Notas importantes: Twilight pertence a Stephanie Mayer. E a história original pertence a Lora Leigh.


Prólogo

BÚFALO GAP, Virginia.

COMPLEXO DAS RAÇAS, SANTUÁRIO.

Ele era uma fera selvagem, um animal. Ele foi criado, uma mistura de homem e leão, e o animal estava enjaulado dentro dele. Poderoso, forte, com habilidade para correr, caçar, cheirar o inimigo no vento bravio ou na mais suave das brisas, tudo estava preso, contido no interior mais sombrio do seu subconsciente humano.

Quando foi totalmente preso, ele urrou. O homem determinou-se a ser livre para andar na terra, mas o animal foi forçado se esconder. Ele enxergava profundamente a alma dos homens e matava homens, por isso ele foi para sempre controlado, contido.

Mas a sua força cresceu mais forte. As drogas que o mantiveram dominado e contido, continuaram mesmo fora dos laboratórios, os anos de liberdade que os homens conheciam, a falsa sensação de segurança que os homens desenvolveram, ajudou a fortalecer a criatura selvagem que se escondia dentro dele.

O animal esperou. Rondou. Só rugia nos pesadelos, enquanto esperava a sua hora. O tempo certo. Os homens tinham certeza que controlaram o animal dentro dele. Certo que as drogas que os cientistas lhe deram nos laboratórios controlariam o animal e o homem. Pensaram que tinham matado o animal que lutou ferozmente para sobreviver.

Mas não estava morto. Nunca partiu. Só se escondeu muito bem escondido e depois adormeceu... Esperando pela oportunidade de ser livre. Um sono forçado pelas drogas. Um sono que construiu uma imensa raiva dentro da fera que agora estava acordado.

Estava acordado e arranhando para ser livre.

Mas foi paciente, assim o animal pensou. Ele se continha até que o homem o deixasse livre. Era a parte homem, a parte que ele foi, que ele é. Esse homem poria o animal em liberdade logo.

Logo que o animal estivesse bastante forte. Estava cansado de ficar preso. As tentativas de matá-lo quase tiveram sucesso. Mas só conseguiram que o animal enfraquecesse e de se escondesse tão profundamente dentro da inconsciência primitiva do homem que até as partes mais vitais dele foram escondidas, e ordenou que a parte homem que sobrevivesse.

Mas quando ele decaiu, as drogas construíram uma fortaleza inquebrável de barras de aço de liga forte em volta dele. Eles aprisionaram o animal. Martelaram pregos gigantescos em sua alma e encheu-o de dor. E enfraqueceu o animal, enfraqueceu tanto que certamente se fosse uma ferida fatal teria matado o homem.

E o homem ficou diligente. O homem não tinha nenhuma razão de dar a rédea ao seu coração, ou abrir a sua alma. Já que o homem acreditava que sua alma estava perdida. Só o animal sabia melhor. E o animal esperou… Esperava pelo homem para encontrar a sua alma...

- Você terminou os exames? - Eleazar entrou no pequeno laboratório, com Demetri atrás dele. Maldito pessoal de segurança, Jasper disse que como a força de segurança de Eleazar agora protegia Cullen, então mandou que ele providenciasse um guarda-costas. Um guarda-costas humano. Era muito bom saber que Eleazar podia se dar bem com outro homem.

Ele olhou para Carmen Denali e ela se enrijeceu, erguendo a mão para esfregar a nuca. Os músculos tensos sob o casaco de laboratório branco revelando a irritação que ela sentia.

Ela fazia muito isso ultimamente. Assim que ele tivesse um tempo lhe mostraria quem era o chefe ali. Agora não tinha tempo para se ocupar com jogos de poder com ela.

- Sim, terminei os exames. - Ela apanhou uma pasta, virou e foi até a mesa perto dele, bateu com a pasta na mesa e voltou ao que ela trabalhava antes. Ignorando completamente tanto ele como o seu guarda-costas, Demetri.

O silêncio encheu o laboratório quando Eleazar fitou o arquivo, franziu a testa no seu conhecido gênio mal humorado. As Raças femininas não tinham TPM, portanto ele não entendia suas mudanças de humor como ele se forçava a entender as poucas fêmeas não-raça no complexo.

Ele decidiu a alguns meses que Carmen estava apenas contrariada.

Ele, entretanto, gostava disto nela. Às vezes. Ele entendia-a e podia lidar com isso. Mas ela agora estava excepcionalmente contrariada e ele não recebeu aquilo muito bem.

- Gostaria de explicar os exames que você fez? - Ele finalmente pediu a ela.

- Está no arquivo.

