Férias de Verão

Junho de 1997

Mansão Snape

Ela estava há pouco tempo em casa, mas não agüentava mais de tanta ansiedade. O pior era não ter nenhuma idéia de quando iria ver Harry novamente. Depois da morte de Dumbledore, eles haviam trocado poucas palavras, e Harry saíra da enfermaria furioso com ela. E até agora, Liz não tinha recebido nenhuma carta dele, nem enviado uma.

Mas, numa tarde quente, uma coruja branca apareceu em sua janela, e ela abriu a carta, animada.

"Lizzie,

Vou com Rony atrás daquilo, em Agosto.

Sinto sua falta.

Espero poder ver você logo.

Beijos."

Curto, direto e, para Liz, mal educado.

Ela estava estranhamente sensível, por causa de tantas coisas que aconteceram ao mesmo tempo... saudades de seu pai... saudades de Harry... e uns enjôos que nunca a abandonavam pela manhã.


Julho de 1997

Mansão Snape

Sozinha em seu quarto, deitada, olhando para o teto, Liz pensava em tudo o que havia ocorrido antes das férias.

Desde a morte de Dumbledore, ela e Harry não tocaram mais no assunto Severo Snape, e após o inicio das férias, não trocaram nem cartas.

Na verdade, Harry havia mandado uma carta, apenas uma, mas Liz preferiu não responder, algo a incomodava, muito: sua menstruação estava terrivelmente atrasada.

E outra coisa que a preocupava muito era seu pai. Pensava o tempo todo nele, se estava bem, seguro... e chorava constantemente, inexplicavelmente.

- Liz, eu chamei sua avó... ela está vindo tomar um chá com a gente. - disse Florence, entrando no quarto da filha.

Disfarçando as lágrimas, Elizabeth levantou e foi até o banheiro, pentear os cabelos.

- Querida, não chore... - pediu Florence, triste, pegando o pente das mãos da filha e penteando levemente os cachos negros bagunçados.

- Está tudo bem, mamãe. - Liz falou, fungando.

Florence abraçou a filha, preocupada.

- O que está havendo, Liz?

- Estou pensando no papai. - disse Liz - Acha que ele está bem, mãe?

Por um momento Florence não disse nada, pensando em como responder. Ela mesma estava incerta sobre isso, mas algo dentro de si tinha a resposta.

- Sim, eu acho que ele está bem. - respondeu - Se tivesse acontecido alguma coisa, acredite, já estaríamos sabendo. Remus me avisaria se tivessem capturado seu pai.

Mais tranquilas, as duas esperaram por Eileen, que não demorou a chegar. As três subiram para o quarto de Florence que era o mais arejado da casa, tendo uma grande sacada com vista para o pátio dos fundos.

- Eu trouxe a encomenda. - disse Eileen, pegando um vidro grande em suas vestes.

- Pra que trazer tanto? – riu Florence.

- Pras próximas vezes. – brincou Eileen.

- Acha que eu sou o quê? Uma fábrica de bebês? – riu Florence.

- Um teste de gravidez? - questionou Liz, assustada.

- Como raios você sabe que isso é um teste de gravidez? - perguntou Florence, mais assustada ainda.

Elizabeth ficou branca, não sabia o que responder. Tentou o mais óbvio:

- Vi em um livro.

As duas pareceram acreditar, afinal, tinham algo mais importante a discutir.

- Rápido, Florence. Vamos ver se vem mais algum netinho por ai. - disse Eileen, sorrindo.

Florence separou um pouco do líquido transparente em um vidro menor e foi ao banheiro, cortou a ponta do dedo e pingou uma gota do sangue dentro do líquido vidro. Ela adoraria ser mãe novamente, mas o momento não era dos mais oportunos. Como sempre.

Finalmente Liz percebeu o que acontecia. Aquele teste não era para ela, era para sua mãe. Suspirou, mais tranqüila. Sua avó percebeu. Mas antes que Eileen pudesse perguntar qualquer coisa, Florence voltou do banheiro, exibindo o vidrinho com o líquido anil, um sorriso no rosto e lágrimas nos olhos.

Eileen gritou de felicidade e as três se abraçaram.

Desceram para a cozinha, para tomarem um chá, mas sem que percebessem, Liz ficou para trás. Havia mais do líquido transparente no vidro grande que sua avó trouxera.

- Só para garantir. - disse para si mesma, pegando um vidro pequeno no armário de poções do quarto dos pais e colocando nele um pouco do líquido, ela correu para o seu quarto.

Nervosa, cortou o dedo como sua mãe fizera, pingando o sangue no líquido, que, igual ao de sua mãe, ficou anil. Ela sentiu a respiração acelerar e sentou na cama, desesperada, segurando o vidro na mão, sem saber o que fazer, nem o que pensar.

