor." Falou o homem ao colocar o pequeno prato com bacon e omeletes na frente de Gendo, que não se mexeu nem um centímetro de sua mesa, novamente ele recebeu um olhar decepcionado do homem que preparou com máximo de cuidado sua refeição.
Sabendo que nunca receberia o que tanto queria, o jovem da NERV se virou e foi embora, sentindo o corpo cansado do plantão que serviu à noite, ele somente queria uma cama para descansar o seu corpo cansado, Gendo olhou para as costas do subordinado se afastando, ele nunca mostrou emoções, pois não se importava com essas pessoas.
Gendo abaixou os olhos e olhou para a comida preparada com cuidado, vendo o material preparado perfeitamente para seu agrado, finalmente vendo que estava sozinho, o homem finalmente moveu as mãos para pegar a comida, vendo como estava perfeitamente frio e cozido, ele lentamente comeu uma pequena porção.
Sentindo as memorias tomando conta de seu corpo, ele se lembrou da esposa sempre que comia essa comida, Yui sempre foi o amor de sua vida, ele nunca se viu longe dela, ela era tudo em sua vida, ele a teria de volta.
O café da manhã foi frio, sem vida e com sabor de tristeza e morte, esse era o sentimento que o homem sempre sentia em seus dias, esse era o sentimento que ele iria conviver para sempre em sua vida, até o momento em que ele finalmente iria se reencontrar com seu amor, a pessoa que iria trazer a luz na escuridão.
Ele não sabe quanto tempo levou para terminar, tudo que Gendo sabia era que seu prato estava vazio, lentamente abaixando os talheres que lhe serviram a comida que sustentava seu corpo e lhe dava energia para iniciar o dia trabalhoso que o esperava, ordens tinham que ser dadas e relatórios para serem lidos.
Olhando para frente, Gendo observou o lugar vazio, seus olhos sem vida e com pouca emoção olharam com nostalgia, era ali que ela se sentava, sempre a sua frente, mas agora estava vazio.
Lentamente ele se lembrou de uma coisa, uma que ele sempre se lembrava, uma memória distante e a princípio sem vida, sua tentativa de trazer Yui de volta, o momento em que seu colega e ex-professor Kozo Fuyutsuki lhe mostrou como poderia, a criação de Rei Ayanami, a criação da criança que foi criada com a mistura de DNA de sua esposa com Lilith, o primeiro hibrido com sucesso.
Ele ainda se lembrava de quando a viu pela primeira vez, aquela criança inocente de olhos vermelhos o encarou com curiosidade e medo, ele se lembrou que ela não era sua esposa, nunca ele poderia recria-la, só tinha uma única saída, se reencontrar com ela, mas Yui sempre quis ter uma filha, e seu nome seria Rei, e então ele cumpriu seu desejo.
Rei Ayanami é o nome dela, a garota que era a chave para seu reencontro com Yui, ela iria abrir as portas para seu sucesso, a garota que carregava o rosto de sua amada, o nome que sua amada queria dar se tivesse tido uma filha, e agora ela teve, mas um desejo que ele conseguiu realizar para ela.
Vendo agora o assento vazio a sua frente, Rei não compartilhava mais seu café da manhã, agora ela estava com ele, morando com ele, sentiu como se tivesse perdido Yui novamente, Gendo sentiu muita emoção, mais uma coisa que seu filho lhe roubou, nem um clone de Yui ele conseguia ter, mas um clone nunca seria o original.
Sabia que tinha cuidado da garota melhor que a forma que cuidava de seu filho, Gendo ainda se lembrou de quando deixou Shinji com os tios, do olhar do garoto ao chorar pedindo pelo pai, novamente ele ignorou isso, pois tinha algo melhor para pensar, ele tinha que trazer sua esposa de volta.
Lentamente sua mente se lembrou de seu filho, Shinji Ikari, o garoto que foi o fruto de seu amor com Yui, o garoto que roubou a sua atenção, o garoto que trouxe o início de seu sofrimento, ele ainda não sabia o que sentia por ele, se o odiava por ter tirado Yui dele, ou o se o amava por ter ajudando a trazer uma vida para esse mundo, como Yui queria.
Lentamente o homem abaixou os olhos e pensou em Shinji, como raramente fazia, o garoto que sentia falta do pai, ele sabia muito bem disso, mas sua mente não podia se perder agora, ele tinha que trazer Yui de volta, mas uma parte ainda queria ser o pai que ele queria ser, o pai que Yui desejava que ele deveria ser, o pai que ele nunca foi.
Gendo ainda se perguntava se deveria ter incluído Shinji em seu plano, mas ele sempre esbarrava em uma pergunta que sempre ficava em sua mente sem resposta, será que ele o ajudaria? Será que o garoto iria entender a sua dor? Essa foi a pergunta que Gendo nunca consegui responder, era uma pergunta que iria ficar sem a resposta que ele tanto desejava.
Soltando um longo suspiro, Gendo abaixou os olhos para sua mesa, colocando o dedo em um leitor de digitais, com um pequeno som uma fechadura se abriu, dentro de sua mesa uma pequena foto, pegando e olhando para a fotografia tão querida, uma mentira que ele contou para seu filho, ele nunca tinha destruído tudo que restou de Yui, ele ainda tinha uma coisa, uma última lembrança viva de sua esposa.
Seus olhos focados tristemente em uma pessoa, Yui Ikari, na Gehirn segurando um pequeno Shinji em seus braços, seu pequeno sorriso ao olhar para o filho, ele se lembrava de quando tirou essa foto, Shinji o olhava quando isso aconteceu, olhava para o pai que nunca deu a atenção que ele desejava, o pai que nunca lhe mostrou como ser um homem digno.
Gendo abaixou a foto lentamente, olhando para frente com olhos nostálgicos e abatidos, sentindo a única emoção que seu corpo permitia nesse momento, ele somente sentia tristeza, a única emoção que ele nunca conseguiu esconder, a dor era forte demais para fazer seu teatro.
Sentindo que não iria conseguir controlar o corpo, Gendo tratou de guardar a única foto que ele considerava um bem valioso, com um clique audível a tranca novamente se fechou, ele novamente voltou a sua posição com as mãos na frente do rosto, somente pensando em seu cenário.
Ele não sabia quando tempo ficou parado ali pensando, mas uma coisa quebrou sua concentração, sua porta novamente se abriu, um homem entrou, somente uma única pessoa entrava em seu escritório sem anunciar, seus olhos caíram novamente em Kozo Fuyutsuki entrando com suas mãos presas nas costas, ele era um homem imponente, bem-sucedido.
"Bom dia." Fuyutsuki falou ao se aproximar da mesa, seu rosto mostrava o cansaço de uma noite mal dormida, sentindo o peso de suas ações, mas Gendo parecia estar levando isso muito bem, o homem estava em paz.
"Professor." Gendo cumprimentou de volta, a única pessoa que ele achava digna de um cumprimento, ele ainda não se movia.
Kozo se sentiu um uma cadeira e olhou para os relatórios, podendo reconhecer o nome de uma unidade Evangelion em especial, Mark 06 estava escrito, Kozo sabia que ela estava sendo estudada.
