Always There

por Alexandra Emerson

TRADUÇÃO AUTORIZADA

N/T: Você pode conferir ao texto original, em inglês, em [ s/13871863/1/Always-There ]. Por favor, caso se interesse em favoritar a história, não deixe de favoritar o original para dar suporte à autora. Perfil da autora: [ u/5889295/alexandra-emerson ].

Eu não sou o autor dessa fic, apenas quis traduzi-la. Esta tradução foi autorizada via troca de PMs com a autora. Demais notas do tradutor ficarão para o fim do capítulo.


Resumo: Depois de terminar com seus respectivos Weasleys e "perderem seus términos", Harry e Hermione acabam passando tempo sozinhos um com o outro – e muito. O que começa como uma amizade logo evolui para algo mais quando eles percebem que não são mais os mesmos que eram quando deixaram Hogwarts. Pós-Hogwarts / Harmony / Drama / HEA.

Rating/ Aviso de Gatilhos: esta história foi classificada como M por conta de cenas de sexo, e nada mais. Nenhum outro gatilho se aplica.

Logística: a história se passa três anos após o fim da guerra. Tudo nos livros aconteceu, exceto o Epílogo.


Capítulo 1

Junho de 2001

Hermione estava curvada sobre sua mesa, perdida em um resumo legal, quando Ron entrou em seu escritório. Ele parou na porta e a observou trabalhar enquanto esperava que ela o notasse parado ali.

Ele sorriu ao ver que ela usava um suéter azul marinho, embora fosse verão e estivesse muito calor lá fora. Era um dos moletons que sua mãe havia tricotado num destes anos, com um grande H de cor bronze na frente. Hermione o mantinha em sua mesa para usar sempre que estivesse com frio – o que era o tempo todo. Hermione estava perpetuamente com frio.

O cabelo dela estava puxado para cima em um coque bagunçado, o que Ron sabia ser esquisito para uma quinta-feira. Hermione lavava seu cabelo da mesma maneira que fazia quase todas as coisas em sua vida – consistentemente e em um cronograma rígido. Todas as segundas e quintas ela lavava o cabelo, deixava-o secar ao natural e o usava em cachos soltos pelo resto do dia.

Nas terças e sextas-feiras, ela enrolava novamente qualquer mecha amassada com sua varinha e o usava solto novamente. E às quartas-feiras, sábados e domingos, ela usava o cabelo para cima, já que geralmente estava bagunçado demais para ficar solto.

Ron se perguntou o que haveria acontecido para bagunçar a agenda dela. Ele também se perguntou se era estranho que ele soubesse tanto sobre essa bruxa, então concluiu que era justo, já que ela sabia tanto quanto, ou provavelmente mais, sobre ele.

Depois de um minuto inteiro observando-a (o que foi, ele reconheceu, um pouco assustador), Ron percebeu que ela estava muito perdida no que quer que estivesse fazendo para notá-lo, e limpou a garganta.

"Oi, Ron," ela disse, sem tirar os olhos do pergaminho, provando seu ponto anterior de que ela o conhecia muito bem. Ela o reconheceu apenas pelo som de sua garganta limpando.

Ela terminou de escrever a linha do texto em que estava trabalhando, então ergueu os olhos e sorriu. Ron se sentiu culpado de saber que, daqui alguns momentos, ele iria dizer algo que apagaria aquele sorriso do rosto dela.

"Algum problema?" Hermione podia perceber que Ron estava nervoso com o que quer que ele tenha vindo aqui para dizer. Ela se perguntou se era pessoal ou se era relativo ao trabalho, depois se perguntou qual ela preferiria.

Ron fechou a porta e fitou-a timidamente. Ele manteve suas mãos para trás, na maçaneta. É, então é pessoal, Hermione concluiu. Ele deve estar segurando a porta para que ele possa fazer uma saída rápida. O que quer que ele tivesse vindo dizer a ela seria algo ruim.

"Eu tenho que te dizer uma coisa," Ron disse em voz baixa, como se estivesse preocupado que alguém pudesse ouvir.

"Vamos, sente-se." Hermione acenou em direção a uma das cadeiras na frente de sua mesa.

Ron hesitou no início, mas finalmente sentou-se na cadeira à esquerda, a mais próxima da porta. Ele se inclinou para trás e esticou suas pernas para frente, antes de suspirar pesadamente.

"Vamos, diga logo!" Hermione deixou escapar. Ela não conseguia se lembrar da última vez em que ele se debateu tanto para lhe dizer algo. Até mesmo a conversa do término deles tinha fluido melhor do que isso.

Ele lhe deu um sorriso torto e seu coração saltou, ligeiramente. Mas não muito, ela ficou feliz em notar. Ela ainda estava no meio do processo de superá-lo completamente, mas estava ficando mais fácil a cada dia. E ela tinha tempo. Eles haviam terminado há apenas dois meses. Era normal ainda amá-lo, especialmente porque ele não tinha feito nada de terrível para causar o rompimento – eles tinham apenas percebido que não eram as pessoas certas um para o outro.

E o fato de que eles estavam sentados sozinhos agora, com o mínimo possível de estranheza entre eles, atestava todo o esforço que eles fizeram logo após a separação para continuarem amigos. Tinha sido difícil ver um ao outro em suas situações sociais normais, principalmente porque todos os seus amigos estavam em pares, mas eles haviam persistido e estavam se acostumando melhor a serem apenas amigos novamente.

Ron suspirou novamente e Hermione começou a percorrer a lista de feitiços não dolorosos em sua cabeça (algo pequeno, só para chocá-lo um pouquinho e fazê-lo falar), quando ele finalmente começou a falar rapidamente.

"Comecei a namorar alguém, e queria ser aquele a te contar e não que você descobrisse isso lendo em algum jornal, ou pior, com algum repórter procurando um comentário seu a respeito."

Ron anunciou isso ao chão. Ele estava preocupado demais com o que veria no rosto de Hermione para dizer isso diretamente a ela. Ele e Harry eram parecidos nisso. Eles não teriam problemas em adentrar na casa de um Bruxo das Trevas, ou em uma cena de crime potencialmente perigosa, mas com as bruxas, toda a sua suposta bravura desaparecia.

