Setembro 1993

Liz nunca se sentira tão ridícula quanto agora. Os lábios de Harry já haviam deixado os seus, mas mesmo assim não conseguia abrir os olhos. Era quase como se estivesse claro demais e ela tivesse acabado de acordar.

- Eu não... - começou Harry - Desculpa.

Liz sentiu vontade de rir, mas quando abriu os olhos, encontrou os olhos de Harry, brilhando tímidos, esperando a reação dela.

A única coisa que pode fazer foi unir seus lábios mais uma vez, desta vez por mais tempo, mas da mesma forma inocente.

- Não, eu não te desculpo. - disse Liz - Claro, por hoje, mas não por isso.

Ela viu Harry corar. Droga, eles tinha treze anos. Eram novos demais. É claro que ela sabia o que esses olhares e tremores significavam. O viu durante as férias, entre seus pais. Era amor.

- Tudo bem, se quiser fingir que nada aconteceu e... - Liz não conseguiu terminar a frase.

A mão de Harry tocou a sua, ainda tão inocente quando o beijo.

Ela não sabia o que dizer ou pensar, ou mesmo soube dizer, no dia seguinte, quantas vezes seus lábios se tocaram novamente naquela noite.

***

Liz acordou atrasada. Pulou da cama, vestiu o uniforme e correu pelas escadas.

Harry a esperava.

- Ficou maluco? Vai perder a aula por minha causa!

Ele sorria.

- É um bom motivo.

Quando Harry tentou beijá-la, ela desviou.

- Temos que conversar. Depois da aula, claro.

Eles nem tomaram café, foram direto para aula.

***

Na hora do almoço, obviamente, eles não puderam conversar.

E ainda por cima, o clima ficou ruim quando Rony começou a falar sobre o passeio a Hogsmead, no dia seguinte, onde Harry não poderia ir, pois seus tios não assinaram a autorização.

- Sua irmã assinou? - perguntou Harry.

Sim, sua mãe havia assinado. Mas sair com Rony, deixando Harry triste para trás, em algo que nem seria tão divertido, enquanto eles tinham coisas importantes para resolver, não parecia agradável.

- Não. Esqueci de pedir.

- Esqueceu! - exaltou-se Rony - Como esqueceu? Uma coisa dessas não se esquece!

- Rony, foi o primeiro verão dela com a família! Não seja insensível. - disse Harry.

- Bom, vocês vão perder a diversão!

- Quem disse? Podemos nos divertir! - disse Liz, só para contrariar Rony.

Ela disse aquilo por impulso, pois não teria como se divertir sozinhos no castelo. Liz corou com o pensamento.

- Tenho que fazer uma coisa - disse Liz.

Elizabeth correu para o dormitório. Antes da próxima aula, precisava escrever uma carta para a mãe. E seria mais seguro, principalmente para Harry, que a carta fosse enviada diretamente para Florence, por uma coruja, e não por um pai coruja.

Depois de alguns minutos escrevendo, a carta ficou assim.

Mãe,

Estou com tantas saudades... Eu tenho tantas coisas pra te contar!
A mais importante é que eu estou apaixonada. E eu sou correspondida. Acho que estou namorando. Harry não me pediu em namoro, nem nada, até porque ele não tem como falar com o papai porque... Bem, obviamente Harry não sabe quem ele é e, se soubesse, eu duvido que ele sobrevivesse muito mais tempo depois de dizer "eu amo a sua filha".

Nos beijamos na noite passada, depois de ele perder 10 pontos da Grifinória me pedindo desculpas na aula de Poções.
Eu tenho medo que Harry deixe de gostar de mim quando souber que sou neta de Voldemort. E se ele me odiar?
Bem, no mais, como você sabe, eu tenho feito muitas matérias neste ano e estou adorando todas! Runas é fantástico! E o novo
professor de DCAT é muito bonito e é um ótimo professor! Mas acho que o papai não gosta dele, ele é sempre tão rabugento com o Prof. Lupin, eu quero dizer que ele é MAIS rabugento do que o normal com o Prof. Lupin.

Estou muito feliz e com muitas saudades, espero que todos estejam bem aí em casa e que os pesadelos do Chris tenham parado.

Te amo,

Liz.

Satisfeita com o resultado, Liz a colocou em um envelope, e nele escreveu o nome de sua mãe.

Ignorou Harry e Rony. Foi sozinha até o corujal, mas infelizmente não teve sorte, e acabou encontrando Severo Snape em seu caminho.