"Alguma coisa que devemos nos preocupar?"
"Não." Gendo respondeu friamente, abaixando suas mãos e olhando para os resultados dos testes, ele sabia que isso era algo estranho, sua construção na lua mostrava que ele tinha alguma coisa de diferente. "Os técnicos mostram que não tem nada de especial nele."
"Acredita nisso?" Kozo perguntou ao pegar um tabuleiro de xadrez.
"Não." Gendo respondeu com uma palavra simples, logo seus olhos caíram no professor. "O conselho dos velhos não iria tomar todo esse cuidado em sua construção para ser somente um EVA comum."
Kozo somente assentiu, ele tinha pensado a mesma coisa, lentamente ele preparou as peças de seu jogo, ainda tendo uma leve esperança de jogar com alguém, mas Gendo nunca se mostrou disposto a passar esse pequeno tempo com ele.
"Falando no conselho, como eles estão lidando com tudo?"
"Estão aborrecidos, acham que foi uma irresponsabilidade nossa o quase despertar da unidade 01." Gendo fala sem medo. "Estão questionando a minha liderança e minha capacidade em conseguir lidar com o sucesso do cenário."
"Isso é um perigo?" Kozo perguntou.
"Ainda não." Gendo falou ao olhar para baixo. "Por isso ainda estávamos aqui, mas eu já previa isso, a chegada da quinta criança mostra isso, o conselho quer alguém em que eles confiam plenamente."
"O garoto na cela?" Kozo pergunta intrigado.
"Sim." Gendo respondeu ao pensar em Kaworu. "Ele é o homem da SEELE, aposto que sua função deve ser parecida com a de Rei no cenário deles, os manuscritos são bem claros com relação ao último e o primeiro anjo."
"Acha que ele tem alguma coisa com Adão?" Kozo pergunta intrigado ao olhar para o ex-aluno.
"Ainda não tenho certeza, mas ele estava sobrevivendo ao vácuo do espaço sem a devida proteção, então ele não era uma pessoa normal." Gendo falou com sua voz natural.
"O que faremos com ele?" Perguntou Kozo, ao menos ele já tinha uma pequena ideia sobre o que fariam com o garoto estranho.
Gendo inspirou ao olhar para baixo, ele percebeu os esquemas de segurança sobre o Mark 06. "No momento não podemos fazer nada, vamos integra-lo ao serviço de pilotos, mas vamos ficar de olho."
Kozo somente assentiu levemente, soltando um suspiro ao ver que a acabou o assunto, ele somente pensou em tudo que tinha acontecido, saber que o piloto da SEELE agora iria estar perto de todos, uma fonte para o conselho de velhos.
Kaworu caminhava pelos corredores da NERV, ele estava sorrindo não por ter sido libertado, mas sim por saber que poderia estar mais próximo de Shinji, tempo não era problema para ele, as pessoas o olhavam com cautela, mas Kaworu não ligava para isso.
Cantarolando o Ode alegria de Beethoven, ele estava tranquilo, suas mãos estavam em seus bolsos, ele andava tranquilamente, mas uma coisa chamou sua atenção, parada no meio do corredor tinha uma garota, ela era uma garota de cabelos ruivos e olhos azuis intensos, ela estava parada com os braços cruzados.
Kaworu sorriu ao ver aquela menina, se aproximou lentamente dela, mantenho as mãos nos bolsos enquanto passava por ela, mas ela falou.
"Onde você pensa que vai?" Asuka falou ao continuar com os braços cruzados, ela sabia quem ele era, ela sabia o mal que ele causou a Shinji, isso ela nunca iria perdoar.
"Com licença?" Kaworu pergunta ainda sorrindo, ele somente virou a cabeça e encarou os cabelos ruivos de Asuka, mas ele podia sentir alguma coisa de diferente em seu campo AT, isso o intrigou.
"Eu falei aonde você pensa que vai?" Asuka fala ao levantar a cabeça e encarar Kaworu, ela sabia que ele tinha ficado à espera de Shinji na NERV quando o mundo foi para o inferno. "Piloto da SEELE."
Kaworu sorriu ainda mais, ele sabia da personalidade intensa da garota, sentindo a ira tomando conta de seu corpo ao saber o quanto Shinji sofreu por causa dessa pessoa em especial, mas manteve a postura firmemente.
"Piloto Shikinami eu presumo." Kaworu falou sorrindo.
"Bom que me conhece." Asuka fala ao olhar para os olhos de Kaworu. "Eu sei quem você é, só digo uma coisa piloto da SEELE, não vai dar certo, eu não vou deixar."
"Serio?" Kaworu rebate ao franzir o cenho, mas ele não estava intimidado. "E o que eu estou fazendo piloto Shikinami?"
Asuka sorriu ao sentir o veneno em sua voz, sua mente inundada por lembranças de como Shinji tinha ficado depois que o quarto impacto tinha sido interrompido, de como o garoto praticamente morreu no futuro.
"Eu sei, só digo uma coisa garoto da SEELE, não vai dar certo, vocês estão fadados ao fracasso, nada vai mudar isso." Asuka falou ao começar a se virar para sair, ela podia sentir os olhos de Kaworu focados nela a todo o momento. "E fique longe de Shinji, entendeu?"
Kaworu se surpreendeu ao escutar isso mas manteve a postura firme, sentindo uma grande inquietação em seu corpo, as coisas estavam ficando ligeiramente diferente, mas seu cenário não tinha mudado em sua cabeça.
"Ora ora." Kaworu falou ao se aproximar sorrindo como sempre, ele podia ver os olhos da ruiva, podia ver que ela sentia alguma coisa por Shinji. "Você me acusa do que exatamente? Até onde eu sei eu vou ser seu parceiro daqui para frente, então devemos nos entender não acha?"
"Eu não quero nada de você." Asuka rosna ao ver a arrogância do garoto encima dela, mas ela estava cega pelo ódio, tudo que aconteceu no futuro ela sentia que era culpa dele, ter removido Shinji da Wunder era culpa dele e da NERV, Shinji tinha quase matado o mundo por causa dele.
Asuka se virou e começou a sair, seus punhos fechados fortemente com a emoção mal contida, mas as próximas palavras do albino invadiram sua mente.
"Então, como está Shinji-kun?"
Asuka se virou e falou com olhos venenoso. "Ele está bem." Foi somente isso que ela falou ao continuar seu caminho, não querendo perder mais tempo com o anjo, Kaworu olhou para as costas de Asuka sorrindo, sentiu uma mudança em seu campo AT, finalmente percebeu que alguma coisa estava fazendo sentindo em sua mente.
"Ora ora." Kaworu falou sorrindo, mas logo ele o perdeu, ficando sombrio ao sentir a ira tomando conta de seu corpo. "Lilith trouxe você também, você não cansa de machucá-lo?"
Asuka caminhava com passos pesados, ela podia sentir os olhos de Kaworu em suas costas, ela podia sentir alguma coisa errada com ele, seus olhos não eram naturais, ela podia sentir uma inimizade com relação a ele, mas ela não iria deixar ele machucar Shinji, não agora que ele finalmente estava voltando a sorrir.