[Em sua defesa, Hermione podia ser muito assustadora as vezes, mais do que muitos dos Bruxos das Trevas que ele encontrou, então seu medo não era totalmente infundado.]

Se Ron tivesse olhado para cima, ele teria visto uma expressão de choque total, e se sentido um pouco ofendido, então provavelmente era melhor que ele mantivesse os olhos no tapete roxo sob seus pés. Hermione não podia acreditar que depois de um relacionamento sério de dois anos, ele havia seguido em frente depois de apenas dois meses. Deveria haver uma proporção adequada para a quantidade de tempo de espera antes de seguir em frente, e ela duvidava que um mês por ano de namoro fosse a proporção apropriada.

Ela fez uma nota mental para procurar a respeito, depois se perguntou onde diabos ela procuraria para obter esse tipo de informação. Ginny deve saber. De qualquer maneira, parecia rápido demais.

O silêncio contínuo de Hermione estava deixando Ron desconfortável, então ele continuou falando. "Eu sei que é meio rápido. Hannah me disse que eu não aguento ficar sozinho porque cresci em uma família grande e tal."

Hermione acenou com a cabeça. Talvez houvesse algo de verdade nisso. O que isso dizia sobre ela? Por ser filha única, estava destinada a ser uma solteirona?

Antes que ela pudesse pensar mais a respeito, seu cérebro se agarrou à menção de Ron a Hannah. Ela estava irritada por ele ter contado a Hannah antes dela. Será que o seu grupo todo de amigos já sabia? Seria ela a última a quem ele decidiu contar? Não era uma grande coisa, embora Hermione tivesse quase certeza de que se ela tivesse começado a namorar alguém, teria contado a Ron antes de contar a Hannah.

Ron finalmente arriscou olhar para Hermione, já que ela já estava quieta há um bom tempo. Felizmente, ela não estava com a varinha em mãos, como ele temia, mas estava perdida em pensamentos, sem surpresa.

Quando Ron olhou para Hermione, ela foi arrancada de seus pensamentos. "Obrigada por me contar," ela disse calmamente. "Eu certamente odiaria descobrir no Semanário das Bruxas."

Ron acenou com a cabeça. "Claro."

"Ok," Hermione fez uma pausa, sua mente novamente em alta velocidade. Ela estava tentando pensar qual das cinquenta perguntas que surgiram em sua cabeça era apropriada fazer sem que a fizesse parecer muito desesperada. "Eu tenho algumas perguntas", disse ela, para ganhar tempo enquanto decidia qual perguntar primeiro.

"Ah, ok. Hum, o que você quer saber?"

'Ela é bonita? É algo sério? Você a ama?' Hermione descartou as três primeiras perguntas que surgiram em sua mente e, em vez disso, foi com a quarta e a quinta.

"Quem é essa bruxa? Eu a conheço?"

"Não. Acho que não. O nome dela é Lucy Kippling. Ela estava na Lufa-lufa, dois anos abaixo de nós."

Uma Lufa-lufa. Hermione não tinha muita certeza de como se sentia a respeito disso. Bem, isso provavelmente explicava por que Hannah sabia. Ela provavelmente conhecia essa garota, Lucy, da escola, talvez ela até tenha sido quem apresentou-a para Ron. Será que ele estava procurando uma nova namorada, ou foi por acidente?

Ron estava observando o cérebro gigante de Hermione trabalhando e se perguntando se ela estava percorrendo por uma lista feitiços em sua mente. Merlin, ele esperava que não. Ele tateou sua varinha em suas vestes, só por precaução.

Hermione estava se perguntando novamente o quão bonita essa Lucy Kippling era. Mais bonita do que ela? Provavelmente, a maioria das bruxas era. Ela suspirou antes de fazer sua próxima pergunta.

"Você poderia manter suas demonstrações públicas de afeto ao mínimo? Seria bom se não houvesse um monte de fotos de vocês dois se beijando por aí."

"Eu – sim – claro. Esse era o plano."

Hermione ergueu uma sobrancelha acusadora para ele. Os dois estavam pensando em Lilá Brown, mas nenhum deles iria dizer o nome dela, já que ela estava morta. Eles se envolveram em uma breve disputa de olhares, até que, eventualmente, Ron a quebrou com um grande revirar de olhos. "Isso foi no sexto ano. Eu sou bem mais maduro agora."

Hermione respondeu com um "hmph".

"Ok, bem, mais alguma pergunta?" ele perguntou, desesperado para mudar de assunto.

Desta vez, foi Hermione quem baixou os olhos e olhou para o tapete roxo. Ron ficou um pouco surpreso e se inclinou, instintivamente, pronto para reconfortá-la se necessário.

"Você vai começar a trazê-la para, hã, todas as coisas?" ela perguntou em ama voz baixinha.

Hermione não precisou elaborar. Ron sabia que "todas as coisas" a que ela se referia eram a todos os eventos entre seu grupo de amigos. Aqueles íntimos em que eles não precisavam se preocupar com câmeras ou repórteres. Jantares na casa de alguém, noites de jogos, almoços n'A Toca.

Ou seja, os eventos nos quais ambos participaram deliberadamente nas semanas seguintes ao seu rompimento, mesmo que eles e seus amigos se sentissem desconfortáveis, pois eles não iriam deixar que o rompimento afetasse sua amizade, ou qualquer uma das outras amizades íntimas em suas vidas.

Ron não tinha pensado em trazer Lucy em nenhum desses eventos até agora, e respondeu instintivamente. "Não, acho que não." Sua resposta surpreendeu a si próprio, e ele acrescentou: "Talvez algumas coisas aqui ou ali, mas não o tempo todo." Ele se perguntou por que sua resposta inicial foi não.

