Mansão Lupin

Estavam na cozinha.

Comiam em silêncio.

Quando uma voz conhecida se fez ouvir:

"O que está acontecendo?"

Florence, assim como todos à mesa, levantou a cabeça e se virou, rapidamente, olhando para os filhos que também tinha ouvido a voz de...

- Dumbledore! - espantou-se Florence, ele estava num dos quadros que tinha na cozinha, entre as duas janelas. - Mas... o que você quer aqui? - vociferou ela.

"O que aconteceu com Severus?" - perguntou Dumbledore, o semblante preocupado. – "Eu ouvi boatos que ele..."

- Como se você se importasse! - rosnou Florence."Me importo, sim, Florence. Muito. E você sabe disso."

- Ele está morrendo. E não há nada que possamos fazer... - ela gritava, em desespero.

"Nada? O que houve?"

- Nagini o mordeu.

"Ele foi descoberto." - murmurou o quadro. - "Danos irreversíveis?"

- Sim. Se ele não morrer em 24hs, nunca mais acordará. Não sabemos se foi no coração ou no sistema nervoso central, mas de qualquer forma...

"Ele vai morrer." - Dumbledore respirou fundo. "Florence, eu sei que você está desolada, triste, cansada... e eu sei que a culpa, em parte, é minha. Por isso, peço desculpas e quero que você aceite um presente."

- Se isso fizer com que você volte para o maldito buraco de onde saiu. – rosnou Florence.

Dumbledore sorriu, compreensivo, e falou:

"Antes de falecer, eu deixei instruções à Minerva... eu disse que sentia que minha morte se aproximava, coloquei a culpa deste sentimento em minha mão que enegrecia, e pedi que ela coletasse algo por mim, quando isso acontecesse, algo que seria de extrema importância para a luz na guerra. Pedi à ela que guardasse, sem jamais comentar com ninguém o meu pedido, este seria nosso segredo... vá até ela e diga que mandei que ela lhe entregasse o que coletou. Mas vá rápido!"

- Como ela vai acreditar que foi você quem mandou ela me entregar tal coisa?

"Ninguém além de nós dois sabíamos da existência de tal segredo. Vá, agora!"

- E isso poderá salvar Severus? - o coração de Florence começou a bater mais rápido.

"Eu tenho fé que sim."

- Nós vamos, mãe. – disseram Nick e James, levantando rapidamente e saindo da cozinha, entraram nas chamas da lareira, chamando por Hogwarts, diretoria Grifinória.

"Espero que a Família Snape ainda tenha muito o que comemorar ao final desse pesadelo, Florence. O amor de você e Severus é uma das luzes de esperança dessa guerra."

Florence não disse nada, nem mais olhou para Dumbledore.

Menos de dez minutos depois, os meninos reapareceram na cozinha, uma confusa McGonagall com eles.

- Dumbledore? - exclamou ela.

"Minerva. Tudo bom? Bem, entregue o que você coletou a meu pedido para Florence." - e McGonagall, ainda sem compreender o que o ex-diretor estava fazendo ali, passou uma pequena caixa para as mãos de Florence. Dumbledore olhou para Florence, sorrindo. - "Querida, faça seu marido beber o líquido que há no pequeno vidro aí dentro."

- E o que é...?

"Você saberá." - e, com um sorriso, ele saiu pela moldura, o quadro ficando quase correu escada acima com a pequena caixa nas mãos, os filhos a amparando. A falta de Liz fazia seu coração doer ainda mais.

- Nick, James, ergam seu pai para que eu possa fazê-lo engolir o que quer que isso seja. - ela retirara o vidrinho de um líquido transparente de dentro da caixinha.

Florence se aproximou de Snape, desarrolhando o vidro. Ao fazer isso, o líquido em seu interior transformou-se, tomando cor de ouro, e um som melodioso, lindo, tomou conta do ambiente.

- Fawkes... - murmurou Florence, com água nos olhos.

- A fênix de Dumbledore? - perguntou James. - Isso é... são lágrimas de fênix?

- Não apenas isso... – Florence compreendeu. - São as últimas lágrimas que Fawkes chorou pela morte de seu dono! Há muitas lendas que falam sobre este líquido, falam sobre seu enorme poder, dizem ser tão poderoso que povos antigos se dirigem a ele como o Elixir da Ressurreição... - e ela tratou de despejar todo conteúdo dourado do vidro na garganta do marido que mal respirava.

Todos ficaram observando Snape, esperando que algo acontecesse. Qualquer coisa!

Passaram-se dez minutos e nada.

Meia hora.

Nada.

1h depois, Snape continuava da mesma maneira.

Florence e os filhos adormeceram.


