Oi, pessoal! Estou de volta (no tempo recorde de 3 meses, rs) e senti saudades! Espero que todos vocês estejam bem, na medida do possível. ❤
Bem, essa foi uma história que realmente me deixou muito motivada. Na verdade, acho que eu nunca tinha escrito tanto ou tão rápido antes. Por isso, realmente espero que vocês gostem, porque eu simplesmente adorei escrever cada palavra ^^ Como esse vai ser um ano muito atarefado para mim, vou me esforçar para postar no mínimo um capítulo por semana, todos os sábados. Mas prometo tentar postar mais um de também, quando for possível.
Eu também gostaria de esclarecer que tenho um conhecimento muito reduzido sobre tarot. Fiz uma pequena pesquisa para este prólogo, mas peço que, caso eu tenha acabado sendo desrespeitosa de alguma maneira ou escrito alguma coisa muito errada, me avisem para que eu possa corrigir, está bem?
Um abraço, boa leitura e até sábado! ❤
P. S.: Apesar do prólogo ser narrado pelo ponto de vista de Edward, a história como um todo será narrada pelo ponto de vista de Bella, que se iniciará no capítulo que vem.
Todos os personagens pertencem à Stephenie Meyer.
Essa fanfic também estará sendo postada, simultaneamente, nos sites Nyah! (como fanfic e como original), Wattpad (como original) e Spirit Fanfics.
Prólogo – Três Cartas
- Tio, Edward! Eu já posso tirar as rodinhas da minha bicicleta!
Com um sorriso carinhoso, Edward abaixou o olhar até sua pequena e saltitante sobrinha, cujo enorme sorriso no rostinho animado era nada menos do que contagiante. Organizando mais uma travessa cheia de comida na enorme mesa de madeira no meio do jardim da casa de seus pais, ele inclinou-se um pouco até Eleanor, acariciando gentilmente os cachos escuros que balançavam enquanto ela pulava alegremente.
- Eu fico feliz em ver você assim tão confiante, querida. – ele sorriu orgulhosamente, ainda que uma parte dele estivesse confuso com aquela determinação repentina - O que aconteceu para fazer você ter tanta certeza assim de que está pronta?
Desde que ele dera à Ellie sua primeira bicicleta, um presente por seu aniversário de 5 anos, dois meses atrás, ela tinha ficado igualmente obcecada e aterrorizada com a ideia de tirar as rodinhas de apoio – especialmente depois de quase cair várias vezes, mesmo as usando. Durante semanas, toda a família tinha se revezado para continuar a ensiná-la e tentar deixa-la mais confiante em seu novo brinquedo, mas sua sobrinha parecia cada vez mais convencida de que nunca seria capaz de andar de bicicleta como as "garotas grandes" – e estava desolada por isso. Ou pelo menos estivera desolada, já que agora, com suas adoráveis covinhas à mostra e as mãozinhas em cada lado da cintura, Eleanor era a perfeita imagem da confiança.
- As cartas disseram que eu não vou cair, se tirar as rodinhas. – Ellie respondeu sua pergunta, dizendo aquelas palavras com tanta naturalidade que ele quase engasgou – Você pode me levar até o parque, tio? Mamãe e papai estão ocupados e...
- Espere, Ellie... – ele a interrompeu, abismado – Quem foi que disse que você podia tirar as rodinhas?
- As cartas, tio Edward. Elas previram o meu futuro. – novamente, a absoluta normalidade com que ela falou aquilo, balançando os pequenos ombros, seria admirável, se não fosse chocante – Quer dizer, elas não disseram isso mesmo, porque elas não falam de verdade... – sua sobrinha explicou em voz baixa, como se estivesse lhe contando uma revelação importante - Mas tinha algo a ver com eu não cair, se me preparasse, e eu passei muito tempo me preparando, então...
- Ellie... – ele a interrompeu, ainda sem acreditar no que havia acabado de ouvir - Como assim "previram o futuro"? Ninguém pode fazer isso.
- É claro que pode, tio. É bem fácil. – o sorriso de Ellie se ampliou, mais animado do que nunca – É só tirar três cartas e então...
- Não, querida, ninguém pode prever o futuro, porque o futuro não é como uma folha de papel, que nós podemos ler. – ele explicou gentilmente para ela, olhando ao redor do jardim da casa de seus pais, imaginando quem de sua família havia dito aquela sandice à pobre criança. Havia poucas pessoas participando daquela reunião tranquila em plena tarde de domingo, por isso não demorou muito até que ele encontrasse a expressão divertida de Emmett, parado perto da piscina, com os lábios pressionados juntos como se estivesse tentando conter uma crise de risos. Revirando os olhos, Edward desviou sua atenção do cunhado, voltando a focá-la apenas em Eleanor. Ele não tinha nada contra alimentar fantasias saudáveis durante a infância, como o Papai Noel ou o Coelhinho da Páscoa, mas aquilo de ver o futuro nas cartas já era demais. Ele preferia que um raio o atingisse antes de permitir que sua sobrinha saísse por aí acreditando que pedaços de papelão podiam ditar o futuro dela.
Afinal, sendo uma Cullen, infelizmente, ela já estava destinada a perder o poder de decisão o suficiente durante sua vida.
- Ouça, querida, eu não sei o que disseram para você, mas não é verdade. Ninguém tem como saber o que está para acontecer. – ele a pegou no colo, mantendo o pequeno rosto na altura do dele, tentando fazê-la compreender a magnitude da verdade que estava lhe explicando - Cada um é dono de seu próprio destino. – Edward afirmou solenemente, mesmo sabendo que Ellie jamais poderia compreender o quanto ele acreditava plenamente naquilo; ela jamais poderia entender o quanto era necessário que ela acreditasse naquilo com todas as suas forças, se ainda quisesse ter o mínimo de controle sobre sua vida, no futuro – Seja lá quem tiver dito à você que algumas cartas de papelão podem prever o futuro, não passa de um charlatão.
- O que é um carlitão? – sua sobrinha inclinou a cabeça para o lado, claramente confusa, e aparentemente também um pouco desapontada pelo que ele acabara de lhe dizer.
- Charlatão... – Edward riu de sua adorável expressão - É uma pessoa mentirosa, que diz que sabe fazer algo, mas não sabe. E usa essa mentira para tirar dinheiro das pessoas.
- Oh... – as sobrancelhas de Ellie se franziram profundamente e ela permaneceu claramente pensativa por alguns segundos, até finalmente olhar por sobre o ombro dele e perguntar, quase magoada - Tia Alice, você é um chalalatão?
