Capítulo 2


Junho de 2001

No fim de semana seguinte, Hermione tinha acabado de chegar ao fim das escadas, descendo do antigo quarto de Ginny n'A Toca, quando alguém a agarrou e a puxou para a sala de estar vazia.

Ela teria gritado se seu captor não tivesse tapado sua boca com a mão. Este também envolveu-a com um braço em volta de seu peito, prendendo seus braços e impedindo-a de agarrar sua varinha. Ela ergueu o pé para tentar chutá-lo, mas ele a bloqueou com a perna, claramente antecipando o movimento.

Hermione revirou os olhos. Essa pessoa era claramente treinada nesse tipo de coisa, o que limitava as possibilidades a uma dentre duas pessoas, e ela duvidava muito que fosse Ron. Ela lambeu a palma da mão que tapava sua boca e ele rapidamente retirou a mão.

"Eca!" Harry reclamou.

Ele finalmente a soltou e Hermione se virou para encará-lo, enojando-se do gosto 'térreo', mas ligeiramente podre em sua língua. "Que nojento. Que gosto é esse?"

"Eu estava desgnomizando o jardim", Harry deu de ombros, incapaz de suprimir um sorrisinho.

Hermione bateu em seu ombro com as costas da mão. "Ugh! E você não lavou as mãos?!"

"Mas a culpa é sua. Você não deveria sair por aí lambendo as mãos das pessoas," argumentou.

"Você não deveria sair por aí colocando suas mãos sujas sobre a boca das pessoas!"

"Shh!" Harry a silenciou com um aceno de sua varinha. Hermione olhou feio para ele, mas ele não estava prestando atenção. Ele estava aguçando os ouvidos. Hermione desfez o feitiço silenciador que ele lançou e ficou quieta enquanto ouvia alguém descendo as escadas.

Era provavelmente Ginny descendo de seu quarto. Hermione estava quase certa de que ela era a única outra pessoa na casa, no momento. Todos os outros estavam lá fora, curtindo o clima agradável.

Hermione espiou dentro do corredor e viu um lampejo de cabelos vermelhos desaparecer na cozinha, e então ouviu a porta dos fundos abrir e fechar. Assim que Ginny saiu de casa, Harry voltou a se concentrar em Hermione.

"O que diabos há de errado com você, Harry?! Primeiro você me agarra, depois me silencia. Você não pode simplesmente– "

"Foi mal," ele interrompeu. Ele começou a andar pela sala e passar os dedos dentre os cabelos, deixando-os ainda mais desgrenhados do que o normal.

Hermione o estudou e, ao ver sua aparência, sua indignação se dissipou. Ele parecia horrível. Para um estranho, ele provavelmente pareceria um pouco perturbado.

Ele estava andando pela sala rapidamente, puxando seu cabelo e deixando-o em ângulos estranhos. Ela se lembrou do que dissera a Ron no início da semana, que Harry sofreria o término bem mais do que Ginny. Bem, isso provava essa teoria.

Ginny estivera chateada enquanto Hermione estava conversando com ela no andar de cima, mas fora o fato de parecer um pouquinho triste e cansada, ela parecia seu 'eu normal'. Se Ginny parecia triste e cansada, Harry parecia devastado e exausto. Hermione adivinhou que eles deviam ter tido uma daquelas conversas que os casais têm às vezes, que duram uma noite inteira.

Não do tipo bom de conversa que os casais têm no início de um relacionamento, quando estão desesperados para aprender tudo um sobre o outro. Do tipo ruim, quando eles têm muito o que discutir, e estão adiando isso há tanto tempo que, quando finalmente chega a hora, a conversa dolorosa continua por horas e horas. Ela já esteve lá.

Hermione suspirou e se encostou no braço do sofá. "O que houve, Harry?"

"Sobre o que você e Ginny estavam conversando agora a pouco?" ele perguntou em voz baixa, o que Hermione considerou desnecessário, já que a casa estava vazia.

Hermione balançou a cabeça. "Eu não vou te dizer. Isso é uma grande violação de privaci–"

"Por favor?" Harry interrompeu, parando para ficar de frente com Hermione. "Estou no meio de um potencial término com a primeira pessoa que amei. Alguém com quem pensei que fosse me casar um dia. Eu preciso da sua ajuda."

Hermione balançou a cabeça e baixou o olhar para o tapete. Os olhos de Harry, verdes e tristes, a encaravam e ela sabia que se olhasse para eles por muito tempo, ela acabaria cedendo.

"Por acaso ela disse, explicitamente, 'não conte ao Harry'? Porque senão, não acho que seja uma violação da privacidade," ele ressaltou.

"Estava claramente implícito," ela respondeu, ainda olhando para o chão.

"Por favor?" ele disse, segurando ambas as mãos dela. "A propósito, não diga a Ginny que estou implorando desse jeito. Viu – isso sim não deveria ser dito para ela."

"Harry..." Hermione suspirou. Ela ergueu os olhos de volta para ele, o que foi um erro, já que ele estava lhe dando um olhar muito patético, mas muito cativante.

