Agosto 1994

A família Snape tomava café da manhã quando uma coruja branca chegou a janela. Liz fingiu não ver.

- Eu pego. - disse Florence, olhando para o marido.

Florence leu a carta, e disse o que dizia.

- Foi convidada para a final da mundial de quadribol. - comentou - Parece divertido.

- Não estou interessada. - ela resmungou, colocando o prato na pia e subindo para seu quarto.

Severo pareceu concordar com a filha, mas ele havia percebido a tristeza dela durante as férias. Florence, inconformada, foi até o quarto de Elizabeth.

- Se quiser ir, eu converso com seu pai. - disse sentando na cama da filha.

- Eu não quero. Não precisa se preocupar.

As duas ficaram em silêncio, e Liz, apesar de saber ser um comentário maldoso, acabou deixando escapar.

- Mãe, você está... maior. - disse, baixinho.

Florence riu.

- Eu estou grávida Liz. - sussurou - De novo.

Elizabeth, quase no final do verão, deu o único sorriso verdadeiro destas férias.

***

Novembro 1994

Harry era um campeão tri-bruxo. Era incrível, perigoso e incomodo. Cho Chang e Gina Weasley pareciam não concordar com os dois ultimos adjetivos.

- Convidei Lilá. - disse Rony, sentando ao lado de Liz, no Salão Principal.

- Que legal. - comentou, não demonstrando emoção alguma.

Harry sentou-se e Liz levantou da mesa ao mesmo tempo.

- Vou falar com a Luna, já volto. - disse a Rony.

Rony e Harry também não conversavam, o que fazia Liz sentir-se pior ainda por deixá-lo sozinho.

- Cho disse que ia convidar Harry para o baile. - disse Luna, casualmente.

A falta de tato da amiga as vezes incomodava.

- Ele aceitou?

- Se ele tivesse aceitado, acho que já teriamos descoberto.

Ela ia tomar isso como um não.

- Ele pode te convidar. Ainda tem tempo.

- Quem disse que eu quero ir com aquele idiota?

- Você fala dele o tempo todo.

- Não! Você fala dele o tempo todo. Talvez você esteja apaixonada por ele.

Luna riu.

- Eu vou tomar um ar.

Não era a primeira vez nessa semana em que Elizabeth discutia com Luna, ou que ia para a Torre de Astronomia.

***

Ventava forte, e provavelmente iria chover. Se não fosse logo para o Salão Comunal, ficaria doente, mas como poderia chegar lá assim, chorando?

- Tudo bem, Lizzie? - perguntou Harry.

- Vai embora. - resmungou entre os soluços.

Ele caminhou até ela, parecendo confuso.

- Não entendo o que aconteceu. Por que não me diz o que houve?

Liz olhou para ele, vendo sinceridade nos olhos verdes, sentindo-se pior ainda.

- Eu menti pra você Harry.

- Mentiu? Como? Por quê?

- Não posso contar...

Harry afastou os cabelos do rosto de Elizabeth, com carinho.

- Então não me diz nada... agora.

Como da outra vez, no terceiro ano, seus lábios se uniram. O que houve foi que, diferente de quando tinham treze anos, foi muito mais intenso e menos puro.

Um pouco assustada com mas mãos de Harry em suas costas, Liz afastou-o suavemente.

- Vamos... fazer... o seguinte. - disse ele, retomando o fôlego - Eu te faço duas perguntas: uma você responde a agora, e a outra depois do baile.

- O que vai acontecer no baile?

- Nada assustador. - respondeu - Se aceitar ir comigo e não ir com o Malfoy.

- Malfoy?! - perguntou sem entender.

- Simas disse que ele ia te convidar. - respondeu, fazendo uma careta - Então, quer ir ao baile comigo?

- Eu disse a minha irmã que ia para casa...

- Diga que resolveu ficar aqui. - pediu.

- Está bem. - respondeu sorrindo - Eu vou com você. Qual é a outra pergunta?

- Quer ser minha namorada?

Elizabeth se assustou. A preocupação com seu pai e Voldemort que havia sumido quando se beijaram, voltara.

- Não responda agora. - explicou - Depois do baile.

- Combinado. - disse sorrindo.