- Vai para onde? - perguntou, olhando a carta nas mãos de Liz.

- Biblioteca. - respondeu.

- Sabe que não é por aqui. Está mentindo.

- Disse biblioteca? - Liz deu um tapa na própria testa, corrigindo a si mesma - Eu ia dizer corujal.

- A carta é para sua mãe? - perguntou baixinho, depois de olhar ao redor, verificando estarem sozinhos.

- Sim.

- Posso entregar pessoalmente. Vou sábado para casa.

- Não! - disse imediatamente - Não precisa se incomodar.

Severo não disse nada. Nem teve tempo. Elizabeth correu até o corujal.

***

Ao fim do dia, adiantando os deveres da próxima semana no Salão Comunal, junto com Harry, Liz esperava ele tocar no assunto.

- Algum plano para o sábado, ou vamos morrer de tédio? - perguntou Harry.

- Podiamos... conversar. - respondeu, claramente tocando no assunto.

- Não parecia querer conversa hoje cedo.

Liz pensou em dizer que com conversar ela não queria dizer beijar, mas achou que ele ficaria chateado de alguma forma.

- Agora estou. Tem alguma coisa pra me dizer? - ele não respondeu - Está bem.

Era quase hora de dormir, mas Liz não se importou. Foi até a Torre de Astronomia.

***

A presença dos dementadores deixava o lugar mais frio do que deveria estar naquela época do ano, fazendo Elizabeth se sentir idiota por estar lá.

- Se eu voltar, ele ainda vai estar lá, e vai me achar uma idiota. - concluiu, baixinho.

- O que faz aqui, Liz? - perguntou o professor Lupin.

- Nada. - respondeu, encolhendo os ombros.

O professor se aproximou, levando Morgana no colo.

- Você parece tão zangada, que ela achou seguro ficar na porta. - disse ele, entregando a gata.

Ficaram um tempo em silêncio.

- Aconteceu alguma coisa?

- Não, só é horrível ter treze anos.

Lupin riu suavemente, o que pareceu ofender Liz. Ela olhou irritada para ele, ignorando o fato dele ser seu professor.

- Não tem graça. - resmungou.

- Tem graça sim! É hilário o modo como você lembra seu pai.

O professor foi embora, e de tão chateada que estava, Liz esqueceu de ficar assustada com o que o professor disse.

***

Finalmente chegou sábado, e com ele, veio o passeio a Hogsmead.

Liz pensou que seria um dia livre, e ela passaria a tarde com Harry, mas se logo pela manhã, houve um imprevisto. Durante o café da manhã ela percebeu seu pai, na mesa dos professores, fazendo um discreto sinal para ela encontrá-lo no corredor.

- Já volto, meninos.

Elizabeth foi até o corredor, com medo de que Severo soubesse do conteúdo da carta. Era praticamente impossível, e sua mãe não faria isso com ela, mas era a única explicação.

- Algum problema? - perguntou, tentando não mostrar anciedade.

- Não, é que sua mãe insistiu que você passasse o final de semana com ela.

- Final de semana? - Liz abriu um sorriso - Eu posso ir?

- Achei que fosse querer ir para Hogsmead.

- Eu prefiro passar o final de semana em casa.

- Está bem. - disse Severo - Avise o Potter e o Weasley que vai para casa.

- Obrigada pai! - ela o abraçou.

Quando Elizabeth entrou no Salão Principal novamente, acabou tropeçando e quase levando o professor Lupin, que vinha na direção contrária, ao chão.

- Cuidado, Liz. - disse, quase rindo - Seus amigos não vão a Hogsmead sem você.

- Na verdade, vão ter que ir. Estou indo para casa.

- Algum problema?

- Não, só saudades. - sussurou.

O professor riu.

- Então mande um abraço para sua mãe.

Lupin saiu do Salão Principal, deixando Liz de olhos arregalados.

***

Tirando o pó das roupas e tossindo um pouco, Elizabeth saiu da lareira de sua casa, sendo recebida por sua avó e Chris.

- Liz, achei que só chegaria mais tarde. - disse, abraçando-a - Florence foi fazer compras, queria um almoço especial.

- Nuggets! - explicou Chris.

- Por que não vai pegar seus desenhos? Aposto que sua irmã vai querer ver.

Chris subiu as escadas imediatamente, sorrindo.

- Eu disse isso porque sei que ele demora para achar todos. - disse Elieen - Sente-se e conte tudo sobre ele.

- Ele?

Era o segundo susto de Liz no dia. E não eram nove horas da manhã ainda.