"Por favor," ele repetiu enquanto apertava as mãos dela. "Eu só preciso saber se estamos na mesma página. Tipo, eu deveria tentar consertar isso? Já acabou? Conversamos uma eternidade ontem à noite, mas ainda não tenho ideia de como isso vai acabar. Se isso vai acabar. Por favor, me ajude."

Hermione tirou as mãos das de Harry e cruzou os braços sobre o peito. Ela soltou um longo suspiro. "Eu acho que Ginny sente que seu término é iminente." Hermione tentou se afastar, mas Harry a segurou no lugar.

"O que ela disse?"

Hermione odiava isso. Ela nunca havia colocado Harry no meio dela e de Ron, e ele estava fazendo exatamente isso com ela, agora. Mas ele estava claramente desesperado. "Eu não sei, Harry. Ela disse que te ama, mas está preocupada que vocês não queiram as mesmas coisas. E talvez não tenha acabado, já que ela estava claramente dividida. Então, se você quer consertar seu relacionamento, então fale com ela, não comigo."

Ela tentou se afastar novamente e ele agarrou seu braço uma segunda vez. "Por favor, só mais uma coisa."

"Eu odeio isso e isso não é justo. Eu nunca fiz isso com você."

Harry largou o braço dela rapidamente, como se tivesse sido atingido por um Feitiço Ferroante¹, e pareceu imediatamente arrependido. "Merda. Você está certa. Sinto muito, Hermione." Ele se virou e enterrou o rosto nas mãos, depois disse para a palma das mãos: "Você pode voltar lá para fora. Aproveite o resto do seu dia."

Hermione respirou fundo e exalou lentamente. "Faça-me sua última pergunta, Harry. Está tudo bem."

"Tem certeza?"

"Pergunta logo antes que eu mude de ideia."

"Tudo bem. Você disse que Ginny estava dividida. Sobre o quê? O término? Você acha que há uma chance de ficarmos juntos?"

Hermione encolheu os ombros. "Ela me disse que estava dividida porque estava com medo de se arrepender de ter desistido de Harry Potter."

"Ela disse exatamente assim? 'Harry Potter'?"

"Uh, sim."

Harry caminhou até o sofá e se encolheu no assento, então enterrou a cabeça nas mãos. A verdade que ele vinha evitando por meses, que seu relacionamento com Ginny havia acabado, estava finalmente se enraizando, como um grande peso em seu peito. Ele estivera se agarrando à esperança de que eles pudessem resolver isso, que eles consertariam isso, mas ele sabia em seu coração que nunca poderia estar com alguém que pensasse nele como o famoso Harry Potter.

"O que aconteceu, Harry? O que está acontecendo aqui?" Hermione sentou-se no sofá ao lado de Harry e colocou a mão gentilmente em suas costas.

"Acabou," ele sussurrou. "E provavelmente é para o nosso bem. Ela sempre amou apenas Harry Potter."

Hermione estava sem palavras, no início. Ela ficou alarmada com a mudança abrupta de comportamento de Harry, e estava tendo dificuldades para lembrar de algum momento em que tivesse lhe visto tão quebrado. Aquela manhã depois de Godric's Hollow, quando ele descobriu sobre sua varinha quebrada, e quando Ron os deixou durante a caça às Horcrux, foram os únicos momentos que vieram à mente. Mas a guerra já acabara. Harry deveria estar feliz agora.

Ela começou a acariciar o topo de suas costas. "Sinto muito, Harry. Mas eu sei que Ginny te amava por você, e não porque você é famoso. Talvez no começo, quando ela tinha onze anos, ela te amou por tudo isso, mas não depois."

As palmas das mãos de Harry estavam molhadas de lágrimas agora, mas ele manteve o rosto nas mãos já que não queria que Hermione o visse chorando. Ele se concentrou na sensação dos dedos dela passando por suas costas enquanto ele tentava recuperar a compostura. Eventualmente, ele ergueu a cabeça e tentou enxugar os olhos com a manga, da maneira mais discreta possível.

Hermione percebeu que ele estava chorando, mas educadamente olhou pela janela enquanto ele enxugava as lágrimas.

"Minhas mãos estão com cheiro ruim", disse Harry a Hermione quando ele terminou de enxugar os olhos.

Ela riu. "Sim, eles não têm um gosto bom também."

Desta vez, Harry riu, e foi uma boa sensação depois de todo o choro que ele tinha chorado antes. Hermione puxou sua varinha e lançou um feitiço de limpeza em suas mãos. Ele acenou com a cabeça em apreciação antes de deitar a cabeça no sofá.

"Tenho certeza de que acabou", disse ele para o teto.

Hermione moveu-se no sofá, espelhando a mesma posição que ele. "Sinto muito, Harry. Eu sei como você se sente."

"Sim, acho que você sabe."

"Posso te perguntar uma coisa?" Hermione disse depois de um ou dois minutos olhando silenciosamente para o teto.

Harry virou a cabeça para olhar para ela. "Sim claro."