- Não quero ler seus rabiscos científicos. - Ele permitiu um rugido baixo vibrar em sua garganta. - Diga-me o que preciso saber.

Ela se virou lentamente para encará-lo, ele viu a raiva queimando nos olhos dela.

- Seus jogos estão fora de controle. - ela cuspiu, encarando nervosamente Demetri. - Suas maquinações e manipulações convenientes ainda vão matar alguém. E esta conversa não é assunto para ele. - Ela apontou o dedo para o guarda-costas, o olhando com raiva.

Eleazar a encarou surpreso. Diabos, ele sempre achou que ela gostava de Demetri. Ele esfregou seu queixo pensativamente, tentando descobrir o que a irritava tanto. Ele só pôde pensar em uma coisa.

- Você ainda está chateada por causa de Dawn e Seth?

Era a única explicação que ele achou para a raiva dela. Ele ordenou os tratamentos de hormônios para nivelar todo o efeito do calor no corpo de Dawn quando o hormônio de acasalamento no sistema de Seth tinha começado a desaparecer. Dawn estava perdendo o companheiro e Eleazar não estava disposto a permitir que isso acontecesse, não importava o quanto ele pessoalmente não gostasse de Seth Clearwater. Entretanto, havia poucos homens a quem Eleazar gostava. Droga! Tinham muito poucas pessoas que ele podia dizer que realmente gostava.

O resto daquela missão, entretanto, foi para o inferno numa jogada. Ele teve sucesso ao garantir que Dawn e Seth ficassem juntos, mas o sangue que foi derramado era motivo de preocupação.

Os lábios de Carmen apertaram-se com raiva teimosa.

Eleazar expirou em resignação, apanhou o arquivo e o abriu.

Dentro de segundos ergueu as sobrancelhas e voltou a encará-la.

- Eu pensei que as drogas que os cientistas lhe deram nos laboratórios inverteram isto?

- Ele não toma nenhuma droga há sete anos. - ela estalou. - E isso não é o estado atual dele neste momento. Isso é o que aconteceu quando eu fiz o teste com o teste de acasalamento da Srta. Swan.

Agora isto era interessante. Eleazar esfregou a mandíbula quando continuou lendo do início ao fim os exames que Carmen tinha feito.

Os exames que ela projetou para determinar a compatibilidade de acasalamento eram complicados. Uma mistura de saliva, sangue e a amostra de sêmen do macho, combinado com a saliva, sangue e as amostras de hormônios da mulher.

- Eleazar, ele matou pessoas quando ele fez tumulto nos laboratórios. - Carmen sussurrou angustiadamente.

Eleazar sacudiu a mão.

- Ele tinha perdido sua amiga...

- Sua companheira, ela bateu. O hormônio de acasalamento estava em seu sangue. Desculpamos aquele episódio o tempo todo em que ele esteve na terapia medicamentosa, porque ela era sua companheira. Esta mulher não é a sua companheira e a adrenalina da fera está lá em seu sangue. Ele está entrando novamente em deslocamento selvagem e você não pode negar isto. Esse relatório prova isto. - O dedo dela apunhalou na direção do arquivo.

Eleazar sacudiu a cabeça novamente quando continuou a ler o relatório.

Ela amaldiçoou.

- Raios, você pensa que sabe tudo. Eu vi os vídeos da agitação dele quando soube que aquela leoa tinha morrido. Ele matou o doutor, o treinador e dois dos Coiotes que tentaram derrubá-lo. Ele estava quase selvagem. Se esta mulher for trazida para cá...

- Então vai protegê-la com a mesma ferocidade que teve quando aqueles cretinos mataram alguém que ele gostava muito. - Ele encarou-a. - Isso não é prova de que ele está voltando ao estado selvagem. E não é prova de que irá se transformar, então por que está tão preocupada por causa dele?

Carmen normalmente era calma quando as Raças estavam envolvidas.

Quem buscava respostas alternativas e as razões dos resultados dos exames que eles fizeram. Ela não era de tirar conclusões precipitadas em quaisquer exames. Aquele era o seu trabalho.

- Porque você não vai dizer nada a ele. - Ele podia ouvi-la ranger os dentes.

- Eu te conheço. Você vai jogar com ele e o porá em perigo.

- Filha da puta. - ele xingou quando sua raiva aumentou. - Você acha que tudo isto é um jogo para mim, Carmen? Que eu não ligo a mínima para os meus homens ou para as pessoas por quem eu estou esfolando o meu rabo para salvar? Você pensa que eu arrisco minha maldita vida diariamente contra os Supremacistas e defendo a Lei da Raça para ter fortes emoções?