Era difícil de colocar em palavras, mas quando era apenas o grupo original de amigos, ele, Harry, Ginny, Hermione, Neville e Luna, parecia sagrado. Seria esquisito demais trazer um estranho. Mas Neville e Luna haviam convidado seus namorados, Hannah e Rolf, e agora eles faziam parte do grupo. Seria assim também com Lucy? Ron não conseguia imaginar a cena.

Hermione estava olhando de volta para Ron agora, com certa curiosidade. "Eu – uh – não vou trazê-la para uma saída quando for apenas, er, nós, pelo menos não até que seja um pouco mais sério, eu acho." Ron tropeçou em suas palavras e se perguntou o que Lucy pensaria disso.

"Tudo bem. Eu não quis sugerir que você não deveria. Eu só queria estar preparada."

Ron se recostou na cadeira e suspirou. "Isso é tão estranho", admitiu.

"Eu sei," ela respondeu com um pequeno sorriso, e Ron relaxou instantaneamente.

"Já está melhor do que antes", continuou ela, "e acho que vai ficar cada vez mais fácil."

"Certo. Hum, mais alguma pergunta?"

Hermione estava mordendo o lábio, questionando-se se ela deveria fazer sua pergunta final. Saiu de sua boca antes que ela pudesse se convencer do contrário. "Como ela é?"

"Ah. O exato oposto de você", disse ele com uma pequena risada, então imediatamente se arrependeu. "Quero dizer, isso soou terrível. Ela é só – tipo, frívola, ou, hum, mais interessada em estar numa boa do que em deixar uma marca no mund–"

"Divertida", interrompeu Hermione. "A palavra que você está procurando é divertida, ao contrário de mim."

"Eu não disse isso, você disse!"

Hermione suspirou. Por que eles estavam brigando? Ron queria se divertir, e daí? Isso tinha mais a ver com ele do que com ela, e ela precisava deixar isso para lá. Ela acenou com a mão sobre a mesa. "Está tudo bem, de verdade, eu estou bem."

"Você está?"

Ela acenou para ele de novo e Ron estreitou os olhos e estudou sua aparência novamente. Ela estava meio que uma bagunça. Ela tinha manchas de tinta nas laterais das mãos e nos braços, a pele sob os olhos estava escura e afundada, e ele não se esquecera do planejamento de lavagem do cabelo abandonado. Ela estava claramente se sobrecarregando de novo, mas desta vez ela não tinha ninguém cuidando dela e forçando-a a comer e dormir.

Ron fez uma nota mental para avisar Harry e Ginny para checarem como ela estava. Ele não ficou surpreso de que eles estivessem negligenciando seus deveres de amizade para com Hermione, especialmente considerando o que Harry havia confidenciado a ele no último fim de semana. Quando o pensamento surgiu na cabeça de Ron, ele se agarrou à perspectiva de mudança de assunto.

"Trago fofocas", disse ele rapidamente.

Ela lhe fitou com uma expressão previsível e severa, mas não disse a ele para parar de falar. Ele deduziu que ela estava tão ansiosa quanto ele para falar sobre alguma outra coisa. "Harry e Ginny provavelmente vão terminar."

Os olhos de Hermione se arregalaram, e ela parecia triste. "De quem você ouviu isso, Ginny ou Harry?"

"Harry. Por quê? Ginny disse alguma coisa para você?"

Hermione balançou a cabeça. Ela não ficou surpresa que Harry não tivesse contado a ela, embora ela estivesse um pouco desapontada. Mas Ginny era sua melhor amiga. Estava ficando cada vez mais claro, entretanto, que Hermione não era a melhor amiga de Ginny, ou pelo menos, não mais.

Ela havia se aproximado de seus companheiros de quadribol durante o ano passado, o que era compreensível, já que ela passava muito tempo com eles. Isso feriu os sentimentos de Hermione, mas ela nunca disse isso a Ginny, obviamente, já que era um pouco patético.

"Bem, o que foi que Harry disse?" ela perguntou a Ron.

Ele encolheu os ombros. "Só que eles têm brigando bem mais sobre coisas estúpidas, e bem, eu não sei. Você sabe naquela noite que saímos para celebrar nossa formatura do treinamento de Aurores?"

"Sim," ela disse com uma voz triste.

Como Hermione poderia esquecer? Ela, Harry e Ron foram a um pub de fama duvidosa na Londres trouxa para comemorar. Foi uma noite de trivialidades e eles foram terríveis naquilo tudo, já que eles não sabiam quase nada sobre o mundo trouxa. Ron tinha achado especialmente divertido que Hermione, pelo menos uma vez, estivesse fora de sua zona de conforto quando se tratava de recontar os fatos.

Todos eles beberam demais, depois terminaram a noite em um playground trouxa, nos balanços. Harry estava pensativo e continuamente falando sobre como, até aquele momento, ele nunca tinha se permitido ter esperanças de um futuro feliz.

A profecia obviamente teve um grande papel nisso. Mas mesmo depois que a guerra acabou, ele temia que algo mais pudesse dar errado. Mas finalmente estava acontecendo, exatamente como ele queria. Segunda-feira ele iria começar a usar as vestes de Auror, ele tinha uma namorada que amava e um dia eles teriam uma família.

Harry havia começado a descrever cenas de seu futuro nas quais ele finalmente se permitia acreditar. Fins de semana na Toca com todos os filhos brincando juntos e despedidas para Hogwarts na estação King's Cross.

Hermione tinha se sentado no balanço com a cabeça apoiada na corrente gelada e chorou. Na névoa do álcool, sua mente finalmente a deixou considerar a verdade de seu relacionamento com Ron e como o adorável futuro que Harry estava descrevendo não funcionaria para eles.

Ela disse aos meninos que os balanços a estavam deixando enjoada e que ela precisava de uma pausa. Ela deu a volta no parquinho duas vezes, depois se acomodou na grama, olhando para os prédios altos de Londres. Harry veio primeiro para o lado dela, seguido um minuto depois por Ron. Eles se sentaram um de cada lado dela.

"O que houve?" Harry perguntou.

