Hogwarts
Salão Comunal Grifinória
Faltava muito pouco para o Natal e Elizabeth só conseguiu pensar em onde passaria o Natal. Estava dividida: queria ir passar o natal em casa, mas tabém queria estar com Harry, apesar de saber que seu pai não permitiria que ela fosse pra Mansão Black.
- Rony, Harry, estão prontos? - perguntou ela, batendo na porta do dormitório masculino.
- Não entre! Eu estou sem camisa. - avisou Rony.
Liz não ligou. Entrou no quarto, chateada.
- Ainda tenho que pedir autorização pra ir pra Mansão Black.
- E não mandou a carta ainda? - questionou Rony, achando aquilo um absurdo.
Ela olhou para Harry.
- Tenho que pedir pessoalmente, Rony. - ela respirou fundo, tentando sorrir. - Olha, se eu chegar... atrasada, não matem as fadas mordentes sem mim!
- Não tem mesmo como você ir com a gente, Lizzie? - perguntou Harry.
- Não, Harry. Sinto muito.
Elizabeth saiu do quarto dos meninos mais chateada do que antes. Caminhou para fora do castelo, só para ver o céu. Estava escuro e frio lá fora.
Ela via alguém parado ali e reconheceu a silhueta do Prof. Lupin. Provavelmente ele esperava os garotos para levá-los à Mansão Black.
- Olá! - ela cumprimentou de longe.
E, sorrindo, foi até ele, mas acabou tropeçando na neve e caindo de cara.
- Está tudo bem? - perguntou Lupin, se aproximando.
- Claro. - disse Liz, levantando com a ajuda dele - Como pode alguém tão desastrada como eu, ter uma mãe tão graciosa?
Remo observou a garota. Liz estava triste e envergonhada.
"Tão diferente e tão parecida com Florence." - pensou ele.
- Você é tão graciosa quanto sua mãe. - murmurou Lupin, o tom estranho, carregado de carinho e algo como mágoa.
Elizabeth se arrependeu de tocar no assunto, mesmo sem saber o porquê, Lupin parecia triste, então decidiu mudar o rumo da conversa.
- Vejo você no almoço de Natal, Professor.
- Ah, imaginei que não deixariam você ficar na Mansão Black novamente. - disse ele, sorrindo outra vez.
Triste, mas previsível.
Mansão Snape
Elizabeth andava de um lado para o outro no seu quarto.
Ás vezes parava na frente do espelho e tentava criar coragem para perguntar para a mãe. Tinha certeza que escutaria um não mas, talvez, se expusesse motivos bons o suficiente para ir à mansão Black, sua mãe dissesse sim.
- Não vai acontecer nada! – ensaiava ela pro espelho. - A casa está cheia de gente da Ordem, não poderia haver lugar mais seguro! - fingiu a cara que faria quando ouvisse o não, um quase choro e uma cara de cachorro chutado. - Você diz que me entende, que passou por isso, mas não parece! Falou que o encantamento é insuportável de tão forte, e não para de me separar dele!
- Está falando comigo? - perguntou Florence, parada na porta do quarto, séria.
- Mãe...! Eu... não, eu só estava... –
Florence entrou e sentou na cama da filha.
- Você já sabe a resposta.
- Sim... eu sei... por isso eu estava tentando, sabe... ensaiar algo pra te convencer... – murmurou Liz, sentando ao lado da mãe na cama.
- Filha, eu convivo com o homem mais teimoso e persuasivo do mundo bruxo e com três mini-cópias dele, ou melhor, cinco somando você e Sophie, achou mesmo que me convenceria a deixá-la passar o Natal com Harry na Mansão Black?
- Eu queria tentar...
- E mesmo que eu a deixasse ir, Liz, seu pai enlouqueceria e iria querer saber quais foram meus motivos para permitir que a filha dele fosse passar o Natal na "casa do cachorro". – Florence imitou o que o marido diria.
- Verdade... ele diria exatamente isso. – riu Elizabeth. – Mas é que eu...
- Eu sei. Eu ouvi tudo o que você ensaiou pro espelho. E, sim, eu sei a estranha agonia de ter que ficar tanto tempo longe do seu predestinado. Lembre-se que eu fiquei três anos longe do seu pai, pra proteger seus irmãos. Você vai sobreviver à uma noite sem o Harry.
- Hm.
- Desemburre, Elizabeth! Nós vamos almoçar lá no dia de natal, você sabe disso.
- É, eu sei, mas eu queria...
- Passar a noite perto dele. – completou Florence, repreensiva. – Este é meu mais forte motivo para não permitir que você fique mais do que algumas horas perto do Harry. Sirius me contou que pegou vocês dois nuns amassos exagerados num dos quartos da mansão.
