Passando todos os dias de verão na Ordem, Liz teve muito tempo para aproveitar com Remus. Escondidos, é claro, pois a garota sabia que seu pai nunca aceitaria o que eles tinham, e esperava que Harry nunca contasse para ninguém o que havia visto em 93.

Só que em Agosto seu pai exigiu que fosse para casa, alegando que a Ordem vivia vazia e a garota ficava sozinha com Sirius várias vezes, o que o preocupava bastante. Elizabeth tinha vontade de rir: Sirius era bonito, mas era quase repugnante, romanticamente falando.

Claro, ela não era uma garota tão romantica assim, mas desde que o relacionamento com Remus realmente começou, sem dúvida estava uma mulher romantica, tranquila e bem mais relaxada.

Sentiu vontade de rir só de pensar nas bobagens que já havia dito esses meses, e o aviso do pai a fez querer chorar.

Era maior de idade, só iria se quisesse, mas sabia que deveria ter um bom motivo para ficar na mansão. E não podia dizer para sua família que motivo forte era esse. Portanto foi para casa, contrariada, mas mandando apenas um "até logo" para Remus, jurando encontrar um modo de continuarem se vendo.


Final de Agosto

Desde que se lembrava, até agora, acordava seu pai. Era comum, quando estava em casa, a garota emburrada e resmungona ser bem mais compreensiva e carinhosa. Mas esse ano decidiu que estava velha demais para esse tipo de coisa, havia feito dezessete anos e tinha um relacionamento sério, apesar de escondido. Era uma mulher.

Mas sua decisão não agradou seu pai, que pareceu aborrecido durante o café da manhã, e tudo só piorou quando Liz recusou-se a comer.

- Grande demais para me acordar, velha demais para biscoitos de chocolate... cresceu muito esse ano, não foi? - questionou, chateado.

- Sim e não. - respondeu Liz - Só não estou muito bem, nada de anormal.

Florence serviu-se de um pedaço de pão, olhando para filha, compreensiva.

- Qual o nome dele, Liz? - perguntou, sorrindo.

- Dele quem? - perguntaram Liz e Severus ao mesmo tempo.

- O rapaz por quem você anda suspirando. - explicou Florence - Nós o conhecemos?

Elizabeth sentiu o chão cair e o rosto ficar imediatamente corado.

- Não tem ninguém.

Sua mãe riu, cada vez mais convencida de que a filha estava apaixonada.

- Anda, pode contar. Seu pai não vai fazer nada, eu não deixo. - assegurou.

Pedindo licença, saiu da mesa, deixando Severus desolado.


As aulas estavam chegando e Elizabeth não sentia-se bem.

Liz sabia que menstruação atrasada não era sinônimo de problemas no estômago, apesar de também causar enjôos.

Tentava esconder os sintômas, mas tinha quase certeza que esperava um bebê.

Só que Florence percebia que tinha algo errado com a filha, não era tola.

Temia que fosse o que suspeitava, que também era a suspeita de Liz, que por sua vez, era verdade.

O vidro anil em uma mão, e o lenço de papel em outra.

Sem a mínima idéia de o que fazer, Liz chorava, como não chorava a muito tempo, fazendo os soluções sacudirem seu corpo. O problema é que Florence ouviu esses soluços.

- Liz! - chamou, entrando no quarto - O que...

Foi mais uma frase interrompida, só que não por outra palavras, e sim pelo medo que tomou conta de Florence quanto viu o vidro na mão da filha.

- Elizabeth... o que você fez?

Achou tolice explicar, era meio obvio. Mas notou que não era disso que sua mãe falava.

- Estava com alguém? - questionou ela - Por que não me disse?

- Não estava. - explicou - Estou.

- Quem é, Liz?

Liz negou-se a dizer qualquer coisa.

O que sua mãe faria? Contaria para seu pai? Obviamente. Não era o tipo de coisa que se pudesse esconder.

- Elizabeth, me diga o nome do pai dessa criança.

A garota não disse nada, evitando os olhos da mãe, nervosa.

Paciente, Florence foi até a filha, segurou o rosto dela, olhando nos olhos, encontrando a resposta na mente da garota.

- Mãe, eu posso - começou Liz, mas a mãe não a deixou terminar.

- Não precisa se explicar, Elizabeth. Desde que você era criança eu sentia o encantamento em vocês, da mesma forma que vi em sua mente, agora. Eu senti.

- Vai contar para o papai?

Florence sabia que uma hora ou outra, Severus saberia. Mas não por ela.

- Eu? Não! - respondeu - Mas quem precisa saber, urgente, é o pai dessa criança.