"Você não vai machucar ele aberração." Asuka falou confiante. "Não vai."
Depois disso, ela rapidamente voltou seu caminho para uma das saídas do Geofront, indo para casa ficar com seus amigos, ela tinha passado pela cota de raiva diária, mas com certeza ela iria ficar pensando nisso, logo seus olhos caíram em seu relógio, vendo que tinha que voltar rápido, ela tinha que se preparar para a escola.
O caminho foi rápido, não pelo caminho longo, não pelo transporte eficiente da cidade, mas sim pelos seus pensamentos agitados, ela nem pensou em quanto tempo demorou, mas ela se viu parada na frente de sua casa, piscando para limpar a mente, Asuka passou sua chave e entrou.
Andando com passos leves, a ruiva caminhou até seu quarto, olhando para sua cama arrumada, não tocada na noite, ela sabia que tinha novamente dormido com Shinji, podendo sentir que seu corpo queria isso, mas em seus sussurros de agonia falavam o nome do piloto da SEELE, ela sabia que a detonação da gargantilha tinha machucado a alma de Shinji.
Piscando ao ir para o quarto de Shinji, Asuka olhou para ele, abrindo sua porta devagar para não acordá-lo, ela o olhou dormindo agora tranquilo, sem ser assombrado pelos seus pesadelos, ela se sentiu inútil, somente um rosto estava sua mente, ela apertou as mãos ao saber o responsável pelo sofrimento de Shinji, a única pessoa que a entendeu inteiramente.
Asuka se sentou na cama, ainda olhando Shinji dormindo tranquilamente, ela observou sua respiração calma e rítmica, seus olhos travaram em seu rosto, sua pelo suave, o tapa-olho cobrindo a contaminação que ele assumiu em seu lugar, não sabendo o quanto tempo ficou parada ali olhando, mas o som do despertador do garoto a removeu de seus pensamentos.
Piscando ao sentir o medo tomando conta de seu corpo, Asuka rapidamente pensou se deveria correr dali, pois aos seus olhos, ser pega olhando para o garoto poderia ser estranho e embaraçoso, mas como ela já tinha beijado ele duas vezes, ela somente ficou parada.
Shinji sentiu seu sono sendo removido de seu corpo pelo som estridente do despertador, lentamente o garoto abriu os olhos, sua visão estava nublada, mas algumas piscadas foram suficientes para focar com sucesso, ele rapidamente estranhou o fato de não encontrar Asuka ao seu lado como ele se lembrava na noite anterior.
"Bom dia." Asuka falou para quebrar o gelo, ela percebeu o garoto se virando e olhando para ela, podendo sentir alguma estranheza no modo que ele a olhou, mas rapidamente ela percebeu ele ficando aliviado.
"Bom dia." Shinji repetiu ao desviar o olhar, sorrindo internamente ao encontrar a ruiva ainda em seu quarto, se ela tivesse saído, com certeza ele se sentiria abandonado, mas isso não aconteceu.
Esticando os músculos, o garoto rapidamente se levantou já pensando no que faria para o café da manhã e o almoço de todos, hoje seria um dia de escola e comer a comida da escola não era uma opção nem mesmo para ele, aos seus olhos, a escola somente perdia para Misato no quesito alimentação.
"O que vai querer para o café?" Shinji perguntou ao se sentar na cama, podendo ver que Asuka estava mais pensativa que o normal, ele achou estranho ela já estar totalmente acordada, sendo uma pessoa que valorizava muito o seu sono Shinji desconfiou, mas não perguntou nada.
Asuka estava com a mente nas nuvens, ainda pensando na sua pequena conversa com Kaworu na NERV, tudo que ela pensava era no sofrimento que aquela pessoa causou, ela somente respondeu com um rugido simples, mostrando que não estava prestando atenção.
Shinji soltou uma pequena risada, mas repetiu sua pergunta. "Eu perguntei o que você quer comer?"
Asuka inspirou, ela tinha milhões de ideia que poderia passar, mas a cozinha japonesa não deveria ter todos os ingredientes necessários para um belo café da manhã alemão, mas uma memória chamou sua atenção.
Essa memória em especial foi o dia em que ela comeu panquecas de uma senhora que trabalhava na NERV europeia, ela era simpática e sorridente, esse foi somente um único dia, depois ela nunca mais a viu, mas sua memória nunca esqueceu disso.
"Panquecas?"
Shinji rapidamente pensou se tinha os ingredientes, o bom das panquecas eram que poderiam ser usadas para fazer o almoço, isso não seria problema aos seus olhos, colocando um sorriso no rosto, o garoto falou.
"Claro, dá para fazer."
Asuka não pode deixar de sorrir, ela rapidamente escondeu o pequeno rubor que espalhou pelo seu rosto nesta hora, sabendo que um novo lado dela estava surgindo e parte de seu corpo não gostava disso.
"Eu ... Eu vou me preparar." Falou a ruiva ao se levantar rapidamente, mas antes de sair por completo do quarto, ela falou para Shinji. "Muito obrigado por ter me deixado ficar."
Shinji sorriu ao relembrar do pedido, levando uma mão a nuca ao ficar envergonhado. "Não tem problema."
Asuka lhe lançou um pequeno sorriso, ela se virou e foi em direção do banheiro, deixando Shinji sozinho no quarto, não demorou para o garoto se deitar novamente na cama e olhar para o teto, sua mente pensando no conforto que sentia ao saber que Asuka estava ao seu lado, mas nem sua presença tinha conseguido vencer os pesadelos dessa noite.
Relembrando o pesadelo Shinji reviveu um dos piores momentos na sua vida, o momento que causou a morte de Kaworu, ele reviveu a explosão, sempre que fechava os olhos ele podia escutar o som dele morrendo, a cada piscada de olhos a cena se repetia como um disco arranhado.
Ele sabia que não deveria ficar fugindo disso para sempre, uma hora ele teria que falar com seu colega piloto novamente, sabendo que estava matando tempo, não demorou para o garoto novamente voltar ao passado, usando um grande esforço para limpar a mente Shinji se levantou rapidamente, sabendo que não poderia perder mais tempo.
Indo para a cozinha, o garoto abriu a geladeira, olhando para todos os mantimentos, ele podia cozinhar de olhos fechados, mas isso somente dava espaço para os pensamentos ruins, cozinhar sempre lhe ajudou a se distrair, ajudava a manter a mente limpa, mas hoje parecia que não.
Abaixando a cabeça, novamente o som da gargantilha estourando a cabeça de Kaworu inundou sua mente, ele ainda podia sentir o cheiro do LCL, ele ainda podia escutar o som da explosão e a última frase dita por ele.
"Não se preocupe comigo, Isso não é um adeus, o destino irá lhe guiar ... Ikari Shinji-kun."
Sacudindo a cabeça para limpar o momento mais difícil da sua vida, Shinji sentiu a necessidade de chorar, ele tinha que se controlar, uma hora ou outra ele teria que enfrentar Kaworu.