Ela ficou quieta por um longo tempo e, surpreendentemente, foi Ron quem respondeu. Ele passou um braço ao redor de Hermione e disse em uma voz áspera. "Esse futuro, Harry, é lindo. E nós dois estamos muito felizes por você. Você merece, depois de tudo. Eu acho que o que Hermione acabou de perceber é que naquele futuro que você descreveu, nós dois não estaremos juntos."

Foi devastador ouvir seus medos saindo da boca de Ron, mas também, de certa forma, reconfortante. Foi o mais próximo que ela já se sentiu de Ron. Pela primeira vez em seus dois anos de namoro, eles estavam exatamente na mesma página.

Ron assentiu com a expressão de quem sabe o que ela estava pensando. "Eu sei, noite difícil de esquecer. De qualquer forma. Quando Ginny voltou da Escócia no dia seguinte, Harry contou a ela sobre a noite inteira e eu acho que ela não gostou exatamente do futuro que ele pintou para eles."

"Ah – eu, uau. Acho que nunca falei com Ginny sobre nada disso. O que foi? Ela não quer filhos? Ou não quer Harry? Ou... o quê?"

"Não sei."

Eles ficaram em silêncio por um segundo, pensando em seus amigos. Ambos estavam pensando que seria bom se outro casal se separasse, então eles não seriam os únicos, mas ambos se sentiam culpados demais para expressar esse pensamento em voz alta.

"Pobre Harry," Hermione disse finalmente.

"Mas não 'pobre Ginny'?"

"Você sabe que dos dois, ele vai sofrer mais."

Eles acenaram um para o outro e trocaram sorrisos culpados. Ambos sabiam que se Harry descobrisse que eles estavam falando sobre ele assim, ele ficaria furioso. Mas era verdade – Harry precisava de Ginny mais do que ela precisava dele.

Não era nada do qual se envergonhar. Harry foi ao inferno e voltou (literalmente, embora uma plataforma vazia de King's Cross com Dumbledore provavelmente não se qualificasse como inferno). De qualquer forma, fazia sentido que ele tivesse saído de tudo isso um pouco pior por conta do desgaste – nem Hermione nem Ron o culpavam por isso.

"Eu sei," Ron respondeu com um suspiro. Ele se levantou da cadeira e a segurou pela parte de trás com as mãos. "Eu deveria ir. Estamos bem?"

Hermione sorriu e acenou de volta para ele. "Sim. Agradeço você ter me contado, de verdade."

Ron abriu a porta, mas parou antes de sair para o corredor e olhou de volta para Hermione. Ela já havia pegado sua pena de volta e estava olhando para o pergaminho em sua mesa novamente. "Eu estive procurando aquele livro, 'Guia Rápido para Trouxas' que você me deu. Eu ia emprestar pro Donnor, mas não consigo encontrar em lugar nenhum. Você–?"

"Você trouxe para casa para mostrar ao seu pai", ela respondeu sem tirar os olhos de seu trabalho. "Provavelmente está no seu antigo quarto na Toca."

"Brilhante, obrigado." Ele bateu no batente da porta e finalmente se virou para sair, mas ela o chamou de volta assim que ele entrou no corredor.

"Sim?" ele perguntou, esgueirando sua cabeça de volta no escritório dela.

"É aniversário do Percy neste fim de semana, caso você tenha esquecido."

"Ah, merda. Eu realmente esqueci." Ele sorriu amplamente e Hermione ficou feliz em notar que seu coração não fez nenhuma acrobacia em resposta. "Você é simplesmente a melhor, você sabe disso, né?"

"Sim. Tchau, Ron."


Uma hora depois, Harry apareceu na porta do escritório de Hermione. Ele parou no mesmo lugar que Ron parou e a observou trabalhar por alguns segundos. Ao contrário de Ron, que esteve conversando com Hermione por vários minutos antes de reconhecer que algo estava errado com ela, Harry percebeu imediatamente.

Ele franziu a testa. Harry e Ginny supostamente deveriam estar de olho nela. Ron os avisou que, deixada por conta própria, Hermione trabalharia demais e deixaria de cuidar de si mesma. Ele sorriu para si mesmo ao imaginar a reação de Hermione se ela descobrisse que falavam dela assim pelas costas.

"Preparada?" ele perguntou.

Hermione sobressaltou–se, então fez uma careta para o relógio na parede. Droga, para onde foi todo aquele tempo? Parecia que cinco minutos haviam se passado desde que ela falara com Ron, mas já fazia uma hora. Ela não estava chegando a lugar nenhum com esse rascunho. Ela devia deixar isso de lado e trabalhar na revisão da nova lei de Boyle.

"Vai estar tudo aqui quando você voltar, Hermione." Harry havia cruzado a sala e estava pegando a pena da mão dela e levantando–a de pé pelo cotovelo.

"É, você tem razão." Ela deu a ele um pequeno sorriso e tentou manter o olhar de pena longe de seus olhos enquanto se lembrava do que Ron lhe contara sobre Harry e Ginny. Ela se levantou e se espreguiçou, depois tirou o suéter. Estava calor lá fora, e comer comida indiana apimentada sempre a fazia se sentir aquecida.

Ela olhou ansiosamente para seu trabalho. Ela realmente não tinha tempo para este almoço, mas nos últimos dois anos, ela nunca havia cancelado seus almoços semanais com Harry, nem uma única vez. Mas ela também nunca esteve tão perto de conseguir que uma de suas próprias leis fosse aprovada.

Harry sabia exatamente no que ela estava pensando. Ele a agarrou pelo braço e a arrastou para o corredor.

"Você não vai passar essa. Vamos. É bom parar e fazer pausas – foi você mesma que me disse isso – lembra? Algo sobre como a mente criativa funciona melhor quando está relaxada, e você me disse para lembrá-la disso sempre que entrasse no 'modo workaholic'."

Quando Harry conseguiu que ela entrasse no elevador, ele a soltou. Ele se encostou na parede e sorriu para Hermione, que estava perdida em pensamentos. Ele não sabia se a mente dela ainda estava no trabalho, ou no artigo sobre a importância de se fazer pausas do qual ele acabara de a lembrar.