Ele tinha vontade de bater em alguma coisa. E se a raiva de Demetri não parasse de queimar como fogo selvagem em suas costas, então ele ia bater nele.

Eleazar nitidamente respirou fundo para acalmar seu temperamento. Forçar-se a se acalmar, sempre era um esforço de sua parte, mas libertar sua fúria nunca o fez ganhar coisa alguma, sendo assim, pra que gastar seu tempo?

- Não sei por que você faz, e não gosto. - ela sussurrou. - Mas você tem que avisá-lo.

- Não. - Ele fechou o arquivo com os relatórios dos exames e voltou ao balcão.

- Eu sabia. - ela zombou. - Você só respondeu à sua própria pergunta Eleazar. Você tem prazer em arriscar sua maldita vida.

- Eu não faço os meus homens se arriscarem desnecessariamente. - ele rosnou - Nem recorro à paranoia de medos e interfiro com o trabalho que eles têm a fazer, e nem você vai. O que você vai fazer, minha pequena e boa doutora é manter um olhar muito cuidadoso nele enquanto ela estiver aqui. Quero sangue, saliva e sêmen testado semanalmente para os hormônios selvagens. Se, eu disse "se", o hormônio do acasalamento ou o hormônio selvagem for detectado, em seguida, iremos informar-lhe da situação. Até lá, você vai manter a sua linda boca fechada.

- Isso pode não ser bom o suficiente. Eu não posso prever...

Ele taxou logo.

- Então é melhor aprender a prever. Edward está sozinho, Carmen. Ele está acostumado a ficar sozinho. Mas isso não significa que ele não lamenta o que ele pensa que perdeu. Tanto quanto sabemos, Raças acasalam apenas uma vez. Edward está convencido de que aquela leoa era a sua companheira. Até que vejamos de outra maneira, você não dará a ele nenhuma esperança. Até que vejamos de outra maneira, você não plantará a sua paranóia na cabeça dele. Você me entendeu sobre isso?

Ela o olhou furiosa.

- Aquela leoa era a companheira dele. O hormônio do acasalamento comprovou isso, Eleazar.

- Você me entendeu? - Ele baixou a voz, a determinação engrossou seu tom de voz quando a encarou.

Segundos depois, os cílios dela tremeram e baixaram e ela assentiu brevemente. O pequeno sinal de submissão bastaria por enquanto. Porém, quando tivesse tempo, ele definitivamente iria colocar uma rédea curta na pequena cientista Raça e mostraria quem mandava ali. Ela estava confrontadora demais para o trabalho que tinham pela frente.

- Muito bem. A Srta. Swan chegará daqui a duas semanas. Quando ela chegar, pegue amostras dela. Pode ser que haja algum problema com os que Cullen nos forneceu e faça um novo exame. Eu quero saber o resultado quando você fizer. Se os resultados não mudarem, então nós prestaremos muita atenção na situação. Isso é tudo que podemos fazer.

- Ele pode matá-la como também a si mesmo se aquele hormônio for liberado em sua circulação sanguínea em um momento de tensão. - A voz dela estava cansada enquanto tentava anular sua submissão natural.

Maldita Raça. Maldita Genética.

Ela submeteu-se a ele mais pelo projeto que por escolha. Batia de frente com ele toda vez que se reuniam.

- Ou ele pode se acasalar com ela, então viveriam felizes para sempre. - ele replicou sarcasticamente. - Até que saibamos de um jeito ou de outro, nossas mãos estão amarradas.

- Eu poderia avisá-lo que as drogas para fazer o recesso do hormônio selvagem em sua genética não funcionaram como deveria. - ela sugeriu.

- E ele fugir? - Ele passou os dedos pelos cabelos frustrado. - Você não conhece Edward muito bem, Carmen. Eu sim. Mantenha a boca fechada e mantenha-me atualizado neste assunto. Eu cuido do resto.

Caramba, que inferno! Ele não precisava disto. Ele precisava de Edward para afastar de possíveis problemas à jovem enviada por Cullen, não para acasalar com ela ou enlouquecer ele. E ele com certeza não precisava de Carmen batendo de frente com ele.

Ele virou e deixou o laboratório, fechando a porta cuidadosamente atrás dele apesar do desejo de bater com toda a força aquela maldita porta. Em horas como essa, ele lamentava não ser um homem que bebia bebida alcoólica. Uma boa dose de bebida agora ajudaria.


Quem será esse animal que está querendo sair? E essa Carmen, meu deus!

Amanhã eu volto com o primeiro capítulo! Beijinhos.

Att. Perfect Cullen