Olá pessoal, Calborghete aqui, ficaram com saudades?
Hoje começa mais uma história, espero poder conseguir agradar a todos e fazer com que possamos passar mais um tempo juntos nesta nova jornada que iniciaremos hoje.
Não esqueçam de curtir a página no Facebook, o link direto pode ser encontrado na página do meu perfil na Fanfiction, ou se vocês preferirem pesquise "Calborghete" e localizar uma imagem de Shinji e Asuka. Nesta página eu vou postar atualizações e também será mais fácil de entrarem em contato comigo.
Como ambas se passam pós Rebuild 3.33, pode haver confusão em desvincular com a minha história anterior (Errors and Successes), mas quero que saibam que NÃO tem conexão NENHUMA entre ambas, está é uma história completamente nova.
Tem umas coisas que vocês vão precisar saber antes de ler, pois eu fiz algumas modificações na história do 3.33 para essas ideias fazerem sentido:
1) Não tem maldição do EVA, os personagens envelhecem e crescem normalmente, então imaginem Shinji, Asuka, Rei e Mari na faixa dos 28 à 30 anos de idade.
2) Gendo não tirou da tomada a SEELE, eles estão firmes e fortes nesta história.
Então agora sem mais enrolação, boa leitura.
"Diálogos"
- Pensamentos -
"Conversa via Rádio"
"Auto conversa."
Nota de Responsabilidade:
Evangelion, seus personagens e cenário são propriedade de Hideaki Anno. Qualquer marca, filmes e séries mencionado nesta Fanfic é propriedade de seus criadores.
(*)
Capítulo 01 - Ninguém se Importa.
Gendo Ikari, uma vez o homem mais poderoso do mundo, o homem que tinha todos os recursos para fazer as atividades que ele queria fazer ao seu gosto, o homem que gerenciava uma organização que lutava contra monstros colossais usando maquinas biomecânicas.
Caminhando com passos acelerados, o homem estava arfando pesadamente devido sua idade e modo de vida sedentário, mas desta vez esse não era o caso, sentindo o esforço a cada passo que dava, sentindo a ferida em sua perna gritando de dor quando sustentava seu peso.
"Gendo!" Um grito surgiu pelos corredores da antiga sede da NERV, Gendo sentiu o sangue gelar, escutar essa voz na intensidade que estava fazendo com que o homem um dia o mais poderoso do mundo sentir medo, algo que fazia tempo que o mesmo não experimentava.
"Abra porta maldita." Gendo rosnou ao passar seu cartão de acesso, vendo a porta emitir um pequeno sinal sonoro e uma luz verde sinalizando que agora estava aberta, tratando logo de entrar.
Mancando até sua antiga mesa, Gendo estava em busca de algo para se defender, olhando freneticamente para qualquer coisa que poderia usar contra o invasor, sentindo a adrenalina invadir seus vasos sanguíneos, o homem não gostava quando não tinha o controle das coisas ao seu redor.
"Mas que merda, cada minha arma?!" Gendo rosnou ao abrir e fechar as gavetas de sua antiga mesa em busca de sua defesa, mas os únicos objetos que conseguiu encontrar foram folhas de papel, fechando a gaveta com força e sentindo as mãos tremerem com seu possível destino.
Sua linha de pensamento foi quebrada com um baque forte vindo da porta, levando seu olhar para a porta de metal que agora a estava separando de seu adversário, escutando outro baque e depois outro.
"Você não vai escapar hoje!" Uma voz grossa gritou do outro lado, mesmo as pesadas portas de metal não foram capazes de silenciar o invasor que prontamente estava chutando sua barreira.
Gendo não tirou os olhos da porta, engolindo a seco quando os sons pararam seus olhos estavam fixos na porta de metal que estavam salvando sua vida neste momento.
Sentindo o chão tremer, Gendo se virou e pode ter um deslumbre da poderosa Wunder surgindo ao fundo de Tóquio 3, o dia estava chuvoso e nublado, fazendo com que o cenário em volta da poderosa máquina de guerra da Wille a deixasse mais intimidadora.
Uma chuva forte caia sobre Tóquio 3, raios pesados rasgavam os céus da antiga cidade sede, Misato Katsuragi estava com os olhos firmemente fixados no cenário em sua frente, sentindo a mão tremer com a carnificina de corpos de unidade EVA caídas.
Olhando como elas foram massacradas por um único inimigo com suas tentativas finais de defender seu chefe na NERV, partes de EVAS podiam ser vistas espalhadas pelo solo vermelho, todas elas faziam um caminho para o seu agressor.
"Se aproximando senhora." Hyuga falou cauteloso de seu lugar, ele estava cauteloso desde os incidentes dos dias anteriores, todos na nave estavam, eles não podiam imaginar que algo assim poderia acontecer.
"Ampliem, encontrem ele." Ritsuko falou ao ficar parada ao lado de Misato, ambas as mulheres estavam olhando para a carnificina.
"Como uma única pessoa pode fazer uma coisa assim? Mesmo nós com a Wunder não conseguimos." Ritsuko falou ao olhar para fora da ponte, vendo a poderosa Wunder sobrevoar os corpos de centenas de Mark 6, alguns estavam sem cabeça, outros sem os membros superiores, alguns partidos pela metade.
Misato suspirou ao abaixar a cabeça, se lembrando das palavras ditas pelo responsável e das palavras da pessoa misteriosa que apareceu em seus sonhos lhe mostrando coisas. "Isso é culpa nossa."
Ritsuko se virou e encarou a velha amiga com choque controlado. "Como isso pode ser culpa nossa?"