Mansão Malfoy

O quarto era grande, luxuoso. Liz estava deitada em uma cama de dossel, chorando, seu corpo sacudindo com os soluços.

Era tanta tristeza que as lágrimas escorriam uma atrás da outra. Sua cabeça já estava doendo de tanto chorar. Alguém havia colocado comida em uma bandeja, ao seu lado, mas não estava com fome.

Furiosa, levantou da cama, jogou o jarro de suco no chão, quebrando-o. A porta se abriu.

- O que você pensa que está fazendo? - perguntou Draco, após fechar a porta atrás de si.

Elizabeth voltou a chorar, forte. Draco se aproximou, mas ela recuou, assustada.

- Minha mãe disse que vai tentar falar com sua mãe, saber como seu pai está. - disse Draco, baixinho.

- Ele está morto, é assim que ele está! - rosnou ela.

Draco voltou a se aproximar, mas desta vez segurou o braço de Liz, para que ela não se afastasse.

- Vou tirar você daqui, mas você precisa me ajudar. - disse Draco.

- Como posso saber que não está mentindo? Você está do lado deles! - quase gritou.

- Quieta! - pediu Draco - Você precisa se aproximar de Bellatrix e ela deixará você descer. Podemos aparatar do jardim! - explicou ele - Vai ser fácil para você conquistar a confiança dela, ela adora você.

- Eu não vou me aproximar daquela... !

Draco a interrompeu:

- É a única forma de você sair daqui!

Elizabeth pensou no que Draco havia dito e na forma como a ajudou, no 5° ano, quando ela e os amigos foram pegos por Umbridge.

- Está bem. - concordou Liz, fungando - Mas se estiver mentindo, você vai se ver comigo. - ameaçou.

Draco sorriu, soltando o braço de Liz. A garota franziu a testa, irritada.

- Saia daqui, vou tomar banho. - pediu, chateada.

O loiro concordou e saiu, deixando Liz ainda triste, sozinha.


Mansão Lupin

Snape percebeu que era Lupin quem o carregava e o depositava numa cama, ele estava meio consciente. Sentia muita dor. Dor por todo o corpo, dor na alma. Dor pra cacete. Já estava acostumado a receber repetidas Cruciatus e suportava com tranquilidade os espasmos dolorosos que permaneciam por até três dias após, mas nada em sua vida o havia preparado para aquilo. Seus pulmões queimavam ao mínimo ar que neles entrava.

Sua cabeça girava, uma enxaqueca dos diabos. Seus miolos pareciam ter virado gelatina quente.

Ouviu quando Florence entrara no quarto, pode registrar seu perfume. Sentiu ela se inclinar sobre si, os lábios sobre o local onde Nagini o mordera. E a dor foi suavizando, dando lugar à uma fraqueza. E ele desmaiou antes que a esposa desabasse em seu peito.


Snape acordara, não soube dizer quanto tempo depois.

Não que tenha realmente se juntado ao mundo dos vivos novamente, os olhos mantinham-se fechados, pois até mesmo erguer as pálpebras lhe parecia um esforço sem tamanho - mas sua consciência retornara.

Podia sentir que estava sozinho no quarto, agora.

Lembrava vagamente de ter ouvido Florence lhe pedindo para não morrer.

Então, ele estava morrendo?

Não sabia dizer.

Não sentia mais tanta dor quanto antes, mas podia perceber que seus batimentos estavam fracos, sua respiração curta.

Sim, pelo jeito ele estava morrendo.

E estava consciente.

E não tinha ideia do quê fazer!

Ouvira Madame Pomfrey dizendo aos seus filhos que se ele não morresse dentro de 24hs, não acordaria mais e pediu a todos os santos em que os trouxas acreditam, a todas as entidades elementares, pediria às malditas fadas e aos duendes idiotas - se pudessem ajudar em alguma coisa -, para que fosse a primeira opção, que ele morresse logo. Ele sabia que o veneno era de efeito degenerativo e, se ele não morresse, tinha certeza de que Florence jamais aceitaria realizar eutanásia.

Aparentemente, suas preces foram ouvidas.

Estava cansado, nem se mexera e estava morto de cansaço.

Dormiu.


Acordou, sem abrir os olhos, como antes. Apenas sua consciência despertara. Um desconforto no peito, uma falta de ar, um formigamento pelo corpo.

"Então, estou morrendo mesmo."

Podia sentir Florence deitada em seu peito e mãozinhas pequenas segurando as suas.

"Sophie."

Ouvia uns barulhos que pareciam roncos.

"Nick e Jamie."

E um corpo pequeno encostado ao lado do seu, a cabeça deitada em sua barriga.

"Christopher.".