"Não." Falou o menino para limpar a mente, ele novamente se viu perdido em pensamentos, percebeu que tinha ficado parado tempo demais na frente da geladeira, o som do chuveiro inundou sua mente, ele rapidamente pegou o que era necessário para fazer o café.
Preparando no modo automático, o garoto estava em seu mundo, felizmente ele conseguiu se concentrar em fazer a comida, os maus pensamentos tinham ido embora, ele estava em paz, pelo menos por agora.
Escutando um barulho suave, Shinji virou a cabeça ao ver Misato entrando na cozinha, ela vestia seu pijama e estava com os cabelos todos bagunçados, mostrando que ela ainda não tinha acordado completamente, seus olhos mostravam isso.
Pegando uma xícara de café recém feito, Shinji a colocou na frente da mulher que estava sonolenta. "Bom dia Misato."
"Dia." Misato repetiu a palavra o melhor que podia, mas sua mente ainda estava fechada, lentamente ela abaixou o olhar e observou o liquido amargo, seu corpo ainda queria sua preciosa cerveja matinal, mas Shinji tinha sido bem rígido com isso, mas não podia negar que isso ajudava a acordar.
Pegando e sentindo o liquido amargo descendo pela garganta, a mulher franziu o cenho ao ver que faltava açúcar e muito. "Eca ... Nunca vou me acostumar com isso."
Shinji falou sorrindo. "Nada de cerveja."
"Eu sei papai." Misato fala ironicamente ao olhar para as costas do garoto trabalhando na comida, ela ficou curiosa querendo saber o que ele estava fazendo. "O que você vai fazer hoje?"
Shinji se virou e colocou um prato cheio de panquecas para o café. "Panquecas ... E para o almoço, panquecas recheadas."
Misato lambeu os lábios ao ver a comida, ela adorava panquecas, isso ajudava a se lembrar da sua mãe, ela rapidamente queria atacar, mas uma mão afastou o prato da sua frente, olhando para seu protegido com olhos confusos, ela somente falou um pequeno "O que?"
Vendo o olhar da mulher, Shinji falou sorrindo. "Vamos esperar pelos outros."
Misato tentou pegar a comida, falando com um sorriso desafiador. "Minha casa minhas regras."
"Não." Shinji falou ao dar um pequeno tapa na mão da mulher, ambos riam neste momento. "Eu me lembro bem de alguém me falando que essa era minha casa também."
Misato cerrou os olhos ao perceber a ironia de suas palavras, declarando guerra naquele exato momento.
"Então alguém está tomando o controle!" Falou Misato ao se levantar e ir em direção de Shinji, ela tinha um olhar perigoso no rosto. "O homem da casa, assumindo as rédeas, o manda chuva."
"O que?" Shinji falou com medo ao ver a mulher se levantado, ele queria poder se afastar, mas a geladeira o impedia, ele somente olhou para a mulher cada vez mais perto dele.
"Toma isso!" Gritou Misato ao pegar o garoto pelo pescoço segurando sua cabeça em seu braço, e com sua mão livre ela usou para beliscar a pele dele.
"Ai!" Shinji falou ao sentir o couro cabeludo sendo esfolado pelos dedos de Misato, mas de alguma forma ele estava se divertindo com isso, esse contato com Misato ajudou a aliviar seus pensamentos sobre Kaworu.
"Então machão!" Falou Misato ao prender Shinji em seus braços, ela podia sentir que o garoto ria, não demorou para ela o soltar, rindo ao se afastar e se sentar novamente.
"Ainda vai esperar pelos outros." Shinji falou ao controlar a respiração, na sua frente ele podia ver o seu recheio quase pronto.
"Você tem sorte de eu estar de bom humor." Misato fala ao terminar de tomar seu café, o gosto era ruim, mas ela no fundo agradecia por Shinji a ajudar a diminuir com a bebida, ela podia sentir os efeitos em seu corpo, os pesadelos ganharam mais espaço, mas ela ao mesmo tempo dormia melhor.
Escutando o som da porta de abrindo, Shinji observou Asuka sair do chuveiro enrolada em uma toalha vermelha, ela secava os cabelos, Misato percebeu isso e sorriu com o que tinha visto, ela iria provocar, mas deixou isso para outra hora, agora ela somente queria comer.
Asuka rapidamente foi para o quarto, ela se vestiu e foi tomar café, vendo as panquecas a sua espera somente esperando para serem comidas, o cheiro inundou suas narinas e a deixou com agua na boca, Shinji terminava de preparar os bentos para a escola.
"O chefe da casa falou para esperar todos." Misato falou com um sorriso irônico no rosto.
"E quem é ele para mandar em alguma coisa?" Asuka falou ao olhar para o rosto envergonhado de Shinji, ela adorava vê-lo assim, achava fofo.
Shinji estava pronto para responder ao alimentar Pen-Pen, mas um som invadiu o apartamento. "Oi! Bom dia!" Mari gritou ao abrir a porta da casa, seu grito ecoou pelos corredores até chegar aos ouvidos de seus moradores. "Cheguei!"
"Ai quatro olhos!" Asuka falou com dor ao sentir pena de seus ouvidos, Misato estava somente a espera de poder comer, era tudo que ela queria. "Ainda é cedo!"
"Já é cinco horas em algum lugar." Mari falou ao se sentar na mesa, Rei como sempre se sentou em silencio, observando Shinji preparando tudo na sua frente.
"Podemos comer agora papai?" Misato fala com a voz infantil, isso causou um claro som de desconforto de Asuka e Shinji, a ruiva pelo fato da infantilidade da mulher que deveria ser a responsável na casa, Shinji por ser Shinji.
"O que é isso?" Mari perguntou ao sentir a atmosfera, logo um longo sorriso de gato nasceu em seu rosto. "Alguma espécie de fetiche? As pessoas estão com tesão logo pela manhã."
"Mari!" Misato falou ao se virar, ela não tinha a ideia de se defender quando ela era o alvo dos ataques.
"O que foi?" Mari perguntou inocentemente ao pegar uma panqueca.
"Acredito que Misato de alguma forma se sentiu desconfortável com a provocação." Rei falou ao pegar uma panqueca.
"Ela provoca toda hora." Mari fala com a boca cheia.
"Calem a boca." Falou a mulher ao olhar para todos na mesa, seu rosto era sério, ela tinha algo importante para conversar, todos olharam para ela neste momento. "Eu sei que é divertido tudo isso, mas tenho que perguntar, o que vamos enfrentar agora?"
Shinji abaixou o olhar ao se sentir inútil, mas ele não poderia fazer nada com relação a isso, Asuka mexeu sua comida não podendo ajudar, ela somente leu os relatórios sobre isso, a única que poderia dar um relato fiel era Mari.
Limpando a boca, a morena foi sorrindo. "Nada demais, quando o mundo foi para o espaço, todo o pessoal da NERV foi trancado num navio prisão, as autoridades queriam saber o que tinha acontecido, Gendo tinha fugido e nada podia ser encontrado sobre ele."