Encolhendo os ombros e fechando os olhos com força por um segundo, Edward deu um suspiro de constrangimento, ainda que houvesse uma parte dele que queria nada mais do que rir daquela situação. Virando-se lentamente, ele tentou conter seu sorriso de divertimento enquanto encarava a pequena figura de olhos castanhos irritados e curtos cabelos pretos, que o encarava desafiadoramente. Ele realmente tinha que começar a se esforçar um pouco mais para manter em mente que sua mais nova cunhada tinha certa afinidade com questões místicas. É claro, com aquela altura, bastava apenas uma roupa verde para que ela pudesse se passar facilmente por um gnomo ou um duende, mas aquilo era apenas um mero detalhe que ele matinha para si mesmo, ainda mais conhecendo o temperamento daquela figura. Mas, droga, mesmo depois de mais de um mês convivendo com Alice Swan, ele ainda tinha que conter uma gargalhada sempre que ela falava algo sobre previsões do futuro, destino, signos, áureas ou qualquer besteira do tipo. Não que ela fosse uma pessoa má. Longe disso.
A alegre, inteligente e efusiva Stra. Swan era tudo o que ele poderia ter desejado para seu reservado irmão mais novo: ela parecia confiável, tratava todos os Cullen muito bem e era nítido o quanto verdadeiramente amava Jasper. E, levando em consideração que não era ele que teria que passar o resto da vida convivendo com toda aquela ladainha sobrenatural de Alice, Edward estava mais do que feliz em acolhê-la na família. Ainda assim, talvez estivesse na hora de sua cunhada saber que existiam alguns limites em relação a toda aquela coisa "mística", especialmente quando se tratava de fazer a única criança da família acreditar em bobagens como aquela.
- Sério, Edward? – Alice revirou os olhos – Está dizendo à Ellie que eu sou uma charlatã?
- Bem, talvez eu tenha me expressado mal. – ele deu um sorriso torto, tentando apaziguar a situação – Escute, querida: não, a tia Alice não é o tipo de pessoa que eu falei, porque ela não se aproveita disso para tirar dinheiro de ninguém... E também porque ela realmente acredita naquilo que faz. – ele evitou até mesmo dizer algo tão bobo quanto "prever o futuro", agora focando sua atenção apenas em Eleanor – A única questão é que ninguém consegue fazer isso verdadeiramente. Isso é tudo.
- Pelo menos é o que você acredita. – Alice falou logo em seguida, a voz cortante e até um pouco entediada.
Contendo um grunhido de frustração, Edward apenas permitiu que um suspiro escapasse de entre seus lábios, enquanto encarava Alice, tentando não deixar seu incômodo transparecer muito, conforme colocava Eleanor no chão.
– Alice, eu não quero que Ellie acredite nesse tipo de coisa. Ela é apenas uma criança. E, mesmo que não fosse, eu sou completamente contra qualquer crença que acabe por fazê-la tomar decisões através de coisas completamente aleatórias, como cartas ou um horóscopo, ao invés da lógica.
- Você fala como se ela já estivesse prestes a pular de um penhasco apenas porque eu tirei as cartas para ela. – Alice revirou os olhos de novo, claramente sem dar qualquer importância às palavras dele - Não seja tão dramático, Edward. Além do mais, cada pessoa pode muito bem ter suas próprias crenças. Isso não é um problema. Eu respeito que você não goste do meu tarot. – ela cruzou os braços sobre o peito, conforme erguia uma sobrancelha - E eu acredito que uma boa maneira de você retribuir esse respeito seria não me chamando de charlatã por aí.
- Você chamou minha futura esposa de charlatã? – o grunhido revoltado de Jasper, vindo por trás de suas costas, fez Edward suspirar ainda mais alto, conforme seu irmão passava por ele, esbarrando rude e propositalmente em seu ombro, antes de se colocar ao lado de Alice, encarando-o com pura irritação.
- Ei... – Alice repreendeu o namorado, erguendo o rosto o máximo que podia, para encará-lo com provocação e falso desgosto, já que a diferença de altura entre os dois era quase risível - O que nós já conversamos sobre ir devagar? – ela cutucou a barriga de seu irmão, que era o máximo que ela podia alcançar sem que ele precisasse erguê-la nos braços.
Ali estava outra coisa que Edward adorava sobre Alice: ela era sensata. Mesmo estando perdidamente apaixonada e todo o resto daquele conjunto de clichês bobos sobre amor verdadeiro, ainda assim ela escolhera ir devagar, quando Jasper lhe pedira em casamento duas semanas atrás. Ela tinha aceitado o anel de seu irmão e ficado emocionada, é claro. Porém, também pedira que eles apenas morassem juntos e namorassem por algum tempo significativo, antes de dar um passo tão grande.
Mesmo sabendo que ela e seu irmão tinham sido feitos um para o outro, e que era apenas uma questão de tempo até que Alice finalmente aceitasse trocar sua aliança de compromisso da mão direita para a esquerda, Edward estava feliz em saber que seu irmãozinho teria ao seu lado uma mulher razoável, que tinha um pouco mais de consciência da realidade do que simplesmente aceitar se casar repentinamente com um homem que conhecia a pouco mais de um mês, por mais insistente que esse homem tivesse sido – e ele conhecia Jasper bem o suficiente para saber que seu irmão ainda não havia desistido de tornar Alice sua esposa ainda naquele final de ano.
- Eu acrescentei o termo futura como você tanto quer, não acrescentei? – Jasper deu de ombros, o semblante antes furioso repentinamente se tornando um sorriso sedutor, quando ele voltou sua atenção para Alice.
- Em minha defesa, eu não sabia que Eleanor estava falando sobre você, Alice. – aproveitando-se do momento de distração de Jasper, Edward tentou se explicar. Verdade fosse dita, a última coisa que ele queria era ofender Alice. Apesar de não compactuar com o esoterismo dela, ele já a considerava sua nova irmã e a amava como tal. As pessoas podiam considera-lo frio e insensível na maior parte do tempo, mas ninguém jamais poderia abrir a boca para dizer que Edward Cullen não amava, respeitava e protegia sua família acima de tudo - Eu achei que quem tinha dito isso a ela era um dos amiguinhos ou colegas de escola. E, em segundo lugar, eu sinto muito, mas verdadeiramente não acredito em nada disso. – ele deu de ombros, sabendo que o melhor era ser sincero com sua cunhada desde aquele momento, assim eles evitariam mais momentos constrangedores no futuro - Por isso acabei sendo desnecessariamente rude e enfático com o que eu disse. Mas, é claro, você tem todo o direito de falar sobre isso com Eleanor. Aparentemente, ela gosta.
- Sim, eu gosto! – Ellie exclamou alegremente, ainda parada ao lado deles, ouvindo sua conversa com interesse. Com um sorriso divertido na direção de sua sobrinha, Edward continuou suas desculpas.