"Você ficou chateado com essa coisa de 'Harry Potter'." Ele assentiu. Hermione o viu olhando para ela pelo canto dos olhos, mas manteve os olhos erguidos. "Eu realmente odeio dizer isso, Harry, mas acho que você vai ter que lidar com isso, não importa quem você encontre. Quem quer que você namore a seguir provavelmente se sentirá atraído por você, no início, porque você é famoso."

[Isso não era verdade, mas eles não sabiam disso ainda.]

Hermione virou a cabeça para encarar Harry, que estava a apenas alguns centímetros dela, observando-a atentamente e franzindo a testa com suas palavras. "Eles vão eventualmente amar você por você, tenho certeza disso. Mas provavelmente sempre haverá momentos aqui e ali onde eles param e pensam - uau, estou com Harry Potter, o Harry Potter. Eu só – acho que isso é algo com o qual você terá que chegar a um acordo. "

[Novamente, não é verdade. Havia uma bruxa por aí afora, que recentemente estava solteira, que não pensava nele como Harry Potter, o famoso salvador do Mundo Mágico, mas apenas como Harry, seu melhor amigo. Mas levaria meses antes que Harry abrigasse qualquer pensamento romântico em relação a ela, e um pouco mais antes que ela retornasse o sentimento.]

"Eu odeio isso", Harry gemeu.

"Eu sei."

Naquela noite, depois de voltar de um dia na Toca, Harry e Ginny se separaram. No meio disso, a mente de Harry estava vagando. Ele estava preocupado com o que o Semanário das Bruxas diria sobre isso. Ele se perguntou se ficaria bem sozinho nesta casa enorme. Ele esperava que ainda pudesse ir para A Toca sempre que quisesse, e que Molly e Arthur não ficassem com raiva dele.

Nenhuma de suas preocupações eram sobre Ginny, especificamente, o que apenas confirmava que essa provavelmente era a decisão certa para eles.

[E era, só para constar. Ambos acabaram por encontrar parceiros muito mais adequados para eles.]


Era o fim de semana logo após a separação de Harry e Ginny, e Harry estava atualmente deitado de costas no sofá de Hermione, jogando uma Goles para cima e para baixo. Ele ficou surpreso de encontrar uma dessas no armário de Hermione, e deduziu que Ron deve ter deixado ela para trás. Esse pensamento o deixou um pouco enjoado.

Ele estivera encontrando pedacinhos de Ginny ao redor do Largo Grimmauld, nos lugares mais inesperados. Uma das vassouras extras dela escondida na parte de trás do armário do corredor, um fio de cabelo enfiado entre a almofada do sofá, e um saco daquelas batatinhas de sal e vinagre que ela gostava (que Harry odiava, já que tinham sido as favoritas de Dudley enquanto crescia, e sempre lembrou Harry dos Dursleys), enfiados no fundo da despensa.

O que ele deveria fazer com tudo isso? Colocar em uma caixa e devolver a ela um dia dessas? Estaria ela também fazendo uma caixa de Harry em seu apartamento? Ou talvez ela estivesse apenas jogando as coisas dele na lata de lixo?

Hermione estava trabalhando em sua mesa perto da janela, literalmente mordendo a língua para não explodir com Harry. O tum, tum, tum de Harry pegando a Goles a estava deixando louca e ela não conseguia se concentrar em terminar o material para sua apresentação aos Anciões na quarta-feira.

Na verdade, era raro para ela estar sozinha com Harry, fora de seus almoços de quinta-feira. Ele normalmente passava seu tempo com Ginny, e quando ela estava ocupada, com Ron. Era óbvio o porquê dele não estar com Ginny hoje; e ele fora um tanto vago sobre o paradeiro de Ron, o que Hermione imaginou significar que ele estava com Lucy. Harry viera até ela como último recurso.

Embora ela tivesse dito que estaria ocupada trabalhando quando ele apareceu em seu apartamento esta manhã, ele ficou. Ela supôs que era porque ele odiava ficar sozinho. Depois da guerra, isso acabou sendo realmente um problema para ele. Ele estivera morando sozinho no Largo Grimmauld enquanto Ginny e Hermione estavam terminando seu último ano em Hogwarts, e Ron estava morando no apartamento de George, acima da Genialidades Weasley.

Harry estava tendo ataques de pânico regularmente naquela época, e mal dormia. Sua mente continuava convencendo-o de que todos em sua vida haviam partido. Rony demorou alguns meses para descobrir o que estava acontecendo, já que Harry era do tipo que guarda esse tipo de coisa para si mesmo. Mas uma certa noite, Ron passou para pegar algo que ele havia deixado na casa de Harry mais cedo, e encontrou Harry enrolado em uma bola no sofá, dominado por soluços de choro violentos.

Ele tinha se convencido inicialmente de que Ron era um fantasma, já que o pesadelo que se desenrolava em sua mente era aquele em que todos que ele amava morreram na guerra, deixando-o sozinho. Depois de provar a Harry que ele estava realmente vivo, Ron ficou com ele, sentado silenciosamente no sofá até que Harry se acalmasse.