Sua família estava ali, ao seu lado, envolvendo-o, abraçando-o. Percebeu imediatamente que Liz não estava ali, e lembrou-se de Voldemort segurando o braço dela. Perdera sua filha, novamente.

Sentiu vontade de chorar.

Seu coração bateria mais rápido, se não estivesse morrendo.

Mas este bateu!

Dolorosamente. Um grito ficando preso em sua garganta seca.

Seu coração acelerara feito louco. Seus pulmões berraram por oxigênio e ele respirou fundo, abrindo os olhos, assustado, com muita dor.

Na penumbra em que estava o quarto, pode ver todos ali. Sua esposa, seus filhos, sua mãe sentada numa poltrona, ao lado da cama.

Então, não morrera? E, pelo jeito, não morreria. Pelo menos, não hoje.

Seu coração se normalizava, sua respiração não mais queimava suas entranhas. Ainda sentia dor, mas nada além do que já estava acostumado. Tentou mexer os dedos das mãos, conseguiu.

Tentou erguer a mão para retirar os cachos do rosto de sua esposa, mas não conseguiu. Grunhiu de dor, a voz arranhando sua garganta seca.


Florence sentiu o peito do marido subir e descer rapidamente e ouviu um barulho. Abriu os olhos. Negros a encaravam, um tanto assustados.

- Severus? - ela se ergueu um pouco na cama, esfregando os olhos, sem acreditar no que via. - Você está...? Você não...? - ela chorou, beijando os lábios finos dele, milhares de vezes. - Acordem! Todos! - gritou ela.

- Meu filho! - gritou Eileen, levantando da poltrona, vindo até a cama.

James levantou, secando as lágrimas do rosto, dizendo:

- Vou chamar Pomfrey! E trazer algo pro papai comer! - e ele saiu do quarto, ventando, o irmão gêmeo o seguiu, espalhando pela Ordem que Snape não morrera e não morreria tão cedo!


Mansão Malfoy

Havia passado quase uma semana e apenas alguns passeios pela propriedade aos arredores da mansão haviam sido permitidos, todos com a irritante presença de Bellatrix, e até uma vez com seu avô.

Liz esperava Draco chegar. Narcisa havia ido encontrar Florence. O loiro não demorou muito e quando chegou, sorria.

- Seu pai acordou, faz uns quatro dias. - disse Draco, feliz.

Lágrimas de felicidade vieram aos olhos de Liz, e por um momento esqueceu tudo de ruim que estava acontecendo: estar presa na mansão Malfoy, estar grávida, o perigo que sua família e Harry corriam...

- Obrigada, Draco! - disse ela, abraçando-o - Desculpe por desconfiar de você.

- Tudo bem. - disse ele, depois que Liz se afastou - Tem mais uma coisa: perguntei a Bellatrix se você podia descer agora e ela disse que sim.

Elizabeth não ficou muito animada, já que teria que passar algumas horas sorrindo para Bellatrix.

- Não ficou feliz? - questionou ele, surpreso - É a nossa chance de tirar você daqui.

- Como? - perguntou Liz - Vamos descer sozinhos?

- Totalmente. - respondeu o loiro.

O sorriso de Liz aumentou e ela voltou a abraçar Draco. A porta foi aberta novamente.

- Méro... - começou Bellatrix, parando ao ver os dois se abraçando.

Elizabeth soltou Draco e por um momento, tudo ficou branco, seu estomago girando; se algo acontecesse com Draco, a culpa seria totalmente sua! Ele a ajudava e ela o colocava em mais encrencas?

A bruxa entrou no quarto, fechou a porta, séria.

- Eu deveria ter desconfiado. - disse Bellatrix, inconformada

- Vocês passam muito tempo juntos, muito tempo. - continuou, andando pelo quarto - Seu avô não vai aprovar, não depois do que aconteceu em maio, não depois disso!

Elizabeth olhou para Draco, desesperada, pedindo ajuda.

Percebeu que ele parecia bem mais tranquilo, e olhava para Bellatrix, esperando o momento certo para falar.

- Sinto muito, tia. - começou Draco - Não me aproximei de Liz... propositalmente.

A garota olhou novamente para ele, que piscou.

"Ele deve ter algum plano. Espero." - pensou.

Bellatrix sorria discretamente, então Liz achou que deveria dizer algo para ajudar Draco a convencê-la.

- Não queria que nada de ruim acontecesse com Draco. – disse ela, pegando a mão dele - E nós três sabemos o quão ciumento e protetor meu avô pode ser.

Era uma boa desculpa, mas preocupava Liz o fato de Draco estar se arriscando tanto.

- Não vou contar nada. - esclareceu Bellatrix, sorrindo - Podem ficar na sala, por enquanto. Agora, tenho umas coisas para resolver...

