Mansão Lupin

Elizabeth abriu os olhos, só um pouquinho. Sua mãe estava lá, a olhando ansiosa.

- Não acredito que quase perdi você novamente, Liz. – disse Florence, beijando o rosto da filha.

Florence ajudou Liz a se levantar, para poder tomar um banho, ainda estava suja de sangue.

Limpa e mais calma, Elizabeth finalmente foi ver seu pai. Ele estava um pouco rouco, mas vivo. As lágrimas voltaram a rolar.

- Te amo, muito. – sussurrou ela, ainda abraçada e ele.

Encantada, Florence sentou na cama com eles, fingindo ficar chateada.

- Não ficou tão feliz quando me viu! – brincou, também com lágrimas nos olhos.

- Onde está Draco? Ele está bem? – questionou Liz, preocupada.

- Sim, ele vai ficar bem. – respondeu Florence – Não vai ficar nem cicatriz.

- Vocês não vão acreditar: ele me tirou de lá e se jogou na frente da faca de Bellatrix para me salvar! Ele realmente está do nosso lado. – contou Liz.

Florence ficou preocupada, pois apenas uma coisa como o amor para fazer Draco, um rapaz não muito corajoso, se arriscar tanto. E Severo, não comentou nada também, mas ficou irritado por agora ter dois garotos problemáticos ao redor de sua filha.

Bateram na porta e Florence foi abri-la.

- Liz, venha, é pra você. – chamou Florence no corredor.

Obviamente era Harry, e é claro que seu pai não gostaria de vê-lo naquele momento.

Elizabeth saiu do quarto para encontrar o namorado. Harry sorriu ao vê-la. Podia ver Rony ao seu lado também e sua mãe provavelmente já havia voltado para o quarto.

- Senti sua falta. – disse Harry, abraçando Liz.

- Mentira! – Rony falou – Ele não sentiu sua falta; quase morreu só de preocupação.

Liz olhou para Rony e riu.

A mão de Harry foi até seu ventre, suave. Ele já sabia.

- Quem contou a você? – perguntou Liz, preocupada com a reação do namorado.

- Por que não me contou? – rebateu Harry.

Pensou. Havia no mínimo dez motivos para ter escondido aquilo dele, mas a maioria seria praticamente impossível de ser compreendido por alguém tão teimoso quanto Harry Potter.

- Contou o quê? – questionou Rony.

Elizabeth olhou para os lados, como que verificando se não vinha ninguém.

- Isso. – disse, apontando a varinha para o ventre e desfazendo o feitiço ilusório.

- VOCÊ ESTÁ GRÁVIDA! – gritou Rony apontando para ela.

- Cala a boca! – pediu Liz, refazendo o feitiço – Nunca viu uma mulher grávida antes?

- Quem está grávida? – perguntou Lupin, chegando até eles, no corredor.

Os três não sabiam o que dizer.

- Minha mãe. – disse Liz, automaticamente.

Lupin olhou para Liz, assustado. Ele percebera que era mentira.

- Elizabeth, você está grávida? – perguntou Lupin.

- Não! - quase gritou Liz.

Remo olhou para ela, duvidando.

- Não minta para mim... - pediu, sério.

Liz pensou. Talvez devesse falar a verdade. E ela murmurou:

- Talvez eu esteja, um pouco.

Mesmo a situação sendo realmente grave, eles riram.


Sua mãe havia dito que Draco estava ótimo de saúde, mas Elizabeth ainda sentia vontade de verificar isso pessoalmente. Teve receio de dizer a Harry que ia ver Draco, assim como preferiu não falar nada para sua mãe. Todos estavam cientes do que acontecera na mansão Malfoy e cada um tinha uma suspeita sobre os sentimentos do loiro por Liz, todos praticamente iguais, claro.

Já era tarde e todos estavam dormindo. Entrou no quarto do rapaz, silenciosamente.

- Olá. – disse baixinho.

- Oi. – respondeu Draco.

Ele realmente parecia bem.

- Eu não tive tempo de agradecer antes de você começar a sangrar. – brincou Liz.

- Não precisa agradecer. Salvou minha vida também. – respondeu ele, sentando-se.

Liz nunca fora amiga de Draco, mas também nunca teve muitos problemas com ele. Pelo menos não tanto quanto Harry.

- Então, você salva a minha vida, eu arranco uma faca de você... podemos ser amigos agora? – perguntou Liz.

- Parece justo. – concluiu ele.