- Mas, eu acho que também tenho o direito de expressar minha opinião sobre isso. – ele argumentou gentilmente - Talvez seja até bom para ela crescer com duas visões tão diferentes de mundo. Vai torna-la mais tolerante. E, como você bem disse, ela vai poder escolher suas próprias crenças e estilo de vida quando crescer. – dando um passo à frente, ele se aproximou de Alice, verdadeiramente se sentindo culpado quando continuou - Mas, mesmo assim, sei que o que eu disse foi desrespeitoso. Sinto muito, Alice, foi extremamente rude da minha parte falar daquela maneira sobre coisas que você acredita e são claramente importantes para você. Não vai acontecer de novo. – ele prometeu solenemente.
- Eu não estou brava com você, Edward. – Alice o tranquilizou, dando um rápido sorriso que logo desapareceu para dar lugar a uma expressão confusa e até um pouco preocupada - Mas isso é um culto e tanto à lógica, não acha? É surpreendente como você parece ser cético sobre tudo o que é sobrenatural. – ela o avaliou com curiosidade - Depois de tudo o que aprendi sobre os Cullen, esse era o último tipo de comportamento que eu esperava.
- Eu não sabia que acreditar demais na ciência e na lógica era algo ruim. – Edward resmungou, aborrecido com o fato de que aquela conversa havia acabado naquele assunto - Mas acho que cético é uma palavra que me define bem. Considero um elogio, na verdade. – ele forçou um sorriso, mesmo sabendo que qualquer um poderia perceber seu incômodo - Já tive provas o suficiente de que a única força que realmente faz diferença nesse mundo é a força de vontade. – com aquela afirmação, seu sorriso amarelo tornou-se convencido, quase satisfeito, especialmente por saber que aquela era a maior verdade que poderia existir.
- Ah, é, espertalhão? – Alice riu desdenhosamente, erguendo uma pequena caixa de madeira na altura dos olhos dele, com algumas figuras de luas e estrelas esculpidas por todos os lugares - Então porque não me deixa ler o seu futuro? Eu ainda tenho algum tempo livre antes da minha irmã chegar e eu possa apresenta-la a vocês. Quem sabe assim você não acabe descobrindo exatamente o contrário do que acabou de dizer?
- Francamente, Alice... – agora foi a vez dele de revirar os olhos, mais chateado do que nunca – Não ouviu nada do que eu falei?
- Ora, Edward, se é uma bobagem tão grande assim, que mal vai fazer, se você tentar? – Jasper o desafiou, erguendo uma sobrancelha provocativamente, enquanto passava um dos braços ao redor dos ombros de Alice, claramente satisfeito ao ver a namorada incomodar seu irmão mais velho.
- Hmmm... Então, Ellie, você quer ir até o parque andar de bicicleta, não é? – ele desviou sua atenção para sobrinha, dando-lhe um sorriso forçadamente eufórico - Vamos lá, eu levo você...
- Não, tio Edward! – sua sobrinha exclamou, brava, batendo o pequeno pé no chão coberto de grama - Deixa a tia Alice ler o seu futuro! – Eleanor gritou e saltitou animadamente, envolvendo ambas as mãozinhas em torno da dele ansiosamente – Você vai ver como é divertido e vai mudar de ideia!
- Alice vai tirar as cartas para o Edward?! – ele grunhiu ao ouvir a voz eufórica de seu cunhado se aproximando deles e nem sequer precisou olhar na direção dele para saber que certamente Rosalie estava ao seu lado – Essa eu não posso perder!
- Vai ser uma previsão do futuro ou um show? – ele rosnou, ao ver que não apenas sua irmã estava ao lado de Emmett, mas também seus pais, aparentemente tão interessados naquele espetáculo quanto sua sobrinha, já que Carlisle estava conduzindo sua cadeira de rodas rapidamente até eles, observando Edward com diversão e expectativa, conforme Esme o seguia um pouco mais tranquilamente, carregando consigo uma bandeja cheia de biscoitos: uma das várias sobremesas que eles teriam no almoço daquele dia, quando a convidada de honra, a irmã mais nova de Alice, finalmente chegasse.
- Com todo esse seu ceticismo insuportável, com certeza é o melhor show de todos. – sua irmã Rosalie sorriu maldosamente, enquanto Emmett prontamente puxava uma cadeira para que ela pudesse se sentar, acomodando a imensa barriga de 07 meses de gravidez entre as mãos, quase como se já estivesse ninando seu segundo filho ainda não nascido.
- Bem, então podem guardar as pipocas e os ingressos, porque não há nada para ver aqui! – grunhindo, Edward estava pronto para dar as costas a sua família exasperante, mas a cadeira de rodas de seu pai, estrategicamente posicionada entre ele e a mesa, o impediu – Oh, vamos lá, pai... – com um suspiro derrotado, Edward tentou argumentar, mas seus pais o interromperam, sorrindo tão divertidamente quanto Alice.
- Eu acho que Jasper tem um bom argumento, filho. – seu pai o olhou de soslaio, visivelmente bastante entretido com o incômodo de Edward com toda aquela situação. Não havia segredo de que Carlisle discordava de todo o seu ceticismo no geral, mas, quando o assunto era sua incredulidade e repulsa no que dizia respeito àquele assunto fatídico, Edward sabia que aquilo o preocupava profundamente. Sem dúvida, vê-lo no meio daquela situação devia estar sendo muito divertido para ele – e, se Edward bem conhecia o próprio pai, Carlisle também devia estar minimamente esperançoso de que ele mudasse de ideia sobre como encarava o legado dos Cullen e sua... Maldição.
- Se você realmente não acredita na leitura de tarot de Alice, então não vai fazer mal a ninguém experimentar, certo? – Carlisle concluiu, sorrindo com confiança e zombaria – Não vai mudar na sua vida, afinal.
- Qual a razão em fazer isso, então, se eu não acredito? – bufando com irritação, Edward tentou sair dali novamente, mas sua família permaneceu cercando-o, o que o fez rosnar – Francamente... Vai ser apenas um desperdício do meu tempo e do dela. Além disso, eu faço meu próprio futuro. – ele deu de ombros, enfurecido – Não preciso que ninguém me diga como ele será.
- Mas é tão legal, tio Edward... – Eleanor fez um beicinho adorável, quase implorando, conforme continuava a puxar sua mão - E assim você vai poder se desculpar com a tia Alice por ter chamado ela de cartolão. – a menina colocou o pequeno indicador dedo em riste, apontando para o rosto dele acusatoriamente.
- Edward Anthony Cullen, do que você chamou sua cunhada? – Esme perguntou devagar, parecendo prestes a dar-lhe o tipo de sermão que ele não ouvia desde que era criança.
- Isso foi um mal-entendido, mãe... – Edward suspirou, já completamente farto com tudo aquilo - E a conversa aqui não é sobre isso...!
- Bem, então a partir de agora, eu retiro meu perdão, a não ser que você concorde em me deixar tirar as cartas para você. – Alice o interrompeu, com um sorriso malvado, novamente erguendo sua caixinha de madeira, que aparentemente era onde seu precioso tarot estava guardado.