Misato assentiu ao escutar isso, mas Mari continuou seu discurso. "Somente tínhamos um único EVA ativo no Japão, a unidade Mark 06 e o meu EVA 08 que ainda estava em Londres, temos dois anjos, um vai aparecer mais ou menos no próximo mês, mas não vamos ter a NERV ao nosso lado, vamos a cegas."
"Dois." Misato fala intrigada, ter que lutar às cegas não era bom, mas ela rapidamente se recuperou, seus olhos caíram em Shinji e Asuka, podendo ver seus olhos. "Agora vai ser mais fácil, temos nossos pilotos prontos para lutar."
"Sim, o próximo anjo é meio nojento, uma aranha nojenta que chora ácido e o próximo uma bola vermelha com tentáculos." Mari fala ao se sentir um calafrio percorrendo seu corpo com a sensação fantasma do ácido corroendo suas costas.
"Muito ruim?" Misato pergunta ao comer, ela já formulava uma estratégia para o combate.
"Não muito." Mari fala ao tomar um suco. "A aranha não é problema, mas a coisa vermelha sim, ele pode atacar a uma distância relativamente longa, seus tentáculos são ágeis, temos que fugir de sua luz que pode atacar a mente, então ele é perigoso."
"OK, vamos pensar em alguma coisa." Misato fala ao terminar de comer, mas um pensamento não saia de sua mente, ela constantemente pensava em Kaji, ela queria poder perguntar, mas sentia medo da resposta.
Mari percebeu aquele olhar, ela sabia que Kaji tinha sumido pelo comportamento de Misato, ela queria poder contar que ele iria morrer, poder ajudar de alguma forma, mas isso refletia em problemas, nem sua mente chegava em uma conclusão a respeito sobre isso.
Misato inspirou profundamente, ela queria respostas, mas não iria forçar seus protegidos, eles eram seus aliados nesta luta.
"Misato-san?" Shinji a chamou, seus olhos ainda focados na comida mal tocada.
"O que?" Falou a mulher ao olhar para o garoto, ela podia ver a dor em seus olhos.
"Como ele está?" Perguntou Shinji.
Misato inspirou ao abaixar seus talheres, ela rapidamente percebeu Asuka apertando suas mãos, mas respondeu à pergunta.
"Ele está bem, eu soube que vamos integra-lo a nossa equipe, não temos mais justificativa para mantê-lo trancado.
"Eu posso vê-lo?" Shinji perguntou abatido.
"É melhor não." Asuka falou ao entrar na conversa, sua voz era calma e controlada.
Shinji olhou para a garota, ele podia sentir a raiva em sua voz. "Porque não?"
"Shinji, ele é nosso inimigo, ele é o piloto da SEELE, os responsáveis por aquela merda." Asuka falou calma, mas com autoridade. "Eu sei que você se sente culpado, mas isso não é a mesma coisa, pensa que ele tem um certo objetivo e vai fazer tudo para isso acontecer."
"Eu sei, mas..." Shinji tentou argumentar, mas Asuka rapidamente o cortou.
"Sem mas!" Falou a garota ao se levantar na mesa e colocar as mãos na mesa. "Ele vai fazer de tudo para te manipular, imagina que tenhamos que lutar contra ele! Como isso iria ser?"
Shinji abaixa a cabeça ao pensar na situação, ele sabia que ela tinha razão, mas sua mente queria vê-lo, saber que causou a morte de uma pessoa querida tinha machucado profundamente.
Asuka percebeu a postura de Shinji, vendo ele ficando abatido, carregar esse fardo não era fácil aos seus olhos, ela podia entender como era tirar uma vida. "Olha Shinji." Falou a ruiva ao se sentar novamente. "Eu sei como se sente, eu sei como é perder alguém querido, mas isso não vai te fazer bem, deixa essa parte com a gente."
Shinji somente inspirou, ele olhou para cima e pode ver todos os olhos focados nele, ele podia ver a preocupação de todos com relação a ele, mas ainda tinha uma pequena coceira que ficava na sua cabeça, esse assunto era muito delicado, mas ele entendeu o ponto.
"Ok." Respondeu o garoto ao voltar a cutucar a comida, completamente perdido em seu mundo, o resto do café da manhã passou sem problemas, todos comeram em silencio, cada um pensando na sua vida com cuidado, para alguns isso era completamente novo.
A turma finalmente tinha chegado a escola, Shinji estava s sentindo estranho com os olhares que recebia pelo tapa olho, ele finalmente poder entender o sentimento que Asuka descreveu para ele a uns dias atrás.
A ruiva logo percebeu isso, falando rapidamente para ele. "Não ligue para os olhares, eles nunca vão entender."
"Eu sei." Respondeu o garoto ao olhar para a ruiva, ele sabia que as pessoas não tinham o real conhecimento sobre o que tinha acontecido, mas ele rapidamente se recuperou ao ver Asuka lançando olhares perigosos para as pessoas, mostrando que não iria tolerar nada.
Mari rapidamente falou ao passar um dos braços pelos ombros de Shinji, ela falou com a voz divertida. "Não ligue para eles filhote, use isso ao seu favor, fale como ficou o outro cara."
Shinji riu com a analogia, eles logo entraram na sala de aula, Shinji fez o possível para ignorar os olhares que recebeu, não demorou para ele estar ao lado de seus amigos Toji e Kensuke.
"O tapa olho é legal." Kensuke falou ao olhar para Shinji, ele já tinha algum conhecimento sobre a NERV para entender que isso deve ter sido alguma luta. "Te deixar com cara de fodão."
Toji rapidamente deu um tapa forte nas costas de Shinji fazendo o garoto ofegar com o golpe. "Agora está com cara de homem." Eles ficaram conversando um pouco até o início das aulas.
Asuka se sentou em sua mesa, ela rapidamente olhou para os lados ao ver Hikari se aproximando dela com um sorriso no rosto. "Oi Asuka."
"Oi Hikari." Responde Asuka com naturalidade. "Como vão as coisas com o atleta ali?"
Hikari corou ao escutar isso. "Bem." Ela rapidamente começou a mudar o rumo da conversa para fugir do assunto, mas Asuka não era cega, ela sabia de sua paixão pelo garoto.
"Oi Kenken." Mari falou sorrindo ao se aproximar do garoto, achando fofo o modo como ele ficou desconfortável com a sua presença, corando forte. "O que é isso?"
Kensuke quase derrubou seu novo modelo na qual estava construindo, ele rapidamente começou a gaguejar fortemente uma resposta, Asuka olhou para a dupla e balançou a cabeça.
"Ainda não acredito nisso."
"O que?" Perguntou Shinji ao olhar para os dois, sorrindo ao ver seu amigo ter encontrado alguém na qual poderia compartilhar sua esquisitice.
"Eles." Asuka falou ao apontar para a dupla. "Não consigo ver Kensuke como um adolescente comum."
Shinji riu ao ver isso, ele rapidamente se recuperou perante o olhar assassino de Asuka em cima dele. "Mas eles estão felizes."