"Hey," ele disse um pouco mais alto do que o normal.

Hermione saiu de seus pensamentos. "Hey, Harry." Ela deu a ele um sorriso caloroso e olhou para baixo e percebeu que tinha tinta manchada em suas mãos e braços. "Droga." Ela puxou a varinha para se limpar, então se encostou na parede oposta de Harry e suspirou. Harry estava olhando para ela, claramente se divertindo.

"Estou meio que uma bagunça. Desculpa."

"Não precisa se desculpar. Por que você não me diz o que a deixou tentada a não almoçar comigo, algo que você nunca fez, e por que você não lavou o seu cabelo nessa manhã, sendo que hoje é quinta-feira?"

"Eu – " Hermione levou a mão até o cabelo. "Como você sabe sobre o meu cronograma de lavagem de cabelo?"

A porta do elevador se abriu e eles entraram no saguão. Enquanto caminhavam até a entrada, quatro pessoas disseram olá para Harry e uma pessoa tirou uma foto dele. Ele cumprimentou às pessoas gentilmente (embora não conhecesse nenhuma delas). Ele já estava acostumado a tudo isso.

Quando eles alcançaram a porta para o lado de fora, Harry segurou–a aberta para Hermione e disse simplesmente, "Ron me contou."

Ambos pararam para tirar suas roupas de cima, que Hermione colocou em sua bolsa, e transfiguraram suas roupas. "Sim, eu imaginei que Ron tivesse lhe dito. Mas em que contexto?"

Harry encolheu os ombros e começou a caminhar pela calçada. "Foi em algum momento durante uma de nossas patrulhas, mas não me lembro como surgiu. Essas saídas são tão chatas. Você fica sentado lá por horas sem nada para fazer. Quando eu faço dupla com outras pessoas, temos coisas normais para contar, histórias da escola e coisas do gênero. Eu não posso falar com Ron sobre nada disso, já que ele estava junto em cada história que eu tenho."

"E então vocês falam sobre o meu cabelo."

"Sim." Ele piscou para ela. Ela queria perguntar o que mais Ron havia contado a Harry sobre ela, então decidiu que preferia não saber. "Então, o que houve? Por que você não o lavou esta manhã?"

"Nenhum grande motivo. Fiquei trabalhando até tarde e dormi demais. Não tive tempo esta manhã; vou lavá-lo amanhã."

Hermione estava claramente irritada. Quando eles pararam na faixa de pedestres, Harry se virou para ela e colocou as mãos em seus braços. "Eu não queria te aborrecer, sério. Só estou preocupado com você. Você tem essa mania de mergulhar no trabalho e se negligenciar completamente."

"Eu sei," ela resmungou.

"Bem, o que está acontecendo no trabalho? Algo bom, espero."

Ela sorriu e acenou com a cabeça. Pelos próximos quatro quarteirões, ela contou a ele sobre como a lei que ela havia redigido no início do ano tinha sido aprovada para ser levada aos Anciões para revisão e que ela a apresentaria a eles dentro de duas semanas. Harry ouviu educadamente e quando chegaram ao restaurante, recostaram-se na parede de tijolos do lado de fora enquanto ela terminava.

Eles tinham uma regra (implementada por Harry, anos atrás) de não falar sobre trabalho dentro do restaurante. Eles também tinham uma regra de não falar sobre Quadribol, que foi implementada por Hermione.

"E aí, você colocou todos os grupos de criaturas a bordo? Até os centauros? Quando isso aconteceu?"

"Eu – " Hermione interrompeu-se. "Eu os convidei no mês passado. Como você sabe que é isso que eu estava esperando?"

Harry a cutucou de lado. "Hermione, você tem me falado sobre essa lei o ano todo. Como eu poderia não saber?"

Hermione se levantou e se virou para a porta do restaurante. "Eu digo muitas coisas", disse ela para a porta. "Normalmente, ninguém está ouvindo."

Ela desapareceu dentro do restaurante e Harry hesitou do lado de fora. Sobre o que ela estava falando? Havia uma sensação de estar mordida inconfundível em seu tom, mas não parecia ser algo dirigido a ele. Quando Harry finalmente entrou no restaurante, Hermione estava sentada na sua mesa de costume, vasculhando um caderninho e fazendo referência cruzada com o menu.

Ele se sentou em frente a ela e sorriu enquanto a observava decidir o pedido do dia. Ele não se lembrava exatamente de como esses almoços de quinta–feira começaram, mas logo depois que Hermione se formou em Hogwarts e se juntou ao Ministério, eles começaram a se encontrar para almoços semanais neste restaurante indiano.

Originalmente eram Harry, Hermione e Ron, mas eles acabaram se cansando de Ron reclamar constantemente da comida indiana e de como ele realmente não gostava dela, então eles disseram a ele para simplesmente parar de vir. Alguns meses depois, Harry vinha dizendo o quanto amava o restaurante de família e que queria experimentar tudo que estivesse no menu. Hermione então declarou que eles fariam exatamente isso.

Eles tinham um sistema em que cada um pedia dois pratos que nunca tinham experimentado, então eles compartilhavam, cada um comendo metade. Hermione explicou como assim seria mais eficiente, já que eles poderiam cruzar pelo menu duas vezes mais rápido. Ela registrava seu progresso em um caderninho e mantinha o controle de suas classificações para cada prato.

A essa altura, eles já haviam experimentado tudo que havia no menu e ela usava o caderno para ajudar em um certo sistema elaborado que ela desenvolveu para descobrir o que pedir a cada semana. Ela até tentou lhe explicar uma vez, mas tinha sido muito complicado para Harry. Havia algo sobre não pedir pratos que eles classificaram com nota três ou menos, e também sobre não pedir nenhum dos mesmos pratos em um mesmo mês.

O garçom se aproximou da mesa e ele e Harry trocaram sorrisos de reconhecimento enquanto esperavam pacientemente que Hermione decidisse o pedido.