Elizabeth corou e retrucou, brava:
- Você diz que me entende, mas só me repreende! Você sabe que eu não me controlo! Você sabe como é doloroso ficar perto e não poder tocar! O quão difícil é ter que impedir que Harry continue a me tocar...
- Chega, Elizabeth! – Florence estava brava, ela levantou da cama indo em direção à porta do quarto. – Minha resposta é não. E se você acha que está muito ruim assim, se continuar insistindo, eu juro que conto pro seu pai e aí você pode dar adeus à todo e qualquer segundo sozinha com Harry, poderá dar adeus ao próprio Potter, se bem conheço meu marido! – ela abriu a porta e seu tom mudou, não poderia demonstrar que havia discutido com a filha, Snape poderia desconfiar e querer saber o motivo. – Desça para jantar em dez minutos. Sem cara de choro.
- Eu não vou jantar. – rosnou Elizabeth.
Florence sorriu, vendo de repente como a filha era parecida com Snape.
- Certo. Boa noite. – concordou Florence e saiu do quarto.
Elizabeth se jogou na cama e desatou a chorar.
Dez minutos depois, na sala de jantar...
- Liz não virá jantar? – perguntou Snape, sentando à mesa.
- Não. Ela está com... problemas femininos. – respondeu Florence.
- Liz ta doente, mãe? – perguntou Christopher.
- Não, meu amor, ela apenas está com dor de cabeça. – disse Florence para o filho.
- Então, Liz está apaixonada! – disse James, olhando para o gêmeo, ambos observando a reação de Snape.
E, como esperado, Snape quase cuspiu a comida fora, engasgando-se.
Florence olhou para os filhos, percebendo que fizeram de propósito.
- Por que você diz isso, James? – perguntou Snape.
- Porque "problemas femininos"? – debochou ele. – Só você pra acreditar nisso, pai! Há tempos tenho notado que Liz ta diferente. Ela só pode estar é apaixonada!
Snape olhou para Florence, sério.
- Você está sabendo de alguma coisa?
- Eu? Mas é claro que não, Severus! – disse ela.
- Só espero que não seja o Potter. – brincou Nicholas.
E Snape olhou para os filhos e então para a esposa, mais sério e apavorado do que antes.
- Florence? – insistiu ele.
- Sev, eu não sei de nada! Se Liz ta apaixonada...
- O que ela não está. – interrompeu Snape.
- Se ela está apaixonada. – repetiu Florence. – Eu não sei, ela não me falou nada. E de qualquer forma, isso um dia ia acontecer, portanto, acho bom você parar de me olhar com essa cara de que o mundo está desabando e aproveitar para começar a se acostumar com a idéia. – ela sorriu e continuou: - Um dia o que você fez com a filha do Lord alguém irá fazer com a sua, acostume-se!
Os gêmeos riram. Christopher não estava entendendo, mas riu junto.
Snape levantou da mesa e foi pra biblioteca, perturbado.
- Estão felizes agora? – perguntou ela aos gêmeos, séria. – Vocês sabem que Liz é um assunto delicado, principalmente se tratando de Liz e garotos.
- Mas só fizemos uma brincadeira! – defendeu-se James.
- Eu sei que a intenção de vocês foi a pior, Jamie! – ela respirou fundo, terminou de jantar e chamou Tiffany, uma elfa doméstica. – Tif, leve o jantar para Elizabeth no quarto dela e depois leve duas xícaras de chá até a biblioteca, e acrescente umas quatro gotas de calmante na xícara de Severus. – ela levantou assim que a elfa rumou para a cozinha e foi para a biblioteca.
Lá, ela encontrou o marido sentado numa poltrona de frente pra lareira, os olhos fechados, um copo de firewhisky pela metade sobre a mesinha de centro.
- Sev. – ela chamou sentando na perna dele.
Ele abriu os olhos, olhando para a esposa.
- Eu sei que isso ia acontecer, mas...
- Nós já tivemos essa conversa antes. – interrompeu Florence. – E eu não sei mesmo se ela está apaixonada, se ela estiver, eu espero que ela não seja abençoada pelo Encantamento, mas se ela for e... – ela hesitou, sabia que tocaria num assuntou muito delicado, mas prosseguiria. - ... se ela estiver apaixonada pelo Harry, - Snape olhou pra ela, medo e raiva nos olhos. Florence continuou: - ... se ele for o predestinado dela, não haverá nada a ser feito.
- Isso-não-está-acontecendo. – rosnou ele. – Isso não vai acontecer! Eu não quero ninguém colocando as mãos na minha filha, muito menos o Potter!
- Como eu disse antes: se eles forem predestinados, não haverá nada a ser feito.
- Se eles fossem predestinados você já teria percebido e teria me falado. Não teria? – inquiriu ele, sério, tentando invadir a mente da esposa via legilimens.