Misato virou a cabeça e encarou Ritsuko com um olhar frio e feroz, ela sabia que eles tinham errado. "Nós criamos um monstro."
- Só espero que não seja tarde demais para ajuda-lo, por favor me perdoe. – Misato pensou ao abaixar o olhar e fechar os olhos para controlar as emoções que estavam ameaçando cair.
"Temos visão da Unidade Evangelion." Tama falou ao ampliar a imagem da ponte, revelando a unidade agora desativada.
Os olhos de Misato arderam ao ver aquela peça de metal, com sua armadura fortemente danificada devido a sua invasão, sacudindo a cabeça para poder se concentrar, Misato falou determinada.
"Preparem uma equipe de assalto, vamos entrar na NERV."
Todos na ponte se viraram para olhar sua comandante. "Senhora?" Shigeru perguntou cauteloso.
"Eu gaguejei Tenente?" Misato rebateu ao encarar o antigo colega da NERV ferozmente, seu olhar fez com que Shigeru engolisse a seco, Misato estava falando com a voz nivelada e calma, aumentando ainda mais sua postura ameaçadora.
"Não senhora." Shigeru logo se virou para começar a ordenar uma equipe de assalto conforme as ordens recebidas, ninguém ousou contrariar Misato nesta hora, eles sabiam que o momento era delicado.
"Você acha que pode convencê-lo?" Ritsuko perguntou tentando ao máximo manter a calma, ela não queria entrar na linha de fogo de Misato.
"Espero que sim, ele não é assim." Misato respondeu sem olhar para a loira falsa. "Ele não é um monstro."
No casco da Wunder, a Unidade Evangelion 2 + 8 estava olhando para a paisagem, Asuka estava com um olhar abatido no rosto, ela não podia acreditar no que estava vendo.
"Princesa, será que chegamos tarde?" Mari perguntou com abatimento na voz, ela não esperava isso acontecer.
Asuka deu um suspiro dentro do plugue de entrada, vendo bolhas de ar saindo de sua boca a ruiva pensou. "Eu não sei Quatro-olhos."
- Por favor, não faça isso. – Asuka pensou sombriamente ao ampliar sua visão para a causa, vendo uma Unidade Evangelion parada no horizonte na posição desativa, com seu plugue de entrada exposto revelando que seu piloto já estava dentro da NERV.
Gendo novamente olhou para a porta que estava silenciada por alguns minutos, sabendo que seu invasor não iria desistir por causa de uma porta, os minutos pareceram horas para o homem que sonhara em virar um Deus.
O silencio da sala foi substituído por uma forte explosão que arrancou a porta de metal de seu lugar, somente deixando uma grande nuvem de poeira.
Engolindo a seco quando uma silhueta masculina parou na porta, sabendo que nenhuma palavra sua iria ser capaz de parar essa pessoa, vendo sua respiração pesada e seus ombros largos começando a andar para dentro da sala, em uma de suas mãos estavam uma Beretta 9 mm e a outra estava segurando o abdômen ferido, mas isso não parecia atrapalhar o homem na casa dos trinta anos.
"Então aqui estamos velho." O homem falou ao se aproximar lentamente, suas feridas não pareciam estar atrapalhando seu julgamento.
"Escute, vamos conversar." Gendo tentou começar a falar, somente seus óculos estavam fazendo com que o homem não mostrasse medo.
"Corta essa papo velho." O homem misterioso falou fortemente, finalmente saindo da nuvem de poeira e levantando a arma agora apontando para o rosto de Gendo. "Não avisei que sua vez estava chegando?."
"Mas..." Gendo começou a falar, o medo podia ser sentido em sua voz, mas logo ele foi cortado com um disparo, o mesmo passou a centímetros de sua cabeça, justamente com a intenção de fazê-lo parar de falar.
"Você não tem nada para falar." O homem falou ameaçadoramente. "A única coisa que vai sair de sua boca serão as moscas de seu corpo apodrecendo."
Gendo agora estava olhando para o rosto da pessoa que estava jurando mata-lo, não podendo acreditar que essa pessoa podia tomar uma atitude como essas, levantando as mãos para sinalizar que não era uma ameaça.
"Por favor, apenas me escute." Gendo começou a sentir que seu tempo estava começando a acabar.
"Não adianta." O homem falou ainda mantendo a postura forte, não vacilando por nada, olhando brevemente para fora, vendo a Wunder agora se aproximando rapidamente, o homem podia ver uma pequena nave saindo, sabendo que não teria muito tempo para completar seu plano, que ele mesmo batizou como plano E.
Nesta distancia, ele podia ver a Unidade 2 + 8 no casco da Wunder, logo lembranças de seus pilotos vieram em sua mente, sentindo uma pontada de hesitação começar a surgir com as novas experiências e sentimentos que lhe foram trazidos em sua estadia na Wunder.
Sacudindo a cabeça para voltar ao seu objetivo. - Foco, não é hora de voltar a trás. – O homem pensou ao voltar a postura, andando até sentir o cano da arma encontrar na cabeça de Gendo, o homem falou friamente ao encara-lo nos olhos.
Gendo arregalou seus olhos ao sentir o cano da arma na cabeça, sentindo o suor frio escorrer pela testa e as entranhas derretendo, o homem agora só podia esperar o fim, quando a pessoa puxasse o gatilho e tudo pelo o qual havia trabalhado acabaria.
"Hora de dizer adeus." O homem falou ao engatilhar uma bala em sua arma, olhando o homem na sua frente friamente, sem um pingo de remorso pela atividade que estava prestes a fazer.
"Te vejo no inferno, pai."