"Eu sei." Asuka fala ao se sentar ao lado de Shinji, seus olhos caindo em uma lembrança do beijo na qual compartilharam, ela queria poder saber mais, vendo Shinji se sentando e preparando suas coisas, ela olhou para o seu rosto ganhando vida novamente.
"Ei baka." Pergunta a ruiva, ela podia sentir a mão suando com a ansiedade. "Depois da última noite, o que eu sou para..."
"Muito bem turma bom dia." Falou o professor ao entrar na sala, ao seu lado Hikari estava sorridente, Asuka queria matar a pessoa que interrompeu seu momento, mas ela sentiu um grande calafrio percorrer seu corpo com a cena, todos os olhos focados no professor.
"Temos um novo aluno sendo transferido para a nossa turma." Falou o professor com a sua voz fria e controlada. "Senhorita Horaki, pode chama-lo." Hikari prontamente foi para a porta.
Shinji olhou para os lados, ele podia ver o olhar de desdém de Toji, mas Asuka e Mari ficaram tensas, ele tinha uma ideia de quem poderia ser, Mari olhou para trás, trocando um olhar rápido com Asuka.
"Não." Falou a ruiva ao ver a porta se abrindo. "Não pode ser." Passos lentos ecoaram pela sala, todos olharam para a nova pessoa que entrou, as meninas analisando a beleza do novo aluno, os meninos o olhando com desdém.
"Maldito Nagisa." Asuka falou ao querer matar o garoto ali mesmo.
Parando na frente da sala, Kaworu se virou e escreveu seu nome na lousa, seus olhos focando em todos os rostos, mas tinha um em especial, ele podia ver a tensão nos olhares de Asuka e Mari, mas os olhos de Shinji eram calmos e deprimidos, ele sorriu levemente ao vê-lo.
"Olá, eu me chamo Nagisa, Kaworu Nagisa, é um enorme prazer conhecer todos vocês." Falou Kaworu ao olhar para a turma, mas seus olhos focaram em Shinji, a única pessoa que ele tinha interesse.
Asuka queria poder se levantar e acabar com isso agora mesmo, mas ela somente pensou em Shinji, ela virou a cabeça e olhou para o lado, podendo ver seus olhos, ela ignorou as outras meninas falando sobre esse novo aluno, admirando sua beleza exótica e diferente.
Shinji olhou para o garoto, ele queria poder reagir de forma diferente, mas seu corpo se sentiu paralisado ao rever aquela pessoa, ele sentiu seu coração disparando, sua boca secando e sua respiração acelerando, mas ele não conseguia remover os olhos dele, sua mente repetia tudo como um disco quebrado, ele sentia tudo novamente, ele sentiu quando a gargantinha explodiu a cabeça de seu amigo, ele relembrou tudo que sentiu naquele dia.
Asuka podia ver que algo estava de errado com Shinji, ela podia ver suas mãos tremendo, sua respiração irregular, era somente uma questão de tempo até ele ter um ataque.
Shinji estava respirando de forma acelerada, seu coração batia forte no peito, ele pode ver que o professor falou alguma coisa para a turma, mas seus olhos somente estavam em uma pessoa, ele o acompanhou até o momento em que ele se sentou a algumas carteiras de distância, era como ver um fantasma.
Sentindo que estava prestes a perder o controle de seu corpo, Shinji somente podia fazer uma coisa, ele apertou as mãos, tomando coragem para se manter firme, mas as emoções foram mais poderosas, sentiu que estava perdendo a batalha interna, o garoto se levantou abruptamente.
"Ikari?" Perguntou o professor com uma carranca no rosto, não gostando de ter sido interrompido no momento em que iria iniciar sua aula, mas ele pode ver que suas palavras não alcançaram os ouvidos de seu aluno, isso somente aumentou sua ira, Hikari olhou para Shinji, ela podia ver que alguma coisa estava errada pelo seu olhar, ainda não entendendo o que estava acontecendo.
Kaworu observou tudo com curiosidade, ele queria entender o motivo de Shinji não se sentir confortável ao vê-lo, essa seria a primeira vez que eles se viam, isso somente provava uma coisa aos seus olhos, isso lhe rendeu um pequeno sorriso no rosto, assim seria mais fácil de interagir com ele.
"Shinji tudo bem?" Asuka perguntou ao ver o garoto de pé, com os olhos fixos em algum ponto da sala de aula, ela ignorou os olhares dos outros alunos, as palavras do professor querendo ordem, ela somente estava focada em Shinji.
"Eu ... Eu tenho que sair daqui." Falou Shinji com a voz ofegante, ele rapidamente caminhou para a porta, ignorando os sussurros dos alunos, ele tinha que ir embora o mais rápido possível.
"Sente-se agora Ikari!" Falou o professor com autoridade, mas ele pode ver que isso foi ignorado, como todos os outros apelos dele, Shinji somente caminhava com passos acelerados para a porta.
"Ikari?" Hikari falou ao levantar a mão para Shinji, essa foi a primeira vez em que ela o via assim, isso a deixou assustada, seus olhos a assustaram, ela não sabia o que fazer numa hora dessas, seu corpo ficou paralisado ao vê-lo saindo da sala quase correndo.
Asuka rapidamente se levantou e começou a ir em direção de Shinji, o professor somente a olhou completamente surpreso e intrigado com a falta de controle que se mostrou.
"Shikinami! Onde pensa que vai!?" Rosnou o professor ao ver a garota indo para a porta,
Asuka estava focada em seu objetivo, ela podia escutar o professor falando alguma coisa, mas ela não ligou, sua mente ainda dizia que era uma tarefa inútil ir à escola depois de tudo, isso era somente um passatempo aos seus olhos, mas ela estava aborrecida pela inclusão de Kaworu em sua sala de aula, então ela reagiu ao professor da forma que seu corpo agia de forma automática.
"Vai se foder."
O professor arregalou os olhos ao escutar isso, ele nunca tinha sido desrespeitado em sua sala de aula em todos os seus anos de trabalho com ensino, os alunos falaram entre si com a pequena frase da garota exótica.
"Asuka!" Hikari falou chocada ao escutar isso, seu papel como representante de classe chorou ao ver isso, ela sabia que a garota seria punida por seus atos contra o professor, ela observou sua amiga saindo da sala, ela rapidamente se levantou e fez uma pequena reverencia para o homem mais velho.
Rei rapidamente se levantou junto, diferente de sua colega, a garota de cabelos azuis simplesmente passou como se nada tivesse em seu caminho, o professor abriu os braços em sinal de aborrecimento.
"Me desculpe por isso Sensei, eu vou ver o que está acontecendo." Falou a garota rapidamente ao sair da sala, ela queria poder entender tudo que acontecia ao seu redor.
"Claro senhorita Horaki, quero um relatório depois da aula." Falou ao professor ao se recuperar, ele logo se virou para a sua turma e falou com autoridade. "Todos quietos!"
Mari olhou para o lado, vendo Kaworu sentado tranquilamente com os olhos fechados e com um pequeno sorriso no rosto, ela analisou o rosto do garoto, sabendo que ele tinha uma ligação com a SEELE no futuro, mas sua mente pensou muito nisso na Wunder, ele com certeza era interessante.
