Florence: Você nunca está satisfeita ¬'
Novembro de 1992
Liz tinha um segredo. Um segredo só dela, tão grande que não podia compartilhar nem com seus pais. Seus pais. Era engraçado dizer isso. Ela só desejava ter feito isso mais vezes, ter feito isso sempre. Quando encontrasse Bellatrix, aquela maluca estava perdida em suas mãos.
Sentia tanta falta de sua mãe, mesmo com apenas um dia distantes, que preferia ficar a melhor parte do tempo sozinha, escrevendo para ela.
- Mérope! Está me ouvindo? Estou falando com você! - gritou Harry.
Os dois estavam indo para as masmorras para a aula de poções.
- Disse alguma coisa, Harry.
- Sim, eu disse! Perguntei o que há de errado com você! Está doente?
- Não é isso, eu só...
Por um instante, ela pensou em contar toda a verdade. Mas havia combinado com sua mãe que inventaria uma história, já que agora ela fazia questão de ser chamada de Elizabeth, e não Mérope.
- Meu nome é Elizabeth. Elizabeth Dellacout.
- Como?
- Harry, aquela mulher bonita, que estava no clube de duelos, é minha irmã. Florence Dellacourt.
Harry ficou em silêncio por um minuto, depois começou a gritar.
- POR QUE VOCÊ NÃO ME DISSE ANTES?!
- Para de gritar, seu maluco. - reclamou, sem alterar a voz - Eu soube semana passada. E antes que reclame, eu estava surpresa demais para compartilhar a notícia.
Ele pareceu envergonhado.
- Por que ficou tão bravo comigo, Harry?
- Você é minha melhor amiga. Eu queria que confiasse em mim. Só isso.
- Não vou confiar se cada vez que lhe contar algo você gritar comigo!
- Você é minha melhor amiga, não ouviu? Me preocupei com você.
Em frente a porta da sala de aula, Liz abraça Harry sem perceber que seu pai estava atrás dos dois, na porta.
- Desculpa, Harry, eu sinto muito.
- Tudo bem, eu é que não devia ter gritado com você.
- Se vocês dois já se abraçaram o bastante, podem entrar e sentarem-se em seus lugares, antes que eu tire pontos da Grifinória.
Harry e Liz sentaram-se junto a Ronald, rapidamente. O professor Snape começou a fazer a chamada. Chegou em Mérope. Ela não respondeu.
- Mérope. - chamou novamente.
Nada.
Harry chamou a atenção dela para o professor.
- Mérope. - insistiu.
- Meu nome é Elizabeth, mas o senhor já sabe disso. Deve ter esquecido, professor.
Snape ficou branco. Ela havia ficado louca? Era segredo.
- Talvez minha irmã não tenha falado com o senhor, sinto muito. Eu devia ter avisado a ela para conversar com todos...
- Elizabeth? - perguntou o professor, riscando o nome da lista, mais tranquilo.
- Elizabeth Dellacourt.
***
No final da aula, Liz esperou todos irem embora da sala, inclusive Harry, que só saiu depois de um aceno dela.
- Pai, eu acho que estou com um problema. - disse, olhando ao redor, confirmando que ninguém ouviria.
- O que foi? - perguntou preocupado.
- Ouvi coisas, pelo castelo.
Snape pareceu mais tranquilo.
- Tem algo solto por aqui, sabe... - ele disse, baixinho - Talvez sua mãe tenha razão em querer que você vá para casa.
- Ronald não ouviu! Só eu e o Harry...
- Fiquei tranquila, não tem nada de errado com você. No Natal conversamos com mais calma sobre isso, está bem?
- Promete? - pediu, manhosa.
- Claro, filha. - ele a abraçou, beijando sua testa - Vá almoçar, deve estar com fome.
Mais tranquila, Liz correu para o Salão Principal.
***
Liz se irritava com absolutamente tudo. Muita lição, férias distantes, Harry reclamando o tempo todo de ser acusado pelos ataques...
- Foi Malfoy! - exclamou Rony - Eu sei que foi ele.
- Foi ele o que, seu maluco? - questiou confusa.
- Ele está atacando os nascidos trouxas!
Liz riu.
- O idiota não atacaria uma mosca. Malfoy não poderia petrificar alguém nem que sua vida dependesse disso.
- Lizzie tem razão. - ajudou Harry.