Florence riu.
- Esqueça, Severus. Você não vai conseguir arrancar mais nenhuma palavra da minha boca, e muito menos da minha mente. – ela levantou do colo dele e pegou as duas xícaras que apareceram sobre a mesa de centro, uma preta e outra desenhada. Deu a preta para ele, a que ela sabia que estava com calmante, pois era a "de estimação" do marido, e sentou no sofá.
Snape bebeu o chá todo de uma vez e foi sentar ao lado da esposa no sofá.
Ficaram em silêncio, ambos pensando a mesma coisa, apesar de ângulos diferentes:
Snape: "Liz não pode estar apaixonada, muito menos pelo Potter. Não pode! Não quero ele tocando na minha filha! Muito menos se forem predestinados! Não quero Liz ligada a ele de forma que for!"
Florence: "Agora tenho mais um problema... além de impedir que Liz se entregue para o Potter cedo demais, tenho que cuidar para que Severus não desconfie de nada..." – foi então que ela lembrou: - "A oclumência! As aulas que Dumbledore pediu para que Severus desse a Harry!"
- Sev... eu sei que você deve estar doido de raiva do Harry só em pensar que ele pode estar envolvido com Liz... por isso eu gostaria que você não desse oclumência pra ele. Deixe que eu me encarregarei disso.
- Então, você está mesmo sabendo de alguma coisa? – insistiu ele, encarando-a, uma sobrancelha erguida.
- Não. Mas eu sei que você transformará essas aulas em um campo de batalha e sei que quem sairá destruído será o garoto. Esta é a última coisa que Harry precisa: mais um pra entrar na cabeça dele e perturbá-lo! Eu darei aulas a ele, combinado?
- Que seja. – rosnou Snape, contrariado.
Florence terminou o chá e os dois foram para o quarto. Ela tentava não rir da expressão que via na cara do marido, a mesma que vira logo antes do jantar, no rosto de sua filha.
Manhã seguinte
Mansão Snape
Liz acordou com vários embrulhos aos seus pés, mas havia algo que ela procurava lá. Uma carta de Harry.
Estava lá. Com um sorriso enorme, Liz abriu a carta, sentindo o coração bem mais leve.
Lizzie,
Seu presente está comigo, e acho mais seguro para a minha integridade física, entregá-lo pessoalmente, para não fazer seu pai suspeitar de nada.
Aliais, acho que Sirius contou a sua mãe sobre o que aconteceu nas férias de verão. Ele também veio com várias conversas chatas para cima de mim, como se eu não estivesse assustado o suficiente.
A propósito, Feliz Natal!
Sinto sua falta, te amo muito,
Harry Potter.
Elizabeth levantou-se rapidamente, tomou banho, perfumou-se e colocou uma das roupas que ainda não havia usado. Morgana, acordada pela agitação da dona, ficava passando entre suas pernas.
- Você vai me derrubar!
E não demorou. Enquanto tentava pentear os cabelos, e caminhar até o banheiro, Liz tropeçou, levando ao chão alguns vidros quando bateu na cômoda. Nada quebrou, mas Florence acordou.
- O que está fazendo?
- Feliz Natal para você também! - disse Liz, irritada.
- Já está se arrumando para o almoço? Só vamos mais tarde, Liz.
- Eu sei. - mentiu.
Florence afastou os presentes, ainda fechados, e sentou.
- Fique o mais longe possível de Harry. Seu pai está indo, e ele está desconfiado.
- COMO? - gritou - Você não me disse que ele ia! De que adianta eu ir, se tenho que ficar longe do Harry?
- Tudo bem! - disse Florence, irritada - Se você prefere assim, não vamos.
Elizabeth ficou desesperada.
- Desculpe. - pediu Liz, mais calma - Está bem. Fico longe do Harry.
- Ótimo. Agora acorde seu pai. Mas se desarrume um pouco, ele está precisando da garotinha dele.
Liz bagunçou o cabelo com as mãos e ficou só de meias.
Como antes, Liz entrou no quarto dos pais, sem fazer barulho, subiu na cama e o sacudiu suavemente, ouvindo alguns resmungos.
- Feliz Natal. - sussurrou.
- Feliz Natal, querida. - disse Severo, observando a filha.
Apesar de bem mais velha, a filha tinha algo que o lembrava de quando era pequena. Neste momento, teve quase certeza de que ela não estava apaixonada por garoto algum. Ele estava grávido, mais uma vez.
Obrigada Florence, pela "ajuda". Na verdade, esse cap é praticamente seu :)
Florence: Vou começar próximo cap hoje, aposto que não demora.
Gente, comentem POR FAVOR! Espero realmente a opinião de vocês. Preciso muito dela.
Beijos!