Antes – Em algum lugar de Tóquio 3.
Shinji para a terra vermelha que um dia já fora Tóquio 3, a cidade que ele jurou proteger, a cidade onde ele tinha um lar, dando um suspiro abatido, o garoto se virou e começou a caminhar em alguma direção, tento seus próprios pensamentos como companhia.
"Companhia." Shinji falou para si mesmo enquanto caminhava, sua mente estava gritando para que a sua solidão acabasse, não se importando nem um pouco em estar falando sozinho, não tinha ninguém em volta para lhe julgar, mas mesmo se tivesse, ele não se importava.
"Você sabe que sente falta deles." A consciência de Shinji começou a falar com ele.
"Cala a boca." Shinji retrucou para a própria mente, sentindo imagens de Misato, Asuka, Rei e de todos que conhecera na sua estadia nos tempos normais, abaixando a cabeça para tentar controlar suas emoções.
"Não." Shinji rosnou para si mesmo ao sentir as lagrimas querendo sair, tendo o seu pior pesadelo sendo realizado, o de decepcionar as pessoas que amava, mesmo sabendo que agora era odiado por todos, desprezado e detestado, ele ainda pensava nestas pessoas.
"Você sabe que um dia vai reencontrá-los." Rebateu a voz interna, mantendo o tom acusatório.
"Eu sei." Shinji respondeu secamente ao caminhar, mantendo um ritmo constante em direção a algum lugar, ele ainda podia se lembrar de estar caminhando neste exato local, sendo arrastado por Asuka depois da batalha enquanto estava pilotando o EVA 13.
Sacudindo a cabeça ao se lembrar das palavras que Asuka quando estava tentando encontrar o caminho de volta para a Wunder depois de ter feito sua maior burrice de sua vida.
"Isso foi a mais de dois anos." A voz falou em um tom zombeteiro.
"Não importa, eles nunca se importaram." Shinji rebateu para sua mente que estava novamente tentando voltar. "Não vou cair nesta novamente, eles só se importam enquanto você é útil." Fechando os punhos enquanto caminhava com passos pesados pela terra vermelha.
"Se eles não se importasse com você teriam te matado assim que você voltou." Questionou sua consciência, sabendo que deveria jogar os fatos sobre suposições.
"E dai? Na primeira vez eles só queriam a unidade 01, eles não foram me resgatar, só estavam atrás da Unidade 01, se pudessem teriam me largado lá." Shinji falou sombriamente com os punhos fechados. "Na segunda, aposto que queriam que eu sofresse, Asuka falou isso pessoalmente."
"Isso foi na raiva, você sabe como é Asuka." Sua consciência falou, tendo as informações mais fundas da mente de Shinji para se apoiar.
Sacudindo fortemente a cabeça, ele não queria entrar em conflito com seus sentimentos, ele tinha um plano a seguir. "Hahaha, como se ela algum dia teve sentimentos por mim, como se algum um dia se importou, nada vai mudar meu cenário, nada."
"Pirralho."
"Você pode morrer que eu nem ligaria."
"Você só faz merda."
"A partir de agora, você não fara mais nada."
"Assassino."
Shinji fechou os olhos ao se lembrar das palavras das pessoas quando eles foram recuperados pela Wunder, a frieza nos olhos de todos, o veneno na voz de cada um, o ódio que estava sendo direcionado para ele.
"Eles não se importam comigo, essa época morreu." Shinji continuou sendo torturado pelos seus pensamentos.
"E seu plano de escapar da prisão foi muito esperto." Rebateu sua mente o questionando.
"Foi necessário, não ia ficar lá apodrecendo pelo resto da minha vida." Shinji encarava o horizonte, lembranças dos tempos que ficou preso pelos seus crimes, tendo sido condenado a prisão perpetua, rosnando ao ter seu apelo negado pela pena de morte.
"Eles queriam que eu sofresse, queriam que eu morresse numa cela sozinho, pelo menos esse tempo me ajudou a pensar no que eu tinha que fazer." Rosnou Shinji ao se lembrar.
"Já parou para pensar que eles mexeram os pauzinhos para a pena de morte não ser aplicada?" Argumentos deu eu interno.
"Hahaha." Shinji começou a rir com o próprio pensamento, sabendo que eles poderiam estar certos, limpando uma lagrima que escorreu pelo seu rosto. "Duvido muito, parece que você não viu o julgamento e o olhar dos outros."
"Mas estamos num tempo diferente, as pessoas tem que ser durões." Tentou novamente a consciência de Shinji para remove-lo de seu ciclo autodestrutivo.
"Durões? Eu nunca teria feito o que eles fizeram, me culpam pelo terceiro impacto, mas eles viram o que aconteceu naquele dia, eu não sabia que os EVAS podiam fazer, eu só queira salvar minha irmã." Shinji falou mantendo a postura fria, sua mente estava inundada com lembranças de sua volta, o como ele estava feliz por saber que Asuka estava viva e bem, como ele queria ajudar na decolagem da Wunder. "Mas não, eles preferiram jogar toda a culpa em mim, eles não se importam."
Depois de caminhar por algumas horas, o dia já estava terminando, olhando em volta para encontrar algum abrigo.
Sentando no chão e preparando uma pequena fogueira, Shinji se perdeu nas lembranças enquanto olhava o fogo queimar na sua frente, uma pequena caneca estava fervendo com sua comida.
Dando um suspiro abatido, Shinji olhou para baixo ao sentir que mais lembranças estavam inundando sua mente. "Eles não se importam."