Lizzie. Era um apelido legal. Agora só a chamavam de Liz, Harry a chamar de Lizzie a fazia sentir... diferente.
- Mas tem um jeito super divertido e perigoso de descobrir. - contou misteriosamente.
Os meninos reclinaram-se na mesa para ouvir melhor.
- Poção Polissuco. Eu sei fazer, demora um mês para ficar pronta. Estará pronta no Natal. Vocês podem tomá-la e vão parecer Crabbe e Goyle. Malfoy contaria tudo!
- E você?
- Eu vou para a casa da minha irmã no Natal. Na França. - mentiu.
- E onde vai conseguir os ingredientes?
- Temos a maioria no kit de poções, Rony. Mas o que não tivermos, podemos pegar "emprestado" do professor Snape.
***
Um mês depois, com a poção pronta, Mérope saiu para as férias de Natal.
***
Dezembro de 1992
Com as malas feitas, Liz embarcou no expresso de Hogwarts, pela primeira vez, totalmente sozinha.
Na cabine onde entrou, uma menina loira e muito pequena, de olhos azuis enormes, estava sentada sozinha.
- Olá.
- Oi. - acomodou a bagagem e sentou-se - Meu nome é Elizabeth Dellacourt, e o seu?
- Luna Lovegood. - ela arregalou os olhos quando viu os cabelos negros de Liz - Puxa vida, você se parece com o professor Snape, sabia?
Liz ficou sem graça.
- Sério? E você é a cara do Draco Malfoy. - brincou;
- São os cabelos... - ela passou a mão nos longos cabelos muito claros.
Ela quis rir, mas achou que ofenderia a menina. Claro, algum tempo de viagem depois, e mais conversas constrangedoras, Liz acabou rindo.
***
Na estação, Florence a esperava, aflita.
- Liz, como demorou. - reclamou abraçando-a - Vamos para a casa? Deixei Chris sozinho com James e Nick...
As duas foram até um lugar onde não poderiam ser vistas, e Florence aparatou, levando Liz junto.
***
- Baixinha! - exclamou um dos gêmeos, abraçando-a.
- Ah, não sem quem é quem. - brincou.
- Não tem problema, eu também não sei. - disse Florence.
Os quatro riram.
O outro irmão também a abraçou com força, tirando-a do chão.
- O que fizeram com Chris? - desconfiou Flor.
- Está dormindo mãe! - respondeu James, ofendido.
- Vamos para o seu quarto, querida. Tomar um banho antes do jantar.
A casa era enorme e muito bonita. Mas nada se comparava ao seu quarto.
As paredes em um rosa claro, muito bonito. Os móveis brancos, como o quarto de um bebê. Bonecas, ursinhos, livros, perfumes e caixinhas de jóia enfeitavam as prateleiras, a cama era enorme, como que de casal. Dentro do guarda roupa, havia muitas roupas limpinhas e aparentemente muito caras, totalmente novas.
Depois do banho, Liz resolveu usar um vestido azul claro, com mangas, e sapatos pretos. Prendeu os cabelos com uma tiara e desceu para jantar.
Ser um Snape era muito legal.
***
Quando mais perto do Natal eles ficavam, mais ela sentia falta de Harry e Rony. Escrevia cartas para eles, principalmente sobre A Poção. Malfoy era inocente. Desperdício de ingredientes. Pelo menos foi divertido fazer a poção.
Na manhã de Natal, Liz acordou com algo se mexendo em sua cama.
- Chris? O que está fazendo aqui? - perguntou, com sono.
- Eu 'tava com medo. 'Ta chovendo.
Elizabeth sentou na cama e seu irmão deitou no seu colo.
- E papai não te deixou ir para o quarto, não é.
- Não, ele disse que sou grandinho.
Não estava mentindo. Chris já tinha cinco anos.
Remexendo-se na cama, eles encontraram os presentes.
- E os meus? - choramingou Chris, ao perceber que só haviam embrulhos endereçados a Elizabeth.
- Vamos procurar no seu quarto. Deve estar lá. Aliais, Feliz Natal.
Chris e Liz apostam uma corrida, que ela deixa o irmão ganhar de propósito.
Os presentes dele estavam lá, e depois de abrir e brincar com quase todos, eles vão abrir os de Elizabeth.
