A tradução em português de Blood and Herbs de JodiMarie2910 :)

É parcialmente uma tradução literal e parcialmente uma tradução livre. Por favor perdoe quaisquer palavras estranhas. Português não é minha primeira língua. Eu estou usando isso para praticar meu português e também eu tenho muitos leitores de América do Sul. Obrigada.

O pai dela está morto. O pai dela está morto, e todos estão mortos. Todos. A aldeia dela está vermelha de sangue, manchando suas casas, seus corpos, suas terras, e todos estão mortos. Todos menos ela. Como ela teve a sorte de escapar? Como ela estava sonhando acordada perto do riacho no exato momento em que sua família estava sendo massacrada? Todos estão mortos. Todos.

Ela repete esse fato em seu cérebro, continuamente, mas isso faz menos sentido cada vez que ela o conta. Ela não pode pensar sobre isso agora. Ela precisa manter as mãos firmes enquanto aplica um cataplasma de ervas na perna ferida do único sobrevivente. Uma espada com ponta de veneno cortou-o, e ela está usando as ervas para remover o veneno. Ervas são a única coisa que ela deixou de seu pai agora—isso e o que ele lhe ensinou sobre medicina. Ela pode ouvir a voz dele dizendo a ela exatamente quais plantas colher e como misturá-las, pode sentir o fantasma das mãos dele guiando as dela enquanto ela faz um curativo no ferimento do homem.

Piscando para conter as lágrimas antes que elas a ceguem, Ga Eul tenta não pensar mais em seu pai no momento. Em vez disso, ela tenta se concentrar no jovem à sua frente.

Ele diz que seu nome é Lee Rang. Ele é um pouco mais velho do que ela, ela pensa, e não é da aldeia. Seu rosto bonito está sombreado por olhos escuros tristes. Quando ele a encontrou enquanto ela chorava sobre o corpo de seu pai, seu hanbok azul estava encharcado de sangue, e seus olhos foram imediatamente atraídos para sua manqueira. Quando ela perguntou se ele queria que ela olhasse para seu ferimento, ele não respondeu imediatamente. Ele parecia confuso. Deve ter sido o choque, ela pensa. Ele disse a ela um exército de vagabundos havia passado pela aldeia, invadindo casas e matando todos. Ele só tinha escapado porque pensaram que ele estava morto. Ga Eul supõe que ele deve ser inteligente para ter sobrevivido a algo tão horrível. Ele parece inteligente e forte, e se comporta com confiança.

Ga Eul mantém seus olhos em sua tarefa. Se ela olhar para cima, provavelmente vai corar furiosamente. Ela nunca tocou em um homem antes do jeito que está fazendo agora. No próximo outono, ela deveria se casar com o filho do amigo de seu pai, embora ela pouco se importasse com ele, mas isso não vai mais acontecer.

Isso não vai mais acontecer porque...todos estão mortos.

—Vai...Vai ficar tudo bem agora.—Ga Eul diz baixinho, parcialmente para si mesma. Ela termina de amarrar o curativo na perna do homem.—Só temos que esperar que as ervas façam seu trabalho, mas você deve se sentir melhor logo.—Ela sorri de forma encorajadora, embora sinta vontade de chorar.

Ele não retribui o sorriso dela. Ele está carrancudo para ela, e ela não sabe por que. Ela espera não ter feito nada impróprio.

—Tem alguma coisa errada?—Ela perguntou.—Eu te machuquei? O curativo está muito apertado?

Ele a observa por mais um momento, como se a estivesse avaliando ou planejando algo. Pela primeira vez desde que ela se sentou com ele na casa de seu pai, Ga Eul se sente desconfortável. Talvez ela estivesse cega pela dor antes e se dedicou a curá-lo para não se sentir tão impotente, mas agora ela pode sentir o peso da situação. Aqui está ela, no meio de uma aldeia massacrada, sozinha, com um homem estranho que falou muito pouco durante todo o tempo em que esteve cuidando ele. Não há outra aldeia por milhas e milhas. Ele poderia fazer qualquer coisa com ela, e ela não poderia impedi-lo.

Ga Eul tenta não deixar seu nervosismo transparecer em seu rosto, mas ela não confia em si mesma para falar novamente. Deixe-o falar primeiro e então ela decidirá o que responder.

—Você tem sangue na sua saia.—Ele finalmente diz.

Ga Eul olha para baixo. Ele está certo. Ela tem um pouco de sangue manchando a frente de sua saia, de onde ela estava chorando sobre o corpo de seu pai antes.

—Oh, um, eu acho que posso encontrar algumas roupas novas.