- Sua mãe me contou tudo.

- Contei tudo? - perguntou Florence, entrando na sala - Era segredo, Elieen.

- Era segredo, mãe. - disse Liz, um pouco irritada.

- Como poderia ser segredo com ela se o segredo é dela, Florence? - perguntou Elieen, confusa.

- Que segredo? - questionou Chris.

- Nuggets! - disse Florence, tentando mudar de assunto - Quer nuggets, Chris?

Florence e Liz foram para a cozinha, abraçadas, enquanto Elieen e Chris assistiam televisão.

***

- Então, vai me contar os detalhes? - perguntou sorrindo.

- Para poder contar para a vovó?

- Não fique chateada. Eu não tinha ninguém para contar!

Elizabeth sentou no balcão da cozinha.

- Eu não tenho nada para contar. Não aconteceu mais nada.

- Aquele menino sem vergonha te beijou e não disse nada? - questionou Florence, segurando uma faca.

- Mais ou menos. Eu acho que brigamos. De novo.

Antes de continuarem a conversa, Chris entrou na cozinha.

- Papai chegou.

O preparo do almoço foi interrompido. Assim como a conversa, que Severo já havia avisado, não queria mais ouvir de garotos.

***

Florence passou a tarde escolhendo algumas roupas que Liz deveria levar para Hogwarts, forçando-a a experimentar várias.

- Eu acho que deveria levar um rosa. - disse, segurando o soutien para mostrar a Liz.

- Qual é a diferença se eles ficam por baixo da roupa? - questionou Liz, confusa.

Florence teve que concordar que, aos treze anos, não faziam a mínima diferença.

- Vamos guardar esses para mais tarde. - disse, pegando todos os que eram grandes ou com cores fortes.

Desanimada, a garota deitou na cama, observando a mãe.

- Por que você acha que brigaram, Liz? - perguntou Florence, acariciando os cachos da filha.

- Porque ele é meio... impulsivo demais, fica tirando conclusões precipitadas e não me escuta... parece que não pensa!

- Harry é como o pai dele, filha. James. Um grande asno. E a falta de senso e o pré-julgamento estão no sangue. Não espere muito dele, Liz.

- Eu não quero que ele fique comigo por agora. Porque quando ele descobrir tudo ele vai me deixar... quem ia querer ficar perto de parentes daquele que assassinaram sua família? Ainda mais por eu ser filha do mais temível professor de Hogwarts que não perde uma chance de zoar com ele ou tirar pontos da Grifinória... – disse a menina, amuada.

- Elizabeth! Espero que você não esteja com vergonha de ser filha de quem é!

- Não, mãe, não é nada disso! Mas papai podia aliviar um pouco, não é? Que droga, pra que ser tão carrasco com os alunos... se todos soubessem que ele é meu pai, ninguém falaria comigo!

Florence ficou quieta, não podia negar aquilo, sabia que o marido era muito intransigente com os alunos.

- Talvez, se você contar a verdade ao Harry quando ele estiver maior, mais maduro, ele entenda você.

Elizabeth olhou irônica para a mãe, pensando no quanto aquilo era improvável.

- Ou eu poderia nunca dizer. – insinuou ela, baixinho.

- Sabemos que esta não é uma boa idéia, Liz. Quando eu conheci seu pai e me apaixonei por ele, eu também pensei que poderia nunca dizer a verdade a ele, mas no fundo sempre soube que chegaria um momento em que, ou ele descobriria, ou eu me veria obrigada a contar.

Florence suspirou, olhando para a janela, por um momento, como que lembrando de tudo o que passou para esconder os gêmeos de Snape. Então ela se voltou para filha:

- O que você tem que se perguntar é: vocês se amam o bastante? Você acha que estão ligados pelo encantamento?

Ela amava Harry, pelo menos achava que o amava. Mas e se eles tivessem confundido tudo, desde o começo?

- Não, mãe. Eu não acho que estamos ligados pelo encantamento. - respondeu, triste.

Florence a abraçou forte, percebendo a tristeza de Liz por isso.

***

Antes do fim do ano letivo, Harry e Liz salvaram Sirius Black. Mas continuaram sem resolver o probleminha. O que gerou outro problema. Eles não eram tão amigos quanto antes, apesar de ainda serem inseparáveis, o assunto e a intimidade quase morreu.


Florence e Thainá: Começo de namoro? Bom, foi mais curto do que casamento de modelo. kk

Beijo geente :* comentem!