Harry foi beijar Liz novamente, mas antes que conseguisse, começou a chover.

***

Mesmo um pouco tarde para mudar de idéia, Liz escreveu uma carta para a mãe, contando que ficaria para o baile e ia precisar de um vestido.

Mãe,

Eu sei que está meio em cima da hora, mas eu vou precisar de um vestido. Harry e eu fizemos voltamos a nos falar, ele me convidou e não teve como dizer não. Não precisa comprar nada, no meu armário tem vestidos que ainda nem usei, mande um deles.

Beijos, Liz.

Não era uma boa idéia contar sobre o beijo agora, principalmente porque ela duvidava muito que fosse aceitar o pedido de namoro de Harry, ao mesmo tempo que tinha certeza que não poderia dizer não.

***

Dezembro 1994

- Sev? - chamou Florence, saindo da lareira, nos aposentos do marido em Hogwarts.

- O que faz aqui? - perguntou, olhando desconfiado para a caixa.

- Nossa, que recepção! - reclamou, colocando a caixa com força sobre a mesa dele.

- Desculpe, só não esperava você aqui, tão perto do Natal.

Florence beijou o marido, contente novamente.

- Eu vim por isso mesmo.

Severo teve a impressão de que Florence estava se auto convidando para o Baile de Inverno.

- Não acho uma boa idéia, você sabe que eu não quero você por aqui, muito menos grávida.

- O que? Liz já te disse que eu viria?

- Não. Você contou para ela que ia passar o Natal aqui? Ela não ia ficar em casa?

- Ia, mas ela mudou de idéia. E eu não vou ficar para o baile, só trouxe o vestido da sua filha. - mentiu.

Divertida com a cara de chateado do marido, Florence mostrou o vestido que comprara para Liz.

- Não é lindo?

- Por que não tem manga? - reclamou Snape.

- Porque Liz tem lindos ombros. - brincou Florence.

O vestido sem alças era roxo, ficaria pouco abaixo dos joelhos de Liz, mas Severo não pareceu satisfeito.

- Por que ela vai ao baile?

- Porque todos os alunos do quarto ano pra cima irão. - ela hesitou antes de largar a bomba. - E Harry a convidou.

- COMO? - gritou.

- Acalme-se, Severo! Ou todo mundo vai ouvir!

- Ela não vai a baile nenhum! - disse Severo, pegando o vestido das mãos de Florence e o guardando na caixa, violentamente. - Muito menos com o Potter!

- Severo, deixa ela se divertir um pouco. - pediu.

- Se divertir? Deixá-la se divertir? Com o Potter? Num baile? Com esse vestido indecente? - ele gritava, louco. - Nem pensar!!

Florence ficou olhando o marido, com um sorriso compreensivo.

- Vou levar o vestido pra ela. - ela arrumou o vestido e fechou a caixa.

Snape caminhou até o sofá em frente à lareira, em silêncio, e sentou-se, a cabeça entre as mãos.

Ela vai até ele, se ajoelhando em sua frente, as mãos nas pernas dele, os rostos próximos.

- Sev...

- Não... eu não consigo.

- Sev, você tem que aceitar, tem que tentar entender.

- Não. Ela é minha filha, não vou deixar o Potter pôr as mãos imundas dele nela!

- Amor, se não for o Potter será outro garoto. Eles não estão namorando, eles vão neste baile como amigos. Não me diga que prefiria que sua filha fosse com o Weasley?

- Claro que não! Mas o Potter...?

- Eles não estão de casamento marcado, Severo! É apenas um baile!

- Que seja. - ele levantou. - Vou ficar de olho neles. E mandarei alguém vigiar a Torre de Astronomia.

Florence riu.

- Hm... aquela torre é mesmo um perigo. - ela o abraçou pelo lado, recostando a cabeça no ombro dele.

Ele olhou pra ela, sério, repreendendo-a.

- Como você consegue pensar que isso seja engraçado?

- Eu não acho que a situação de Liz com Potter seja engraçada. A sua cara é que é. - ela o beijou, antes que ele gritasse de novo e foi para a porta com a caixa do vestido de Liz nos braços. - Eu vou indo. Controle-se ou mandarei Poppy vir lhe dar uns calmantes e assim você não poderá vigiar sua filha no terrível baile de inverno. - brincou ela.