—É o sangue do seu pai.—Ele diz. Não é uma pergunta, mas Ga Eul ainda responde.

—Um, sim.—Ela inclina a cabeça, sentindo-se repentinamente tonta.

—Eu me pergunto se o seu sangue é tão delicioso.—Lee Rang continua, e Ga Eul olha para cima, bruscamente.

O homem não está mais carrancudo. Um sorriso aterrorizante se espalha por seu rosto respingado de sangue enquanto um brilho predatório ilumina seus olhos. Ga Eul percebe, tarde demais, que ela é a presa.

—O q-que?—Ela diz com voz rouca, seus olhos se arregalando.

O homem se levanta, elevando-se sobre ela, e de repente, um de seus olhos muda, fazendo uma transição perfeita de obsidiana para âmbar brilhante. Garras mortais emergem das pontas dos dedos. Ga Eul se levanta rapidamente e caminha para trás, mas suas costas batem na parede da casa de sua infância. Ele a mantém presa enquanto fica entre ela e a saída. Uma raposa. Uma criatura lendária. Da noite. De morte.

—N-não havia exército, havia?—Ela diz quando ele se aproxima, sorrindo. Sua claudicação desapareceu.—Você...V-v-você os matou. Você matou todos eles!—Lágrimas quentes queimam seus olhos.

—Eu tive um bom almoço.

—Você matou meu pai!

A raposa zomba.

—Não apenas seu pai.

—Você os matou...você...você...você...monstro!

A raposa ri, uma risada cruel e desdenhosa que faz Ga Eul fechar as mãos. Ela quer bater nele ainda mais sangrento do que ele já está, mas o terror a mantém quieta.

—Claro que eu os matei.—O monstro está dizendo.—Você realmente acha que criaturas como você são dignas de viver nesta floresta? Você só é bom para ser caçado.

—Você é desprezível.

—Eu sei.—A raposa sorri.

—Você me mataria também, mesmo eu tendo ajudado você.—Ela diz.

A expressão da raposa azeda. A mandíbula dele endurece. Ele se aproxima dela até que ele esteja tão perto que ela pode sentir sua respiração em seu rosto. É isso, ela pensa. Ele vai matá-la como o resto. Ela pode sentir o cheiro de cobre no sangue em seu rosto. Logo, será o sangue dela. Ele estará se banqueteando em seu coração.

—Eu ia, mas...—Ele arrasta uma de suas garras suavemente pelo lado de seu rosto, e Ga Eul fica incrivelmente imóvel para que ele não a deixe cicatrizes.—Já que você me fez um favor, eu vou te fazer um favor.—A mão dele cai. Seu olho âmbar parece que pode queimar se ela ficar olhando para ele por muito tempo, mas ela não consegue desviar o olhar. Ela engole e encontra sua voz.

—S-sim?

Ele a encara por um longo momento, veneno em seus olhos, e ela não consegue imaginar que tipo de favor ele fará por ela. Ele parece mais do que pronto para atacá-la, mas de repente, ele dá um passo para trás.

—Eu vou deixar você correr.—Ele anuncia com outro sorriso maníaco, embora não seja exatamente um sorriso convincente, como se estivesse se arrependendo de ser tão leniente com ela.

Em verdade, ele disse que a deixaria correr. Ele não disse que não iria persegui-la e matá-la ainda. Ele deve estar absolutamente louco, ela pensa. Ela não tem chance. Está escuro lá fora, e mesmo à luz do dia, como ela poderia se defender contra alguém que destruiu uma aldeia inteira sozinha? Ainda assim, ela tem que se dar uma chance de lutar. O que mais ela pode fazer? Ficar lá e esperar que ele arranque o coração dela?

Ga Eul corre. Ela tropeça passando pela raposa e o ouve rindo sombriamente quando ela sai de casa. Embora provavelmente não seja inteligente, ela corre direto para a floresta. É o território dele—ele deixou isso violentamente claro—mas ela não tem outro lugar para ir. Galhos dão um tapa na cara dela. Raízes cobertas de vegetação a tropeçam. Ela ouve ruídos no escuro, mas continua correndo, tentando não entrar em pânico a cada som. Ela corre até não poder dar mais um passo, até que seus pés estejam ensanguentados e machucados, e então ela ainda corre até desmaiar, esperando que a respiração áspera e faminta em seus ouvidos seja dela.


Quando ela acorda, ela ouve o chilrear dos pássaros. A luz do sol salpica seu rosto e sua saia manchada de sangue. A floresta está quieta, o ar fresco e frio.

O pai dela está morto. O pai dela está morto, e todos estão mortos. Todos.

Todos menos ela.