Senhora Weasley mandou mais chocolates e um gorro de lã. Havia também uma pulseira de Harry, maquiagem de sua mãe, um livro de seu pai, um diário mágico de Nick e James, um desenho de Chris e uma saia de sua avó, que com certeza seu pai acharia muito curta.
- Não vai abrir os outros? - perguntou o irmão.
- Outros, meu bem? Que outros?
- Os presentes no armário. - disse apontando para a porta.
Elizabeth a abriu, mas quase foi esmagada pelos presentes que caíram. Havia muita coisa lá dentro. Ela sentou no chão, chamou seu irmão e eles começaram a desembrulhar tudo.
Presentes com datas, cartões e alguns cartões, especialmente os de sua mãe, tinham gotas de lágrimas ou a escrita borrada.
Havia vários tipos de presentes, e o seu favorito foi um sapato lindo, de salto não muito alto, onde a letra de sua mãe dizia "Primeiro salto alto - 01/08/1991"
O sapato, a saia, uma meia calça branca, pouquíssima maquiagem e uma blusa bem bonita. Liz se arrumou bastante para o dia de Natal, só não sabia de que modo isso ia refletir. Principalmente em seu pai, claro.
***
Florence desceu para preparar o café da manhã, na verdade pedir aos elfos que fizessem, quando encontrou Liz, toda arrumada, mais linda do que nunca. Esforçou-se para não chorar.
- Feliz Natal.
Ela abraçou os filhos e sentou com eles a mesa, enquanto o café era preparado.
- Vá acordar James e Nick, Chris, enquanto Liz acorda o papai.
Ela subiu as escadas novamente. Deixou os sapatos fora do quarto, subiu na cama e o sacudiu suavemente.
- Oi, pai. - disse ao ouvir um resmungo dele - Feliz Natal.
Severo sentou-se para abraçar a filha, mas ela não estava lá. Em seu lugar estava uma moça com uma saia escandalosamente curta.
- Feliz Natal. - respondeu, abraçando-a.
Era oficial, Severo estava sofrendo um aborto espontâneo. Estava perdendo seu bebê.
***
James e Nick disseram que iam encontrar uns amigos, mas voltavam para a ceia. O resto do dia, Liz passou escrevendo cartas para Harry. Ela gostava de Ronald, mas sentia mais falta de Harry, sem sombra de dúvidas.
Enquanto ela escrevia, seu irmãozinho estava com ela na sala, brincando com seus brinquedos novos.
Na cozinha, Florence e Severo conversavam.
- Deu aquela saia a ela? Ela tem doze anos! - exasperou-se Severo.
- Quem mandou a saia foi a sua mãe.
Severo ficou furioso.
- O que deu nela? Liz não deveria usar esse tipo de roupas, ela ainda é uma criança.
- Tem doze anos Severo. Já é uma mocinha.
- Não, ela não é uma mocinha!
Florence respirou fundo. Ia ser mais difícil do que esperava.
- Uma hora você vai ter que aceitar isso, então é melhor que seja agora do que quando ela apareça com um namorado. - Severo lançou seu pior olhar para a esposa - Você tem uma filha, uma menina. Você ficou tão acostumado com os nossos meninos que se esqueceu de alguns pontos.
- Quais?
- Ela vai usar saias e vestidos curtos não importa o que você diga, vai passar maquiagem e usar salto alto mesmo que você reclame as férias todas. Vai crescer de um jeito diferente de James ou Nick. Obviamente.
Florence esperou a reação do marido, e como ele não disse nada, ela resolveu irritá-lo mais um pouco.
- Vou precisar comprar soutiens.
Antes de Severo começar a gritar, Liz entrou na cozinha.
- A vovó chegou. - disse animada.
Demorou um pouco para James e Nick voltaram, mas foram devidamente castigados. Um sermão de Snape é pior do que qualquer outra punição.
Durante a ceia, Liz sentiu que finalmente havia encontrado o que mais desejava e o que pediu a Deus todos os dias de sua vida. Uma família.
***
No final das férias, pouco antes de voltar a Hogwarts, Liz, Sev e Flor estavam na biblioteca. Chegara o momento da tão esperada conversa.
Ah, gente! Eu quero comentários! Por favor! Eu não ligo para tamanho, cor ou sexualidade do review, se ele prefere laptops ou computadores mais gordinhos... EU QUERO A SUA REVIEW!
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