Luna e Liz desenhavam animais em apenas uma folha, juntas. Era visível que Elizabeth não tinha nenhum talento para desenho, mas Luna apreciava o esforço da amiga em tentar agradá-la, fazendo algo que a divertia.

- Eu convidei Neville para o baile.

Liz continuou firme, tentando não imaginar Luna e Neville dançando.

- É ótimo! Ele é um garoto muito agradável. - tentou mudar de assunto - Então, o que vai vestir hoje?

A diversão das meninas foi interrompida quando um menino do primeiro ano entrou no Salão Principal correndo, entregou um bilhete amassado para Liz e voltou a correr.

- É do Harry? - perguntou Luna.

- Não. - riu Liz - É da minha irmã.

Liz reconheceu a letra imediatamente. Sua mãe estava em Hogwarts, e queria vê-la no quarto em que dormia quando ficava em Hogwarts, no terceiro andar.

Elizabeth não esperou nada. Correu para o terceiro andar.

***

Nem bateu na porta, entrou imediatamente.

- Eu trouxe seu vestido. - disse Florence, abrindo a caixa.

Visivelmente mais animada do que durante as férias, antes de ver a roupa, Liz já tirava o uniforme para poder vesti-lo.

O vestido e o sapato serviram em Liz como se fossem feito para o seu corpo, apesar de a falta de alças no vestido incomodar inicialmente, o conjunto completo ficava bastante harmonioso.

- Nossa, o que um convite não faz com uma carinha triste. - comentou Florence, feliz - Tem certeza que foi só um convite? Como amigo?

Elizabeth corou, lembrando-se do que havia acontecido. Contar para a mãe, ou não contar?

- Ele te beijou, não foi? Conta Liz, prometo que não conto para sua avó. - garantiu.

- Talvez...

- Como assim talvez? - perguntou, desconfiada.

- Talvez seja mais do que um convite de um amigo.

- Não foi isso que perguntei. Vocês se beijaram?

A garota suspirou, pensando no quanto era impossível que ficassem juntos, e como era impossível ficar longe dele.

- Sim. Uma vez.

- Uma vez? E foi só isso? Só um beijo?

- Mais ou menos....

- Vamos, filha! Conte!

- Ele me pediu em namoro.

- Mesmo? - Florence ficou em dúvida se sorria ou não. Aquilo era sério. - E você?

- Eu ainda não repondi. - mas a menina não parecia muito entusiasmada.

- Harry beija tão mal assim, pra você não estar feliz? - tentou brincar Florence. - Você não vai aceitar, não é?

- Não, mãe. E eu não sei o que eu faço... - a menina suspirou. - Você vai ficar pro baile?

- Vou.

- Papai não sabe, não é?

- Não. Se ele soubesse, eu não estaria aqui, ele já teria me mandado pra casa ou me teria prendido nas masmorras. Seu pai é ciumento demais...

- Ele ama muito você.

- Ele nos ama muito, Liz. À mim, à você, aos seus irmãos, à sua avó. Só que Sev é um pouco... exagerado. - ela riu, levemente.

- Que cor é o seu vestido? - a menina se animou um pouco.

Florence foi até o roupeiro e mostrou o vestido para a filha. Ele era longo, rosa claro, de um ombro só, com a barra drapeada, bem simples, liso, mas muito bonito.

- Ele é lindo, mãe. Mas mesmo que você fosse com um saco de batatas no corpo, você estaria linda.

- Obrigada, você também, filha! - ela riu. - Mas eu preciso chegar lá antes do seu pai, portanto... vou começar a me arrumar. Se quiser, pode continuar aqui.

- Não. Eu vou ir me arrumar também.

- Se você gostar de verdade dele, deve aceitar, Liz. - comentou Florence.

- Mãe, sabemos que ele não vai aceitar... - Voldemort ser meu avô e Severo Snape ser meu pai, pensou.

- Anime-se, meu amor. Eu tenho certeza que Harry não vai se incomodar pelo fato de você ser parente de Voldemort... ele vai ficar muito mais preocupado com quem é o seu pai.