Pegando sua comida do fogo, Shinji olhou para a pequena pasta em sua frente, sabendo que isso não seria suficiente para saciar sua fome, mas ele sabia eu teria que racionar, dando uma pequena bocada na pasta e fechando os olhos para tentar saborear a falta de sabor da comida.
"Por que Misato? O que foi que eu fiz para você me odiar tanto?." Shinji falou tristemente ao olhar para sua colher agora com outra pequena porção de comida, seus pensamentos logo caíram na sua outra colega de quarto, uma certa ruiva ardente e feroz. "Claro né? O Terceiro e o Quarto impacto, mas você viu aquele dia? Você sabe que eu não queria que isso acontecesse, eu nem sabia que isso poderia acontecer."
Com uma pequena risada, Shinji continuou a encarar a colher, se lembrando dos tempos no apartamento de Misato, de como Asuka fazia sua vida um inferno, como ela nunca estava feliz com nada que ele fazia. "Pelo menos ela gostava da minha comida."
"Você fala que não se importa, mas vive pensando nelas." Questionou sua mente racional.
"Eu sei, eu nunca deixei de me importar com elas, mas eu sei que o sentimento não é reciproco." Shinji falou ao abaixar sua colher e levantou sua cabeça para observar as estrelas, vendo os vários pontos brilhantes nos céus. "Esse é meu castigo."
Vendo a imensidão de estrelas que o céu apresentava agora que não havia mais as luzes da cidade para cobri-las, sendo novamente inundado por memorias, uma delas era de seu amigo, a única pessoa que o tratou com dignidade neste mundo perdido, essa pessoa era Kaworu.
Flash Back
"Kaworu, eu fiz isso?" Shinji perguntou chocado ao ver a Unidade 13 subindo aos céus em direção aos portões de Guf, segurando a cabeça para tentar segurar as emoções.
"Não, fui eu." Kaworu falou abatido, Shinji virou a cabeça e olhou para o rosto de seu amigo, ele não estava entendo nada.
Com um bip, a gargantilha DSS de Kaworu se ativou, cristais vermelhos começaram a girar no sentido horário, mesmo não sabendo o que estava acontecendo, Shinji sabia que não deveria ser algo bom, tentando chegar ao seu amigo e sendo bloqueado pela parede do plugue de entrada.
Com lagrimas se dissolvendo no LCL que envolvia seu corpo, Shinji observou seu amigo. "Kaworu-Kun, me diga o que fazer."
Kaworu virou a cabeça e falou abatido, sabendo que seu fim estava próximo, ele não temia a morte, para Kaworu a morte era a maior liberdade que uma pessoa podia ter, olhando Shinji nos olhos, o anjo tentou tranquiliza-lo. "Não se preocupe comigo Shinji-Kun, isso não é sua culpa."
"Como não?!" Shinji gritou ao bater com os punhos na parede do plugue de entrada, tentando desesperadamente chegar ao amigo.
"Querido Shinji, eu ... Eu quero que você seja feliz, mas essa não era a felicidade que você merecia." Kaworu falou com um sorriso no rosto, parecia que ele nem estava batendo nas portas da morte.
Shinji observou com olhos arregalados quando os cristais da coleira começaram a girar com mais velocidade, um feixe amarelo fez uma linha fina ao redor do pescoço de Kaworu.
"Kaworu não!" Shinji gritou ao saber que não tinha mais tempo, chutando ferozmente a parede na esperança de chegar e dar auxilio ao amigo.
Kaworu observou tudo com tristeza nos olhos, ele não queria que Shinji visse o que estava por vir. "Não se preocupe querido Shinji, o destino vai lhe guiar, nós nos veremos novamente Ikari Shinji –Kun."
Shinji parou de chutar para observar o rosto de Kaworu, vendo o colar emitir uma luz amarela brilhante e se fechar, com uma pequena explosão destruindo a cabeça de sua vítima.
Horrorizado ao ver a cena em sua frente, sangue se misturou no LCL o deixando praticamente turvo, o impedindo de ver o corpo decapitado de Kaworu.
"Kaworu-kun." Shinji sussurrou horrorizado com o que tinha presenciado.
Fim do Flash Back
Shinji piscou para limpar a lembrança da perda da única pessoa que o tratou com dignidade, fechando o punho em raiva ao saber que havia causado a morte dele, sabendo que a gargantilha era sua e que Kaworu havia sofrido a sua punição no seu lugar.
"Merda." Shinji rosnou ao dar uma última bocada em sua comida, se virando e tentando dormir um pouco, mas ele sabia que muito provadamente ele não dormiria esta noite, como a maioria em sua vida.
"Só espero que Rei esteja bem." Shinji sussurrou ao fechar os olhos esperar pelo sono que nunca viria.
Wunder.
Misato estava olhando o trabalho de todos na ponte com mau humor, saber da fuga de Shinji da prisão estava fazendo com que seu humor fosse de mal a pior, levantando sua mão e coçando a testa na tentativa de livrar os pensamentos que inundavam sua mente.
- Shinji, você não pensa antes de agir? – Misato pensou aborrecida, se lembrando dos vídeos de Shinji na terapia enquanto estava preso, suas ideias extremistas e ilógicas, mas o que mais chateou Misato foi as coisas que ele achava que a mesma pensava dele.
"Você o abandonou." A mente de Misato começou a castiga-la, como sempre estava fazendo nestes tempos. "Você mesmo o ouviu, você sabe que ele está certo, ele foi abandonado na prisão."
- Cala a boca. – Misato pensou ao estar novamente em um conflito mental, ela estava pensando muito em Shinji nestes dias, não só nestes dias, como em quase todos desde sua prisão. Buscando desesperadamente formas de se reconciliar com sua antiga guarda.