- Alice... – seu rosnado, contudo, foi rapidamente interrompido novamente.
- Vamos lá, Edward, não seja tão chato! – Emmett se sentou ao lado de Rosalie, puxando Eleanor para seu colo – Que mal vai te fazer experimentar? – seu cunhado abriu um sorriso diabólico - Ou você está com medo de finalmente começar a acreditar que Alice realmente tem poderes mágicos?
- Oh, por favor, como se isso fosse possível... – ele grunhiu, exasperado - Vocês não vão me deixar em paz até eu dizer sim, não é? – contendo-se para não xingar na frente de sua sobrinha, Edward rosnou, derrotado – Está bem, está bem... Mas que seja rápido! – ele implorou à Alice, tentando controlar sua raiva.
- Vamos lá, seu rabugento. – Alice riu, indo sentar-se na ponta da mesa e indicando que ele se sentasse na cadeira bem ao lado, organizando as duas de maneira que eles ficassem frente a frente – Prometo que ninguém vai morrer se você desperdiçar cinco minutos do seu tempo com o meu baralho. – sua cunhada sorriu, agilmente retirando as longas cartas de tarot de dentro da caixinha de madeira e começando a embaralha-las com habilidade.
- Cinco minutos inteiros? – ele grunhiu, mas ainda assim se arrastou até a cadeira, deixando-se cair ali com um suspiro emburrado.
- Primeiramente, eu gostaria que você entendesse que o tarot não serve apenas para prever o futuro. Ele é sobre se autoconhecer. E apenas ajuda na tomada de decisões, ao invés de dita-las, como você parece acreditar. – Alice o observou com altivez, explicando tudo aquilo com a mais solene das vozes - Ah, e eu não sou "adivinha", eu sou taróloga. – ela o repreendeu levemente - E uma taróloga não faz adivinhações: faz análises do que os arcanos significam. – um sorriso orgulhoso se espalhou pelo rosto dela.
- Muito interessante, Alice... – Edward bufou, já terrivelmente entediado - Já disse que não vou mais menosprezar nada disso novamente. Será que podemos apenas ir em frente? – ele lhe implorou novamente, mal conseguindo acreditar que estava realmente prestes a perder tempo ouvindo alguém falar sobre o que um bando de cartões desenhados significava.
- Só mais uma coisa: você que tem que me dizer sobre o que você quer saber, para que eu possa jogar para você. – Alice o informou, ainda embaralhando as cartas com reverência - Então, o que vai ser?
- Oh, pelo amor de Deus, Alice, apenas escolha qualquer assunto, está bem? – ele lamentou em voz baixa, exasperado.
- E então eu sugiro que perguntemos sobre o grande desafio que você está enfrentando no presente. Assim também teremos alguns conselhos sobre como você pode agir no futuro para superar seus problemas. – a expressão de Alice era nada mais do que cintilante diante daquela possibilidade - O que acha?
- Está bem, tanto faz. Apenas vamos logo com isso. – Edward bufou, não podendo impedir sua mente de pensar que não havia um grande desafio atualmente em sua vida. A empresa estava em pleno crescimento e todos os Cullen estavam felizes e saudáveis. Sem dúvida, não havia, já há muito tempo, nenhum problema que povoasse sua mente...
É claro, sempre havia o temor de que aquilo o afligisse...
Droga, porque ele estava pensando sobre isso?
Não era como se as cartinhas preciosas de Alice fossem sequer chegar perto de acertar quais eram suas verdadeiras preocupações.
- Muito bem. – por alguns longos momentos, Alice permaneceu tranquilamente de olhos fechados, aparentemente se concentrando, antes de começar a embaralhar e cortar as cartas mais algumas vezes, até finalmente selecionar aleatoriamente três delas, ainda de olhos fechados. Após coloca-las gentilmente sobre a mesa, milimetricamente uma ao lado da outra, Alice finalmente abriu os olhos e começou a explicar, colocando uma das unhas, pintada com um esmalte roxo-escuro, sobre o verso da primeira das cartas, cujos desenhos, delineados em dourado contra um fundo preto, mostravam uma lua em um céu repleto de estrelas – Essa primeira carta representa o passado, as origens da questão ou do problema pelo qual você está passando... – finalmente, após mais um momento passando a ponta dos dedos sobre a carta, sua cunhada finalmente a virou para cima, revelando a estranha figura de um ser com chifres, asas de morcego e uma expressão distorcida, acompanhado de um homem e uma mulher nus, que também tinham chifres e caudas.
- O Diabo... – Alice revelou, com o olhar desfocado.
- A carta perfeita para representar o Edward. – Rosalie riu maldosamente – Quer uma prova maior de que Alice está certa e você errado? – sua irmã o provocou, o que apenas o fez revirar os olhos novamente, cada vez mais irritado com tudo aquilo.
- Essa carta representa um vício, um excesso que te faz mal... – Alice ponderou, tão concentrada em sua análise que parecia estar alheia a tudo ao seu redor – Simboliza que há algo que você está muito determinado a fazer, ou a impedir, e isso está prejudicando você, Edward. Deve tomar cuidado com seu excesso de vontade de fazer algo acontecer ou evitar que isso aconteça, ou muitas dificuldades vão surgir para você... Ou talvez já tenham surgido. – ela o olhou com astúcia, quase como se pudesse ver através dele.
Sentando-se reto na cadeira, Edward se empertigou. É claro que não existia relação nenhuma entre as duas coisas, mas havia uma parte dele que não podia deixar de se perturbar com Alice ter mencionado sobre evitar que algo acontecesse. Evitar a maldição era a única coisa que ele ansiava desde que era criança. E, de fato, ele tinha dedicado toda sua vida adulta a pensar sobre o que faria para impedir que aquilo o atingisse, ou então preservar seu livre arbítrio, caso ele realmente tivesse o azar de ser mais uma vítima do legado dos Cullen... Mas, afinal, porque ele sequer estava pensando sobre aquilo? A fala de Alice não era nada mais do que genérica. De fato, ela poderia dizer o mesmo sobre qualquer excesso, além do excesso de temor e cuidado. Nada daquilo tinha nada a ver com ele ou com sua vida.
- Os Enamorados... – ele mal havia se dado conta de que Alice havia virado a segunda carta até que ele a ouviu anuncia-la, com os grandes olhos castanhos tão arregalados que ele quase podia sentir o choque dela como se fosse o dele próprio. Em suas mãos, havia o desenho preto e dourado de um casal estendendo as mãos um para outro sem se tocar, com um cupido sobre eles e o que parecia um sacerdote com as mãos nos ombros do casal, como se estivesse unindo-os – Então... – ele ergueu o olhar do desenho para a expressão de Alice, agora compreensiva e quase cabisbaixa – É sobre isso que você tem tanto medo? – o tom conspiratório dela e a maneira como seus olhos se encontraram rapidamente com os de Jasper o deixou saber que agora ela sabia muito bem sobre o que eles estavam falando ali. E aquilo o enfureceu mais do que ele achava ser possível.