A menina riu, deu um beijo na mae e foi para o Salão Comunal.

***

- Espera! - pediu Liz, vendo Luna não esperá-la para descer as escadas.

- Fique parada! - gritou Luna - Desce uma de cada vez, pra criar mais espectativa.

- Como? - a amiga era extravagante, mas isso era exagero - Não estamos em um filme, e eu não gosto de andar sozinha.

- Pois eu quero andar sozinha! - reclamou Luna, descendo as escadas.

Esperando o tempo da amiga encontrar o acompanhante, Liz foi até a escada, sentindo um frio na barriga ao perceber que tinha muitas pessoas lá. Mais do que ela imaginava que teriam. O vestido lhe pareceu indecente, os sapatos altos demais e o cabelo mal arrumado. Todas as inseguranças passaram quando viu Harry a observando, com tanto apreço, como se nunca tivesse visto coisa mais bela no mundo.

Sentindo um calor no rosto e tinha certeza que estava bastante vermelha, mas não sentiu muita falta de Luna agora, principalmente de seus comentários impróprios.

A escada que parecia muito maior finalmente terminava, e Harry a esperava ao fim dela.

- Está muito bonita. - comentou.

- Você está lindo.

As vestes de Harry eram muito elegantes, diferente de Rony, que chegava com Lilá, emburrado. Elizabeth viu Lilá piscar para Simas, que acompanhava Padma, mas não disse nada.

- Nós vamos para o Salão Principal. Minerva disse que vocês tem que dançar primeiro.

- Dan-dançar? Primeiro? - questionou Liz, desesperada.

- Exatamente senhorita Dellacourt. - disse Minerva, que estava atrás deles - Senhor Weasley e senhorita Brown, podem ir.

Assim que Minerva saiu, Liz virou-se para Harry, anciosa.

- Ela não havia avisado! Não sei se estamos prontos.

- É só uma dança, não deve ser tão difícil. - disse Harry, quase achando graça.

Ela ignorou o sorriso dele, e tudo o que ele despertava nela quando a porta do Salão Principal se abriu.

Todos os olhares estavam direcionados a eles: os campeões e seus pares. Só que os olhares que mais a amedrontava, o de sua mãe e de seu pai, ainda não podiam ser avistados pelo número de pessoas no salão.

Passando da metado do salão, sem notar que seus pés se moviam, Liz pode ver sua mãe. Florence estava em pé ao lado do diretor e de Minerva. Mas seu pai não estava lá.

Chegaram no centro do salão e a musica começou a tocar. Harry a puxou e ela teve que guiá-lo. Ele era tão bom dançarino quanto preparador de poções. Ela começou a se sentir estranha. Um calor emanava de onde as mãos dele tocavam sua pele, e ela se sentiu tonta. Harry a encarou, aparentemente assustado.

- O que está acontecendo? - ele lhe murmurou.

- Eu estou com calor... suas mãos estão quentes.

- As suas mãos é que estão. E você colocou um perfume muito bom hoje. - ele sorriu.

- O que? Eu não coloquei nenhum perfume...! - e ela entendeu.

"Não... não... isso não pode ser."

Ela procurou o olhar de sua mãe. Florence olhava pra ela, séria, muito séria.

- O Encantamento. - sua mãe formou nos lábios as palavras que estavam em seu pensamento.

- Liz, o que foi? - perguntou Harry, apertando-a mais contra ele para chamar a atenção dela.

Ela olhou para ele, apavorada. Um arrepio lhe tomou o corpo quando seus olhos se encontraram. Ele a segurava fortemente contra si. Ela precisava beijá-lo.

Harry percebeu o desejo nos olhos verdes dela. Ele olhou os lábios tão lindos, cheios, pintados de rosa em sua frente e quis se aproximar.

Liz se aproximou dele, precisava beijá-lo, precisava provar dos lábios dele novamente.

Mas foi numa dessas últimas voltas que Liz pode ver seu pai chegando e parando ao lado de Igor Karkaroff. Foi como se um balde de água gelada fosse jogada sobre si. Seu pai o mataria. Harry não viveria mais nem um segundo se a beijasse. Ela se afastou, fez levemente que "não" com a cabeça, murmurando um "depois". Harry sorriu e eles continuaram a dançar, sorrindo, os dois.