Essa era uma das coisas que Harry mais gostava em Hermione. Tudo poderia estar indo para o inferno, mas ele sempre podia contar com Hermione estando lá, seguindo algum sistema ou bolando algum tipo de plano. O mais engraçado era que, ela realmente não era uma grande defensora das regras, como todos pensavam.

Eram apenas suas próprias regras e rotinas pessoais que eram sagradas para ela, e ela se apegava a elas com mais força ainda em horas difíceis. Como agora. Entre seu rompimento com Ron e todo o trabalho que ela estava colocando nessa nova lei, ela andava especialmente nervosa ultimamente.

Eventualmente, ela ergueu os olhos do caderninho e ela e Harry tiveram uma curta conversa com o garçom antes que ela finalmente anunciasse o pedido do dia. Quando estavam sozinhos, um estranhamento se instalou entre eles, pela primeira vez em um bom tempo.

A regra sobre nada de conversas sobre trabalho ou quadribol era uma boa sacada, já que com o passar dos anos, isso os forçava a falar sobre coisas mais pessoais. Harry contou a Hermione sobre suas consultas com médicos, e deu a ela mais detalhes sobre como foi crescer com os Dursley. Ele falou sobre seus sentimentos em relação a Snape e Malfoy e de como ele se perguntava se não havia problema em perdoá-los. Ele queria principalmente saber a opinião dela sobre o assunto enquanto uma Nascida- Trouxa.

Hermione tinha falado com ele sobre seus pais e sobre seus esforços para recuperar as memórias deles; e então no ano passado, uma vez que isso fora feito, falou sobre seus esforços para fazer com que eles confiassem nela novamente. Ela contou a ele sobre suas persistentes inseguranças de sentir como se ela realmente não pertencesse ao Mundo Mágico, já que ela era uma Nascida-Trouxa.

Mas às vezes eles falavam sobre coisas frívolas também, como suas partes favoritas e menos favoritas sobre os mundos Trouxa e Bruxo, o que estava acontecendo de interessante com seus amigos, ou histórias interessantes do noticiário.

Hoje, no entanto, cada um deles tinha uma coisa específica em mente, e ambos se sentiam desconfortáveis em trazê-la à tona. Harry estava pensando em Ginny, e seu relacionamento quebrado, enquanto Hermione estava pensando em Ron e sua nova namorada.

[Além de sua regra firmada sobre não conversar sobre trabalho ou quadribol, havia uma regra subentendida de que eles não falavam sobre seus relacionamentos. Nenhum dos dois se perguntou por que ou parou para considerar se a falta de vontade de discutir suas atividades românticas com o outro dizia algo sobre sua amizade.

Se eles realmente eram "apenas amigos", então por que falar sobre o amor estava fora dos limites? Se eles realmente fossem, como Harry disse uma vez, como irmão e irmã, por que se sentiriam constrangidos em discutir suas vidas românticas um com o outro? Mas isso é um salto à frente na história, de volta ao almoço.]

Hermione acabou quebrando, eventualmente, a regra não-dita. Ela olhou para a mesa e disse em uma voz baixinha: "Você já a conheceu?"

Harry estremeceu. Então, Ron havia contado a ela sobre Lucy. Merda. Ela não precisava daquele estresse – considerando a apresentação para os Anciões da lei em que estava trabalhando, mas não dava para esperar que Ron se ligasse em algo assim. Harry balançou a cabeça.

Hermione viu-o perifericamente e manteve os olhos baixos. Ela presumiu que era um bom sinal que Ron não tivesse apresentado sua nova namorada a Harry. Ele disse que não era nada sério. Ela lembrou a si mesma que não queria ficar com Ron, que eles tiveram um rompimento mútuo. Mesmo assim, parecia tão cedo.

"Tudo bem", disse ela.

Bom, essa foi uma conversa curta. E agora eles estavam de volta ao seu silêncio constrangedor. Hermione estava pensando no que Ron havia contado a ela sobre Harry e Ginny. Ela se perguntou se Harry contaria a ela algo sobre isso. Provavelmente não.

Mesmo depois de todos esses anos, ela sabia que, às vezes, ele ainda a via como aquela garota mandona e crítica que ela tinha sido na escola. E que quando ele se sentia particularmente vulnerável, ele não queria ouvir nenhuma de suas opiniões duras.

Mas Hermione não era mais aquela garota. Ela havia aprendido a se conter, e a ter tato, e em quais momentos era melhor apenas segurar a língua. Mas ela também sabia que era difícil de ver as pessoas com as quais você cresceu junto de uma maneira diferente. Às vezes ela olhava para Harry e via aquele menino desnutrido que estava faminto por amor, embora ele também não fosse mais aquela pessoa.

[Só para constar, Harry não achava que Hermione era mandona e crítica. Ele sabia que ela havia mudado, mas Hermione tendia a ter uma visão abertamente severa de si mesma, o que era uma característica comum entre perfeccionistas.]

A voz de Harry interrompeu os pensamentos de Hermione.

"E você, Hermione? Tudo bem?" Os olhos verdes de Harry estavam nadando em preocupação. Hermione percebeu que ele interpretou mal a tristeza em seus olhos e acenou com a pergunta.

"Tô sim – eu só – está tudo bem, Harry. Eu sei que não somos de falar sobre isso, nossos relacionamentos. Não é uma das regras, mas pode muito bem ser..." Ela deixou sua voz sumir e olhou além de Harry, para fora na janela.

Ela estava tentando pensar em outra coisa para falar quando Harry disse, "Tenho brigado muito com Ginny, ultimamente."

Os olhos de Hermione voltaram a se concentrar em Harry. "Oh, eu sinto muito."

Harry percebeu que isso não era novo para Hermione e percebeu que Ginny já devia ter contado a ela. É por isso que eles nunca discutiram seus relacionamentos. Era muito estranho, já que eles eram melhores amigos dos namorados um do outro. Mas Harry estava curioso para saber o que Hermione diria, então forçou um pouco mais.

"Ela acha que me juntei a ela por causa da família dela e que eu os amo mais do que a ela."