Harry ficou incrivelmente envergonhado e, enquanto procurava as palavras certas para descrever o que estava acontecendo sem alarmar seu amigo, Ron interrompeu-o. Ele explicou que tinha vindo perguntar se poderia morar no Largo Grimmauld. O apartamento de George era muito pequeno e os sons constantes de batidas de seus experimentos mantinham Ron acordado à noite. Seria apenas temporário, Ron alegou. Até que ele pudesse arcar com os custos de um lugar próprio.

Ambos sabiam que não era por isso que Ron tinha vindo, mas Harry aceitou o presente que Ron estava oferecendo. Ele o deixou ficar sem pagar aluguel pelo tempo que quisesse, e eles nunca mais falaram sobre aquela noite. Ron contara tudo isso a Hermione quando ela questionou por que ele estava deixando George sozinho, mas ela teve de jurar nunca contar a Harry que sabia.

Hermione percebia agora, tudo isso já tinha passado. Ron se mudou depois de um ano e, a essa altura, Ginny já havia se formado e dormia ali quase todas as noites. Provavelmente não fora necessidade que trouxe Harry ao apartamento de Hermione esta manhã, mas sim tédio.

Hermione finalmente explodiu, incapaz de conter sua frustração. "Dá para colocar um feitiço silenciador ou algo assim? Eu disse que tinha que trabalhar e você disse que ficaria quieto."

Harry se sentou no sofá, sem se incomodar com a repreensão dela. "Você é entediante", disse ele incisivamente.

Ela encolheu os ombros. "Eu sei disso, mas também é por isso que eu não fui sua primeira escolha. Eu sei que Ron e Ginny não são opções hoje, mas você tem outros amigos, como Luna e Neville."

"Eu não quero que eles saibam o quão patético eu estou."

Hermione não pôde deixar de sorrir com sua admissão honesta. "Mas eu posso saber?"

"Você já me viu muito pior" disse ele, simplesmente.

Hermione deu a ele outro sorriso. Era difícil ficar incomodada com ele quando ele estava claramente em sofrimento. Ela suspirou. "E aquele relatório que você me contou na hora do almoço? Aquele que você está adiando."

"O que tem isso?"

"Faça ele. Agora. Aí nós dois estaremos trabalhando." Ela apontou para a escrivaninha atrás dela.

"Ugh," ele torceu o rosto em desgosto. "Eu não quero fazer isso."

"Se você se sentar e se concentrar nele, quanto tempo vai levar? Uma hora?"

Harry fez que sim com a cabeça. Ele não gostava do rumo para onde isso estava indo.

"Faça o relatório. Então, quando você terminar, vou deixar todo esse trabalho de lado e podemos ir fazer algo divertido. O que você quiser."

"As coisas de que eu preciso não estão comigo."

"Vai buscar." Hermione acenou em direção à porta e se virou para trás em sua cadeira.

"Está muito longe", ele reclamou.

"Você sabe magia. Agora pare de choramingar."

Harry revirou os olhos, mas se levantou. Ele arrastou os pés a caminho da porta e, uma vez que ele saiu para o degrau da entrada fora dos feitiços de proteção de Hermione, ele aparatou para a porta do Largo Grimmauld.

Ele caminhou para seu quarto e pegou sua bolsa enquanto se perguntava se passar o tempo com Hermione sempre resultaria em ele trabalhando nos fins de semana. Nesse caso, ele precisaria encontrar um plano B. Mas, bem, ela disse que isso era raro. Ela geralmente tentava manter seus fins de semana livres, só que havia essa grande apresentação chegando.

Quando Harry voltou ao apartamento dela, ele espalhou seus papéis sobre a mesa de centro, demorando o máximo possível. Hermione mal havia se movido com o som dele entrando. Ela estava curvada sobre a mesa, perdida em pensamentos.

"Por que você trabalha tanto?" Ele perguntou a ela.

Ela terminou a linha em que estava trabalhando antes de se virar para encará-lo. Ela estava com uma expressão de extremo aborrecimento. "Eu sei que você está procrastinando. Eu vou te fazer um agrado e responder a esta pergunta, e então você vai calar a boca, e se não calar, eu vou te azarar."

Harry sorriu para ela e balançou a cabeça. Já fazia muito tempo que ele não tentava interferir no trabalho dela. Ele tinha esquecido o quão agressiva ela poderia ser.

Ela suspirou. "Eu trabalho duro porque preciso, Harry. Estou trabalhando de trás²."

Harry inclinou a cabeça em confusão. "Em que sentido? Você é mais inteligente do que todo mundo."

"Sim, eu sou," disse ela sem um pingo de arrogância. Era algo que ela podia admitir livremente para Harry, mas nunca diria a mais ninguém. "E isso é algo bom, já que tenho que ser melhor e mais inteligente para ficar par a par com meus colegas. E ainda melhor do que isso para passar à frente."

Ele parecia confuso.

"Harry, eu sou Nascida-Trouxa," ela continuou a explicar. "Isso ainda me persegue por aí. As pessoas não querem mais nos matar, mas acham que somos menos que os outros bruxos. Além disso, eu também sou uma bruxa, em uma sociedade patriarcal. E, bem, estou tendo dificuldades para sair da sua sombra, também."

Essa última pegou Harry de surpresa. "O quê? O que você quer dizer?"