- Eu não tenha medo de nada. – Edward rosnou, tentando conter seu temperamento, ao mesmo tempo em que a raiva o tomou ao perceber que agora não apenas Alice sabia sobre qual era o verdadeiro tema ali, mas também toda a sua família, ao julgar pela maneira como eles repentinamente se tornaram tensos e silenciosos. Maldito fosse aquele baralho de Alice e aquelas cartas aleatórias que por alguma razão incompreensível haviam acerto justamente seu ponto fraco...
Não, ele não tinha ponto fraco. Há muito tempo, ele havia prometido a si mesmo que jamais se permitiria ter aquele tipo de ponto fraco.
- Então é isso que você tanto quer evitar... – Alice o ignorou solenemente, ainda parecendo preocupada e extremamente concentrada na carta sobre a mesa - Oh, Edward, eu sinto muito, mas são esforços em vão. A segunda carta é sobre o presente e Os Enamorados representa algum tipo de relacionamento que está por vir, o que também pode significar um amor romântico... – após um momento ponderando, ela o fitou com intensidade novamente, com o rosto quase piedoso - O que você mais teme vai chegar... E será muito em breve. – ela o avisou em voz baixa – Felizmente, essa carta representa um relacionamento bom. Mas não só isso. Também representa o livre-arbítrio e uma escolha importante, que apenas você poderá tomar. Deve se preparar para tomar as decisões corretas em relação ao seu coração... – ela tocou a carta do Diabo com cuidado – Ou seu excesso de temor pode gerar complicações.
- Não, nada vai chegar! – ele rosnou devagar, sentindo a fúria toma-lo ao imaginar-se no cenário que Alice estava descrevendo – Eu não vou permitir!
- Oh, Edward. – ao invés de se assustar ou enraivecer com sua reação, o rosto de Alice apenas se tornou ainda mais simpático e piedoso. – É algo que está fora do seu controle.
Sim, ele sempre soubera que aquilo não estava sobre seu controle. E aquela era a parte que mais o enfurecia e, mesmo que ele odiasse admitir, também o apavorava. Durante os últimos anos, ele tinha visto a maldição fazer efeito diante de seus próprios olhos, cercando-o cada vez mais, como se estivesse avisando que ele seria o próximo.
A primeira fora Rosalie. Ela o tinha acompanhado, seis anos atrás, quando ele visitara o escritório de uma empresa de segurança que planejava contratar para sua agência de modelos. Eles estavam prestes a entrar na reunião quando uma das portas das salas ao lado se abriu repentinamente, quase acertando o rosto de sua irmã no processo. E Rosalie, tão temperamental quanto ele, estava claramente pronta para fazer a pessoa responsável por aquilo se arrepender de ter nascido... Até que seus olhos se encontraram com os de Emmett, que saia rapidamente de seu escritório pedindo mil desculpas, e Edward vira acontecer, diante dele, a maldição sobre a qual ouvira falar durante toda sua vida – ainda que ele fosse o único Cullen que realmente chamava aquilo de maldição.
É claro que na época ele não ficou chateado por sua irmãzinha ter encontrado o amor. Afinal, era um momento conturbado da vida de Rosalie em que ela ainda estava às voltas com seu antigo namorado de escola, um completo idiota chamado Royce King, que não valia nem sequer a sujeira sob os sapatos dela. E, mesmo que não tivesse provas concretas sobre isso, ele tinha quase certeza de que King já fora violento com Rosalie, ainda que ela se recusasse a admitir. Por isso, durante anos, todos os Cullen tinham tentando de tudo para finalmente convencê-la a terminar de uma vez por todas com aquele grande pedaço de merda... Até que ela trocou apenas um olhar com Emmett McCarthy e tudo finalmente se resolveu – especialmente depois que Royce tentou atrapalha-los e Emmett, sendo um detetive particular muito bem treinado, lhe deu a devida lição, o que, para o enorme deleite de Edward e Jasper, envolveu vários ossos quebrados por parte de King.
Obviamente, ele estava mais do que feliz por Rosalie ter encontrado a felicidade que merecia ao lado de um marido perdidamente apaixonado e de uma linda e doce filhinha que ela concebeu apenas alguns meses depois de conhecer Emmett. Todavia, ainda assim, a intensidade do amor repentino que ele vira surgir em sua irmã naquele dia fatídico o assombraria para sempre. No espaço de poucos segundos, Rosalie se apaixonara profundamente. E ele jamais esqueceria do desespero que sentiu ao olhá-la no fundo dos olhos azuis e sonhadores e perceber que a maldição a havia envolvido por completo. Eles tiveram muita sorte por Emmett ser um homem honrado e gentil, que demorara pouco tempo para retribuir o amor de sua irmã na mesma intensidade. Mas, e se ele tivesse acabado não sendo um bom homem? E se ele fosse um cretino como Royce, ou até pior? Sua irmã estaria irreversivelmente apaixonada e devotada a um homem que faria de sua vida um completo inferno e não haveria maneira de recuperar o coração dela. Ele sabia como era aquele tipo de miséria. Vira acontecer com seus próprios olhos. E jamais esqueceria.
Então, há pouco mais de um mês atrás, ele vira a maldição se manifestar novamente. Dessa vez com Jasper. Eles estavam em seu escritório, discutindo sobre os perfis de alguns influenciadores digitais que eles poderiam agenciar, quando seu irmão havia aberto o arquivo de uma das opções escolhidas por sua equipe de marketing... E Edward viu acontecer novamente. A mudança drástica no olhar, o sorriso encantado, e a expressão febril, como se a vida de seu irmão só tivesse começado a fazer sentido a partir daquele momento...
E era apenas a droga de uma foto: uma única visão da imagem daquela mulher e Jasper já estava completamente perdido.
Perdido e insano, já que sequer descansara até Alice aceitar participar de uma entrevista em sua agência e ele finalmente pudesse encontra-la pessoalmente. Ele jamais saberia o que realmente acontecera entre os dois naquele primeiro dia, mas a julgar pelo olhar incrédulo de Alice ao sair quase correndo de dentro do escritório de seu irmão e do batom escuro manchando toda a boca de Jasper, Edward tinha algumas suposições. Diferente de Rosalie, Jasper tivera que lutar um pouco mais para convencer Alice de que ele não era um completo lunático com toda aquela história de amor à primeira vista, mas, novamente, assim como a irmã dos dois, ele tivera sorte. Alice era sensata e realista, mas não fora capaz de deixar de se apaixonar por Jasper e, em apenas algumas poucas semanas, finalmente se rendera por completo, mesmo tendo conseguido convencê-lo a levar as coisas um pouco mais devagar do que ele gostaria.