Snape olhava sua filha dançando, tão linda, sorrindo, nos braços daquele... E um rosnado escapou de seus lábios.

- O que há. Severo?

- Tosse, Igor, acho que vou me gripar.

Karkaroff não respondeu.

A música da abertura acabou e outra começou, Dumbledore e Minerva foram para o meio do salão e Liz foi em direção à mãe.

Karkaroff seguiu a menina com os olhos. Snape percebeu.

- Quem é aquela mulher?

- Quem?

- Aquela com a menina... não me diga que não percebeu, Severo. Ela é linda e gostosinha. - comentou ele, malicioso.

- Irmã da aluna Elizabeth Dellacourt.

- Acho que vou ir lá, cumprimentá-la.

E Snape não pode fazer nada para impedir Igor Karkaroff de ir cantar sua mulher. Nem Liz pode impedir, e além de ser interrompida por Karkaroff, não suportando mais aquele salão quente, acabou por tomar uma péssima decisão.

- Harry, vamos pra Torre de Astronomia. Agora. - disse segurando o braço dele com força.

***

Ela estava encostada na amurada, admirando o céu, uma brisa gelada cortava o ar, tentando acalmar a respiração e os pensamentos.

Harry se aproximou por trás dela, envolvendo sua cintura, o rosto em sua nuca.

Ela se virou de frente pra ele.

- Você é tão linda...

- Você acha? - ela brincou.

- Com certeza. - ele a beijou, brincando com seus lábios. - E só minha... - ele sussurrou.

- Quem lhe deu esse poder sobre mim, Sr. Potter? - ela murmurou.

- Você. Aceita?

- Aceitar? O quê?

- Ser... minha namorada? – ele falou, meio tímido.

- A resposta ia ser depois do baile. O baile, tecnicamente, não acabou.

- Levo isso como um não?

- Brincadeira... eu não preciso de tempo para descobrir o que eu soube desde o primeiro dia em que te vi.

Ela se aproximou dele, encurralando-o contra a parede, beijou seus lábios, mordendo, provocando.

Harry enlaçou sua cintura, ela levou uma mão ao seu rosto, a outra mantendo em seu peito.

Ela não dissera se aceitava ou não seu pedido, mas era o sinal que ele precisava para tornar o beijo verdadeiro. Ele roçou sua língua nos lábios macios e ela aceitou.

Suas línguas dançavam, brigavam, lançavam choques por seus corpos.

Estavam ofegantes, Harry desceu por seu pescoço, a sensação dos beijos dele sobre sua pele queimava como fogo, e enquanto a língua percorria seu pescoço ficava muito difícil, até mesmo pra ela, tão controlada, pensar noutra coisa que não fosse ele.

Resistir?

Impossível.

O vento frio que antes cortava a torre, não mais era sentido pelo casal.

Elizabeth não se permitia pensar em mais nada, deixando-se levar pelas emoções que ele despertava em seu corpo e mente.

Um choque que nada tinha a ver com os calores que ele lhe dava ou o vento frio, passou por seu corpo.

- Você ainda não respondeu à minha pergunta.

- Você não me perguntou nada, não me lembro... - ela perguntou, ingenuamente, brincando com os botões da camisa dele.

- Aceita ser minha?

- Sua o quê?

- Minha, minha namorada.

- Eu aceito.

Ele a virou, colando-a na parede. Capturou sua boca em um beijo avassalador, suas mãos foram à cintura dela, pressionando-a contra seu corpo, como se pretendesse uma fusão dos dois à parede da torre. Ela brigava com os primeiros botões da camisa dele, afrouxara a gravata. Ele desceu uma mão pelas costas dela, sentiu-a gemer em seus lábios, desceu ao colo dela, voltando ao pescoço e riu suavemente quando ela arqueou o corpo de encontro ao seu.

- Harry... acho melhor nós pararmos. - ela sussurrou, a respiração descompassada.

- Também acho... - ele apoiou a cabeça em seu pescoço, aspirando o perfume maravilhoso que se desprendia dela. - Você cheira maravilhosamente bem...