Elizabeth foi até a cama, sentando-se ao lado dele. Abraçou Draco, selando amizade.

- Então, doutora, quando posso sair da cama? – perguntou Draco.

- Agora! – exigiu ela – Vai descer e lavar a louça do jantar!

Luna podia estar certa. Draco sabia ser agradável.


Saiu do quarto de Draco um tempo depois, sorrindo. Caminhou pelo corredor até encontrar seu pai, irritado.

- O que você está fazendo acordada uma hora dessas? – questionou ele.

Uma boa desculpa. Rápido!

- Estou muito enjoada. – mentiu – Não estou me sentindo nada bem.

Ele pareceu comovido o suficiente.

- Vá se deitar, amanhã vai estar melhor. - disse, com uma pontada de culpa.

- Ok. - confirmou, esperando o pai voltar para o quarto.

Quando ele saiu, andou mais um pouco pelo corredor, mas não foi para o quarto onde dormia, e sim para o quarto que Harry dividia com Rony. Seu pai disse para ir deitar, mas não especificou onde. Não estava fazendo nada de errado, só "seguindo ordens".

Entrou no quarto e pode ouvir o ronco alto de Rony. Como Harry dormia com esse barulho?

Deu um tapa leve no cabelo do ruivo. Nada. Tentou com mais força, chamando ele. Nada. Beliscou o braço, chamando no nome mais alto. Harry acordou, mas Rony continuava dormindo.

- O que você está fazendo? - perguntou Harry, levantando da cama.

- Tentando tirar ele daqui. Como se acorda ele?

- Sei lá, nunca tentei. Ele acorda sozinho, quando amanhece. Mas, se ele não acorda com o próprio ronco, não vai acordar desse jeito.

- Podiamos jogar ele fora da cama! - sujeriu Liz, animada.

- Liz, não acho que seja... - começou Harry.

Mas antes do garoto argumentar, Liz puxou o lençol com força, derrubando o ruivo.

- MAS QUE DROGA! - gritou ele, assim que caiu no chão gelado - ELIZABETH!

- Cala boca! - pediu ela, olhando para a porta - Quer que meu pai venha aqui?

Rony ainda estava irritado, mas não queria que Snape viesse resolver o problema.

- Por que raios você que acordou garota? - perguntou Rony.

- Eu queria perguntar se você não trocaria de quarto comigo, só hoje. - choramingou ela.

- Por quê? - questionou ele.

Elizabeth olhou para ele: era realmente uma pergunta idiota.

- Esquece, não quero saber. - disse ele, indo até a porta - Vou embora.

O garoto saiu do quarto, irritado, batendo a porta.

Sem esperar nada, Liz jogou-se na cama em que Harry estava antes, reclamando.

- Maldito seja quem inventou a cama de solteiro. - resmungou ela.

- A cama do seu pai, na casa da sua avó, era de solteiro e não ouvi você reclamar. - lembrou ele, deitando com Liz.

- Ah, eu estava magrinha. - murmurou, tocando o ventre falsamente liso.

- Você está perfeita. - disse Harry, colocando a mão sobre a dela - E mesmo sem o feitiço, você continua maravilhosa.

- Mentiroso. - riu Liz, ficando sobre ele.

Mesmo o quarto estando escuro, Liz podia ver os olhos de Harry. E mais uma vez, nada importava, apenas aqueles olhos verdes tão sinceros e felizes por eles estarem juntos.

- Promete que vai ficar sempre comigo? Nunca vai me deixar? - pediu Liz, séria.

- Sim. - respondeu Harry, divertido - Está me pedindo em casamento?

Elizabeth não respondeu. Inclinou-se, beijando-o suavemente, sentindo as mãos de Harry segurando sua cintura, quase como uma carícia. Ela parou o beijo.

- Meu pai quer conversar com você. – avisou Liz, sorrindo.

Harry ficou nervoso, mas tentou não demonstrar.

- Tu-tudo bem. – disse ele.


Era manhã, e Harry ainda dormia. Liz vestiu-se apressada, e saiu do quarto, silenciosamente.

Quando estava no corredor, viu seu pai, e tentou entrar no quarto sem ser vista. Mas não conseguiu.

Para Severo, Liz estava entrando e não saindo do quarto.

- Pare aí, mocinha. - disse irritado, assim que se aproximou - Volte para o seu quarto. Ainda está cedo para ficar andando por aí.

- Você vai ficar me vigiando o tempo todo? Perseguindo pelos corredores? - perguntou Liz, sem medo da carranca de seu pai.