E ali estavam seus irmãos, apaixonados e felizes. Com sorte, permaneceriam assim para sempre, como seus pais. Contudo, apesar de toda a alegria e amor que exalava deles, ao observá-los, Edward não podia evitar que um pouco de aborrecimento o dominasse. Não havia justiça naquelas situações. Eles foram forçados a se apaixonar daquela maneira enlouquecida. Não houvera livre-arbítrio ou sequer a oportunidade de dizer não. Talvez seu pai, Rosalie e Jasper não se sentissem como se tivessem sido obrigados a se apaixonar, mas era exatamente assim que Edward via. Sua mãe, Emmett e Alice eram pessoas fantásticas e ele os amava, mas, ainda assim, como ele poderia aceitar passivamente tudo aquilo, quando se tratava de si mesmo? Como poderia simplesmente ficar tranquilamente sentado sem fazer nada, esperando que "o destino" escolhesse quem ele amaria tão profundaria que preferiria morrer a viver sem? Por anos, ele fizera seu próprio destino. Por anos, ele fora aquele que construíra um futuro para si mesmo e para sua família. E fizera tudo aquilo com esforço, oportunidades, planejamento e lógica. O destino e a "magia", sobre os quais sua família tanto amava falar, nunca lhe deram nada além da perspectiva de ser afetado por aquela maldição estúpida.
Depois de tanto tempo sendo o único a traçar seu próprio caminho, era justo que sua capacidade de escolha fosse arrancada dele daquela maneira? Que ele se visse obrigado a amar para sempre uma pessoa que sequer sabia se seria digna de sua devoção?
É claro que não era. E era por isso ele odiava tão profundamente aquele maldito legado, não importava o que sua família dissesse. Ele não queria amar nenhuma mulher e muito menos para sempre. Não queria pertencer a ninguém. Ele queria permanecer sendo o único que tinha controle sobre si mesmo e aquela maldição poderia arruinar tudo o que ele tinha construído para si mesmo depois de anos de luta.
Tudo isso porque ele não tinha controle sobre o "amor verdadeiro" ou qualquer que fosse o outro nome ridículo que seus antepassados chamavam aquela sandice. Talvez Alice estivesse errada em chama-lo de cético: ele acreditava na existência de coisas que não podiam ser explicadas. Sendo um Cullen, seria impossível não acreditar. A diferença é que ele as desprezava com todas as suas forças e as desprezaria para sempre, especialmente se a maldição o pegasse e ele se visse forçado a amar uma mulher qualquer, contra sua vontade. Porque, mesmo que sua família gostasse de tentar fazê-lo acreditar que sua "alma gêmea predestinada" certamente seria alguém digna de ser amada, a verdade é que não havia nada que pudesse lhe dar garantias absolutas sobre aquilo.
E, em um piscar de olhos, ele poderia ser destruído pelo amor.
Como seu avô fora.
E, francamente, mesmo que a mulher com quem a maldição decidisse prendê-lo fosse a melhor pessoa do mundo, ainda assim uma parte dele a odiaria. Odiaria por não ser quem ele escolheria. Odiaria por ter bagunçado toda a vida que ele sofrera tanto para reconstruir desde que era adolescente.
Ele a odiaria simplesmente por ela existir.
Por isso, mesmo que tudo aquilo que estivesse saindo das cartas de Alice já fosse uma completa bobagem irrelevante, ela estava errada sobre aquilo também: ele tinha passado os últimos 30 anos incólume daquela maldição. Era o mais longe que um Cullen já tinha chegado, até onde ele sabia, sem encontrar um parceiro daquela forma horrenda. E, mesmo que tudo se voltasse contra ele e a mulher destinada a arruiná-lo aparecesse, ele lutaria contra isso. Céus, ele já vencera tantas coisas piores. Talvez não precisasse temer tanto seu próprio coração.
Ele certamente seria capaz de vencê-lo também, se, infelizmente, o momento chegasse.
Afinal, mesmo que todos os outros Cullen discordassem dele sobre isso, não seria amor verdadeiro, quando acontecesse com ele. Seria um feitiço distorcendo a realidade. Uma maldição afetando seus sentidos. Durante séculos, os Cullen tinham padecido daquele mal, apaixonando-se irreversivelmente e simplesmente aceitando seu destino sem reclamar. Mas não ele. Ele se mostraria imune à maldição, de um jeito ou de outro. Porque, mesmo que ela tentasse força-lo a amar alguém, ele se mostraria mais forte.
Há muito tempo, ele havia prometido a si mesmo que o coração e a vida de Edward Cullen pertencia apenas a ele mesmo.
E a ninguém mais.
- O mundo inteiro pode sair do meu controle algum dia, Alice. Mas se há algo que eu posso garantir a você... – sua voz tornou-se fria e áspera, quase como se aquilo fosse uma ameaça, não para sua cunhada, mas sim qualquer força sobrenatural que talvez achasse que poderia fazê-lo agir contra sua vontade - É que eu controlo a mim mesmo. E jamais vou permitir que ninguém mude isso. – os olhos de Alice se tornaram ainda mais tristes quando ele rosnou aquela última parte – Se não se importa, poderia mostrar logo qual é a última carta? Quero acabar logo com isso. – com um suspiro irritado, ele voltou a se recostar na cadeira, cruzando os braços sobre o peito para tentar disfarçar a tensão em seus músculos.
Alice, porém, permaneceu mais alguns segundos apenas olhando-o intensamente, quase como se estivesse tentando ler sua alma. Felizmente para ele, após vários momentos intermináveis de puro silêncio, ela desviou sua atenção para a última carta e a virou, revelando a imagem de uma imensa lua com o perfil do rosto de uma mulher estampado nela. Abaixo da lua brilhante, havia o que pareciam ser dois cachorros uivantes, parados bem ao lado de um rio onde uma espécie de crustáceo, que parecia ser algo entre um escorpião e uma lagosta, parecia prestes a ataca-los.
- A lua. – os olhos de Alice, ao invés de se arregalarem como nas outras duas vezes, agora se estreitaram com dúvida e preocupação. – É a carta que representa o que pode resolver o seu problema... Mas o significado dela fala sobre questões que ainda não estão bem delineadas e ilusões... – agora quase exasperada, Alice ergueu o olhar aflito para ele – Edward, o futuro dessa situação ainda está muito obscuro. Você tem muitos erros no seu passado e eles impactarão seu presente em breve. – sua cunhada mastigou o lábio inferior, conforme observava as duas primeiras cartas com pura inquietude – Tem que tomar cuidado. Se não começar a corrigir esses erros o mais rápido possível, eles vão definir o seu futuro e talvez você acabe perdendo algo muito importante. Talvez uma das coisas mais importantes que você poderá ter na sua vida. – Alice falou cada palavra lentamente, o pesar e a preocupação permeando cada letra, como se ela realmente estivesse revelando para ele a maior das profecias.