Kensuke se virou e falou com Toji. "O que foi isso?"
"O demônio mostrando sua cara." Toji falou ao olhar para a porta, sua voz era cautelosa.
Kensuke se virou e olhou para Mari que ainda encarava Kaworu, ele falou com apreensão. "Você não deveria ir ver como Shinji está?"
Mari piscou ao escutar isso, ela rapidamente olhou para Kensuke e deu um sorriso suave. "Sim, eu deveria, mas ele está melhor com a princesa e a Azul." Concluiu a garota ao olhar novamente para Kaworu, sentindo o perigo.
Kensuke assentiu levemente, ele pode reconhecer um ataque de pânico quando via um, logo seus olhos caíram em Kaworu, sua mente tentando entender o motivo disso ter acontecido, ele ainda podia se lembrar do olhar de Shinji focado nele, isso foi estranho ao seu modo de ver.
Shinji corria em direção de algum lugar, qualquer lugar que poderia distanciar ele de Kaworu, sua mente repetindo sua morte como um disco arranhado.
"Kaworu-kun!" Gritava a mente de Shinji ao rever o momento em que a gargantilha explodiu.
Shinji fechou os olhos ao tentar expulsar o momento, mas ele falhava fortemente, sua respiração estava acelerada, suor frio escorria pelo seu corpo, ele podia sentir a náusea nascendo em seu estomago, sabendo que não tinha mais tempo a perder, o garoto rapidamente colocou a mão na boca.
Entrando em um dos banheiros, ele vomitou violentamente, sua mente somente gritava em culpa. "Me desculpe." Falou o garoto ao sentir os olhos ardendo com a memória, isso foi forte o suficiente para ele não escutar os passos acelerados de três pessoas no corredor.
"Shinji!" Gritou Asuka ao entrar no banheiro, Rei não demorou para a alcançar, a garota rapidamente foi para o seu lado e colocou a mão em seu ombro, ela pode ver as lagrimas em seu rosto.
"Eu matei ele." Falou Shinji entre fungadas.
"Não foi sua culpa." Asuka falou ao pegar alguns papeis para limpar o rosto de Shinji, ela queria poder ajudar, mas nada vinha em sua mente.
"Foi sim, eu não fiz nada." Shinji falou ao sentir a emoção sendo quebrada, ele não conseguia se controlar nessa hora. "Eu não fiz nada para impedi-lo de colocar a gargantilha."
"Isso foi escolha dele." Asuka fala ao olhar para os lados e procurar alguma coisa que pudesse ajudar mas não encontrou nada.
"Mas eu poderia fazer alguma coisa." Shinji falou ao se sentar no chão e enterrar a cabeça nas mãos, ele podia sentir sua culpa como se ela pesasse muito mais em seus ombros.
Asuka revirou os olhos ao vê-lo assim, ela sabia que isso deve ter sido ruim de ter vivido, mas aos seus olhos, Kaworu escolheu isso, ele escolheu colocar a gargantilha explosiva, não foi um pedido ou ordem de Shinji, podia ver o garoto chorando em culpa na sua frente mas ela somente podia esperar ele se acalmar o suficiente.
Rei parou na porta do banheiro, olhando para Shinji com pena, ela queria poder ajudar, mas não sabia como, ela podia sentir o campo AT de Kaworu, sua parte angelical lhe permitia isso, logo ela virou a cabeça e pode ver Hikari correndo na direção dela, sabendo que ela não podia escutar algumas coisas.
"Ayanami." Hikari falou sem folego, ela nunca se considerou esportiva, ela podia escutar o choro de Shinji dentro do banheiro, mas não podia entender.
"Representante de classe Horaki." Rei falou categoricamente.
"O que aconteceu?" Perguntou Hikari para a albina, sua voz carregava preocupação.
Rei pensou no que falaria, ela não podia contar as informações que julgava ser secretas, mas tinha que dar alguma coisa. "Shinji-kun teve um ataque de pânico, a última missão da NERV foi pesada."
"Oh!" Falou a garota, ela rapidamente tentou espiar para dentro, mas ela podia ver que isso não seria útil em nada. "Eu ... Eu vou falar para o Sensei que é um assunto da NERV, ele vai entender."
"Obrigado por sua ajuda nesse caso." Rei falou ao olhar para a garota nos olhos.
Hikari se sentiu desconfortável, mas sua preocupação com o bem-estar de Shinji estava mais forte. "Eu ... Eu posso ajudar com alguma coisa?"
"Infelizmente não." Falou Rei ao abaixar os ombros, ela queria poder ajudar mais.
"Entendo." Hikari falou desapontada, mas ela podia entender, os assuntos da NERV eram delicados. "Eu vou voltar agora, tem certeza que eu não sou necessária? Eu posso chamar a enfermeira."
"Não vai precisar Hikari, ele só precisa de um tempo, só isso." A voz de Asuka ecoou de dentro do banheiro, a morena queria confrontá-la pelo desrespeito com o professor, mas sabia que isso não iria dar em nada agora.
"OK." Falou a garota ao se virar e sair, dando uma olhada rápida para o banheiro.
Rei observou a garota indo até dobrar uma esquina, julgando ser seguro sair da porta, ela rapidamente andou para o lado de Asuka. "Ikari-Kun?"
Shinji ainda chorava, mas estava mais confortável. "Eu matei ele."
Rei se abaixou ao lado de Asuka, ela queria poder saber as palavras certas para esse momento. "Eu pude escutar um pouco sobre isso, eu concordo com Shikinami, ele fazer isso por vontade própria não torna sua culpa."
"Você não estava lá." Shinji fala com a voz quebrada, finalmente levantando a cabeça para cima e olhando para o rosto das duas. "Era eu quem deveria ter morrido no lugar dele."
Asuka fechou os punhos ao escutar isso, ela odiava quando Shinji ficava em auto piedade, ainda mais por uma coisa que ela julgava não ser sua culpa, abrindo sua mão e tocando o rosto de Shinji delicadamente, ela guiou seu rosto até que seus olhos se encontrassem.
"Shinji ... Me escute bem." Asuka fala com a voz seria, ela o olhava nos olhos a todo o momento, tentando transmitir a mensagem que queria, percebendo que tinha a devida atenção, ela continuou. "Eu julgo isso, eu sei que você se acha um monstro, mas eu garanto que não é."
Rei observou o discurso ao lado de Asuka, ela escutava atentamente, mas seus olhos estavam em Shinji, o analisando.
Shinji estava pronto para protestar, mas Asuka continuou. "Eu não quero ver você assim, você pode ser um pirralho idiota que só faz besteira? Sim, mas você não é um monstro, não é um assassino, o que aconteceu com Kaworu lá foi somente culpa dele e de mais ninguém."
Shinji abaixou a cabeça ao escutar, ele queria poder acreditar nas palavras da garota, ele somente soltou um longo suspiro ao deixar aquelas palavras afundando em sua mente, ele tinha que deixar o passado para trás, uma hora ou outra ele teria que enfrentar Kaworu, ele teria que se controlar.