Severo pensou em modos de não perder a paciência com sua filha. Quer dizer, ela estava grávida.

Infelizmente isso o deixou mais irritado ainda. Tentou se focar em como ela iria sofrer quando Harry morresse... bom, como nada funcionava, contar de dez a zero era sempre uma boa opção.

- Você é minha filha, eu tenho esse direito. - sibilou ele, tentando controlar-se - Não vou tolerar você e o idiota do Potter se agarrando pela casa. O que vão pensar, Liz?

Elizabeth baixou o rosto, pensando no que ele dizia. Seu pai tinha razão.

- Desculpe. - pediu, sem olhar para ele.

No fundo, o que o deixava realmente furioso era Liz estar crescida, e ele não poder fazer nada para impedir.

- Vou falar com o Potter. - disse Severo, colocando a mão na maçaneta.

- Não! - gritou Liz, rápida.

- Eu não vou machucá-lo... - disse Severo.

Não era totalmente mentira. Se fizesse algo de ruim ao Potter, não seria tolo ao ponto de deixar marcas, então, para Liz, ele não teria sido machucado.

- Podia... falar com ele mais tarde... - sugeriu.

Mais tarde todos teriam acordado, levantaria suspeitas e preocupações, já que uma mulher como a senhora Weasley descobriria o estado de Liz em um segundo, era só algo chamar a atenção para a garota e pronto.

- Por quê? - questionou ele, sem entender.

Liz evitou contato visual com seu pai, corando.

- Eu vou matá-lo. - murmurou Severo, furioso.

Florence, que já saíra do quarto, aproximou-se dos dois.

- O que está acontecendo? - perguntou, preocupada ao ver a irritação do marido.

- Eu vou matar o Potter, é isso que está acontecendo.

Revirando os olhos, Florence olhou para a filha, que estava aflita.

- Volte para o seu quarto, eu resolvo. - disse Florence.

Liz hesitou por um segundo, mas acabou indo para o quarto. O que a preocupava era que Rony ainda estava dormindo.

- Como pode mandá-la de volta para um lugar onde não estava? - questionou Severo, irritado.

Era o que Florence temia.

- Ela... - começou Florence, sem acreditar no que sua filha havia feito.

- Sim, Elizabeth dormiu aqui. - exasperou-se.

Como um político sendo cobrado por resultados, ela disse:

- Vou tomar providencias.

Pareceu irritar mais ainda Severo.

- Providencias? Suas providencias não andaram funcionando, não é? Elizabeth está grávida!

Em todos esses anos, Florence nunca esteve tão perto de esganar seu marido.

- Não fui eu quem estragou a poção. – lembrou Florence – Então, vá se deitar e pare de me culpar pelo estado de Liz. Aconteceu, agora é tarde demais. Não adianta procurar um culpado, sendo que você sabe que tem uma bela parcela de culpa.

Severo não tinha uma resposta para isso.


Os dias passavam e o clima de tensão crescia pela casa, como uma nuvem pairando sobre passou aquela tarde com Harry, em uma sala da mansão, quase em silêncio, trocando apenas olhares e poucas palavras.

Estava quase anoitecendo quando Harry tirou algo do bolso. Elizabeth reconheceu imediatamente, e ficou irritada por Harry ter pegado aquilo nas coisas dela.

- O que você está fazendo com meu colar?

- Seu? - surpreendeu-se Harry - É o medalhão que fui buscar com Dumbledore, no dia em que ele morreu. É falso.

- Então acho que eu tenho o verdadeiro.

Liz levantou e correu até seu quarto, pegando algo em suas roupas: uma caixinha.

- Tirei isso do pescoço faz tanto tempo...

Dentro da caixa estava um medalhão identico ao que Harry segurava, segundos atrás.

- Vou pegar uma presa de basilisco.


N/A: Aposto que não lembram do colar, né?

Podem voltar no começo da fic e vão achá-lo, juro!

Comentem! O fim está chegando e o próximo capítulo, eu adoro.

Florence D. P. Snape: Agora vou acelerar. Tenho idéias novas que só vou postar quando acabar com OASS. Flor: acabou OASS. E agora?

Coraline D. Snape: Sim! Draco está vivo! Mas os ciúmes estão mais pra frente, principalmente no epílogo. Ops. rs

Madi: Mas o Draco foi bonzinho "com motivos". Assim nem conta!

Hatake KaguraLari: Aqui está! E vem mais. Amanhã? Hoje a noite? Vamos ver. rs