Voldemort não estava na mansão, então, provavelmente, Bellatrix estava no comando. Qualquer coisa que acontecesse, qualquer novidade ou problema, era passada para ela. O Lord não queria ser incomodado constantemente.

Assim que ela saiu do quarto, Liz respirou fundo, nervosa, ainda segurando a mão de Draco.

- Você é completamente maluco! Não sabe na confusão em que se meteu! - disse Liz, preocupada.

- Acredite, se contássemos a verdade, estaria bem pior agora. Ela teve que concordar.


Os dois estavam a algum tempo na sala. Draco havia dito que a varinha de Liz estava guardada em uma das salas, que estava vazia, mas era próxima a sala onde Bellatrix conversava com outros comensais.

- Vamos precisar fazer muito silêncio. Mesmo. - avisou Draco, enquanto caminhavam até a sala.

- O que você quer dizer com isso? Que eu falo demais? - perguntou, ofendida.

Draco não soube como responder sem levar uma bronca, então resolveu ficar quieto.

Chegaram à sala e logo começaram a revirar as coisas, abrir as gavetas.

- Tem que estar em algum lugar por aqui. - disse Draco, nervoso.

- Achei! - sussurrou Liz, sorrindo.

Os dois saíram da sala, silenciosos, em direção ao jardim.

Não sabiam que eram seguidos.

- De onde podemos aparatar? - questionou Liz.

- Precisamos ir um pouco mais para frente. - disse Draco, começando a correr.

Os dois correram um pouco, mas Liz logo ficou cansada, e antes que atingissem o ponto em que Draco havia dito que a aparatação podia acontecer, Bellatrix desarmou Draco, assustando os dois.

- Então, vocês tentaram me enganar? - gritou ela - Eu confiei em vocês, achei que podia confiar...

- Você pode... - disse Liz, falsamente carinhosa - Eu só quero saber se eles estão vivos... só isso... - pediu, caminhando lentamente para trás, enquanto puxava Draco pela mão.

Bellatrix pareceu confusa, triste e depois, irritada.

- Não! - gritou a louca novamente - Você não precisa saber se estão vivos! Mas posso contar para você quando matarmos eles.

- Então, está bem. - Liz pegou a varinha e fez como se fosse entregá-la - Expelliarmus! - gritou, apontando para Bellatrix.

- Mérope! – disse a louca comensal, em tom reprovador, quando a varinha voou de sua mão. - Não deveria me desarmar!

Irritada, Liz puxou Draco pela camisa e voltaram a correr. Draco olhou para trás e se assustou.

- Não! - gritou ele, postando-se atrás de Liz, as costas nas costas dela.

Liz segurou a mão dele e eles aparataram.


Logo que tudo parou de girar, Liz abriu os olhos. Ela conseguira, estavam próximos a mansão Lupin! Os dois estavam caídos no chão.

Elizabeth podia sentir o sangue de Draco escorrendo, e imediatamente virou o rapaz de barriga para cima, para ver o estrago.

Bellatrix acertara uma faca nele. Uma faca que não deveria estar nele, e sim nela.

Sem tempo para pensar, Elizabeth respirou fundo e puxou a faca, de uma vez, exatamente no mesmo ângulo em que ela entrara, e começou a estancar o sangue com feitiços, ela logo ouviu passos. Era Lupin, que provavelmente estava observando a frente da casa, por segurança.

- Elizabeth? O que aconteceu? - perguntou Lupin.

A garota não respondeu, estava nervosa e tonta e enjoada.

- Merlin... vou buscar ajuda. - disse Lupin, que estava parado, em choque, desde que vira Liz.

Várias pessoas haviam chegado, mas Liz estava concentrada em tentar concertar os danos internos feitos pela faca que nem soube quem estava lá. Estava zonza. Finalmente o machucado parecia melhor, e resolveram levar Draco para dentro. Liz sentiu os braços de sua mãe em torno de si, e tudo ficou escuro.


Nota: Finalmente atualizei. Gosto muito desse capítulo. Estamos chegando no final da fic, bom, quase. rs

Leiam a fic "Cativa" eu fiz. Ela deveria ter apenas um capítulo, mas eu digitei mais e pretendo postar logo. Ela é um Universo Alternativo dessa fic aqui.

Beijos, COMENTEM.

Florence D. P. Snape: Esse capítulo aqui você também nem conhece.

Coraline D. Snape: Não, não, não. Voldemort não vai saber sobre o bisneto. Não agora.

Madi: Estou feliz que tenha gostado da fic! Continue comentando! Na verdade acredito que matei a Hermione. Não gosto dela. E também, iam ser meninas demais na fic. rs.