"Semana passada, ouvi Boyle conversando com meu chefe, Benson, sobre minha nova lei. Benson ficou surpreso por eu ter conseguido fazer todas as raças de criaturas concordarem, então Boyle o lembrou de que eu sou sua amiga. Ele disse isso bem assim. 'Bom, lembre-se de quem é o melhor amigo dela'. Como se alguma parte disso tivesse algo a ver com você."

"Eu nunca –" Harry começou a argumentar, mas Hermione o interrompeu.

"Eu sei, Harry, eu sei. Eu sei que você não fez nada para causar esse tipo de coisa. É só – essa situação toda. Eu não culpo você; eu culpo eles."

Harry parecia triste. Ele nunca soube. Ele estava tentando pensar em uma maneira de consertar isso, mas nada vinha à sua mente.

"Sinto muito que você tenha que lidar com tudo isso", disse ele com sinceridade.

"Está tudo bem. Tenho uma boa ética de trabalho, e posso lidar com isso. Reconhecer tudo que está trabalhando contra mim já foi metade da batalha."

"Eu acho você brilhante." Hermione o dispensou com um aceno de mão, o que fez Harry continuar. "Não, sério, escute. Eu sei que você ouve isso muito, que você é inteligente, mas é mais do que isso. Muitas pessoas são inteligentes, mas a maneira como você aplica isso, combinada com o quão duro você trabalha, e o quanto você realmente se importa. Isso é único. Se alguém vai superar todos esses obstáculos, é você."

As palavras de Harry envolveram Hermione como um abraço caloroso. Ele estava certo, as pessoas sempre diziam que ela era esperta e inteligente, mas poucas pessoas haviam feito um elogio como esse, que realmente falava de como ela era. Ela o observou por vários segundos antes de finalmente sair de seu devaneio.

"Obrigada, Harry", disse ela com um sorriso. "Agora você pode calar a boca e me deixar trabalhar?"

A expressão de Harry ficou séria. "Você quer que –? Hãh... uma hora é realmente suficiente para o que quer que você tem pra fazer aí? Eu não quero incomodar você, Hermione."

Hermione sorriu. Harry era tão fofo. "Eu vou ficar bem. Pausas são uma coisa boa, lembra?"

Pouco mais de uma hora depois, Harry estava dando os toques finais em seu relatório. Era boa a sensação de tê-lo pronto, e agora isso não estaria pairando sobre sua cabeça durante toda a próxima semana. Mas ele não diria isso a Hermione, já que não queria que essa eventualidade se tornasse algo normal.

"Terminei," ele anunciou com orgulho.

Hermione acenou com a cabeça e se virou para encará-lo. "Ok, estou pronta para me divertir. O que vai ser?"

Harry saltou do sofá. "Voar."

A expressão de Hermione murchou. "O quê? Não."

"Você disse qualquer coisa que eu quisesse."

"Sou uma péssima voadora. Sequer tenho uma vassoura."

"Ginny deixou uma extra na minha casa, você pode usar essa."

"Harry, eu odeio voar." Harry havia cruzado a sala agora e estava estendendo a mão para ela. Ela o ignorou e cruzou os braços sobre o peito.

"Eu odeio trabalhar nos fins de semana, mas fiz isso por você", apontou Harry.

"Isso é diferente."

"Como?"

"Isso é uma fobia real", disse ela com insistência. Só a ideia de voar alto estava fazendo o coração de Hermione disparar.

"Tenho um medo real de trabalhar fora da semana. Além disso, você precisa melhorar, você prometeu," ele acenou com a mão estendida, mas ela não aceitou.

"Estou muito deprimido com o meu término, acho que essa pode ser uma das únicas coisas que me tirará dessa bad", ele brincou.

Hermione tentou chutá-lo, mas ele saltou para fora do caminho. "Eu não consigo acreditar que isso está funcionando em mim. O que há de errado comigo?" ela resmungou para si mesma.

"Você é uma pessoa incrível que faria qualquer coisa pelos seus amigos", disse Harry com seu sorriso mais charmoso, estendendo a mão novamente.

"Tá bem. Mas não vou ficar a mais de três metros do chão, em nenhum momento."

Ela, a muito contragosto, colocou a mão na dele e ele a puxou em direção à porta, ansioso para colocá-los no ar antes que ela mudasse de ideia.


No dia seguinte, Harry estava na Toca, balançando Teddy em seu colo enquanto falava com George, quando Ron deu um tapinha em seu ombro e fez sinal para que ele se juntasse a ele na lateral da casa. Harry imediatamente entrou no que Ginny chamava de "modo-Auror", e centenas de tragédias passaram por sua mente em rápida sucessão. Alguém ficou ferido, houve uma invasão em Azkaban, um de seus informantes foi descoberto, alguém morreu...

"Relaxe, não é nada sério," Ron disse assim que viu o pânico nos olhos de Harry.

Harry deu um sorriso tímido e se abaixou para colocar Teddy no chão. Teddy passou o braço em volta da perna de Harry e os dois olharam para Ron. "O que é?"

Ron deu a ele um olhar estranho. Era uma mistura de culpa e desconforto. "Uh, é a Hermione," ele explicou.