"Você o abandonou." A voz repetiu.
- Não, ele me abandonou ... Ele me abandonou quando saiu do meu apartamento sem olhar para trás. – Pensou Misato mantendo olhar fixo para frente, tendo seus olhos cobertos pelos grossos óculos para esconder suas emoções.
"Hahaha, continue pensando assim, mas nós duas sabemos a realidade, eu sou você." Sua parte interna falou sarcasticamente.
Apertando a barra de metal a sua frente com força, Misato cerrou os dentes para a direção dos seus pensamentos.
"Nós sabemos que isso tudo é culpa sua." A parte racional acusou sem piedade.
- Minha culpa? – Misato se perguntou confusa, sua mente ainda não querendo aceitar que seus pensamentos estavam lhe torturando com verdades.
"Não se faça de santa ... Você sabe que o pobre garoto estava confuso quando vocês o 'resgataram', você não se deu o trabalho de explicar a situação direito."
A carranca de Misato se aprofundou ainda mais ao fortalecer seu aperto na barra de proteção na sua frente. – Ele não deu a chance. –
"Outra mentira!" Sua mente gritou, quebrando sua linha de pensamento original. "Você sabe que você tinha muitas oportunidades para conversar com ele, mas não! Você preferiu priorizar a colocação da gargantilha."
Fechando os olhos ao se lembrar do momento do olhar de Shinji ao revê-la, mesmo sabendo que ele não sabia como as coisas estavam sendo depois de doze anos adormecido no espaço.
Se lembrando de como ele estava diferente ao acordar doze anos mais velho, vendo que o tempo não parou enquanto o mesmo estava absorvido dentro do EVA 01, a própria Misato agradeceu por ele não ter herdado as feições de seu pai, ficando parecido com Rei e as feições de sua mãe.
"Seu silêncio só prova isso. Até você teria fugido da Wunder se estivesse no lugar dele." A voz interna de Misato falou arrogantemente ao saber que tudo que estava falando a estava afetando.
- Eu não teria. – Misato rebateu na esperança de controlar sua consciência.
"Você teria! Vocês estavam lá naquele dia! Você viu quando o Mark 6 parou o quase terceiro impacto." A voz parou ao inundar a mente de Misato com lembranças daquele dia. "Depois disso veio verdadeiro Terceiro impacto, um que Shinji não teve culpa."
Misato sentiu sua respiração começar a aumentar, ela não gostava de se lembrar do terceiro impacto, toda a agitação, luta e derramamento de sangue causado pelas forças da ONU que invadiram e começaram a matar todos que viram.
Se lembrando de estar de cara com a morte certa, mas por ironia do destino a mesma foi salva naquele dia, Misato ainda podia se lembrar da alegria de saber que Asuka estava viva e bem, de finalmente conhecer a piloto misteriosa que havia roubado o EVA 02.
Mari Makinami, esse era o nome dela, Misato ficou muito receosa por essa garota estar trabalhando ao lado dela, mas os anos de convivência a fizeram confiar nesta pessoa.
Misato se lembrou dos momentos pós terceiro impacto, dos julgamentos sobre seu envolvimento, questionamentos sobre Asuka e seu papel, as horas de diálogos para provar sua inocência.
Toda essa experiência machucou muito Misato, principalmente a parte onde a culpa estava caindo sobre Shinji e como ela mesma não fez nada para impedir que acontecesse.
Misato apertou ainda mais a barra de metal, fazendo as juntas de seus dedos estalarem com a pressão, se o metal não fosse mais resistente, o mesmo teria entortado.
Novamente imagens do casulo onde estava a Unidade 01 sendo lançada ao espaço vieram na mente de Misato, Asuka ainda estava no hospital devido aos danos que sofrera na batalha no teste de ativação falho da Unidade 03.
Flash Back
Misato estava parada olhando para o enorme foguete que estavam preparando para o lançamento, vendo a enorme objeto preto sendo carregado para dentro, essa estava sendo a última vez que Misato olharia para Shinji, sua mente estava dividida
Ritsuko se aproximou da amiga e começou a observar também, acendendo um cigarro, a loira falsa falou ao dar uma longa tragada. "Então? Já pensou na proposta deles?"
Misato estava olhando para os preparativos, vendo a movimentação de todos os funcionários correndo com ferramentas, fechando os olhos e dando uma longa respirada ela respondeu, ainda sem se virar.
"Sim, eu vou aceitar."
Ritsuko olhou para Misato com uma sobrancelha levantada, dando outra tragada. "Eles estão construindo um navio, dizem que terá o poder para matar Deus."
Misato não estava interessada nestas informações, tendo recebido a proposta para ingressar em uma nova organização com o objetivo de parar a NERV e Gendo, sabendo que poderia usar isso para ocupar sua mente perturbada.
"Todo pessoal liberar a área, tempo para o lançamento T menos dez minutos." Uma voz anunciou que os preparativos para lançar a Unidade 01 para ficar em orbita estavam concluídos.
Misato observou quando o lugar começou a ficar vazio, vendo o foguete que levaria Shinji para o espaço em sua punição sem julgamento, sabendo que o garoto não estava tendo o direito de se defender, tendo toda a culpa sendo jogada em seus ombros, mas ela não poderia ficar lamentando por Shinji, ela tinha uma missão agora, e a Wunder precisava de uma capitã.
Vendo o foguete ganhar vida e começar a decolar, observando o objeto começar a se afastar cada vez mais, ninguém tentou resgata-lo, ninguém se importou.