– Não gaste sua preocupação comigo, Alice. - com um sorriso de escárnio, Edward apenas se levantou da cadeira - Eu sei o que faço. E, acredite, se eu realmente perder alguma coisa, como você disse, saiba que foi porque eu quis perder.
- Eu realmente espero que sim, Edward. – Alice balançou a cabeça, parecendo exausta enquanto recolhia suavemente suas cartas e voltava a guarda-las – Já estou começando a considerar você o irmão que eu nunca tive e odiaria ter que vê-lo sofrer. – a maneira como ela disse aquela última parte soou como se já estivesse pronta para vê-lo chorar, o que apenas o fez rir ainda mais.
- Como eu disse, Alice, não desperdice sua preocupação comigo. Eu sei cuidar de mim mesmo. E, principalmente, sei fazer minhas escolhas.
Ela parecia pronta para tomar fôlego e dizer-lhe mais alguma coisa, quando a campainha soou, interrompendo-a.
- Deve ser a Bella! – Alice saltitou para fora da cadeira, o semblante agora completamente iluminado – Eu vou busca-la! – ela avisou Jasper, quase explodindo de alegria - Tenho certeza que todos vocês vão amá-la! E, nossa, ela vai adorar fazer parte dessa família...! – Alice continuou a falar para ninguém em específico, conforme seguia para a porta da frente, afastando-se deles rapidamente.
- Ei! – Edward exclamou ao sentir um soco em seu braço, virando-se para ver Jasper encarando-o com irritação.
- Por que você tem quer ser sempre assim? – seu irmão revirou os olhos, claramente mais possesso com seu comportamento do que Edward esperara – O tarot significa muito para Alice. A avó paterna dela também era taróloga e ela criou o canal no Youtube e depois sua marca de produtos apenas para homenageá-la. E, principalmente, além da irmã mais nova, o tarot terapêutico foi umas das coisas que mais a ajudou a não entrar em depressão, depois que o pai dela morreu. Por isso, Edward... – Jasper rosnou, fitando-o seriamente – Eu espero que você tenha mais respeito, daqui para frente! E, principalmente, que trate Bella com o máximo de cortesia que esse seu coração de pedra permitir!
- E porque eu não trataria? Ela vai fazer parte da família, afinal. – Edward revirou os olhos, já aborrecido pelo exagero do irmão – Você está com medo de que eu morda ela, ou o quê?
- Bella é uma das pessoas mais importantes da vida da Alice e eu quero que ela se sentia bem-vinda na nossa família! E, agora que você foi capaz de ofender uma coisa tão inofensiva quanto o tarot da minha namorada, apenas por causa do seu medo irracional do legado da família, eu não duvido de mais nada vindo de você.
- Eu já disse que não foi de propósito. – Edward suspirou, nem sequer se preocupando em mencionar que o que Jasper estava chamando de "legado", para ele não passava de um grande castigo – Vamos, lá, Jasper, sabe que eu nunca magoaria ninguém da família propositalmente. E eu já considero Alice minha irmã.
A verdade em suas palavras pareceu acalmar um pouco o temperamento de Jasper, já que seus ombros relaxaram e ele respirou pesadamente, antes de voltar a falar.
- Eu sei que sim, irmão, desculpe. Eu apenas não quero que Alice sinta que não é bem-vinda aqui. – Jasper suspirou, parecendo preocupado – Apresentar a irmã para todos nós é um grande passo para ela. Bella nunca conheceu a família de nenhum outro namorado dela e eu sei que vai significar muito para Alice, se todos nós também a acolhermos como uma de nós.
- E nós vamos acolhê-la. – sua mãe falou pela primeira vez, chamando a atenção de Edward para o resto da família, que permanecia ali ao lado, mesmo depois de toda a comoção entre ele, Alice e as cartas. – Se tudo o que Alice conta sobre ela for verdade, então nem sequer vamos ter que nos esforçar.
- Ela é realmente uma garota muito doce. – Jasper sorriu; o tipo de sorriso fraternal que Edward só o vira usar quando falava sobre Rosalie – E muito inteligente também. Eu sei que Alice repete isso o tempo todo, mas ela conseguiu um mestrado em Engenharia de Software em tempo recorde. É surpreendente tudo o que ela consegue fazer tendo apenas 23 anos. Eu até mesmo pensei em convidá-la para desenvolver algum programa que pudesse nos ajudar na agência...
- Tentando conquistar sua cunhada com nepotismo? – Edward não pode evitar provocar seu irmãozinho, ganhando um olhar azedo dele.
- Edward! – as vozes de ambos seus pais o repreenderam, em uníssono.
- Foi apenas uma piada. – com um risada, ele colocou a mão no ombro do irmão, dando-lhe um aperto de apoio – Se ela é tão talentosa assim, então é claro que eu não vou me opor a contratá-la. E você não tem porque se preocupar: - Edward garantiu, seu sorriso se ampliando ainda mais ao ouvir o som de passos se aproximando do jardim – Mamãe tem razão. Para mim, Isabella Swan também já é da família. E você sabe que para mim nada é mais importante do que a nossa família.
- Pessoal! – Edward sorriu carinhosamente ao ver o rosto de Jasper se iluminar quando a voz de Alice surgiu e seus olhos apaixonados se fixaram por sobre seu ombro, onde ela certamente estava; por mais que ele odiasse com todas as forças a punição sobrenatural que acompanhava o nome de sua família, ao menos tudo aquilo tinha um ponto positivo: seus irmãos mais novos, que muitas vezes ele até mesmo enxergara como seus próprios filhos, tinham tido a oportunidade de conhecer uma felicidade sem igual – Essa é minha irmãzinha, Bella!
Estampando seu melhor sorriso, Edward se virou, preparando-se para dar as boas-vindas ao mais novo membro da família...
E então aconteceu.
Mesmo com os muitos anos em que ele passara se perguntando qual era a sensação da maldição, temendo se suas reações seriam realmente incontroláveis, tentando se convencer de que talvez ele sequer seria atingido... Nada poderia tê-lo preparado para a intensidade daquela sensação. Era repentina e atordoante, como ser atingido por um raio. Era afoita e desesperadora, como a sensação de se afogar. A única diferença é que era agradável. Não, aquela não era a palavra correta. Era esplêndido. Ele repentinamente se viu querendo ser percorrido por aquela sensação para sempre. Ansiando por se afogar nos sentimentos sublimes que apenas a mera visão daquela mulher sorrindo timidamente provocou nele. E, quando finalmente seus brilhantes olhos castanhos se encontraram com os dele, Edward sentiu como se alguém houvesse destruído um muro dentro de seu peito. Como se uma geleira estivesse envolvendo seu coração e a irmã de Alice repentinamente a tivesse derretido. Graças a ela, tudo nele agora parecia quente e cálido.