Harry olhou em volta, mas não viu Hermione em lugar nenhum.

"Ela está aqui na casa. Ela desapareceu há mais de trinta minutos. Você pode ir ver como ela está?"

Harry acenou em entendimento. Lucy estava aqui hoje. Ron a estava apresentando para sua família. Ron tinha avisado Hermione com antecedência e ela decidiu vir de qualquer maneira. Ela disse a Harry que, se ela ia continuar amiga de Ron, ela teria que encontrar sua namorada eventualmente, então era melhor dar um jeito logo com isso.

Harry estava se repreendendo por não ter percebido a ausência dela antes. Ele culpou Teddy, que estava com um humor especialmente pegajoso hoje.

"Quer dizer, eu mesmo iria," Ron continuou, "mas, bem, aposto que não sou eu quem ela quer ver. Você sabe", ele inclinou a cabeça na direção de Lucy.

Harry acenou com a cabeça. "Sim. Eu vou."

Ele tentou convencer Teddy a ficar com Ron, mas seu afilhado protestou ruidosamente e insistiu em permanecer grudado a Harry. Harry suspirou e colocou um Feitiço Peso-Pena em Teddy antes de pegá-lo no colo e voltar para dentro da casa.

Quando ele chegou ao pé da escada, ele encontrou Ginny, que havia entrado pela porta da frente.

"Ah, olá." Ambos disseram em uníssono.

Eles recuaram, pondo vários metros entre eles, e olharam um para o outro sem jeito. Foi Ginny quem quebrou o silêncio. "Como você está?" ela perguntou.

"Bem. Quero dizer, triste, mas bem."

"É. Eu também."

Eles ficaram em silêncio de novo, e deve ter sido bem ruim, já que até mesmo Teddy percebeu e ficou quieto, o que era raro.

"Eu sinto sua falta, Harry. Eu quero passar logo por cima toda essa estranheza e chegar à parte em que somos amigos de novo," Ginny admitiu com um pequeno sorriso. Harry desviou o olhar dela. Ela estava muito bonita hoje, e ele desejou que ela pudesse parar de parecer tão bonita por um tempo, pelo menos até que ele a superasse completamente.

Embora ele não pudesse evitar de sorrir com a confissão dela. Ele se sentia da mesma maneira. Isso tudo era mais difícil do que ele pensava que seria. O fato de terem sido desnecessariamente ruins um com o outro perto do fim provavelmente não estava ajudando. Ele tinha certeza de que Ron e Hermione não haviam apontado cada uma das coisas que não gostavam um sobre o outro no meio do término.

Mas o que doía mais do que qualquer coisa que Ginny dissera a ele, era a dúvida persistente de Harry de que talvez ela só o tivesse amado porque ele era famoso. As palavras de Hermione ainda ecoavam em sua mente. Ela me disse que estava com medo em se arrepender de ter desistido de Harry Potter.

Mas essa era Ginny, ele lembrou a si mesmo. Ela era incrível, e ainda uma de suas melhores amigas, e ele não a queria fora de sua vida. "Eu–'' ele hesitou e parou por um momento para respirar.

"Deixa eu começar de novo," ele murmurou. Ginny deu a ele um sorriso encorajador. "Sinto muito. Eu disse algumas coisas horríveis para você. Eu só estava... sofrendo... e acho que eu queria que você estivesse sofrendo também."

Ela acenou com a cabeça. "Eu também, tudo que você acabou de dizer, é o mesmo para mim. Sinto muito, Harry. Eu não quis dizer nada daquilo."

O silêncio constrangedor começou a se estabelecer, mas Ginny tentou se antecipar dessa vez. "Uh, você estava subindo?"

"Ah, sim. Eu estava indo ver a Hermione."

"Ah, eu também."

"Ah."

"Ah!" Teddy entrou na conversa. Ele havia presumido, incorretamente, que dizer nervosamente "Ah" era algum tipo de jogo.

Ginny e Harry riram baixinho enquanto Harry se perguntava quantos "ahs" eles diriam nessa conversa.

[Excluindo o "Ah" de Teddy, eles haviam pronunciado cinco "Ahs" até agora, e a contagem aumentaria para sete antes que a conversa acabasse.]

Droga, isso é tão desconfortável, Harry pensou consigo mesmo. Em voz alta, ele disse: "Hum, vá em frente", enquanto fazia menção às escadas.

Ginny balançou a cabeça. "Não, você está com o Teddy, e não existem muitas pessoas que ele não consiga animar." Ela estendeu a mão e fez cócegas no pescoço de Teddy. Teddy soltou um pequeno ganido.

Ginny se voltou para a porta da frente. "Ah, uh, Ginny. Eu tenho algumas coisas suas que você deixou em casa. Um macacão, sua velha vassoura, algumas outras coisas assim. Você as quer de volta?"

"Ah, certo. Eu encontrei algumas das suas coisas também. Podemos fazer uma troca mais tarde hoje, se você quiser."

Soava como a pior coisa de todos os tempos. Ainda pior do que essa conversa. Mas ainda assim, Harry disse "Claro."

