Alguns dias depois

23hs

Florence lia deitada na cama, Sophie e Christopher adormecidos ao seu lado, quando ouviu barulhos no andar debaixo.

Ela pegou a varinha, vestiu um robe e desceu devagar, silenciosamente.

Quando chegou à porta da cozinha, ela o viu, sentado, tomando um chá.

- Severus! – ela exclamou, correndo para abraçar o marido.

Ele levantou da cadeira e envolveu a esposa nos braços. Florence chorou ao sentir os braços dele ao seu redor.

- Não chore, Flor... – murmurou ele.

- Quanto tempo faz que você chegou? – ela secou o rosto, tocando o dele, sorrindo.

- Alguns minutos. Eu pedi pra Tiffany não te acordar, eu já ia subir...


Elizabeth acordou quando ouviu um barulho e levantou da cama, assustada. Chegou no corredor e ouviu vozes vindas da cozinha, desceu as escadas e reconheceu a voz de sua mãe sussurrando coisas que não podia entender.

- Mãe? – ela perguntou baixinho, caminhando até a cozinha.

Foi quando esfregou os olhos por causa da luz da cozinha e viu que havia alguém mais ali.

- Pai! - exclamou, correndo até ele, quase caindo. Ela o abraçou, murmurando: - Senti sua falta.

- Eu também senti a sua, Liz. – disse Snape.

Severo afastou-se um pouco, para beijar a testa da filha, e encontrou os olhos verdes dela avermelhados e o rosto com marcas de lágrimas.

- Liz, não chore. - pediu ele, voltando a abraçá-la. – Que mulheres choronas as dessa família. – brincou ele.

Liz riu e sentou ao lado do pai, aceitando a xícara de chá que Tiffany lhe servira. Ela tentou controlar as lágrimas que queriam descer. Não podia ficar tão sensível, tão afetada, na frente de seu pai. Só ia preocupá-lo mais ainda.

"Como se ele já não tivesse motivos o suficiente para se preocupar..." – pensou ela, mas duas lágrimas rolaram.

- Não chore, menina Elizabeth... – murmurou Tiffany. – Aqui, Tiffany acabou de tirar do forno, o bolo de chocolate que a menina adora. – e a elfa serviu um prato do delicioso bolo. – Ainda está quente, como Tiffany sabe que Mestra Florence e a menina Elizabeth gostam!

Florence percebeu que aquilo não daria certo, ela estava com desejo de comer o bolo, por isso pedira à elfa que fizesse, mas pela cara da filha percebeu que a menina enjoaria.

- Não, Tiff, acho que Liz não quer... – começou a dizer Florence, mas foi tarde, Tiffany já tinha colocado o prato na frente de Elizabeth.

E Liz olhou pro enorme pedaço de bolo no prato a sua frente e sentiu o mundo girar e o jantar que havia comido subir em sua garganta. Ela olhou apavorada para a mãe.

"Controle-se na frente do seu pai." – ela ouviu a voz de sua mãe em sua cabeça.

Snape percebeu o olhar fixo da esposa nos olhos da filha. E suas desconfianças aumentaram quando, com a mão na boca, Elizabeth saiu correndo para o banheiro.

- Florence... – inquiriu ele. – O que está acontecendo aqui?

Florence comeu mais duas grandes garfadas do bolo de chocolate quente e cheio de cobertura do prato à sua frente, antes de responder:

- Sabe aquela poção contraceptiva que eu estava preparando?

- Sei. – disse Snape, com um sorrisinho.

- Pois alguém arruinou ela. – Florence olhou para o marido, séria. – Mas esta pessoa não pensou que talvez outra mulher, além de mim, pudesse estar tomando tal poção contraceptiva.

E Snape começou a empalidecer.

Florence não parou de falar:

- Portanto, Severus, o que está acontecendo aqui é um reflexo de uma poção arruinada. – ela comeu mais um pouco do bolo e falou, lentamente: - Eu estou grávida. – ela bebeu um gole do chá e olhou para o marido, largando a bomba: - E Elizabeth também.

Snape ficou calado, encarando a esposa, como se esperasse que ela pulasse e dissesse: "Brincadeira!". Mas quase um minuto de silêncio depois, Florence se servia de um segundo pedaço de bolo e o cobria de calda, quando ele voltou a falar:

- Explique.

Ela olhou para o marido.

- Quer que eu te explique como eu e sua filha acabamos grávidas? – riu ela. – Eu, você já esperava, obviamente. Eu estou grávida de dois meses e de gêmeos, um casal.

Snape sorriu, ficando sério, em seguida:

- E Liz?

- Ela estava namorando um rapaz... já faziam três anos.

- Três anos. – repetiu ele. – Ela estava namorando, não está mais?

- Não sei... há uma certa, implicação, um problema que impede eles de continuarem namorando... – começou Florence, cuidadosa.

- Uma implicação? – Snape teve medo de perguntar quem era o namorado de Liz, o pai de seu neto.

- É. O namorado dela, o pai do nosso neto, está em um tipo de missão...