- Realmente, é melhor irmos. - resmungou Liz.

***

Elizabeth saiu sozinha da Torre, tentando não levantar suspeitas nos amigos e principalmente nos pais, mas era um pouco tarde. Sua mãe a esperava.

- Mãe? O quê...

- Vamos, conversamos no quarto.

No terceiro andar do castelo, já sem os sapatos e os vestidos, as duas conversavam.

- Filha, eu vou direto ao assunto: seu pai sabe.

- O que? Ele viu...? Ela vai matar o Harry, mãe!

- Não. Liz, acalme-se. Seu pai não viu, mas ele sabe. Ele percebeu que vocês dois haviam sumido, e foi até a Torre de Astronomia, eu percebi e fui atrás dele, cheguei lá, segundos antes dele entrar na torre, ele ainda estava na escada.

- Como ele poderia saber que nós estávamos lá?

Florence sorriu.

- Porque era lá que eu e seu pai costumávamos nos... encontrar.

Liz ficou calada. Estava envergonhada de contar pra mãe o que havia se passado lá na torre, até mesmo ela sabia que haviam passado dos limites.

- Eu sei o que deve ter se passado lá, Liz. - disse Florence, como que se lesse os pensamentos da filha.

- Eu não pude impedir mãe, eu não tinha como me controlar...

- Eu sei como é, filha... isso é o poder do Encantamento, você não vai conseguir resistir à isso. Acredite, eu tentei e olha onde eu estou? Casada com seu pai, apesar de todas as adversidades. - ela sorriu pra filha.

- Então, eu não tenho escolha?

- Por que? Você não gosta do Harry o suficiente pra se ver casada com ele?

- Claro que gosto! Eu amo ele... mas e se ele não me quiser mais depois de descobrir sobre o papai?

- Ele não vai conseguir esquecer você filha. O que você sente por ele, ele sente por você. Talvez até mais forte. Seu pai me disse uma vez que esse negócio de encantamento faz ele sentir que morreria se eu sumisse da vida dele. É algo muito forte, Liz. Não é apenas amor, é a necessidade da alma de ser completa, é a necessidade química do corpo de estar em contato com outro que se encaixa perfeitamente...

- Ok, mamãe, sem detalhes gráficos, por favor. - brincou Liz. - Eu já entendi.

- Só há um problema na história sua e do Harry.

- Ele é o tal escolhido...

- Não. Não é o lance com seu avô que me preocupa. É o seu pai. Ele vai querer matar o Harry. - Florence disse isso muito séria. Liz teve medo. - E isso não é uma metáfora, filha.

- Mas... você pode falar com ele.

- Eu posso manter seu pai sob controle, Elizabeth, mas tente não parecer apaixonada perto dele, tente nem falar sobre nenhum garoto na frente dele e, jamais, nunca na vida, beije Harry na frente dele.

- Mas e sobre hoje, ele vai querer conversar comigo?

- Não. Sev está fazendo de conta que este dia não existiu, portanto, não force este assunto.

- Certo... - e ela sorriu. - É tão bom.

- É... e muito perigoso, também.

- Eu sei o que você quer dizer. É fácil perder o controle perto dele.

- Exatamente. Evite ficar sozinha com ele. Eu falo sério. Eu fiquei grávida de Nick e James aos 17 anos, não quero o mesmo pra você.

- Mãe! Eu tenho só 14 anos!

- Filha, você não faz idéia do que é o Encantamento... - riu Florence, corando.

- E muda... depois de um tempo?

- Em parte sim. Essa euforia e esse incontrole das emoções se acalma com o tempo, mas os calores e arrepios e desejos que você sente quando ele te toca... isso nunca muda.

E Liz corou, rindo com a mãe.


Nossa, eita capítulo difícil.

Florence:Obrigada! Pelas dicas, pelas partes que escreveu, por deixar copiar algumas da sua fic! E pela dica do vídeo ;)

Como disse ali, praticamente esse capítulo foi feito pela Florence e baseado em cenas da fic dela, pq tem muuuuuito Florence e Sev aqui! Prometo depender menos dela. Prometo TENTAR!

Beijos e comentem! Espero que gostem gente, deu trabalho!