Misato observou o objeto se afastar até que não fosse possível mais vê-lo, se virando para sair e nem se dando o trabalho de esperar por Ritsuko. Caminhando para a ala hospitalar da nova organização militar chamada Wille, ela agora tinha que conseguir convencer Asuka e a nova garota a ingressarem nesta nova guerra, mas seus passos acelerados não eram por esse motivo, Misato não queria mostrar que uma lagrima escorreu pelo seu rosto.
Fim do Flash Back
"Duras lembranças, mas você sabe que no fundo estavam culpando a pessoa errada." A consciência de Misato falou novamente. "Você sabe que o pobre garoto estava carregando a culpa dos crimes de seu pai, mas você não se importou."
- Isso é mentira! – Misato gritou internamente. – Seu não me importasse eu o teria matado em sua fuga. –
Com outra risada sarcástica, sua mente contra-atacou. "Pode até ser, mas invés de tentar ajudar, você fez o contrário."
Misato fechou os olhos ao saber onde essas lembranças estavam levando, imagens da recuperação de Shinji depois da batalha para impedir o quarto impacto, dando um suspiro abatido, Misato se lembrou de ordenar que o mesmo fosse colocado em uma cela na Wunder, ela proibiu qualquer contado.
"Você sadicamente observou o pobre garoto em uma cela sem janela, o como ele estava definhando e você só ficava observando ao seu bel prazer." Sua consciência estava falando, se fosse uma pessoa estaria sorrindo agora, sabendo do sofrimento que estava causando em Misato, ela continuou. "Você nunca se importou."
Arfando levemente Misato fechou os olhos para se controlar. – Isso não é verdade, aquilo foi para a segurança dele."
"Vocês está se escutando? Se você se importava tanto, porque nunca foi falar com ele?" Sua mente perguntou. "Eu sei o motivo, você queria que ele sofresse."
Misato neste momento soltou a barra de proteção e começou a sair da ponte, sentindo os olhos de todos nela, a mesma não se importou, ela só queria sair daquele local, andando com passos apressados, a mesma estava indo em direção aos alojamentos.
"Não adianta fugir de mim, vou estar com você até seu último suspiro." A voz na cabeça de Misato falou arrogantemente.
Misato continuava seu caminho para seu quarto, ignorando as saudações que recebia pelo caminho.
"Agora o garoto virou um monstro por culpa sua. Você poderia tê-lo agora ao seu lado, era só ter tido a conversa certa." A consciência de Misato falou calmamente.
"Olá chefe." Mari falou alegremente ao estar no caminho, gesticulando com as mãos, mas a garota que adora rosa percebeu que a postura de sua líder não estava certa.
Misato olhou para Mari e falou fortemente, mas sua voz traiu suas emoções, dando espaço para que Mari percebesse. "Agora não Mari."
Mari observou Misato passar por ela, olhando para as costas da mulher de cabelos roxos, levantando uma sobrancelha ao saber com certeza o motivo, a Wunder só falava de uma coisa, a fuga do filhote da prisão.
Se virando e começando a caminhar em direção ao seu quarto onde Asuka estava.
A mente de Misato estava um caos no momento, aumentando o ritmo de seus passos, sentindo a sua respiração aumentar a cada passo que se aproximava mais de seu quarto.
"Como eu falei, não adianta fugir de mim." A consciência de Misato falou novamente. Você sabe que agora não tem mais volta."
Ao chegar em seu quarto Misato estava procurando em seus bolsos pelo seu cartão de acesso, Misato podia sentir suas mãos tremendo a cada segundo que perdia, sentindo o objeto que procurava e passando rapidamente pelo sensor e com um som de vento a mesma se abriu.
Misato entrou em seu quarto e logo tratou de fechar a porta, olhando em volta e sentindo a liberdade por não estar mais sendo observada por ninguém, Misato se deixou levar pelas emoções ao encostar na parede e lentamente sentando no chão.
"Porquê Shinji?" Misato falou ao sentir os olhos arderem. "Porque você fugiu?"
"Você sabe o motivo." A voz interna começou. "Vocês o abandonaram, você mesmo sabe que ele não queria morrer sozinho, e o que você fez?"
Misato ficou em silencio, mas a voz em sua cabeça não. "Você mexeu os pauzinhos para que o apelo dele pela pena de morte fosse negado."
Misato bateu a parte de trás da cabeça na parede, ela podia se lembrar do dia que pediu para que essa punição não fosse aplicada, a volta de Shinji havia trazido à tona muitos sentimentos pelo garoto que a muito tempo estavam enterrados.
A verdade era que Misato não suportaria a morte de Shinji, sabendo que via o garoto como o filho que ela nunca teve, finalmente deixando as lágrimas escaparem.
"Que tocante, você não queria que ele morresse, mas o fez ser trancado pelo resto da vida em uma pequena cela de prisão sozinho, seu maior medo." A voz estava atacando sem piedade.
"Não era para ser assim." Misato falou com a voz chorosa. "Eu não sabia como falar com ele ... E as batalhas não me deixavam espaço para visita-lo."
"Você sabe que é mentira, vocês sempre o chamaram de covarde, mas no fundo o maior dos covardes eram vocês." A consciência de Misato rebateu.
Chorando encostada no canto da sala, Misato segurou as pernas enquanto enterrava a cabeça nos joelhos. "Eu não sei o que fazer."
"Você sabe o que tem que fazer." A voz falou calmamente, usando um tom muito mais calmo agora. "Agora você tem que encontra-lo e tentar arrumar a merda que fez, antes que ele faça alguma besteira, agora por querer fazer."