Hermione considerou suas palavras por alguns momentos. Ela tomou um gole de água antes de responder. "Acho que consigo ver isso", disse ela cuidadosamente. "Faz sentido que você deseje uma família grande e estável, considerando como você cresceu, e você sempre teve isso com os Weasleys. Você acha que parte do que ela disse é verdade?"

Harry apreciou o fato de que não havia julgamento em seu tom. "Eu não sei", ele respondeu honestamente.

"Você disse a ela que não sabia?"

"Sim."

"Ah, Harry!" Hermione soltou uma risada. "Você é muito honesto. Isso é como hesitar antes de responder se uma garota parece ou não gorda."

Harry amarrou a cara com isso. "Ginny nunca me fez perguntas desse tipo, graças a Merlin."

"Sim, ela não faria isso. Eu gostaria de ter essa confiança dela", ela murmurou enquanto pegava seu caderno, que ainda estava na mesa, e o colocava em sua bolsa.

Harry inclinou a cabeça para ela. "Você faz essas perguntas-armadilha? Você não parece do tipo."

Hermione encolheu os ombros. "Eu sou muito insegura, você sabe disso. É do bullying incessante dos Slytherins. Além disso, o completo choque de todo mundo ao descobrir que eu era uma garota no quarto ano não ajudou muito," ela acrescentou com naturalidade.

Harry olhou para ela por um longo tempo. Hermione o observou, curiosa para saber o que ele estava pensando. Eventualmente, ele disse com um sorriso, "Você não está gorda, Hermione."

Ela riu e o chutou por baixo da mesa. "Não fique olhando tanto tempo antes de dizer isso, da próxima vez."

Só então, a comida chegou, efetivamente encerrando sua conversa sobre seus relacionamentos.


No caminho de volta do almoço, Harry e Hermione pararam em um beco abandonado, próximo ao lado de fora da entrada do Ministério, para colocar as vestes de bruxos de volta. Hermione estava segurando as vestes de Harry para ele, mas ele não estava prestando atenção, ao invés disso focando em algo atrás dela. Ela se virou, mas era apenas uma parede de tijolos sem nada.

"Harry?" ela perguntou, sacudindo as vestes levemente.

Harry ignorou as vestes e olhou para Hermione seriamente. "Posso te fazer uma pergunta pessoal?"

"É claro."

Harry finalmente percebeu as vestes e as vestiu antes de suspirar e dizer, "É sobre o Ron."

"Oh. Tudo bem."

"Como você sabia que era hora de acabar? Foi vindo ao longo dos meses? Ou foi de repente? Foi naquela noite no parquinho a primeira vez que você pensou nisso?"

"Você não discutiu isso com Ron? Talvez em uma de suas patrulhas?"

Harry sorriu e balançou a cabeça. "Eu nunca o deixei falar sobre o seu término comigo. Eu não queria tomar partido de nenhum dos lados. Eu ainda não quero."

Hermione acenou com a cabeça. "Não há lados. Mas, para responder à sua pergunta," Hermione fez uma pausa para suspirar.

"É difícil dizer. Estávamos brigando constantemente, mas você sabe, essa sempre foi nossa dinâmica. Ambos gostamos de discutir, como você sabe. Mas aí, mais recentemente, deixou de ser divertido e parecia mais um dever. Aquele – eu não sei – brilho? – parecia ter sumido.

"Acho que foi gradual. Mas, uma vez que descobrimos, estávamos ansiosos para acabar com isso. Acho que sabíamos que, se demorássemos muito, poderíamos chegar a um ponto sem volta. Naquela noite depois do pub, quando decidimos terminar, na verdade falamos sobre você, e como nenhum de nós queria perdê-lo como amigo, ou colocá-lo no meio de um término ruim. "

Harry revirou os olhos. "Você faz parecer que eu sou uma criança no meio de um divórcio."

Hermione apenas deu de ombros. "De qualquer forma, estamos muito mais maduros agora do que éramos, e estou agradecida. No que diz respeito a separações, acho que foi uma boa, porque eu nunca quis perder Ron. Devo muito a ele, e crescemos muito enquanto estávamos juntos. Mas agora, crescemos e não nos encaixamos mais. "

Harry estava olhando para ela com tristeza.

"Isto respondeu a sua pergunta?" ela perguntou.

Harry acenou com a cabeça e apontou para a estrada principal. Eles voltaram para o Ministério em silêncio, enquanto Harry considerava as palavras dela. Em suma, eles superaram um ao outro. Ela estava certa, Hermione e Ron haviam crescido muito nos últimos anos.

Hermione estava mais suave. Ela aprendera a ouvir antes de falar e era menos agressiva em compartilhar suas opiniões, embora Harry pudesse quase sempre vê-las por trás de seus olhos. Ela também aprendera a concentrar sua energia em algumas coisas específicas, ao invés de em toda e cada injustiça que encontrasse. Ron ficara mais intuitivo e paciente e menos rápido para julgar.

Harry se perguntou o quanto havia crescido e considerou a possibilidade de ter superado Ginny. No entanto, ele temia que fosse o oposto que era verdade, que era Ginny quem o havia superado.

"Harry?" A voz suave de Hermione interrompeu os pensamentos de Harry. Ela estava apontando para o elevador aberto e ele não conseguia se lembrar de ter entrado nele. Ele começou a caminhar de volta para os escritórios dos Aurores quando Hermione o puxou para uma sala vazia.

"É mais do que apenas brigas, não é?" Hermione perguntou assim que fechou a porta da sala.

Harry acenou que sim com a cabeça.

"Vocês dois vão terminar?"

Harry olhou para baixo, para o tapete. "Eu não sei. Talvez."

Ela colocou uma mão reconfortante em seu braço. "Como você se sente a respeito disso?"

"Acho que é provavelmente o melhor a se fazer. Acho que não queremos as mesmas coisas; quando a gente ficou junto, no início, isso não importava. Eu realmente não sabia o que queria, pois ainda estava em choque por ter sobrevivido à guerra, e ela ainda estava na escola. Mas agora que falamos mais sobre isso, o futuro, está claro que não estamos alinhados. "

"Como assim?"