- Posso ir falar com ele? - pediu Liz.

- Não, eu vou. - Florence ficou em silêncio, respirou fundo - O mais cedo possível.

E Liz não foi para a escola em setembro.


E "o mais cedo possível" não demorou a chegar. Florence estava na Ordem, em alguns dias, procurando por Remus. Quando viu a mãe de Liz, tinha certeza que ela sabia. Pela cara de Florence notava-se que todo segredo já havia sido
desvendado por ela, e esta queria uma bela explicação.

- Preciso falar com você. A sós. - pediu, referindo-se a Sirius.

- Já entendi, estou saindo. - disse o animago, sorrindo, como sempre fazia ao ver Florence.

- Você já sabe. - afirmou ele.

- Sim, e tem tenho até novidades.

Remus temeu que a novidade fosse sobre Severus também saber.

- O que? - questionou, preocupado.

- Elizabeth está grávida.

Por quase um minuto ele apenas respirou, sem mover-se, falar ou qualquer outra coisa.

- C-como assim? - questionou ele, gaguejando.

- Não quer que eu te explique como minha filha ficou grávida, não é? -
perguntou, aborrecida.

Ele apenas movia os lábios, procurando alguma explicação, tentando dizer algo
para ela, mas nada lhe vinha em mente.

- Não precisa tentar explicar nada. - avisou Florence - Vi o encantamento agindo entre vocês, eu entendo, mas se fosse você, começaria a me preocupar com Severus.

- Ele já sabe?

- Não. Ainda não. Você vai contar. - disse Florence.

- Ele vai me matar.

- É bem provavel.

- Não tive chance, a Liz veio para cima de mim e...

Florence o interrompeu.

- Se acha que vai enrolar Severus fazendo-o acreditar que foi a filha dele, que ainda considera uma garotinha, partiu para cima de você e o forçou a fazer amor com ela, pode desistir, porque ele vai matá-lo assim que perceber o teor da conversa.

- Então o que eu faço? - questionou ele.

- Reze, Remus. Leve pé de coelhos no pescoço, ferraduras, duendes, acenda velas, faça o que puder. Você vai precisar de toda a sorte do mundo.


Ensaiar o que diria, de nada adiantava, porque além de não ter idéia do que dizer, ficaria apavorado e esqueceria tudo. Então teria que improvisar.

Não sabia exatamente como explicar de uma forma que o deixasse sair vivo, mas estava um pouco mais otimista.

Seu otimismo morreu quando viu Severus, que, apesar de não saber o assunto da conversa, já tinha a testa franzida, irritado.

Todos estavam na Ordem, após as férias, o que era um ponto positivo para Remus.

Severus não o mataria na Ordem. Não muito dolorosamente, pelo menos, para que ninguém ouvisse nada.

- Queria falar comigo? - perguntou Severo, levemente curioso.

- S-sim.

Os dois entraram na biblioteca,

No corredor, fora da sala, estavam Florence e Liz, tentando ouvir alguma coisa.

Remus sentou-se em uma poltrona.

- Sente-se, Severus.

- Não, estou bem em pé. - respondeu, seco - Sobre o que queria falar?

- Sobre Elizabeth. - respondeu.

Severus estranhou.

- Por que? Não é professor dela faz muito tempo.

Lupin tomou uma respiração profunda e prosseguiu:

- O tenho para dizer não é nada relacionado com notas ou Hogwarts. - parou novamente, por uns longos segundos - Na verdade, começou em Hogwarts...

E Severus começou a assustar-se com o rumo da conversa.

- O que começou lá?

Severus já havia entendido alguma coisa, e isso apavorou Remus.

- Tentei impedir, Severus. Juro! - tentou ele, desesperado - Eu fiz tudo o que pude para
afastá-la, fui rude, entenda, eu tentei ficar longe por consideração a vocês, mas...
Florence me falou sobre o encantamento.

- Como é que é? - sibilou Snape - Você está tentando me dizer que aconteceu algo
entre minha filha e... você?

Ainda apavorado, Remus respirou fundo e concordou.

- Sim, Severus. Beijos, no começo, em Hogwarts ainda, depois aqui na ordem e então...

- Então o que? - quase gritou Severus.

- Então, uma noite, aqui na Ordem, Liz me... bem, nós... ela e eu...

A paciência de Severus, pouca restante, esgotou-se.

- Remus, o que você está tentando me dizer? - perguntou Severus, furioso.

E Remus parecia finalmente ter encontrado a palavra certa.

- Digamos que eu desvirtuei sua filha...