Misato levantou a cabeça e olhou em volta, sabendo que agora ela teria que o ajudá-lo de alguma forma, que agora estaria sozinha, pois para a Wille, Shinji era um fugitivo perigoso.
"Vou precisar de ajuda." Misato falou para ninguém, como ela estava em seu quarto ela não se importou, sua mente logo caiu na sua amiga Ritsuko, mas logo descartou a ideia, pois no fundo ela sempre desconfiou que Ritsuko sabia mais do que aparentava.
Dando uma risada à sua mente por trazer a imagem de Asuka. "Bem, ela sempre teve uma queda por Shinji." Dando uma risada abafada ao se lembrar dos momentos em que todos viviam juntos.
"Ela pode negar, mas eu sei os sinais." Misato falou com um sorriso ao saber que tinha uma pequena chance de ter o apoio de Asuka, logo seus pensamentos caíram sobre Mari.
Não sabendo se poderia contar com ela para uma tarefa assim, mas sabia que Mari era confiável de alguma forma, sempre tentando aliviar a culpa de Shinji, não se importando com a opinião de ninguém.
Sacudindo a cabeça com determinação, Misato se levantou, indo até o banheiro de seu quarto para se recompor, jogando um pouco de água no rosto para limpar as lagrimas e a mente agitada, logo seu olhar se travou na sua imagem refletida no espelho.
Lembranças de seu pai vieram em sua mente, sabendo que estava fazendo exatamente a mesma coisa, a mesma falou com determinação. "Não sou como ele, eu vou te ajudar Shinji, vai ser difícil, mas vou conseguir."
"Olá chefe." Mari falou alegremente ao estar no caminho, gesticulando com as mãos, mas a garota que adora rosa percebeu que a postura de sua líder não estava certa.
Misato olhou para Mari e falou fortemente, mas sua voz traiu suas emoções, dando espaço para que Mari percebesse. "Agora não Mari."
Mari observou Misato passar por ela, olhando para as costas da mulher de cabelos roxos, levantando uma sobrancelha ao saber com certeza o motivo, a Wunder só falava de uma coisa, a fuga do filhote da prisão.
Com um sorriso discreto, Mari voltou seu caminho para seu alojamento, sabendo que os nervos de Asuka estavam a flor da pele, ela só esperava que a bebida que carregava para ambas fosse o suficiente para acalmar a ira da alemã.
Abrindo sua porta, Mari observou Asuka sentada na mesa com a cabeça entre as mãos, seus dedos fortemente fixados em seu couro cabeludo, colocando a bebida na frente de Asuka.
"O que foi princesa?" Mari perguntou ao se sentar na cadeira oposta, ela esperou pela resposta de Asuka, ela sabia que sempre que buscava essas informações, a ruiva disparava xingamentos, mas Mari sabia como lidar com isso.
Asuka estava segurando sua cabeça, seus pensamentos estavam com os de Misato, um certo garoto não saia de sua cabeça. – Pirralho idiota, onde ele estava com a cabeça? –
Soltando a cabeça e levantando olhar para encontrar o olhar sorridente de Mari ao tomar sua bebida, abaixando olhar e vendo que a mesma tinha conseguido um para ela também.
Abrindo e tomando um gole, deixando o liquido frio acalmar seus nervos, Asuka falou aborrecida. "Como ele pode? Será que sua cabeça só serve para separar as orelhas?"
Mari deu uma risada com a analogia de Asuka sobre Shinji. "Ele é um caso interessante."
Asuka olhou para a colega de quarto confusa. "Como 'interessante'?" Enfatizando com as mãos a última parte.
Mari deu um gole de sua bebida e falou calmamente. "Princesa, você sabe muito bem que nosso mundo está estranho, só ele pode nos dizer suas intenções."
"Intenções? Você está se escutando quatro-olhos?" Asuka rebateu para Mari. "O que ele quer fazer? Causar um quinto impacto?"
Mari sacudiu a cabeça lentamente, soltou um suspiro tímido e começou a falar. "Não esperava isso de você princesa, para uma pessoa que se gaba tanto de ter completado a faculdade com oito anos de idade, você é bem densa."
Asuka arregalou os olhos, ela não estava esperando Mari falar com ela assim com essa seriedade, sentindo a raiva aumentar com as atitudes de sua colega. "Como é que é quatro olhos?"
Mari parecia não estar intimidada por Asuka, a olhando nos olhos e se inclinando para ficar com o rosto mais perto ao de Asuka. "Foi isso mesmo."
Asuka encarou o olhar arrogante de Mari, fazendo um grande esforço mental para não explodir.
Mari vendo que Asuka não faria nada, sorrindo resolveu continuar. "Todos nós sabemos que o filhote foi só o bode expiatório de toda essa merda."
Asuka encarava Mari a todo o momento, mas estava escutando tudo atentamente.
"O filhote escapou e dai?" Mari falou ao jogar as mãos para cima. "Porque você se importa tanto? Nós o abandonados na prisão por dois anos, você sabe muito bem minha opinião sobre isso."
Asuka a encarou incrédula e retrucou. "E dai? É isso que acontece com criminosos."
"Criminoso? Agora você está escutando as merdas que saem da sua boca?" Mari rebateu, sabendo que estava indo por caminhos perigosos, mas ela tinha que provar seu ponto. "E eu sei que você não pensa assim, pois eu escuto você chamar o nome dele a noite."
Asuka corou com o comentário, era verdade que Shinji estava sempre presente em seus sonhos, mas ela nunca iria deixar essa informação vazar. "Você fala que o abandonamos, mas e o que ele fez com a gente?. Na primeira oportunidade ele fugiu."