"Ok, boa sorte", respondeu ela, inclinando a cabeça em direção ao topo da escada. "Nos vemos depois."

Harry respirou fundo. "Isso foi doloroso", disse ele a Teddy.

"Você está com um machucadinho³?"

"Sim," Harry respondeu com uma pequena risada.

"Onde?"

"No meu coração."

Teddy parecia alarmado. Seus olhos estavam escuros no momento, como naturalmente eram os de Tonks, e estavam nadando em preocupação. "Não se preocupe", Harry se apressou para tranquilizá-lo. "Vai sarar. Assim como aquele corte que você fez na perna semana passada. Já sumiu." Teddy concordou com a cabeça.

"Agora vamos ver como está Hermione. Ela também tem um machucado no coração."

Teddy acenou a cabeça seriamente. Eles estavam do lado de fora do quarto de Ginny agora. Harry bateu suavemente na porta fechada antes de entrar. Hermione estava sentada no parapeito da janela, olhando para fora. Ela estava com as costas contra a parede e as pernas puxadas até o peito.

Quando ela olhou por cima do ombro para Harry, ela não pareceu surpresa em vê-lo. Ela deu a ele um pequeno aceno de cabeça antes de voltar para a janela.

Harry se sentou na beira da cama de Ginny, a poucos metros de Hermione, e deixou Teddy descer. Teddy estava ansioso para explorar o novo ambiente. Ele ficou de joelhos e rastejou para debaixo da cama para ver o que conseguia encontrar.

Hermione ficou quieta e manteve seu olhar fora.

"Você está bem, Hermione?"

Ela acenou com a cabeça.

"Isso é por causa da Lucy?"

Ela esperou muito tempo para responder. Teddy havia encontrado uma Goles velha e estava chutando-a pela sala. Harry estava dividindo sua atenção entre seu afilhado e certificando-se de que ele não destruía nada, e Hermione. Quando Hermione começou a falar, ele pegou Teddy em seu colo e o silenciou. Teddy percebeu o tom sério de Harry e ficou quieto.

"Eu superei Ron – bom – estou no caminho," Hermione estava dizendo. "Mas minha substituta", sua voz ficou presa na garganta. "Vendo minhas falhas destacadas como pontos fortes da pessoa que ele escolheu – é difícil não doer."

"O quê? Eu não entendo." Hermione ficou tocada pela genuína confusão de Harry.

"Sempre fui um pouco reservada e você sabe que não sou muito divertida, você mesmo disse ontem. E – não sei – eu nunca fui muito dessas coisas femininas, nem especialmente linda e a Lucy, bem, ela é todas essas coisas, não é? "

Harry estava completamente sem palavras. Havia tanta coisa que ele queria dizer a ela, mas não conseguia descobrir como colocá-las em palavras. Ele queria dizer a Hermione que ela era sim divertida, e linda, e que não importava que ela fosse tímida, porque Harry também era. E que, depois que ela ficava confortável perto de alguém, ela se tornava a amiga mais leal que se poderia imaginar.

Ele queria dizer a ela que Lucy podia até ser legal e sociável, mas para além disso, não havia profundidade. Mas ele não teve nenhuma chance porque Teddy estava puxando sua camisa. "O quê, Teddy? Estou conversando com Hermione."

Teddy transformou seu cabelo em rosa e o nariz em um focinho, então gritou: "Porquinho!"

[É importante notar que crianças de três anos, embora muito fofas, também são muito inconvenientes , se tem algo que elas odeiam mais do que tudo, são as conversas que não são centradas nelas.]

Harry deu a Hermione um sorriso culpado. "Sinto muito. Não consegui fazer com que ele ficasse com mais ninguém."

"Tudo bem."

Teddy se virou para Hermione. "Você tem um machucadinho em seu coração?"

Hermione soltou uma pequena risada. "Sim, acho que sim."

Teddy rastejou até ela e sussurrou em seu ouvido daquele jeito muito alto que as crianças fazem, "O Harry também."

Isso fez Hermione rir de verdade. Harry ficou feliz em vê-la sorrir, embora preferisse que fosse ele o causador, não Teddy. Mas ele não pôde deixar de notar que o sorriso de seus lábios não alcançou seus olhos.

"Aqui, eu tenho algo para te mostrar", Hermione estava dizendo a Teddy. Ela puxou a varinha do bolso e conjurou um pequeno canário amarelo. Teddy bateu palmas e começou a persegui-lo pela sala.

"Que mania é essa sua de conjurar pássaros sempre que você está chateada com Ron?" Harry brincou.

Hermione soltou uma pequena risada. "Você está certo. Eu quase tinha me esquecido dessa."

O pássaro estava voando ao redor da cabeça de Hermione agora. Ela abriu a janela para deixar sair, então chamou Teddy de volta para ela. "Agora é sua vez de tentar, ok?"

Ela murmurou o encantamento para o Feitiço Avis, então outro encantamento que Harry não reconheceu antes de entregar sua varinha para Teddy. "Ok, agora diga, 'Passarinho!'"

Para a surpresa de Harry, quando Teddy sacudiu a varinha e gritou, "Passinho!" um pássaro amarelo irrompeu pela ponta.