Enquanto isso, no corredor, Florence ri.

Apesar do momento ser totalmente impróprio, a escolha de palavras lhe pareceu
muito engraçada.

- "Desvirtuei." - sussurrou para Liz - De onde Remus tirou essa palavra tão antiga?

Mas Severus não acho graça alguma.

- Você só pode estar de brincadeira comigo, seu lobo dos infernos! - sibilou Snape.

- Não, não estou brincando. - disse Remus, tentando manter-se firme - Florence disse
que entre Liz e eu, existe o encantamento.

- Não estou nem aí para isso, pouco me importo com "encantamento"! - gritou Severus
- Você tem idade para ser pai dela!

- E eu serei pai, Severus. - largou Remus.

A sala ficou em silêncio e Florence congelou no corredor. Uma mosca poderia ser ouvida sem o menor problema.

Liz abraçou-se a mãe, apavorada.

- Ele vai matá-lo, mãe!

- Calma, Liz.

Só que não havia calma na biblioteca.

- Liz está grávida, Severus. - disse Remus.

E Severus sacou a varinha, aprontando-a para Remus.

Mas Florence entra na biblioteca, e aponta a varinha para o marido.

- Pare já com isso, Severus.

- Eu vou matá-lo! - gritou Snape.

- Não pai! - gritou Liz, colocando-se na frente de Remus - Não vai fazer isso. Se alguém é culpado de algo aqui, sou eu.

Remus ia falar algo, mas foi calado pelo olhar de Severus.

- Não filha, a culpa não é sua. - disse Severus, passando da voz de assassino para pai carinhoso - Esse canalha a usou, manipulou-a porque é jovem e ingenua.

Elizabeth revirou os olhos.

- Não sou ingenua nem tão jovem assim. - falou Liz - Estou grávida, sim. E também estou totalmente apaixonada por Remus.

Tudo ficou em silêncio novamente, e quando Elizabeth acreditava ter resolvido tudo, ouviu a voz de seu pai, sibilando novamente, raivoso.

- Ele a seduziu, enganou-a, Liz. Você tinha quinze anos, quando ele beijou-a. Era uma criança.

Sem saber mais o que dizer, Elizabeth olhou para a mãe, desesperada, percebendo que Severus não estava de brincadeira com aquela varinha. Então Florence desarmou-o, o que apenas o deixou mais furioso.

- Não preciso de uma varinha para acabar com a vida desse desgraçado! - berrou Severus.

Elizabeth continuou entre os dois, colocando uma mão atrás de si, procurando a mão de Remus, o que pareceu irritar ainda mais seu pai.

- Ninguém enganou ninguém. - disse Liz, calma - Sei que está chateado e talvez decepcionado comigo. Sinto muito. Mas amo Remus e nada do que disser ou fizer vai mudar isso.

Então o pequena garota emburrada, que a pouco tempo atrás Severus segurava no colo, estava realmente apaixonada. Poderia até amenizar a situação, mas não mudava o fato de que Remus não foi homem o suficiente para falar com ele antes de "desvirtuá-la".

É claro que, com toda aquela gritaria, já tinha algumas pessoas no corredor, tentando descobrir o que acontecia.

- Ele tem cicatrizes que você ainda... não tem maturidade para lidar com. – disse Snape, baixando o tom da voz.

- Pai eu não sei se você prestou atenção, mas eu estou grávida. – disse Liz, pontuando as últimas palavras como o pai costumava fazer com alunos feito Neville Longbottom.

- Isso não pode estar acontecendo! – quase gritou Snape. – Como você não me avisou para que eu pudesse impedir? – sibilou ele para Florence.

- Agora a culpa é minha? – exclamou Florence. – Me poupe Severus! Liz fez o que fez por livre e espontânea vontade. Concordo que a gravidez foi um erro porque ela não levou em consideração o ciclo lunar mas... nós dois sabemos que há meios de evitarmos que nosso neto tenha traços lupinos!

- Foi na lua nova. – disse Lupin. – Apesar de não termos premeditado nada, foi na lua nova, por isso eu estava aqui na ordem, do contrário eu estaria longe, junto com... com os outros. – terminou ele, num murmúrio. Todos sabiam que Lupin estava andando com os lobisomens de Greyback para trazer informações para a Ordem.

- De qualquer forma, Liz vai começar a tomar a mata-cão hoje mesmo. – disse Florence.

Snape ficou em silêncio, apenas encarando Lupin, não acreditando que aquilo realmente estava acontecendo.


Beijos para as lindas Florence e KL.

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Logo atualizo novamente, beijos.