Florence abriu a porta do quarto, sorrindo ao ver a filha.

- Aqui está você... venha tomar o... - o sorriso morreu ao ver o vidro nas mãos da filha. - Diga que esse é o meu vidro. - pediu Florence, apontando para o vidro, pavor nos olhos.

Liz começou a chorar e ela entendeu.

- Ah, não... Elizabeth... não... – ela não sabia nem o que dizer. – Você... não tomou a poção? Por quê? – exasperou-se Florence.

- Não! Eu não me esqueci... eu tomei a poção direitinho!

- Como pode você ter engravidado tomando a poção? – quase gritou Florence.

- Da mesma forma que você! – concluiu Liz, quase gritando também.

E Florence compreendeu:

- Ele alterou a poção! – murmurou ela.

- Quem?

- Seu pai! Ele sabia que eu estava fazendo minha própria poção anticoncepcional e ele deve tê-la alterado pra que ela não tivesse efeito! – Florence estava furiosa.

Eileen entrou no quarto, preocupada.

- Eu ouvi gritos, o que está havendo?

Liz esticou pra avó o vidrinho anil.

- Mas... o que...? – começou Eileen, sem entender.

- Liz está grávida, madrinha. – murmurou Florence, sentando ao lado da filha na cama. – Do Harry!

- Mas como? Você não deu a poção anticoncepcional pra ela? – exclamou Eileen.

- Sim, a mesma poção que eu estava tomando.

- Mas, então...? Você deve tê-la feito errado, Flor.

- Madrinha, você lembra de como eu fiquei grávida de Sophie?

- Sim. – Eileen riu. – Severus alterou a sua poção... – ela parou de falar, compreendendo. – Aih... ele vai enlouquecer quando souber que por culpa dele a filha acabou grávida do menino-que-sobreviveu.

- Eu nem quero pensar nisso... ele não pode saber de nada, por enquanto, nem sobre a minha gravidez e nem sobre a de Liz. – Florence suspirou. – Precisamos falar com Pomfrey... saber de quantos meses você e eu estamos.


A medibruxa chegou naquela mesma tarde e examinou as duas.

- Eu estou começando a me sentir velha. – disse Pomfrey. – Eu fiz o seu parto Elizabeth. Fui eu quem tirou você da barriga da sua mãe e agora... eu farei o parto do seu filho.

Florence riu.

- Eu me sinto tão velha quanto você, Poppy. – disse ela.

- Não me venha com essa, Florence! – ralhou Pomfrey. – Você é veela, tem 5 filhos e está grávida de novo e parece que não tem mais do que 25 anos!

Elizabeth não disse nada, ainda estava assustada com a idéia de ser mãe.

Florence percebeu o nervosismo da filha.

- Está tudo bem Liz, - ela segurou as mãos da filha - Vai dar tudo certo com nós duas.

"Eu espero" – pensou Liz, ao mesmo tempo em que muitas perguntas lutavam pra pular de sua boca: "Como é um parto? Dói? E pra amamentar, como faz?" – respirou fundo, depois perguntaria isso pra sua mãe.

- Bem, vocês estão com quatro meses. - anunciou Pomfrey.

- Quatro? - questionaram Liz, Florence e Eileen ao mesmo tempo.

- Bom... - a medibruxa sorriu - Dois meses cada uma.

Florence, já recuperada do susto, perguntou o que Eileen mais queria saber:

- Então, o que esperamos: meninos ou meninas?

- Dois meninos e uma menina. – respondeu Pomfrey.

- Como assim? – espantou-se Liz.

- Florence, novamente, você está esperando gêmeos. – explicou a medibruxa.

- Dois meninos, de novo? Dois pestinhas? – brincou Florence.

- Não, um menino e uma menina.

- E eu estou esperando um menino? – perguntou Elizabeth, sorrindo nervosa.

- Um menino. – sorriu a medibruxa. – Posso ter a audácia de perguntar quem é o pai?

Liz olhou pra mãe, apavorada. Florence sorriu e respondeu:

- Harry.

Pomfrey piscou duas vezes e balançou a cabeça, como se alguém tivesse lançado um Confundus nela, e perguntou:

- Harry? Harry Potter?

- Sim, Poppy. – disse Florence.

- Severus ainda não sabe, correto? – exclamou a medibruxa.

- Não. – riu Florence.

- Pobre Harry... – murmurou Pomfrey, rindo.


Desculpem a demora, probleminhas:

aí está a fic, e eu quero comentários. Poxa, capt revelador, né?

Beijos para Mily e Flor.