Mari sorriu e falou com a voz forte. "E quem não fugiria princesa? Imagina se fosse com você, acordasse e todos que você confiasse te odiasse? Não falasse a verdade e ainda colocaria um colar explosivo? Alguém que falávamos que estava morto surgisse e é justamente a pessoa que você tentou salvar."
Asuka ficou calada por um momento, ela sabia que os argumentos de Mari estavam todos corretos, que a mesma teria feito a mesma coisa, abaixando o olhar e fazendo uma carranca pesada no rosto, Mari aumentou seu sorriso por saber que Asuka não tinha argumentos validos.
"Mas ele deveria ter me escutado na batalha." Asuka rosnou.
"Escutado o que? Deixar ser morto por você?" Mari rebateu arrogantemente, mantendo sempre o contato visual. "O rádio estava aberto na batalha, como foi que você falou? 'Cala a boca e morra pirralho.'"
Asuka abaixou os olhos abatida por Mari ter trazido esse assunto à tona, a verdade era que Asuka não tinha se controlado na briga, ela nunca teria coragem de matar Shinji.
Mari observou o rosto de Asuka desabar. "A verdade era que ninguém nunca deu valor para ele, não me admira que ele tenha fugido."
Asuka levantou a cabeça e falou tristemente. "Você sabe que não é verdade."
Mari a olhou confusa, sendo muito boa em jogo de expressões faciais, fazendo Asuka continuar com seus diálogos. "Eu não ia matar ele, só queria que parasse e escutasse e segundo aquela maldita gargantilha não foi feita para ele."
"Mas foi usada nele." Mari cortou o raciocínio de Asuka. "E quando tudo aquilo acabou a colocamos de volta." Asuka novamente abaixou o olhar.
"Você fala que se importa, mas nunca foi procura-lo, nunca." Mari falou abatida.
"Misato tinha proibido e..." Asuka começou a falar, mas foi cortada.
"Você sabe que poderia ter isso a hora que quisesse. E mesmo assim, você nunca o procurou na prisão, nem uma mensagem. Nada." Mari falou perdendo a postura e finalmente mostrando seu aborrecimento. "Agora está se fazendo de sentida?"
Asuka podia sentir lagrimas querendo sair, todos os argumentos de Mari estavam corretos, com a derrota garantida ela tentou contra-atacar. "Se você estava tão preocupada, porque você não entrou em contato?"
Mari deu um bufo. "Eu não sou nada para ele, sou só a garota que aterrissou em cima dele no telhado da escola, não foi comigo que ele morou por mais de seis meses, você quer a verdade? Se eu estivesse no seu lugar, sempre estaria falando com ele e dando o máximo de apoio que conseguiria, não o abandonaria como vocês fizeram."
Asuka sentiu uma lagrima escorrendo pelo seu rosto, as palavras de Mari a tinham machucado, sabendo que ela estava certa em todos os pontos.
Vendo a lagrima no rosto de Asuka, Mari suavizou sua postura e falou mais calmamente. "Olha Asuka, nunca é tarde demais."
Vendo o olhar de Asuka frisar nela, Mari continuou. "Vamos encontra-lo e vocês tem que conversar seriamente."
"Mesmo no mundo de fantasia da sua mente, como você acha que isso iria ajudar?, somos eternos inimigos Mari." Asuka falou sem se importar em limpar o rio de lagrimas que manchava seu o rosto.
"Isso vai mudar, um dia a verdade vai sair e limpar o nome dele, ele vai ser nosso novo colega de quarto." Mari falou sorridente ao se lembrar de Kaji em sua busca pela verdade, torcendo para o mesmo obter sucesso.
Asuka limpou as lagrimas do rosto e encarou Mari incrédula, sua mente estava martelando a ideia que era errado um homem e uma mulher dividirem o quarto, muito menos um homem e duas mulheres solteiras. "Isso é sério?"
Mari deu um sorriso malicioso ao morder o lábio inferior. "E dai? Temos que trazer um tom mais masculino." Parando de falar só para ver o olhar incrédulo de Asuka. "E você acha que aquela bunda divina vai ser só sua?"
"Vagabunda pervertida." Asuka falou com falso nojo, mas imagens de Shinji com vinte e seis anos vieram em sua cabeça, como seu corpo ficou bem desenvolvido e sexy, imagens de Shinji nu vieram na mente de Asuka a fazendo corar fortemente.
Mari percebeu o rosto de Asuka corar como a cor de seus cabelos, alargando seu sorriso. "Você está pensando nisso não está?"
"Não." Asuka falou apressadamente ao tomar outro gole de sua bebida para aliviar o clima, torcendo para Mari ignorar, mas sabia que era uma luta perdida.
"Está sim!." Mari gritou ao apontar o dedo para Asuka a acusando. "Não se preocupe, eu adoraria me aproveitar daquele pedaço de mal caminho, será que ele tem um grande?" Mari perguntou levantando sugestivamente as sobrancelhas. "Sakura vai adorar saber disso."
"Mari!" Asuka falou sem jeito para a pergunta de Mari que começou a rir, mas sua mente estava fazendo a mesma pergunta, ainda corando com o pensamento, mas logo imagens de Shinji sorrindo vieram, com um pequeno sorriso no rosto Asuka bebeu o resto da bebida e pensou preocupada.
- Por favor Baka, não faça nenhuma besteira. -
Notas do Autor: Olá pessoal tudo bem? Calborghete aqui, ficaram com saudades?
Então este é o primeiro capítulo da minha nova história, espero que tenham gostado, como sempre não esqueçam de favoritar e curtir para não perderem nada.
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