Harry olhou para ela, confuso. "Ela realmente não te contou?"

Hermione balançou a cabeça e ele percebeu que ela estava sendo honesta. Ela era uma péssima mentirosa.

Harry suspirou e encostou-se na beirada da mesa. "Acho que talvez uma parte dela só tenha realmente amado o famoso Harry Potter. Quer dizer, me sinto muito mal dizendo isso, porque ela foi incrível para mim, exatamente o que eu precisava depois da guerra. Ela me forçou a ver um curandeiro, e ela não exigia nenhum apoio emocional, o que era ótimo, já que eu não estava em posição de dar.

"Ela é engraçada, e linda, e ela me desafia, mas – eu não sei. A fanfarra e o drama pós-Guerra estão morrendo aos poucos. E sem tudo isso, eu não sei se eu, apenas Harry, sou o suficiente para ela. Ela quer essa vida grande, e excitante, e eu só quero uma vida tranquila com uma família feliz. "

Lágrimas arderam nos olhos de Hermione e quebrou seu coração saber que Harry pensava que ele não era suficiente. Ela queria azarar Ginny naquele mesmo instante por fazê-lo se sentir assim. Harry estava olhando para ela, claramente esperando sua resposta, e ela procurou rapidamente por algo apropriado para dizer.

"Você é um Auror," ela disse eventualmente. "Então sua vida nunca vai ser completamente tranquila."

Ele soltou uma risada triste. "Sim, tranquila não é a palavra certa, talvez apenas simples. Lute contra os bruxos das trevas, volte para uma família amorosa, então acorde e lute contra eles novamente. Mas sem se mover demais, sem repórteres, sem reportagens."

Hermione recostou-se na mesa ao lado de Harry e balançou a cabeça para si mesma. Ela sabia como ele se sentia, esse era o tipo exato de vida que ela queria. Não chata ou silenciosa, mas simples. Ela havia tido complicações suficientes em sua juventude para uma vida inteira.

"Eu sinto muito mesmo, Harry," ela disse suavemente, inclinando-se nele. "Não sei se o que você está sentindo é verdade. Ginny nunca me disse nada parecido. Você precisa dizer tudo isso para ela, se ainda não o fez, e ver para onde essa conversa os levará. "

Harry baixou a cabeça nas mãos. "Merda."

Hermione abraçou-o ao redor de seus ombros. "Sim, vai ser um saco. Mas se eu puder te dar algum conselho, seria para não deixar que isso se arraste por muito mais tempo. Se você terminar logo, você ainda pode manter sua amizade com ela. Mas isso é apenas baseado na minha experiência. Ficará entre você e Ginny para descobrir o que parece mais certo."

Harry sabia que Hermione estava certa, mas ele realmente não queria conversar com Ginny, já que uma parte dele sabia que, uma vez que eles tivessem essa conversa, era muito difícil que eles acabassem permanecendo juntos.

Hermione ficou lá no escritório escuro, com o braço em volta dele, enquanto ele controlava suas emoções. Ele tinha uma reunião em trinta minutos e não queria cair no choro no meio dela. Ele respirou fundo para se acalmar e se levantou da mesa.

"Você não tinha uma pilha de papéis e trabalho para a qual voltar?" ele perguntou a Hermione.

"Você é mais importante", disse ela simplesmente.

Harry a puxou para um abraço apertado. "Você é a melhor. Você sabe disso, não?" ele disse em seu cabelo.

"Na verdade, você é a segunda pessoa a me dizer isso hoje", ela respondeu com um sorriso.


N/A: Esta é a primeira história que escrevo que não vou classificar como "Angsty". Eu nem sei o que fazer comigo mesma! Além disso, para garantir que essa afirmação é verdadeira, pesquisei a definição de "angst" [angústia], e foi muito bom. Aqui está, se você ainda não pesquisou no Google: "Um sentimento de profunda ansiedade ou temor – normalmente sem foco específico – em relação à condição humana ou ao estado do mundo em geral."

Enfim, isso já é falar o bastante sobre um sentimento que NÃO estará nesta história. Vai ser mais leve, com algumas partes tristes e comoventes, mas no geral, feliz. Eu realmente espero que vocês gostem, obrigado pela leitura!

Além disso, no sentido do espírito de manter as coisas mais leves para esta história, não estarei me comprometendo com uma frequência pré-determinada de lançamentos. Vou escrever quando estiver de bom humor e postar assim que minha beta tiver a chance de ler o capítulo. Veremos como fica (meu palpite são duas postagens por semana), mas não se preocupe, VOU terminar essa história. Nunca abandonei uma história ainda e não pretendo começar agora.

Ok, divagações suficientes. Espero que tudo esteja bem – se cuidem por ai a fora!


N/T: É com grande satisfação que inicio esta tradução de uma de minhas histórias favoritas. A autora fez um incrível trabalho neste fic, muito bem escrita e com uma ótima trama, e agradeço-a por permitir este projeto. Além de me possibilitar reler esta história e treinar minha capacidade de tradução, este projeto possibilita ainda que mais pessoas tenham acesso a o que eu considero uma das melhores fics que já li aqui neste site. Ressalto, mais uma vez, que apoiem a autora favoritando também a história original.

Agora, alguns pontos:

- Colchetes "[ ]" no meio do texto são notas originais da própria autora; caso eu faça algum comentário no meio do texto, será sempre precedido por "N/T".

- Optei por não traduzir os nomes dos personagens (Ron, Ginny, George, etc.); aparte disto, traduzirei tudo o que houver tradução direta, conforme a tradução da Rocco por Lia Wyler. Caso isso desagrade, podem comentar e adaptarei também.

- Por fim, são originalmente 20 capítulos nesta história, e estarei atualizando conforme o tempo que tenho disponível; estando em período de férias, acabo tendo mais facilidade. Não prometerei prazos, visto que faço isto também como forma de diversão, mas tentarei atualizar o mais frequentemente possível.