E Snape largou a xícara na mesa, abaixando a cabeça nas mãos, recebendo a confirmação do que já sabia.

- Eles são predestinados. – largou Florence.

E ele ergueu a cabeça, apavorado.

- Não. Não...! Ela já é preciosa demais pra essa guerra... mais isso, agora... – ele falou alto.

- Eu sei. Mas eu não pude impedir. O Encantamento... você melhor do que ninguém sabe como é. – disse Florence.

Elizabeth voltou à cozinha neste momento e Snape olhou pra ela, sério.

Liz olhou pra mãe.

- Ele já sabe. – confirmou Florence. – E... reagiu melhor do que eu imaginava.

- Por que o Potter, Elizabeth? – perguntou Snape. – De todos... o Potter?

Liz não soube o que dizer ou fazer. Por precaução, ela se aproximou da mãe.

Então, os gêmeos entraram na cozinha.

- Não comece, pai! – disse James, rindo. – Preferia o quê? Que fosse o Weasley?

- Sim, nós ouvimos tudo. – disse Nicholas. – Estávamos ali na sala, quietinhos.

- E concordamos com a mamãe. – disseram juntos.

- Você realmente reagiu melhor do que esperávamos. – disse James, olhando para o pai em respeito.

- Vocês sabiam? – perguntou Snape.

- Sim. – concordaram juntos.

- Pegamos o Potter aqui em casa numa madrugada. – disse Nicholas.

Elizabeth corou.

Florence interviu:

- Chega, meninos.

- Naquela noite, na biblioteca... – murmurou Snape. – Eu sabia que algo estava errado... – ele olhou acusatoriamente para Florence. – Você...

- Sim, eu te enganei, usei meu poder veela para te seduzir e levar você de volta para o quarto para que você não visse o Harry aqui. Grande novidade, Severus! – disse Florence, rindo. – E foi você quem pediu pra que isso acontecesse, ninguém mandou você alterar a minha poção! – lembrou ela.

Snape olhou para a filha e para a esposa.

"Vou ser pai e avô..." – pensou ele. – "E pai de mais dois..." - e ele levantou da cadeira.

- Iih... é agora, ele vai explodir. – comentou James.

- Tiffany, traz pipoca! – pediu Nicholas.

Snape caminhou até a filha e a esposa e se pôs em um joelho.

- Eu... amo vocês duas. E eu... estou com tanta raiva do Potter que... – rosnou ele.

- Pai... – disse Liz, controlando para não chorar. – Não faça nada com Harry, não quero que meu filho nasça órfão.

- Agora eu tenho um novo motivo para caçá-lo... – Snape murmurou e respirou fundo. – Ele vai ter que... apesar de eu ser totalmente contra... ele vai ter que arcar com as responsabilidades, ele vai ter que... casar com você. – disse ele, fechando os olhos, como se aquilo doesse para ser dito. – Ele não sabe?

- Não. Eu mesma descobri há dois dias. – disse Liz.

Snape olhou para a esposa e respirou fundo, mais uma vez.

- Você vai ter que aceitar isso... – murmurou Florence.

- Apenas não me odeie, pai... – choramingou Liz, com lágrimas rolando.

- Eu jamais odiaria você, minha linda. – ele beijou os cabelos da filha. – Apenas mantenha o Potter bem longe de mim. Sempre.

Liz e Florence riram.

- Ah, acabou assim, sem brigas? – reclamou James.

- Uuuu... – vaiou Nicholas, atirando pipoca nos pais e na irmã.

- Por Merlin, que eu não tenha mais dois iguais a vocês... – disse Florence.

- Ai, mãe, assim magoa. – disse James, se fazendo de ofendido.

- Já que acabou a festa aqui, vamos indo, James. – disse Nicholas.

- Indo aonde? – perguntou Snape.

- Festa. – responderam juntos.

- Cuidem-se, por favor. – pediu Florence.

Assim que os gêmeos saíram, Liz bocejou.

- Está na hora de você ir descansar, filha. E eu também. – disse Florence.

Os três subiram.

Snape manteve-se calado o tempo todo.

Liz foi para o quarto dela.

Florence temeu que o marido explodisse a qualquer momento.


Ao deitarem, Snape finalmente falou, abraçando a esposa:

- Prometo nunca mais alterar sua poção contraceptiva, Flor...

Ela riu.

- Mas o que te apavora mais? O fato de ser pai de mais dois, ou de ser avô?

- Nem um nem outro... o que mais me apavora é o fato de minha filha estar grávida do menino-que-sobreviveu-uma-vez-mas-que-pode-não-sobreviver-de-novo...

E Florence o olhou, percebendo o quanto a guerra estava fazendo mal ao seu marido. Nem mesmo o fato de Potter ter dormido com sua filha o incomodava. Ou talvez Snape estivesse apenas evitando pensar na maneira como seu neto fora feito.


Setembro de 1997

Mansão Lupin.

Estavam, todos ali.