Quente, cálido e vivo. Suas mãos doeram por tocá-la. Suas pernas exigiram que ele fosse até ela. Seus braços clamaram por envolvê-la. Seus lábios formigaram, sedentos por encontrar os dela. Era como se cada parte de seu corpo tivesse verdadeiramente despertado pela primeira vez em sua vida. Como se tivessem vontade própria. E seu único desejo era por Bella Swan.
E, por isso, ele a odiou.
Ele odiou tudo naquela situação: os desejos insanos de seu corpo, a sensação desconcertante em seu peito, a concentração insana que sua mente – geralmente tão racional – parecia ter direcionado a todos os detalhes sobre aquela garota. Ele odiou a maneira como aquela maldição era mais forte do que ele jamais imaginara. E odiou como era indiscutível o fato de que ela realmente o mudara irreversivelmente.
Mas, principalmente, ele odiou Bella Swan.
Por que ela tinha que existir? Por que atrapalhar toda uma vida de conforto e liberdade que ele havia construído depois de muito sofrimento? Ele tinha orgulho de quem era e das coisas que fizera. Nunca em sua vida ele permitira que as armadilhas da vida o parassem. Ele tinha lutado contra a pobreza, o medo, a incerteza... Por que aquela maldição tinha que ser mais forte do que tudo aquilo? Por que aquela mulher tinha que estar parada bem ali, fazendo-o querer se render a tudo aquilo que ele mais odiava? Por que ela o fazia querer se deixar levar por aquela imposição do destino? Parecia tão fácil, tão tentador: bastava ele estender a mão e ela entraria em sua vida. Eles formariam uma família, como Rosalie fizera com Emmett e ela se tornaria para sempre o centro do universo dele, como Alice era o de Jasper – maldita seja, em apenas um segundo, ela já se tornara o centro de seu universo, por mais que ele odiasse admitir isso. Ele passaria a acreditar em amor verdadeiro e em magia, como sua família. Ele deixaria de chamar a maldição de maldição e passaria a agradecer ao legado da família por ter trazido Bella Swan para ele.
E ele nem sequer se lembraria que tudo aquilo acontecera contra a vontade dele.
Não, não era verdade. Ele se lembrava. Lembrava de seu ódio, sua repulsa por perder sua capacidade de escolha. E foi aquilo que o salvou, pelo menos em parte. Boa parte de sua mente estava ocupada por pensamentos sobre aquela maldita garota, mas não toda ela. Parte dele ainda raciocinava. Parte dele ainda estava ali, não fora apagado por aquele falso amor que se enraizara em sua alma. A maldição era forte, mas felizmente sua força de vontade também era. Ele ainda poderia lutar contra tudo aquilo.
Ele lutaria contra tudo aquilo. Contra aquele legado amaldiçoado. Contra aquela mulher, que agora era a personificação de tudo o que ele mais desprezava.
Seu corpo, alma, coração e mente podiam estar intoxicados para sempre, mas ele não se deixaria levar pelo que eles estavam suplicando naquele momento: ela. Porque Edward Cullen era dono de seu próprio destino. Ele sempre faria suas próprias escolhas. E todas aquelas histórias estúpidas que estavam na família a gerações podiam ir para o inferno.
Por que não importava se aquela garota era sua alma gêmea, seu amor predestinado ou qualquer outra merda do gênero.
Ele tinha escolhido ficar longe dela. E ele ficaria.
Aquela sensação excruciante de dor que o tomou ao pensar em se afastar dela podia ir para o inferno também.
- Olá. – a irmã de Alice cumprimentou todos ao redor e sua voz doce e sedosa o fez querer ronronar; um instinto quase incontrolável, que o levou a odiá-la ainda mais – É um prazer finalmente conhecer vocês.
Droga, ele não podia continuar ali, vendo-a sorrir daquele jeito. Caso contrário, ele faria algo que certamente se arrependeria depois, como beijá-la ou pedi-la em casamento. De repente se sentindo como um animal enjaulado, – um que inexplicavelmente estava tentando resistir a mais suculenta presa de todas – ele afastou o olhar para o chão, irritado ao perceber que mesmo aquilo não ajudava. Não apenas a presença dela parecia quase sólida ao redor dele, atraindo-o como um imã, mas também ele sentiu seu pescoço tremendo, tentando leva-lo a olhá-la novamente.
- Eu preciso ir embora. – ele forçou as palavras para fora de sua garganta, que saíram no formato de um rosnado seco, possesso.
- Você está bem, meu filho? - Carlisle, que por estar sentado na cadeira de rodas podia ver sua expressão furiosa com mais facilidade, mesmo que Edward estivesse quase com o queixo grudado no peito para disfarçar suas reações, perguntou, preocupado. E, mesmo sem olhá-los, Edward pôde sentir sua família voltar todas as atenções para ele.
- Tenho que ir. – sem aguentar permanecer mais um único segundo naquele lugar, sabendo que estava perdendo o controle sobre si mesmo cada vez mais e poderia ceder à tentação de tomar aquela mulher em seus braços a qualquer momento, Edward desistiu de tentar fingir qualquer normalidade e apressou-se para fora da casa de seus pais, quase correndo ao passar por perto das irmãs Swan para alcançar a parte de dentro da casa e finalmente se ver longe de tudo aquilo.
Todavia, mesmo conseguindo conter seu desejo de puxar Bella para perto de si quando passou ao lado dela, ele ainda assim não foi forte o suficiente para se impedir de olhá-la uma última vez. E a expressão pasma e assustada em seu lindo rosto pálido, com as bochechas coradas contrastando com o longo cabelo escuro... O fizeram se sentir como se estivesse nadando contra a mais forte das correntezas, ao ter que lutar contra a vontade excruciante de voltar até ali e fazer de tudo para substituir aquele medo por um sorriso.
Mas ele não o fez. E nunca o faria.
Entrando em seu carro como se estivesse sendo perseguido pelo fogo do inferno, Edward dirigiu para longe daquele lugar, tentando ao máximo ignorar o crescente desconforto dentro de si, como se houvesse uma corrente puxando-o na direção contrária, de volta para a irmã de Alice. Mas ele não cederia. Ele passaria aquele dia longe de Isabella Swan. Quer dizer, a semana. Ou melhor, o mês.
Droga, o que ele estava pensando? Ele tinha que passar o resto de sua vida inteira longe dela.
E ele conseguiria. É claro que sim. Não havia dúvida. Edward Cullen tinha determinação o suficiente para conseguir tudo aquilo o que queria.
Tudo o que ele precisava agora era encontrar uma maneira de esquecer que grande parte dele queria Bella Swan.