Teddy gritou de alegria, então começou a rir de se rolar, de uma forma que dominou todo o seu corpo. Era o tipo de risada pura e consumidora que as crianças pequenas riem e que é rara, mas que quando acontece, cativa todos os adultos nas proximidades. Harry e Hermione começaram a rir também, e Harry ficou feliz em notar que a tristeza nos olhos de Hermione havia se dissipado um pouco.

"De novo de novo!" Teddy gritou, apontando a varinha para Hermione. Harry o agarrou rapidamente de suas mãos e o devolveu a ela.

"Como você fez isso?" Harry perguntou.

Hermione explicou, enquanto conjurava o feitiço novamente, que ela estava brincando com sua varinha um dia e descobriu uma maneira de deliberadamente atrasar o lançamento de um feitiço. Ela não tinha encontrado nenhum uso real para esse tipo de coisa até agora, no entanto.

Ela olhou para Teddy e antes de entregar a varinha a ele novamente, disse severamente, "Nós vamos fazer só mais duas vezes, ok? Você pode me mostrar quantas vezes são usando seus dedos?"

Teddy balançou a cabeça seriamente e ergueu os dois dedos indicadores diante do rosto.

"Muito bom", disse Hermione com um sorriso. "Ok, aqui está. Diga 'passarinho' novamente."

Enquanto Harry observava Hermione com Teddy, ele não conseguia acreditar que, ao se comparar com Lucy (ou qualquer outra bruxa, aliás), ela se sentisse insuficiente. Talvez Lucy fosse loira e efusiva, mas e aqui estava Hermione. Poderosa, forte, impressionante. Mas também, amorosa, gentil e compassiva.

Um cacho caiu no rosto de Hermione e Harry teve o desejo de estender a mão e colocá-lo atrás de sua orelha. Antes que ele pudesse fazer isso, ou até mesmo se perguntar por que ele queria fazê-lo, Teddy o puxou, então tornou seu cabelo castanho e encaracolado em uma bela imitação do cabelo dela.

"Ai, hã, obrigada, Teddy," Hermione disse enquanto soltava o cabelo de seu pequeno, mas firme aperto e o colocava atrás da orelha.

Ela olhou para Harry e viu um brilho em seus olhos que ela nunca tinha visto antes. Parecia familiar, mas ela não conseguia identificá-lo.

[O olhar era de atração, mas nenhum deles o reconheceu como tal na época.]

Havia algo incomodando no fundo da mente de Harry, um sentimento familiar, mas antes que ele pudesse considerar isso mais a fundo, Teddy lançou faíscas da varinha de Hermione.

"Ok, acho que é hora de eu pegar isso de volta", disse Hermione, estendendo a mão para sua varinha.

Teddy fez beicinho, mas desistiu com relutância.

"Sabe de uma coisa, Teddy?" Harry perguntou a ele.

"O que?"

"Nossa Hermione aqui é incrível," Harry começou, seus olhos fixos nos de Hermione. "Ela é a bruxa mais impressionante que já conheci e, embora eu a conheça há anos, ela ainda consegue me surpreender com seu brilho. Você vai ter que me ensinar aquele feitiço de retardamento", acrescentou ele em voz baixa para Hermione.

[Foi uma pena Harry não ter a chance de dizer todas as coisas sobre Hermione que haviam surgido em sua mente anteriormente, mas esta era uma alternativa sólida.]

Lágrimas arderam nos olhos de Hermione, mas ela não conseguia desviar os olhos do olhar penetrante de Harry para enxugá-los, então ela piscou para conter as lágrimas.

Só então, sentindo que a conversa estava se afastando dele novamente, Teddy subiu no colo de Hermione e começou a apontar para os pássaros que ele havia feito que estavam voando do lado de fora da janela.

"Eu consegui! Eu consegui!" ele estava exclamando enquanto apontava para cada um.

Hermione passou a mão no joelho de Harry e murmurou, "Obrigada," antes de se concentrar em Teddy.


N/A: Puxa, Teddy, cala a boca e deixa esses dois se divertirem! Crianças de três anos são as piores. Tenho meninas gêmeas de três anos, então sou especialista nisso.

De qualquer forma, se você estiver no Tumblr, pode me encontrar em Alexandra-Emerson. Eu esqueci de mencioná-la inicialmente, mas minha beta-reader [N/T: leitora-beta] para esta história é a Lancashire Witch e ela é incrível. Esta é a quarta história com a qual ela me ajuda. Muito obrigada a ela!

Fico feliz que todos tenham gostado tanto do primeiro capítulo, espero que tenham gostado deste também. Obrigado por ler!


Notas de Tradução:

¹ - Stinging: ferroante, ardente, urticante ou picante. O mesmo feitiço usado inconscientemente por Harry em Enigma do Príncipe, quando Snape está lendo sua mente.

² - Working From Behind: significando, "trabalhando em desvantagem", "desde atrás", em suma, alguém que está em desvantagem destarte, vítima de alguma condição desigual.

³ - Owie: "machucadinho", "dodói", especificamente referindo-se ao jeito de uma criança falar.