"OK." Falou fracamente o garoto.
"Não escutei terceiro." Asuka fala com voz de comando.
"Eu falei OK." Shinji repete sua frase com um pouco mais de força em sua voz.
"Bom." Asuka diz ao se levantar e olhar em volta, podendo ver que estavam no banheiro masculino, ela falou ao olhar para Shinji ainda sentado no chão. "Vamos embora, chega de escola por hoje."
"O que?" Rebateu o garoto ao olhar para cima, ele podia ver a mão de Asuka esticada em sua direção.
"Eu falei que vamos embora, vamos sair e nos divertir." Falou Asuka com um sorriso no rosto.
Shinji pensou se deveria acatar, ele achava que escola era um lugar importante, mas logo a voz de Rei ecoou em seus ouvidos.
"Eu concordo, acredito que seja apropriado para você sair." Fala a garota com a voz delicada, logo os olhos de Shinji e Asuka caíram nela, não se importando com o julgamento, Rei continuou seu discurso. "Você está com o emocional abalado e acredito que voltar a sala não deva lhe fazer bem."
"Finalmente concordamos com alguma coisa garota maravilha." Asuka fala arrogantemente ao colocar as mãos no quadril, logo os olhos de Rei focaram nela.
"Eu somente estou preocupada com o bem estar de Shinji."
Asuka somente soltou um longo suspiro, ela rapidamente olhou para Shinji que ainda estava sentado no chão, novamente esticando sua mão e falando com um sorriso. "Então baka? Vamos?"
Shinji pensou por um longo momento, mas Rei tinha razão, ele não sabia se poderia encontrar com Kaworu agora, eram muitas lembranças que giravam em torno dele, logo ele olhou para a mão da garota na qual tinha beijado, lentamente assentiu e falou com determinação.
"Ok, vamos sair." Falou Shinji ao pegar a mão de Asuka e se levantar, podendo ver que agora estava mais calmo, mas suas mãos ainda tremiam.
"Bom, agora vamos." Asuka falou ao se virar e começar a sair do banheiro, ela tinha um pequeno sorriso no rosto.
Shinji se virou e olhou para Rei que ainda o olhava atentamente. "Obrigado Rei, você é a melhor irmã do mundo."
"Irmã?" A garota repetiu isso, ela nunca soube de que parte seu DNA foi criado, ela somente sabia que era sintético.
"Sim, eu conto para você em casa, tudo bem?" Shinji falou sem jeito ao colocar a mão na nuca.
Rei queria saber mais, mas podendo ver que agora não era mais o momento, ela somente assentiu. "Tem certeza que está bem?"
"Sim agora eu estou." Shinji fala ao ir para a pia e jogar um pouco de água no rosto para se limpar as lágrimas que ficaram.
"Ok então, eu vou voltar, eu e Mari levamos suas coisas para casa." Rei falou ainda olhando para Shinji.
"Obrigado." Shinji falou ao começar a sair com Rei logo atrás. "Os Bentos estão no fundo da mochila, o seu é a da cor verde."
Rei somente assentiu, ela pode ver Asuka esperando pacientemente do lado de fora enquanto mandava uma mensagem de texto para Mari a avisando que iria sair com Shinji, mas a resposta da garota somente a fez corar fortemente.
"Maldita quatro olhos!"
"O que foi?" Shinji falou ao se aproximar, ele podia ver o rosto fortemente corado da garota, mas ela fechou o aparelho rapidamente ao se virar e olhar para ele.
"Nada." Falou Asuka ao tentar se recuperar rapidamente, mas o rubor ainda tinha ficado em seu rosto, ela rapidamente pegou a mão de Shinji e o arrastou pelos corredores.
"Obrigado Rei." Shinji falou ao começar a se afastar, ele podia ver que a garota de olhos vermelhos o observou até eles virarem uma esquina, ela somente assentiu ao se virar e começar a sair, sua mente pensando nas palavras de Shinji.
- Irmã, parentesco de sangue aquela que tem ambos os genitores em comum com outrem. – Pensou a garota ao caminhar de volta para a sala de aula. - Aquela que, em relação a outra, é filha do mesmo pai ou da mesma mãe; meia-irmã, irmã unilateral. –
Não demorou para ela entrar na sala novamente, ela podia sentir os olhos de todos nela neste momento, mas como sempre não ligou, ela falou com sua voz neutra e delicada, usando uma desculpa que com certeza o professor não poderia reclamar.
"Ikari e Shikinami foram chamados novamente para a NERV."
O professor assentiu levemente, essa foi a mesma desculpa que a representante de classe lhe deu, julgando ser verdade, ele não tinha autoridade para intervir em assuntos da NERV mas ainda iria fazer uma queixa formal contra o xingamento da garota contra ele.
"Muito bem então."
Rei foi para o seu lugar, ignorando os murmúrios da turma, ela novamente voltou seu olhar para fora da sala, vendo as arvores e a vegetação que tinha ao fundo, mas seus olhos caíram em uma pessoa, o reflexo de Kaworu que a observava com curiosidade e um pequeno sorriso, mas isso não tinha conseguido vencer o pensamento de Shinji a chamando de irmã.
Mari sorriu ao saber que os dois estavam sozinhos agora, riu com a mensagem que tinha mandado para Asuka, ela rapidamente voltou a sua conversa com Kensuke sobre games de guerra.
Toji ficou calado, ele se esticou em sua mesa para cochilar e esperar a hora do almoço, o único momento que ele realmente esperava na escola, ignorando os olhares que recebia de Hikari ao segurar um bento a mais que tinha preparado para o garoto.
Kaworu pensou em Shinji, ele queria poder ir atrás, mas sabia que tinha que ser cauteloso, ele teria o tempo que fosse necessário agora que o terceiro impacto tinha sido evitado e o mundo estava normal, era somente questão de tempo até eles se encontrarem na NERV.
Mas seu foco caiu em Rei, vendo a garota que carregava a alma de Lilith em seu corpo, o anjo que deu a vida a todas as criaturas na terra, ele ainda se lembrava de sua forma antiga, de suas lutas e conversas que duravam milênios, mas como tudo isso ainda estava adormecido, isso lhe rendeu um sorriso.
Notas do Autor: Olá pessoal Calborghete aqui, temos enfim o Capítulo 22. Espero que tenha sido de agrado de todos, como sempre não deixem de segui-la e salva-la em seus favoritos para não perderem mais nenhuma atualização futura.
Eu sei, está parado, mas eu garanto que isso é planejado, a ação vai voltar nos próximos capítulos, com relação a Kaworu, eu tenho algo bem legal planejado, espero poder fazer isso bem feito e da forma que eu pude imaginar.
Somente peço um pouco de paciência a todos com a falta de ação, é que algumas coisas têm que acontecer antes do clímax, eu garanto que teremos mais ação no futuro próximo.
Por favor, não esqueçam de revisar, elas são muito importantes para saber se o andamento da história está sendo do agrado de todos, vocês devem saber que eu sempre as levo em consideração quando estou escrevendo e saber que está indo bem dá uma bela força.
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