Várias pessoas da ordem, todos, ou praticamente todos, nenhum pouco satisfeito com a presença da família Snape ali, apesar de Snape não estar com eles. Principalmente com os gêmeos. Era tudo muito óbvio agora.

Florence explicou tudo, os planos, o que Dumbledore havia dito, tudo. O único que se opôs ao eloqüente discurso foi Kingsley.

Mas como a maioria os apoiava, a família Snape ficou na sede da Ordem da Fênix.


- Você devia esquecer ele. - disse James.

Liz e os gêmeos estavam num quarto, jogando um jogo de tabuleiro trouxa.

A garota andava preocupada com Harry, apesar de ainda chateada com ele.

- Já esqueci. - mentiu Liz, jogando os dados.

- Ele é um idiota. - comentou Nick.

Elizabeth olhou para os irmãos, irritada.

- O que foi? Não havia esquecido ele? - perguntou Nick, irônico.

Ela levantou, olhando irritada para eles.

- Só porque eu estou brigada com Harry, não quer dizer que vocês possam ofendê-lo. Ele é o pai do meu filho.

- Nem me lembre. - disse James.

Ela saiu do quarto, irritada com os irmãos. Sua mãe estava em uma sala, sozinha.

- Alguma notícia do papai? - perguntou, sentando ao lado dela.

- Não. Ainda não. - respondeu Flor, sorrindo.

Elizabeth não agüentava mais ficar naquela casa. Parecia que alguns lá tinham medo, raiva ou nojo dela. Estava ficando ainda mais irritada.

- Mãe, por que não podemos ir embora? – choramingou ela.

Florence também queria ir, mas sabia que ali era o lugar mais seguro.

- Você sabe. Segurança. - disse, abraçando a filha - Vai ficar mais tranqüila quando Harry voltar.

- Ele é um idiota. - reclamou Liz.

- Finalmente concorda com seu pai. Mas é meio tarde, não acha? Aliais, você só está com raiva dele. E nem está com tanta raiva assim, Liz. Só está irritada por causa dos hormônios... eles são terríveis quando se está grávida!

- Como você consegue ficar assim... feliz e calma... estando grávida e sabendo que o papai está lá fora, do lado do... seu pai, correndo perigo.

- Eu já estou acostumada com essa sensação, Liz. Eu já tive 5 filhos, 4 gestações, os hormônios ainda me enlouquecem mas eu consigo me controlar. Agora, sobre o seu pai estar correndo perigo. – Florence respirou fundo. – Isso me preocupa, muito. Mas eu tenho como saber se ele está bem. Mais uma "bênção" do encantamento. Se o pai do seu filho estivesse sofrendo, ou triste, irritado, você saberia...

Elizabeth revirou os olhos, irritada novamente por conta daquela história de "encantamento".

Ouviram risadas e a voz da senhora Weasley. E, em seguida, algo que parecia ser um choro.

Preocupadas, as duas desceram, esperando pelo pior.

A cozinha estava cheia de gente, todos que agora estavam rindo, contentes.

Assim que Liz chegou lá, pode ver Harry no meio de todos. Sujo, com alguns arranhões, mas vivo.

Raiva e saudade tomaram conta dela ao mesmo tempo, em uma batalha interna, onde o seu amor, motivado pela força do encantamento, venceu a luta, fazendo Liz sorrir e chorar ao mesmo tempo.


Harry viu a namorada descer as escadas e teve medo que ela estivesse brava com ele. Mas no momento que Liz sorriu ao vê-lo, Harry acabou com a distância entre eles, abraçando Liz, que deixava algumas lágrimas caírem.


Desde a morte de Dumbledore, haviam sido tantas lágrimas que ter o namorado ali com ela era felicidade demais para não ser aproveitada.


Nota:

Se você está feliz, bata palma! *clapclapclap*

Fiquei tão feliz com o comentário novo, que decidi postar logo.

Espero que gostem! Sev "compreensivo". rs

O nome do capítulo foi escolhido por dois motivos:

Primeiro, estou estudando NOVAMENTE as leis de Newton.

Segundo, ele tenta se referir ao fato de Liz estar grávida porque nosso Sev alterou a poção de Florence. Mas quem disse que tudo aqui tem que fazer sentido? A autora viaja em Wonderland, ou Underland, depende do ponto de vista. Enfim!

Beijos e COMENTEM!

Florence: Já eu sempre imagino o Sev meio que dizendo "Três anos" meio leso, depois falando "ESTAVA namorando, não está mais?" Talvez isso signifique que somos loucas. Saudades da Thá, e vc? Bateu de repente. Credo.

Coraline D. Snape: Capítulo postado, senhorita! Amei seu comentário, animou meu dia. Noite, agora são oito e cinquenta e um. O Harry vai descobrir no próximo capítulo. O vinte e cinco. Se não me engano. Sou uma autora bem mais... bem menos... bom, não sou como a Florence, ok? rs

Obrigada pela review Coraline, continue por aqui. Já que isso é mais da Flor do que meu. Beijos!